Nós Sabíamos, Nossas Mães Sabiam
George Albert Smith
Confio que poderei contar com o benefício da fé e das orações de vocês, para que eu seja guiado a dizer algo que seja útil, pois compreendo que o tempo é muito precioso quando estão reunidos tantos homens quantos há aqui esta noite. ¶
Há milhares de coisas que poderiam ser discutidas, mas, se eu for abençoado por nosso Pai Celestial, as poucas coisas de que eu falar serão aquelas que me forem dadas enquanto estiver de pé. ¶
A Seriedade da Guerra ¶
O mundo está numa condição terrível. As referências que foram feitas esta noite e durante esta conferência ao fato de que muitos de nossos jovens estão fora, alguns dos quais talvez nunca voltem, e algumas de nossas jovens também, naturalmente despertam em nós um sentimento de que queremos fazer o melhor possível — não apenas que decidamos fazê-lo, mas que tenhamos a força para fazê-lo. Há cerca de um mês, verificamos a situação de meus parentes da família Smith, e havia mais de setenta que já estavam alistados, e desde então um bom número de outros também partiu. Foi-nos dito aqui que temos aproximadamente vinte e cinco mil membros da Igreja que estão agora na frente de batalha ou se preparando para ir. Isto é sério para nós, e, embora os jornais estejam repletos dos sucessos das forças aliadas, e nos falem das poderosas armas e bombas que estão sendo utilizadas contra aqueles que se opõem a nós, permanece o fato de que estamos envolvidos numa terrível luta, e que os instrumentos de guerra do outro lado podem ser igualmente poderosos e igualmente eficazes contra nós. Não sinto a segurança que alguns sentem, devido à nossa força física, quando percebo que apenas um terço do povo do mundo provavelmente estará do nosso lado, por serem cristãos ou por crerem na missão divina de Jesus Cristo. Dois terços do mundo jamais aceitaram o cristianismo, e não seria preciso muito para fazer com que nações que hoje estão quiescentes, se me é permitido usar essa palavra, se voltassem para o lado daqueles que procuram destruir a liberdade de que a humanidade desfruta. ¶
A Fé dos Jovens Lamanitas ¶
Penso na experiência dos nefitas, quando passavam por suas terríveis dificuldades, e em como apenas dois mil e sessenta rapazes, jovens guerreiros como Helamã os chamou, foram postos frente a frente com homens de experiência e treinamento em guerra, e avançaram sem hesitação alguma; e, quando foram recolhidos do campo de batalha, cada um deles tendo sido ferido, após uma série de batalhas, duzentos deles tendo desmaiado por perda de sangue, nenhum sequer havia perdido a vida. Quando lhes perguntaram: "Como puderam fazer isso? Como puderam ter tanta fé?", esses rapazes, como aqueles que hoje partem, sem dúvida, com dezoito anos e pouco mais, responderam sorrindo: "Nós sabíamos; nossas mães sabiam." (Ver Alma 57:19-22.) ¶
Penso que esse é um dos maiores tributos já prestados à maternidade — que, em circunstâncias como as que eles enfrentavam, quando estavam cercados de inimigos, elas puderam formar em seus filhos aquela fé em Deus que os sustentaria e os traria de volta para casa sem perderem a vida. ¶
Tenho me perguntado: "As mães de Israel têm preparado seus filhos?" Têm ensinado a estes rapazes que devem nos representar no campo de batalha que eles também podem ser preservados; que Deus cuidará deles se estiverem cumprindo o seu dever, e quero dizer que, se nossas mães o têm feito, os pais têm muito pelo que ser gratos, porque alguns pais não dedicam muito tempo, nestes dias, a ensinar essas coisas a seus filhos. ¶
O Dever para com as Mães e as Esposas ¶
Esta noite, ao olhar para esta grande assembleia de homens, mais de 5.000, percebo a força do santo Sacerdócio; sabendo que somos os representantes da divindade e que os homens nesta sala têm o poder que vem de Deus para representá-lo na terra. Sei disso e, ao mesmo tempo, percebo que existe uma força nos lares dos Santos dos Últimos Dias, onde estão nossas esposas, mães e filhas, e que, quando se trata de fé em Deus e de oração, é igual a tudo que os homens possam reunir. Temo que, às vezes, as negligenciemos. Pergunto-me esta noite se os homens que aqui estão, que vieram a esta grande conferência para adorar a Deus, que estão aqui para serem instruídos sob a influência do espírito do Senhor — deixaram lares, deixaram famílias em que há filhos além da esposa. Pergunto a mim mesmo: "Quantos de vocês, aqui presentes esta noite, antes de virem esperar sobre o Senhor, puseram os braços ao redor da mulher que estava a seu lado, a mãe de seus filhos, e lhe disseram que eram gratos por ela manter aceso o lar enquanto vocês não podiam estar presentes?" Pergunto-me se apreciamos as filhas de Deus como Ele as aprecia. Valorizamos suas virtudes, sua fé, sua devoção e sua maternidade como o faz nosso Pai Celestial? ¶
Está registrado no Livro de Mórmon que Ele repreendeu toda uma raça de homens porque o coração de suas esposas fora despedaçado pela negligência deles, e seus filhos, que haviam crescido em seus lares, tinham perdido a confiança neles. Esses eram os homens da Igreja de quem estou falando, e o Senhor os repreendeu e lhes deu a entender que, a menos que se arrependessem de sua negligência, não deveriam esperar por Suas bênçãos. Assim, quero dizer a este grupo do Sacerdócio, esta noite, que orar é uma coisa, e as orações são importantes, mas viver corretamente é o que nos trará poder junto a nosso Pai Celestial. Viver o evangelho de Jesus Cristo nos dará influência entre nossos semelhantes, entre os filhos dos homens. Guardar os mandamentos de Deus nos dará uma força e uma segurança que nada mais nos pode dar. ¶
Alegro-me que tantos dos irmãos possam vir a esta conferência, e espero que, quando voltarmos para casa depois das reuniões que aqui se realizam, cada um de nós, ao retornar ao lar que nos é tão precioso e que, para muitos de nós, é tudo o que possuímos, o faça decidido a que, com a ajuda do Senhor, honraremos Suas filhas. Estimaremos o amor delas; seremos fiéis a elas e as ajudaremos a fazer as coisas que precisam fazer quando pais, maridos e irmãos estiverem ausentes. ¶
Penso que, esta noite, não há em todo o mundo um povo que tenha tanta razão para ser grato quanto nós. Reconhecendo nossos privilégios e oportunidades, sou grato por minha própria experiência, criado num lar de Santos dos Últimos Dias, ensinado a orar aos joelhos de minha mãe. Meu pai passou anos no campo missionário; minha mãe, onze vezes, ofereceu a própria vida para nos trazer ao mundo, e deu sua vida, dia após dia, para nos formar, a fim de que fôssemos verdadeiros Santos dos Últimos Dias. E essa é apenas uma família. Penso em todas essas famílias que representamos — penso em seus pais e avós, que saíram do mundo por causa do evangelho, que estavam dispostos a dar tudo o que possuíam para que vocês, seus filhos e os filhos de seus filhos não fossem traídos pela astúcia enganadora do adversário, a ponto de se afastarem da retidão e participarem das coisas que nosso Pai Celestial nos proibiu de tocar. ¶
Elogio à Transmissão do Tabernáculo ¶
Estes são alguns dos pensamentos que passaram por minha mente durante esta grande conferência, enquanto eu estava sentado aqui no púlpito e ouvia as vozes destes servos do Senhor, divinamente comissionados por Deus para representá-lo e que têm nos ensinado e alimentado com o pão da vida enquanto ouvíamos suas palavras. Sou grato pelo grande órgão e coro do Tabernáculo, que transmitem deste edifício todos os dias de Sábado. Por anos, têm deleitado o mundo com hinos de louvor que nosso Pai Celestial nos abençoou a desfrutar, e, junto a eles, têm ido pequenos sermões que têm tocado muitos corações. Muitas pessoas já me perguntaram quem é o homem que faz os anúncios na transmissão do Tabernáculo. E suponho que o Irmão Evans tenha recebido centenas de cartas de elogio por sua contribuição. O que ele diz é breve, mas é o que ele pensa que o Senhor gostaria que Seu servo dissesse em Seu dia santo. ¶
A Retidão Dá Força ¶
Agora, irmãos, logo estaremos longe daqui. Vocês irão para seu campo de trabalho, e eu para o meu. Conviveremos com os Santos dos Últimos Dias e com os que não são membros da Igreja, e digo-lhes que, se quisermos ter influência sobre aqueles que iremos ver ao partir daqui, precisamos ter o poder de Deus para testificar a eles de que somos o que dizemos ser. Ser membro da Igreja e deter o Sacerdócio não nos levará a lugar algum, a menos que sejamos dignos. O Senhor disse que toda bênção que desejamos está condicionada à obediência a Seus mandamentos. Podemos enganar nossos vizinhos, e podemos enganar a nós mesmos com a ideia de que estamos indo bem, mas, a menos que guardemos os mandamentos de nosso Pai Celestial, a menos que portemos dignamente este santo Sacerdócio que é tão precioso, não encontraremos nosso lugar no reino celestial — não encontraremos nossa associação e companhia com as esposas e filhas que não tiveram o Sacerdócio, mas que corresponderam e guardaram os mandamentos de Deus e viveram vidas retas. ¶
Há muitos homens nesta Igreja que não têm representantes do sexo masculino. Nosso amado presidente, que aqui está sentado esta noite, não tem filhos homens, mas Deus o abençoou com esposas e filhas maravilhosas, e elas o têm honrado, sustentado e apoiado. Outros homens neste púlpito foram abençoados com grandes famílias, que têm alegria em fazer as coisas que o Senhor deseja que façam e que trazem honra e crédito à Igreja com a qual se identificam. Eles são seus irmãos e irmãs, e os meus. Quão gratos devemos ser por nossa sorte ter sido lançada em condições tão favoráveis. Não importa quão fortes sejam nossos exércitos, se formos superados em número por aqueles que não creem em Deus. Não importa quão poderosos sejam os engenhos de destruição que preparemos, eles poderiam ser destruídos por aquilo que o inimigo trouxer contra nós, mas, se tivermos a confiança de nosso Pai Celestial, se tivermos o Seu amor, se formos dignos de Suas bênçãos, todos os exércitos do mundo não poderão nos destruir, não poderão abalar nossa fé, e não poderão vencer a Igreja que traz o nome do Filho de Deus. ¶
Leiam no décimo nono capítulo de II Reis como Senaqueribe, o rei assírio, procurou subjugar Jerusalém. Ezequias, o rei que representava Israel, suplicou ao Senhor por livramento, enquanto Senaqueribe o escarnecia, dizendo: "Não penses que tuas orações ao teu Deus podem te ajudar. Em todo lugar onde já estive e já tomei, eles estavam orando. Estás desamparado" — e, na manhã seguinte, grande parte do exército assírio foi encontrada morta no chão, e Jerusalém havia sido preservada pelo Senhor. Ele é nossa força, irmãos, o Pai de vocês e o meu, o Pai de todos; se apenas formos dignos, Ele nos preservará como preservou os filhos de Helamã, e como preservou Daniel dos leões, e os três jovens hebreus da fornalha ardente, e seiscentos mil dos descendentes de Abraão quando os tirou do Egito sob a liderança de Moisés e afogou o exército de Faraó no Mar Vermelho. Ele é o Deus deste universo. Ele é o Pai de todos nós. Ele é todo-poderoso, e nos promete proteção, se vivermos dignos dela. Permitam-me ler-lhes um parágrafo da própria primeira seção de Doutrina e Convênios, em que Ele diz: Porque não faço acepção de pessoas e desejo que todos os homens saibam que o dia rapidamente se aproxima; ainda não é chegada a hora, mas está perto, em que a paz será tirada da Terra e o diabo terá poder sobre seu próprio domínio. ¶
Que coisa lamentável seria se terminasse ali, pois podemos ver o poder do adversário no mundo e a destruição que está sendo causada por aqueles que são seus emissários; mas, continuando, o Senhor diz: E também o Senhor terá poder sobre seus santos e reinará em seu meio e descerá para julgar Idumeia, ou seja, o mundo. ¶
Que promessa! Mas ela está inteiramente condicionada à nossa retidão, não a qualquer outra coisa, não à nossa riqueza nem à nossa força em número, não ao nosso isolamento do mundo, mas à nossa retidão. ¶
Um Testemunho das Bênçãos de Deus ¶
Em conclusão, quero dar-lhes meu testemunho, meus irmãos. Primeiro, agradeço às centenas de vocês que tornaram possível que eu prosseguisse como tenho feito, ao lado de meus associados na liderança da Igreja, incentivando nosso povo e seus vizinhos a guardar os mandamentos de Deus; e, esta noite, ao pensar na condição do mundo e perceber que o único lugar onde há qualquer semelhança de paz é a terra em que vivemos, e com a promessa de Deus de que Ele estará com — não os membros da Igreja, não interpreto assim; não necessariamente os homens que detêm o Sacerdócio, também não interpreto assim — Ele estará com Seus Santos, que forem dignos de serem chamados Santos, e Seu poder e proteção estarão sobre eles até que os trabalhos de sua vida estejam concluídos. Sei que Deus vive. Sei que Jesus é o Cristo. Sei que Joseph Smith foi um profeta do Deus vivo, tão certamente quanto sei que vivo. Sei que o Sacerdócio que vocês, irmãos, detêm é divino; que vocês são representantes da Divindade, e que, se suas vidas se conformarem aos desejos de nosso Pai Celestial quanto ao Seu Sacerdócio, todo o poder no céu e na terra não poderá impedi-los de obter as bênçãos que Deus disse que concederia àqueles que guardam Seus mandamentos. Amemo-nos uns aos outros. Disse-se aqui, durante esta conferência, sobre a bondade. Se jamais houve um tempo em que precisássemos ser bondosos, é agora. Se jamais houve um tempo em que precisássemos ser pacientes, é agora, e, se guardarmos um dos mandamentos de Deus que Ele disse ser o segundo maior, amaremos nosso próximo como a nós mesmos. Quando fizermos isso, eles não serão entristecidos por nenhuma conduta nossa. Sou grato a vocês pela companhia de vocês. Agradeço a meus irmãos das Autoridades Gerais da Igreja, com quem estou tão intimamente associado, por sua bondade para comigo. Agradeço ao nosso amado Presidente que, em seus anos avançados, continua a nos incentivar a sermos fiéis e a dar testemunho de seu conhecimento de que Deus vive, de que Jesus é nosso Salvador e de que Joseph Smith foi um profeta levantado pelo Senhor. Vocês já ouviram esses testemunhos muitas vezes, e os testemunhos de outros que aqui estão. Vocês já ouviram os testemunhos daqueles que já foram para sua recompensa. Estes são verdadeiros, meus irmãos. Estes testemunhos não são ditos levianamente nem dados descuidadamente. São a verdade. ¶
Sabendo que, num futuro não muito distante, o homem que agora lhes fala terá que comparecer diante de Deus e responder pelas obras feitas no corpo e pelas palavras aqui proferidas, sabendo disso, e percebendo a seriedade de uma má interpretação ou de uma falsa representação, com alegria, com júbilo e com amor, dou-lhes meu testemunho de que o Evangelho, tal como ensinado pelos Santos dos Últimos Dias, é o poder de Deus para a salvação. Este é meu testemunho, e eu o dou em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém. ¶