Ativando os Quóruns do Sacerdócio
Joseph F. Merrill
Em um sentido muito real, irmãos, esta é uma reunião notável. Está aqui reunido o que, penso, podemos verdadeiramente dizer ser o grupo de homens mais favorecido em todo o mundo. Num corpo deste tamanho, nenhuma outra assembleia semelhante poderia existir em qualquer lugar da face da terra. Aqui estão os líderes da Igreja e das estacas da Igreja, a Igreja de Deus. Todos nós sabemos que nenhum de nós tem a menor dúvida quanto a isso. Por termos sido privilegiados de chegar às posições que ocupamos e de nelas atuar, penso que somos maravilhosamente favorecidos por nosso Pai Celestial. ¶
O Bispo Richards falou esta tarde sobre o Sacerdócio Aarônico. Se me permitis, gostaria de falar por alguns minutos sobre o Sacerdócio de Melquisedeque. É o Sacerdócio, é claro, que, em certo sentido, constitui a Igreja. Presidir, guiar e dirigir o Sacerdócio é a principal responsabilidade de nós que aqui estamos reunidos; e particularmente as presidências de estaca têm a responsabilidade de presidir e dirigir os trabalhos do Sacerdócio de Melquisedeque em suas estacas. ¶
Foi há quase cinco anos, em resposta a uma pergunta, que o Presidente Grant lembrou ao Conselho dos Doze que eles constituem o Conselho Geral do Sacerdócio da Igreja; e o Presidente Clawson, lembro-me, disse que o Presidente Smith havia dado a mesma resposta certa vez durante sua administração. O Conselho dos Doze passou a pensar, depois daquele comentário do Presidente Grant, um pouco mais intensamente em sua responsabilidade pelo bem-estar do Sacerdócio da Igreja, particularmente pelos quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque, e assim começaram a trabalhar. E foi anunciado, na edição de The Improvement Era de dezembro de há quatro anos, o que era, segundo as manchetes do artigo, um novo plano do Sacerdócio. Bem, não havia nada de novo em princípio; contudo, seu título era instigante, e presumo que todos, nas estacas, que tinham alguma responsabilidade pelo Sacerdócio de Melquisedeque, leram o artigo. ¶
Ora, em resposta a uma petição do conselho geral da Escola Dominical, e de acordo com o que havia sido o desejo expresso de alguns membros do Conselho dos Doze, as classes do Sacerdócio, de Melquisedeque e Aarônico, foram retiradas das Escolas Dominicais. Penso que essa foi uma boa medida. As classes do Sacerdócio da Igreja, particularmente as classes do Sacerdócio de Melquisedeque, haviam passado a crer que ser ativo nos quóruns do Sacerdócio era comparecer às reuniões semanais ou mensais do quórum; e se isso fosse feito, considerava-se a pessoa totalmente ativa. Parecíamos ter esquecido o fato de que, nesta Igreja, obtemos alegria por meio da atividade. Quando comparecemos à nossa classe, sentamo-nos quietamente, ouvimos alguém conduzir a lição, depois nos levantamos e vamos embora, a quantidade de atividade em que nos empenhamos é extremamente pequena. ¶
Ao retirar as classes dos grupos e quóruns do Sacerdócio das Escolas Dominicais, não se pretendia, de forma alguma, dizer que o trabalho de classe não era importante, mas sim enfatizar outro aspecto que se havia tornado mais ou menos adormecido -- o aspecto da atividade; e assim, desde então, o Conselho dos Doze, juntamente com as demais autoridades gerais do Sacerdócio da Igreja, à medida que percorrem as estacas, têm sido muito insistentes em exortar as presidências de estaca -- por serem elas as autoridades responsáveis nas estacas -- a atentar cuidadosamente para a supervisão e orientação da obra do Sacerdócio. Não existe, nas estacas, trabalho mais responsável, nem obrigação maior, do que a de supervisionar devidamente os quóruns do Sacerdócio. ¶
Um grande esforço foi despendido, nos últimos quatro anos, na tentativa de melhorar a atividade dos quóruns do Sacerdócio, particularmente dos quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque, mas o progresso tem sido bastante lento. Embora eu ache que, se compararmos os resultados de hoje e julgarmos nossos relatórios com os relatórios que se obtinham naquela época, veremos que houve melhora; e ainda assim é bastante decepcionante, quando chegamos a perceber o que o Sacerdócio significa e o que ele é, que a melhora não tenha sido mais rápida. ¶
É claro, reconhecemos este fato: que todo este trabalho é inteiramente voluntário. Não existe tal coisa como força na Igreja. Não há desejo de usar a força, ainda que pudesse ser usada. É o amor que é o fator dominante na Igreja, e é por meio do amor que temos tentado fazer com que nossos irmãos sintam, num grau maior do que sentiam no passado, suas responsabilidades como portadores do Sacerdócio. Ser ordenado ao Sacerdócio, em si, pode não trazer bênção alguma: pode trazer condenação. Dá uma oportunidade, uma oportunidade maravilhosa, à luz da verdade real da circunstância, para crescimento e desenvolvimento pessoal. Assim, um indivíduo que tem o privilégio de receber o Sacerdócio foi honrado com uma oportunidade muito grande. ¶
Ora, o que temos tentado fazer, irmãos, como sabeis, é enfatizar a necessidade de aproveitar essa oportunidade, a fim de que possamos viver de modo mais aceitável a nosso Pai Celestial. Como meio de estimular essa atividade, foi organizado um comitê em cada estaca -- o comitê do Sacerdócio de Melquisedeque da estaca -- e recomendou-se que um membro da presidência de estaca fosse o presidente desse comitê, com o propósito de enfatizar às presidências de estaca que era sua responsabilidade supervisionar o trabalho dos quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque em suas estacas. ¶
O principal dever desse comitê é treinar os oficiais do quórum em seus deveres e responsabilidades, e assim recomendou-se que se realizasse uma reunião mensal com todos os oficiais dos quóruns do Sacerdócio e líderes de grupo. Um programa para essas reuniões foi discutido em várias edições subsequentes de The Improvement Era. ¶
Bem, irmãos, progressos foram feitos, pensamos, na compreensão, por parte desse comitê de estaca, de suas responsabilidades, e cremos que esses comitês estão crescendo em eficiência no cumprimento da responsabilidade de treinar os oficiais, mas ainda há muito a ser realizado. ¶
Ora, permiti-me dizer que, entre outras coisas, instituímos um relatório trimestral e pedimos que cada quórum e cada grupo de quórum preenchesse um formulário de relatório trimestral em triplicata, mantendo uma via e enviando duas ao presidente do comitê de estaca, que fica com uma e envia outra ao comitê do Sacerdócio de Melquisedeque do Conselho dos Doze. Esses relatórios têm chegado. Eles indicam, como disse há pouco, algum avanço e progresso, mas não tanto quanto esperávamos. Ainda há algumas coisas que faltam. ¶
Sabemos que, há vários anos, recomendou-se que fossem organizados, em cada quórum, quatro comitês permanentes. Foram nomeados. Seus deveres foram especificados. Em geral, os comitês foram indicados, mas mesmo hoje, segundo os relatórios, alguns deles não estão funcionando bem. Lembramo-nos de duas coisas que devem ser feitas para que um comitê permanente continue a funcionar bem? Devem ser feitas designações frequentes e exigidos relatórios frequentes. Não deis uma designação genérica, soltando o comitê e esperando que funcione. Fazei essas designações com frequência, e depois pedi um relatório de cada designação. O relatório, é claro, pode ser oral, pode ser escrito, mas um relatório deve ser exigido para cada designação. Quando a designação é feita, a autoridade que a designa -- que é, é claro, a presidência do quórum -- deve manter contato com aqueles que a receberam e verificar se estão funcionando. ¶
No número de fevereiro de The Improvement Era, um artigo escrito pelo Élder Joseph Fielding Smith indicou, em termos muito claros, quais são os deveres desses comitês. Mas para que esses comitês funcionem, e para que a presidência do quórum sinta que é sua responsabilidade fazer com que funcionem, recomendou-se que a presidência do quórum se dividisse entre esses comitês, cada um dos membros da presidência sendo presidente de um comitê. Ora, como há quatro comitês permanentes, o presidente de um deles terá de ser escolhido entre os membros. Os comitês específicos dos quais os presidentes deveriam ser os presidentes foram indicados no artigo. ¶
Bem, irmãos, quero repetir que, para pôr vossos comitês a trabalhar e mantê-los trabalhando, é necessário fazer designações frequentes e específicas, e depois exigir relatórios sobre essas designações. ¶
Ora, há outra coisa que sentimos que deveria ser feita, para que as presidências dos quóruns possam cumprir suas responsabilidades num grau maior do que no passado. O que aconselhamos? Aconselhamos que as presidências desses quóruns, que são responsáveis por seus quóruns, verifiquem se as exigências, conforme indicadas pelas perguntas nos formulários de relatório, são definidamente atribuídas, e se são cumpridas. Isso vai representar uma responsabilidade considerável. Mas para que isso possa ser feito, sentimos que as presidências dos quóruns deveriam reunir-se com mais frequência do que têm feito -- mais frequentemente do que uma vez por mês. Nenhuma presidência de estaca pode funcionar sem reuniões semanais regulares. Em geral, nenhum bispado pode funcionar sem reuniões semanais regulares. Sentimos que as presidências dos quóruns deveriam reunir-se semanalmente, sempre que for viável, o que ocorreria na grande maioria dos casos. Reuni-vos semanalmente. Que se reúnam com a ideia de ajoelhar-se, irmãos, e orar devota, sincera e honestamente ao Senhor por sabedoria e orientação, e depois se levantem e ponham a mente para trabalhar, tentando planejar como cumprir suas designações, como atender às suas responsabilidades, como aumentar as atividades de seus comitês e de seus membros. ¶
Em cada relatório há algumas coisas, mesmo que o relatório, em geral, seja excelente -- algumas coisas em que o quórum é fraco. A presidência sente que é sua responsabilidade chamar a atenção para isso, e tentar encorajar seus comitês, encorajar seus membros, sejam quais forem os que têm a responsabilidade de melhorar nos aspectos específicos em que a fraqueza é indicada? Eles sentem que deveriam permanecer próximos deles nesse aspecto? ¶
Quero chamar vossa atenção para duas ou três atividades, entre outras, que temos recomendado e exortado muito seriamente que sejam realizadas. ¶
Sabeis que, desde o início da participação de nosso país nas atividades de guerra, cada vez mais de nossos irmãos têm deixado o lar, ingressando em indústrias de defesa, forças militares, e assim por diante. Temos exortado, de acordo com a recomendação feita aqui esta manhã pelo Presidente Thomas E. McKay, que cada quórum sinta que é sua responsabilidade manter-se em estreito contato com os irmãos ausentes. Um quórum é um grupo de irmãos unidos pelo amor, por sentimentos de fraternidade, simpatia, companheirismo e interesse mútuo. Não vos parece, do ponto de vista do que é razoável nesse assunto, que é impensável que um membro de um quórum possa ausentar-se e permanecer ausente por três meses ou mais, e o quórum não fazer nenhum esforço sequer para entrar em contato e ter notícias desse membro ausente? ¶
Ora, recomenda-se que se lhe escreva ao menos mensalmente, sempre que isso for viável. Certamente, irmãos, todos os que estão ausentes do quórum, não apenas nas forças armadas, mas ausentes de casa em trabalho de defesa em qualquer lugar, deveriam ser comunicados ao menos uma vez por mês. Deveria ser incumbência de alguém no quórum fazer isso. Se o presidente quer que seu comitê de bem-estar ou outros tenham essa designação especial é uma questão à parte do fato de que deveria ser incumbência de alguém, em favor do quórum, escrever cartas amigáveis, encorajadoras e úteis, com frequência, àqueles que estão ausentes. ¶
Ora, nossos rapazes que estão ingressando nas forças armadas enfrentam enormes dificuldades e tentações, e precisam de todo o encorajamento, de toda a ajuda que puderem obter. Assim, pedimos -- e agora vou pedir, irmãos -- que vós, presidências de estaca, verifiqueis que, em vossa estaca, todo quórum seja instruído a manter-se em contato com esses ausentes. ¶
Ora, o tempo só admite uma referência a mais uma coisa. Foi há cinco anos, neste mesmo mês, que a Presidência da Igreja escreveu ao Conselho dos Doze, colocando-o por escrito -- não apenas por instrução oral, mas por escrito -- e dirigiu que fosse instituída na Igreja uma campanha contra o uso de bebida alcoólica e tabaco. Determinaram que fosse um projeto do Sacerdócio. Todos os quóruns do Sacerdócio, de Melquisedeque e Aarônico, deveriam ser responsabilizados por limpar sua própria filiação do uso desses entorpecentes, bebida alcoólica e tabaco. Nos formulários de relatório trimestral do quórum há perguntas relativas a essa campanha contra bebida e tabaco. Entre as perguntas estão estas: Quantos se abstêm do uso de bebida alcoólica e tabaco? Esse número é, em geral, fornecido. Quantos dos viciados estão sendo trabalhados? A maioria dos quóruns da Igreja hoje responde: "Nenhum." ¶
Ora, irmãos, estou falando com muita franqueza sobre este assunto. Parece-me impensável que uma designação aos quóruns do Sacerdócio, vinda diretamente da Primeira Presidência, fique sem ser atendida. Nunca soube de nenhum projeto designado de forma mais direta do que esse. E, no entanto, alguns dos quóruns aparentemente não estão fazendo nada com seus membros viciados. Ah, sim, patrocinam palestras públicas, talvez tragam alguém às classes para falar, e assim por diante. Não é assim, irmãos, que se realiza o trabalho missionário eficaz desta Igreja. Não é assim que os missionários de estaca ou estrangeiros funcionam, na maior parte. É principalmente pelo contato pessoal que os missionários trabalham. Esse tem sido o método, desde o princípio, que tem conquistado as pessoas. ¶
As primeiras fases dessa campanha, permiti-me dizer, foram dedicadas ao que chamamos de campanha de informação. Enviamos mais de um milhão de exemplares de literatura, que foram espalhados por toda a Igreja e lidos de forma bastante geral, em todos os quóruns do Sacerdócio. ¶
Depois chegamos ao que o Presidente Clawson chamou de campanha de persuasão. "Sabei isto: que toda alma é livre para escolher sua vida e o que será. Pois esta verdade eterna nos foi dada, Deus não forçará homem algum ao céu. Ele chamará, persuadirá, dirigirá corretamente, de numerosas maneiras será bom e gentil, mas jamais forçará a mente humana." ¶
A campanha de persuasão, irmãos, usa o método do contato pessoal. Vós, presidências de estaca, verificareis que essa designação direta da Primeira Presidência seja cumprida em vossas estacas, e que o método do contato pessoal seja empregado entre os viciados? Esse é o meio mais eficaz. Será por meio de contatos pessoais que os quóruns poderão conquistar seus viciados para a abstinência. Irmãos, isso pode ser feito. ¶
Minha observação e meu testemunho são de que o Senhor jamais nos exigiu que fizéssemos algo que não possamos fazer com Sua ajuda, se nos esforçarmos. Um testemunho maravilhoso disso foi dado por nosso grande Presidente esta manhã, quando relatou sua primeira viagem ao Leste para obter algum dinheiro. Ele foi enviado pela devida autoridade e foi com plena confiança de que o Senhor o guiava, e confiou no Senhor e na promessa que lhe havia sido feita, e teve um sucesso maravilhoso. ¶
Sim, o contato pessoal é o método e, usado sabiamente, pode ter sucesso. Refiro-vos a um relatório publicado no número de dezembro de The Improvement Era, sob a manchete "O Belo Trabalho de Ogden." O quórum de sumos sacerdotes da Estaca Ogden tinha trinta e dois viciados, quase todos homens idosos. A maioria deles usava tabaco havia toda a vida. Hoje não lhes restam mais do que meia dúzia. Estão trabalhando com eles e vão tornar aquele quórum cem por cento abstêmio total. Fareis o mesmo em vossas estacas? ¶
Ora, irmãos, há necessidade disso. Nosso povo está gastando milhões com bebida alcoólica e tabaco, e essas coisas destroem a fé. Se queremos desenvolver fé, precisamos livrar-nos desses fatores que nos prejudicam no exercício da fé. Devemos dar o exemplo correto a vós. ¶
Mantende vossos quóruns ativos, irmãos. Esse é o chamado da hora. Várias maneiras de fazer isso vos foram indicadas. Que o Senhor vos abençoe e vos ajude nesse propósito, rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶