O Dever dos Pais
Oscar A. Kirkham
Oro para que eu possa desfrutar das bênçãos do espírito do Senhor. Depois de trinta e um anos a serviço da juventude desta Igreja, tem sido de grande interesse para mim, hoje, ouvir tanto se dizer sobre a juventude. ¶
O Dever dos Pais ¶
Recentemente, numa de nossas conferências de estaca, um dos líderes da estaca me disse: "Irmão Kirkham, depois da reunião da manhã, gostaria que aproveitasses a oportunidade para caminhar até em casa com meu filho. Gostaria que tivesses uma pequena conversa com ele. Ele não está indo à Escola Dominical, e gostaria que conversasses com ele." Assim, procurei a oportunidade. Peguei o rapaz pelo braço, e descemos a rua em direção à casa. Pensei que uma boa abordagem seria eu dizer: "Sabes, tens um grande pai, um homem excelente", e assim comecei com palavras como essas, e então o rapaz voltou-se imediatamente para mim e disse: "Irmão Kirkham, gostaria que falasses com meu pai por mim. Em toda a minha vida, ele nunca foi comigo ao cinema. Nunca me levou consigo. Nem sequer joguei damas com ele. Eu agradeceria." Bem, começamos então a falar de outras coisas. ¶
Recentemente entreguei a minha própria filha uma de nossas novas publicações da literatura da Igreja e, chamando-a pelo nome, disse: "Aqui está um belo livro. Espero que o leias e gostes." Ela pegou o livro; depois o colocou sobre o piano e disse: "Vou te dizer, pai, não quero esse livro. Quero conversar contigo", e ouvi algo que me trespassou o coração. ¶
Um Incidente do Sacerdócio Aarônico
Passei recentemente pela Missão dos Estados do Sul, e em várias ocasiões tivemos banquetes dados em honra do Sacerdócio Aarônico. Numa das maiores cidades daquele sul, convidaram o prefeito da cidade, o juiz do tribunal de menores e outras autoridades para o banquete. Jamais esquecerei quando vi o juiz do tribunal de menores entrar. Fumava um grande cachimbo. Veio, com certa coragem, até a frente, um fino cavalheiro sulista, e veio, suponho, como viera a muitos outros banquetes, em outras ocasiões como esta. Juntou-se a seus amigos e à comissão da cidade, e ao prefeito, ali na frente. Em poucos momentos, o programa começou, e um rapaz levantou-se e disse: "Fui convidado a falar sobre o Sacerdócio Aarônico. Estou tão feliz em saber que o Senhor me favoreceu ao permitir-me portar o Sacerdócio Aarônico, esta grande bênção de meu Pai Celestial para mim, portar seu santo Sacerdócio. Sabeis, não posso fumar; não posso beber, pois porto o Sacerdócio de Deus", e então vi o juiz de menores pegar seu guardanapo e, sem muito alarde, cobrir seu cachimbo. ¶
Expressão de Confiança na Juventude ¶
Irmãos, pergunto-me se somos justos. Pergunto-me se é justo chamar isso de delinquência juvenil. Talvez seja delinquência de juízes de menores e de pais. Talvez essa seja a verdade. É claro que alguns são delinquentes, mas quero apelar a vós para que tenhais fé neles. Estou emocionado com a fé da juventude desta Igreja. Sinto profundamente no coração que é a maior geração. Vieram para cumprir seu destino. Vieram para realizar uma obra que desafia os maiores espíritos, e sinto que a estão realizando. Ah, sim, alguns vacilam -- há sempre uma franja. Certamente sempre haverá. ¶
Fui à universidade ontem, depois de nossa reunião da tarde, e encontrei quatrocentos e cinquenta e cinco jovens. Um membro do corpo docente daquela universidade disse: "Kirkham, tive um dia maravilhoso hoje. Nossa, como é emocionante conhecer a juventude desta geração!" Depois me contou como eles o desafiavam em suas salas de aula. ¶
Ouvistes falar daquele jovem que voltou dos Mares do Sul, não faz muito tempo, e, quando chegou o domingo, disse: "Pai, Mãe, vamos à igreja hoje." E o pai voltou-se para ele e disse: "Ora, isso é bastante novo. Nunca me convidaste para ir à igreja antes." "Bem", disse o jovem, "tive uma grande experiência, Pai, lá nos Mares do Sul. Um dia, eu negociava com um homem negro. Ele tinha uma bela peça de marfim entalhado, e eu lhe dava uma joia em troca, e ele me entregou o marfim e então disse: 'Tens certeza de que ficarás satisfeito com esta troca?' e eu lhe disse, ao perceber o sentido mais profundo de suas palavras: 'Por que me fazes essa pergunta?' 'Ah', disse o homem negro, 'há alguns anos, um missionário veio a esta ilha, e ele nos contou a história de Jesus de Nazaré, e nos disse que, se tivéssemos verdadeira felicidade, ela teria de vir de dentro.'" ¶
"Bem", disse o jovem a seu pai e sua mãe, "quero um pouco disso. Quero o que o homem negro tinha. Quero isso em minha vida." Foram à igreja. ¶
Sinto sinceramente que 1944 será provavelmente um dos maiores anos de toda a história registrada, e procuro dizer essas palavras com muita ponderação. Pelo que disseram nossos oficiais comandantes das forças armadas aliadas e pelo que disseram homens ponderados, este há de ser verdadeiramente um grande ano. Não sei quando a batalha cessará, mas todos os líderes declaram que esta é a hora do destino. ¶
Enfrentamos uma grande eleição nos Estados Unidos, e homens serão postos à prova. Temos opiniões firmes na América. Espero que sempre as tenhamos, e que nos compreendamos uns aos outros ao falarmos livremente em defesa de nossas ideias. Precisamos aprender a viver juntos, a enfrentar a verdade e a dizê-la conforme Deus nos der luz. ¶
Apelo a vós, meus irmãos, e falo sobretudo a mim mesmo: que Deus nos ajude a ter fé na juventude. Que vivamos dignos de sua liderança. Que busquemos profundamente em nossas próprias vidas as dificuldades ao nosso redor, e que Deus nos dê força para irmos a ele humildemente em oração e obtermos seu espírito, pois, com esse espírito, seremos poderosos aos seus olhos, para nossa própria satisfação, para a glória de Deus e o avanço desta grande obra, pela qual humildemente oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶