Os Assuntos Temporais da Igreja
J. Reuben Clark Jr.
Meus irmãos: Convosco meu coração se regozijou com o amor e as bênçãos que acabaram de vir a nós de nosso respeitado, honrado, amado e reverenciado presidente, Heber J. Grant. Que o Senhor lhe conceda por muitos anos ainda aquelas bênçãos de vida, força, vigor de mente e corpo de que ele necessitará para desempenhar os deveres e obrigações que sobre ele repousam. ¶
Pensamos que talvez, no início da conferência, antes de retornarmos aos níveis mais altamente espirituais aos quais o Presidente Grant nos elevou, fosse bom que eu fizesse algumas observações a respeito dos assuntos temporais da Igreja — o que se poderia chamar de seus assuntos semi-comerciais. ¶
Finanças da Igreja ¶
Gostaria, em primeiro lugar, de dizer que nós, das Autoridades Gerais, devolvemos aos Santos nossa mais profunda gratidão por sua fidelidade no pagamento dos dízimos. O maior dízimo da história da Igreja até então veio em 1941. Em 1942 nossos dízimos aumentaram mais de cinquenta por cento em relação a 1941. Até agora, em 1943, nossos dízimos aumentaram em relação a 1942 em mais de cinquenta por cento. ¶
O Senhor tem abençoado o povo em suas colheitas, e continua a abençoá-lo. Embora eu pessoalmente não advogue o pagamento de dízimos com base na teoria de que, se pagardes o dízimo, o Senhor vos dará mais dinheiro, eu insto seriamente sobre vós o pagamento dos dízimos, e um dízimo integral, porque assim tereis maior alegria do que através de qualquer outra atividade temporal em que possais empenhar-vos. ¶
Pensamos que talvez gostásseis de saber algo sobre a forma como o dízimo é gasto. ¶
Recordareis que a história da Igreja, no que diz respeito às suas operações financeiras, pode ser dividida grosso modo em quatro períodos: o que antecedeu a grande revelação dada em 9 de fevereiro de 1831; o que se passou desde então até junho de 1834; o que prosseguiu de junho de 1834 até 8 de julho de 1838; e depois de 8 de julho de 1838 até o presente. ¶
O primeiro período, até 9 de fevereiro de 1831, não foi marcado por nenhum plano sistemático de finanças da Igreja. A Igreja era jovem e pouco numerosa, mas certos grandes princípios foram estabelecidos naquela época a respeito do gasto dos fundos, todos eles voltados para o cuidado dos pobres e a edificação da Igreja. ¶
A Ordem Unida ¶
Em 9 de fevereiro de 1831, em Kirtland, o Profeta recebeu a primeira grande revelação sobre a Ordem Unida. Encontramos outras revelações relativas a esse assunto; as mais importantes a respeito dela (embora fosse tocada em muitas outras) são as seções 42, 51, 56, 70, 72, 78, 82, 85, 90, 101 e 105. A Ordem Unida não tem sido geralmente compreendida, e penso que posso repetir aqui novamente o que disse em outra ocasião: que a Ordem Unida não era um sistema comunal. Era um sistema individualista. Cada homem deveria possuir sua própria propriedade. Era-lhe exigido, porém, dar o excedente dela em benefício dos pobres e para a edificação da Igreja. A Ordem Unida e o comunismo não são sinônimos. O comunismo é a falsificação de Satanás para a Ordem Unida. Não há engano nisso, e aqueles que andam dizendo-nos o contrário ou não sabem, ou deixaram de compreender, ou estão deliberadamente deturpando. ¶
O Senhor nos experimentou por três anos para ver se não poderíamos estabelecer a Ordem Unida; não pudemos. Então, em Fishing River, em 22 de junho de 1834, após a dissolução do Acampamento de Sião, o Senhor nos disse que deveríamos abandonar a Ordem Unida e que não a restabeleceria até que Sião fosse redimida, e esse tempo ainda não chegou. ¶
Entre aquele tempo, 22 de junho de 1834, e 8 de julho de 1838, novamente não tivemos sistema financeiro regular. ¶
Em 8 de julho de 1838, o Profeta orou: "Ó Senhor! mostra a teu servo quanto exiges das propriedades de teu povo para um dízimo." Em resposta a essa oração, o Senhor deu as revelações agora incorporadas na Doutrina e Convênios como as seções 119 e 120. Na revelação impressa como seção 120, o Senhor disse: Em verdade, assim diz o Senhor, é chegado agora o tempo em que ele [o dízimo] será disposto por um conselho, composto da Primeira Presidência de minha Igreja e do bispo e seu conselho, e por meu sumo conselho [os Doze]; e por minha própria voz a eles, diz o Senhor. Assim seja. Amém. ¶
Administração do Dízimo ¶
Assim, o dízimo é agora administrado da seguinte forma: sob a direção da Primeira Presidência, elabora-se um orçamento, tão próximo quanto possível ao início do ano, que inclui todas as despesas propostas do dízimo. Esse orçamento é o resultado da cuidadosa consideração dos departamentos responsáveis pelo gasto dos fundos. ¶
Esse orçamento é então levado perante o Conselho sobre o Gasto do Dízimo, composto, como prevê a revelação, pela Primeira Presidência, pelo Conselho dos Doze e pelo Bispado Presidente. Esse conselho considera e discute o orçamento assim submetido, aprovando ou desaprovando, conforme o caso, itens individuais, mas por fim aprovando o orçamento. ¶
O orçamento aprovado, como sai daquela reunião, é então entregue para seus gastos a uma Comissão de Gastos, composta pela Primeira Presidência, três membros do Conselho dos Doze, representando aquele conselho, e o Bispado Presidente. Essa comissão então examina e autoriza os gastos do dízimo. Assim, há uma verificação completa sobre todo o dízimo que é pago à Igreja. Nada dele é gasto senão mediante a aprovação e autorização dessa comissão. ¶
Programa de Bem-Estar ¶
Gostaria de dizer agora algo sobre o Programa de Bem-Estar. A primeira medida tomada pela Primeira Presidência no Programa de Bem-Estar foi tomada em agosto de 1933, pouco mais de dez anos atrás, quando a Primeira Presidência pediu a vós, presidentes de estaca e bispos, que fizésseis um levantamento. Isso fizestes, e vossos relatórios chegaram à Primeira Presidência. Devido à sua grande importância, o assunto foi então tomado sob consideração e deliberação por três anos. Então, em 1936, o plano foi posto em operação. ¶
Quando foi posto em operação, chamamos a atenção para o fato de que, embora seu propósito imediato fosse o cuidado dos pobres, e apenas temporariamente cuidando deles no que dizia respeito aos indivíduos, havia por trás e além desse serviço outras considerações, entre elas que deveríamos reabilitar temporal e espiritualmente aqueles que recebiam a assistência. Determinou-se também que o princípio da ajuda deveria ser a necessidade real do indivíduo ou família; não deveria haver uma quantia fixa e uniforme para cada pessoa. Além disso, na medida do praticável, todos deveriam trabalhar pelo que recebiam, se estivessem em condições de fazê-lo. ¶
Esse programa tem avançado de maneira muito notável, e literalmente milhares foram ajudados e muitas famílias foram assim reabilitadas. ¶
Mas havia outro elemento nele envolvido, e esse se baseava no princípio do Salvador anunciado no Sermão da Montanha, que é mais bem-aventurado dar do que receber. E a história do movimento de Bem-Estar mostra que tem surgido na Igreja uma espiritualidade cada vez maior por causa do dar que tem sido incidente à realização da obra de Bem-Estar. Esse dar não tem sido apenas um dar de dinheiro, provisões, roupas ou combustível, mas um dar de trabalho manual, e de todas as contribuições esta última talvez tenha trazido o maior sentimento de irmandade comum, à medida que homens de toda formação e ocupação trabalharam lado a lado numa horta de Bem-Estar ou outro projeto. ¶
Nossas realizações neste ano no Programa de Bem-Estar e nas atividades a ele ligadas foram grandemente superiores aos nossos sonhos. ¶
Temos agora sob cultivo na Igreja, em ligação com projetos de Bem-Estar, cerca de 14.578 acres de terra. Creio que tudo isso é cultivado por trabalho voluntário e gratuito. ¶
Estabelecemos, em ligação com a obra de Bem-Estar, 90 armazéns do bispo. ¶
Estabelecemos 65 fábricas de conservas. ¶
Há na Igreja, sob o Programa de Bem-Estar, 598 projetos pecuários, e há, sob a direção dos quóruns, 157 desses projetos. Estabelecemos muitas fábricas de manufatura e processamento, das quais os quóruns do sacerdócio estabeleceram 30 e outros estabelecimentos, 294. ¶
Não sabemos exatamente quantas famílias foram reabilitadas no sentido de terem sido estabelecidas em algum negócio ou em alguma forma de agricultura, mas o número não fica muito aquém de 1.200. ¶
Enlatamento Suplementar ¶
Este ano, como sabeis, providenciamos que as fábricas de conservas fossem usadas por grupos de ala que desejassem preparar frutas. Isso foi feito de acordo com a aprovação expressa dos órgãos governamentais competentes. Os números do que fizemos este ano por meio do plano de Bem-Estar, através das atividades de enlatamento em grupo e através do processamento doméstico de frutas e legumes, são, penso eu, notáveis. ¶
No enlatamento em grupo, teremos preparado durante esta temporada 1.253.000 latas. No enlatamento de Bem-Estar teremos preparado 849.000 latas, as duas juntas totalizando 2.102.000 latas. ¶
Mas isso é apenas o começo. Uma estimativa tão cuidadosa quanto podemos fazer indica que, nas alas e estacas, sem incluir as missões, as famílias da Igreja prepararam e armazenaram em suas adegas 42.625.000 latas, ou um total geral, para as alas, estacas e o Bem-Estar, de 44.727.000 latas. Cremos que, se incluíssemos o enlatamento feito pelas famílias da Igreja nas missões, o número total de latas de frutas e legumes que teremos, por essas três vias, trazido para armazenamento para o ano seguinte, se aproximará, senão exceder, 50.000.000 de latas. Isso representa mais de 1.000.000.000 de pontos. ¶
Por essa tremenda realização, a maior que já resultou de um esforço unificado da Igreja em uma geração, o maior crédito e gratidão são devidos às irmãs da Igreja, que fizeram todo o enlatamento doméstico, bem como a maior parte do enlatamento para o Programa de Bem-Estar e os grupos de ala. Pedimos a essas irmãs que recebam os mais sinceros agradecimentos e felicitações de todo o corpo da Igreja. ¶
Assim mostramos algo do que podemos fazer se dedicarmos a isso nossa mente. Além disso, deve-se compreender que o enlatamento doméstico processou grande parte, senão a maior parte, dos produtos das hortas domésticas e de grupo, e de frutas que de outra forma teriam sido desperdiçadas. Os estoques públicos de verduras e frutas não foram seriamente afetados. ¶
No uso de todo esse material, devemos lembrar que ele deve ser usado com cuidado e sem desperdício. Além disso, na medida em que nos seja permitido pelos regulamentos governamentais, devemos estar preparados para lembrar, durante o inverno que se aproxima, nossos vizinhos que possam estar em necessidade. ¶
Estou certo de que já demonstramos, neste Programa de Bem-Estar e no mais ou menos correlato enlatamento doméstico, naquilo que até aqui era mais ou menos um experimento, o que podemos fazer, nós da Igreja, se dedicarmos nossa mente e nosso coração a cumprir a admoestação de nosso profeta de nos tornarmos autossuficientes. ¶
Dividendos Espirituais ¶
Este enlatamento em grupo nos trouxe esta bênção que supera de longe qualquer outra a ela incidente. De toda a Igreja ouvimos dizer que ele trouxe às alas, onde foi realizado, um sentimento de unidade, um sentimento de irmandade, de respeito por nossos irmãos e nossas irmãs — um desejo e disposição de ajudar uns aos outros que raramente, se alguma vez, igualamos na história da Igreja anteriormente. ¶
Recordareis que o Senhor disse a seus discípulos, na noite da Páscoa e depois, em sua grande oração, que deviam ser um, e que ele esperava que seu povo fosse um. Deviam ser unidos. Em nossos dias ele disse: "se não sois um, não sois meus." Portanto, esse espírito de unidade que esta obra nos trouxe nos tem levado bem adiante no caminho que o Senhor traçou para nós seguirmos. ¶
É minha oração que o Senhor nos abençoe, que nos ajude ainda mais a unificar nossos esforços — nos ajude a viver em paz, tranquilidade e contentamento entre nós mesmos. Que ele nos dê o poder de irmos com ele, como disse que poderíamos, e permanecermos com o Pai e com ele, humildemente oro em nome de Jesus, Amém. ¶