Um Livro Notável
Rudger Clawson
Ao ouvir a transmissão nesta manhã, e ao contemplar esta grande congregação de pessoas, quase fui varrido de meus pés; creio que teria sido, se estivesse de pé. Foi uma reunião maravilhosa. ¶
Esta é também uma grande assembleia de Santos dos Últimos Dias, enchendo todo o Tabernáculo, uma congregação ávida pela palavra do Senhor e que aqui está agora para esperar nele. ¶
UM LIVRO NOTÁVEL ¶
Tenho em minhas mãos um livro deveras notável. Não há nada exatamente igual a ele em todas as grandes bibliotecas do mundo. Este livro é distinto, é diferente de qualquer outro registro sob os céus. De fato, contém cento e trinta e cinco revelações dadas a Joseph Smith, o Profeta, para a instrução dos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, dadas pelo próprio Mestre. ¶
E, no entanto, em nossos dias, é declarado por cristãos em geral que a voz da revelação deixou de ser ouvida na terra. Este livro não deve ser manuseado com espírito de indiferença. Justifica a mais profunda consideração e estudo. Três, quatro ou cinco anos de intensa dedicação ao estudo deste livro, Doutrina e Convênios, equivaleriam a uma educação universitária nos níveis mais altos. ¶
Não podemos falar levianamente de um livro com instruções tão solenes e importantes como as que são dadas neste volume, que abrange todas as fases do Evangelho de Jesus Cristo. Numa questão tão extremamente importante, meus irmãos e irmãs, não estaríamos justificados em fazer uma pausa por alguns momentos para considerar e refletir sobre alguns destes grandes mandamentos do Senhor? ¶
REVELAÇÃO SOBRE AS TRÊS GLÓRIAS ¶
Refiro-me agora à Seção 76. Nesta seção, os reinos de glória do outro mundo são expostos com grande força e beleza. Gostaria de ler para vocês a introdução desta revelação em particular, dada pelo Senhor: ¶
Ouvi, ó céus, e dai ouvidos, ó Terra, e regozijai-vos, vós, seus habitantes, pois o Senhor é Deus e além dele não há Salvador algum. ¶
Grande é sua sabedoria, maravilhosos são seus caminhos e a extensão de suas obras ninguém pode descobrir. ¶
Seus propósitos não falham, nem há quem seja capaz de reter a sua mão. ¶
De eternidade em eternidade ele é o mesmo e seus anos nunca se acabam. ¶
Pois assim diz o Senhor: Eu, o Senhor, sou misericordioso e benigno para com aqueles que me temem e deleito-me em honrar aqueles que me servem em retidão e em verdade até o fim. ¶
Grande será sua recompensa e eterna sua glória. ¶
E a eles revelarei todos os mistérios, sim, todos os mistérios ocultos de meu reino desde a antiguidade; e por eras futuras, dar-lhes-ei a conhecer a boa disposição da minha vontade concernente a todas as coisas relativas ao meu reino. ¶
Sim, até as maravilhas da eternidade conhecerão e coisas futuras mostrar-lhes-ei, sim, coisas de muitas gerações. ¶
E sua sabedoria será grande e seu entendimento alcançará os céus; e diante deles a sabedoria dos sábios perecerá e o entendimento dos prudentes se desvanecerá. ¶
Porque pelo meu Espírito os iluminarei, e pelo meu poder dar-lhes-ei a conhecer os segredos da minha vontade — sim, até as coisas que o olho não viu, nem o ouvido ouviu, e ainda não entraram no coração do homem. ¶
Não são estas, sendo o prefácio de uma revelação, palavras grandiosas e poderosas? O Senhor descreve a si mesmo, e seu poder, sua grandeza e sua capacidade de abençoar e salvar, nestas poucas linhas introdutórias. ¶
Ora, esta revelação apresenta três grandes reinos de glória, e o povo da Igreja — sim, e também os do mundo em geral — pode escolher entre eles o seu destino para o porvir. E, caso alguém se apresentasse, a seguinte pergunta poderia coerentemente lhe ser feita: "A que destino você aspira?" A resposta poderia ser: "Bem, eu gostaria de uma glória Celestial, que, segundo entendo, é a mais alta e a melhor." O sol, a lua e as estrelas são apontados na revelação como típicos dos três reinos de glória, e, assim como o sol difere da lua em brilho, assim é o reino de glória Celestial; e, assim como a lua difere das estrelas em brilho, assim é a glória Terrestre, e, assim como as estrelas diferem umas das outras em brilho, assim é no reino de glória Telestial. Se você pode suportar a lei do reino Celestial, então poderá suportar a glória Celestial, e essa glória lhe será dada. Do contrário, deverá buscar algum outro reino de glória, como o Terrestre ou o Telestial, mas lembre-se de que, se sua dignidade lhe der direito somente a um reino Telestial, isso se deve ao fato de que você é capaz de suportar a lei do reino Telestial. ¶
Permitam-me ler algumas palavras desta seção para mostrar o que se exige daqueles que serão salvos no reino Celestial de Deus: ¶
E tornamos a testificar — pois vimos e ouvimos; e este é o testemunho do evangelho de Cristo concernente àqueles que irão ressurgir na ressurreição dos justos — ¶
Esses são os que receberam o testemunho de Jesus e creram em seu nome e foram batizados na semelhança de seu sepultamento, sendo sepultados na água em seu nome; e isto de acordo com o mandamento que ele deu — ¶
Para que, guardando os mandamentos, fossem lavados e purificados de todos os seus pecados e recebessem o Santo Espírito pela imposição das mãos daquele que é ordenado e selado para esse poder; ¶
E que vencem pela fé e são selados pelo Santo Espírito da promessa que o Pai derrama sobre todos os que são justos e fiéis. ¶
Estes são os que são a igreja do Primogênito. ¶
Estes são aqueles em cujas mãos o Pai colocou todas as coisas — ¶
Estes são os que são os sacerdotes e reis, que receberam de sua plenitude e de sua glória; ¶
E são sacerdotes do Altíssimo, segundo a ordem de Melquisedeque, que era segundo a ordem de Enoque, que era segundo a ordem do Filho Unigênito. ¶
Portanto, como está escrito, eles são deuses, sim, os filhos de Deus — ¶
Portanto, todas as coisas são suas, seja a vida ou a morte, as coisas ¶
presentes ou as coisas futuras, todas são deles e eles são de Cristo e Cristo é de Deus. ¶
Ora, irmãos e irmãs, vocês veem o que têm diante de si; veem o que se exigirá de sua parte para obter a glória Celestial. Se vocês não puderem viver à altura das exigências desta lei que governa no reino Celestial, ainda que tenham a condição de membros da Igreja, não poderão suportar aquela glória. Esse é o édito. O Senhor nos diz isso na Seção 88. ¶
A Seção 76 é uma grande revelação. Podemos sentar-nos a sós e determinar exatamente qual glória nos satisfará e como podemos obtê-la, e ficamos sem desculpa. Esta grande revelação aparece no livro, e é digna de estudo e profunda reflexão. Cada um deve determinar se sua vida se ajusta às condições; e esta é apenas uma das muitas grandes revelações contidas neste livro de Doutrina e Convênios. ¶
REVELAÇÃO SOBRE O SACERDÓCIO ¶
Na Seção 84, uma revelação sobre o Sacerdócio, encontramos os deveres que acompanham o Sacerdócio, os deveres da Presidência da Igreja, os deveres do Conselho dos Doze e do Primeiro Conselho dos Setenta, expostos com clareza. Ela define os deveres do Patriarca, do Sumo Sacerdote, do Setenta, do Élder, do Bispo, do Sacerdote, do Mestre e do Diácono. Todo o campo da posição oficial na Igreja está dentro do escopo desta importante seção. ¶
Tivemos um grande corpo do Sacerdócio aqui ontem à noite. Este edifício ficou lotado até sua máxima capacidade. Alguns ficaram de pé. É dever do Sacerdócio da Igreja estudar estas grandes revelações, particularmente a Seção 84. Vocês estão familiarizados com ela? Têm um exemplar de Doutrina e Convênios ao alcance? Não na estante da biblioteca, mas na mesa, onde possam pegá-lo com facilidade? Vocês deveriam dedicar tempo a esta questão e à importância do Sacerdócio, à necessidade de magnificá-lo, porque ele representa a autoridade divina, e, irmãos, não podemos brincar com a autoridade divina. Quando o Senhor fala, devemos prestar atenção, e, quando ele ordena, devemos obedecer, porque é o Senhor quem é o legislador, e aquele que se torna uma lei para si mesmo, se não se arrepender, está perdido. ¶
REVELAÇÃO SOBRE A ETERNIDADE DO CONVÊNIO DO CASAMENTO ¶
E depois há a Seção 132 — uma revelação sobre o casamento. Ela fala da eternidade do convênio do casamento. Pergunto-me se nossos jovens que estão pensando em se casar estão pensando nesse aspecto dele. Aqui está uma oportunidade para os jovens exercerem grande discernimento. O casamento deve ser abordado com espírito de oração. Devemos parar e considerar esta questão. Às vezes acontece de um casal passar pela porta do Templo e ir fazer um casamento civil, e já me perguntei, algumas vezes, se tal casal havia ponderado plenamente o assunto. ¶
Há tanta diferença entre um casamento no Templo e um casamento civil quanto entre o sol e a lua. Um casamento civil é um bom casamento, porque tem a autoridade do governo dos Estados Unidos por trás dele. A lei o protege, e não podemos condená-lo. Tudo o que podemos dizer sobre um casamento civil é que ele é bom até certo ponto, mas pode não ir muito longe. Esse é o problema. Pode durar um mês, pode durar seis meses, pode durar dez anos, ou vinte anos, ou trinta anos, ou quarenta, ou cinquenta anos, o que não é senão um momento no tempo. ¶
Ora, há o casamento no Templo, que abrange o tempo e toda a eternidade. Haverá bastante tristeza, bastante ansiedade na vida daqueles que aceitam o casamento inferior, porque haverá inevitavelmente uma separação entre entes queridos. Um casamento civil se aplica apenas a esta vida e vale até que a morte os separe. Se o marido morre, o vínculo se rompe. Se a esposa morre, o vínculo se rompe; e, se ambos morrem, o vínculo se rompe. Ele não se estende além desta vida. Essa é uma questão que deveria merecer nossa mais profunda consideração, porque, afinal, as recompensas que provêm do casamento são governadas por lei, como as outras coisas, e vivemos sob a operação da lei em todas as coisas. ¶
REVELAÇÃO SOBRE O DÍZIMO ¶
Há a lei das finanças, a lei divina das finanças dada à Igreja. Alguém poderia dizer: "Eu nunca vi essa lei, Irmão Clawson. Não li muito do livro de Convênios, mas nunca vi essa lei, nem nenhuma lei intitulada a lei das finanças." ¶
Bem, talvez não tenha esse título. No entanto, a revelação sobre o dízimo é a lei das finanças na Igreja de Cristo. É assim que o Senhor lida conosco em relação a certas questões financeiras. ¶
É maravilhosa, esta lei das finanças. Quando a Igreja estava em grande aflição, alguns anos atrás, à beira da falência, a lei das finanças foi posta em prática e enfatizada pelas Autoridades, e ela tirou a Igreja de suas dificuldades. É necessário que prestemos atenção a esta lei das finanças. E também há uma recompensa que a acompanha. ¶
A PALAVRA DE SABEDORIA ¶
Depois, há a grande lei da saúde. "Bem," alguém poderia dizer, "eu nunca vi uma revelação intitulada a grande lei da saúde, Irmão Clawson." ¶
"Não, é claro que não. Mas você já viu a revelação intitulada Palavra de Sabedoria, não é?" "Sim." ¶
"Bem, essa é a lei da saúde, dada pelo Senhor muitos anos atrás. É maravilhoso o que ela tem feito pelo povo, e é surpreendente que não tenha feito mais por ele, mas isso é culpa das pessoas que deixaram de obedecer a essa lei." ¶
A APARIÇÃO DO SALVADOR NO TEMPLO DE KIRTLAND ¶
E depois há um relato, na Seção 110, da grande visão que foi dada ao Profeta Joseph Smith e a Oliver Cowdery no Templo de Kirtland, por ocasião de sua dedicação, quando o Senhor Jesus Cristo apareceu, de pé sobre o parapeito do púlpito. Sua aparência foi gloriosa, mas suas palavras foram mais gloriosas ainda, e sua palavra particular naquela ocasião foi grandiosa e bela. Ele lhes disse: ¶
Eu sou o primeiro e o último; sou o que vive, sou o que foi morto; eu sou o vosso advogado junto ao Pai. Eis que perdoados vos são vossos pecados; estais limpos diante de mim; portanto, erguei a cabeça e regozijai-vos, etc. ¶
Maravilhosas foram estas divinas palavras de consolo e misericórdia dadas aos Santos de Deus pelo próprio Senhor. Foram plenamente recompensados pelos grandes sacrifícios que haviam feito ao construir o Templo de Kirtland. ¶
RECOMENDA-SE O ESTUDO DAS OBRAS-PADRÃO ¶
Não devo tomar mais do seu tempo. Irmãos e irmãs, permitam-me suplicar que dediquem mais atenção às obras-padrão da Igreja. Há tanta literatura que chega aos nossos lares que, tenho certeza, mal conseguimos alcançar as obras-padrão da Igreja, mas as obras-padrão deveriam vir em primeiro lugar, e as demais literaturas depois. ¶
É claro que devemos nos manter informados sobre os acontecimentos diários, as coisas que se passam no mundo, mas, quando se trata de ler livros de interesse e valor, demos preferência às obras da Igreja, porque são mais preciosas do que quaisquer outros livros no mundo. Se fossem completamente apagadas, e não restasse uma só obra-padrão da Igreja, seria uma calamidade, um grande infortúnio para a Igreja. ¶
Que Deus os abençoe, irmãos e irmãs, é minha oração em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶