Pulpit

As Normas da Igreja

Ezra Taft Benson

Conferência Geral de Abril de 1944·Sessão da Manhã de Sexta-Feira·1944-04-07

Penso que agora sei, irmãos, como a suspense pode ser efetivamente usada como instrumento de punição. [Risos.] Regozijo-me convosco pela oportunidade de nos reunirmos nesta grande conferência. Fiquei feliz ontem com a nomeação do Irmão Mark Petersen para preencher a vaga no Conselho dos Doze, e de todo o coração o apoio e peço a nosso Pai que o abençoe, e nos abençoe a todos em nossos respectivos chamados no sacerdócio.

O Aumento da Delinquência Juvenil

Tenho estado grandemente preocupado, como estou certo que muitos de vós também estais, com certas tendências que se evidenciam nesta grande terra nossa, as quais tendem a atingir o próprio fundamento de muitas coisas que prezamos. Reconheço as grandes promessas que foram feitas a esta terra de Sião, por meio dos profetas do Livro de Mórmon e por meio de profetas dos últimos dias. E, no entanto, pergunto-me às vezes se nós, como membros desta grande nação, reconhecemos o que é necessário fazermos para que aquelas promessas se cumpram.

Tenho certeza de que todos sabemos que o cumprimento dessas grandes promessas depende de adorarmos o Deus desta terra, que é Jesus Cristo.

Gostaria, se o Senhor me abençoar, de me referir a uma das tendências que me tem causado profunda preocupação desde que nos reunimos pela última vez em conferência. Viajando pelas grandes planícies deste país, a caminho de Washington, D. C., para a conferência, li uma carta e um relatório de um de nossos grandes amigos da juventude, da lei e da ordem, da decência e do lar americano, o Sr. J. Edgar Hoover.

Fiquei espantado ao constatar que a tendência da delinquência juvenil nesta grande terra atingiu proporções que deveriam chocar a todos nós. Vou referir-me, se me permitirem esta manhã, a alguns dos números apresentados no "Relatório Uniforme de Criminalidade para os Estados Unidos e suas Possessões, pelo Departamento Federal de Investigação do Departamento de Justiça dos E.U.A.", extraídos do Boletim Anual de 1943.

Os aumentos na criminalidade durante o ano de 1943, medidos por prisões, são os seguintes: prisões de rapazes, menores de 18 anos: 23,4%; prisões de moças, menores de 21 anos: 47,9%. Pela primeira vez desde que há registros, a idade de dezessete anos predominou na frequência de prisões masculinas. Pela primeira vez, a idade de 18 anos predominou na frequência de prisões femininas. A gravidade da situação torna-se mais clara quando se recorda que esses aumentos, particularmente nas prisões femininas em 1943, somam-se a aumentos semelhantes em 1942. Em comparação com 1941, as prisões de moças menores de 21 anos aumentaram 130,4 por cento.

Ora, reconheço que essas estatísticas estão sujeitas a alguma interpretação. Por falta de tempo, não tentarei nenhuma interpretação particular, mas sinto que elas indicam uma tendência séria, que deveria preocupar todo verdadeiro americano, e certamente todo membro que porta o sacerdócio nesta Igreja. Essas infrações podem ser assim discriminadas: no caso das prisões masculinas de menores de 18 anos, prisões por estupro, aumento de 39,8 por cento; roubo, aumento de 39 por cento; arrombamento, aumento de 27,7 por cento; furto de automóveis, 23,4 por cento.

Aumento nas prisões femininas de menores de 21 anos: infrações contra a propriedade, aumento de 30,1 por cento; violações diversas, 53,2 por cento; e infrações contra a decência comum, tais como embriaguez, vadiagem, conduta desordeira, prostituição, vício comercial e outros crimes sexuais, como adultério e fornicação, mostram um aumento de 56,9 por cento.

O Sr. Hoover, comentando essa séria e alarmante situação, fez o seguinte comentário: Este país está em perigo mortal. Podemos vencer esta guerra e, ainda assim, perder a liberdade para todos na América; pois a corrupção crescente da desintegração moral está corroendo a nação. Não sou homem que se choca ou se alarma facilmente, mas hoje, como milhares de outros, estou tanto chocado quanto alarmado.

As prisões de rapazes e moças adolescentes por todo o país são espantosas. Alguns dos crimes que os jovens estão cometendo são quase indescritíveis. Prostituição, assassinato, estupro — são palavras feias, mas é uma situação feia. Se quisermos corrigi-la, devemos enfrentá-la.

Um levantamento recente entre ministros cristãos desta terra indica que sessenta e cinco por cento da delinquência se deve a lares desfeitos. Comentando essa situação, o Sr. Hoover prossegue: a juventude da América, acusada pela opinião pública de irresponsável e despreocupada, é culpada por essas más ações, mas a verdadeira culpa está em outro lugar. Antes que qualquer jovem tenha infringido a lei, algum adulto cometeu um crime mais sério. Movida pela cobiça do dinheiro ou escravizada pelo prazer, a geração adulta esquece que a obrigação mais solene que qualquer pessoa pode assumir aos olhos de Deus e dos homens é guiar e dirigir a criança pelos caminhos corretos. Colocar qualquer coisa à frente dessa responsabilidade equivale a negligência criminosa.

E então ele comenta sobre o que chama de "teoria excêntrica": Este é o tipo de "teoria excêntrica" que lançou as bases para o presente surto de problemas entre adolescentes. Por anos, ouvimos alguns teóricos charlatães e pseudopsicólogos que pregaram que a disciplina e o controle eram maus para as crianças, que deveriam ser deixadas sem inibições para desenvolver seu próprio padrão de vida e sua própria autodisciplina. Mas nunca se adquire autodisciplina se nunca se aprende o que é disciplina. Tampouco os problemas da vida podem ser resolvidos sem a experiência, que só se pode obter por meio de dificuldades vividas ou pela orientação da experiência alheia.

Ora, agora estamos colhendo essa colheita. Os pais foram para a guerra ou trabalham longas horas; muitas mães também trabalham em turnos diurnos ou noturnos. Os jovens são deixados por conta própria, e a trágica falácia da teoria de que a autodisciplina simplesmente brota sozinha está sendo demonstrada dia após dia.

Súplica de Um Jovem Soldado por Filiação à Igreja

Após uma conferência de estaca, há alguns meses, um jovem fardado veio até mim e pediu uma oportunidade de conversar um pouco. Esta foi a sua história: Ele disse: "Sou membro de certo acampamento perto de Washington, D. C. Tenho frequentado os cultos realizados ali pelos rapazes mórmons, mas," disse ele, "não tenho conseguido participar. Não porto o sacerdócio. Não há algo que se possa fazer para que eu obtenha o sacerdócio e possa participar da administração do sacramento e das atividades entre os rapazes mórmons?"

Enquanto conversávamos um pouco, soube que ele não apenas havia sido privado do sacerdócio, mas nunca havia sido batizado. No entanto, contou-me sobre sua cidade natal aqui em Utah, uma comunidade mórmon, sobre seu pai e sua mãe, ambos membros da Igreja, seu pai inativo, sua mãe um pouco mais ativa. Mas eles haviam aceitado esta "filosofia excêntrica" de deixar o rapaz crescer e escolher por si mesmo. Então ele me suplicou que se providenciasse algum meio para que ele pudesse ingressar na filiação da Igreja e desfrutar das bênçãos que via os outros rapazes mórmons desfrutarem.

A Responsabilidade dos Pais

Chamo vossa atenção, meus irmãos, para as revelações dadas pelo Senhor a respeito da responsabilidade dos pais de instruir seus filhos, de lhes ensinar os princípios fundamentais do evangelho, de lhes ensinar a orar, e de que os pais que deixarem de aceitar e cumprir essa obrigação terão o pecado sobre si.

Lede o que o Senhor diz na seção 68 de Doutrina e Convênios. Nos primeiros dias da Igreja, o Senhor achou por bem repreender alguns dos principais irmãos da Igreja por não instruírem seus filhos, por não lhes ensinarem princípios corretos, por não lhes ensinarem a orar, e foram admoestados a pôr em ordem suas próprias casas.

Um Levantamento Entre os Estudantes de Seminário

Fiquei muito impressionado com um levantamento recente feito pelo nosso próprio departamento de educação da Igreja entre os estudantes de seminário desta Igreja, nossos rapazes e moças. Fez-se uma tentativa, nesse levantamento, de descobrir o que a juventude da Igreja considera serem as coisas importantes que contribuem para a espiritualidade e uma vida moral. Tenho certeza de que será surpresa para alguns saber que, entre as muitas coisas que listaram — e ao que parece refletiram muito seriamente sobre o assunto —, listaram a oração no lar. Essa coisa simples, as orações em família, a devoção, que era tão comum nesta grande terra uma geração atrás, mas hoje se encontra rara demais, mesmo nos lares dos Santos dos Últimos Dias.

Irmãos, eu vos exorto, como pais e como líderes, a zelar para que, todos os dias, tenhamos um período de devoção no lar, ainda que só por essa razão: que possa influenciar a vida de nossos rapazes e moças.

Listaram também, como influências que contribuem para a espiritualidade, pais que eram espirituais e que davam bons exemplos aos filhos, lealdade dos pais aos líderes da Igreja, frequência dos filhos à Igreja junto com os pais, o casamento no templo — discussão do casamento no templo no lar —, amor e bondade, boa literatura sadia.

Pediram-lhes também que listassem as influências negativas que tendem a destruir a espiritualidade e a moralidade, e listaram, é claro, a falta de oração e espiritualidade no lar, as maledicências e críticas aos líderes da Igreja, a falta de frequência dos pais à Igreja, e influências antiespirituais como o fumo, a bebida, os jogos de cartas, os palavrões, o ódio, a cobiça, a desonestidade, e assim por diante.

São nossos próprios rapazes e moças que assim falaram. Eles reconhecem o que é necessário para proporcionar o ambiente que produzirá caracteres fortes, moral e espiritualmente. Espero que, como líderes em Sião, façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para proporcionar esse ambiente à juventude desta grande Igreja. Tenho confiança na juventude de Sião; reconheço, meus irmãos, o período sério e crucial pelo qual a juventude de Sião está passando, e oro sinceramente para que possamos cercá-los de toda salvaguarda possível, a fim de que possam enfrentar as tentações e vencê-las.

Entrevista Com Um Governador

Enquanto realizava uma série de reuniões na parte leste dos Estados Unidos há algumas semanas, fui convidado pelo governador de um dos grandes estados a visitar seu gabinete. Eu não fazia ideia do que ele desejava discutir, mas, à medida que ali sentávamos, logo ficou claro que ele estava preocupado com os problemas da juventude, e desejava saber três coisas a respeito da Igreja Mórmon: primeiro, nosso programa de atividades para a juventude; segundo, nosso grande sistema missionário — ele não estava tão preocupado com o programa proselitista da Igreja, mas com o que esse sistema missionário fazia para formar o caráter dos jovens; e, terceiro, o grande programa de Bem-Estar da Igreja, que tende a restaurar e incutir a poupança, o trabalho e virtudes semelhantes que construíram esta grande nação.

Enquanto ali discutíamos esses problemas, surgiu a questão da oração familiar, e ele me contou sua experiência quando menino em seu próprio lar, onde se ajoelhava em devoção todos os dias, e então me contou sobre visitas recentes que fizera a vários lares de amigos seus, onde não havia devoção no lar. Ele tinha grandes temores pelo futuro da juventude desta grande terra, por causa da falta de espiritualidade no lar.

Então tive o grande prazer de lhe contar algo sobre nosso programa, e mencionei um baile Ouro e Verde que acabara de ser realizado em um dos grandes hotéis de Washington, onde de seiscentos a oitocentos jovens rapazes e moças haviam se divertido numa noite de convívio social. Não havia cigarros, nem bebida alcoólica, e a festa fora aberta e encerrada com oração. Eu disse: "Sr. Governador, o senhor acreditaria que uma coisa dessas pudesse acontecer?"

Ele disse: "Gostaria que fosse mais comum. É quase impossível para mim acreditar nisso, tendo em vista o que sei sobre as condições que a juventude desta terra enfrenta, e o que está acontecendo em meu próprio estado."

Eu lhe disse que aquilo era apenas típico de festas realizadas por toda a Igreja, em 147 estacas.

As Normas da Igreja Uma Recomendação Para Nossa Juventude

Estou convencido, meus irmãos do sacerdócio, de que temos no Evangelho de Jesus Cristo, nas normas do mormonismo, uma resposta a esta tendência crescente de delinquência juvenil, se apenas tornarmos nossos programas eficazes, se apenas os fizermos funcionar.

Agora, mais do que nunca, a juventude desta Igreja precisa do programa da Igreja. Ela não pode se dar ao luxo de ficar sem ele. Precisam do companheirismo de um bom homem e de uma boa mulher, e espero que, como dirigentes e como pais, proporcionemos esse companheirismo, que os abracemos e os sustentemos, os ajudemos e os dirijamos durante este período tão crucial.

À juventude da Igreja, gostaria de dizer o seguinte: sei, sem sombra de dúvida, que nenhum jovem ou jovem mulher nesta Igreja pode se dar ao luxo de desprezar as normas e os ensinamentos da Igreja. Mesmo que a considerem apenas sob o ponto de vista de seu progresso pessoal no mundo material, compensa viver as normas do mormonismo. Tenho visto isso demonstrado repetidas vezes, particularmente durante os últimos cinco anos em que resido na capital da nação.

Sei que há muita maldade no mundo, como foi assinalado ontem pelo Élder Joseph Fielding Smith, mas testifico que, apesar dessa maldade, o mundo ainda está disposto a pagar pelos serviços de jovens rapazes e moças que permanecem fiéis às normas desta Igreja.

Poderia dar-vos ilustração após ilustração que demonstraria esse fato. Há poucos dias, um homem me telefonou de manhã cedo e perguntou se eu almoçaria com ele naquele dia. Aceitei, e algumas horas depois nos encontramos frente a frente à mesa do almoço em um dos hotéis, e ele disse: "Presumo que o senhor esteja curioso para saber por que o convidei aqui?" Eu disse: "Sim, estou."

Ele disse: "Represento um dos grandes hotéis do meio-oeste." Verificou-se que ele representava provavelmente o maior hotel, certamente o maior, do meio-oeste.

Ele disse: "Num grupo de amigos em Chicago, outro dia, eu lhes dizia que tinha a responsabilidade de ir a Washington abrir um escritório para nossa organização, e," disse ele, "comecei a delinear o tipo de homem que eu gostaria que nos representasse na capital da nação."

Então ele disse: "Depois de eu ter enumerado suas qualificações, um dos homens falou e disse: 'Bem, o que você quer é um Missionário Mórmon.'"

E então ele disse: "Quando cheguei à capital da nação, indaguei quem era o representante de sua Igreja aqui, e alguém me indicou o senhor. Por isso o convidei."

Então ele começou a enumerar as coisas que desejava nesse representante. Primeiro, ele devia ser moralmente limpo. Sua integridade devia estar além de qualquer dúvida. Não devia mexer com bebidas alcoólicas. Ele preferiria um homem que nem sequer usasse tabaco. Então prosseguiu e recitou, quase inteiramente, as normas deste povo, e então me perguntou se eu poderia sugerir um jovem que atendesse a esses requisitos.

Eu disse: "Meu bom amigo, eu poderia dar-lhe os nomes de vinte ou trinta que atenderiam a todos esses requisitos, tanto quanto pude determinar."

Ora, menciono isto simplesmente para indicar à juventude de Sião que, se olharem apenas para seu progresso material, se pensarem apenas em progredir no mundo material, financeiramente, no campo dos negócios, compensa manter as normas do mormonismo. E, se olharem para o Grande Além, e considerarem sua felicidade e exaltação eternas, compensa repetidas vezes manter as normas da Igreja.

Que o Senhor nos abençoe. Que nos abençoe como líderes em Sião, para que possamos inspirar a juventude desta terra a viver retamente, para que reconheçam a importância de manter as normas da Igreja, e recebam as bênçãos prometidas que vêm da observância dessas normas, oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoEzra Taft Benson, “As Normas da Igreja”, Conferência Geral de Abril de 1944, Sessão da Manhã de Sexta-Feira (1944-04-07). Pulpit Vault, 1944-04-benson-the-standards-of-the-church. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).