Por Seus Frutos os Conhecereis
Joseph F. Merrill
Irmãos e irmãs: como todos vocês sabem, esta é uma posição extremamente importante de ocupar neste momento. Nenhum de nós vem aqui sem pensar cuidadosamente sobre o que talvez tenhamos de dizer, o que gostaríamos de dizer ou o que deveríamos dizer, e isso nos causa bastante apreensão. ¶
Vocês, irmãos e irmãs, que estão aqui, e os muitos outros que estão ouvindo, vêm porque desejam consolo, desejam encorajamento, desejam força, desejam instrução relativa aos seus deveres tal como se apresentam no momento presente, e aqueles de nós que ocupam esta posição têm grande responsabilidade nesse sentido. ¶
Coloquei por escrito algumas coisas que me ocorreram que eu poderia dizer. Espero que quaisquer palavras que eu venha a dizer não causem ofensa, pois a minha intenção é apenas dizer coisas que sejam úteis, sem queixas e sem críticas. ¶
Por Seus Frutos os Conhecereis
Nos primórdios desta dispensação, falando por revelação ao Profeta Joseph Smith, o Senhor disse: "Escutai e ouvi, ó habitantes da Terra. Escutai juntos, vós, élderes da minha igreja, e ouvi a voz do Senhor; porque ele clama a todos os homens e ordena que todos os homens, em todas as partes, se arrependam." D. e C. 133:16. ¶
Em dias passados, quando o Mestre vivia na terra, entre outras coisas, em seu grande Sermão do Monte, ele disse: "E assim, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." Mateus 7:20, 21. ¶
Como ilustração do sentido destas palavras de Jesus, o Apóstolo Tiago escreveu: "Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? [...] Porém dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. [...] Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?" Tiago 2:14, 18, 20. ¶
E não poderíamos, então, pensar no evangelho, o evangelho que os élderes da Igreja são chamados a pregar, como sendo um evangelho de fé, arrependimento e obras? É certo que as obras — uma aplicação, em nossa vida diária, dos princípios que ensinamos — são essenciais à nossa religião. ¶
Os Santos dos Últimos Dias Devem Viver de Acordo com o Que Professam
A décima terceira regra de fé proclama que "cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens [...]." Portanto, um Santo dos Últimos Dias fiel e digno deve ser caracterizado pelas virtudes mencionadas nesta regra de nossa fé. A nossa doutrina das obras como essenciais à salvação torna isso imperativo. ¶
Ora, crer, professar uma fé, pode ser fácil; fazer é sempre mais ou menos difícil, tão difícil às vezes que nenhum de nós é perfeito em todas as coisas. ¶
Satanás Procura Vencer os Santos
Nossa teologia nos deixa claro por que o homem mortal não consegue alcançar a perfeição. Satanás está aqui, e sempre mais ou menos perto de cada um de nós. Além disso, nenhum de nós conseguiu, como Jesus conseguiu, deixar Satanás inteiramente para trás. Na Idade Média, quando a cavalaria estava em seu apogeu, os guerreiros se revestiam de armaduras metálicas. Em combate, procuravam atingir os adversários nos pontos mais fracos de sua armadura. Satanás procura fazer o mesmo ao tentar nos vencer: ele nos tenta em nossos pontos mais vulneráveis. Em outras palavras, ele nos tenta das formas que nos são mais difíceis de resistir. ¶
Satanás e as suas hostes foram expulsos do céu após a grande rebelião e desceram à terra, onde têm vivido desde então. Em consequência, o mal está no mundo. Os demônios estão aqui para trazer dor e tristeza, angústia e sofrimento, miséria e morte à família humana. Estão aqui empenhados em frustrar e vencer a obra do Senhor. Isso poderia ser mais facilmente alcançado destruindo os Santos de Deus. Por isso, onde quer que estejam os Santos, é provável que Satanás não esteja muito longe. ¶
Manter estes pensamentos em mente pode ser útil. A situação é tal que cada um de nós deve estar sempre em guarda, pronto para repelir os ataques dos anjos das trevas. ¶
E agora outro ponto: nossa teologia nos ensina que todos nós já vivemos em um mundo espiritual pré-mortal. Somos filhos espirituais de Deus, nosso Pai Celestial. Uma lei da criação no reino da vida é que o semelhante gera o semelhante. Visto que a inteligência é a glória de nosso Pai, nós, seus filhos, possuímos, pelo menos em embrião, uma centelha desse glorioso atributo. Fomos favorecidos com o elevado privilégio de vir à terra como um passo necessário no longo caminho do progresso eterno. Mas o ritmo desse progresso depende de nós. Não há, da parte do céu, compulsão alguma nesta questão, pois o princípio do livre-arbítrio, dado pelo Pai a todos os seus filhos, opera nessas circunstâncias. Mas, para agradar a Deus, devemos procurar desenvolver o nosso intelecto e crescer em conhecimento e entendimento, sabedoria e poder, e cultivar a nossa vontade resistindo ao mal e fazendo o bem. ¶
A Regra de Ouro Não Está em Vigor nas Lutas do Mundo
O que quero dizer com a expressão "fazer o bem"? O Mestre deixou claro o significado quando nos deu a Regra de Ouro, a regra que aplica e torna visível em nossa vida a observância dos dois grandes mandamentos, cuja guarda ornamenta qualquer vida humana e a torna santa. ¶
Mas o caos existente no mundo hoje é prova abundante de que a Regra de Ouro desempenha pouco ou nenhum papel nos assuntos dos homens ou das nações. ¶
Olhando para o mundo, o que vemos? Luta, luta e ainda mais luta — homens em toda parte lutando por posição, por domínio, por poder, por governo — para chegar a uma posição em que possam ditar aos seus opositores os termos do acordo. As lutas se tornaram tão ferozes e generalizadas que condições caóticas prevalecem em toda parte — tanto dentro quanto fora do país. ¶
No exterior, são as lutas entre as nações que prendem a nossa atenção. Em nossa própria bela terra, somos perturbados por inúmeras greves e lockouts, disputas industriais, lutas de classe contra classe, grupos contra grupos, partidos contra partidos, etc., em grande número. Em todos esses casos, a propaganda astuciosa, acompanhada por algum tipo de força, são as armas das lutas. ¶
Ver todas essas coisas nos faz temer e tremer pelo amanhã, pois é evidente que uma poderosa revolução está em curso, cujo resultado será uma América profundamente diferente daquele país histórico que recebemos dos fundadores da República. Naqueles dias, os patriotas lutaram contra a tributação sem representação, sendo essa luta a centelha que acendeu a revolução. Hoje lutamos por representação sem tributação. Lutamos por todas as vantagens de um governo benevolente, estabelecido por nós mesmos, enriquecido pelo braço forte da lei, apoderando-se do que puder daquele que tem. ¶
Lutamos contra sermos tributados, mas exigimos cada vez mais os benefícios que os impostos proporcionam. Não é isto uma luta para obter algo sem nada em troca, ou pelo menos para obter cada vez mais por cada vez menos? ¶
Ouvimos demagogos de língua macia, aceitamos como verdade os seus devaneios extravagantes e seguimos com entusiasmo a sua liderança astuciosa e egoísta. Por quê? Não é na esperança de conseguir para nós mesmos cada vez mais por cada vez menos? Tornamo-nos aderentes de vários grupos, pagamos taxas de associação, às vezes participamos de distúrbios e nos envolvemos em vários outros tipos de atividades. Por quê? Não é na esperança de conseguir cada vez mais por cada vez menos? ¶
Em todas essas coisas, paramos para nos perguntar se a nossa conduta está de acordo com a décima terceira regra de nossa fé? Professamos odiar o comunismo e o fascismo e negamos veementemente que daríamos o menor apoio a qualquer um desses ismos. Alguma vez paramos para pensar que, em muitos aspectos, esses ismos têm muito em comum, e que muitas das coisas que fazemos são apoiadas de bom grado por comunistas, que veem nelas uma aplicação dos princípios comunistas? Estamos dispostos a derrubar alguns de nossos métodos e instituições estabelecidos, aparentemente sem perceber que, ao fazê-lo, damos passo após passo que nos aproxima cada vez mais dos objetivos comunistas. ¶
Os nossos padrões morais também parecem estar mudando, tornando-se, em muitos aspectos, mais fracos e mais baixos. Isso talvez seja mais evidente em nossa conduta coletiva e nacional do que em nossas ações individuais. De que grupo ou nação ainda se pode dizer que a sua palavra vale tanto quanto um contrato? Nos últimos anos, temos visto nações descumprirem os seus compromissos, faltarem com as suas promessas e ignorarem inteiramente os seus solenes compromissos. A situação chegou a tal ponto que, hoje, as nações confiam pouco ou nada nos compromissos umas das outras. Os Estados Unidos, a China, a Abissínia, a Tchecoslováquia, muitos investidores particulares, e outros, aprenderam isso à sua própria custa. ¶
Há dois anos, um grande distúrbio industrial na Costa do Pacífico começou por esta época do ano. Durou 98 dias e custou, segundo se disse, cerca de setecentos milhões de dólares. O que resultou disso? Má vontade, miséria e ódio. Qual foi a arma usada na luta? A força. E a força é, e sempre foi, a arma de Satanás e de seus auxiliares. Foi a arma que ele propôs, no grande conselho no céu, que usaria para salvar todos os filhos do Pai. É a arma ainda usada por todos os filhos do Pai que se permitem ser influenciados por esse astucioso inimigo de toda retidão. ¶
Ora, irmãos e irmãs, refiro-me a essas coisas porque penso que a nossa atenção deveria ser chamada para elas. Para mim, as perspectivas são tudo, menos agradáveis. Se enxergo corretamente, estamos caminhando rumo a condições cada vez mais caóticas. O egoísmo, no indivíduo e em suas relações de grupo, parece estar se tornando cada vez mais pronunciado. E onde o egoísmo é forte, o amor é fraco. Essas duas qualidades não podem ser companheiras íntimas, nem habitar juntas em harmonia. ¶
É quase desnecessário dizer isto aos Santos dos Últimos Dias. Reconhecemos prontamente que é verdade. Mas será que professamos o amor e praticamos o egoísmo? Poucos entre nós hoje simpatizam com o comunismo, um ismo do egoísmo. Mas será que isso não torna a situação ainda mais perigosa, quando aquilo que fazemos estabelece princípios comunistas? ¶
Eu disse que o egoísmo — essa qualidade de caráter que exige cada vez mais por cada vez menos — e o amor não podem habitar juntos em harmonia. Refiro-me, é claro, ao tipo de amor que encontra aplicação na Regra de Ouro. Tampouco o amor e a injustiça podem andar de mãos dadas. O grande Programa de Bem-Estar da Igreja procura exaltar o amor e subjugar o egoísmo. Quem dera este plano piedoso estivesse mais amplamente em prática! ¶
A força, como instrumento nas relações humanas, é absolutamente proibida pelos ensinamentos do Mestre. A proposta de Satanás de usá-la para trazer de volta ao céu todos os filhos terrenos do Pai foi rejeitada, e a doutrina do livre-arbítrio foi proclamada. Na Igreja de Cristo, a compulsão da vontade humana é desconhecida. ¶
O Dever dos Santos dos Últimos Dias
Ora, meus irmãos e minhas irmãs, tenho usado a palavra egoísmo em seu sentido mais geral, não como aplicável a vocês, excelentes homens e mulheres que aqui estão, a nata da Igreja, os oficiais da Igreja, os líderes em todos os departamentos da Igreja. Em suas vidas, vocês são como uma luz posta sobre um monte, mas estou falando de condições em geral, e o que eu gostaria que fizéssemos, membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias? Eu gostaria que fizéssemos o que penso que devemos fazer. ¶
Uso agora essa palavra "pensar." O Senhor nos deu inteligência; como seus filhos espirituais, a possuímos com um propósito, e penso que ele no-la deu para ser usada. Penso, irmãos e irmãs, que, neste mundo caótico em que vivemos, cabe a cada um de nós usar toda a inteligência que Deus nos deu; estudar todas as propostas que nos chegam; estudar todo apelo que é feito; estudar tudo o que é proposto e, com a ajuda de Deus, de joelhos, buscando a sua orientação e a inspiração de seu Espírito, procurar descobrir o que ele gostaria que fizéssemos, e, quando pudermos determinar isso conscienciosamente, agir de acordo, com o melhor de nossa capacidade. Mas em nossas ações podemos, se assim o desejarmos, obter alguma orientação se olharmos para o cabeça da Igreja. Levantamos as mãos aqui, outro dia de manhã, para sustentar o Presidente Grant como profeta, vidente e revelador. Estamos dispostos a segui-lo, a seguir os seus conselhos e a acatar as suas sugestões, ou deixaremos que entrem por um ouvido e saiam pelo outro? Não vocês, irmãos e irmãs, que aqui estão, mas alguns membros da Igreja que não estão aqui, alguns que talvez estejam ouvindo neste exato momento o que aqui se diz. ¶
Penso, meus irmãos e minhas irmãs, que devemos ser coerentes. Penso que o Senhor espera que sejamos coerentes. Devemos ser sinceros nas profissões de nossa fé e fazer com que a nossa conduta esteja de acordo com o que professamos. Se fizermos isso, irmãos e irmãs, o povo desta Igreja se erguerá e seremos uma luz para todo o mundo. Haverá, no que nos diz respeito, paz e segurança, haverá amor entre nós, não haverá distinção de classes, todos seremos irmãos e irmãs, todos seremos dedicados aos interesses uns dos outros, e seremos leais e fiéis à liderança desta Igreja. ¶
Que Deus nos ajude a ser assim, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶