Obrigações que Recaem sobre a Igreja
Ezra Taft Benson
Não posso deixar de expressar, meus irmãos, minha satisfação pessoal pela escolha destes dois excelentes homens, o Irmão Seymour Dilworth Young e Milton Reed Hunter, para servirem como membros das Autoridades Gerais da Igreja. Como alguém que recentemente ingressou nos conselhos presidentes da Igreja, posso assegurar-lhes que podem esperar algumas das experiências mais doces e mais satisfatórias para a alma que vêm aos homens nesta vida. Com todo o meu coração dou-lhes as boas-vindas e asseguro-lhes meu amor e minha confiança. ¶
Obrigações que Recaem sobre a Igreja
Tenho ficado impressionado, durante esta conferência, com as grandes responsabilidades e obrigações que recaem sobre esta Igreja e seu povo. Fiquei impressionado com a inspiradora mensagem do Presidente Grant, que chamou nossa atenção para algumas dessas obrigações que são nossas como líderes. Tenho sentido, com frequência, que existem três grandes e importantes obrigações, possivelmente ofuscando todas as demais, que recaem sobre este povo e sobre esta grande Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A primeira delas, pelo menos na ordem de ênfase nesta dispensação, é a obra missionária — a responsabilidade que recai sobre este povo de levar a mensagem do evangelho restaurado aos povos do mundo. Temos estado empenhados nessa obra desde que a Igreja foi organizada, sim, ainda antes. Em segundo lugar, temos a responsabilidade de edificar as estacas, alas e ramos de Sião. Isso implica a edificação de um reino material, bem como de um reino espiritual. Implica prover instalações — casas de adoração, templos, edifícios de seminário — que são tão necessárias para levarmos adiante a parte espiritual do programa. Implica cuidar de nosso povo, temporal, física, cultural e socialmente, bem como espiritualmente. E, em terceiro lugar, temos a grande responsabilidade de realizar certas ordenanças sagradas nos templos do Senhor — responsabilidade que recai sobre todo portador do sacerdócio, bem como sobre as irmãs da Igreja. ¶
Responsabilidade Missionária
Alegrou-me notar a importância que o Presidente Grant deu, em sua mensagem, à primeira obrigação mencionada — a do serviço missionário. Ao ler as revelações que o Senhor nos deu nesta dispensação, tenho ficado impressionado ao notar que, provavelmente, sobre nenhum outro assunto ele se referiu tão frequentemente quanto ao nosso dever, como povo, de levar esta mensagem do evangelho restaurado aos povos do mundo. Ao reler as revelações que o Senhor nos deu, notei que pelo menos vinte e cinco a trinta dessas revelações fazem menção específica a esta grande responsabilidade ¶
que é nossa. Notei também que, em algumas das revelações, dadas mais de um ano antes de a Igreja ser organizada, o Senhor fez menção especial a esta importante missão dos Santos dos Últimos Dias. Permiti-me chamar-vos a atenção, nesta noite, para algumas dessas revelações. Não haverá tempo para discutir, em detalhe, nenhuma delas. Simplesmente as chamo à vossa atenção. Em fevereiro de 1829, o Senhor disse o seguinte: ¶
Agora eis que uma obra maravilhosa está para iniciar-se entre os filhos dos homens. ¶
Portanto, ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que vos apresenteis sem culpa perante Deus no último dia. (Doutrina e Convênios 4:1, 2.) ¶
Então ele prossegue, apontando, nesta e em outras revelações: ¶
Eis que o campo já está branco para a ceifa; portanto, quem deseja ceifar que lance a sua foice com vigor e ceife enquanto durar o dia, a fim de entesourar para sua alma salvação eterna no reino de Deus. (Doutrina e Convênios 6:3.) ¶
Muitos dos que entraram em contato com o Profeta Joseph, mesmo antes da organização da Igreja, convenceram-se e receberam testemunhos da autenticidade de sua mensagem. Não era incomum que se aproximassem do Profeta e lhe pedissem que perguntasse ao Senhor a respeito de suas responsabilidades e obrigações. Lembrai-vos do importante papel desempenhado pela família Whitmer. Foi na casa de Peter Whitmer, pai, que o Livro de Mórmon foi traduzido — pelo menos a parte final dele ali se completou. John, David e Peter Whitmer, filho, aproximaram-se do Profeta e perguntaram se ele indagaria ao Senhor o que deveriam fazer — qual era o dever deles como homens que recentemente haviam recebido o testemunho da verdade. O Profeta fez a indagação, e temos três seções da Doutrina e Convênios dedicadas à resposta a essas indagações. São muito semelhantes. Permiti-me ler da seção 15 — a resposta ao pedido de John Whitmer. ¶
Escuta, meu servo John, e dá ouvidos às palavras de Jesus Cristo, teu Senhor e teu Redentor. ¶
Pois eis que te falo com clareza e com poder, pois meu braço está sobre toda a Terra. ¶
Dir-te-ei aquilo que nenhum homem sabe, a não ser eu e tu somente — ¶
Pois muitas vezes desejaste saber de mim o que seria de maior valor para ti. ¶
Eis que abençoado és por isso e por teres declarado minhas palavras, que te dei de acordo com meus mandamentos. ¶
E agora, eis que eu te digo que a coisa de maior valor para ti será declarar arrependimento a este povo, a fim de trazeres almas a mim e descansares com elas no reino de meu Pai. Amém. ¶
Foi apenas pouco tempo depois disso que o Senhor, em outra revelação, na qual indicou o chamado do Quórum dos Doze Apóstolos nesta dispensação, fez esta declaração: ¶
Lembrai-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus; ¶
Pois eis que o Senhor vosso Redentor sofreu a morte na carne; portanto, sofreu a dor de todos os homens, para que todos os homens se arrependessem e viessem a ele. (Doutrina e Convênios 18:10 e 11.) ¶
E ainda: ¶
E, se trabalhardes todos os vossos dias clamando arrependimento a este povo e trouxerdes a mim mesmo que seja uma só alma, quão grande será vossa alegria com ela no reino de meu Pai! (Doutrina e Convênios 18:15.) ¶
O Senhor falou frequentemente a respeito das obrigações dos élderes da Igreja e, muitas vezes, elogiou-os por sua fidelidade e devoção, a ponto de indicar que tudo o que falassem, quando movidos pelo Espírito Santo, seria a vontade do Senhor, a palavra do Senhor, e seria escritura para o povo. Contudo, às vezes, naqueles dias, como neste dia, havia homens que temiam mais aos homens do que ao Senhor, e ocasionalmente ele teve motivo para repreender alguns dos élderes da Igreja. ¶
Na seção 60, lemos o seguinte versículo: ¶
Com alguns, porém, não estou satisfeito, porque não abrem a boca; mas escondem o talento que lhes dei, por causa do temor aos homens. Ai desses, porque contra eles está acesa a minha ira. ¶
E depois, na seção 68 — à qual já me referi — ¶
E tudo que disserem, quando movidos pelo Espírito Santo, será escritura, será a vontade do Senhor, será a mente do Senhor, será a palavra do Senhor, será a voz do Senhor e o poder de Deus para a salvação. (Doutrina e Convênios 68:4.) ¶
E esta promessa adicional, grande e importante, feita àqueles que saem como missionários levando a mensagem do evangelho restaurado: ¶
E não se cansará nem se turvará a mente do homem que sair a pregar este evangelho do reino, nem seu corpo, membros e juntas; nem um fio de seus cabelos cairá sem que se perceba. E não sofrerão fome nem sede. (Doutrina e Convênios 84:80.) * ¶
Assim, os primeiros missionários da Igreja saíram, começando com Samuel H. Smith, apenas alguns dias depois de a Igreja ser organizada. O número foi aumentando até que a mensagem foi levada a todas as partes dos então conhecidos Estados Unidos — ao Canadá, e, em 1837, havia missionários no hemisfério oriental. Mesmo durante os dias sombrios do Missouri e de Illinois, e na peregrinação através das planícies, os missionários seguiram adiante com sua obra. Por vezes houve leve interrupção, mas sempre havia aquele impulso e desejo por parte dos élderes da Igreja, que tinham ardendo em suas almas o testemunho ¶
da verdade — de levar a mensagem do evangelho restaurado aos povos do mundo. Depois que os Santos chegaram ao vale, não era incomum ouvir-se a leitura de longas listas de nomes de homens presentes à conferência geral da Igreja, que eram chamados para ir ao campo missionário e levar a mensagem do evangelho restaurado. Em anos posteriores, tornou-se costume expedir os chamados por carta. ¶
Uma Experiência Familiar Pessoal
Serei sempre grato por uma experiência que veio à nossa família durante este último período a que me refiro; algo mais de trinta anos atrás. Era na época em que as reuniões sacramentais eram realizadas aos domingos à tarde, às duas horas, pelo menos nas alas rurais. Lembro-me muito bem daquele domingo em particular, quando pai e mãe voltaram da reunião sacramental na charrete puxada por um só cavalo. Ao entrarem no quintal, e com sua pequena ninhada de sete filhos reunindo-se ao redor da charrete, testemunhamos algo que nunca havíamos visto antes em nossa família. Tanto pai quanto mãe estavam em lágrimas. Frequentemente havíamos visto mãe em lágrimas e pai oferecendo consolo, ou pai chorando e mãe oferecendo simpatia. Mas nunca antes os havíamos visto chorar ao mesmo tempo. Perguntamos o motivo, e nos foi assegurado que estava tudo bem. Ao segui-los até a casa e sentar-nos na sala de estar, mãe nos contou que pai recebera uma carta da Caixa "B". Aquilo era um chamado para servir em missão. Ela explicou que estavam gratos por ele ser considerado digno de ir, e que estavam felizes; mas sabiam que aquilo significava separação por um período de dois anos, e que nunca haviam se separado por mais de uma noite em toda a sua vida de casados. ¶
Isto é apenas um pequeno detalhe. Praticamente toda família da Igreja poderia contar experiências semelhantes, e até mais impressionantes, relacionadas a este grande movimento missionário. Meu pai foi, como foram vossos pais e avós. O oitavo membro de nossa família nasceu depois que ele já estava no campo missionário. Como aprecio a fé de nossas mães e de nossas avós. Importante tem sido sua responsabilidade em relação a este grande serviço missionário. ¶
A Obra Missionária dos Homens em Serviço nas Forças Armadas
Ora, durante este período crítico pelo qual estamos passando — este período de guerra — nosso programa missionário tem sido seriamente prejudicado. Visitei uma missão há pouco tempo e não encontrei um único jovem em idade militar no serviço missionário — todos estavam no serviço armado de seu país. O corpo missionário era cerca de dez por cento do número normal, composto quase inteiramente por moças missionárias e casais de mais idade. E, no entanto, ao pensar nesta condição de guerra pela qual estamos passando, e no efeito sobre nosso programa missionário, não posso deixar de sentir que provavelmente estamos realizando hoje mais obra missionária, no total, do que jamais realizamos na história da Igreja. Embora nosso número de missionários de tempo ¶
integral tenha sido reduzido, temos, segundo se estima, quase cem mil de nossos jovens no serviço de seu país, centenas e milhares dos quais estão realizando obra missionária eficaz. ¶
Veio ao meu escritório, há poucos dias, um jovem fuzileiro naval, antigo missionário de estaca, com um de seus companheiros. Ele me contou que vinha realizando obra missionária com seus companheiros. Havia recentemente batizado este jovem, e ambos tinham vindo ao Edifício dos Escritórios da Igreja, durante sua licença, na esperança de que este novo converso à Igreja pudesse receber uma bênção patriarcal. ¶
Somente nesta semana vieram ao meu escritório vários jovens, no uniforme de seu país, entusiasmados com as experiências que estavam tendo no campo missionário, embora estivessem a serviço de seu país. Um deles disse: "Irmão Benson, é exatamente como estar em outra missão. As condições são diferentes, mas temos oportunidades de pregar o evangelho, e estamos aproveitando." Uma carta de um jovem lá no Pacífico Sul, apenas alguns dias atrás, contava da luta que tiveram numa das ilhas para reunir um pequeno grupo de Santos dos Últimos Dias. Ele disse que, na primeira vez em que realizaram uma reunião, havia apenas três presentes. Depois, gradualmente o número foi aumentando até o dia em que escreveu a carta, que era domingo, e disse: "Éramos dezesseis na reunião hoje. Quatro dos rapazes se filiaram à Igreja desde que a guerra começou." ¶
E assim, meus irmãos, sinto que temos motivo para nos regozijarmos por termos rapazes no serviço militar com fé suficiente, com o testemunho da verdade que os impele a levar esse espírito missionário a seus companheiros de armas. ¶
A Mensagem da Restauração Deve Seguir Adiante
Sei que há muitos de nossos amigos fora da Igreja que se perguntam por que fazemos isso, por que fazemos o sacrifício, por que incorremos na despesa de enviar missionários. Enviamos, segundo se estima, aproximadamente setenta e cinco mil missionários ao campo durante a breve existência da Igreja; a um custo, tenho certeza, se calcularmos o dinheiro despendido e a renda sacrificada, de possivelmente mais de duzentos milhões de dólares. Por que fazemos isso? Recebi uma carta, após a última conferência geral, de um jovem desta cidade, não membro da Igreja, que fez exatamente essa pergunta: ¶
"Por que a Igreja Mórmon continua a enviar missionários pelo mundo, particularmente a países cristãos?" Permiti-me ler as palavras da Primeira Presidência desta Igreja, proferidas há três anos, ontem, deste mesmo púlpito, nas quais deram resposta a esta pergunta. ¶
É nosso dever, divinamente imposto, continuar urgente e militantemente a levar adiante nossa obra missionária. Devemos continuar a chamar missionários e enviá-los para pregar o evangelho, que nunca foi mais necessário do que agora, que é o único remédio para os trágicos males que agora afligem o mundo, e que sozinho pode trazer de volta a paz e o amor fraternal entre os povos da Terra. ¶
Portanto, nenhum ato nosso ou da Igreja deve interferir com este mandato dado por Deus. Isto não é uma questão de nossa própria escolha. Não é algo que tenha sido concebido pelo homem. O Senhor deixou claro para nós, meus irmãos, que a responsabilidade é nossa, como portadores do sacerdócio, de levar esta mensagem do evangelho restaurado aos povos do mundo. E agora, durante este período de prosperidade estimulada pela guerra, quando o dinheiro parece fluir livremente, esperamos que, como líderes em Sião — como pais — estejamos fazendo alguns planos para criar uma reserva, de modo que, quando esta grande luta terminar, nossa obra missionária possa seguir adiante com maior impulso e em maior volume do que nunca antes na história da Igreja. ¶
O Prefácio aos Mandamentos do Senhor
Gostaria de me referir, ao encerrar, a uma outra seção da Doutrina e Convênios. Menciono esta e chamo a atenção para esta revelação com o propósito de indicar que nossa mensagem é uma mensagem mundial. Não é regional, não é nacional; é uma mensagem destinada a todos os filhos de Deus. Refiro-me à primeira seção da Doutrina e Convênios, dada anos depois de algumas das revelações a que já me referi. Foi dada com um propósito particular, para aparecer como prefácio a este livro de mandamentos que o Senhor nos deu nesta dispensação. Estas são as palavras do Senhor, a esta Igreja e ao mundo: ¶
Escutai, ó povo da minha igreja, diz a voz daquele que habita no alto e cujos olhos estão sobre todos os homens; sim, em verdade vos digo: Escutai, ó povos distantes e vós, que estais nas ilhas do mar, escutai juntamente. Pois em verdade a voz do Senhor dirige-se a todos os homens e ninguém há de escapar;... E a voz de advertência irá a todos os povos pela boca de meus discípulos, que escolhi nestes últimos dias.... Eis que esta é a minha autoridade e a autoridade de meus servos e o meu prefácio ao livro de meus mandamentos, os quais lhes dei para que os publicassem para vós, ó habitantes da Terra. ¶
E mais adiante: ¶
E também em verdade vos digo, ó habitantes da Terra: Eu, o Senhor, estou disposto a tornar conhecidas estas coisas a toda carne; Porque não faço acepção de pessoas e desejo que todos os homens saibam que o dia rapidamente se aproxima; ainda não é chegada a hora, mas está perto, em que a paz será tirada da Terra e o diabo terá poder sobre seu próprio domínio.... Examinai estes mandamentos, porque são verdadeiros e fiéis; e as profecias e as promessas neles contidas serão todas cumpridas. O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo. (Doutrina e Convênios 1:1-3, 4, 6, 34-35, 37-38.) ¶
E assim, meus irmãos do sacerdócio, nossa mensagem é uma mensagem mundial, a obrigação é nossa. O Senhor espera que levemos sua mensagem aos habitantes da Terra. Possivelmente nunca antes, na história do mundo, houve maior necessidade da simples, mas divina, mensagem do evangelho restaurado. Que Deus nos ajude a cumprir nosso dever a esse respeito, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶