A Necessidade que o Mundo Tem dos Ensinamentos do Salvador
David O. McKay
A Necessidade que o Mundo Tem dos Ensinamentos do Salvador
"Buscais Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui: eis aqui o lugar onde o puseram." (Marcos 16:6.) ¶
Assim escreveu Marcos a respeito do maior acontecimento na história da humanidade. Em todo o mundo cristão, hoje, celebra-se a ressurreição de Jesus Cristo. Talvez nunca antes tenha havido ocasião ou necessidade maior para que o mundo considere e aplique os ensinamentos do Senhor e Mestre, Jesus Cristo. ¶
Declarações feitas recentemente por um ou dois governantes de nações indicam a inquietação, as convulsões políticas, a tendência ao barbarismo, em que "a força faz o direito." Estas coisas estão em direta oposição à vida e aos ensinamentos daquele cuja ressurreição do túmulo se celebra hoje. ¶
Um homem disse recentemente: "Precisamos nos armar. O lema é este: mais canhões, mais navios, mais aviões, custe o que custar, com quaisquer meios, mesmo que isso signifique varrer tudo o que se chama vida civil." ¶
"Quando alguém é forte, é querido por seus amigos, e temido por seus inimigos. Desde os tempos pré-históricos, o brado tem descido pela onda dos séculos e pela sucessão das gerações: 'Ai dos fracos'." ¶
Há apenas vinte e cinco anos, essa doutrina insana custou a vida de nove milhões de homens. Comentando aquele holocausto, um escritor recente diz: "Por que, em nome da razão e da doce misericórdia, veio a acontecer aquele iníquo tumulto?" E então ele responde: "A pergunta não é nova, e, no entanto, atingiu-me com uma força implacável e renovada, e pela minha mente passou, num relance, a interminável explicação avançada pela engenhosidade humana, a conversa sobre a crise econômica, sobre a prosperidade e a depressão, sobre o desemprego e o mais; sobre a ascensão e a queda das nações; a necessidade de colônias; a sobrevivência dos mais aptos; todo o repertório de truques. Como pareciam fátuos, como pareciam fúteis! Pois estava claro, agudamente claro. Havia apenas uma razão, uma explicação básica: O HOMEM SE ESQUECEU DE DEUS! Milhões de pessoas hoje vivas estavam cegas e surdas, verdadeiramente mortas para o conhecimento de seu Criador. Para incontáveis almas humanas, aquele nome não passava de um mito. Para outras, uma tradição herdada a que se devia prestar homenagem de lábios. Para outras, um caminho conveniente. Para outras, uma hipocrisia serena." ¶
E assim eu digo hoje que a linha está nitidamente traçada entre os ensinamentos de Cristo de amar o Senhor teu Deus de todo o teu vigor, entendimento e força, e a teu próximo como a ti mesmo, e as proclamações e práticas dos autocratas, que, com radical desrespeito pelos homens e pelos ideais humanos de justiça, liberdade, igualdade e fraternidade, "relegam ao limbo das velhas superstições Deus, a alma e a lei moral." ¶
Para todos os que aceitam Cristo como o Senhor Ressurreto, não pode haver dúvida quanto ao erro da doutrina de que "a força faz o direito," de que todos os fracos devem ceder aos fortes, ou de que qualquer homem que possua poder político ou financeiro tem o direito de usar seres humanos como meras coisas ou bens móveis, a serem dispostos como qualquer outra propriedade. ¶
Os Apóstolos de Cristo, Testemunhas da Ressurreição ¶
Perguntemo-nos, então, e perguntemo-nos com sinceridade: é fato que o Jesus crucificado apareceu, depois de sua morte, como um ser ressuscitado? Aceitem isto como um fato real, e terão ao menos evidência presumível da veracidade de seus ensinamentos a respeito da sacralidade do indivíduo como filho de Deus. ¶
Que a ressurreição literal do túmulo foi uma realidade para os discípulos, que conheceram Cristo intimamente, é uma certeza. Em suas mentes não havia absolutamente nenhuma dúvida. Eles foram testemunhas do fato. Sabiam-no porque seus olhos viram, seus ouvidos ouviram, suas mãos sentiram a presença corpórea do Redentor ressuscitado. Sobre o valor e o significado de tal proximidade e intimidade, escreve Beverly Nichols, autor de "The Fool Hath Said" [O Louco Disse]: ¶
Os autores das epístolas estavam, historicamente, ao alcance da voz de Cristo; de qualquer forma, quando suas ideias, que depois transmitiram ao papel, se formaram, os ventos mal haviam tido tempo de apagar a marca sagrada de seus passos nas areias sobre as quais ele caminhara. A chuva mal havia tido tempo de lavar, com suas lágrimas insensíveis, o sangue da madeira apodrecida da cruz abandonada. ¶
E, no entanto, esses homens sabiam — não posso continuar usando a palavra 'acreditavam', que é vaga e sem cor demais — que Deus havia descido à terra na forma de certo homem, que esse homem havia sofrido uma morte obscena e grotesca, e que o modo grotesco de sua morte havia redimido a humanidade do pecado. Sabiam, além disso, que ele havia ressuscitado dentre os mortos ao terceiro dia e ascendido aos céus. ¶
A proximidade com o acontecimento confere valor acrescido à evidência dada pelos apóstolos. Um valor mais profundo de seu testemunho está no fato de que, com a morte de Jesus, os Apóstolos ficaram tomados de desânimo e tristeza. Por dois anos e meio, haviam sido sustentados e inspirados pela presença de Cristo. Mas agora ele havia partido. Ficaram sozinhos, e pareciam confusos e desamparados. Somente João permaneceu junto à cruz. Não é com timidez, nem com sentimentos de dúvida, tristeza e desânimo, que um mundo cético é levado a crer. Mentes tão vacilantes e desesperadas quanto as que os Apóstolos possuíam no dia da crucificação jamais poderiam ter movido pessoas a aceitar uma crença impopular, e a morrer como mártires pela causa. ¶
"O que foi que mudou repentinamente esses discípulos em pregadores confiantes, destemidos e heroicos do Evangelho de Jesus Cristo? Foi a revelação de que Cristo havia ressuscitado do túmulo. Suas promessas haviam sido cumpridas, sua missão messiânica realizada." ¶
A esse respeito, Spurgeon diz: "Sobre o testemunho dessas testemunhas imparciais, sem expectativa prévia e incrédulas, a fé na ressurreição tem seu fundamento inexpugnável." ¶
Exorto a juventude da Igreja, particularmente os estudantes, a considerar cuidadosamente o testemunho dessas testemunhas oculares, cuja honestidade não é posta em dúvida nem mesmo pela crítica cética. ¶
O Testemunho de Marcos ¶
O primeiro deles a registrar seu testemunho é aquele de quem citei no texto — Marcos — que, sem dúvida, esteve na presença do Salvador quando Marcos era um rapaz na adolescência. Não temos evidência de que Marcos tenha se filiado à Igreja enquanto o Salvador estava na terra. Sem dúvida, o Salvador esteve na casa de Marcos. Marcos foi provavelmente o jovem que correu para o jardim do Getsêmani e avisou Jesus de que os soldados estavam chegando. De qualquer forma, temos justificativa para presumir que ele conhecia o Mestre. ¶
Marcos ele mesmo não relata nenhuma aparição do Senhor ressuscitado; mas testifica que o anjo no sepulcro anunciou a ressurreição, e prometeu que o Senhor encontraria seus discípulos. De Marcos ouvimos a gloriosa proclamação do primeiro sepulcro vazio em todo o mundo. Pela primeira vez na história do homem, as palavras "Aqui jaz" foram substituídas pela mensagem divina "Ele ressuscitou." Ninguém pode duvidar de que Marcos não estivesse convencido em sua alma da realidade do sepulcro vazio. Para ele, a ressurreição não era questionável — era real; e a aparição de seu Senhor e Mestre entre os homens era um fato estabelecido em sua mente além de qualquer sombra de dúvida. À proclamação dessa verdade ele dedicou sua vida, e, se a tradição merece confiança, selou seu testemunho com seu sangue. ¶
Outro que registra o testemunho de testemunhas oculares foi Lucas, um gentio, ou, como alguns pensam, um prosélito de Antioquia, na Síria, onde exercia a profissão de médico. (Col. 4:14.) Até mesmo alguns de seus mais severos críticos modernos o colocaram na primeira categoria dos historiadores, e seu contato pessoal com os primeiros apóstolos confere a suas declarações um valor inestimável. ¶
O que ele escreveu foi resultado de investigação e pesquisa pessoais, e foi extraído de todas as fontes disponíveis. Em particular, entrevistou e registrou as declarações daqueles "que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da Palavra." Ele afirma que "traçou com exatidão tudo desde o início," a fim de "escrevê-lo por ordem." Isso significa que Lucas obteve o testemunho dessas "testemunhas oculares" diretamente delas mesmas, e não de narrativas anteriores. ¶
Segundo todo testemunho fidedigno, temos o Evangelho de Lucas tal como saiu de suas mãos. No capítulo 24, Lucas testifica da mensagem divina: ¶
Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. ¶
Com igual segurança quanto à sua exatidão, podemos aceitar suas declarações e testemunho a respeito do testemunho de Pedro, de Paulo e de outros apóstolos sobre a ressurreição. "Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles pelo espaço de quarenta dias, e falando do que diz respeito ao reino de Deus." Quem pode duvidar da absoluta confiança de Lucas na realidade da ressurreição? ¶
É verdade que nem Marcos nem Lucas testificam ter visto pessoalmente o Senhor ressuscitado, e por isso alguns argumentam que seus testemunhos registrados não podem ser tomados como evidência de primeira mão. O fato de não testificarem assim, e, ainda assim, estarem convencidos de que outros o viram, mostra quão incontestável era a evidência entre os apóstolos e os demais discípulos de que a ressurreição era uma realidade. ¶
O Testemunho de Paulo ¶
Felizmente, porém, há um documento que dá o testemunho pessoal de uma testemunha ocular de uma aparição de Jesus após sua morte e sepultamento. Esse testemunho pessoal também corrobora o testemunho não apenas dos dois homens que citei, mas também de outros. Refiro-me a Saulo, um judeu de Tarso, educado aos pés de Gamaliel, um fariseu rigoroso, e, antes de sua conversão, um amargo perseguidor de todos os que criam que Jesus de Nazaré havia ressuscitado dentre os mortos. ¶
E agora, no mais antigo documento autêntico existente que relata ou testifica da ressurreição de Cristo, encontramos Paulo dizendo isto aos coríntios: ¶
Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras; e que foi visto por Cefas, e depois, pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago; depois, por todos os apóstolos. E por último de todos, foi visto também por mim, como por um abortivo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. ¶
Além dos antigos apóstolos, temos o testemunho do Profeta Joseph Smith, que dá, numa descrição inequívoca, o seguinte comovente testemunho a respeito de sua primeira visão: ¶
Havia uma luz, e naquela luz vi dois personagens de pé, acima de mim, no ar. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: "Este é meu Filho amado; ouve-o." ¶
Mais tarde, como citou o Presidente Grant em seu discurso de abertura desta Conferência, o Profeta dá evidência adicional, como segue: ¶
E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive! ¶
Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai — ¶
Que ele veio ao mundo, sim, Jesus, para ser crucificado pelo mundo e para tomar sobre si os pecados do mundo e para santificar o mundo e purificá-lo de toda iniquidade; * * * para que, por intermédio dele, fossem salvos todos os que o Pai havia posto em seu poder e feito por meio dele. ¶
A Crença dos Santos dos Últimos Dias
Assim, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias se posiciona com Pedro, com Paulo e com Tiago, e com todos os outros apóstolos, ao aceitar a ressurreição não apenas como sendo literalmente verdadeira, mas como a consumação da missão divina de Cristo na terra. Outros grandes líderes religiosos entre as nações do mundo, desde o início da história, têm ensinado virtude e temperança, autodomínio e serviço, obediência à retidão e ao dever; alguns ensinaram a crença num governante supremo e numa vida futura, mas somente Cristo rompeu o selo do túmulo e revelou a morte como a porta para a imortalidade e a vida eterna. ¶
Se Cristo viveu depois da morte, também os homens viverão, cada um ocupando o lugar no mundo vindouro para o qual está mais bem preparado. Como o amor é tão eterno quanto a vida, a mensagem da ressurreição é a mais reconfortante, a mais gloriosa jamais dada ao homem; pois, quando a morte nos tira um ente querido, podemos olhar com segurança para o túmulo aberto e dizer: "Ele não está aqui," e "Ele ressuscitará novamente." ¶
A ressurreição e a primavera estão felizmente associadas, não porque haja algo na natureza exatamente análogo à ressurreição, mas porque há tanto que sugere um pensamento de DESPERTAR. Como a quietude da morte, o velho Inverno manteve toda a vida vegetal em seu punho, mas, à medida que a Primavera se aproxima, o poder terno e vivificante do calor e da luz o obriga a afrouxar o punho, e o que parecia ter estado morto surge em novidade de vida, renovado, revigorado, fortalecido depois de um sono tranquilo. ¶
Assim é com o homem. Ao que chamamos morte, Jesus se referia como sono. "Lázaro dorme," disse ele a seus discípulos. "A menina não está morta, mas dorme," foram suas palavras de conforto aos pais enlutados e pesarosos de uma menininha. De fato, para o Salvador do mundo, não existe tal coisa como a morte — apenas vida — vida eterna. Verdadeiramente podia dizer: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá." ¶
Com esta segurança, a obediência à lei eterna deveria ser uma alegria, não um fardo, pois a vida é alegria, a vida é amor. É a desobediência que traz a morte. A obediência a Cristo e às suas leis traz a vida. Que cada Páscoa que se renova ressalte esta verdade, e encha nossas almas com a segurança divina de que Cristo verdadeiramente ressuscitou, e por meio dele a imortalidade do homem está assegurada, e que logo amanheça sobre o mundo o dia em que as manifestações da força bruta e os falsos ideais de que a força faz o direito sejam substituídos pelo espírito caridoso e amante da paz do Senhor Ressuscitado! Oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶