Unidade, um Princípio Essencial
Joseph F. Smith
Meus caros irmãos, e meus irmãos e irmãs que se uniram a esta conferência pelo rádio, é uma grande honra e uma grave responsabilidade prestar o próprio testemunho a esta congregação. Ontem de manhã, pouco antes de vir para a conferência, um homem entrou em meu escritório a quem eu não via há vários anos. Creio que devo nomeá-lo: o Presidente Edward L. Clissold, das Ilhas Havaianas. Fomos companheiros de infância; frequentamos juntos a escola primária; fomos missionários juntos; e, ao apertar sua mão e sentir a força daqueles longos anos de amizade e ideais comuns, fiquei singularmente impressionado com o poder da unidade; e, durante a sessão da manhã de ontem, ao ouvirmos a mensagem do profeta vivo do Deus Todo-Poderoso, fiquei novamente impressionado com sua reiteração da necessidade de unidade. ¶
Unidade, um Princípio Essencial
Estamos reunidos aqui numa época particularmente significativa, ainda que seja mais ou menos paganamente celebrada pelo mundo cristão; uma época cujo significado é genuinamente apreciado apenas pelos Santos dos Últimos Dias. O Salvador, pouco antes de ir para Sua crucificação, admoestou os Doze e depois orou a Seu Pai nos Céus, e, entre outras coisas, disse estas palavras: Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós; ... e por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim, para que todos sejam um como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um: eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitos em unidade; para que o mundo reconheça que tu me enviaste, e que os amaste a eles como tu me amaste a mim. ¶
A desunião é sempre uma força destrutiva, seja guerra entre nações; seja conflito civil dentro do estado; seja cisma dentro da Igreja, discórdia dentro da família, ou até mesmo tumulto e conflito dentro da alma da pessoa individual; pois um homem dividido contra si mesmo não pode ficar de pé, assim como uma casa dividida. Uma sociedade não pode ser unificada, exceto na medida em que seus membros são um em conjunto e na medida em que, individualmente, são um consigo mesmos. A questão da inteireza é essencial. ¶
Causas da Delinquência ¶
Psicólogos modernos têm dito muito, em anos recentes, sobre a personalidade integrada, e nossos hospitais para deficientes mentais estão cheios de pessoas que sofrem de conflitos dentro de si mesmas. Não são íntegras. É profundamente significativo que essa palavra "íntegro" seja usada frequentemente como sinônimo de "saúde". Vós vos lembrais de quando os fariseus viram o Salvador sentado à mesa com publicanos, pecadores, e assim por diante, encontraram falha nEle, e Ele lhes disse que os sãos não têm necessidade de médico. É o negócio básico do Evangelho de Jesus Cristo trazer uma unicidade, uma inteireza no indivíduo, uma inteireza coletivamente entre os filhos de Deus. Gostaria de deixar esta única ideia nesta tarde, quanto a ajudar o indivíduo a ser íntegro. ¶
Temos ouvido bastante sobre a delinquência juvenil, um grave problema; e um dos aspectos alarmantes, particularmente alarmantes, de nossa atual delinquência juvenil é que uma percentagem já não tão grande dela vem do lar desfeito. Embora o lar desfeito continue sendo um fator contribuinte tremendo, ficamos alarmados ao descobrir que, mesmo entre as chamadas "melhores famílias", muitos jovens estão se descontrolando. Sou de opinião que grande parte dessa delinquência é resultado de conflitos dentro das almas individuais dos jovens. E os pais que efetivamente fomentam e favorecem o conflito interno em seus filhos? Estou falando de Santos dos Últimos Dias, ou pelo menos de membros da Igreja, que, por certa lealdade eclesiástica, enviam seus filhos às reuniões da Igreja, à sua Primária, à sua AMM e à sua Escola Dominical; que fazem seus filhos irem às reuniões do Sacerdócio e, no devido tempo, os encorajam a receber o Sacerdócio, e que, no entanto, em seus próprios lares, não estabelecem exemplos dignos. Nesse caso, o jovem vai à Escola Dominical e é ensinado que deve ser leal à Igreja; é ensinado nos princípios do Evangelho. Chega em casa apenas para encontrar esses princípios desobedecidos em seu lar. Além disso, a Igreja lhe ensina as palavras do Salvador: "Honra teu pai e tua mãe!" Ali ele se depara com uma lealdade dividida. Se for leal a seus pais, como pode ser leal à Igreja que ensina doutrinas e defende uma conduta que seus pais, por suas próprias vidas, rejeitam? ¶
Muitos pais, numa coisa tão simples como guardar a Palavra de Sabedoria, desculpam-se, às vezes, com base numa exigência social, às vezes com base numa exigência de negócios. Há apenas uma explicação para isso, e essa é ou a falta de crença ou a covardia moral. Nenhum pai sujeitaria deliberadamente seu filho a sofrimento físico. Qualquer pai que fizesse isso diríamos que é cruel, e, no entanto, é igualmente um ato de crueldade e, em última instância, mais danoso, empalar a criança nos chifres de um dilema de lealdades conflitantes. Ele não pode ser totalmente leal a uma Igreja que ensina uma doutrina e totalmente leal a pais que se recusam a observar essa doutrina. Esse conflito será resolvido pela destruição de uma ou de outra, ou de ambas essas lealdades. Precisamos de unicidade. ¶
A Doutrina e Convênios explicou o que é a alma humana; o que é a alma do homem. O corpo e o espírito são a alma do homem, e o propósito de nossa peregrinação mortal é trazer uma fusão completa, trazer uma unicidade indissolúvel, de espírito e corpo. Se os pais viverem de acordo com o Evangelho, enviarem seus filhos para serem ensinados nas organizações da Igreja e, na verdade, complementarem esse ensino com ensinamento e exemplo no lar, então duas grandes forças, a família e a Igreja, convergirão sobre o jovem indivíduo para produzir uma inteireza, uma saúde espiritual, uma unicidade sem a qual nem a felicidade nem a salvação podem ser obtidas. ¶
A Fome de Retidão a Ser Cultivada ¶
Temos uma grave responsabilidade de estabelecer em nossos jovens uma fome justa. Cada um de nós sabe que tem fome de alimentos específicos. Mesmo agora, quando estou com muita fome, a primeira coisa em que penso é numa grande tigela de feijão e um pedaço de pão novo com manteiga. Por quê? Porque, quando jovem, era isso que eu recebia toda tarde de segunda-feira, e agora, quando tenho fome, nada mais tem gosto tão bom. Temos fome daquilo a que estamos acostumados. Quando temos fome, não pensamos numa sopa de ninho de pássaro, embora milhares de chineses o façam. Esses rapazes que saíram para servir ao seu país e se afastaram de casa, e procuram em torno de si por uma igreja aonde ir, buscam outros rapazes que são membros da Igreja e se reúnem para se encontrar. Por que fazem isso? Porque têm dentro de si uma fome estabelecida para isso. "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça." Isso não é mera figura de linguagem. Essas palavras foram sabiamente escolhidas. Se implantarmos deliberadamente fomes justas em nossos filhos, então, quando estiverem longe de nossos lares, dedicarão seus mais caros esforços a satisfazer o apetite saudável que a sábia criação ajudou a cultivar. Pode-se ter fome de justiça assim como se pode desenvolver apetites malignos. ¶
É minha oração que tenhamos a sabedoria e a coragem de viver de tal maneira que nossas próprias vidas sejam exemplos dinamicamente persuasivos, para nossos jovens, daquilo que a Igreja ensina, de modo que não sejamos culpados de infligir sobre eles as agonias de lealdades conflitantes, e peço isso em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶