Pulpit

O Significado da Parábola da Ovelha Perdida

David O. McKay

Conferência Geral de Abril de 1945·Sessão da Noite do Segundo Dia·1945-04-07

Enquanto eu ouvia aquela inspiradora interpretação de "Ó Meu Pai," pensei: a música é verdadeiramente a linguagem universal, e, quando excelentemente expressa, quão profundamente comove nossa alma!

Embora as exigências da guerra tenham limitado a assistência, esta é uma grande conferência. É grande porque tivemos, desde a primeira reunião, através de todas as sessões, um derramamento do Espírito do Senhor. Todos vós o sentistes. Os irmãos que falaram foram abençoados e inspirados por ele. Ora, vós, líderes no sacerdócio, tendes uma dupla missão e recebereis uma dupla bênção, ao levardes o espírito desta conferência às vossas alas e estacas.

O que vou dizer esta noite, gostaria que pudesse ser dito ao povo lá nas estacas, porque dois terços do que tenho em mente

se aplicarão a eles; um terço, possivelmente, a vós, irmãos. Assim, vou pedir-vos que o transmitais aos jovens, especialmente em vossas alas.

Há três parábolas muito notáveis, registradas por Lucas no décimo quinto capítulo. Chamam-se as parábolas do perdido e do achado. Geralmente, sempre que são mencionadas, enfatizam-se os princípios do arrependimento e do perdão, e a alegria pelo perdido, porque o perdido foi achado. A essa faceta da parábola não me referirei esta noite, exceto para dizer que penso que essa parte dessas parábolas às vezes é mal interpretada, ou pelo menos mal aplicada. Há outra faceta dessas parábolas que me atrai ainda mais do que a alegria, e é sobre isso que quero falar esta noite. Desejo referir-me às condições que contribuíram para que se perdessem.

O Significado da Parábola da Ovelha Perdida

A cena é uma reunião de publicanos e pecadores que se ajuntaram, ao que parece, em bom número, para ouvir a mensagem de Jesus. Em destaque estão retratados fariseus e saduceus que zombam do Homem de Nazaré, que fala a esses publicanos e pecadores, e os fariseus e saduceus o julgam, suponho, pela companhia que ele mantém. Para os saduceus, os publicanos e pecadores são tidos como perdidos. À multidão, Jesus profere três parábolas. A primeira, a parábola da ovelha perdida:

Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?

Pergunto-vos esta noite: como se perdeu aquela ovelha? Ela não era rebelde. Se seguirdes a comparação, o cordeiro buscava seu sustento de maneira perfeitamente legítima, mas, ou estupidamente, ou talvez inconscientemente, seguiu o atrativo do campo, a perspectiva de melhor pasto, até que saiu para além do aprisco e se perdeu.

Assim, temos na Igreja jovens rapazes e moças que se afastam do aprisco de maneiras perfeitamente legítimas. Buscam o êxito, êxito nos negócios, êxito em suas profissões, e, pouco depois, tornam-se desinteressados da Igreja e, por fim, desligados do aprisco; perderam de vista o que é o verdadeiro êxito, talvez estupidamente, talvez inconscientemente, em alguns casos, talvez deliberadamente. Estão cegos para o que constitui o verdadeiro êxito.

O Verdadeiro Êxito

Jesus deu uma definição apropriada de êxito, penso eu, quando falou de Maria Madalena, dizendo: "Ela fez o que pôde." O verdadeiro êxito é alcançar o nível do nosso melhor em nosso relacionamento com nosso próximo. Muitos desses que se afastam como a ovelha perdida estão

buscando o êxito para fins egoístas, e não para o benefício de seu próximo. Vedes a diferença?

Há mais de vinte anos, tivemos um grupo verdadeiramente excelente de missionários na Missão Europeia. Tenho tido interesse em observá-los ao longo dos anos que se seguiram. Um deles foi um missionário brilhante, e foi fiel. Voltou para casa, completou seus estudos e conseguiu obter uma alta posição em sua profissão. Já se vão vinte anos que exerce essa profissão. Tem êxito nela, mas se afastou tanto, e tem tão pouco contato com o rebanho, o corpo da Igreja, que hesita em associar-se a ele.

Houve outro missionário que voltou para casa por essa mesma época, que também começou a buscar o êxito, e teve êxito. É um comerciante proeminente nesta cidade, de grande êxito; mas sempre se manteve em contato com a Igreja. Penso que ele é um homem de êxito. Teve êxito em seus negócios, mas usou seus meios para ajudar a Igreja de Cristo; está no aprisco. Não há necessidade de partir para o egoísmo, pensando que é preciso deixar a Igreja para se ter êxito. Na Igreja, podemos pedir a ajuda de Deus para nos guiar.

Lembrai-vos da história do comerciante que entrou em seu escritório particular pela manhã e fechou a porta, e um de seus agentes entrou e disse à secretária: "Quero ver o gerente."

A secretária respondeu: "Ele está em conferência."

"Vim de longe para vê-lo, quero vê-lo ainda esta manhã, não posso esperar."

"Pois bem, ele está em conferência."

O homem, arrogantemente, passou pela secretária, abriu a porta do escritório do gerente, e então a fechou silenciosamente, e disse, em tom de desculpa: "Eu não sabia que ele era esse tipo de homem."

Disse a secretária: "Eu lhe disse que ele estava em conferência."

O homem estava de joelhos, pedindo naquele dia a ajuda de Deus em seus negócios.

Peço a nossos jovens em casa, que estão partindo para empreendimentos legítimos, que se lembrem de que o verdadeiro êxito não está apenas em alcançar essa única meta, mas em manter contato com a organização na qual podem servir seu próximo, na qual podem viver ao nível do seu melhor.

Uma Aplicação da Parábola da Moeda Perdida

A segunda parábola é a parábola da moeda perdida. Uma mulher a perdeu e, procurando em vão achá-la, chamou os vizinhos para ajudá-la em sua busca.

Neste caso, a coisa perdida não era, em si, responsável. Aquele a quem essa moeda fora confiada, por descuido ou negligência, a extraviou ou a deixou cair. Há uma diferença, e este é o terço que penso se aplicar a nós esta noite. Nosso encargo não são apenas moedas, mas almas vivas de crianças, jovens e adultos. São nossos

encargos. Alguns deles podem estar, esta noite, vagando por causa da negligência dos mestres familiares da ala, cujo dever é --

... zelar sempre pela igreja, estar com os membros e fortalecê-los; e certificar-se que não haja iniquidade na igreja nem aspereza entre uns e outros nem mentiras, maledicências ou calúnias... (D&C 20:53-54.)

e certificar-se de que cada um cumpra seu dever. Alguém pode estar se afastando por causa de um comentário descuidado de uma moça de sua idade na Mutual (e tenho em mente um caso), e a presidente da Mutual a deixa ir, deixa de procurá-la na terça-feira seguinte e convidá-la a vir. Outro pode estar se perdendo por causa da inatividade do professor da Escola Dominical, ou da indiferença do professor da Escola Dominical que se satisfaz com as quinze pessoas presentes naquela manhã, em vez de pensar nos quinze que andam perdidos por negligência. Resumirei este pensamento chamando vossa atenção para uma pequena rima que se encontra num dos manuais de diácono. A poesia não é excelente, mas o pensamento é aplicável:

Ele parou sozinho na encruzilhada, A luz do sol em seu rosto; Não pensava no mundo desconhecido, Estava pronto para uma corrida varonil.

Mas a estrada se estendia a leste, e a estrada se estendia a oeste,

E o rapaz não sabia qual estrada era a melhor;

Então escolheu a estrada que o levou para baixo,

E perdeu a corrida e a coroa do vencedor.

Por fim, foi apanhado numa armadilha cruel;

Porque ninguém estava ali na encruzilhada,

Para lhe mostrar o melhor caminho.

(Essa é a moeda perdida).

Outro dia, no mesmo lugar,

Um rapaz de grandes esperanças estava parado;

Ele também estava pronto para uma corrida varonil —

E buscava as coisas que eram boas;

Mas havia ali alguém que conhecia os caminhos.

E esse alguém lhe mostrou qual caminho seguir.

Assim, ele se desviou da estrada que o levaria para baixo,

E venceu a corrida e ganhou a coroa do vencedor.

Hoje ele percorre a bela estrada real,

Porque alguém estava ali na encruzilhada

Para lhe mostrar o melhor caminho.

Nossa responsabilidade é manter a confiança que Deus depositou em nós, chamando-nos a proteger essas almas preciosas.

A Parábola do Filho Pródigo Aplicada à Juventude de Hoje

A terceira parábola é a do filho pródigo, o "filho mais moço," conforme nos é dito, portanto ele era imaturo em seu discernimento. Sentia-se incomodado sob a restrição, e ressentia-se, de certo modo, do olhar atento e orientador do pai. Evidentemente ansiava pela chamada liberdade, queria, por assim dizer, testar

suas asas. Então disse: "Pai, dá-me a parte que me pertence, e eu partirei." O pai lhe deu sua parte, e o rapaz saiu.

Eis aqui um caso de vontade própria, eis a escolha, a escolha deliberada. Eis, de certo modo, a rebelião contra a autoridade. E o que ele fez? Gastou seus bens vivendo dissolutamente, desperdiçou sua parte com mulheres de má vida. É assim que se perdem.

Os jovens que partem para satisfazer seus apetites e paixões estão no caminho descendente para a apostasia, tão certo quanto o sol nasce no leste. Não limito isso à juventude; qualquer homem ou mulher que parta por esse caminho de intemperança, de vida dissoluta, separar-se-á do aprisco tão inevitavelmente quanto a escuridão segue o dia.

"O meu espírito não permanecerá para sempre no homem" (Gênesis 6:3), diz o Senhor. "Meu espírito não habitará em um tabernáculo impuro." Aquele que tenta viver uma vida dupla, que realmente vive uma vida dupla, violando seus convênios, para citar um autor, "ou é um velhaco, ou é um tolo" — que dá vazão às suas paixões, que desperdiça seus bens numa vida dissoluta, que viola os convênios que fez na casa de Deus.

Nesses casos, pouco podemos fazer, além de advertir e suplicar, até que o renegado, como o filho pródigo, finalmente "volte a si." Estou simplesmente tentando retratar como essas três parábolas diferentes podem ser aplicadas a nossos próprios grupos.

O Caminho para a Verdadeira Felicidade

Gostaria de poder dizer a cada jovem desta Igreja que, se quiser ter êxito, se quiser ser feliz, se quiser conservar suas forças intelectual, física e espiritual, resistirá à tentação de dar vazão a seus apetites e paixões. Essa é uma verdade do evangelho — o desregramento não fortalece a juventude nem a virilidade; a restrição e o autodomínio, sim. Isso é psicologicamente sólido, porque, em vez de gastar sua energia como os animais, o autodomínio vos dá mais poder e energia para gastar intelectual e espiritualmente. A castidade fortalece a virilidade. É a fonte da virilidade, não da impotência; é a coroa da bela feminilidade; e é a fonte de paz e felicidade no lar, quando começardes a construí-lo; é a fonte de força e perpetuidade da raça.

É insensato aquele que, como o filho pródigo, parte para desperdiçar em vida dissoluta os bens que Deus lhe deu em vigor físico e capacidade intelectual. É muito melhor seguir o exemplo do velho Adam, mencionado por Shakespeare em Como Vos Aprouver. Gostaria que todo estudante absorvesse as lições implícitas, e que todo professor de literatura inglesa fizesse uma pausa diante de sua classe de rapazes e moças e os deixasse absorver o quadro que esse velho oferece quando Orlando recusa deixar que o criado o acompanhe até a floresta. O velho criado, que criara Orlando, o amamentara, cuidara dele e o formara em sua juventude, disse:

Deixai-me ir convosco,

Ainda que pareça velho, sou forte e vigoroso;

Pois em minha mocidade nunca deixei correr Licores quentes e rebeldes em meu sangue,

Nem, com fronte impudica, cortejei Os meios da fraqueza e da debilidade; Por isso minha idade é como um vigoroso inverno, * Gélido, mas afável.

Que Deus nos ajude a que nós, como líderes, procuremos guiar aqueles que se afastam do rebanho. Que Deus nos dê poder para inspirá-los com o verdadeiro ideal de êxito, contido em outro dito de nosso Salvador: "Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas"; oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “O Significado da Parábola da Ovelha Perdida”, Conferência Geral de Abril de 1945, Sessão da Noite do Segundo Dia (1945-04-07). Pulpit Vault, 1945-04-david-o-mckay-the-meaning-of-the-parable-of-the-lost-sheep. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).