O Plano de Bem-Estar e Tempos Perigosos
J. Reuben Clark Jr.
Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência ¶
Aproveitando o fato de que estou dirigindo a reunião, e a fim de me livrar da minha aflição o mais cedo possível, desejo agora dizer algo à Conferência e, como desejo ser o mais conciso possível e ter certeza de dizer as coisas tão próximas quanto possível do modo como desejo dizê-las, eu as coloquei por escrito. ¶
Panfletos
Chegam-nos relatos de que panfletos estão sendo distribuídos entre o povo em circunstâncias que levam alguns a crer que são publicados e distribuídos sob algum tipo de aprovação ou sanção das Autoridades Gerais da Igreja. Diz-se que esses panfletos contêm extratos de sermões antigos proferidos pelos primeiros líderes da Igreja, sendo as partes dos discursos impressas relativas às condições mundiais que os compiladores dos panfletos aplicam à situação existente hoje na terra. ¶
Compilação e Distribuição Não Autorizadas
As Autoridades Gerais não tiveram absolutamente nada a ver com a preparação desses panfletos, nem sancionaram ou aprovaram sua compilação ou publicação. Quando as Autoridades Gerais desejarem fazer algo desse tipo, o farão em seu próprio nome e não ocultarão sua identidade por trás de algum membro da Igreja. ¶
Também nos foi relatado que, em muitos casos, esses extratos, tal como aparecem nos panfletos, estão de fato distorcidos e que, além disso, quando lidos no texto completo em que aparecem, adquirem um significado bastante diferente do que parecem ter quando arrancados de seu contexto. Um texto deve sempre ser estudado quanto ao seu real significado em conjunto com o contexto completo. ¶
Além disso, é de nosso conhecimento que esses panfletos estão, em alguns casos, sendo comercializados sub-repticiamente até mesmo nos Templos, e também em reuniões de quóruns do Sacerdócio. Isso não deve ser feito. Os ¶
Templos são lugares sagrados; não são livrarias; não são lugares em que se deva realizar propaganda. O povo é advertido contra todas essas atividades perniciosas. Além disso, as reuniões de quóruns do Sacerdócio não são reuniões para venda de livros; são reuniões para o estudo do Evangelho e para a realização das atividades regulares do Sacerdócio. ¶
Exaltação Através do Casamento no Templo
Há casamentos demais entre nossos jovens que são meros casamentos civis -- casamentos apenas para o tempo. Isso é muito lamentável. É uma situação que exige remédio de cada Bispo, de cada organização auxiliar e de cada pai e mãe. ¶
Depois de sua ausência da terra por centenas e centenas de anos, o Senhor revelou nesta Dispensação da Plenitude dos Tempos o princípio da eternidade do convênio do casamento, e restaurou à terra a autoridade divina para consumá-lo. Essa revelação e essa restauração fazem do casamento um relacionamento sagrado, do qual, e somente dele, pode vir a maior glória e exaltação do homem. ¶
Oportunidades Perdidas no Casamento Civil
Vocês, jovens, estão tratando levianamente seu destino divino, estão tratando com desdém um grande mandamento, estão descartando como pó a maior oportunidade que surge em sua vida, quando deixam ou se recusam a se casar em nossos templos, onde marido e mulher podem ser selados pelo tempo e por toda a eternidade pelos homens que possuem o santo Sacerdócio de Deus. Um casamento civil -- e é tudo o que qualquer casamento é, quando realizado fora do templo -- apenas legaliza uma relação conjugal. Não tem nenhum dos efeitos de um selamento pelo tempo e pela eternidade. ¶
Vocês, jovens, se pensam bem o suficiente um do outro para se casar, deveriam amar-se o bastante para desejar perpetuar essa união para sempre; se não se estimam o bastante para isso, fariam bem em hesitar muito antes de decidir seguir em frente na vida de outra maneira. A situação não muda por se ter o Bispo ou o Presidente de Estaca, ou algum amigo ex-Bispo, ou pessoa semelhante, a realizar a cerimônia para o tempo. Todos esses são apenas casamentos civis. ¶
Nossas Terras
Em sua eloquente oração sobre os Pioneiros em julho passado, o Presidente Bryant S. Hinckley leu as seguintes declarações feitas por Brigham Young: ¶
Falem sobre esses ricos vales; ora, não há outro povo na terra que pudesse ter vindo e vivido aqui. Oramos sobre a terra, e a dedicamos, junto com a água, o ar e tudo o que lhes pertence, ao Senhor, e os sorrisos do céu repousaram sobre a terra, e ela se tornou produtiva, e hoje produz o melhor dos grãos, frutas e verduras.... Nunca houve, desde os dias de Adão até agora, uma terra que tenha sido mais abençoada do que esta terra tem sido abençoada por nosso Pai celestial; e ela será cada vez mais abençoada, se formos fiéis e humildes e agradecidos a Deus pelo trigo e pelo milho, pela aveia, pelas frutas, pelas verduras, ¶
pelo gado, e por tudo o que Ele nos concede, e procurarmos usá-los para a edificação de Seu reino na terra. ¶
Eu me lembro, e todos vocês, irmãos e irmãs mais velhos, também se lembram, de quando nossas terras estavam no auge de sua produtividade. Lembramo-nos de quando a neve se acumulava fundo nas gargantas das montanhas, quando o degelo da primavera transformava nossos riachos em torrentes impetuosas que irrigavam nossas terras e espalhavam sobre elas os ricos sedimentos fertilizantes das montanhas, quando nossos agricultores e criadores de gado prosperavam, quando merecíamos o símbolo adotado para o Estado -- uma colmeia laboriosa de indústria --, quando nossas casas, cercas, celeiros e currais estavam em bom estado, quando a palavra de nossos agricultores valia tanto quanto suas obrigações, e ambas eram de primeira qualidade. ¶
Cenas em Mudança
As neves de antigamente já não caem nas montanhas há muitos anos. Nossas fazendas estão decadentes, muitos acres delas estão ociosos, nossas cercas, celeiros e currais estão desmoronando, nossas casas não estão pintadas, os telhados vazam, nossas ruas estão cheias de ervas daninhas, muitas de nossas capelas estão em mau estado, parecemos demais desocupados e vadios. Mais cinquenta anos assim quase nos devolverão ao deserto. ¶
Citando novamente o Irmão Brigham: ¶
Vocês perguntam se permaneceremos nestas montanhas. Respondo que sim, enquanto nos aprouver fazer a vontade de Deus, nosso Pai celestial. Se nos aprouver afastar-nos dos santos mandamentos do Senhor Jesus Cristo, como fez o antigo Israel, cada homem seguindo seu próprio caminho, seremos dispersos e despojados, expulsos diante de nossos inimigos e perseguidos até que aprendamos a lembrar-nos do Senhor nosso Deus e estejamos dispostos a andar em Seus caminhos. ¶
Há outros inimigos além dos perseguidores humanos. Podemos ser nossos próprios piores inimigos, e afastar-nos de nossas posses mais estimadas. ¶
A Terra Abençoada Através da Oração e do Esforço
Não seria melhor orarmos novamente sobre esta terra, e sobre o ar e a água e tudo o que lhes pertence? Não seria melhor voltarmos nossa confiança para nossos próprios esforços e seus frutos, abençoados pelo Senhor? Por que o Senhor haveria de abençoar a terra que não cultivamos? Por que haveria Ele de nos dar água para a terra que não usamos? Por que haveria de nos dar colheitas quando não plantamos? Por que haveria de nos abençoar com Suas bênçãos quando nossa confiança não está posta n'Ele, mas nos donativos do governo por não trabalharmos, por não cultivarmos, por não fazermos as coisas que têm sido a parte designada ao homem desde que Adão foi expulso do Jardim. ¶
O Senhor não pode se agradar da ociosidade negligente; aqueles de nós que estão em falta devem corrigir seus caminhos. ¶
A tragédia de tudo isso é que os inocentes devem sempre sofrer, pelo menos em parte, os castigos que afligem os culpados. A chuva cai sobre os injustos como sobre os justos, e as terras dos justos secam tanto quanto ¶
as dos injustos. No entanto, Deus não Se esquecerá daqueles que O servem e guardam Seus mandamentos. Sua recompensa é certa, em sua felicidade, em suas bênçãos de contentamento, de saúde, da consciência de uma vida bem vivida, em sua salvação e exaltação. ¶
Elevadores de Grãos da Igreja
Como a imprensa anunciou, o elevador de grãos que estava em construção no Church Storage Square agora foi concluído. Sua capacidade é de 318.000 bushels. Com o que pode vir a se revelar um espírito de presságio, foi batizado de Church Elevator No. 1. A Igreja também possui um elevador em McCammon, Idaho, com capacidade de cerca de 80.000 bushels, e um pequeno em Sharp's Spur, Levan Ridge, com capacidade de 8.500 bushels -- perfazendo uma capacidade total de armazenamento de trigo de cerca de 400.000 bushels. ¶
A Igreja arcou com o custo de obter e construir esses elevadores. O Fundo de Trigo da Sociedade de Socorro será usado pela Sociedade de Socorro para encher os elevadores com trigo. A Igreja assumirá a manutenção, os custos de conservação e reparo, bem como o custo de armazenamento nesses elevadores. Será necessário, de tempos em tempos, substituir esse trigo armazenado. A Igreja absorverá os prejuízos decorrentes dessa operação, e se, em algum momento, tal operação gerar lucro, este será aplicado nos custos de funcionamento do elevador. ¶
Na medida do possível, todo o trabalho relacionado a esta operação de armazenamento será trabalho de Bem-Estar. ¶
Uma parte relativamente pequena do espaço de armazenamento nesses elevadores será usada pelo Comitê de Bem-Estar para armazenar diversos grãos em conexão com suas várias operações. ¶
Doações de Trigo Restauradas
Assim, devolvemos à sua forma original as doações de trigo feitas pelo povo às irmãs, e pelas próprias irmãs da Sociedade de Socorro, iniciadas ainda no tempo de Brigham Young. Essas doações eram feitas com sacrifício de conforto e, por vezes, de necessidades. No início, representavam com frequência o resultado da catação de trigo nos campos pelas próprias irmãs -- uma labuta penosa muitas vezes, mas que trazia alegria a seus corações naquele momento e uma recompensa de seu Pai Celestial no porvir. Nossos pais e avós, nossas mães e avós foram moldados em formas heroicas; foram construídos com as virtudes que constroem impérios poderosos. Não é demais esperar e orar para que nós, em nossos dias, possamos estar à altura da estatura deles. ¶
Plano de Bem-Estar
O Plano de Bem-Estar cresce diariamente em eficiência, graças à devoção incansável dos trabalhadores de Bem-Estar nas Alas, nas Estacas e no escritório central. ¶
O Plano está em operação há pouco mais de quatro anos. Durante ¶
esse tempo ajudou uma média de cerca de 50.000 indivíduos anualmente. Adquiriu-se experiência que permitiu aos responsáveis aperfeiçoar de tal forma seus planos que, como foi declarado na última Conferência de abril, sentimo-nos assegurados de que, salvo uma grande calamidade mundial que afetasse os próprios fundamentos de toda a nossa vida econômica, a Igreja será capaz de cuidar das necessidades indispensáveis de seus pobres dignos, em tempo de necessidade. Este foi nosso primeiro objetivo -- manter a vida. ¶
Reconstruir Vidas Cívicas e Religiosas
Coigual a isso estava a reconstrução, naqueles que sofreram um infortúnio temporário, de uma vida cívica e religiosa plena. O objetivo era que nenhum deles chegasse a sentir que, por ter sofrido um revés financeiro, tivesse fechada diante de si qualquer atividade social ou espiritual, ou oportunidade de progresso e realização final. Nenhum Bispo cumpriu plenamente seu dever, e nenhuma Sociedade de Socorro de Ala aproveitou plenamente sua oportunidade, se deixou algum membro necessitado da Ala em dúvida quanto a essas questões. ¶
Desde o início, o problema tem sido evitar planos e esquemas ambiciosos e, muitas vezes, mal considerados, para refazer a sociedade e recriar nossa estrutura econômica. Teria sido simples embarcar em empreendimentos visionários que não apenas teriam falido a Igreja, mas que teriam quebrado o coração e a coragem de todos nós pela magnitude de nosso desastre. Portanto, temos avançado lentamente e observado cada passo dado. O Senhor tem estado conosco neste plano. ¶
Expansão do Plano
Como subprodutos da obtenção do necessário à vida para os necessitados, aventuramo-nos em alguns outros campos onde sentimos que poderíamos ajudar tanto os que estavam próximos da aflição quanto os que realmente estavam em necessidade. Criamos uma organização que fez pequenos empréstimos de caráter a homens e mulheres que não podiam tomar empréstimo de instituições financeiras; montamos um estabelecimento de fabricação para a renovação e construção de móveis e utensílios domésticos, que emprega especialmente pessoas idosas dispostas a trabalhar, mas inempregáveis, e que fornece artigos baratos para os necessitados. Montamos um comitê agrícola para ajudar a encontrar fazendas, especialmente para os jovens que desejavam cultivar a terra e cujo treinamento e experiência davam razoável garantia de que poderiam cultivar com sucesso. Montamos agora um comitê cuja tarefa é investigar o que, se algo, a Igreja pode sabiamente empreender, de forma consistente com seus recursos, para ajudar, por meio de aconselhamento ou de outra forma, no estabelecimento de cooperativas, tanto de produção quanto de comercialização. ¶
Medidas Tomadas para Produzir Materiais de Bem-Estar
Um de nossos objetivos tem sido produzir, tão rápida e plenamente quanto possível, dentro do próprio programa, todos os materiais de que precisamos para realizar nossa obra de Bem-Estar. Estamos fazendo isso, primeiro, por meio de levantamentos das necessidades ¶
de cada Ala e Estaca da Igreja, depois elaborando um orçamento de produção que cubra essas necessidades, e então atribuindo essas necessidades orçamentárias entre as diversas Estacas capazes de produzi-las. No primeiro ano, conseguimos fornecer apenas cerca de 10% do que usávamos. Essa proporção tem aumentado constantemente a cada ano, até que, no ano passado, produzimos aproximadamente 58%, e este ano esperamos produzir, em nossas regiões mais bem organizadas, substancialmente 70% de nossas necessidades, e esperamos que, dentro de outro ano, cheguemos a quase 100%. Sempre haverá alguns artigos, como especiarias, por exemplo, que precisamos comprar. ¶
Ao fazer tudo isso, adquirimos e estamos operando uma mina de carvão, ajudamos a iniciar serrarias, uma fábrica de gesso, estamos agora montando uma granja avícola, e nos preparamos para instalar uma fábrica de processamento de leite. Outras coisas serão adicionadas com a rapidez condizente com um desenvolvimento sensato. Por último, estabelecemos, como experiência, um pequeno fundo rotativo a ser usado na construção de casas bem modestas para aqueles que estão em condições de obter alguma ajuda de instituições financeiras. Isso pode facilmente conduzir a desembolsos tão grandes de dinheiro que estamos avançando com muito cuidado e lentamente. Nunca esquecemos que os fundos que estamos administrando trazem a marca da mais sagrada confiança que pode marcar dinheiro algum, pois são os dízimos e ofertas dados pelos Santos para edificar a Igreja e o Reino de Deus. No Noroeste, eles conduzem localmente um programa de habitação desse tipo, em circunstâncias muito promissoras. O mesmo tipo de operação está ocorrendo em muitas outras partes da Igreja, principalmente sob o patrocínio direto dos quóruns do Sacerdócio. Tudo isso é muito gratificante e encorajador. Temos grande esperança de que, a partir de todas essas experiências, sejamos capazes de elaborar um plano bem-sucedido para tais empreendimentos, mas, repito, estamos avançando devagar e com cautela, e aqui, como sempre, devemos olhar principalmente para os próprios grupos locais para realizar este trabalho, não apenas o trabalho de fornecer a mão de obra necessária, mas também o encargo de fornecer os recursos financeiros. A Igreja não pode empreender -- o empreendimento seria vasto demais -- fornecer o dinheiro para isso e outras questões semelhantes, cabendo às Alas e Estacas da Igreja ou aos quóruns do Sacerdócio fornecer apenas a mão de obra. Essas agências devem também esperar fornecer a maior parte, senão a totalidade, dos recursos financeiros, assim como da mão de obra, para tais projetos especiais. ¶
Plano de Bem-Estar para Ajuda Mútua
Como era de se esperar, estão agora surgindo certas tendências que, a menos que as enfrentemos diretamente e as corrijamos de imediato, levarão à criação de um sistema de assistencialismo da Igreja, a última coisa que a Igreja pretende fazer. Desde a fundação da Igreja até agora, a ociosidade tem sido condenada como indigna dos membros da Igreja, como destrutiva do caráter, como violadora da verdadeira vida cristã, como contrária ao mandamento dado a Adão, a lei deste mundo, "No suor do teu rosto comerás o pão." O Senhor tem falado repetidamente sobre isso em nosso tempo. ¶
A tarefa que o sistema de Bem-Estar tem agora mais urgentemente a cumprir ¶
é proporcionar trabalho àqueles que recebem ajuda. Instamos todo o povo a cooperar com os Comitês de Bem-Estar de Ala para esse fim. Deveria ser possível elaborar planos pelos quais qualquer homem em uma comunidade que tivesse um trabalho a ser feito pudesse procurar seu bispo e expor sua necessidade; que então o bispo, diretamente ou por meio da organização de Estaca ou regional, pudesse fornecer a esse homem a ajuda necessária para o trabalho; o homem que mandasse fazer o trabalho pagaria a seu bispo, como contribuição ao Plano de Bem-Estar, o valor em dinheiro correspondente ao trabalho, segundo os valores regulares de salário; ao homem que realizasse o trabalho por indicação do bispo, o bispo daria, como remuneração por seu trabalho, uma ordem no armazém para as coisas de que o homem precisasse, ou, em alguns casos, o homem poderia receber parte em dinheiro, sendo a ordem no armazém e o dinheiro suficientes para atender às necessidades de quem realizasse o trabalho. Tal operação dará ao trabalhador de Bem-Estar algo a fazer, permitirá ao membro que tem o trabalho a fazer obtê-lo tão barato e tão bem quanto poderia de outra forma, e proporcionará ao membro que manda fazer o trabalho, e ao trabalhador de Bem-Estar, alegria e satisfação por sua ajuda mútua. Quero dizer ao povo da Igreja que temos constatado que esses trabalhadores de Bem-Estar são capazes e diligentes naquilo que empreendem. Não são o tipo de trabalhadores que os da W. P. A. às vezes são descritos como sendo. Os trabalhadores de Bem-Estar são frequentemente homens que, por uma razão ou outra, já não podem ser empregados na indústria regular, mas que, assim como seus colegas mais jovens do Bem-Estar, podem e continuarão a realizar um dia de trabalho por um dia de paga. Honramos todos esses homens e somos gratos ao Senhor por sua integridade, diligência e dedicação ao dever, e por sua lealdade à Igreja. ¶
"Tempos Bons"
Pelas perspectivas atuais, haverá, nos próximos meses, um grande aumento na atividade industrial, o que se pode esperar que tenha uma reação geral sobre todos os negócios, e, se assim for, teremos um período, mais longo ou mais curto, dos assim chamados tempos bons. Nós, membros da Igreja, não devemos nos deixar enganar por isso. A maior parte do dinheiro que será gasto nessa expansão industrial será totalmente improdutiva do ponto de vista econômico. A nação ficará bilhões mais pobre, não mais rica, com esses gastos, no que diz respeito à nossa vida econômica, comercial e industrial nacional. Esses bilhões terão de ser arrecadados por meio de impostos aumentados, os quais devemos esperar que elevem o custo de vida, ou por meio de mais empréstimos, que aumentarão muito nossa dívida pública e, assim, acrescentarão a nossos impostos, ou o dinheiro poderá ser arrecadado por ambos os meios. Como disse em outra Conferência, depois que a guerra, com toda essa destruição de riqueza -- isto é, de propriedade -- houver passado, devemos estar preparados para enfrentar outra depressão, cuja profundidade e duração talvez ainda não conheçamos. Esperamos que essa "prosperidade" temporária, como provavelmente a chamaremos, que possa vir, não leve as organizações e os trabalhadores de Bem-Estar a relaxar qualquer esforço para aperfeiçoar sua organização, de modo a realizar ¶
eficazmente seu trabalho de assistência. Asseguro-lhes que, doravante, precisaremos de toda a ajuda que possamos agora planejar e providenciar. ¶
Serviço Militar Compulsório Inaugurado
Ao dizer isso, não estou fazendo nenhum julgamento nem crítica ao nosso programa de preparação militar. Devemos ser capazes de resistir a uma invasão. Mas posso ressaltar que, pela primeira vez em nossa história, estamos inaugurando o serviço militar compulsório universal e, aparentemente, nos preparamos para manter um grande exército permanente, ambos os quais estiveram sob uma sábia proibição durante toda a nossa existência nacional, por serem considerados perigosos para nosso governo constitucional e para nossas instituições livres. ¶
A Invasão, uma Possibilidade Remota
Pode-se também observar que criamos em nossa mente uma espécie de frenesi de medo de invasão estrangeira e subjugadora. A opinião militar responsável, relatada com credibilidade, é no sentido de que, embora ataques aéreos esporádicos, causando grandes danos e considerável perda de vidas, pudessem, sob condições climáticas mais ou menos ideais em todo o Atlântico, ser feitos contra algumas de nossas cidades da costa leste, uma invasão armada por grandes exércitos estrangeiros suficiente para nos conquistar é uma possibilidade tão remota, dados os meios e métodos de transporte existentes, que não deveria nos deixar histéricos, e já estamos quase assim. ¶
De fato, parece que, se a navegação de um canal com 20 milhas de largura pode impedir um beligerante de sequer tentar uma invasão armada por um período de semanas que agora amadurece para meses, a navegação de um oceano com 3.000 milhas de largura poderia ser uma barreira suficiente contra qualquer grande invasão armada, e não precisamos levar demasiadamente a sério as ameaças desse beligerante de fazê-lo, nem tampouco suas fanfarronices. Cento e trinta e tantos milhões de pessoas livres, com recursos ilimitados e o mais alto desenvolvimento industrial do mundo, darão alguma pausa ao governante mais ambicioso. Não obstante, até que o mundo se acalme e a sensatez volte aos homens, devemos estar preparados para repelir tal invasão, se ela vier. Nossa preparação deve ser exclusivamente para repelir a invasão, não para conduzir uma guerra agressiva nem para fazer conquistas. Mas não caiamos em pânico de medo. ¶
Guerra
Na esperança de que isso possa contribuir para mitigar um pouco do ódio que agora se acumula e ameaça nos engolfar, bem como para nossa paz de espírito e nossa capacidade de avaliar os acontecimentos futuros, parece-nos bom que não estejamos sob nenhuma falsa impressão quanto à atual condição dos Estados Unidos no conflito europeu em curso. Por todas as regras e princípios pelos quais as nações têm governado sua conduta no passado, os Estados Unidos já cometeram vários atos hostis, e de fato estamos agora em guerra, ¶
É lei estabelecida de guerra que os cidadãos privados de estados neutros podem, sem de forma alguma comprometer a neutralidade de seu soberano, manter comércio com um ou ambos os beligerantes, sujeitos a certos direitos de busca, apreensão e confisco pelos beligerantes em casos de comércio de contrabando de guerra ou em caso de violação de um bloqueio legal e efetivo; mas é igualmente estabelecido que nenhum estado neutro pode, ele próprio, fornecer a um beligerante materiais de guerra, sem com isso perder seu caráter de neutro e se tornar ele próprio um beligerante. ¶
As nações da terra, em sua última declaração voluntária e quase unânime da lei sobre essas questões, declararam: ¶
O fornecimento, de qualquer maneira, direta ou indiretamente, por uma potência neutra a uma potência beligerante, de navios de guerra, munições, ou material de guerra de qualquer tipo, é proibido. (Convenção de Haia XIII, 1907) ¶
Neutralidade dos EUA Violada
Não parece haver dúvida de que fornecemos a um dos beligerantes nossas próprias invenções secretas para fazer a guerra, nosso próprio armamento aéreo, e agora nossos próprios navios de guerra armados, totalmente abastecidos e equipados de todas as formas para o serviço beligerante imediato. As opiniões divergem quanto a se o Congresso autorizou ou não a última transação, mas a aprovação do Congresso não mudaria o caráter internacional do ato, apenas aliviaria a violação de nossa própria lei. ¶
Fomos vítimas de um ato semelhante por parte da Grã-Bretanha. Em 1863, os Confederados estavam equipando em Birkenhead, em frente a Liverpool, dois navios encouraçados para uso contra o comércio da União. Nosso Ministro em Londres chamou repetidamente a atenção do Conde Russell para a situação, que respondeu que o Governo britânico "não poderia interferir de nenhuma forma com esses navios." O Sr. Adams, respondendo, expressou "profundo pesar" por essa conclusão do Governo britânico, e acrescentou: "Seria supérfluo de minha parte apontar a Sua Senhoria que isto é guerra." O Governo britânico então agiu. ¶
Como resultado desse e de muitos outros atos do tipo aqui ameaçado, exigimos arbitragem quanto a se a Grã-Bretanha havia violado sua neutralidade. A Grã-Bretanha, digamos, para seu crédito eterno (pois nossas acusações tocavam realmente sua honra), consentiu. O resultado da arbitragem foi a maior indenização individual por danos já concedida a nosso favor por qualquer tribunal arbitral. ¶
Atos Hostis
Novamente, não parece haver dúvida de que agora fizemos algum tipo de aliança com um dos beligerantes, o Canadá, de que, se seu inimigo o atacar, nós nos juntaremos à defesa do Canadá. Assim, ao concordarmos em dar ajuda e socorro a um dos beligerantes contra o outro, se atacado por este, e sendo tal ataque, é claro, o curso normal da guerra, isso constitui, de nossa parte, um ato hostil e beligerante contra o inimigo do Canadá. Assim, também estamos em guerra nesse quesito. ¶
Por fim, embora os detalhes não sejam conhecidos, diz-se que arrendamos algumas bases navais ou aéreas de um dos beligerantes sem, presume-se, consultar o outro beligerante. Esses arrendamentos provavelmente têm forma e finalidade tais que também constituem atos hostis, pois é inconcebível que a Grã-Bretanha, seguindo suas políticas seculares, arrendasse a qualquer potência qualquer parte de seu território para uso e ocupação militar, exceto se fosse receber ajuda militar como resultado. ¶
Assim, estamos em guerra. Não devemos nos deixar enganar quanto à natureza de nossos atos, se e quando o inimigo da Grã-Bretanha revidar contra nós. Nessa eventualidade, caso nos digam que o inimigo da Grã-Bretanha comete contra nós um ato de guerra agressiva e injustificável, devemos saber que isso não será fato, pois, segundo as regras e princípios da guerra, já em efeito declaramos guerra contra esse inimigo. ¶
Como já foi dito, disse essas coisas na esperança de que possam abrandar um pouco o ódio que se acumulará, se e quando esse ato ocorrer. Um Santo dos Últimos Dias não pode odiar ninguém. Os ódios da última guerra são a causa motriz desta. Assim será até o fim, a menos que conquistemos o ódio. É isso que o Evangelho nos ajuda a fazer. ¶
Alistamento
Utah tem um histórico honroso de serviço e apoio a esta nação em tempos de guerra. O povo da Igreja compartilha desse histórico. O povo da Igreja é patriota. Neste tempo de preparação para eventualidades que todos oramos para que não nos alcancem, nós, o povo, devemos fazer nossa parte integral. Esperamos com confiança que nenhum jovem membro da Igreja procure evadir-se de sua plena responsabilidade. Sentimo-nos assegurados de que todo jovem cumprirá plenamente seu dever, e viverá os preceitos que orientam a Igreja e seus membros "em obedecer, honrar e sustentar a lei." Pedimos a nossos jovens que forem para os campos de treinamento que se lembrem sempre dos ensinamentos de seus pais e da Igreja; pedimos que se mantenham incontaminados, em corpo e mente; pedimos que se lembrem de que nossa fé exige que sejam 'honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, e façam o bem a todos os homens... e que, se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, procurem essas coisas.' Se fizerem todas essas coisas, prometemo-lhes as bênçãos do Senhor. ¶
Fome e Peste
Como já foi observado, ambos os beligerantes parecem ter predito a fome para o outro. Um dos beligerantes, segundo a imprensa, predisse a peste para o outro. Se essa predição significa que aquele que a faz pretende infectar o outro com a peste, por algum meio ou outro, então deve-se dizer que tal infecção marcaria um grau de infâmia e selvageria sem paralelo no mundo moderno, e contra a qual todos os instintos da humanidade clamariam, e todos os princípios cristãos julgariam com condenação. ¶
Mas a guerra sempre traz pestes, que parecem encontrar seus melhores locais de propagação ¶
em grandes agrupamentos de homens reunidos em acampamentos militares. Não podemos ter confiança de que pestes não irromperão na Europa, nem de que, irrompendo lá, não apareçam entre nós. Já assinalei isso antes. ¶
Nosso risco provavelmente será aumentado por meio de nossos grandes campos de treinamento, que também deverão ser servidos por um grande grupo de médicos, cirurgiões e enfermeiras, que serão retirados de seu serviço a todo o povo. ¶
Nós, em casa, devemos, como um dever para conosco mesmos, para com nosso país e para com a humanidade, manter-nos tão livres de contágio, tão plenamente saudáveis, quanto possível. ¶
A Lei de Prevenção de Doenças do Senhor
O Senhor nos disse como fazer isso. Muitos não têm atendido à Sua palavra, embora não neguem sua veracidade; outros não creram que fosse Sua palavra. Mas Deus há de justificar Seus mandamentos, abençoando os que os guardam, e permitindo que as leis comuns da natureza operem, sem controle, sobre os que não os guardam. ¶
O Presidente Grant tem pregado a Palavra de Sabedoria ao povo por meio século. Se tivéssemos seguido seu conselho, poderíamos agora enfrentar o futuro sem temor. Se a doença e a enfermidade nos alcançarem, então nos lembraremos. É de se esperar que, se algum desastre nos alcançar, não estejamos em situação de ter de nos reprovar por não termos vivido a lei do Senhor de prevenção de doenças. ¶
Quão gloriosas são as bênçãos prometidas aos que guardam as leis de Deus: ¶
E todos os santos que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas, obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos; ¶
E encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos; ¶
E correrão e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão. ¶
E eu, o Senhor, faço-lhes uma promessa de que o anjo destruidor passará por eles, como os filhos de Israel, e não os matará. (D. & C. 89:18-21) ¶
A Promessa
Isto não diz, nem significa, que guardar a Palavra de Sabedoria seja garantia contra a morte, pois a morte é, no plano eterno, coigual ao nascimento. Este é o decreto eterno. Mas significa que o anjo destruidor, aquele que vem punir os iníquos por seus pecados, assim como no passado afligiu os corruptos egípcios em sua iniquidade, passará ao largo dos Santos que "andam em obediência aos mandamentos" e que "se lembram de guardar e fazer estas coisas." Essas promessas significam, sim, que todos os que se qualificarem para desfrutá-las poderão viver suas vidas de tal forma que obtenham as experiências plenas e o conhecimento pleno de que necessitam para progredir rumo à mais alta exaltação na eternidade; todos esses viverão até que ¶
sua obra esteja concluída e Deus os chame de volta a seu lar eterno, como recompensa. ¶
Essas bênçãos virão aos que se qualificarem, tão certas e seguras quanto a própria vida. ¶
Sempre que estivermos inclinados a avaliar os tratos de Deus com Seus filhos, devemos lembrar-nos de que os caminhos de Deus não são os caminhos do homem, e que por trás do que vemos e entendemos estão os propósitos todo-sábios de um Deus todo-sábio. ¶
Que Deus nos abençoe, nos preserve, e nos ajude a guardar sempre Seus mandamentos, peço em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶
A congregação e o Coro cantaram o hino "Nós Te Agradecemos, ó Deus, por um Profeta." ¶