Nenhum Retorno — o Programa de Bem-Estar e o Espírito Pioneiro
Clifford E. Young
Deve ser motivo de orgulho, meus irmãos e irmãs, para todos nós, pertencer à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e, à luz dos relatórios que acabamos de ouvir, devemos estar mais gratos do que nunca pela bondade de nosso Pai Celestial. Frequentemente ouvimos queixas sobre as exigências que nos são feitas, e muitas vezes essas queixas são apresentadas "em bloco", por assim dizer. ¶
O Programa de Bem-Estar como Oportunidade de Serviço
O orçamento do bem-estar, por exemplo, é encarado a partir dos totais apresentados, e, ao vermos o programa à luz desses totais, pensamos nele como um fardo sobre nós, membros da Igreja. Ao analisá-lo, porém, o encargo per capita não é tão pesado, e esse campo de atividade se torna não um fardo, mas uma oportunidade de serviço. Na verdade, o programa de bem-estar não se mede em dólares e centavos, mas em espécie, e pode ser que, no futuro, nosso dinheiro tenha pouco valor. Mas ainda estaremos em condições de prestar socorro àqueles que estiverem em necessidade, em razão deste programa de produção pelo esforço conjunto de todos os membros da Igreja. Não é motivo de satisfação saber e sentir que, se e quando o dia da necessidade chegar até nós, poderemos recorrer àqueles a quem cabe estender ajuda, e que essa ajuda estará disponível? Como eu disse, pode não ser em dólares e centavos, mas pode ser nas próprias coisas de que falou o Presidente Clark; o exemplo da Alemanha a que ele se referiu. Não foi dinheiro o que aquelas pobres pessoas precisavam. Foi algo para vestir, e comida para comer, e calor. O dinheiro não podia comprar o que elas precisavam, porque as coisas de que precisavam não estavam à venda. Mas neste grande programa a que nos comprometemos, comida e roupa estavam disponíveis sem dinheiro. Esta é a razão pela qual, para os Santos dos Últimos Dias, o programa de bem-estar traz em si os elementos da segurança, e quão gratos devemos ser por ele. ¶
Experiências de uma Família Pioneira
Este é um grande ano, um ano de aniversário, e penso que podemos refletir sobre algumas das coisas que se passaram, e elas podem nos dar inspiração para o futuro. Estou pensando esta manhã numa pequena cabana de toras que se encontra no Liberty Park, construída por meu avô Riter. Foi transportada para lá de um de nossos lotes pioneiros pelas Filhas dos Pioneiros de Utah e outros interessados em preservar santuários que sejam fonte de inspiração para o povo. Esta pequena cabana de toras não é diferente de muitas que foram construídas em 1847. Originalmente era uma cabana de toras de um só cômodo, construída naquele ano. Mais tarde, colocou-se nela uma divisória, de modo que passou a ter dois cômodos. A mãe que morava naquela pequena cabana de toras era uma convertida à Igreja vinda da Pensilvânia. Ela, suas irmãs, sua mãe e seu marido foram apanhados na "Rede do Evangelho", para usar o termo que o Irmão Widtsoe usa carinhosamente ao falar de sua digna mãe, e permitam-me dizer de passagem que o tipo a que ele se refere em seu encantador livro é o tipo que às vezes esquecemos. Eles também eram pioneiros. Vieram do mundo. As dificuldades físicas talvez não tenham sido tão severas quando vieram, mas ainda assim foram pioneiros. Deixaram seus lares, seus parentes, e muitas vezes seus próprios pais, por uma fé impopular, porque tinham em suas almas um testemunho da divindade desta obra. Pois bem, esta pequena família a que me referi, a mãe que certa vez morou nesta pequena cabana de toras, chegou a Nauvoo, esperando encontrar um lar, mas não o encontrou, porque, pouco depois de sua chegada, haveria de testemunhar o martírio do Profeta e de seu irmão, o patriarca. Depois a família seguiu adiante, e começaram a atravessar aquelas planícies pantanosas de Iowa, sobre as quais o Irmão Preston Nibley nos tem falado tão vividamente em seus artigos na Seção da Igreja no News. Duvido que vós e eu possamos visualizar, possamos apreciar, as dificuldades sob as quais viajaram. Ao iniciarem a jornada, encontraram desânimo, fome, falta de coisas para se aquecerem. As condições eram indescritíveis, e, no entanto, não havia queixa. Ah, alguns deles sentiam e se perguntavam por quê. Neste pequeno grupo havia um pai que era um homem prático. Era um "Dutchman" da Pensilvânia. Deixara um lar onde as coisas eram razoavelmente seguras, e disse um dia à sua esposa: ¶
"É melhor voltarmos. É melhor voltarmos de onde viemos. As condições estão tão incertas." Isso é natural que qualquer pai diga. É natural que uma mãe pense assim. Estavam viajando entre índios e não tinham certeza de para onde iam, e as condições não eram muito favoráveis. Naturalmente pensariam em seus filhos. Tinham dois meninos. Pensavam no bem-estar dos meninos, não no próprio. Pergunto-me quantos de nós quereríamos voltar, mas aquela mãe não queria voltar. Ela fora apanhada na "Rede do Evangelho", e sabia que era verdadeira, e assim disse: "Não voltaremos — não voltaremos; vamos em frente!" Essa era minha avó Riter, e sua fé e seu espírito indomável sempre foram uma inspiração para mim, e esse espírito deveria ser uma fonte de inspiração para todos nós. ¶
Nenhum "Retorno"
Esta Igreja celebra agora o centésimo décimo sétimo aniversário de sua organização. Não houve retorno algum desde aquele dia memorável; não deve haver retorno agora. Alguns talvez tenham caído pelo caminho. Uma das grandes contribuições da vida pioneira e da colonização pioneira foi o fato de que o povo "mórmon" não retrocedeu. Vós já lestes a história de outras companhias pioneiras que vieram para o Oeste naqueles primeiros períodos. Muitas delas partiram talvez com trinta ou quarenta pessoas e terminaram com a metade desse número. Não eram construtores de lares; eram caçadores de peles; eram homens em busca de outra coisa que não lares. Mas foi diferente com os Santos dos Últimos Dias. Eles haveriam de vir para o Oeste sob a direção e a inspiração de um grande líder, para construir lares, e houve pouco retorno, e essa é a inspiração para nós hoje, meus irmãos e irmãs: que não haja retorno, que não haja vacilação. ¶
O Irmão Anderson leu sobre o crescimento da Igreja, de sua condição de membros. Estamos gratos por isso, mas, ao analisarmos, os números significam muito pouco. Somos fortes, somos poderosos e influentes apenas na medida em que vivemos as coisas que Deus revelou para nós, seus filhos. Somos um grande povo apenas na medida em que nos apegamos àqueles conceitos que foram revelados para nosso benefício e bênção. ¶
O programa de bem-estar, e todo programa da Igreja, são fortes somente na medida em que os apoiamos com nossa fé e nossa devoção. E somos fortes somente na medida em que vivemos os conceitos do que é certo, conforme revelado pelo Senhor Jesus Cristo. ¶
Que Deus nos ajude a viver de modo a fazê-lo, e a que não retrocedamos nem vacilemos, mas sejamos dignos e fortes na fé, é o que humildemente peço, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶