Discurso da Conferência
Joseph L. Wirthlin
Confio sinceramente, meus irmãos e irmãs, que o Senhor me abençoe com uma generosa porção de Seu Santo Espírito durante o momento ou dois em que estarei diante de vós esta manhã. ¶
Gostaria que todo membro desta grande congregação tivesse tido a oportunidade de comparecer à reunião Geral de Bem-Estar realizada ontem de manhã e visualizado, em quadros, gráficos e estatísticas, as esplêndidas realizações desse grande movimento e suas possibilidades para o futuro. ¶
O Programa de Bem-Estar da Igreja É de Natureza Permanente
Alguns de nós tendem a acreditar que o programa de Bem-Estar da Igreja é de natureza temporária, mas não hesito em declarar que o futuro terá dele uma necessidade maior do que houve no passado. Ao analisar as condições em nossa grande nação hoje, é evidente que a questão do socorro e do desemprego é um problema local, e mais cedo ou mais tarde o Governo Federal o devolverá aos estados, condados, cidades, comunidades e igrejas para solução. ¶
A situação é clara. O Governo Federal tem diante de si duas questões: primeira, se ele é capaz de carregar o peso do socorro, ou se a receita federal é adequada para cobrir os enormes gastos do passado, do presente e do futuro. A atual condição do Tesouro Nacional indica que os desembolsos excedem em muito as receitas, o que traz de volta à mente a verdade expressa pelo Presidente Clark, quando declarou que nenhum indivíduo, nem empresa privada, nem mesmo governo pode existir por muito tempo em bases financeiras sólidas quando os desembolsos são maiores do que as receitas. Este problema local de socorro, que tem sido e está sendo expandido a proporções tremendas pelas agências governamentais, voltará às unidades locais de governo a que legitimamente pertence, ou a nação enfrentará a bancarrota. ¶
Em segundo lugar, ao devolver o problema do socorro aos estados, condados, cidades, comunidades e igrejas, o Governo Federal deveria colocar em movimento, por meio dessas unidades locais, a preparação para cuidar daqueles em dificuldade. Onde se está fazendo a preparação para enfrentar esse problema, haverá pouca dificuldade. Mas onde nenhuma preparação foi feita, o sofrimento, as dificuldades e o derramamento de sangue não são possibilidades remotas. ¶
Armazéns a Serem Construídos
O Programa de Bem-Estar não é fruto da mente de nenhum indivíduo, mas nos vem de nosso Pai Celestial. Chamo vossa atenção para uma revelação dada ao Profeta Joseph Smith no ano de 1832, registrada na 78ª seção da Doutrina e Convênios, versículo 3: ¶
Pois em verdade vos digo: Chegado é o tempo e está perto; e eis que é necessário que haja uma organização de meu povo, para regulamentar e estabelecer os negócios do armazém para os pobres de meu povo, neste lugar e na terra de Sião. ¶
Nessa revelação, indicam-se para nós dois pontos importantes, talvez três. Primeiro, esses armazéns devem ser regulamentados e estabelecidos por uma organização do povo do Senhor. Segundo, um armazém deveria ser instalado "neste" lugar. Que lugar? O lugar onde os Santos residiam em 1832 — em e nas proximidades de Kirtland, Ohio. Terceiro, o Senhor disse ao Profeta Joseph: "e na terra de Sião." ¶
Na sabedoria do Senhor e por meio do poder da inspiração, a Presidência da Igreja, há cerca de quatro anos, instituiu esse plano em maior medida do que antes. Como resultado, foram estabelecidos, na terra de Sião, armazéns sob a direção e regulamentação de uma organização do povo do Senhor. Esses armazéns encontram-se no Canadá, no Noroeste, na Califórnia e em toda Estaca da Igreja. Isso nos impressiona com o fato de que este não é um plano novo, mas sim o primeiro que nos foi revelado por meio do instrumento do Profeta Joseph Smith. É esta uma das maneiras pelas quais o Senhor cuida de Seu povo em dificuldade. ¶
Louvor aos Trabalhadores do Bem-Estar
Como uma fase dessa organização, foi recentemente organizado na Igreja o Comitê Geral de Bem-Estar, que, sob mandato da Primeira Presidência, tem estabelecido e está estabelecendo o Programa de Bem-Estar da Igreja. Os esforços deste grupo de homens são da mais alta ordem. Este Comitê é composto por homens de vários setores e vocações da vida; alguns são profissionais liberais, outros comerciantes, outros educadores. Nos últimos quatro anos, doaram muito generosamente de seu tempo e talentos na tentativa de estabelecer, em toda Ala, Estaca e Região da Igreja, a maneira do Senhor de cuidar de Seu povo em dificuldade. ¶
É literalmente um dia de preparação, e os membros do Comitê Geral de Bem-Estar estão empenhando todos os esforços para enfatizar a necessidade de estar plenamente preparados nos quóruns do sacerdócio, nas Alas, Estacas e Regiões, para que este plano opere da forma mais eficiente possível na solução dos problemas do socorro e do desemprego. ¶
Outra grande organização se destaca com clareza em conexão com este movimento, a saber, a organização da Sociedade de Socorro, que tem contribuído de bom grado, livre e generosamente com seu tempo e recursos para o programa. Não fosse pela organização da Sociedade de Socorro, em algumas Estacas o programa de Bem-Estar teria feito pouco progresso. ¶
Responsabilidade Individual
Este plano prevê não apenas que homens e mulheres sejam reabilitados em seus assuntos temporais, mas que haja um rejuvenescimento e uma reabilitação em sua atitude para com Deus, para com seu Governo e para com o trabalho. ¶
As experiências passadas de um grande número de instituições e organizações de caridade provam que, onde a assistência foi dada sem impor qualquer exigência ou obrigação aos beneficiários, isso trouxe uma condição de desmoralização, desrespeito pelo governo, e a atitude de que o mundo deve ao homem um sustento sem qualquer esforço mental ou físico de sua parte. Nesses casos, quando o socorro é retirado, tais indivíduos não são capazes, seja por vontade seja por preparo, de cuidar de si mesmos. O Programa de Bem-Estar da Igreja resolve o problema da desmoralização ao colocar sobre cada indivíduo a responsabilidade de contribuir com seu tempo e talentos para algum projeto de valor, para que se incuta em sua mente e em seu coração o pensamento de que aquilo que recebeu é seu por direito de tê-lo merecido. O Senhor colocou essa obrigação sobre todos. Ele disse: "Não serás ocioso, pois aquele que é ocioso não comerá o pão nem vestirá as roupas do trabalhador." Esta é a essência e o brado de guerra deste grande programa de reabilitação e preparação para o dia de necessidade, que certamente virá. ¶
Por outro lado, aqueles de nós que não são particularmente afetados pelas condições dos tempos, no aspecto temporal, têm uma responsabilidade bem definida, pois devemos ser receptivos às lições deste grande programa: primeiro, a lição da economia, pela qual, por meio da prática de princípios conservadores e cuidadosos, salvaguardaremos nossos recursos particulares contra dias futuros de necessidade e depressão. ¶
O Plano de Ofertas de Jejum
A questão de financiar este grande programa recai diretamente sobre os ombros dos membros da Igreja. Os meios e modos desse financiamento vêm de fontes divinas, pois o Senhor indicou Seus desejos quanto a cuidar daqueles que estão em necessidade. O método do Senhor de financiar o Programa de Bem-Estar da Igreja é o Plano de Ofertas de Jejum, já mencionado pelo Élder George F. Richards e pelo Élder Joseph Fielding Smith, do Conselho dos Doze. Este é um plano repleto de bênçãos enriquecedoras para aqueles que o observam, o sistema mais equitativo e ordenado já dado ao homem, pelo qual os indivíduos contribuem de acordo com seus recursos: abster-se de duas refeições no primeiro domingo de cada mês, apresentando ao Bispo o equivalente em dinheiro ou mantimentos, para que haja provisões no armazém do Senhor para qualquer um que esteja com fome ou frio. Este plano proporciona uma bênção ao doador. É um sacrifício físico em troca do recebimento de uma bênção espiritual. Coloca o corpo sob sujeição à vontade do Senhor, estabelece um relacionamento mais próximo entre o homem e o Espírito Santo, o que assegura um alto grau de espiritualidade, uma bênção tão necessária no mundo hoje. Cria uma atitude de oração e proporciona uma oportunidade, como declarou Paulo, para a prática da religião pura e imaculada, visitando os órfãos e as viúvas, e conservando-se sem mácula dos pecados do mundo. De longe, a maior bênção espiritual derivada da observância deste plano é o dom do testemunho. Nenhum privilégio maior é oferecido aos membros desta Igreja do que aquele proporcionado no primeiro domingo de cada mês, de contribuir com nossos recursos para os que estão em dificuldade, de orar e jejuar, e de testificar da bondade do Senhor para conosco. ¶
O espírito de testemunho é o poder do Espírito Santo. Qualquer indivíduo que se levante e declare que sabe que Deus vive, que Jesus é o Cristo, e que Joseph Smith é um Profeta, o faz sob o poder e a influência do Espírito Santo. Brigham Young declarou que nenhum homem poderia testificar que Jesus era o Cristo senão por meio do poder do Espírito Santo. ¶
O lado temporal do plano de ofertas de jejum é tão prático, equitativo e justo que não impõe um peso indevido a nenhum indivíduo, seja ele rico ou pobre. É interessante observar que a oferta de jejum per capita para a Igreja em 1925 foi de 22 centavos. Em 1939, chegou ao máximo histórico de 82 centavos. Um progresso notável foi feito. Mas uma análise da observância do plano de ofertas de jejum prova que mal arranhamos o grande campo de possibilidades do plano de ofertas de jejum. ¶
Considerando a oferta de jejum per capita de 1938, baseada na abstenção de 24 refeições ao ano, obtemos um custo de refeição de 3½ centavos. É evidente que nenhuma refeição pode ser servida por 3½ centavos que contenha uma dieta equilibrada e adequada. O custo médio da refeição do exército dos Estados Unidos para esta região varia de 13 a 17 centavos por refeição. O departamento de intendência do exército dos Estados Unidos é um comprador cuidadoso. Compra o melhor. Compra da forma mais econômica que pode, e, ainda assim, o custo das refeições varia de 13 a 17 centavos. ¶
Um dos maiores hospitais de Salt Lake City serve mil e quinhentas refeições diariamente, ou quarenta e cinco mil por mês, a um custo médio de 20 centavos por refeição. É seguro presumir que a refeição familiar média deveria custar pelo menos 15 centavos. Este custo não se aplica à Igreja como um todo, pois há famílias onde o custo das refeições varia de 30 a 40 centavos. Mas, para fins de comparação, podemos usar um custo de refeição de 15 centavos. Se nos abstivéssemos de duas refeições mensais à razão de 15 centavos por refeição, isso resultaria num per capita de 30 centavos por mês, ou $3,60 por ano, aproximadamente quatro vezes e meia mais do que foi contribuído em 1939. Supondo que todos os membros da Igreja observassem plenamente o plano de ofertas de jejum tal como nos foi revelado pelo Senhor, abstendo-se de duas refeições por mês, haveria disponível anualmente uma soma de ofertas de jejum de $2.880.000. Por outro lado, suponhamos que apenas 500.000 membros da Igreja observem o plano de ofertas de jejum, com base no custo de 15 centavos por refeição, duas refeições por mês, ou um per capita de $3,60 por ano; isso proporcionaria um fundo anual de $1.800.000. Com essa quantia disponível nas Alas, Estacas e Regiões da Igreja, o Programa de Bem-Estar avançaria a passos largos. Além disso, muitos outros novos projetos de trabalho seriam inaugurados. Seria possível auxiliar no estabelecimento de indústrias que utilizassem os recursos adormecidos deste estado e trouxessem para o emprego remunerado centenas de nossos irmãos e irmãs. ¶
Além de todas as possibilidades de proporcionar socorro e emprego adequados ao nosso povo, a melhor oportunidade proporcionada à Igreja é a de liderança num mundo que se debate e gradualmente se enterra no mar da aflição, da má liderança e da destruição. ¶
O Amor a Deus Demonstrado Pelo Serviço
Declaramos amor a Deus de todo o coração, de toda a mente e de toda a alma. Sabemos com certeza que em nossos corações deve existir amor pelo próximo, mas o amor a Deus só é genuíno, sincero e real quando um serviço real é prestado aos filhos de nosso Pai, nossos vizinhos. O Apóstolo João declarou: "Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Se alguém diz que me ama e odeia seu irmão, é mentiroso, pois aquele que não ama seu irmão a quem viu, como pode amar a Deus a quem não viu?" ¶
O plano de Deus revelado para cuidar dos infortunados não leva à bancarrota nações, estados, comunidades, igrejas nem indivíduos, mas os edifica em fé e serviço à humanidade. O amor a Deus e o amor ao próximo apressarão o dia em que o Rei dos reis governará e todos os homens serão iguais. ¶
Na 78ª Seção da Doutrina e Convênios, o Senhor novamente nos declara, por meio do Profeta Joseph Smith: ¶
Para que sejais iguais nos vínculos das coisas celestiais, sim, e também das coisas terrenas, para obtenção de coisas celestiais. ¶
Porque se não sois iguais em coisas terrenas, não podeis ser iguais na obtenção de coisas celestiais; ¶
Pois se desejais que eu vos dê um lugar no mundo celestial, é preciso que vos prepareis, fazendo as coisas que eu mandei e que requeri de vós. ¶
É verdade que o Senhor exigiu de nós o batismo, a obra pelos mortos e todas as demais ordenanças e princípios do Evangelho de Jesus Cristo; mas Ele exige, acima de tudo, que O amemos e amemos Seus filhos, nossos vizinhos, prestando um serviço que proporcione reabilitação temporal e espiritual. ¶
As Palavras do Salvador
Que Deus nos abençoe e nos fortaleça de tal modo que, quando chegar o dia da prestação de contas, cada um de nós possa estar diante de um Salvador ressuscitado para prestar contas de nossa mordomia; e que Ele nos diga: "Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me." Então os justos lhe responderão, dizendo: "Senhor, quando Te vimos com fome e Te acolhemos, ou nu e Te vestimos; ou quando Te vimos enfermo ou na prisão e fomos ver-Te?" E então o Rei lhes responderá e dirá: "Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." ¶
Que o Senhor nos abençoe, oro em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶