A Missão Brasileira
Rulon S. Howells
Eu tive muito menos medo nas selvas do Brasil do que sinto nesta ocasião. Estou, de fato, humilde diante de uma assembleia tão imponente. ¶
Este ano marca o centenário da obra missionária da Igreja no exterior. Tenho a satisfação de apresentar o relatório de uma das mais recentes, ou talvez a última, missões estrangeiras abertas pela Igreja — a Missão Brasileira, na América do Sul. Em 1930, por meio dos esforços de alguns missionários enviados de Buenos Aires, na Argentina, alguns conversos foram batizados e um ramo foi estabelecido em uma pequena cidade no sul do Brasil. Em 1935, há apenas quatro anos, fomos chamados para abrir a Missão Brasileira. Desde então, com a esplêndida cooperação de vossos filhos missionários, e o grande espírito condutor do Senhor que esteve conosco nessa obra, oito ramos naquele grande país já fazem parte de nossa Igreja. ¶
Uma vez que este é o primeiro relatório desta nova missão, talvez vos interesse saber que nosso trabalho, até muito recentemente, tem sido realizado somente entre os colonos europeus que vêm se estabelecendo no Brasil ao longo dos últimos cem anos, mais particularmente entre o povo alemão. Temos muitos membros fervorosos e bons amigos entre essas pessoas. ¶
A nossa tem sido uma obra pioneira, e em muitas das vilas e cidades aonde os missionários foram, o nome "Santo dos Últimos Dias" ou "mórmon" jamais havia sido ouvido antes. Não demorou muito para que o adversário se pusesse a par e começasse a divulgar as costumeiras falsidades. ¶
Em uma cidade, três de nossos missionários foram atacados por uma multidão e expulsos, mas felizmente não sofreram ferimentos pessoais. Pouco tempo depois, os missionários retornaram a essa mesma cidade e conseguiram estabelecer uma das melhores Primárias que temos na missão. Na última conferência a que assisti lá, o salão onde realizamos nossas reuniões não comportava toda a gente. Havia naquela cidade pessoas à espera da verdade, e, com a ajuda do Senhor, o poder de Satanás foi contido. Desde então, várias pessoas já foram batizadas ali, naquela mesma vila, e a obra segue avante. ¶
Enquanto nosso trabalho era realizado entre esse povo de língua alemã, conseguimos que o Livro de Mórmon fosse traduzido para a língua portuguesa, a língua comum do grande país do Brasil, e agora muitos missionários estão empenhados em proclamar o Evangelho restaurado nesse idioma, e a obra prosseguirá ainda mais rapidamente. ¶
Por meio da tradução do Livro de Mórmon para a língua portuguesa, abriu-se o caminho para quase quarenta milhões de pessoas de língua portuguesa que poderão ouvir o Evangelho em sua língua materna pela primeira vez. Por meio da obra de proclamar o Evangelho restaurado em língua portuguesa no Brasil, novas evidências da autenticidade do Livro de Mórmon estão surgindo. ¶
Muito recentemente, na região superior da Bacia Amazônica, foram encontrados hieróglifos que se assemelham a alguma forma de gravuras egípcias em rolos. Os brasileiros estão intrigados. Não conseguem encontrar nenhuma relação egípcia com a história do Brasil. O desenvolvimento desse assunto será interessante para nós, como povo, tenho certeza. ¶
O Brasil e os brasileiros são, e sempre foram, amistosos para com os Estados Unidos, e encontramos, em geral, muito pouca dificuldade em pregar o Evangelho naquele grande país. Estamos muito distantes da sede aqui em Salt Lake City, e gostaria de expressar gratidão e apreço pela esplêndida cooperação e apoio recebidos da Primeira Presidência e das Autoridades Gerais. Temos sentido suas orações e sua fé de apoio. ¶
Esta é uma maravilhosa organização e sistema que temos aqui nesta grande Igreja. Sem o espírito do Senhor e os sacrifícios de pessoas humildes, muito pouco se pode realizar. Vós, pais e parentes que sustentais missionários, estais, de fato, demonstrando vosso amor pelo Evangelho e por vossos semelhantes, ao permitir que esses jovens homens e mulheres sejam mensageiros de luz para um mundo cansado e fatigado. ¶
Em uma das grandes cidades do Brasil, recentemente, um homem muito bem preparado e instruído me perguntou por que não concentrávamos e enviávamos missionários aos chamados países e nações pagãos, como fazem a maioria das outras igrejas. Eu lhe disse que talvez o Senhor estivesse, de modo geral, mais insatisfeito com aqueles que professam segui-lo e que trazem o seu nome do que com aqueles que não professam sê-lo. Ele disse: "Concordo, e que o vosso povo tenha êxito em um empreendimento tão grandioso." ¶
Tive o privilégio de viajar pela distante Índia há alguns anos, andando com um nativo, um chamado pagão ou não cristão. Fiz um comentário sobre o grande número de automóveis americanos usados ali pelos nativos. Ele respondeu, de modo bastante filosófico: "Se a religião americana, ou as religiões americanas, funcionassem tão bem quanto os automóveis americanos, nós, não cristãos, as aceitaríamos como aceitamos os automóveis." ¶
Meu testemunho tem sido fortalecido ao testemunhar como o Evangelho de Jesus Cristo realmente funciona para a salvação da alma na vida diária dos Santos dos Últimos Dias, de modo mais universal do que qualquer outra forma, credo ou símbolo que se encontre na terra hoje. Sinto que há um grande futuro para o Evangelho no Brasil e na América do Sul, e que há muitas almas à espera da verdade. ¶
Dou-vos meu testemunho da divindade desta obra e peço as bênçãos do Senhor sobre nós, para que assim vivamos, a fim de sermos um exemplo de luz e paz para o mundo. Assim o faço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶