Pragas Que Seguem a Guerra
J. Reuben Clark Jr.
Meus irmãos e minhas irmãs, tenho a alegria de estar convosco novamente numa Conferência Semestral. Tenho a alegria de ouvir as Mães Cantoras, com a Irmã Sackett regendo-as. ¶
Sentimos falta, nesta manhã, de um homem de grande espiritualidade, de grande influência entre o povo, o Irmão Melvin J. Ballard. Que o Senhor santifique seus trabalhos para a edificação de sua Causa. ¶
Como o que direi nesta manhã tratará em parte de assuntos técnicos, em que a linguagem é de grande importância, submeti por escrito o que direi, para que não fale de modo incauto. ¶
A Constituição, Inspirada
Falo hoje como cidadão americano que crê, como crê em Deus, que Deus inspirou a elaboração de nossa Constituição e o estabelecimento de nossa forma de governo sob ela — um cidadão americano que crê que a preservação deste governo, sob nossa Constituição tal como ela hoje se encontra, é necessária para que a liberdade e as instituições políticas e religiosas livres não desapareçam da face da terra. ¶
Uma Nação de Padrões Cristãos
Esta é uma nação cristã. Antes da Revolução, era assim de acordo com a lei; desde a Revolução, permaneceu assim de fato. Nós, o povo dos Estados Unidos, garantimos plena liberdade religiosa a todos os que se encontram sob nossa jurisdição, sejam eles não cristãos ou pagãos. Mas a nação em si é uma nação cristã. Nossos padrões e princípios são cristãos. Protegemos outros credos, para que todos sejam livres. Estes fatos jamais devem ser perdidos de vista. ¶
Para nós, membros da Igreja, este fato não pode ser contestado, pois o Senhor declarou em revelação moderna: ¶
Eis que esta é uma terra escolhida; e qualquer nação que a habitar se verá livre da servidão e do cativeiro e de todas as outras nações debaixo do céu, se apenas servir ao Deus da terra, que é Jesus Cristo, o qual foi manifestado pelas coisas que escrevemos. (Éter 2:12.) ¶
A pena para a desobediência a estes princípios foi declarada como sendo que o povo seria "varrido quando sobre ele caísse a plenitude de sua ira", e que "a plenitude de sua ira cairá sobre eles quando houverem amadurecido em iniquidade." (Éter 2:8-9.) ¶
Estes princípios foram repetidamente declarados. ¶
Assim, nós, na América, não podemos apoiar causa alguma que destronasse o Cristianismo aqui e pusesse em seu lugar qualquer outro credo, seja não cristão ou pagão; nem podemos, como cristãos, apoiar uma causa destinada a estabelecer estados não cristãos ou pagãos em qualquer outra parte do mundo. Nosso dever, imposto divinamente, é claro quanto a isso. ¶
Declaração de Fé
Além disso, por mais de cem anos, esta Igreja tem declarado este princípio de governo, baseado em mandamentos divinos e nas revelações da vontade de Deus, a saber: ¶
Nós cremos que os governos foram instituídos por Deus em benefício do homem; e que ele considera os homens responsáveis por seus atos em relação aos mesmos, tanto na formulação de leis como em sua execução, para o bem e segurança da sociedade. ¶
Cremos que nenhum governo pode existir em paz a não ser que tais leis sejam feitas e mantidas invioladas, de modo a garantir a todo indivíduo o livre exercício de consciência, o direito e domínio de propriedade e a proteção da vida. (D. e C. 134:1-2.) ¶
Assim, não podemos apoiar causa alguma nem sustentar estado algum que fomente uma causa que buscasse forçar a consciência dos homens, que erigisse o estado como divindade, que destruísse a propriedade privada — esse baluarte de uma sociedade pacífica, estável e ordenada, na verdade da própria civilização —, que transformasse os homens em escravos do estado, para destruição de toda segurança, da devida proteção da vida e da integridade física, e de toda liberdade individual, e que apagasse o lar cristão. ¶
Perigos Ameaçam
Todas essas coisas são fundamentais para este povo e para esta nação. Novamente advirto que há entre nós influências más, tramando e conspirando para destruir tudo o que temos por sagrado em nossa Igreja e em nossa nação. Se adormecermos diante desses perigos, um dia despertaremos e nos veremos suas vítimas servis. Nós, o povo aqui dos vales, somos um punhado apenas — uma minoria microscópica —, e, no entanto, se nos revestirmos, de coração e mãos completamente unidos, da armadura da retidão e lutarmos pela retidão, seremos o instrumento, sob os cuidados e a orientação de Deus, para finalmente ajudar a servir e salvar o mundo. ¶
Nada é mais injusto, mais ímpio, mais contrário a Deus do que o massacre em massa do semelhante, declarado pelo homem, por uma causa injusta. Isso tem, em todos os tempos, atraído a ira do Todo-Poderoso. Deus fará recair sua vingança sobre todos os que a provocam. A lei declarada no Sinai foi "Não matarás", e, quanto à espada, foi dito: "Todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão." Com esses mandamentos divinos profundamente arraigados em nossa consciência espiritual, não podemos olhar com nenhum grau de tolerância para o pecado de uma guerra ímpia, e uma guerra para fazer conquista, ou para manter conquista já feita, é uma guerra assim. ¶
Em quase todas as oportunidades desde que fui chamado a um lugar na Primeira Presidência, expressei grave apreensão quanto ao rumo que o mundo inteiro, incluindo nossa própria nação, vinha seguindo. Há dois anos e meio (Conferência de Abril de 1937), chamei atenção especial para a perspectiva de guerra e dei a melhor visão que tinha quanto às eventualidades que então pareciam prováveis de se seguir a essa guerra. Detive-me particularmente sobre o caos subsequente que parecia razoavelmente certo poder vir, caso a guerra se arrastasse por longos e cansativos anos. ¶
Em outubro passado, chamei atenção para a propaganda intensiva a que estávamos submetidos — a mais intensa propaganda de tempos de paz já vista — e advertimos que, na melhor das hipóteses, ela colore a verdade, e, na pior, a falsifica. ¶
Gostaria, por referência, de incluir no que agora digo tudo o que já disse no passado sobre os mesmos assuntos. ¶
Advertência Contra Impressões Falsas
A guerra agora eclodiu. A maior parte das santidades usadas por um lado ou outro para santificar a Guerra Mundial estão novamente vindo à tona para santificar esta. Muitas eram falsas então; são falsas agora. Não devemos ser perturbados, enganados ou cegados por nenhuma delas. Olhai cada uma delas diretamente; a maioria murchará diante de vosso olhar. Há sempre engano, mentira, subterfúgio, traição e selvageria na guerra, de ambos os lados. Havia na Guerra Mundial. Nem sempre é a outra potência que comete as atrocidades. ¶
A Guerra e Suas Causas
Falarei com franqueza hoje, pois, onde a questão é guerra com seus horrores ou paz com suas bênçãos, é melhor que se use uma fala direta. O que direi dirige-se primordialmente à situação internacional. ¶
Deixando de lado todos os argumentos, desculpas, protestos, pretensões e propaganda sob os quais as verdadeiras causas do conflito atual foram profundamente sepultadas, e despindo, até os ossos nus, todas as falsidades que ocultaram a situação real, parece claro que as questões do conflito atual, reduzidas aos seus termos mais simples, são estas: ¶
A Alemanha disse à Polônia: Dá-me o que me tiraste ao fim da Guerra Mundial. A Polônia, apoiada pela Grã-Bretanha e pela França, disse Não. A Alemanha fez guerra contra a Polônia. Vinculadas por tratado, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha. ¶
Contudo, sob exigências semelhantes num passado recente, a Alemanha se apossou não apenas daquilo que primeiro exigiu, mas também de vastas áreas adicionais. Aparentemente desconfiando da palavra dos líderes alemães, a Grã-Bretanha e a França pareciam temer que novas exigências fossem feitas. Podem ter tido em mente as centenas de milhares de milhas quadradas de território e os milhões de pessoas que tomaram por conquista da Alemanha ao fim da Guerra Mundial; podem também ter se lembrado das conquistas francesas no norte da África e das conquistas britânicas sobre os bôeres no sul da África. E talvez possamos nós mesmos lembrar que o solo sobre o qual estamos foi tomado do México em 1848, pela força das armas. ¶
Talvez, na presente conjuntura mundial, uma renovada partilha da Polônia parecesse uma tragédia tão provável quanto qualquer outra para despertar o sentimento do mundo contra aqueles que viessem a dividir aquele país historicamente infeliz. ¶
Evidentemente, como questão de lógica, se a conquista pode dar bom título sobre território, então a conquista é meio legítimo de obter bom título sobre território. Esta é a lei ímpia da força, a lei ímpia de que "a força faz o direito". ¶
Esta é a lei que esteve por trás de todo grande império já construído em toda a história do mundo; está por trás de todo grande império que existe hoje. Não há nada de novo nesta doutrina, nem em sua prática. ¶
Sob tal lei, a guerra é, e sempre deve ser, o instrumento do crescimento do império. Sob tal lei, as nações se erguem e caem, conforme a força avança ou míngua. ¶
Sob tal lei, a segurança no império vem apenas ao poder que domina em armas e recursos. ¶
Mas tal lei da força, de que "a força faz o direito", nasceu de Satanás. Não é de Deus. ¶
Evidentemente, nenhum grande império de conquista pode dormir tranquila e confortavelmente à noite se aqueles que nada têm saem a marchar em busca de mais território e estão dispostos a lutar por ele. ¶
Tanto em suas declarações quanto em suas alianças, a atual guerra na Europa tem por único propósito subjacente o estabelecimento seguro do poder ou dos poderes que, pela mera supremacia em armas, hão de dominar a Europa, e talvez o mundo. Esta não é uma causa justa de guerra, e a guerra injusta é ímpia. ¶
Esta é exatamente a mesma questão que, há vinte anos, alegamos ter enviado nossa jovem América à Europa para resolver. Foi nossa luta ali que deu às Potências Aliadas e Associadas principais a sua vitória. Nada tiramos daquele conflito além da má vontade de todos — de nossos inimigos, porque eram nossos inimigos, e de cada um de nossos aliados, por causa de nossa generosidade sem limites, e de nossa ingênua, pouco sofisticada abnegação em Versalhes. Mas não resolvemos então a questão. Ela ressurgiu. Não a resolveríamos agora entrando neste conflito. Esta é uma daquelas questões que só podem ser resolvidas pelas próprias partes envolvidas, entre si. ¶
Uma Escolha Natural
Há na Igreja dezenas de milhares de membros fiéis, e na nação, milhões de cidadãos leais, cuja preferência seria, por causa de sua ascendência alemã, que a Alemanha se tornasse a potência dominante da Europa, e, em seguida, talvez do mundo. Para eles, a arte, a literatura, a ciência e a música alemãs — talvez as maiores já produzidas pelo mundo — fazem parte da trama e da urdidura de sua vida e da vida de seus antepassados. Todos os fios sutis da memória e da tradição os conduzem de volta à terra natal. O povo alemão é, e sempre foi, um povo grande e bom. ¶
Há talvez ainda mais dezenas de milhares de membros fiéis na Igreja, e mais milhões de cidadãos leais na nação, que, por causa de nossa ascendência britânica, prefeririam que a Grã-Bretanha mantivesse a dominância que já detém há gerações. Tanto meus quanto de qualquer britânico hoje são Chaucer e Shakespeare, são Littleton, Coke e Bacon, é a Magna Carta e os grandes princípios de liberdade e de autogoverno local, que nós, na América, tanto valorizamos e fizemos peculiarmente nossos. Estas são as heranças que temos da terra-mãe, e no gozo conjunto das quais, como co-herdeiros conosco, incluímos todas as raças, credos e nacionalidades que chegam às nossas praias. A Grã-Bretanha tem sido, e é, uma das maiores nações e povos de todos os tempos. ¶
Assim como amamos a Alemanha em primeiro lugar, também amamos a Grã-Bretanha. Mas cada um de nossos grupos precisa ver e compreender o ponto de vista e os sentimentos do outro. ¶
A Posição da América nos Assuntos Europeus
Quem há de dominar a Europa é uma questão presente em nossa situação internacional desde o início de nossa vida nacional. Não é assunto nosso. ¶
Os pais de nosso País nos advertiram contra as tentações e os perigos envolvidos numa questão dessas — questão que não está relativamente mais próxima de nós agora do que estava em seus dias. A questão não tem, para nós, maior importância agora do que teve por cento e cinquenta anos. A potência dominante sempre poderia fazer-nos guerra se assim quisesse. Cento e cinquenta anos atrás éramos um dos mais fracos entre os fracos, e os riscos, para nós, de tal guerra eram grandes; agora somos um dos mais fortes entre os fortes, e os riscos de perdermos um conflito defensivo são quase nulos. Não deixeis que o medo do que possa acontecer numa guerra defensiva assim turve, de modo algum, vosso julgamento. Estamos, relativamente, mais aptos hoje a nos defender contra a agressão de um inimigo estrangeiro do que jamais estivemos em toda a nossa história. ¶
Washington, em seu Discurso de Despedida, declarou que deveríamos ter "o mínimo possível de vínculo político" com a Europa; que a Europa tinha um "conjunto de interesses primários" com os quais tínhamos "nenhuma ou muito remota relação", pelo que "a Europa deve estar envolvida em frequentes controvérsias, cujas causas são, essencialmente, assunto alheio a nós"; "Por que, entrelaçando nosso destino com o de qualquer parte da Europa, embaraçar nossa paz e prosperidade nas teias da ambição, da rivalidade, do interesse, do humor ou do capricho europeus?" ¶
Jefferson disse: "Nossa primeira e fundamental máxima deveria ser nunca nos enredarmos nas contendas da Europa; nossa segunda, nunca permitir que a Europa se intrometa nos assuntos deste lado do Atlântico." ¶
Devemos seguir estas advertências. Não há razão nem desculpa para nossa entrada nesta guerra europeia. Suas questões não têm, para nós, interesse vital algum. Um estadismo sábio nos manterá afastados dessa guerra. ¶
Violações da Neutralidade
Podemos esperar que todos os meios, justos e injustos, que possam ser concebidos por homens que odeiam e estão desesperados, lutando por suas vidas, serão usados para nos arrastar a esta guerra. Não devemos aceitar nada pelo seu valor aparente; devemos questionar cada declaração, examinar cuidadosamente cada incidente. Assim é a guerra. ¶
Raras vezes, de fato, as meras violações de neutralidade são causa legítima de guerra. Sempre há conflito entre neutros e beligerantes, os neutros tentando preservar seu comércio de tempos de paz, e cada beligerante tentando impedir todo intercâmbio com o outro beligerante. A apreensão e a busca de navios, o confisco de cargas, são os incidentes normais da guerra. Depois que a guerra termina, o beligerante é chamado a pagar pelas infrações aos direitos dos neutros, mas não se recorre à guerra nem mesmo para forçar esses pagamentos. ¶
Mais uma coisa: um navio armado, seja ele mercante ou navio de guerra regular, é considerado navio de guerra e sujeito a todos os riscos da guerra. Os neutros que usam tais navios, seja para viagem, seja para transporte de carga, usam-nos sujeitos a todos os perigos inerentes à navegação de navios de guerra em alto-mar, e nem eles nem seus governos podem legitimamente queixar-se das eventualidades que os possam atingir. ¶
A América, a Grande Neutra
A América, multirracial e multinacional, é, por tradição, por geografia, por sua população, por simpatia natural e por interesse material, a grande nação neutra da terra. Deus assim a projetou. Formados de todas as raças, credos e nações, nossas simpatias vão para todo povo oprimido. Nossos sentimentos, envolvidos em lados opostos de grandes diferenças, hão de, em seu curso natural, se mantidos dentro da devida e apropriada moderação, neutralizar-se mutuamente. Direcionado pelos canais certos, esse grande corpo de sentimento por um lado ou pelo outro amadurecerá em simpatia e amor por todos os nossos semelhantes desorientados e desencaminhados que sofrem por qualquer causa, e essa simpatia e esse amor se estenderão a toda a humanidade em sua aflição, refletindo, ainda que fracamente, a infinita compaixão do Mestre. ¶
Uma das grandes tragédias da guerra que agora se inicia é que todos os povos hoje nela envolvidos foram conduzidos a ela sem saberem por completo aonde os levavam. Os próprios povos são, em grande parte, inocentes deste massacre. Deus não perdoará a traição de seus filhos por aqueles que sobre eles governam. ¶
Um Grande Papel a Desempenhar
Como a grande neutra da terra, a América pode desempenhar um papel muito maior nesta guerra; é nosso dever desempenhar um papel muito maior do que simplesmente cumprir de modo imparcial nossas obrigações neutras, sob o direito internacional, para com aqueles que vêm às nossas praias para comércio ou por outros motivos. É nosso solene dever desempenhar um papel melhor do que aquele que poderíamos desempenhar participando do massacre. ¶
A América tem hoje a única grande força e influência moral nacional pela paz que resta no mundo. Perdemos muito do que outrora tínhamos — perdemo-lo quando permitimos a pilhagem à mesa de paz de Versalhes; desde então, perdemos muito do que ainda restava, por nossa diplomacia no conflito entre os senhores da guerra rivais do Extremo Oriente, e por nossos protestos repreensivos à Europa — protestos largamente motivados por questões de política puramente doméstica sua, que não eram de nossa legítima e adequada preocupação, questões que, em nossos próprios assuntos americanos, jamais permitimos que qualquer outra nação sequer questionasse. ¶
Liberdade em Política Doméstica
Nós, desta Igreja, somos testemunhas qualificadas e especializadas nesta questão. Expulsos duas vezes de nossos lares, saqueados, roubados, assassinados, nossos líderes mortos, nenhuma potência estrangeira, e nenhuma raça, credo ou grupo, ergueu sua voz sequer para sussurrar um protesto contra o tratamento que recebemos. Nem esse silêncio foi rompido quando, quase meio século depois, o próprio Governo Federal confiscou nossa propriedade, que só em parte recuperamos. Jamais sonhamos em pedir a governos estrangeiros que intervissem em nosso favor. Nossa lealdade patriótica ao país de nosso nascimento, nossa terra natal, não permitiria isso. ¶
Além disso, quando o Norte se opôs ao Sul numa luta de vida ou morte, quando a propriedade de ambos os lados foi implacavelmente destruída, e milhares e milhares de vidas foram perdidas, recusamo-nos até mesmo a ouvir representações de potências estrangeiras destinadas a pôr fim ao conflito. Tampouco jamais tolerámos queixas de governos estrangeiros sobre certos erros judiciais, até então frequentes demais em certas áreas deste país. ¶
Todos esses assuntos foram entre nós — o povo diretamente envolvido — e nosso próprio governo. Vivemos ou morremos, prosperamos ou sofremos, conforme decidido entre nós e nosso governo. A Família das Nações não pode existir senão sobre o princípio de sua liberdade em todos os assuntos de política doméstica, nem podem os Estados individuais; e a existência dos Estados, para o devido ordenamento de toda a sociedade, é de muito maior importância do que o sofrimento temporário de qualquer grupo, grande ou pequeno, dentro de um Estado. Todo Estado, membro da Família das Nações, deve ser senhor de si mesmo quanto a seus próprios nacionais. Sempre reivindicamos este direito, sem restrições, para nós mesmos. ¶
Nosso claro dever para com a humanidade e para com a causa da paz, nosso dever para com nosso Criador, exigem que preservemos a força e a influência moral que agora temos, que recuperemos o que perdemos, e que, então, aumentemos ao ponto mais alto possível este, o maior de todos os instrumentos para a paz mundial. Se nos tornarmos partes desta guerra mundial, seja qual for o lado, para decidir as questões atuais da guerra, perderemos todo esse poder e influência morais, e afundaremos, com o mundo, ao nível em que apenas nossa força bruta será a única e exclusiva medida de nossa força. Isso seria uma pavorosa prostituição de nossa herança. ¶
Lembrando o fato de que os povos em guerra foram conduzidos a esta guerra quase às cegas por seus próprios governos, há duas coisas que, parece-me, poderíamos agora fazer, que ao mesmo tempo fortaleceriam nosso poder e nossa influência morais pela paz. ¶
A Proteção dos Fracos
Primeiro, faríamos bem em insistir, como o Presidente já instou, para que todos os beligerantes abandonem os planos de seus estados-maiores gerais de conduzir esta guerra de modo a efetivamente exterminar povos. Deveríamos exigir, sob pena de fechamento de nossos portos ao infrator, que o princípio vigente antes da Guerra Mundial fosse observado, a saber, que a população civil, as mulheres e crianças, os enfermos, os idosos e os incapacitados das nações em guerra sejam, tanto quanto possível, protegidos; que não se pratiquem bombardeios indiscriminados nem bombardeios de lugares não fortificados; que as hostilidades reais sejam travadas apenas contra e entre as forças armadas dos beligerantes. Caso algum beligerante não tenha acesso aos nossos portos e, por isso, não esteja sujeito à penalidade, ainda assim a observância do princípio por seu inimigo, a nosso pedido, nos dará o poder moral para assegurar que esse inimigo também o observe. ¶
Segundo, tendo em mente nossa posição como a grande neutra mundial, e lembrando que os povos dessas nações em guerra foram conduzidos a este conflito em grande parte sem o saber, e que, portanto, são, em grande parte, inocentes, deveríamos anunciar nossa oposição inabalável a qualquer plano de fazer passar fome a esses povos inocentes envolvidos neste conflito — as mulheres, as crianças, os enfermos, os idosos e os incapacitados — e declarar que, quando uma fome coletiva real e genuína atingir qualquer um deles, não importa quem sejam, faremos tudo o que estiver ao nosso devido alcance para garantir que sejam abastecidos com alimento. No panorama atual, não se pode ter certeza de qual lado, ao final, precisará dessa espécie de socorro. E se, em tal esforço, chegássemos ao último extremo, poucas causas mais justas para a própria guerra se poderiam imaginar do que um tão alto serviço prestado à humanidade sofredora e vitimada. ¶
Seremos capazes, se agirmos sabiamente com base em todas as informações que pudermos obter, de frustrar qualquer engano ou subterfúgio, por qualquer motivo ou fundamento, de qualquer beligerante, em razão de uma fome falsa, simulada ou autoinfligida. ¶
Se reconstruirmos nosso poder e nossa influência morais perdidos por meio de medidas como estas, que demonstrarão nosso amor pela humanidade, nossa justiça, nossa equidade, nossa determinação de realizar obras de retidão à medida que Deus no-las for dando a conhecer, estaremos então em posição de, no momento oportuno e promissor, oferecer mediação entre os dois beligerantes, e, trazendo nosso poder e influência morais à ação, teremos uma boa chance de pôr fim à matança criminosa de nossos semelhantes e de dar origem a uma paz que perdure, por ser justa e equitativa para com todos os povos. Certamente isso é infinitamente mais honroso, terá em si infinitamente mais humanidade, estará infinitamente mais próximo do caminho do Mestre, do que enviar nossos jovens filhos além-mar para serem assassinados. ¶
A América, a grande neutra, tornar-se-á assim a Pacificadora do mundo, o que é seu destino manifesto, se ela viver a lei da paz. Crendo, como cremos, que a América é Sião, veremos então o início do cumprimento da profecia do antigo Isaías, "porque de Sião sairá a lei", uma lei de justiça, misericórdia e retidão, adotada pelas nações por sua própria livre vontade. ¶
Pragas Que Seguem a Guerra
Mais um pensamento, e terminarei. Lembrando que, ao longo de toda a história, doenças terríveis seguiram a devastação da guerra, quando os povos ficam exauridos e mal nutridos, lembrando o que ocorreu ao fim da Guerra Mundial com a gripe, a razão nos diz que, se esta guerra se arrastar por anos, devemos estar preparados para uma visitação de pragas que quase certamente cobrarão um tributo humano maior do que a própria guerra. Essas pragas atingirão não só os exércitos, mas também o povo em casa. Chegarão à América. Quanto a ciência pode fazer, ainda temos que aprender. Ela lidou tardiamente, e mal, com a gripe. Temos apenas um meio seguro de proteção contra tais pragas — uma vida vivida de acordo com as revelações do Senhor. A alimentação cuidadosa, a temperança, a castidade, o não uso de coisas proibidas, a sobriedade, a laboriosidade, o repouso e o sono adequados, o não se expor, e, em geral, o viver corretamente em todas as coisas, dão-nos o direito de pedir ao Senhor que o anjo destruidor passe por nós sem nos tocar. Aquele que enfraquece seu corpo e sua resistência à doença por meio de uma vida desregrada e ímpia dificilmente pode esperar escapar da aflição e do sofrimento. Pode ser que venhamos a ver um tempo, se esta guerra se arrastar pelos anos, em que "se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos eleitos serão abreviados aqueles dias." (Mateus 24:22.) ¶
Que Deus abençoe e preserve esta nação, estabelecida de acordo com seu plano e sua vontade; que ele nos livre dos horrores e das devastações da guerra. Que ele nos ajude a todos a viver de tal modo que possamos, com a consciência tranquila, sempre buscar suas bênçãos, é o que peço, em nome do Salvador. Amém. ¶