Belief in God the Basis of Religion
Albert E. Bowen
Quero falar-vos hoje sobre um tema muito antigo. Trata-se de que há, inerentes à religião, princípios mediante cuja adoção geral os homens poderiam viver juntos no mundo em paz e ordem. ¶
A Crença em Deus, a Base da Religião
Entre eles, devo dar o primeiro lugar à crença num poder superior, pois essa é a base sobre a qual repousa toda religião. Ao menos, isso é verdade quanto à nossa própria religião. ¶
A primeira afirmação em nossa declaração de princípios é: "Cremos em Deus, o Pai Eterno." Essa crença é a raiz da qual brotam e da qual tiram seu sustento todos os nossos demais princípios. É o elemento vivificador de nossa religião. Nela encontram sanção todos os preceitos da Igreja, que dão ao homem a certeza de um alto destino e ajudam a firmar seus passos vacilantes ao longo da atribulada jornada da vida. ¶
Dela toda a fé cristã deve tirar seu sustento, pois ela está no cerne de tudo o que Jesus ensinou. Em palavras claras, ele declarou que viera do Pai e que voltaria ao Pai; que o único propósito de sua vinda era fazer a vontade do Pai. Foi àqueles que creem no Pai que o enviou que ele prometeu a vida eterna. Seus discípulos foram incumbidos de batizar os que cressem em nome do Pai, cuja vontade ele declarou ser que não perdesse nada de tudo o que lhe fora dado, mas que tudo fosse ressuscitado no último dia. Disse que viera em nome do Pai, e porque disse aos governantes que era o Filho de Deus, procuraram tirar-lhe a vida. Ele ¶
pretendia fazer somente aquilo que vira seu Pai fazer. Nos empreendimentos supremos de sua vida, buscou no Pai a fonte do poder, e quando alcançou êxito, "levantou os olhos e disse: Pai, agradeço-te que me ouviste." Ensinou especificamente aos homens que orassem ao Pai, e as últimas palavras que saíram de seus lábios ao expirar na cruz foram: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito." Não pode haver dúvida de que ele fez da realidade e da autoridade diretiva de Deus, o Pai, o tema central de seu ensino. Para os cristãos, que pretendem ser discípulos de Cristo, não há como escapar; devem crer em Deus, que é o Pai Eterno, pois negá-lo é rejeitar o próprio Jesus a quem professam seguir. ¶
Outro Princípio Básico
Chegamos, então, ao nosso segundo princípio básico, a saber, a crença em Jesus como o Filho de Deus, que decorre necessariamente da crença em seus ensinamentos acerca do Pai. Há, é certo, muitos que reconhecem grande valor em seus ensinamentos morais, cuja aceitação como ideais de conduta, dizem eles, os constitui crentes nele e seguidores dele, e portanto cristãos, sem contudo aceitarem suas reivindicações de messianidade ou lhe atribuírem os atributos da divindade. Presumo que a maioria desses também excluiria os ensinamentos dele acerca de Deus de seu sistema de fé. Para eles, a vida e os ensinamentos de Jesus exemplificam as qualidades mais nobres e os ideais mais elevados de conduta já descobertos pelo homem. Estes não desejam abandonar, mas preservar como oferecendo os guias mais seguros para o tipo de conduta individual e coletiva de que depende o bem-estar futuro da raça humana. ¶
Os seres civilizados, por exemplo, não desejam renunciar ao conceito distintamente cristão da fraternidade do homem, pois sabem que no desenvolvimento e na expansão desse ideal está a esperança da humanidade por um mundo ordenado. Mas isso, por sua vez, envolve novamente uma dificuldade, pois a fraternidade do homem implica a paternidade de Deus. Assim, essa mesma doutrina que, por consenso universal, tem em si o poder de salvar nossa sociedade humana, deriva de seus ensinamentos acerca de Deus como o Pai Eterno. ¶
Depois disso, o grande tema de sua mensagem aos homens é a imortalidade e a vinda do Reino de Deus, que são os próximos princípios básicos a que me refiro. Todo o restante consiste em expor o corpo de princípios pela adoção dos quais o homem pode preparar-se para viver eternamente naquele Reino. O registro diz que ele "percorreu toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles e pregando o evangelho do Reino * * *." E quando o quiseram deter em Cafarnaum, ele lhes lembrou que "devia pregar o Reino de Deus também a outras cidades." Encarregou seus discípulos "e os enviou a pregar o Reino de Deus," do qual declarou que "não haverá fim." ¶
Despojai suas palavras de todas as afirmações e pressupostos acerca do Pai e de sua própria condição de Filho, e acerca da imortalidade e do Reino de Deus, e tereis privado essas palavras de sua força vivificadora; perdem de imediato a maior parte de sua influência sobre a vida dos homens. Torna-se evidente que não é fácil negar Deus e, ao mesmo tempo, apegar-se a Jesus para qualquer propósito, pois é a majestade da autoridade divina de que ele os investiu que confere a seus ensinamentos morais seu singular poder. Não há outra explicação para ele tão boa quanto a que ele próprio dá de si mesmo. ¶
O teste atual da validade de qualquer alegação é: "isso funciona?" Isso não é senão o equivalente moderno do teste a que Jesus submeteu seu ensino. "Se alguém," disse ele, "quiser fazer a sua vontade, conhecerá a respeito da doutrina, se é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." ¶
Há muita evidência testemunhal de que o ensino resiste a esse teste. ¶
Os ensinamentos de Cristo, uma força estabilizadora ¶
Cito esses grandes princípios fundamentais da fé religiosa entre as forças que poderiam trazer ordem e tranquilidade à vida coletiva da humanidade, porque são as maiores forças estabilizadoras conhecidas pela experiência humana. E a estabilidade, a firmeza perdurável, a certeza de que o alicerce sempre estará ali, são indispensáveis à existência ordenada da família humana em suas múltiplas relações. ¶
Da crença do homem em Deus, em sua própria vida imortal e no Reino de Deus, veio sua maior esperança. Dela brotaram suas mais altas aspirações. Acima de tudo, ela o tem sustentado em sua luta, muitas vezes desanimadora, para dar à retidão a supremacia sobre o mal no mundo. Seu declínio generalizado sempre foi o precursor da decadência espiritual e da degeneração moral — os arautos certos do desastre nacional. A aceitação, por outro lado, dos ensinamentos de Jesus acerca da divindade, de sua condição de Filho de Deus e de sua fraternidade com o homem, confere à vida humana seu maior valor, reveste o homem de sua mais alta dignidade e lhe proporciona seu mais poderoso estímulo para uma vida nobre. ¶
Jesus como Mestre
Foi em torno dessas crenças, como estrutura, que Jesus teceu todo o tecido de seus ensinamentos morais. Ele os revelou em forma de lições, aqui um pouco e ali um pouco, à medida que se faziam necessários durante os anos de seu ministério entre os homens. São regras de conduta. Ele as chamou de mandamentos e disse que vinham de Deus. ¶
Embora tratasse de um mundo espiritual invisível, onde disse estar o seu reino, seus ensinamentos são para os homens neste mundo. Segundo eles, a vida aqui não é, nem pode ser, separada por nenhum abismo largo ou profundo da vida eterna, pois a vida do indivíduo é apenas uma vida — uma unidade — na qual a mortalidade e a imortalidade são apenas etapas num curso contínuo de progresso. As experiências, os domínios alcançados, as realizações, a maneira de lidar com os fatos difíceis da existência encontrados no caminho, acompanham a vida de etapa em etapa, formam o que ela é, dão-lhe sua qualidade e seu tom, determinam em cada etapa o grau de sua perfeição e sua capacidade de entrar, por fim, na vida do Reino. ¶
Um Guia para a Vida
Certas coisas o homem tem de fazer. Não se dá muita ênfase ao conhecimento, mas muita ao entendimento e aos hábitos de virtude e ao cultivo de uma boa vontade fraternal para com toda a humanidade. Ensina-se-lhe que, à medida que, em seu trato com o próximo, estende bondade, mostra misericórdia, observa a justiça, pratica a abnegação, refreia a ambição, nega a cobiça, dispensa amor, bane o ódio, presta socorro, vive humildemente, reverencia o que é certo e respeita a santidade dos seres humanos, ele está contribuindo para o estabelecimento da paz, da boa ordem e da felicidade no mundo, e está cultivando em si mesmo aquelas qualidades de virtude que o elevarão em direção ao nível de seu alto destino. ¶
Essas concepções têm tremendo poder de estabilizar uma vida por elas guiada. Estão também entre os princípios da religião a que me referi como estabelecendo as condições de vida cuja adoção traria ordem ao caos que agora ameaça engolfar as nações. Arrisco a afirmação de que a harmonia entre os homens não virá, senão à medida e no grau em que eles, individual e coletivamente, exemplifiquem esses princípios em sua vida. ¶
As qualidades mencionadas, observe-se, não são físicas no sentido de admitirem captura e dissecação. Não podem ser isoladas, olhadas, pesadas ou medidas. São, porém, não menos realidades por isso, tão reais quanto os objetos mais sólidos do mundo físico. Sua existência pode ser discernida com igual segurança. Resplandecem nos atos daqueles que as possuem. Elas e outras a elas afins são emanações do espírito e são as forças mais poderosas do universo. ¶
A Regeneração Espiritual Virá Pela Fé
Isso a humanidade começa a perceber. Agora, como nunca antes em nosso tempo, ouve-se o chamado à regeneração espiritual. A própria existência de nossas instituições mais estimadas depende disso. Na falta dela, o mundo corre o risco de perder os ganhos de séculos de dolorosa luta ascendente para fora da névoa e de afundar novamente na noite escura da barbárie. O chamado é pelos princípios da religião enunciados por Jesus como meio de trazer de volta a sanidade a um mundo enlouquecido. Nenhum homem pensante pode ficar surdo ao clamor de desespero que se ouve na terra. Permiti-me citar-vos uma, entre muitas ilustrações disponíveis. ¶
No Dia do Armistício do ano passado, um grupo entre os mais eminentes estadistas da Inglaterra dirigiu ao povo do reino uma mensagem em que, entre outras coisas, diziam: ¶
O rearmamento moral deve ser o alicerce da vida nacional, assim como o deve ser de qualquer acordo mundial. O milagre do espírito vivo de Deus pode quebrar o poder do orgulho e do egoísmo; da luxúria, do medo e do ódio, pois o poder espiritual é a maior força do mundo. ¶
Há hoje, entre todos os povos, recursos ocultos de coração, mente e espírito, à espera de serem chamados pela obediência comum ao plano supremo. Somente no cumprimento desse plano supremo podem ser assegurados os verdadeiros interesses de todas as classes, raças e estados. ¶
Ao longo de sua longa história, este país nunca deixou, e não deixa agora, de enfrentar as crises recorrentes com a coragem que cada uma exigiu, mas uma crise espiritual permanece e reclama ação. A nação e o império devem manter-se ou cair segundo nossa resposta a esse chamado. A escolha é entre o rearmamento moral ou a decadência nacional. Essa escolha decidirá se a nossa há de, por fim, seguir o caminho dos outros reinos mortos, ou se nossa comunidade, guiada por Deus, poderá tornar-se líder do mundo rumo à sanidade e à paz. ¶
O Triunfo do Bem
Por mais nublados que estejam os céus, não sou dos que se desesperam, pois creio no triunfo do bem. Em sua consumação, papel de destaque deve caber à Igreja, uma de cujas funções primordiais é transmutar as verdades religiosas em práticas vivas. O ensino dessas verdades e os hábitos de prática tornam-se, então, o mais alto e solene dever de cada pessoa na Igreja e, acima de tudo, de todos aqueles a quem chegou a responsabilidade da liderança, em qualquer capacidade que seja, pois nisso reside não apenas a esperança da eternidade, mas a esperança do mundo por estabilidade e segurança, aqui e agora. ¶
Este pronunciamento vem de homens de alta inteligência, vasto saber, profunda penetração e madura experiência nos assuntos dos homens e das nações. Eles leram a lição da história e sabem que o declínio das grandes nações geralmente se seguiu, e foi primordialmente devido, à desintegração moral. ¶
Assim como Abraham Lincoln, em Gettysburg, conclamou seus concidadãos a resolver que esta nação, sob Deus, tivesse um novo nascimento de liberdade, também estes porta-vozes do Império Britânico lançaram um clarim chamado à regeneração espiritual e moral como o único meio pelo qual, sob Deus, ele pode ser salvo do limbo dos reinos mortos. Esse chamado não é apenas para a Grã-Bretanha, mas para todas as nações e todos os povos que amam a justiça e desejam vê-la entronizada. ¶