Pulpit

Confiança Expressa na Liderança da Igreja

J. Reuben Clark Jr.

Conferência Geral de Outubro de 1945·Sessão da Tarde de Domingo·1945-10-07

Meus irmãos e minhas irmãs, confio que, nos poucos momentos em que estarei diante de vós, eu possa ter parte em vossa fé e orações, para que o que eu disser possa ser útil, ao menos a alguns de nós.

A vasta gama de assuntos abordados nesta conferência mostra o alcance do evangelho de Jesus Cristo e mostra-nos como, nesse evangelho e no plano do evangelho, o Senhor proveu para todas as nossas necessidades. Não há fase da vida que tenhamos de viver que não esteja plenamente coberta pelos princípios do evangelho.

Confiança Expressa na Liderança da Igreja

Como já se tem observado repetidamente, e eu mesmo já mencionei, estamos iniciando uma nova era na história da Igreja. Tivemos grandes líderes no passado: o Presidente Smith, o Presidente Young, o Presidente Taylor, o Presidente Woodruff, o Presidente Snow, o Presidente Smith, o Presidente Grant e, agora, o Presidente George Albert Smith. Cada um desses irmãos no passado teve o amor, a confiança e o respeito de todo Santo dos Últimos Dias que vivia como devia viver. Só falaram mal aqueles que não estavam servindo ao Senhor. Como no passado, assim é hoje.

Permiti-me dizer que sentimos falta hoje, e ao longo desta conferência, não apenas da presença, mas das admoestações do Presidente Grant -- um grande homem, tão estimado por todos que o conheceram, dentro e fora da Igreja, um homem de princípios firmes, um homem que viveu como pregava, um homem que não conhecia dissimulação, um homem honesto e verdadeiro, respeitado e amado, a quem dei toda a lealdade que tinha. O mundo não esquecerá tão cedo o Presidente Grant.

Chegamos agora ao Presidente Smith, e novamente digo que a ele dou toda a lealdade, todo o respeito, e dar-lhe-ei todo o amor que dei ao Presidente Grant. Se eu não o fizesse, não seria digno da escolha que ele fez. Que Deus me ajude a cumprir meu dever.

Inspiração Contínua Necessária ao Crescimento da Igreja

O Irmão Stephen L Richards disse ontem algumas palavras, junto com outros, a respeito do crescimento desta Igreja. Houve um crescimento maravilhoso. Vós vos lembrareis de que, depois que o Salvador morreu, Paulo nos diz que uns quinhentos se reuniram e ele lhes apareceu. Podemos supor, creio eu, que esse número era mais ou menos o total da congregação que ele conseguira reunir. Poucos dias depois de Pentecostes, Pedro, pregando no templo, falou a cinco mil, muitos dos quais pareciam ser crentes. Mas o crescimento da igreja a partir de então, embora grande, parece nunca ter-se aproximado do nosso crescimento em número. Lembro-me vagamente de ter lido em algum lugar que havia talvez cem mil membros ao fim dos primeiros cem anos. Nós somos quase um milhão. Aqueles cem mil, ou qualquer que fosse o número, seguiram em frente, mas os registros mostram que, depois da era apostólica, depois que os apóstolos morreram, o povo começou a desviar-se da verdade. Alguns escritores afirmam que a inspiração cessou. Talvez seja por isso que não cresceram mais rapidamente, e certamente nós temos crescido tão rapidamente porque a inspiração e a revelação, das quais o Irmão Widtsoe falou, continuaram conosco durante todos esses anos. Mas mesmo durante o tempo dos apóstolos já começava a haver um desvio, como fica claro nas epístolas de Paulo, de Pedro, João, Tiago e Judas. O povo começou a desgarrar-se, e esse desgarramento aumentou nos séculos seguintes, ganhando velocidade, ao que parece, à medida que avançava.

Começaram a incorporar aos ensinamentos da igreja coisas para tornar o cristianismo um pouco mais aceitável aos filósofos da época. Introduziram algo das doutrinas de Platão, algo das filosofias do Oriente, introduziram o dualismo, e misturaram tudo isso com um pouco de cristianismo, criando, em reação, o culto e as crenças conhecidas como Montanismo. Imperceptivelmente, foram se afastando. Por que se afastaram? Porque estavam tentando satisfazer o pensamento, a filosofia e o raciocínio dos homens, a fim de obter seu apoio e, provavelmente, seu louvor. Assim surgiu o Gnosticismo. O Montanismo foi uma tentativa de retorno aos primeiros princípios do evangelho. Desses dois, com outras doutrinas de filosofia e pensamento que foram surgindo, desenvolveram-se as crenças e práticas cristãs que finalmente se estabeleceram com sede em Roma.

Advertência Contra Mudanças na Ordem Estabelecida da Igreja

Há uma lição profunda em tudo isso para nós hoje. Já estão penetrando entre nós doutrinas que não têm parte nem lugar nas doutrinas puras do evangelho restaurado. Essas heresias estão se infiltrando insidiosamente. Elas nos chegam das filosofias dos homens, em boa parte das filosofias dos eruditos cristãos de nossos dias. Elas tornam nossas doutrinas, como tornaram as crenças cristãs primitivas, mais aceitáveis aos nossos filósofos, mas assim como certamente destruíram a igreja cristã nos primeiros dias, tão certamente nos destruirão a nós, se não as detivermos onde estão.

É fácil ver também como a igreja cristã primitiva se afastou das práticas simples que o Senhor estabeleceu e que seus apóstolos seguiam.

Quero dizer uma palavra especialmente a vós, irmãos e irmãs, que vindes de longas distâncias, vós que estais nas áreas mais afastadas da Igreja, cercados como estais pela massa do povo que não crê como credes; estais sujeitos às suas influências, seus contatos sociais, seus hábitos e seus costumes. Achareis inevitavelmente que eles procuram desviar-vos, e vós, sendo humanos, deveis lutar para não vos deixardes desviar. Preservai, digo-vos, irmãos e irmãs, a simplicidade de nossos ritos, poucos que são, e de nossas cerimônias. Não comeceis a introduzir vestimentas e pompas elaboradas na administração do sacramento. Eu vos surpreenderia se vos contasse até onde se relata que alguns já foram.

Por favor, não nos digais: "Vós não compreendeis, estais aqui em cima, e nós estamos nessas grandes áreas metropolitanas, e não conheceis os nossos problemas." Pois bem, alguns de nós conhecemos. Alguns de nós já vivemos em grandes áreas metropolitanas. Não há área alguma em que, por exemplo, o sacramento não possa ser administrado com simplicidade. A vossa não é uma situação peculiar, desconhecida.

De novo: às vezes tendes de percorrer longas distâncias para chegar a vossas reuniões, mas assim também é para o povo em muitas, muitas áreas rurais deste estado, do estado ao sul e do estado ao norte. Eles se arranjam, e vós também podeis. Não tenteis chegar à posição em que possais cumprir todo o vosso culto em um par de horas na manhã de domingo. Não façais isso. O ponto que espero estejais compreendendo é: não tenteis mudar a ordem estabelecida da Igreja para adequá-la ao que vos parece ser uma situação peculiar vossa. Não sois diferentes, sois iguais, e se vós mudardes, e outro mudar para se adequar à sua conveniência e à sua situação peculiar, e depois outro, em outro lugar, e assim por diante, chegaremos a um tempo em que a nossa unidade, não só de observância, mas de fé, deixará de existir.

Suplico-vos, meus irmãos e irmãs, que vos apegueis firmemente à barra de ferro.

Nunca cometereis um erro seguindo as instruções e o conselho daquele que está à cabeça como porta-voz de Deus na terra.

Que o Senhor nos dê fé e força, que nos dê determinação, que sejamos valorosos, que tenhamos coragem, que vivamos sempre com simplicidade, que adoremos a Deus em nossos corações, não apenas com cerimônia; que sejamos, em verdade, o seu povo, é o que humildemente oro, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJ. Reuben Clark Jr., “Confiança Expressa na Liderança da Igreja”, Conferência Geral de Outubro de 1945, Sessão da Tarde de Domingo (1945-10-07). Pulpit Vault, 1945-10-j-reuben-clark-jr-confidence-expressed-in-church-leadership. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).