Pulpit

Um Tempo para Oração Fervorosa

Marvin O. Ashton

Conferência Geral de Outubro de 1944·Sessão da Noite do Segundo Dia·1944-10-07

Não conheço ninguém a quem preferisse suceder mais do que a Oscar Kirkham. Eu disse ao Bispo Wirthlin, que estava sentado ao meu lado esta noite, assim que senti um pouco de descontração percorrer a audiência há poucos momentos: "Há um sentimento diferente aqui esta noite. Não estamos sob tanta tensão quando não estamos 'no ar.'"

Muito se disse hoje sobre a oração, incluindo as últimas palavras do irmão Kirkham. Nunca me gabei de quanto oro, mas se há um momento em que oro, e oro fervorosamente, é durante o tempo da conferência — e vós sabeis por quê.

Pensei que o Presidente McKay tinha alguma inspiração quando costumava anunciar o orador, e depois dizer quem viria em seguida. No que me diz respeito, se ele quisesse dizer quem estava de prontidão como o terceiro a subir, eu diria que ele tinha ainda mais inspiração. Não sei se alguém já teve a coragem de lhe dizer isso, mas estou lhe dizendo agora mesmo.

Um Tempo para Oração Fervorosa

Ao olhar pela janela para o mundo hoje, vemos coisas a criticar, e, se me permitis, pessoas a criticar como nunca antes. Não é preciso muita inteligência para dizer o que há de errado com o mundo, aqui, ali e em toda parte. O irmão Kirkham deu-vos quatro regras de bom procedimento na vida. Gostaria de dar-vos duas que, tenho certeza, se encaixarão bem com o seu sólido conselho. Primeiro, agora é o tempo em que devemos dizer nossas orações fervorosamente; segundo, agora é o tempo de pensarmos por nós mesmos. Digo isso com todo o fervor de que sou capaz.

Esta noite, ao falar, gostaria de sentir-me perfeitamente livre. Vou falar como gostaria de falar, e confio que serei compreendido. Será uma gentileza de vossa parte, os que aqui estais, se tomardes o que digo no espírito em que é dado. Confio que o que digo será temperado com bom senso, de modo que não me constranja, nem constranja os bons irmãos a quem amo.

"Pensamento Capenga"

Alguém que tem defendido muito fervorosamente a Palavra de Sabedoria — e quero dizer defendido mesmo — fez este comentário outro dia. Vou dar-vos suas palavras exatas: "Pergunto-me se não seria bom, agora, afrouxarmos um pouco quanto à Palavra de Sabedoria e pregarmos a honestidade."

Ora, não vos alarmeis; continuemos firmes na Palavra de Sabedoria. Ao percorrer a Igreja de estaca em estaca, se há algo pelo qual tiro o casaco e por que luto sem misericórdia, é a Palavra de Sabedoria. Não vou dizer que devamos afrouxar quanto à Palavra de Sabedoria, mas essa observação a respeito da honestidade à moda antiga fica-me grudada na mente!

Suponho que nunca houve um tempo em que déssemos mais atenção à nossa dieta. Queremos que seja equilibrada. Queremos que tenha as calorias certas. Suponho que seja muito importante que nossa dieta seja bem equilibrada, que, naquilo que comemos, haja os diferentes elementos para suprir as diferentes necessidades do corpo, para energia, calor e tecido. Se uma pessoa não recebe uma dieta adequada, pode morrer de inanição parcial, ou do que hoje se prefere chamar de desnutrição. Uma pessoa pode empanturrar-se de batatas, mas, se essa fosse sua única dieta, logo estaria em maus lençóis.

Lembro-me, quando eu estava na Escócia, em missão, de que fiquei parado na esquina certo dia e vi uma de suas escolas públicas soltar os alunos para o recreio do meio-dia. Vi muitas crianças pequenas mancarem pelas ruas com as perninhas tão tortas que um porco de bom tamanho poderia passar reto por entre elas sem tocar em nenhuma das duas pernas. Qual era o problema? Inanição parcial. Chá e biscoitos, e biscoitos e chá! Será que o nosso pensamento, por não ser devidamente equilibrado, às vezes sofre da mesma forma? Em bom português — será que nosso pensamento anda capenga? Ou, para ser mais franco, será que alguns de nós montam no cavalo do dízimo e o cavalgam até a morte? Será que alguns de nós montam no corcel da genealogia e o cavalgam até que a língua lhe fique de fora? Será que alguns de nós montam no pônei do bem-estar até que fique coberto de espuma? Será que alguns de nós pensam apenas na Palavra de Sabedoria, ou na oração, e esquecem as outras coisas necessárias para fazer um verdadeiro cidadão e, se me permitis, um verdadeiro Santo dos Últimos Dias? Brigham Young disse, na época das guerras indígenas: "Irmãos, dizei vossas orações, mas mantende a pólvora seca!" Poderia um porco de bom tamanho passar por nosso pensamento sem tocar em nenhuma perna? Em outras palavras, será que "coamos um mosquito e engolimos um camelo"? Será que pensamos de forma capenga?

Se há algo que o Senhor considerou importante em nossas vidas, é que sejamos honestos. Nada na história recebeu punição muito maior do que a desonestidade. Para ilustrar: a história de Ananias e Safira. As coisas eram possuídas em comum. Quando um membro da Igreja vendia sua propriedade, entregava todo o dinheiro a esse fundo ou celeiro comum. Ananias e Safira conluiaram-se para terem a reputação de dar tudo o que possuíam e, ainda assim, terem o prazer de reter parte do dinheiro. Quando confrontado por Pedro, Ananias, ao pôr o dinheiro sobre o balcão, afirmou a Pedro que aquilo era tudo. Bem, a história foi curta. Como repreensão dos céus, o carregaram para fora, morto. Cerca de uma hora depois, Safira, sem saber o que havia acontecido, mentiu tão bem quanto o marido. Foi carregada para fora, morta. Bem, foi uma boa lição. Ora, o pensamento de Ananias e Safira não estava equilibrado. Eram inconsistentes. Em outras palavras, essas boas pessoas pensavam de forma capenga.

Nossa Atitude para com os Idosos

Provavelmente nada ilustra melhor o que estou tentando enfatizar do que a extensão a que as pessoas vão hoje em dia para entrar nas listas de assistência social. Ora, sei que estou pisando em terreno perigoso, especialmente se entrar no assunto das aposentadorias por velhice. Vou observar com muito cuidado e vigiar cada passo que der. Uma civilização é marcada por sua atitude para com os idosos. Que nunca se diga de mim que não fui atencioso com os velhos. Sabeis, afinal, todos nós um dia seremos velhos, ou morreremos tentando!

Aquilo que reservamos aos idosos pode, algum dia, ser reservado a nós. Devemos preocupar-nos, acima de tudo, com nossos pais e mães, nossos avôs e nossas avós. Penso muitas vezes na história daquela velha cartilha do avô que comia sozinho, num canto escuro da cozinha, enquanto o resto da família saboreava a melhor comida numa mesa bem posta. O filho pequeno, de quatro ou cinco anos, foi visto talhando umas tábuas. O pai do menino, curioso, perguntou: "Joãozinho, o que estás fazendo?" A resposta veio depressa: "Papai, estou fazendo um cocho para o senhor, para que, quando eu for homem, já esteja pronto!"

Desonestidade em Questões de Aposentadoria

Quando nossa legislatura aprovou a aposentadoria por velhice, quis ser bondosa, e provavelmente teve razão em seu ato, mas o ponto que estou tentando enfatizar é a falsa declaração a que algumas de nossas pessoas se rebaixam, mesmo os que já passaram dos sessenta e cinco anos, e, aliás, também os que ainda não os completaram! — para conseguir esse dinheiro gratuito. Alguns deles são simplesmente desonestos. Para dizer claramente, são elegíveis para membros do "Clube de Ananias e Safira." Deixai-me ilustrar o que quero dizer:

Há algum tempo, numa investigação, encontramos sete pessoas com responsabilidades bastante sagradas na Igreja, remuneradas, que estavam recebendo aposentadoria por velhice além do salário mencionado. Estavam escondendo os fatos daqueles que deveriam saber. Há algum tempo descobrimos um homem trabalhando para nós em nosso escritório, recebendo salário de nós e aposentadoria por velhice ao mesmo tempo, e esse irmão, lamento dizer, tinha o descaramento de ir à sua reunião de quórum aos domingos de manhã fingindo ser um Santo! Há algum tempo, visitando uma das conferências de estaca, encontrei pessoas desfrutando de aposentadoria por velhice que haviam transferido suas propriedades para o filho ou filhos, a fim de se qualificarem para a aposentadoria por velhice, e, no ano passado, sua fazenda produziu $10.000,00 em maçãs! Pergunto a essas pessoas, cujo pensamento, tenho certeza, sofre de desnutrição, que tipo de Deus no céu pensam estar adorando, que poderia olhar para baixo e sorrir diante de tudo isso? Anos atrás, quando eu era menino, lembro-me de que meu pai sempre ia ao mercado comprar seu feno por carroça inteira. Era assim que o feno era vendido, a granel. Se um fazendeiro fosse sem-escrúpulos o bastante para acrescentar água ao feno antes de vendê-lo, poderia sair-se bem com isso. Um fazendeiro desse tipo foi ouvido a gritar para o quintal: "João, ponha mais uma dúzia de baldes de água no feno e vem para a oração." Aquele pobre coitado não pensava com clareza. Nem os membros de nossa Igreja que entram nessas listas de assistência sob falsos pretextos! Bobby Burns, o poeta escocês, disse muito apropriadamente: "O homem de mente independente olha e ri de tudo isso."

"Consistência, tu és uma joia!" Sim, gente, enquanto nossos missionários estão pelo mundo, tentando trazer almas honestas para a Igreja, alguns de nós, em casa, andam pensando assim. Enquanto eles trazem um bom balde de leite, nós, em casa, o entornamos! O que pensarão de nós os outros, quando somos tão inconsistentes?

A Honestidade Ordenada

Não faz muito tempo fui a uma estaca composta de seis alas, onde encontramos cento e cinquenta famílias na assistência social, apesar de essa ser mais uma área agrícola, com os negócios reforçados pelas indústrias de guerra — pêssegos a $3,00 o alqueire, outras colheitas na mesma proporção — essa era a condição que encontramos. Parece-nos que, muitas vezes, não se dá atenção a de onde vem o dinheiro nem a quanto tempo o governo pode suportar tal esforço. A única coisa que lhes interessa é a si mesmos, ou, em outras palavras: "O governo que vá para o diabo, mas eu vou conseguir o meu!" É isso que construiu a América? É esse o temperamento que matou as cobras e fez o deserto florescer como uma rosa?

É muitas vezes uma questão de grau — até onde devemos ir nessas coisas. Sejamos, como membros da Igreja, justos uns com os outros — para usar a expressão popular — não fiquemos jogando a culpa para o outro! Enfrentemos a verdade, nem que isso nos mate! O problema não está apenas nos outros, está também em nós mesmos. Sejamos francos e diagnostiquemos nosso próprio caso, e melhoraremos muito mais depressa do que evitando a verdade. Há algum tempo, visitando uma estaca, tive ocasião de ler os relatórios que mostravam quanta bebida forte se consumia naquela estaca. Um membro da presidência da estaca ficou indignado com os números e respondeu algo assim: "Gostaríamos que o irmão Ashton entendesse que a única razão de se consumir tanta bebida em nossa estaca é que temos muitos caçadores vindo de Salt Lake." Irmãos e irmãs, não nos enganemos. Se a carapuça serve, que a vistamos.

Às vezes somos como um cavalo que não está adestrado à rédea: quando puxamos a rédea esquerda, o cavalo dispara de cabeça para a esquerda, e se puxamos a rédea direita, dispara de cabeça para a direita. Certa vez, tive uma pequena égua que nos derrubou na vala porque não estava adestrada à rédea. E a parte triste é que homens que ocupam cargos públicos, e deveriam saber melhor, chegam a incentivar esse trato descuidado da verdade. Quando descobrimos que tipo de sujeitos eles são, se apenas lhes dermos um beijo de despedida, seremos sábios.

Se pensais que estou tentando falar de política esta noite, estais muito enganados. Já tenho o bastante a responder sem isso. Achei o irmão Bennion muito corajoso hoje. Eu não seria tão corajoso quanto ele, mas ele se saiu bem. Não estou falando de política. Não disse que um democrata era honesto e um republicano não, ou vice-versa. Vou ficar bem longe disso. O que estou tentando fazer é falar de honestidade. A parte triste é que esses sujeitos no cargo, seja agora, ou há dois anos, ou daqui a quatro anos, ou como quiserdes chamá-lo, fingem ser nossos amigos, e esquecem completamente o que é honestidade. Quando encontrardes um sujeito desses, dai-lhe um beijo de despedida, mas fazei isso o mais depressa possível.

Ilustrações Apropriadas

Anos atrás, um empreiteiro me contou uma história, nessa mesma linha, que jamais esquecerei. Talvez se aplique bem aqui. Os bens de um fazendeiro eram, em grande parte, suas ovelhas. O velho senhor tinha três filhos, um dos quais era tido como um daqueles rapazes que não eram muito espertos. O fazendeiro morreu, e agora era preciso dividir o espólio, que, como dito, era em grande parte ovelhas. Os dois filhos mais velhos conluiaram-se. Cumpririam a vontade do pai antes de sua morte, mas, mesmo assim, queriam decididamente a melhor parte do negócio, e uniram seus interesses contra o irmão mais novo e simplório. Como as ovelhas seriam divididas, pensaram em fazer três currais, colocando em cada curral um terço das ovelhas. A propósito, esse rapazinho que não era tido como muito esperto tinha uma ovelha de estimação que, como a cordeirinha de Maria, tinha o velo branco como a neve, e, aonde quer que o menino fosse, aquela cordeira estava certa de ir também. Ele a amava profundamente. Gostava tanto dela que a enfeitou com uma fita azul. Acariciava-a e afagava-a. Ora, os dois irmãos mais velhos pensaram em tirar proveito do amor do rapaz pelo animal. Agiram de acordo. No curral do meio, dos três que haviam construído, ao dividirem as ovelhas, puseram todas as banguelas, todas as raquíticas e todas as ovelhas maltrapilhas. É claro que cuidaram para que o número fosse o mesmo em cada curral, mas, nesse curral dos refugos, puseram a ovelha de estimação com a fita azul em volta do pescoço. Ora, não é preciso muito raciocínio para acompanhar a filosofia de uma divisão tão maravilhosa dos bens do pai. Então disseram ao irmão de mente fraca: "Willie, podes escolher a tua parte." Willie fez exatamente o que eles esperavam — foi direto ao curral onde balia o orgulho de seu coração — sua ovelha de estimação. Abriu o portão, entrou correndo, abraçou sua ovelhinha e disse algo assim: "Minha querida ovelhinha, somos amigos há muito tempo. Chamei, e vieste, e por causa do meu afeto por ti, pus uma fita azul em teu pescoço. Não amei nenhuma do rebanho como te amei a ti, mas," acrescentou ele, "minha querida, quando te associas com um bando como este, é aqui que devemos nos despedir." Sim, se disséssemos adeus a alguns desses sujeitos que se supõe serem nossos favoritos, faríamos desta uma América melhor!

Alguns de nossos cidadãos se agarram ao que podem conseguir como sanguessugas! Não é uma questão de "o que devo dar ao meu país," mas "quanto posso sugar dela?" "O outro sujeito está conseguindo o dele, eu vou conseguir o meu!"

Ensinemos honestidade a nossos filhos!

Quando Abraham Lincoln encontrou aquele livro danificado na fenda das toras, não precisou correr até o dono e dizer: "Vou repor isso rachando estacas," mas assim o fez! Quando encontrou uma falta de chá, não precisou caminhar cinco ou dez milhas para consertar as coisas, para ser perdoado, mas assim o fez. Quando era um rapaz de nove ou dez anos, sua mãe o abraçou e disse: "Abe, deixa essa coisa de lado" — o uísque. Quando foi eleito Presidente dos Estados Unidos, poderia ter tido champanhe, mas colocou um grande jarro de água — a cerveja de Adão — sobre a mesa, como quem diz: "Se não gostais disso, tereis de vos conformar." Em outras palavras, as sementes dos ensinamentos de sua mãe deram bom fruto.

As Crianças Devem Ser Ensinadas Cedo na Vida

Comecemos cedo. O ovo de píton parece tão inocente quanto o ovo de uma galinha, mas dele sai o réptil que cresce até o tamanho de vossa perna e pendura-se na primeira árvore e estrangula sua vítima, seja homem, seja animal. Esmaguemos o ovo da desonestidade antes que ele choque!

Ora, só quero dizer isto ao terminar. O Bispo Richards foi muito franco hoje ao contar o que alguns de nossos jovens estão fazendo. Chega-me de muitas direções que, às vezes, os jovens pensam que, contanto que não bebam chá ou café, nem fumem, podem safar-se de qualquer coisa. Alguns dos rapazes soldados dizem que não farão algumas dessas coisas, mas que "podemos conseguir o que queremos." Essa é uma má situação. Estou sendo franco demais? Vou dizer o que já disse antes: não quero que meus filhos bebam chá nem café, mas prefiro que tomem banho três vezes ao dia em café e o bebam nadando nele do que mentir! Repito, o Senhor se expressou muito enfaticamente sobre esse assunto. A ocasião que mencionei: ele foi favorável a um duplo funeral na família de Ananias. Não se pode fazer muita coisa com um mentiroso. O Senhor não o quer, e se eu fosse

o diabo, também não o quereria, porque temeria ser traído.

Que o Senhor nos ajude a sermos consistentes. Que ele nos ajude a pensar com clareza. Lembremo-nos de que "um homem honesto é a mais nobre obra de Deus." As palavras finais da mensagem do Presidente Grant a nós, nesta conferência, suplicaram-nos que pensássemos com solidez. Que o Senhor nos ajude a sermos consistentes em nosso pensamento, peço em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoMarvin O. Ashton, “Um Tempo para Oração Fervorosa”, Conferência Geral de Outubro de 1944, Sessão da Noite do Segundo Dia (1944-10-07). Pulpit Vault, 1944-10-marvin-o-ashton-a-time-for-fervent-prayer. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).