Pulpit

Discurso de Abertura

J. Reuben Clark Jr.

1940 April General Conference·First Day Morning Session·1940-04-05

Meus irmãos e irmãs: rogo humildemente que o tempo em que estiver diante de vós seja preenchido com palavras que possam ser de ajuda, orientação e encorajamento.

ASPECTOS SIGNIFICATIVOS DO RELATÓRIO ANUAL

Há duas ou três coisas que talvez mereçam menção especial em relação ao nosso relatório anual.

Durante o ano de 1939, gastamos $50.000 a mais com a obra missionária do que gastamos em 1938. Parte disso, sem dúvida, deveu-se ao transporte de volta aos Estados Unidos dos missionários que estavam na Europa, sobre o que direi mais um pouco mais adiante.

Embora nossos registros não possam ser considerados exatos, parece, no entanto, que durante o ano de 1939, de 1º de janeiro a 31 de dezembro, retiramos do sistema de Bem-Estar cerca de 1.800 pessoas. Parece, além disso, que tivemos, em 31 de dezembro de 1939, menos 2.500 desempregados do que na mesma data em 1938.

Como devereis ter notado pelos relatórios, foram organizadas três novas Estacas, dezenove novas Alas e quarenta e cinco novos Ramos.

A taxa de natalidade aumentou seis décimos de um por cento; a taxa de mortalidade diminuiu três décimos de um por cento; a taxa de casamentos permanece a mesma.

Embora, como indica o relatório, a Igreja como um todo ainda não tenha atingido a meta de um dólar por pessoa em ofertas de jejum, tivemos, todavia, em 1939, um avanço decidido tanto no número de doadores de ofertas de jejum quanto no montante pago. Houve 66.631 doadores de ofertas de jejum a mais em 1939 do que em 1938. Além disso, as ofertas de jejum voluntárias aumentaram, em 1939, em $95.513,00. Nossas ofertas em produtos, contudo, diminuíram em $27.333,00. O valor estimado de roupas, roupas de cama, frutas e verduras enlatadas, combustível e trabalho aumentou, em relação a 1938, em $36.125,00.

Como o irmão Bennett vos disse, equilibramos nosso orçamento. O que se segue vos dará uma ideia dos maiores itens e da porcentagem de gastos a que o dízimo é destinado:

As despesas de Alas e Estacas são 16,6% do orçamento total; as Escolas da Igreja, 16,2%; a obra missionária, 15,3%; a construção de edifícios da Igreja, 20,7%; o Bem-Estar, 9,6%; e as Autoridades Gerais e a manutenção dos escritórios gerais da Igreja, 6,3%.

Quando exortamos ao pagamento do dízimo, irmãos e irmãs, obviamente não é por razões egoístas; é para que possamos atender melhor às necessidades de nossa Igreja. Sem o dízimo, estaríamos extremamente impotentes naquelas coisas que consideramos, e que o Senhor declarou serem, vitais.

A RENDA DA IGREJA DEPENDE DA FÉ E DA PROSPERIDADE

Temos sentido que é importante que a Igreja viva dentro de sua renda, não apenas por si mesma como Igreja, mas como exemplo para a comunidade, o estado, a nação e os próprios membros individualmente.

Esse rumo, na Igreja, envolve problemas que não são próprios da administração civil, a qual depende principalmente de impostos que podem ser previstos com exatidão, exceto o imposto de renda e outros impostos especiais semelhantes, que têm a natureza de receitas extras ou excedentes. Por isso, nas atividades governamentais há poucas ocasiões em que um orçamento desequilibrado — isto é, quando se gasta mais do que se arrecada — não seja criado por algum ato deliberado.

Com a Igreja, o caso é totalmente diferente. Nos últimos quatro anos, aproximadamente 87% da renda total da Igreja proveio do dízimo. Sendo essa uma contribuição puramente voluntária, seu montante não pode ser previsto com exatidão. Seu volume depende inteiramente da fidelidade do povo. Assim, onde as agências governamentais têm relativa certeza quanto à renda, a Igreja tem incerteza.

Além disso, as agências governamentais, conhecendo sua renda fixa, podem planejar suas despesas com certeza, podendo fixá-las de modo a se manterem dentro de sua renda. A Igreja, não conhecendo sua renda, não pode fixar seus gastos com tanta certeza a ponto de se manterem dentro de sua receita. Seu único guia nesses assuntos há de ser extraído das experiências do passado.

Ademais, embora o imposto de renda e impostos governamentais análogos — estaduais, distritais e municipais — dependam da prosperidade do povo, a maior parte dos impostos cobrados por tais agências governamentais incide sobre bens imóveis e móveis, sob termos fixados pelo poder tributário e que raramente variam com a prosperidade do povo. Esses impostos são pagos quer o vosso negócio ou vossas fazendas deem lucro, quer não.

Por outro lado, a renda da Igreja depende inteiramente da prosperidade do povo. Se as colheitas são fracas, se os preços estão baixos, se os negócios vão mal, a receita da Igreja sofre proporcionalmente, pois é a renda anual que é dizimada.

Assim, não está envolvida apenas a vossa fidelidade, mas, ainda que se conceda plena fidelidade da vossa parte, subsiste a incerteza do clima, das colheitas, dos negócios e de outros elementos que ninguém pode prever.

O DÍZIMO É UM FUNDO FIDUCIÁRIO

Estas coisas são apontadas para que ninguém se deixe iludir, pensando que a Igreja tem uma pilha de ouro à qual pode recorrer para obter qualquer quantia que deseje. O único dinheiro que a Igreja possui é o que foi poupado do dízimo que lhe destes no passado e do dízimo que agora lhe dais, e aproximadamente 87% da renda anual total, como já afirmei, vem de vós, ano após ano.

Nós, as Autoridades da Igreja, devemos, portanto, ser extremamente cuidadosos quanto aos nossos compromissos, ou então nos veremos, como já aconteceu ocasionalmente no passado, gastando mais do que nossa renda.

Quando vós, Bispos e Presidentes de Estacas, e Presidentes de Missão, e Presidentes de Templo, e Oficiais Auxiliares e homens das escolas, e agências de Bem-Estar, e pessoas em dificuldade, vindes ao Bispado Presidente e ouvis um "Não", e depois vindes à Presidência e ouvis um "Não" ainda mais firme, por favor, não penseis que somos insensíveis, ou indiferentes, ou ásperos, ou cruéis, ou que nos falta compreensão, apreço ou amor por nossos irmãos. Estamos apenas procurando administrar o dinheiro do Senhor — não o nosso dinheiro, não o vosso dinheiro — com toda a sabedoria e justiça que o Senhor nos dá para exercer. Não somos infalíveis em nosso julgamento, e erramos, mas nossa oração constante é que o Senhor nos guie em nossas decisões, e procuramos viver de tal modo que nossa mente esteja aberta à Sua inspiração.

A IGREJA LIVRE DE DÍVIDAS

Talvez eu possa dizer aqui que a própria Igreja (não estou falando agora de Alas e Estacas) não deve um único dólar sequer a nenhuma pessoa ou instituição no mundo. Todos os seus bens estão livres de qualquer ônus; seu crédito nunca esteve tão alto. Há boatos ociosos e tolos circulando em sentido contrário, mas, irmãos e irmãs, estou vos apresentando os fatos sóbrios.

A Primeira Presidência fará tudo o que estiver ao seu alcance para manter a Igreja nessa condição.

Basta o que foi dito sobre as finanças de nossa Igreja, que, embora estejam longe de ser o elemento mais importante na Igreja, são, ainda assim, um fator muito importante em nossa organização, se quisermos levar adiante a obra que começamos e que o Senhor revelou esperar que façamos. De fato, não podemos realizar essa obra sem vossas contribuições. A obra está, em pleno sentido, em vossas mãos.

A Primeira Presidência gostaria de exortar todos os membros da Igreja a seguirem o exemplo dado pela Igreja e a viverem dentro de sua renda.

Quem vive além de sua renda está convidando o desastre. Dinheiro emprestado não é renda. Tomar dinheiro emprestado por conta de capital, dentro de vossa capacidade razoável de pagamento, pode ser sensato, dependendo das circunstâncias. Mas tomar dinheiro emprestado para viver é insensato, seja mediante um empréstimo direto, seja mediante compras a prestação. Exortamos os membros a serem frugais, econômicos, diligentes, temperantes, poupadores, e a viverem retamente.

O PROGRAMA DE BEM-ESTAR

Agora, algumas palavras sobre a obra de Bem-Estar. A grande sabedoria de nossos líderes, passados e presentes, até o início da grande depressão mundial, não se manifesta em lugar nenhum melhor do que em sua política constante de fazer a Igreja viver dentro de sua renda e de pôr um pouco de lado a cada ano para os dias difíceis. Se não tivessem feito isso, e em vez disso tivessem gasto, ano após ano, todo o dízimo que pagastes, teríamos entrado nessa depressão sem outros bens além de nossa renda corrente, sem reservas, com receita diminuída, e sem outro caminho senão reduzir drasticamente nossas atividades regulares e vitais para estender ajuda aos necessitados. Mas, como as coisas estavam, pudemos aumentar a proporção da Igreja em nosso programa de construções, de modo a ajudar os desempregados necessitados. Pudemos, por alguns anos, gastar mais do que nossa receita para levar adiante nossa obra de Bem-Estar, e ainda assim permanecer completamente solventes e com crédito intacto para um dia de maior necessidade. Isso foi feito sem tomar emprestado um único dólar.

Digo-vos novamente: a Igreja não deve um dólar a nenhuma pessoa, firma ou instituição no mundo, além das contas correntes mensais regulares, que são quitadas ao final de cada mês; não há hipoteca sobre nenhum de seus bens.

O relatório já lido mostra o montante gasto pela Igreja na obra de Bem-Estar durante o último ano civil. Mas milhares de dólares em produtos foram cultivados e distribuídos, dos quais não temos registro exato.

Além disso, houve a ajuda de vizinho a vizinho — uma soma bastante considerável — e atividades de quóruns do Sacerdócio e outras, das quais não temos registro exato.

Permiti-me fazer uma pausa aqui e dizer que espero que todo membro presente à Conferência aproveite a ocasião para ir ao Armazém do Bispo e visitar aquela maravilhosa exposição. Fazei isso entre as reuniões, antes das reuniões e depois das reuniões. Ali tereis uma emoção como raramente tereis experimentado, onde a obra de cada Estaca é retratada por uma exposição dos produtos reais que produziram. Não deixeis, irmãos e irmãs, e especialmente vós que estais envolvidos na obra de Bem-Estar, de visitar e examinar aquela maravilhosa exposição. Disse aos irmãos esta manhã que, continuando essa obra a crescer, um dia destes seriam forçados a tentar conseguir os edifícios da Feira Estadual perto do rio, para nela fazer sua exposição.

Além disso, os relatórios que ouvistes ler de tempos em tempos nesta Conferência a respeito dos gastos com o Bem-Estar cobrem apenas o que foi de fato distribuído ao povo. Não se levou em conta, até agora, os bens físicos — bens fixos, imóveis, bens pessoais — que foram destinados à obra de Bem-Estar, parte dos fundos vindo de vós, irmãos e irmãs, nas regiões, parte vindo dos fundos gerais da Igreja. Mas, durante os quatro anos em que o programa de Bem-Estar tem funcionado, acumulamos aproximadamente meio milhão de dólares em bens físicos, edifícios e equipamentos, todos empregados na obra de Bem-Estar.

TRIGO A SER ARMAZENADO

Estamos agora construindo, como sabeis, um grande elevador de grãos que armazenará aproximadamente 300.000 bushels de grãos. Tínhamos em armazenamento aproximadamente 190.000 bushels de trigo, que agora estamos repondo. A esse respeito, gostaria de ler-vos apenas parte de uma carta datada de 26 de agosto de 1918, assinada pela Primeira Presidência sob Joseph F. Smith, pelo Bispado Presidente sob C. W. Nibley, e pela Sociedade de Socorro sob Emmeline B. Wells, a respeito do reinvestimento do Fundo do Trigo da Sociedade de Socorro.

Depois de chamar a atenção para a venda do trigo ao Governo naquela ocasião, a carta encerra com estes dois parágrafos:

"O dinheiro recebido pelo trigo que o governo tomou deve ser mantido nos bancos e render juros. Em nenhum caso deverá ser emprestado ou usado para qualquer finalidade que não seja a compra de trigo, pois é um fundo sagrado de confiança que só pode ser usado para o fim para o qual foi doado.

Quando chegar o momento de investir novamente esse dinheiro na compra de trigo, sereis avisados disso pelo Bispado Presidente e pela Diretoria Geral da Sociedade de Socorro."

Estamos, meus irmãos e irmãs, de acordo com aquela determinação tomada então, reinvestindo o dinheiro do trigo novamente em trigo, e pretendemos mantê-lo assim reinvestido como parte do Plano de Bem-Estar da Igreja. Essa medida tem a aprovação plena e total das irmãs da Sociedade de Socorro, a quem, de fato, pertence o fundo.

TRABALHO AINDA A SER FEITO

Não tomarei tempo para vos contar as diversas atividades do Programa de Bem-Estar, mas gostaria de dizer que estou firmemente convencido de que já estamos suficientemente organizados e já temos experiência suficiente para que, se dedicarmos a isso todas as nossas energias, sejamos capazes de nos alimentar, nos vestir e nos abrigar. Penso que não há dúvida quanto a isso.

Restam-nos ainda duas outras coisas a fazer. Primeiro, devemos dedicar nossas energias a encontrar trabalho para as pessoas que precisam de assistência. Voltarei a esse ponto daqui a pouco. Em seguida, se lhes encontrarmos trabalho para fazer, estaremos bem encaminhados para reabilitá-las em sua vida espiritual e cívica. Esta é a segunda, e em certo sentido a mais importante, das obras que temos a fazer.

Por último, desejo exortar-vos, trabalhadores do Bem-Estar, Presidentes de Estacas, Bispos, Presidentes de Ramos, Sociedades de Socorro locais e todas as demais agências, a não esperardes que a sede vos diga cada detalhe do que deveis fazer. Vós conheceis o problema local melhor do que nós. Enfrentai o problema que surgir em vossos diversos lugares de acordo com suas necessidades. O regimento excessivo é uma praga ameaçadora sobre todas as atividades da Igreja.

ECONOMIA NA CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS

Um dos maiores problemas da Igreja é prover os edifícios necessários para levar adiante nossas numerosas e exigentes atividades.

Temos, penso eu, uma tendência a tornar nossos edifícios um pouco elaborados demais e ornados demais.

Existe uma necessidade sempre presente, que ocorre com frequência cada vez maior, de subdividir Alas e Estacas. Não raro, a nova Ala ou a nova Estaca deseja uma casa um pouco melhor do que aquela que está deixando. Isso é como um jovem que se casa e espera que o novo lar, para ele e a noiva, seja melhor do que o lar que cada um deles deixou. Isso é bom, desde que o novo noivo consiga dar conta por si mesmo; caso contrário, não.

Onde a antiga casa da Ala for elaborada e ampla, deveriam ser feitos arranjos para a ocupação conjunta pela Ala-mãe e pela nova Ala. Estamos experimentando isso em vários lugares, e consideramos um plano viável e adequado, desde que o povo pratique as virtudes cristãs do altruísmo, da paciência, da caridade, do ceder e receber — especialmente do ceder.

Nossas necessidades, que aumentam constantemente, e em proporção maior do que nossa receita, tornam esse tipo de arranjo, ano a ano, mais importante e necessário.

Os salões de recreação deveriam servir a unidades tão grandes quanto possível. Embora, em comunidades pouco povoadas, os salões de recreação de Ala possam ser frequentemente desejáveis, nas áreas mais densamente povoadas deveria fazer-se um esforço para proporcionar aos jovens uma convivência maior do que a que uma única Ala oferece.

Falando de uma nova Ala e de uma nova casa de reuniões para ela, gostaria de elogiar publicamente o exemplo dado agora pela Primeira e pela Segunda Ala de Tremonton, na construção de um edifício para a nova Ala. Outras Alas da Igreja seguiram um plano semelhante. A antiga Ala — Tremonton Primeira — disse à nova Ala: "Pagaremos à Ala metade do custo de sua nova casa de reuniões, e a nova Ala poderá pagar a outra metade." Assim, a antiga Ala arrecadou $12.000 para ajudar a construir o novo lar para seus antigos amigos e companheiros, e o Bispo da antiga Ala e seu povo relatam sentir-se melhor com esse esforço do que com qualquer outra coisa que a Ala já tenha feito. Recomendo esse exemplo a todas as Alas que estão se dividindo.

PLANO DE EMBELEZAMENTO APROVADO

Gostaria de aprovar o plano que é tão caro ao coração do Bispo Ashton, o de embelezar nossas cidades, nossas casas de reuniões, nossos lares. Há muito a ser feito; mas apenas a tinta, por si só, é um maravilhoso embelezador. Há um velho ditado de rancho que diz que "Gordura é uma cor bonita." A tinta é a gordura dos celeiros, das cercas e dos lares.

Já falei do problema de fornecer trabalho àqueles que precisam de assistência. Bispos, arranjai um pouco de tinta para o homem do Bem-Estar. Deixai-o pintar sua própria casa; consertar sua própria cerca; plantar algumas árvores em seu próprio quintal, ou um pouco de grama; limpar seu quintal. Se fizerdes isso, metade do vosso trabalho de reparação humana estará feita, e a metade mais difícil, também.

Pintai vossas casas de reuniões, vossa prefeitura, consertai vossas calçadas, mantende vosso parque ou terrenos públicos com boa aparência, cuidai de vossas cercas.

AS ORGANIZAÇÕES AUXILIARES AJUDARÃO OS LARES

O apelo destes tempos conturbados chega com a maior insistência aos ouvidos dos oficiais das associações Auxiliares. Estão reconsiderando todo o seu campo de atuação, a fim de ver o que pode ser feito por elas para atender às necessidades da época. Estão procurando definir mais claramente seus campos de atividade, eliminar duplicações e sobreposições — eliminar o crescente desperdício de esforço, tempo e recursos.

Uma de suas principais preocupações será aliviar os encargos dos Bispos e Presidentes de Estacas, aliviar o povo do maior encargo financeiro possível, reduzir o excesso geral de atividades, e ajudar o lar a assumir suas funções normais na formação da vida dos jovens. Pois, depois de dito e feito tudo o que se pode dizer ou fazer, se o lar não for sólido, a maior parte da juventude cairá em caminhos proibidos. O problema aqui não é primariamente das crianças, mas dos pais, que têm sido encorajados — involuntariamente encorajados, se formos caridosos — a transferir a educação dos jovens para as escolas, as Organizações Auxiliares e outros instrumentos. Esse plano jamais será bem-sucedido. Pais e mães devem saber que são responsáveis pela existência de seus filhos, e, tendo assumido essa responsabilidade, não podem, aos olhos de Deus, esquivar-se, transferir ou ignorar a responsabilidade de educá-los corretamente, sob pena de trazerem sobre si mesmos condenação.

Um dos principais propósitos, senão o principal, das Organizações Auxiliares deve ser ajudar os pais a ajudarem seus filhos, e isso pode ser realizado de modo eficaz por meio do lar.

A EDUCAÇÃO DA IGREJA

Estamos experimentando, na educação, o estudo do evangelho por um método semicientífico. Estamos um tanto atrapalhados; ainda não encontramos nosso verdadeiro rumo. Até onde sei, nenhuma outra igreja está tentando fazer exatamente o que estamos tentando. Em algumas igrejas, diz-se aos membros que não se preocupem com as doutrinas, mas que façam o que seus líderes lhes dizem. Os Santos dos Últimos Dias são obrigados, por mandamento divino, a aprender tudo o que puderem sobre o evangelho.

Os críticos — de alta e de baixa crítica — estão aplicando métodos científicos ao estudo da religião, com resultados um tanto desastrosos para muitos dogmas sectários. Mas nós estamos aplicando o sistema ao plano evangélico de vida e salvação, tal como revelado nestes últimos dias. Certamente não poderíamos sobreviver a esse experimento se não tivéssemos a verdade.

Mas estamos avançando, e, de modo geral, a fé de nossos jovens está aumentando. Onde isso não é verdade, a culpa é, em grande parte, da instrução dada. Um esforço sério está sendo feito para garantir que o sectarismo não se torne parte de nossa instrução educacional, e que as verdades do evangelho sejam ensinadas em sua simplicidade. Os responsáveis por nosso sistema educacional estão se esforçando arduamente para esse fim.

Não poderíamos justificar gastar o dízimo dos pobres — a moeda da viúva, e a maior parte de nosso dízimo é dessa espécie — em qualquer outro tipo de instrução doutrinária da Igreja, senão naquela que ensina o evangelho e sua restauração em sua mais pura simplicidade, sem mescla de opiniões humanas.

A RETIRADA DOS MISSIONÁRIOS DA EUROPA

Gostaria de dizer apenas algumas palavras sobre a retirada dos missionários da Europa. Em 24 de agosto de 1939, tornando-se cada vez mais evidente que nossos missionários não eram bem-vindos nem nos países beligerantes nem nos países neutros da Europa ocidental, foi solicitado aos Presidentes de Missão europeus que enviassem à América todos os missionários, exceto uns poucos que permaneceriam temporariamente para dirigir as várias sedes de Missão.

Fomos abençoados por ter na Europa, naquela ocasião, o élder Joseph Fielding Smith e a irmã Smith, para aconselhar os diversos Presidentes de Missão e assumir a direção geral da situação. Havia em nossas Missões, naquela ocasião, incluindo as esposas e os filhos dos Presidentes, 697 pessoas, das quais 611 eram missionários rapazes e 63 eram missionárias moças; as outras 23 eram Presidentes de Missão, suas esposas e seus filhos.

O primeiro grupo de missionários vindos da Europa desembarcou em Nova York em 7 de setembro, e o último grupo, acompanhado pelo élder Joseph Fielding Smith e pela irmã Smith, desembarcou em 6 de novembro de 1939.

Esses missionários que regressavam foram recebidos pelo Presidente Frank Evans e pela irmã Evans na sede da Missão dos Estados Orientais, em Nova York. Os missionários regressaram em 23 navios, cada um dos quais teve de ser recebido, e os missionários transportados para seus alojamentos temporários. A bagagem pesada manuseada excedeu 1.500 volumes; houve mais de 10.000 cartas e outras encomendas postais. Cada um desses 674 missionários teve de ser alojado e assistido. Muitos desembarcaram sem recursos, e foi preciso adiantar-lhes fundos — foram feitos cerca de 146 pequenos empréstimos, todos reembolsados, exceto um pequeno item. O dinheiro recebido dos pais teve de ser distribuído, houve telegramas e cabogramas a tratar, suprimentos de escritório a fornecer, e numerosos outros atos de assistência.

Além disso, como a maioria desses missionários não havia cumprido o prazo integral de sua missão, tiveram de ser designados de novo, ao chegarem, para novos campos de trabalho. O Presidente John H. Taylor, do Primeiro Conselho dos Setenta, foi enviado a Nova York para dirigir esse trabalho. Dos 674 missionários, 414 élderes e 32 missionárias foram redesignados; os demais foram desobrigados.

O Presidente e a irmã Evans também ficaram encarregados de enviar esses 446 missionários redesignados a seus novos campos de trabalho, e os 228 desobrigados de volta a seus lares.

O custo total desse serviço prestado pelo Presidente Evans, no atendimento de todos esses missionários, Presidentes de Missão e suas famílias — um total de 697 pessoas — foi de apenas $2.271,47, ou $3,26 por pessoa, para o desembarque, o alojamento, a alimentação e o transporte dos navios até a sede e da sede até o trem.

O Presidente Taylor auxiliou o Presidente Evans em toda essa obra. Esta é, verdadeiramente, uma grande obra. Todo o grupo foi transferido das áreas conturbadas da Europa para os Estados Unidos, e dali para seus novos campos de trabalho ou para seus lares, sem um único acidente ou um único caso de doença, à exceção de uma enfermidade crônica. Todo o grupo foi evacuado da Europa em três meses, numa época em que dezenas de milhares de americanos assediavam as bilheterias das grandes companhias de navegação em busca de passagem, e os élderes não tinham reservas. Cada vez que um grupo estava pronto para embarcar, havia disponível o espaço necessário, mesmo quando os esforços para reservar espaço poucas horas antes haviam falhado.

Os Presidentes de Missão europeus foram instruídos a deixar suas Missões nas mãos dos irmãos locais. Tendo isso sido feito, também lhes foi ordenado que retornassem para casa. O primeiro partiu em 1º de dezembro de 1939, e o último desembarcou em Nova York em 4 de março de 1940.

Durante a viagem do Presidente Grant à Europa, há três anos, os Santos foram, repetidas vezes, exortados a reconhecer e assumir suas plenas responsabilidades como membros da Igreja e portadores do Sacerdócio. Foram exortados a deixar de depender tanto dos élderes. A presente situação dá razão a esse conselho.

Verdadeiramente, as bênçãos do Senhor acompanharam esse grande empreendimento.

AS RESPONSABILIDADES DO SACERDÓCIO

Para nossos propósitos hoje, podemos dizer que o Sacerdócio é a autoridade de Deus conferida aos homens para representá-Lo em certas relações entre os homens e entre os homens e Deus. Esta é uma responsabilidade extraordinária. Ela impõe certas obrigações aos portadores do Sacerdócio, tanto entre si quanto entre eles e os membros em geral, e entre eles e a Divindade.

A condição de membro de um quórum é algo mais do que um nome. O Senhor deixou abundantemente claro, por mandamentos repetidos, que sobre o Sacerdócio em sua forma organizada, e não meramente sobre os indivíduos que o portam, recai a responsabilidade de instruir, encorajar e admoestar o povo. O Senhor designou especificamente os deveres do Sacerdócio a esse respeito, grau por grau. Ele não deu autoridade alguma ao Sacerdócio para se eximir dessa responsabilidade de instruir, encorajar e admoestar, delegando esse dever a outrem, individualmente ou por classe. O Senhor, portanto, responsabilizará o Sacerdócio, como tal, pela devida e correta instrução dos membros da Igreja no caminho da vida e da salvação.

O Sacerdócio não deve nem esquecer nem esquivar-se dessa grande responsabilidade. A Igreja pode oferecer auxílios e ajudas por meio das Organizações Auxiliares, das escolas e de outros meios para a realização dessa obra, mas a Igreja não pode, e não busca, nem pretende, eximir o Sacerdócio das obrigações desse mandamento divino, nem autorizá-lo a esquivar-se ou a evitá-lo. Vós, portadores do Sacerdócio, curvai os ombros e assumi esse fardo que Deus colocou sobre vós. O Todo-Poderoso espera, e de fato ordena, isso. Vosso fracasso em fazê-lo trará aflição ao povo e condenação sobre vós mesmos.

AS CONDIÇÕES MUNDIAIS

Podemos retribuir a nosso Pai Celestial nossos devotos agradecimentos por Seu espírito de paz ainda pairar sobre esta terra, e por a guerra não nos ter, até este ponto, amaldiçoado com seus males e misérias.

Gostaria de incorporar, por referência, tudo o que disse em outubro passado sobre a guerra, suas causas e suas iniquidades.

AS MULHERES DA IGREJA

Gostaria de dizer uma palavra às mulheres da Igreja, o "primeiro socorro" do Sacerdócio em suas provações e tribulações. Admiro-me de que nossas esposas estejam dispostas a viver conosco, com todas as nossas queixas, falhas e deficiências.

Desde o início, as mulheres da igreja cristã têm demonstrado sua fé e devoção incomparáveis. Apenas um Apóstolo permaneceu junto à Cruz enquanto Cristo era crucificado, mas Maria, a mãe, estava ali, e Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu, e as mulheres que O seguiram desde a Galileia. Foi Maria Madalena quem primeiro chegou ao túmulo quando o sábado havia terminado, e a ela Cristo concedeu a primeira visão, entre os mortais, de Seu corpo ressuscitado.

Desde então até hoje, a mulher tem confortado e amparado a Igreja. Ela tem carregado mais da metade dos encargos, feito mais da metade dos sacrifícios, sofrido a maior parte das angústias e tristezas.

Na Igreja moderna, tem sido dela a fé permanente e inabalável, o conhecimento puro, que tem animado o Sacerdócio e o mantido avançando contra todas as adversidades. Sua confiança amorosa, sua devoção leal foram a âncora fiel que se manteve firme quando as tempestades foram mais ferozes.

Por tudo isso, somos mais gratos do que podemos exprimir. Humildemente pedimos ao Senhor que vos ajude, irmãs, no futuro como no passado. Nós, do Sacerdócio, precisamos de vossa coragem, de vossa firmeza, de vossa fé, de vosso conhecimento, de vosso testemunho, para nos animar e nos manter no caminho.

Irmãs da Igreja, a castidade da juventude da Igreja está, em grande parte, em vossas mãos. Deveis entronizar a virtude em seu lugar soberano; deveis restaurar o pudor, deveis deixar que a beleza dos rubores castos ainda adorne vossas faces.

Mães em Israel, ensinai vossos filhos a honrar e reverenciar, a proteger até o fim, a pura feminilidade; ensinai vossas filhas que sua joia mais preciosa é um corpo limpo e imaculado; ensinai tanto filhos quanto filhas que a castidade vale mais do que a própria vida. Estes são os deveres que o Sacerdócio espera, primordialmente, que vós leveis e mantenhais naquele berço de todas as virtudes — o lar reto. Nós, do Sacerdócio, ajudaremos tanto quanto nossa natureza permitir, mas o fardo dessa tarefa é agora, e sempre foi, em sua maior parte, vosso. A menos que o façais, o mundo inteiro afundará num turbilhão de pecado e corrupção. Que Deus vos ajude em vossa tarefa!

AOS JOVENS DA IGREJA

Permiti-me dizer novamente aos jovens da Igreja, e primeiro a vós, filhas: aquele homem ou jovem que exige, sem casamento, como preço de seu favor ou amor, o gozo de vosso corpo, na verdade nada tem a vos dar em troca senão tristeza e degradação; e, em seguida, a vós, filhos: aquela mulher que vos oferece seu corpo fora do matrimônio vos convida a um banquete que traz doença e corrupção que vos contaminará até a morte. E qualquer homem ou mulher que exija, como preço de seu favor ou amizade, a rendição de qualquer um de vossos padrões retos de vida, não vos está oferecendo nada que valha a pena comprar. O que isso vos traz é tão falso quanto o próprio Mal.

Digo tudo isso com sobriedade, e com toda a solenidade de que disponho, sabendo, tão certamente quanto sei que vivo, que falo a verdade.

ELOGIO ÀS ORGANIZAÇÕES

Quero agradecer a todas as organizações da Igreja por sua grande ajuda em levar adiante a obra da Igreja. Talvez eu não devesse dizer ajuda; talvez devesse dizer por levar a obra adiante, pois nós, irmãos aqui no topo, seríamos impotentes se não fosse pela fidelidade genuína de vós, irmãos e irmãs. Sei que a grande maioria está procurando viver retamente e fazer o que é certo, e sei que o Senhor os abençoará em seus esforços.

A LEALDADE TRAZ BÊNÇÃOS

O Senhor Se compraz com vossa lealdade àqueles que estão em autoridade, na Ala, na Estaca e na Igreja. A obra não pode continuar a crescer sem essa lealdade, e essa lealdade não deve ser pensada como lealdade aos indivíduos, mas como lealdade à obra, ao cargo, à autoridade que o indivíduo representa. É lealdade ao Sacerdócio do Deus Todo-Poderoso. O próprio indivíduo fica submerso na autoridade divina que possui. Davi buscou perdão por ter levantado a mão contra o ungido do Senhor, ainda que o ungido buscasse a vida de Davi. Este é o verdadeiro princípio da lealdade, aplicado em quase o último extremo.

Desde Caim até hoje, deixar de seguir a autoridade de Deus só trouxe condenação. Arão, Miriã, Corá e seus seguidores, todo o acampamento de Israel sofreram quando reclamaram ou se rebelaram contra Moisés. O mesmo se deu por toda a história humana das relações de Deus com os homens.

Desde os primeiros dias desta Igreja, descontentes, apóstatas, "amargurados", têm bradado com calúnia, falsidade e escárnio contra aqueles a quem Deus chamou para liderar o povo. Assim trataram o Profeta, e o irmão Brigham, e, em menor grau, todo Presidente que se seguiu. Mas o Senhor sempre prosperou a Igreja à medida que ela seguiu a liderança deles. Os detratores desceram ao esquecimento que mereciam. Assim será sempre. O Profeta do Senhor permaneceu acima e além das críticas mesquinhas desses censores injustos. Ele sempre viveu, como nosso líder vive hoje, na benigna luz da aprovação do Senhor, recebendo as mais escolhidas bênçãos do Senhor, manifestadas abertamente àqueles que apenas quiserem olhar.

Que o Senhor continue a manter Seu Espírito conosco em todos os momentos. Que Ele esteja conosco durante o restante desta Conferência; que Ele abençoe e restaure particularmente o Presidente Grant à plena saúde e força, rogo humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJ. Reuben Clark Jr., “Discurso de Abertura”, 1940 April General Conference, First Day Morning Session (1940-04-05). Pulpit Vault, 1940-04-j-reuben-clark-jr-opening-address. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).