Pulpit

Os Fundamentos do Evangelho

Joseph F. Merrill

Conferência Geral de Outubro de 1945·Sessão da Manhã de Domingo·1945-10-07

Irmãos e Irmãs:

Conferências deste tipo são destinadas principalmente aos membros da Igreja, mas os não membros são bem-vindos para assistir às sessões públicas e, é claro, para ouvir a transmissão radiofônica. No entanto, é aos membros que a maioria de nós, que discursamos, dirige suas palavras. Isso é o que farei durante os poucos minutos que ocuparei.

Uma Religião Prática

Ensinamos que a nossa religião é muito prática e, sendo um modo de vida, toca todas as fases do nosso viver diário. Cremos, com o Apóstolo Tiago, que a fé sem obras é morta. Também cremos, com o Apóstolo Paulo, que "... pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." Alguns leitores parecem parar aqui, mas leiamos o versículo seguinte, que diz:

Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. (Ef. 2:8-10.)

Esta afirmação de Paulo está em harmonia com a que Jesus fez em Seu grande Sermão da Montanha, quando disse:

E assim, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. (Mateus 7:20-21.)

O Apóstolo Paulo também escreveu, como também sabeis, estas palavras:

Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. (I Cor. 3:16-17.)

Uma Lei de Saúde

Como meio de preservar os nossos corpos de certos tipos de contaminação (destruição), o Senhor deu à Igreja, logo em seu início, e à família humana em geral, o que se tem chamado apropriadamente de lei de saúde, mais conhecida entre nós como a Palavra de Sabedoria. Especialistas qualificados no campo da ciência e da medicina têm afirmado que os alimentos e as bebidas são as coisas que mais influem na saúde do corpo do que qualquer outro fator comum. Assim, nos últimos anos, a ciência da dietética -- a ciência e a arte de alimentar -- veio à proeminência e baseia-se em uma imensa quantidade de experimentação e pesquisa. A saúde do indivíduo e a saúde do povo em massa são extremamente importantes, não só para os indivíduos em si, mas também para o público. Por isso, os governos civis, as organizações humanitárias particulares, a Igreja etc. estão vitalmente interessados nos problemas de saúde.

É meu propósito agora, contudo, fazer algumas observações relativas a apenas um dos muitos problemas no vasto campo das coisas que afetam a saúde humana. Na seção oitenta e nove de Doutrina e Convênios encontramos uma revelação dada ao Profeta Joseph Smith em fevereiro de 1833, menos de três anos depois da organização da Igreja, na qual se ordena a abstinência de vinho, bebidas fortes, tabaco e bebidas quentes, porque não são boas para o homem. Por bebidas quentes entendia-se principalmente chá e café, embora pesquisas posteriores tenham descoberto que quaisquer bebidas em altas temperaturas, tais como água quente e sopas, são prejudiciais. As ideias expressas na Palavra de Sabedoria foram formuladas em palavras que tinham o sentido corrente da época. Naqueles dias, bebidas quentes eram geralmente entendidas como chá e café. A Igreja agora interpreta as palavras "vinho" e "bebidas fortes" como significando todas as bebidas alcoólicas, das quais há muitas variedades.

De passagem, talvez valha a pena observar que a revelação sobre a Palavra de Sabedoria foi dada numa época em que os homens de ciência sabiam pouco, ou quase nada, sobre os fatos básicos da ciência da dietética. Desde então, e nos últimos cinquenta anos, uma vasta quantidade de pesquisa tem sido feita, e aquela pertinente aos assuntos mencionados na Palavra de Sabedoria confirma as verdades ali reveladas. Este fato deveria dar alegria e satisfação a todos os Santos, pois é testemunho irrefutável da divindade daquele grande documento. O tempo não me permite agora entrar em detalhes sobre esse testemunho. Repito, porém, que uma multidão de fatos descobertos cientificamente apoia a Palavra de Sabedoria, e, até onde sei, nenhum a refuta.

Propaganda Enganosa

Entre esses está o fato irrefutável de que o licor e o tabaco não são bons para o homem. A ciência, a experiência e a revelação concordam nessa afirmação. Então, por que as pessoas continuam a usar licor e tabaco? Perguntai a Satanás, ele sabe. Satanás é um enganador, o pai da mentira, a inspiração de homens gananciosos empenhados em promover males e desígnios astutos, calculados para desencaminhar o povo, particularmente a juventude, para hábitos de beber e fumar. Para esse fim, somas enormes de dinheiro são continuamente gastas em material de propaganda publicitária, muito dele repleto de declarações enganosas e parcial ou totalmente falsas. Poucos anos antes do início da grande guerra mundial, um hábil investigador descobriu que mais de sessenta milhões de dólares eram gastos anualmente nos Estados Unidos com propaganda de cigarros e bebidas alcoólicas. Visto que todos nós temos alguma ideia do poder do dinheiro, será de admirar que agências de publicidade que aceitam anúncios de licor e tabaco, como jornais, revistas e rádios, sejam contrárias à proibição?

Permiti-me dizer aqui que fumar e beber neste país tornaram-se tão generalizados que a enorme soma de dez bilhões e meio de dólares foi gasta durante 1944 com licor e tabaco, segundo se relatou de maneira autorizada.

Acabo de dizer que a ciência, a experiência e a revelação concordam que o licor e o tabaco não são bons para o homem. Permiti-me especificar um pouco.

Efeitos Nocivos do Tabaco

Quanto ao uso do tabaco, ele afeta nocivamente o coração e o sistema circulatório, os pulmões e o sistema respiratório, o cérebro e as faculdades mentais, o sistema nervoso, os rins e os órgãos de eliminação, o sistema muscular etc., enfraquecendo assim o corpo, com o resultado de que ele fica menos resistente a doenças de vários tipos. Recentemente, saiu da imprensa um novo livro sobre o tabaco e seus efeitos, escrito pelo Dr. Frank Leighton Wood, intitulado What You Should Know About Tobacco ("O que Você Deveria Saber Sobre o Tabaco"). O Dr. Irving Fisher, da Universidade de Yale, escreveu um prefácio para o livro, no qual disse:

O problema do tabaco tem, por anos, ocupado a minha atenção, tanto em seus aspectos econômicos quanto higiênicos. Como tesoureiro do Comitê para o Estudo Científico do Problema do Tabaco e como presidente do Conselho de Referência Higiênica do Instituto de Extensão da Vida, que talvez tenha contribuído mais do que qualquer outra agência para a solução do problema básico do tabaco, tive oportunidades incomuns de me familiarizar com este problema de tantas facetas.... A evidência hoje existente é suficiente para mostrar que ninguém que fume pode alcançar o melhor de que é capaz, seja isso uma corrida a pé, uma luta por dinheiro, um jogo de golfe, caminhar na corda bamba, uma pontuação de tiro, bombardear o Reich, escrever, discursar, cantar, atuar, tocar violino, piano ou máquina de escrever, alcançar saúde, força, resistência, capacidade de trabalho, beleza, encanto, ou qualquer outra excelência sobre a qual homens e mulheres tenham posto o coração. Boxeadores e acrobatas sabem disso. É tempo de que os ambiciosos em todas as outras áreas de trabalho também o aprendam.

Quanto ao efeito sobre o sistema muscular, dou esta ilustração, encontrada na edição de 1938 do livro-padrão How to Live ("Como Viver"), de Fisher e Emerson:

Há alguns anos, o Dr. W. P. Lombard, professor de fisiologia da Universidade de Michigan, conduziu uma série de observações com o propósito de determinar a influência do fumo sobre o trabalho muscular. Ele relatou: "O registro dessas observações sucessivas mostra que o efeito de um único charuto de força moderada foi diminuir o trabalho de que o sujeito era capaz, de setenta e cinco pés-libra para quinze pés-libra, sendo o número de vezes em que o peso podia ser levantado reduzido de oitenta e seis para doze -- mais de oitenta por cento. Estes números indicam com que seriedade o tabaco reduz a força e a resistência de uma pessoa!"

Em seu livro, depois de apontar muitos efeitos nocivos do uso do tabaco, o Dr. Wood diz:

Há um aspecto do hábito de fumar que, para alguns, é mais importante do que seu efeito sobre a própria vida. Um grande número de pessoas, incluindo muitos médicos, são bastante indiferentes quanto à sua saúde ou à possibilidade de morrer prematuramente. Quando confrontadas com fatos sobre os efeitos do tabaco ou de outras drogas causadoras de hábito em encurtar a vida, elas podem aceitá-los, mas, num espírito de bravata, podem acrescentar que preferem viver seus cinquenta anos a existir por cem. Ao dizer isso, presumem que o fumante vive uma vida mais feliz, contente e útil do que o não fumante. Mas será que vive? Nos capítulos seguintes mostraremos que, em média, não só o fumante morre numa idade muito mais precoce do que o não fumante, como também é mais frequentemente afligido por doenças dolorosas e incapacitantes de longa duração, e que, além disso, sofre de vários males menores, tais como tosse incômoda, rouquidão, aspereza na garganta, azia, falta de ar e muitos outros sintomas ou doenças desagradáveis que são peculiares aos que usam tabaco de qualquer forma. Mostraremos que ele não pode se destacar nos esportes, como a maioria das pessoas já sabe; que ele será prejudicado na obtenção de uma educação e, por essa razão, poderá igualmente ser prejudicado na satisfação de suas outras aspirações na vida. Mostraremos que até mesmo o seu caráter pode ser afetado desfavoravelmente.... Mostraremos que as moças e os rapazes, os homens e as mulheres que começam a fumar com a intenção declarada de fumar com moderação e abandonar o hábito quando perceberem que ele está se tornando prejudicial, quase sempre fumam em grande excesso e raramente abandonam o hábito. Ninguém pode estar em seu melhor se usa tabaco, assim como não pode o pugilista, o corredor ou o jogador de bola, pois o uso dessa droga interfere no suprimento de sangue, não só dos músculos do coração, mas de todo órgão e toda parte do corpo, incluindo o cérebro, o fígado, o estômago e os órgãos reprodutivos, como mostraremos.

O uso do tabaco encurta a vida. Este fato foi demonstrado satisfatoriamente a todo o mundo científico com o aparecimento de um relatório do Dr. Raymond Pearl, da Universidade Johns Hopkins, publicado na revista Science, em 4 de março de 1938. O Dr. Pearl e seus colaboradores fizeram tabelas de vida completas sobre 6.813 homens brancos, entre trinta e setenta anos de idade. Ele dividiu esse grupo em três -- 2.095 não usuários de tabaco; 2.814 fumantes moderados; 1.905 fumantes inveterados. Descobriu que, entre as idades de trinta e setenta anos, o fumante inveterado morria, em média, dez anos mais jovem do que os não fumantes; que os fumantes moderados, em média, também morriam de um a cinco anos mais cedo. E, como já citei, os fumantes são menos livres de males corporais do que os não fumantes. Assim, repito: o fato é que os fumantes morrem mais cedo do que os não fumantes.

Permiti-me citar algumas palavras do falecido Dr. A. L. Warner, que dedicou uma longa vida ao estudo dos efeitos nocivos do tabaco sobre a mente, o corpo e o caráter, e que era amplamente conhecido por seus escritos sobre o assunto. Ele escreveu:

A grande maioria dos jovens dos Estados Unidos tem usado tabaco. Estamos criando uma raça de degenerados pelo tabaco. As crianças herdam de seus antepassados usuários de tabaco o desejo pelo narcótico, tornando-as, à medida que crescem, presas fáceis do tabaco, do licor e de outras drogas. O crime juvenil, o vício e a degeneração aumentam continuamente com o aumento do uso do tabaco. A idade média do crime nos Estados Unidos caiu, em dezesseis anos, de vinte e oito para dezenove anos.

Por mais lamentável que seja, as jovens, nos últimos anos, passaram a fumar, e o hábito vem crescendo rapidamente entre elas. De um artigo escrito por Alonzo L. Baker, editor associado da revista Good Health, e intitulado "Should Women Smoke?" ("Deveriam as Mulheres Fumar?"), faço algumas citações a seguir:

Eis dois fatos que toda moça e mulher na América deveriam ter em mente:

  1. O tabaco prejudica a mulher fisicamente mais do que ao homem.

  2. O tabaco causa mais dano à raça através das mães do que através dos pais.

Mencionando alguns efeitos nocivos, ele prossegue:

Uma pergunta vital é o efeito do tabaco na gravidez. Estes dois fatos são indiscutíveis: (1) a nicotina é uma das poucas substâncias que atravessa a placenta até o feto; (2) a nicotina passa ao lactente pelo leite materno. Em vista da virulência do veneno que é a nicotina, o dano tanto ao filho ainda por nascer quanto ao filho amamentado é inevitável quando ele é nicotinizado antes e depois do nascimento.... O hábito de fumar generalizou-se entre as mulheres, nos últimos anos, somente na América. Relatórios preliminares... já feitos até aqui indicam que o número de natimortos e de crianças prematuras nascidas de mães que fumam habitualmente é acentuadamente mais alto do que entre as mães que se abstêm do tabaco.... Motivo de justa alarma é o número rapidamente crescente de moças que adquirem o hábito do tabaco antes de atingirem a maturidade física. O fumar por parte das moças durante os anos da adolescência não é nada menos do que uma tragédia, pois são esses os anos em que a nicotina causa o maior dano aos sistemas nervoso e glandular em crescimento do corpo feminino.

O Dr. D. H. Kress, outro conhecido opositor ao fumo, escreveu sobre este ponto em particular, dizendo:

Que tanto o marido quanto a esposa sejam viciados na inalação da fumaça é destrutivo de tudo o que é bom. Filhos nascidos de tal casal seria melhor que nunca tivessem nascido;... tudo o que é prejudicial à criança depois de seu nascimento é igualmente prejudicial a ela antes de seu nascimento, quando praticado pela mãe grávida.

O Cirurgião-Geral dos Estados Unidos, Hugh S. Cummings, escreveu certa vez:

Quando as mulheres em geral contraírem o hábito de fumar (como estão fazendo agora), toda a nação sofrerá. O vigor físico de toda a nação será rebaixado. Esta é uma das influências mais perniciosas na vida americana hoje. O hábito prejudica mais a mulher do que o homem.

O Presidente Charles W. Eliot, da Universidade de Harvard, certa vez, ao falar à sua turma de calouros sobre o assunto do tabaco, deu o seguinte conselho:

Meus caros calouros, quero que se lembrem de que o tabaco, em qualquer forma, destrói o cérebro, e vocês não têm nenhum a sobrar.

O Álcool, uma Maldição

O tempo não permitirá que eu diga muito a respeito do licor. Talvez seja desnecessário fazê-lo, visto que os efeitos da bebida são mais ou menos amplamente conhecidos. Contudo, peço a vossa indulgência enquanto dou duas ou três citações de observadores perspicazes. O Journal of the American Medical Association disse:

O álcool é um veneno inerentemente, absolutamente, essencialmente; numa gota ou num galão, em todas as quantidades e em qualquer quantidade, é um veneno. Evidentemente, a quantidade não pode afetar sua constituição química.

E da pena eloquente do falecido e perspicaz Robert G. Ingersoll, que sabia descrever o álcool em todos os seus efeitos infernais sobre a humanidade, dou o seguinte:

O álcool é o sangue do jogador, a inspiração do assaltante, o estímulo do salteador de estradas e o sustento do incendiário noturno. Ele sugere a mentira e favorece o mentiroso, tolera o ladrão e estima o blasfemo. Ele viola obrigações, reverencia a fraude, transforma o amor em ódio, despreza a virtude e a inocência. Incita o pai a trucidar sua prole indefesa, e o filho a afiar o machado do parricídio.

O álcool consome os homens, devora as mulheres, destrói a vida, amaldiçoa Deus e despreza o céu. Ele suborna testemunhas, alimenta a perversidade, contamina o corpo de jurados e mancha a toga judicial. Ele suborna eleitores, desqualifica votos, corrompe eleições, polui nossas instituições, põe em perigo o governo, degrada o cidadão, rebaixa o legislador, desonra o estadista e desarma o patriota. Ele traz vergonha, não honra; terror, não segurança; desespero, não esperança; miséria, não felicidade; e, com a malevolência de um demônio, contempla calmamente a assustadora desolação e, deleitando-se com a devastação, envenena a felicidade, destrói a paz e arruína a moral, apaga a honra nacional, amaldiçoa o mundo e ri da ruína que provocou. Faz isso e mais. Assassina a alma; é a soma de toda a vilania, o pai de todo crime, a mãe de todas as abominações, o melhor amigo do diabo e o pior inimigo de Deus.

E da voz inspirada da Igreja -- a da Primeira Presidência -- disse-se o seguinte, há três anos, nesta mesma conferência:

A bebida traz crueldade ao lar; caminha de braços dados com a pobreza; suas companheiras são a doença e a peste; põe a castidade em fuga; não conhece nem honestidade, nem retidão nos negócios; é totalmente estranha à verdade; afoga a consciência, é o guarda-costas do mal; amaldiçoa todos os que a tocam.

A bebida trouxe mais aflição e miséria, quebrou mais corações, destruiu mais lares, cometeu mais crimes e encheu mais caixões do que todas as guerras que o mundo já sofreu.

Sim, de acordo com a vontade divina, a Igreja permanece absoluta e continuamente contrária ao fumo e ao consumo de todos os tipos de bebidas alcoólicas. Ela chama persistentemente os seus membros, e a todos os demais, a se absterem do uso desses venenos destruidores do corpo, da mente e da alma. Que o Senhor nos dê a todos o desejo e a força para fazê-lo, é o que oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Merrill, “Os Fundamentos do Evangelho”, Conferência Geral de Outubro de 1945, Sessão da Manhã de Domingo (1945-10-07). Pulpit Vault, 1945-10-joseph-f-merrill-the-fundamentals-of-the-gospel. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).