Pulpit

Laços de Amizade no Sacerdócio

Stephen L Richards

Conferência Geral de Outubro de 1938·Church of the Air·1938-10-09

Desejo falar em favor da solidariedade na Igreja. Com isso quero dizer, simplesmente, — permanecer unidos, — todos nos esforçando para promover a causa comum. Mal preciso apontar os resultados da unidade. São muitos e são evidentes. Mencionarei apenas dois. O primeiro é a felicidade individual e coletiva.

Laços de Amizade no Sacerdócio

A convivência dentro da Igreja é de tal natureza que promove a amizade pura. Depois dos laços familiares, os laços do Santo Sacerdócio, que, por revelação, se diz serem "mais fortes que os laços da morte," e os demais companheirismos que desfrutamos na Igreja, unem as almas de homens e mulheres mais perfeitamente do que qualquer outro relacionamento. Já conheci um homem que atravessou o continente para renovar a amizade com um companheiro de missão com quem passara apenas alguns meses a serviço do Mestre. Visto que todo serviço na Igreja é cooperativo, precisamos ser afáveis uns com os outros para desfrutá-lo. Um homem não é feliz nem eficaz na causa se não é um com os seus companheiros. O Salvador disse: "Se não sois um, não sois meus."

É Necessário um Propósito Comum

Outro resultado da unidade é a eficiência na realização. A discórdia e a dissensão são chaves de boca lançadas na maquinaria. A concórdia é o óleo que suaviza o funcionamento da fábrica e aumenta imensamente a produção. Um estudo cuidadoso da história da Igreja revelará o fato de que, embora ela tenha sofrido tremendamente com a perseguição e a opressão vindas de fora, grande parte de todas as suas dificuldades é atribuível a dissidentes e traidores dentro de suas próprias fileiras. A expulsão dos Santos, particularmente de Nauvoo, a revogação da Carta de Nauvoo e até mesmo o próprio martírio podem, em grande parte, ser atribuídos à deslealdade e à traição. Talvez os inimigos mais poderosos da obra de Deus tenham sempre estado, aparentemente ao menos, dentro dela. A unidade interna é indispensável ao sucesso.

Hoje em dia, não costumamos procurar inimigos e traidores dentro do acampamento. E, se procurássemos, tenho certeza de que não os encontraríamos como em tempos passados. Não há atos evidentes de traição, pelo que todos devemos ser gratos. Mas podemos estar seguros de que não há outras coisas, talvez de menor gravidade, que militam contra a unidade e o propósito comum do nosso povo? É a respeito dessas coisas que desejo falar. Sem dúvida não conseguirei enumerá-las todas, mas mencionarei algumas que me ocorreram.

Interpretações Particulares da Doutrina São Prejudiciais

Primeiro. Aponto uma tendência crescente à interpretação particular das escrituras e da doutrina, e isso não considero particularmente grave no sentido de deturpar as doutrinas gerais da Igreja. É quanto à condição do indivíduo que me sinto preocupado. Por exemplo, ouço pessoas, jovens e idosas, argumentarem que a Palavra de Sabedoria não proíbe o chá e o café, certas drogas comumente vendidas e a cerveja moderna, alegando que esses itens não são especificamente prescritos na Seção 89 de Doutrina e Convênios. Encontro também pessoas, às vezes oficiais da Igreja, tentando justificar uma interpretação particular da lei do Dízimo, particularmente no que diz respeito à dedução de dívidas, despesas de subsistência, perdas em especulações e outros itens dos salários e da renda pessoal antes de calcular o dízimo. Tenho certeza de que há centenas tentando convencer-se de que ir ao cinema, jogar beisebol e golfe e participar de outras diversões comercializadas não são infrações à lei de Deus que ordena que guardemos o Sábado santo. Há pessoas na Igreja, longe demais em número, que divergem do Presidente da Igreja e de seus associados, as Autoridades Gerais, na interpretação de nossas ordenanças e cerimônias do Templo e de algumas de suas exigências. Isso é o que chamo de interpretações particulares das doutrinas da Igreja, em contraste com as interpretações já há muito estabelecidas desses assuntos pelas Autoridades Gerais. Talvez eu devesse rotular essas divergências como tentativas de justificar fraquezas individuais, mas não desejo ser severo ou desconsiderado com ninguém que sinceramente se convenceu de que a sua própria interpretação está correta.

A Presidência, Intérprete das Leis de Deus

Ora, quem tem o direito de interpretar a doutrina da Igreja, admitindo que alguns pontos são suscetíveis de diferentes interpretações? Tenho certeza de que, após uma reflexão séria, não há uma real diferença de opinião sobre esta questão entre os membros. Está tão bem estabelecido, pelas revelações que recebemos e pela prática da Igreja, que o Presidente e seus Conselheiros estão investidos dessa autoridade, que não creio que nenhum membro venha a contestá-lo seriamente. Na linguagem da revelação, eles, a Presidência, são constituídos "um quórum [...] para receber os oráculos para toda a igreja." Eles são a suprema corte, aqui na terra, na interpretação da lei de Deus.

No exercício de suas funções e poderes delegados, eles são regidos por uma constituição, parte da qual é escrita e parte da qual não é. A parte escrita consiste na escritura autenticada, antiga e moderna, e nas declarações registradas de nossos profetas dos últimos dias. A parte não escrita é o espírito de revelação e a inspiração divina que são inerentes ao seu chamado.

Ao formular suas interpretações e decisões, eles sempre se aconselham com o Conselho dos Doze Apóstolos, que, por revelação, são designados para auxiliá-los e atuar com eles no governo da Igreja. Quando, portanto, um julgamento é alcançado e proclamado por esses oficiais, ele se torna obrigatório para todos os membros da Igreja, não obstante quaisquer opiniões individuais em contrário. O Reino de Deus é um reino de lei e ordem. Ele é o Legislador e o Juiz Supremo, mas delegou autoridade e conferiu as chaves do Reino a estes homens que escolheu. Eles agem em seu nome e, graças ao Senhor, nós os aceitamos. É a única coisa segura a fazer.

Há alguns, talvez, que sintam que é subversivo à liberdade individual de pensamento e expressão ser regido pelas interpretações de nossos líderes. Desejo assegurar-lhes que qualquer sensação de constrangimento desaparecerá assim que eles apreenderem o gênio e o verdadeiro espírito desta obra. A nossa unanimidade de pensamento e ação não surge, como alguns supõem, de coação ou compulsão de qualquer forma. O nosso acordo vem do consenso universal com princípios retos e da resposta comum à operação do Espírito de nosso Pai. Não é movida por nenhum temor, exceto um. E esse é o temor de ofender a Deus, o Autor de nossa obra.

A Crítica Impensada É Improveitosa

Ora, o segundo fator contribuinte que eu gostaria de mencionar, que milita contra a unidade na Igreja, é a propensão dos homens a criticar e condenar. Não estou aqui hoje para argumentar que tudo é perfeito. Não conheço nada na Igreja que seja perfeito, exceto apenas o plano em si, que é dado por Deus. As coisas que os homens fazem nunca serão perfeitas até que eles próprios alcancem a perfeição de Cristo, o Perfeito. Suponho que nenhum de nós tem consciência de suas próprias imperfeições, ao menos não em toda a sua extensão. É provavelmente salutar sermos informados delas de vez em quando. Podemos nos corrigir se formos informados. Mas nunca senti que muito bem tenha vindo de contar aos outros as minhas fraquezas.

O Presidente Grant é um dos homens mais democráticos que já chegaram à Presidência. Alguns de nós sentimos que o seu gabinete é aberto demais, e que ele permite imposições demais sobre o seu tempo e a sua paciência para o bem de sua saúde. Creio que não há homem ou mulher na Igreja, ou mesmo fora dela, de quem ele não receberia cortesmente uma crítica construtiva ou uma sugestão útil.

Com tal disposição, que coisa covarde e mesquinha é da parte de membros da Igreja tentarem criticá-lo pelas costas, e assim minar a sua influência e reputação. Felizmente, são poucos os que são tão mesquinhos. Creio, porém, que há muitos que são impensados, que falam levianamente, descuidadamente e com desrespeito sobre líderes, princípios e aspectos sagrados desta Igreja. Considero uma vergonha zombar de coisas sagradas, e às vezes isso é tão blasfemo quanto tomar o nome de Deus em vão. Repreendo aqueles que assim fazem e os convido a parar e pensar. Se apenas pensarem, creio que perceberão o dano incalculável que causam, a fé que destroem e a infelicidade que trazem.

Não posso passar deste ponto sem suplicar a alguns de meus irmãos que parem de praguejar. Nenhum homem pode amar a Deus e amaldiçoá-lo, assim como não pode amar a sua esposa e amaldiçoá-la. Pensem novamente, por favor. Pensem na total futilidade desse hábito vulgar. Pensem no seu efeito sobre a juventude. Os homens ensinam a profanidade aos meninos. Isso não é congênito à raça humana. É da natureza do homem amar a Deus, e não amaldiçoá-lo.

Essa propensão à crítica e ao julgamento descuidado devo levar um passo além de suas principais vítimas — as autoridades e oficiais da Igreja — até as relações entre as próprias pessoas. Alguém já disse que a suprema caridade do mundo consiste na simples obediência ao mandamento divino: "Não julgueis." É certo que grande parte da infelicidade do mundo resulta de julgamentos indelicados. Muitos travesseiros estão molhados com os soluços daqueles que são suas vítimas. Não podemos ler os corações dos homens. Podemos não conhecer as suas boas intenções. Frequentemente os julgamos apenas por suas falhas, e somos suficientemente indelicados para difundir o nosso julgamento em forma de rumores e fofocas, causando assim um dano irreparável. Todo homem que é homem preza o seu bom nome, pois, como disse o imortal Shakespeare: "Quem me rouba a bolsa, rouba trapo; era minha, é dele; mas quem me tira o bom nome subtrai-me aquilo que a ele não enriquece, e a mim me deixa realmente pobre."

Que Deus conceda que nós, discípulos do Mestre que nos ordenou perdoar a todos os homens e amar até mesmo os nossos inimigos, estejamos livres de acrescentar aos fardos e à infelicidade de nossos irmãos e irmãs por meio de julgamentos indelicados.

A Frequência às Reuniões Traz Unidade

Desejo agora mencionar o terceiro e último fator em meu breve resumo das causas que contribuem para a desunião dentro da Igreja. É a indiferença e a fraca frequência às reuniões regularmente estabelecidas, providenciadas para o povo. A minha observação me ensinou, e creio que todos concordarão, que nenhuma pessoa pode frequentar regularmente as reuniões da Igreja e conviver com os seus irmãos e irmãs sem captar o espírito da obra e desenvolver dentro de si um calor de afeto e um fervor de devoção que tenderá a torná-la uma só com os seus companheiros. A reunião sacramental, que foi dada pelo Senhor por revelação, foi concebida especificamente para promover a unidade. Somos até mesmo advertidos a não participar do sacramento se abrigarmos sentimentos de rancor em nossos corações para com outros.

Verdadeira Fraternidade nos Quóruns

As reuniões de quórum também têm, a esse respeito, um propósito vital a preservar. Um quórum é três coisas: primeiro, uma classe; segundo, uma fraternidade; e terceiro, uma unidade de serviço. Dentro dele, os homens do Sacerdócio aprendem os princípios do Evangelho, estabelecem uma verdadeira fraternidade e levam adiante a obra de Cristo. É uma associação dada por Deus, da qual derivam mais vantagens duradouras do que de qualquer outra organização fraternal em nossa sociedade. O seu propósito principal é encorajar e proteger o indivíduo. Ninguém pode me dizer que os homens podem se ausentar de suas reuniões de quórum sem perder algo vital para o seu próprio bem-estar, e também para o da Igreja.

Temo que tenhamos alguns homens que receberam o Santo Sacerdócio e que se sentem grandes demais e importantes demais para se associar com os seus irmãos no quórum. Lamento por eles. Estão cometendo um grande erro. Pois são eles, principalmente, que estão retardando o progresso da obra de Deus. Estou certo de que tenho razão ao dizer que, se todos os homens do Sacerdócio fossem leais aos seus quóruns, a obra da Igreja seria acelerada além de tudo o que já conhecemos.

Em nosso conceito do Reino de Deus, cada indivíduo compartilha da responsabilidade. Não temos sacerdotes distintos do laicato. Somos todos sacerdotes no reino, isto é, nós, os homens, e as mulheres, também, são sacerdotisas nele. Todo membro ou ajuda, ou atrapalha. Não há meio-termo.

Assim, apresento estes itens que mencionei — interpretações particulares e, muitas vezes, deturpadas de nossa doutrina, críticas mal ponderadas e a não frequência às reuniões e deveres — como estando entre os principais fatores que contribuem para a desunião dentro da Igreja. Ao fazê-lo, espero não ter causado ofensa. O meu único propósito tem sido ajudar a corrigir condições que militam contra o nosso sucesso.

A Unidade Traz o Sucesso

E que sucesso poderíamos ter com completa unidade e harmonia na Igreja! Quão eficazmente poderíamos demonstrar a eficácia do cristianismo aplicado se todo o nosso povo permanecesse unido, como um só homem, atrás de nossos líderes! Quando consideramos as coisas que poderíamos realizar, as impressões que poderíamos causar, que pena parece que o nosso progresso seja detido por aqueles de nossa própria filiação que não são um conosco em propósito e ação.

Sei que, para muitos, parece uma coisa muito insignificante fumar cigarros, tomar uma bebida, jogar um pouco, praguejar moderadamente e transformar o domingo em dia de folga. Não considero da minha alçada, nem é meu desejo, condenar ao purgatório aqueles que são culpados de tais infrações aos nossos padrões, mas apelo a eles com todo o fervor de minha alma para que abandonem essas práticas discordantes e se alinhem à grande procissão de sua Igreja. É uma coisa tão pequena suportar uma leve privação de um desejo ou apetite pessoal, em comparação com o sucesso e o triunfo de uma causa poderosa que logo envolveria toda a terra, se todos fôssemos fiéis a ela.

Assim, com bondade, suplico solidariedade, união e amor na Igreja de Cristo. Deus é misericordioso. Todos nós temos necessidade de arrependimento. Ninguém se desviou tão longe a ponto de não poder voltar. É um homem forte aquele que reconhece os seus erros. Precisamos da ajuda uns dos outros, e precisamos da ajuda de Deus. Com unidade e a sua ajuda, podemos abençoar este mundo conturbado como nunca antes foi abençoado. Que ele nos conceda este elevado privilégio, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoStephen L Richards, “Laços de Amizade no Sacerdócio”, Conferência Geral de Outubro de 1938, Church of the Air (1938-10-09). Pulpit Vault, 1938-10-stephen-l-richards-friendly-ties-in-priesthood. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).