Pulpit

Tudo ou Nada

J. Reuben Clark Jr.

Conferência Geral de Abril de 1944·Sessão da Noite de Sexta-Feira·1944-04-07

Esta hora, cedo ou tarde, chega a todos nós aqui na tribuna.

Tenho apreciado muitíssimo esta conferência. Tem havido um espírito a permeá-la que me parece singular em nossas conferências. Houve uma paz, e uma quietude; houve um conforto e uma consolação que sei terem alcançado o coração de todos nós. Oro humildemente, e peço uma parcela de vossa fé e vossas orações para o mesmo fim, para que o que eu disser esta noite não diminua esse espírito, mas, se possível, lhe acrescente um pouco mais.

Gostaria, irmãos, na medida do que me for possível, de falar convosco, não a vós. Gostaria de falar, na medida do que me for possível, como se estivesse conversando pessoalmente com cada um de vós, individualmente, para que pudesse trazer até vós as sugestões que perpassam minha mente.

Não preciso dizer-vos que os tempos são sombrios, nem que o ódio quase governa o mundo, que os homens perderam a razão, que são guiados em grande parte pelos motivos mais baixos que temos, e que, tal como nos encontramos hoje, estamos quase de volta ao início da civilização. Às vezes penso que é difícil para nós chegarmos até o Senhor, e para o Senhor chegar até nós, através deste manto de ódio e assassinato que parece envolver a terra.

Quero agradecer-vos, irmãos, a liderança do Sacerdócio da Igreja, pelo vosso grande serviço manifestado na obra do povo. Sois fiéis, em geral; amais a verdade; amais a obra; e o vosso mais alto interesse está em promovê-la de toda forma que puderdes. Nós, das Autoridades Gerais, apreciamos esse serviço; agradecemos-vos por ele mais do que podemos expressar.

Mas nossa tarefa é tão grande, e por nós mesmos somos tão fracos, que quis dizer apenas algumas palavras esta noite sobre um ou dois pontos que poderiam ser úteis.

Tudo ou Nada

Nós, os Santos dos Últimos Dias, temos tudo, ou não temos nada; não há meio-termo. Sabemos, aqueles de nós que têm o testemunho — e todos aqui o têm, tenho certeza —, que o Evangelho foi restaurado; sabemos que Joseph era um profeta de Deus. Sabemos que o Pai e o Filho vieram a ele. Sabemos que temos o Sacerdócio. Sabemos que nossa organização eclesiástica é edificada divinamente.

O Que É Escritura?

Adquirimos esse conhecimento trabalhando por ele, assim como tivemos de trabalhar por todo outro tipo de conhecimento, pois o conhecimento espiritual não vem sem labor e fé, arrependimento, batismo, confirmação, o recebimento do Espírito Santo. Certas coisas decorrem desse conhecimento. Conhecendo essas coisas, nossas responsabilidades são quase maiores do que podemos suportar, exceto pelo espírito do Senhor e pelo poder sustentador do Espírito Santo.

O Senhor disse aos irmãos Orson Hyde, aos dois Johnsons e a M'Lellin (estou lendo da seção 68 de Doutrina e Convênios): E este é o exemplo para eles, que falarão conforme forem movidos pelo Espírito Santo.

E tudo que disserem, quando movidos pelo Espírito Santo, será escritura, será a vontade do Senhor, será a mente do Senhor, será a palavra do Senhor, será a voz do Senhor e o poder de Deus para a salvação.

Eis que esta é a promessa do Senhor a vós, ó meus servos.

Portanto, tende bom ânimo e não temais, porque eu, o Senhor, estou convosco e ficarei ao vosso lado; e testificareis de mim, Jesus Cristo, que eu sou o Filho do Deus vivo, que eu fui, que eu sou e que eu virei.

Esta é a palavra do Senhor a ti, meu servo Orson Hyde, e também a meu servo Luke Johnson e a meu servo Lyman Johnson e a meu servo William E. M'Lellin e a todos os élderes fiéis de minha igreja.

Com o nosso conhecimento da restauração do Sacerdócio e da organização da Igreja, estamos preparados para avançar sob este princípio que o Senhor estabelece? Chamo vossa atenção para o fato de que não há limitação quanto aos assuntos a serem abrangidos por essa escritura de que o Senhor fala. Tendo em mente que esta nossa Igreja é uma Igreja prática, que trata tanto de assuntos temporais quanto espirituais, submeto que tudo o que provém das vozes daqueles que detêm essa autoridade é escritura, não importa sobre o que possam falar. Essa conclusão me parece inevitável.

Qualquer coisa, e tudo, que afete o bem-estar de nós, Santos dos Últimos Dias, ou que tenha a ver com nossa religião, pode tornar-se parte dessa escritura; e quando os servos de Deus nos falam sobre tais coisas, falando sob a inspiração do Senhor, então suas palavras se tornam escritura.

Como saberemos quando eles falam sob a inspiração do Senhor?

Não posso dizer-vos como sabê-lo, mas posso dizer-vos que todo homem que porta o Sacerdócio, que obedece aos mandamentos do Senhor e vive retamente, saberá, sem dúvida, quando os servos de Deus falam sob inspiração. O espírito dará testemunho verdadeiro.

A Doutrina da Unidade

Tendo o que precede em mente, relembro-vos que o Senhor disse: "Se não sois um, não sois meus." Não podemos ser um a menos que sejamos um em espírito, em crença, em conhecimento e em ação. Não há outro caminho. Vós, bispos, bispados, tendes tido experiência em vossas alas. Quase sempre há alguém em vossa ala que está em desarmonia convosco, que quer fazer as coisas de outra maneira, diferente daquela que desejais que sejam feitas. Pode haver grupos na ala que pensem que o que fazeis no Bem-Estar, e nas organizações auxiliares, não está certo, e queiram fazê-lo de outra forma. Não preciso dizer-vos quanto isso vos prejudica em vosso trabalho; sabeis disso melhor do que eu.

Vós, presidentes de estaca, sabeis quão difícil é guiar e dirigir vossas estacas como gostaríeis de fazê-lo, quando tendes algum bispo que se afasta para o lado; vossa estaca sofre.

Nós, das autoridades gerais, sabemos quão difícil é quando presidentes de estaca se afastam, quando tentam explicar as instruções de outra maneira, quando parecem tentar, não descobrir o que o Presidente da Igreja deseja que se faça, mas "como podemos interpretar esta instrução de modo a fazer o que queremos, e ainda assim permanecer dentro das palavras da instrução."

Entre nós mesmos, as autoridades gerais, estamos preparados para aceitar exatamente o que o profeta de Deus diz e fazê-lo, em vez de tentar interpretá-lo para adequá-lo a nós mesmos, aos nossos próprios pontos de vista?

Ordem na Igreja

Há uma ordem na Igreja, e vós conheceis essa ordem tão bem quanto eu.

Sinto-me sempre muito impressionado, como todos nós, com o grande livro, a Pérola de Grande Valor. Quero referir-me ao terceiro capítulo desse livro, onde se fala dos diferentes tempos, mas de que há um tempo que rege todos os outros, e este é o tempo do Senhor; onde se fala das diferentes magnitudes dos planetas e corpos celestes, e nos diz que há um corpo celeste que rege os demais.

Assim, edificamos a partir do indivíduo, do mais baixo, até o mais alto. O registro então começa a falar dos espíritos. O Senhor disse a Abraão: Não obstante, ele fez a maior estrela; assim também, se houver dois espíritos, e um for mais inteligente que o outro, esses dois espíritos, não obstante um ser mais inteligente que o outro, não tiveram princípio; eles existiam antes, eles não terão fim, eles existirão depois, pois são gnolaum, ou seja, eternos.

E o Senhor disse-me: Estes dois fatos realmente existem, que há dois espíritos, sendo um mais inteligente que o outro; haverá um outro mais inteligente que eles; eu sou o Senhor teu Deus, eu sou mais inteligente que todos eles. ...

Eu habito no meio de todos eles; agora, portanto, desci até ti para anunciar-te as obras de minhas mãos, pelas quais minha sabedoria supera todos eles, pois reino nos céus acima e na Terra abaixo, com toda a sabedoria e prudência, sobre todas as inteligências que teus olhos viram desde o princípio; desci, no princípio, no meio de todas as inteligências que viste.

Ora, o Senhor mostrara a mim, Abraão, as inteligências que foram organizadas antes de o mundo existir; e entre todas essas havia muitas das nobres e grandes. E Deus viu que essas almas eram boas; e ele estava no meio delas e disse: A estes farei meus governantes; pois ele se encontrava entre aqueles que eram espíritos, e viu que eles eram bons; e disse-me: Abraão, tu és um deles; foste escolhido antes de nasceres. (Abraão 3:18-19, 21-23.) Os princípios que desejo extrair desta escritura, irmãos, são estes: nem todos fomos iguais na criação; não somos todos iguais em autoridade aqui; não somos todos iguais em inteligência. Mas, a menos que sejamos um, não somos do Senhor.

Mas então, como podemos ser um?

Não podemos ser um com algum bispo que tenha algum plano próprio pelo qual deseje governar toda a Igreja. Um bispo, por maior e mais importante que seja seu ofício e chamado, detém autoridade por um tempo mais curto, é uma luz menor, um planeta inferior, uma inteligência secundária, por assim dizer. É verdade que todo homem, todo dirigente na Igreja, tem o direito à inspiração e à revelação quanto a como deve conduzir-se e como deve exercer seu ofício e seus deveres. Mas quando essa inspiração e revelação vierem, jamais estarão em desarmonia com a disciplina da Igreja, nem com as revelações da mente e da vontade de Deus reveladas a Seu profeta na terra. O presidente da Igreja, não um bispo de ala, nem o presidente de uma estaca, estabelece a regra para a Igreja. Sempre que algum dirigente da Igreja receber qualquer outra impressão que não a de seguir o presidente da Igreja, essa impressão não vem da fonte correta.

A unidade deve vir, irmãos, por meio de sermos um com aquele que está à cabeça da Igreja. E é o dever e a obrigação de todo dirigente da Igreja ajustar-se plena, total e irrestritamente, sem engano, sem equívoco, à mente e à vontade do Senhor, tal como reveladas a nosso profeta, vidente e revelador. Digo novamente, este princípio se relaciona a todas as coisas que afetam o bem-estar da Igreja.

O Plano de Bem-Estar

Quero dizer uma palavra sobre o Bem-Estar. Temos insistido com os bispos para que retirem da assistência governamental, com a maior rapidez possível, os pobres dignos das alas. Este é o conselho do Presidente da Igreja. Tem havido alguma reclamação sobre esse conselho. Às vezes tem parecido que talvez não estivéssemos totalmente unidos nesse plano. Alguns bispos e presidentes de estaca parecem não sentir que isso deva ser feito. No entanto, virá um tempo, sinto com bastante certeza, em que, para aqueles pobres dignos, será a Igreja ou nada.

Já, desde 1938, o governo federal reduziu em dois terços sua verba destinada à assistência pública. Parece inevitável que essa redução deva continuar. Ao instar os bispos a retirarem os pobres dignos da assistência, pedimos-lhes que se dirijam primeiro aos filhos dos pobres, para ver se não podem cuidar de seus pais, e dissemos que, se eles não puderem carregar esse fardo, então a Igreja há de ajudar, seja parcial, seja integralmente.

Ora, não podemos dar aos pobres dignos da Igreja todos os luxos de que gozam os ricos. Isso não pode ser feito por nenhuma agência, seja governamental, seja eclesiástica; mas a Igreja pode prover os pobres dignos com as necessidades da vida.

Ouvimos falar de alguns poucos casos — espero que tenhamos ouvido falar de todos eles — em que filhos induziram seus pais a transferir-lhes por escritura a propriedade dos pais, e então colocaram seus pais sob assistência. Ouvimos falar outro dia de um caso que era trágico além da medida. A mãe, uma viúva, transferira sua propriedade por escritura a seus filhos; obtivera um auxílio gratuito do estado; e então os filhos a mandaram embora de sua casa, longe dos filhos, longe de seus amigos, para um daqueles asilos aqui nesta cidade, onde "cuidam" de pessoas idosas — ponho "cuidam" entre aspas — mediante pagamento.

Essa pobre e velha alma fora trazida para lá, arrancada das amarras de toda uma vida, de seus amigos, longe de seus filhos, para viver na miséria, na ala de caridade do estado, enquanto seus filhos ficavam com sua propriedade.

Quando penso em vossa mãe e em minha mãe, que nos geraram, que desceram ao vale da sombra por nós; quando penso em como nos amamentaram, sangue de seu sangue antes de nosso nascimento, e nos alimentaram de seus corpos depois de nosso nascimento; quando penso em seus cuidados conosco em todas as doenças da infância — lembro-me de cinco de nós num só quarto, doentes de difteria, sem outra enfermeira além de mamãe; quando penso em todas as ansiedades pelas quais passaram por nossa criação, todas as provações para nos manter no caminho reto; quando penso em como labutaram por nós, muito, muito além de suas forças, cozinhando, lavando, costurando, remendando; quando penso em tudo isso, parece-me uma coisa terrível que eu pedisse a minha mãe que transferisse a mim por escritura o pequeno patrimônio que possuía, e que então eu a entregasse como encargo de caridade pública do estado, enquanto eu consumia o pequeno patrimônio que baixamente a induzira a me dar.

O próprio Senhor condenou tal conduta nos fariseus. Ele disse aos judeus que, ao buscarem esquivar-se das responsabilidades do antigo mandamento, "Honra teu pai e tua mãe," criando algum tipo de situação legal em que já não fossem responsáveis por sustentar seu pai e sua mãe, estavam violando o mandamento absoluto de Deus. Parece-me, irmãos, que há um modo de levar toda criança a "honrar teu pai e tua mãe, para que os teus dias se prolonguem na terra que o Senhor teu Deus te dá."

Irmãos: eu preferiria viver humildemente numa cabana de toras, cercado de meus filhos, perto de meu velho lar, entre meus velhos amigos, do que viver, arrancado de tudo isso, como internado por caridade num palácio do estado.

A Constituição

Quero dizer apenas uma palavra sobre um assunto que foi tocado hoje pelo Irmão Widtsoe. Refiro-me à Constituição dos Estados Unidos.

Já me expressei tantas vezes perante este corpo do Sacerdócio que não preciso entrar em detalhes sobre isso. Mas creio que a Constituição foi inspirada. O Senhor assim o disse. O Profeta assim o disse; e os profetas desde Joseph assim o disseram; e não estou preparado para considerar a Constituição sob nenhuma outra luz.

Creio que Deus inspirou a Constituição porque sabia que, sem as garantias que essa Constituição traz quanto à liberdade pessoal, Sua obra não poderia se estabelecer na terra. Ouvimos às vezes: "Bem, o Senhor pode inspirar governantes a mudar a Constituição. Ele inspirou a primeira Constituição, ele pode inspirar mudanças."

Gostaria de assinalar-vos que, nesse documento inspirado, a Constituição, o Senhor prescreveu o modo, o procedimento pelo qual o arcabouço inspirado dessa Constituição poderia ser alterado. Sempre que a Constituição for emendada dessa maneira, será uma emenda que o Senhor aprovará; mas sempre que for emendada de qualquer outro modo que não o que Ele prescreveu, não estaremos seguindo o mandamento do Senhor e devemos esperar perder nossas liberdades e nossa liberdade.

A Constituição foi elaborada a fim de proteger as minorias. Esse é o propósito das constituições escritas. Para que as minorias pudessem ser protegidas na questão das emendas sob nossa Constituição, o Senhor exigiu que as emendas fossem feitas somente por meio da atuação de maiorias muito amplas — dois terços para a ação no Senado, e três quartos entre os estados. Esta é a ordem inspirada e prescrita.

Mas, se formos ter uma emenda pela vontade de um só homem, ou de um pequeno grupo de homens, se eles puderem emendar a Constituição, então perderemos a Constituição; porque cada pessoa ou grupo sucessivo que chegar a uma posição de lugar e poder onde possa "emendar" a carta vai querer emendá-la de novo, e assim por diante, até que nenhum vestígio de nossas liberdades reste. Assim é que uma emenda de nossa Constituição por uma pessoa ou por um grupo constitui uma violação da vontade revelada do Senhor à Igreja, tal como essa vontade está incorporada naquela Constituição inspirada.

Irmãos, pensemos nisso, porque vos digo, com toda a seriedade de que sou capaz, que corremos o risco de perder nossas liberdades, e que, uma vez perdidas, somente sangue as trará de volta; e uma vez perdidas, nós, desta Igreja, para manter a Igreja avançando, teremos de fazer mais sacrifícios e suportar mais perseguições do que jamais conhecemos, por mais pesados que tenham sido nossos sacrifícios e por mais dolorosas que tenham sido nossas perseguições no passado.

Que o Senhor nos dê o desejo de servi-lo. Que Ele nos dê um espírito de unidade, entre os bispados de ala e seus membros, entre os presidentes de estaca e seus bispos, entre os presidentes de estaca e as autoridades gerais, e entre as autoridades gerais e o presidente da Igreja, o profeta de Deus, Seu profeta, vidente e revelador, e assim apoiado por nós, que somos a liderança do Sacerdócio da Igreja reunida em conferência. Esta unidade deve assentar-se sobre a vontade revelada do Senhor ao presidente da Igreja, tal como por ele proclamada. Nenhuma outra unidade pode nos trazer segurança e proteção, e em nenhuma outra unidade podemos avançar edificando a Igreja e trazendo a salvação à humanidade.

Que Deus nos abençoe a todos, nos dê Seu espírito e nos ajude a viver de tal modo que o Espírito Santo seja nosso constante companheiro, ajude-nos sempre a trilhar o caminho reto e estreito, dê-nos sempre o conhecimento da veracidade do Evangelho e reverência por nosso profeta, vidente e revelador, oro humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJ. Reuben Clark Jr., “Tudo ou Nada”, Conferência Geral de Abril de 1944, Sessão da Noite de Sexta-Feira (1944-04-07). Pulpit Vault, 1944-04-clark-everything-or-nothing. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).