Pulpit

Relatório da Viagem Europeia

Heber J. Grant

Conferência Geral de Outubro de 1937·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1937-10-01

É para mim uma fonte de grande satisfação ter a oportunidade de me reunir novamente com os Santos na Conferência Geral.

RELATÓRIO DA VIAGEM EUROPEIA

Como todos vocês sabem, desde nossa última Conferência coube-me a sorte de visitar quase todas as nossas missões na Europa. Tivemos um tempo muito agradável. Estatísticas nunca são interessantes, mas sinto que é apenas justo dar a vocês algumas informações a respeito de nossa viagem.

Partimos de Salt Lake City no domingo, 13 de junho de 1937, e zarpamos de Quebec no dia 16. Nosso grupo, composto por Hugh B. Brown, Joseph Anderson e eu mesmo, chegou a Cherbourg, França, em 23 de junho, onde fomos recebidos pelo Presidente Richard R. Lyman, da Missão Europeia, e pelo Presidente O. F. Ursenbach, da Missão Francesa. Fomos diretamente a Paris, onde proferi um discurso perante o American Club daquela cidade. Esse discurso foi muito bem recebido, e quase todo ele foi publicado na edição parisiense do New York Herald

Depois de nossa visita a Paris, fomos a Liège, na Bélgica, parte da Missão Francesa, onde visitamos três Escolas Dominicais, e também realizamos uma reunião em Herstal, perto de Liège, onde dediquei um novo edifício; e à noite realizamos uma reunião em Liège. O comparecimento a cada uma dessas reuniões foi, de fato, muito bom; na verdade, em quase todas as reuniões que realizamos o comparecimento excedeu o que esperávamos, e em mais de uma ocasião mais da metade das pessoas em nossa audiência eram não membros da Igreja.

REUNIÕES PROVEITOSAS NA SUÍÇA

Realizamos uma reunião em Genebra, na Suíça, em 30 de junho, e outra em 1º de julho em Neuchâtel, na Suíça. Os ramos em todos esses lugares,

isto é, em Liège, Genebra e Neuchâtel, fazem parte da Missão Francesa. De Neuchâtel, o Presidente Ursenbach retornou à sede em Liège, e o Presidente Philemon M. Kelly, da Missão Suíço-Alemã, encontrou nosso grupo em Neuchâtel e nos acompanhou por toda a Missão Suíço-Alemã.

Realizamos uma reunião em Berna, na qual houve grande comparecimento — se bem me lembro, mais de 400 pessoas. No dia seguinte, uma breve reunião foi realizada em Interlaken, pois estávamos passando por aquela cidade para fazer uma viagem na ferrovia de cremalheira para ver os maravilhosos Alpes. Nunca antes, em nenhuma outra ocasião, consegui ter uma vista tão magnífica dos Alpes como nesta. As nuvens se dissiparam pouco antes de chegarmos ao ponto mais alto da ferrovia, e pudemos ver cinco ou seis daquelas grandes montanhas imponentes, cobertas de neve. Quando fizemos a viagem de volta, as nuvens cobriam os cumes das montanhas, de modo que não pudemos vê-las. Ficamos muito gratos por aquela vista maravilhosa e magnífica, que só perde, é claro, para o Grand Canyon do Colorado.

No dia 4 de julho, foram realizadas reuniões pela manhã e pela tarde em Basileia. Trezentas a quatrocentas pessoas compareceram a cada uma dessas reuniões. Na terça-feira, 6 de julho, realizamos uma reunião em Zurique, na Suíça, e também havia, se bem me lembro, mais de 400 pessoas neste culto

RECEPÇÃO CORDIAL NA TCHECOSLOVÁQUIA

Cultos foram realizados em Frankfurt am Main, na Alemanha, e mais de 900 pessoas compareceram a essa reunião. Esta foi a última reunião que realizamos na Missão Suíço-Alemã. De Frankfurt fomos a Praga, na Tchecoslováquia, passando por Nuremberg, onde fomos recebidos pelo Presidente Wallace F. Toronto, e realizamos uma reunião com os Santos e amigos em Praga. O salão em que realizamos a reunião estava lotado, e muitas pessoas ficaram em pé durante toda a sessão. Enquanto estávamos em Praga, visitamos os edifícios que foram erguidos naquela cidade em benefício de crianças com deficiência mental, dos subnutridos e dos idosos, e foi a mais maravilhosa exposição de belos edifícios modernos e de trabalho eficiente na linha de cuidar dos desafortunados que já tive o privilégio de visitar. A senhora encarregada passou três ou quatro horas conosco visitando todos os lugares de interesse ali. Esses lares recebem o nome do primeiro presidente da República, o Sr. Masaryk. Fomos recebidos de maneira muito cordial pelos funcionários da República, e eles expressaram pesar por o Presidente da República estar ausente, e também porque o Presidente Masaryk, fundador da República ao final da grande Guerra Mundial, estava ausente.

LIBERDADE NA ALEMANHA

No dia seguinte, 10 de julho, em companhia do Presidente Toronto e de sua esposa, partimos para Dresden, na Alemanha, onde realizamos uma excelente reunião, com mais de 600 pessoas presentes. Ali encontramos o Élder Roy A. Welker, presidente da Missão Germano-Austríaca, que, aliás, tem

cumprido uma missão muito satisfatória, sucedendo a presidência muito bem-sucedida do Élder Oliver H. Budge, de Cache Valley.

Em 14 de julho realizamos uma reunião em Breslau, e de Breslau fomos a Berlim, cidade em que visitamos três Escolas Dominicais e, à noite, realizamos uma reunião num grande auditório, onde havia mais de 1.100 pessoas presentes, algumas das quais ficaram em pé durante toda a sessão. Foi-nos assegurado que mais de dois terços daquela audiência eram não membros da Igreja.

Uma coisa que nos foi muito agradável foi que tivemos plena liberdade na realização de nossas reuniões na Alemanha, apesar de mais de trinta denominações diferentes estarem proibidas de pregar ali.

Achei muito notável termos o privilégio de realizar reuniões com o povo da Alemanha.

Soube que, em certa ocasião, nossos élderes foram impedidos pelas autoridades de pregar numa reunião. As autoridades disseram: "Vocês não têm direito algum aqui, não podem pregar."

Os élderes disseram: "Não fomos proibidos de realizar reuniões e pregar."

As autoridades disseram: "Sabemos melhor do que isso. Vocês terão de parar, e vamos trazer-lhes a prova de que não têm permissão para pregar."

Elas voltaram e disseram: "Não conseguimos encontrar a palavra Mórmon nem o nome A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na lista de proibições."

De Berlim, nosso grupo foi para Londres. O Irmão Richard R. Lyman esteve conosco até chegarmos a Dresden, mas, como estava anunciado para proferir um discurso em Londres sobre a Paz Mundial, retornou a Londres e não esteve conosco nas reuniões realizadas em Dresden, Breslau e Berlim. Os diversos Presidentes de Missão estiveram conosco nas reuniões realizadas em suas respectivas missões, a saber: os Presidentes Kelly, Welker, Ursenbach e Toronto, todos os quais alcançaram excelentes resultados ao presidir as diversas missões no continente e fizeram amizade com muitos funcionários importantes em todos aqueles países, gozando de boa reputação junto a eles.

EDIFÍCIOS DEDICADOS NA GRÃ-BRETANHA

Em 20 de julho realizamos uma reunião em Liverpool, na Inglaterra, na qual dediquei um edifício que compramos ali, que será reformado e usado como capela.

Em 21 de julho realizamos uma reunião em Burnley e ali dediquei um edifício da Igreja.

Em 22 de julho realizamos uma reunião no Ramo Bradford, e dediquei a casa de reuniões. Nessa reunião havia entre 300 e 350 pessoas presentes. Eles têm um edifício da Igreja muito bonito, e bastante gente presente na reunião era de não membros da Igreja. Havia, contudo, uma porcentagem muito pequena de não membros, em comparação com outras reuniões que realizamos.

No domingo, 25 de julho, realizamos reuniões nos Ramos de Londres Sul e

Londres Norte, e um edifício da Igreja foi dedicado em cada um desses lugares. Temos uma residência muito bonita e cara no Ramo Sul, que foi reformada para atender ao nosso propósito como local de reunião. No Ramo Norte, temos uma nova capela que construímos, muito confortável e que atende muito bem às nossas necessidades.

No dia 26 de julho visitamos o País de Gales e realizamos uma reunião em Merthyr Tydfil, onde um pequeno edifício da Igreja foi dedicado. O comparecimento a essa reunião foi de aproximadamente 100 pessoas. Há muito poucos de nosso povo em Merthyr Tydfil, mas os que ali temos ficaram muito gratos por ter uma pequena casa de reuniões própria, em vez de alugar um salão.

CELEBRAÇÃO DO CENTENÁRIO EM PRESTON E ROCHDALE

Em 30 de julho, nosso grupo visitou a Capela Vauxhall, em Preston, onde o Élder Heber C. Kimball e seus companheiros proferiram os primeiros sermões pregados na Grã-Bretanha nesta dispensação. Foi naquela época que o evangelho foi introduzido na Grã-Bretanha.

Visitamos o lugar onde ficava o Cock Pit, embora ele tenha agora desaparecido e reste apenas um buraco no chão onde antes ficava o Cock Pit. Na mesma tarde, foram realizados cultos perto do rio Ribble, onde os primeiros conversos britânicos foram batizados. Sinceramente, sinto-me bastante parecido com aquela velhinha que frequentava as reuniões de jejum havia vinte ou trinta anos, mas nunca tinha tido coragem suficiente para prestar seu testemunho. Finalmente, um dia ela se levantou e prestou seu testemunho, e, quando chegou em casa, disse: "Tivemos hoje a melhor reunião de jejum que já frequentei." Perguntaram-lhe: "Quem falou?" Ela respondeu: "Eu."

Sinto-me um pouco assim também. E sei que o Irmão Clark e eu, e os outros oradores, gostamos muito de falar aos Santos ali reunidos. Tivemos, de fato, um verdadeiro banquete espiritual naquela ocasião, e ninguém cativou a audiência mais completamente do que a Irmã Fox, presidente das Associações de Melhoramento Mútuo das Moças de nossa Igreja.

Em 31 de julho assistimos a um jogo de beisebol entre a equipe de Rochdale, composta de missionários mórmons, e uma equipe de Liverpool. Cerca de 3.000 pessoas assistiram ao jogo. Os missionários tiveram bastante facilidade em vencer seus adversários. Realmente, foi uma grande emoção para mim assistir ao jogo. Isso me trouxe de volta aos dias de minha infância, quando eu jogava no time que venceu o campeonato do Território de Utah, e nunca mais joguei desde então. Decidi parar enquanto meu crédito ainda era bom. Foi emocionante ouvir aquela audiência aplaudindo e gritando: "Santos! Santos! Santos!"

Confesso que fiquei muito satisfeito. É bom ter um belo grupo de rapazes jogando bola e fazendo amizades. As pessoas presentes eram principalmente não membros da Igreja

Na noite de 31 de julho, foi apresentado um belíssimo espetáculo pelos missionários e Santos na Prefeitura de Rochdale. Mais de 800 pessoas estiveram presentes, e centenas foram impedidas de entrar. Asseguro-lhes que foi, de fato, um espetáculo muito digno de elogios, uma bela apresen-

tação. Fiquei espantado com a maneira esplêndida como o espetáculo foi apresentado, considerando que os que dele participaram não tiveram tempo para um ensaio.

Há cerca de 6.000 pessoas nas Ilhas Britânicas pertencentes à Igreja, e há muitas estacas — de fato, às vezes duas estacas vizinhas, aqui em casa, com mais de vinte mil pessoas — que não produzem espetáculos melhores do que aquele. Foi um grande mérito para aquele povo.

Houve tal apelo por parte daqueles que não conseguiram entrar no edifício para ver o espetáculo que ele foi repetido na noite de domingo, embora de forma um tanto abreviada.

As reuniões realizadas na Prefeitura de Rochdale no domingo foram, de fato, muito maravilhosas. O Senhor foi muito bondoso com todos os que falaram. Os oradores nessas reuniões, além de mim, foram o Presidente Clark, o Élder Richard R. Lyman, o Élder Joseph J. Cannon, o Élder Hugh B. Brown, os Élderes George D. Pyper e Arthur Winter, a Irmã Ruth May Fox e outros. Na mesma tarde dedicamos uma pequena capela em Rochdale.

No dia seguinte, 2 de agosto, algumas reuniões auxiliares foram

realizadas.

VISITA À HOLANDA

Em 7 de agosto visitamos o jamboree de escoteiros na Holanda. O grupo era composto por mim, minha filha, a Sra. Lucy G. Cannon, Joseph J. Cannon e sua esposa, o Élder Richard R. Lyman e Joseph Anderson. Deixamos Londres em 6 de agosto rumo à Holanda, e fomos recebidos em Roterdã pelo Irmão Franklin J. Murdock, que é o Presidente da Missão Holandesa. No jamboree de escoteiros, fomos recebidos muito cordialmente pelo Diretor-Chefe de Escoteiros James E. West. Desde que voltei para casa, recebi uma carta do Sr. West, expressando a profunda gratidão dele e de seus colegas por termos lhes emprestado, como eles disseram, parte do tempo do Irmão Oscar A. Kirkham, que fez um excelente trabalho e ocupou uma posição importante no jamboree.

No domingo, 8 de agosto, realizamos uma reunião em Amsterdã, e, na noite do mesmo dia, uma reunião em Utrecht. Em 11 de agosto realizamos uma reunião em Roterdã. Todas essas reuniões tiveram muito bom comparecimento, e entre os presentes havia muitos não membros da Igreja. Subsequentemente autorizamos, por telegramas assinados por mim e pelo Irmão Richard R. Lyman, a venda da sede de nossa missão em Roterdã por 14.000 florins, e a compra de um edifício em Haia por 12.000 florins. Nossas novas instalações ficam numa rua residencial muito boa, e a propriedade custou pouco mais de 40.000 florins. O edifício está em muito bom estado de conservação. Foi construído pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e é um local digno para a sede de nossa missão na Holanda, pelo qual somos muito gratos.

Nosso grupo foi de Roterdã, na Holanda, a Hamburgo, na Alemanha, onde fomos recebidos pelos Presidentes Philemon M. Kelly, Thomas E. McKay

e Alfred C. Rees. Uma reunião foi realizada em Hamburgo na noite de 13 de agosto, na qual havia mais de 600 pessoas presentes.

EXPERIÊNCIAS NA ESCANDINÁVIA

Realizamos reuniões em Esbjerg, na Dinamarca, no domingo, 13 de agosto, ocasião em que, à tarde, o novo edifício da Igreja do Ramo Esbjerg foi dedicado. Em todas as três reuniões realizadas em Esbjerg, o comparecimento foi grande, particularmente à noite. Enquanto estivemos na Dinamarca, o grupo foi acompanhado pelo Presidente Alma L. Petersen, da Missão Dinamarquesa. A Irmã Clarissa Beesley juntou-se a nós em Esbjerg e nos acompanhou em nossa excursão pelas Missões Escandinavas.

Realizamos uma reunião em Copenhague, onde havia quase 500 pessoas presentes. O Irmão Oscar A. Kirkham também esteve presente nessa reunião e em Estocolmo. Durante nossa excursão pela Missão Sueca, fomos acompanhados pelo Presidente Gustive O. Larson.

A primeira reunião foi realizada em Malmö em 19 de agosto, e havia entre duzentas e trezentas pessoas presentes. Reuniões foram realizadas em Estocolmo no domingo, 22 de agosto, com muito bom comparecimento, sendo quase todos os presentes de nosso próprio povo. Havia entre trezentas e quatrocentas pessoas presentes em cada uma dessas reuniões. Em seguida, realizamos uma reunião em Gotemburgo, na Suécia, onde nosso grupo foi recebido pelo Presidente A. Richard Petersen, da Missão Norueguesa, que nos acompanhou em nossa excursão pela Noruega. Na reunião realizada em Oslo, em 26 de agosto, havia quase 500 pessoas presentes.

Em Bergen, no domingo, 29 de agosto, realizamos duas reuniões, uma pela manhã e outra à noite, e, na reunião da noite, havia mais de 600 pessoas presentes — sendo pelo menos dois terços dos presentes não membros da Igreja.

Tenho certeza de que havia no edifício pelo menos 100 pessoas que não conseguiram lugar sentado e permaneceram em pé, e, pelo que pude perceber, nenhuma delas saiu durante toda a reunião. Depois do encerramento da reunião, o coro cantou três seleções muito belas. Uma delas era particularmente bonita; não consigo me lembrar do nome, mas todos concordamos que o modo como foi cantada naquela ocasião foi melhor e mais doce do que jamais a havíamos ouvido cantar antes.

Tenho grande satisfação em dizer a vocês que os hinos corais de Evan Stephens foram cantados em quase todos os lugares que visitamos. Eles foram traduzidos para os diversos idiomas, e de fato os apreciamos muitíssimo. Numa conferência, três dos hinos corais do Irmão Stephens foram cantados. Sinto que devemos uma grande dívida de gratidão a homens como Evan Stephens, George Careless, Ebenezer Beesley, Joseph J. Daynes e outros que nos forneceram a música de nossos belos hinos. Regozijo-me ao ouvir essas seleções musicais.

O Irmão Joseph J. Cannon, que acabara de ser desobrigado da presidência da Missão Britânica, depois de cumprir uma missão muito boa e ter sido sucedido pelo Irmão Hugh B. Brown na época em que partimos nesta viagem para visitar a Holanda e os países escandinavos — para nosso espanto, foi capaz de falar o idioma sueco ao povo, e

asseguraram-nos que ele falava bem o sueco. Achamos isso muito notável, visto que já se haviam passado cerca de 35 ou 38 anos desde que ele foi para lá pela primeira vez e cumpriu uma missão de quase três anos.

Realizamos diversas reuniões da A.M.M. além das reuniões regulares, e reuni-me com os missionários muitas vezes nas diferentes missões, onde estavam presentes somente os missionários e os presidentes de missão.

O grupo retornou de navio a vapor de Bergen, na Noruega, a Londres, passando por Newcastle, partindo de Bergen em 30 de agosto. O tempo estava bom, mas o navio balançou um pouco, e gostei de ficar deitado em minha cama durante a viagem de Bergen a Newcastle.

Zarpamos rumo a casa em 4 de setembro, chegando aqui no domingo, dia 12 — exatamente 13 semanas a partir do domingo em que partimos em nossa viagem.

IMPRESSIONADO PELA MUDANÇA DE ATITUDE

A coisa que mais profundamente me impressionou nesta missão, mais do que qualquer outra, foi a maravilhosa mudança que ocorreu na atitude do povo em relação aos Santos dos Últimos Dias. Quando estive na Europa há uns 30 e tantos anos — fará 31 anos no dia de Natal desde que voltei — durante todos os meus três anos nas Ilhas Britânicas, jamais consegui publicar um único artigo sequer nos jornais. Algumas das coisas mais vis, mais perversas, obscenas e terríveis foram publicadas a nosso respeito, mas os responsáveis pela imprensa se recusavam terminantemente a ouvir qualquer coisa que tivéssemos a dizer

Foi-me assegurado, durante esta viagem, que tivemos notícias favoráveis nos jornais da Alemanha, da Suíça, da Tchecoslováquia, da Holanda e da Bélgica. Nenhuma crítica de espécie alguma, apenas boas notícias a respeito de nossas reuniões, e, em alguns casos, as notícias nos jornais das Ilhas Britânicas eram de tal natureza que, se tivéssemos tido o privilégio de escrevê-las nós mesmos, não poderíamos ter escrito nada que nos agradasse mais. Pelo que pude julgar, não houve um único artigo escrito durante toda a nossa viagem que não tivesse a intenção de dar um relato justo, honrado e esplêndido de nosso povo. Regozijo-me com essas coisas. É uma mudança tão maravilhosa em relação ao espírito de animosidade e quase ódio que encontrei entre os jornalistas com quem tive contato há mais de trinta anos

Como uma ilustração, recebi uma carta do gerente da Ramsden and Company, lá nos primeiros dias, antes de os navios a vapor da White Star serem construídos — esqueci o nome da linha de navegação, mas o pessoal da Ramsden tinha o encargo total dela — e o Sr. Ramsden foi um dos amigos mais leais de nossos presidentes de missão que, creio, jamais tivemos em qualquer parte do mundo.

HISTÓRIA DE UMA ENTREVISTA COM UM EDITOR

Lembro-me de John Henry Smith contando-me a respeito de uma carta que o Presidente Joseph F. Smith escreveu ao Sr. Ramsden, agradecendo-lhe pelo tratamento tão esplêndido que recebeu enquanto presidiu a Missão Europeia. O Sr. Ramsden disse que não venderia aquela carta por mil dólares ou mais, que a prezava mais do que qualquer outra carta que já havia recebido. O Presidente Smith disse ao Sr. Ramsden, nessa carta, que o tratamento tão maravilhoso que havia recebido dele e de outros foi tal que ele não ousou visitá-lo para se despedir, mas esperou até estar a bordo do navio para fazê-lo, pois quase temia que pudesse se emocionar demais e chorar como uma criança se o tivesse visitado pessoalmente para lhe agradecer.

O gerente da Ramsden and Company me deu uma carta de apresentação para o editor de um jornal de Londres, e disse que achava que o jornal publicaria qualquer coisa que eu quisesse publicar. Quando cheguei à redação do jornal, disseram-me que o editor estava fora da cidade, mas que seu assistente, um Sr. Robinson, me receberia. O assistente perguntou-me o que eu queria, e eu lhe disse que gostaria muito de lhe contar a verdade a respeito de nosso povo, que o que ele havia publicado não era verdade.

"Está tudo certo", disse ele, "nós publicamos a coisa certa a respeito de vocês, mórmons."

"Bem", eu disse, "quando um homem chama outro homem de mentiroso, naturalmente pensa que fez a coisa certa, é claro, mas isso não o torna mentiroso. Eu sei, com absoluta certeza, que tudo o que vocês publicaram em seu jornal é falsidade. Venho até o senhor com uma carta da firma que faz negócios conosco há mais de cinquenta anos, e que atesta não apenas minha honestidade e integridade, mas a honestidade e a integridade de todo homem que serviu como presidente das missões Britânica e Europeia da Igreja durante cinquenta longos anos. Desafio o senhor a conseguir um atestado de bom caráter em favor de qualquer uma das pessoas que lhe forneceram as mentiras que vocês publicaram em seu jornal."

"Não importa, não temos intenção de publicar nada do que o senhor disser."

Eu disse: "Adeus. Já encontrei gente como o senhor de Londres a Tóquio."

Trinta e tantos anos atrás, na Inglaterra, a maneira como alguém se vestia tinha bastante efeito sobre as pessoas, e tínhamos de usar cartolas "chaminé". Quando o rapaz que desceu para me receber me disse que o editor estava fora, e que o subeditor me receberia, e que o nome do subeditor era Robinson, pensei comigo mesmo: depois que ele me dispensar, vou mencionar-lhe Phil Robinson.

Depois que o subeditor recusou meu pedido, dirigi-me à porta, coloquei minha cartola alta, depois me virei, tirei-a novamente e disse:

"A propósito, se bem me lembro, o rapaz disse que o senhor não é o editor, que o editor estava fora, e que o senhor é apenas o subeditor, e que seu nome é Robinson. — O senhor se chama Robinson?"

"Sim."

Eu disse: "O senhor é parente de Phil Robinson?" "Não, senhor."

"O senhor conhece Phil Robinson?"

"Se conheço Phil Robinson? Todo mundo conhece Phil Robinson." "Bem, fico feliz em saber disso. Ele edita o Society and Court Journal aqui em Londres?" "Sim."

"Ele foi o correspondente do London Daily Telegraph, um dos dois maiores [enfatizei 'maiores' porque o jornal dele não era um dos maiores] jornais de Londres durante a Guerra dos Bôeres?"

"Foi."

"O senhor acreditaria em qualquer coisa que ele dissesse?"

"Em qualquer coisa que ele dissesse, plenamente."

"Cem centavos por dólar?"

"Cem centavos por dólar, integralmente", respondeu ele.

"Muito bem. Compre o livro dele intitulado Sinners and Saints, custará apenas alguns xelins, e, se o senhor não puder pagar, eu mesmo o comprarei e lhe darei. O senhor descobrirá que tudo o que publicaram em seu jornal é falsidade."

Phil Robinson veio a Utah e viajou de Cache Valley, ao norte, até Orderville e St. George, e outros lugares ao sul, e escreveu um livro fornecendo estatísticas e mostrando que os oitenta por cento da população não forneciam, nem de longe, tantos detentos da cadeia municipal e da penitenciária territorial quanto os dezoito por cento que não eram membros da Igreja.

"Ora, o senhor me surpreende."

Eu disse: "Ah, o senhor não é o único homem a se surpreender ao esbarrar na questão mórmon." "Escreva-me meia coluna."

Eu disse: "Obrigado. Pequenos favores, recebidos com gratidão; grandes favores, na devida proporção. Dez colunas de mentiras, e meia coluna de refutação. O senhor a terá dentro de poucas horas."

Enviei-a a ele. Ele a guardou pelo período costumeiro de dois ou três meses, e depois a devolveu com o costumeiro bilhete impresso, que já li muitas vezes: "O editor lamenta não poder encontrar espaço para o manuscrito anexo, que é devolvido."

Nunca recebo uma dessas declarações sem pensar na expressão bem-humorada: "A mentira educada é uma qualidade de cavalheiro, lubrifica os negócios, verniza fatos desagradáveis, promove a amizade."

Em vez de a declaração do editor me impressionar com seu real pesar, ela me impressionou com o fato de que ele era culpado de falsidade.

Hoje encontramos exatamente o oposto, naquele país, e, na verdade, em todos os Estados Unidos. Estamos recebendo hoje notícias mais favoráveis por causa de nosso Plano de Segurança do que jamais tivemos antes, e lamento que estejamos recebendo mais crédito do que temos direito.

A OCIOSIDADE NÃO DEVE SER INCENTIVADA

Dei-me ao trabalho, esta manhã, de ler na Doutrina e Convênios a respeito do ocioso, e temos alguns ociosos em nosso meio. Encontramos na Seção 75 da Doutrina e Convênios:

Que todo homem seja diligente em todas as coisas. E o ocioso não terá lugar na igreja, a não ser que se arrependa e melhore o seu proceder.

Referi-me ontem às pessoas que estavam reunidas neste edifício, e o Tabernáculo estava quase tão cheio (exceto a galeria)

de nossas boas irmãs ontem quanto está de pessoas hoje. Digo-lhes que, para cada irmã ociosa, há cerca de vinte e cinco irmãos ociosos. Creio que essa é uma média mais ou menos justa. Na Seção 88, lemos:

Cessai de ser ociosos; cessai de ser impuros; cessai de achar faltas uns nos outros; cessai de dormir mais do que o necessário; recolhei-vos cedo, para que não vos canseis; levantai-vos cedo, para que vosso corpo e vossa mente sejam fortalecidos.

Por favor, lembrem-se de que estas não são as palavras de Heber J. Grant, mas as palavras do Senhor:

E os habitantes de Sião, se forem designados para trabalhar, também se lembrarão de fazer suas tarefas com toda fidelidade, pois o ocioso será lembrado perante o Senhor.

Agora eu, o Senhor, não estou satisfeito com os habitantes de Sião, porque há ociosos entre eles; e seus filhos também estão crescendo em iniquidade; também não buscam sinceramente as riquezas da eternidade, mas seus olhos estão cheios de cobiça.

Não serás ocioso; porque o ocioso não comerá o pão nem usará as vestes do trabalhador.

Estamos agora tentando cuidar dos pobres dignos, e em cerca de oito casos em cada dez, os "pobres dignos" que solicitam ajuda não são, nem foram, pagadores de dízimo integrais, honestos e conscienciosos.

Eis que eles foram enviados para pregar meu evangelho entre as congregações dos iníquos; portanto, dou-lhes o seguinte mandamento: Não desperdiçarás teu tempo nem enterrarás teu talento, de modo que não seja conhecido

Quero lhes dizer que descobrimos, por meio de investigação, que muitos de nossos missionários estavam perdendo tempo à toa, e tentamos incentivá-los a ser mais fiéis. Ouvi uma declaração que citei aqui ontem — espero que não seja verdadeira — de que um homem que costumava tomar dinheiro emprestado de um de nossos bancos rurais sob hipoteca de colheita foi ao banco e quis algum dinheiro. O bancário disse: "Certamente, teremos prazer em conceder-lhe algum dinheiro. Basta trazer-nos uma hipoteca de colheita."

"Ah", disse ele, "não estou cultivando nenhuma colheita agora. O governo está me dando mais dinheiro por não cultivar do que eu poderia obter de outra forma. Vou lhe dar uma ordem de pagamento contra o governo."

Esperemos que aquele espírito de independência que estava com nossos pais pioneiros possa ser reavivado em nós, e que nenhum Santo dos Últimos Dias que possua o sacerdócio de Deus seja culpado de ociosidade. Trabalhemos cedo e trabalhemos tarde

REVELAÇÃO DADA A HYRUM SMITH

Enquanto procurava estas passagens que citei, pensei numa revelação muito notável e maravilhosa, dada, se bem me lembro, onze meses antes de a Igreja ser organizada, por meio do Profeta Joseph Smith a seu irmão Hyrum. É uma revelação notável:

Eis que o campo já está branco para a ceifa; portanto, quem deseja ceifar que lance a foice com vigor e ceife enquanto durar o dia, a fim de entesourar para sua alma a salvação eterna no reino de Deus...

Não busques riquezas, mas sabedoria; e eis que os mistérios de Deus te serão revelados e então serás enriquecido. Eis que é rico aquele que tem a vida eterna.

Em verdade, em verdade eu te digo que aquilo que desejares de mim ser-te-á concedido; e se o desejares, serás o instrumento para que se faça muito de bom nesta geração.

Poucos homens já viveram que fizeram mais bem do que Hyrum Smith em sua geração, e ele deixou uma posteridade que está entre as mais firmes e poderosas de toda a Igreja. Um dos homens mais esplêndidos que já viveram foi seu filho, o falecido Presidente desta Igreja, Joseph F. Smith.

Em verdade, em verdade eu te digo que aquilo que desejares de mim ser-te-á concedido; e se o desejares, serás o instrumento para que se faça muito de bom nesta geração.

Esse era o desejo de Joseph F. Smith, e ele o fez.

Não pregues a esta geração coisa alguma a não ser arrependimento. Guarda meus mandamentos e ajuda a trazer à luz a minha obra, de acordo com meus mandamentos; e serás abençoado.


Eis que esta é a tua obra: Guardar meus mandamentos, sim, com todo teu poder, mente e força.

Não procures pregar minha palavra, mas primeiro procura obter minha palavra e então tua língua será desatada; e então, se o desejares, terás meu Espírito e minha palavra, sim, o poder de Deus para convencer os homens.


Eis que falo a todos os que têm desejos bons e lançaram sua foice para ceifar.

Eis que eu sou Jesus Cristo, o Filho de Deus. Eu sou a vida e a luz do mundo.

Eu sou o mesmo que vim aos meus e os meus não me receberam;

Mas em verdade, em verdade eu te digo que a todos os que me receberem darei poder para se tornarem filhos de Deus, sim, àqueles que crerem em meu nome.

Meus irmãos e irmãs, não estou lendo para vocês minhas próprias palavras, mas estou citando as palavras de Jesus Cristo, nosso Redentor e Salvador. Durante esta missão, uma coisa que me emocionou foi ler o livro de Richard L. Evans, que traz uma história do trabalho missionário na Grã-Bretanha. Cinquenta mil, se bem me lembro, das pessoas mais firmes e melhores de toda a Grã-Bretanha ajudaram a edificar esta Igreja, emigrando para este país. Uma obra maravilhosa.

Wilford Woodruff batizou mais de 2.000 pessoas, e Orson Pratt quase o mesmo número. Heber C. Kimball, Lorenzo Snow e outros também realizaram uma obra maravilhosa e admirável ali.

O Presidente Heber C. Kimball foi inspirado da maneira mais maravilhosa e admirável ao abrir aquela missão. Tive grande alegria em contemplar essas coisas.

OS SANTOS EUROPEUS RECEBERÃO MAIS ATENÇÃO

Meu coração se derreteu ao perceber como o povo daqueles países está ansioso por ouvir as Autoridades da Igreja, como seu coração se encheu de gratidão quando o Presidente Clark, eu mesmo, o Irmão Lyman e outros estivemos com eles. Sinto-me, de fato e sinceramente, envergonhado por ter negligenciado por tanto tempo o retorno àquela parte do rebanho. Eles são tão parte desta Igreja quanto vocês, e, com a ajuda do Senhor, não serão negligenciados no futuro tanto quanto o foram no passado. Eles são parte da obra de Deus, e têm direito a visitas a cada ano ou dois de alguns dos líderes desta Igreja. Temos cuidado de nosso povo aqui em casa, e temos, lamentavelmente, negligenciado aquelas boas pessoas naqueles países. Perdoem-me, mas sinto em meu coração uma condenação por não ter dedicado tempo para voltar lá antes, e, se o Senhor preservar minha vida, não vou esperar muito tempo antes de voltar novamente

Creio ter coberto razoavelmente bem o terreno ao relatar minha missão a vocês.

UM SALVADOR FINANCEIRO

Quero dizer um pouco a respeito de um assunto do qual tantos Santos dos Últimos Dias dizem estar cansados e enjoados. Por que estão cansados e enjoados dele? Porque não estão cumprindo seu dever. Nenhum homem mortal que vive a Palavra de Sabedoria jamais fica cansado e enjoado de ouvi-la pregada. Ela seria a salvação financeira do mundo inteiro se as pessoas vivessem a Palavra de Sabedoria. Resolveria todos os seus problemas financeiros; não haveria, se bem me lembro, cerca de 160.000.000.000 ou 170.000.000.000 de cigarros fumados num único ano — uma erva que destrói a alma e o corpo.

Lembro-me de ter lido, anos atrás (eu tinha várias estatísticas num pequeno livro que, lamento, perdi), uma declaração de que, por cinquenta longos anos em Harvard, nenhum jovem que fumava tabaco jamais se formou como o melhor aluno de sua turma, e, no entanto, havia cinco vezes mais rapazes fumando tabaco do que os que não fumavam. Uma erva que destrói a alma e o corpo.

Quando li no jornal, há poucos dias, a respeito das centenas de milhares de dólares que estamos arrecadando em nosso estado por meio da venda de bebidas alcoólicas, milhões de dólares sendo desperdiçados por ano — pior do que desperdiçados —, senti-me triste. Vocês teriam boa opinião de um homem que ateasse fogo em propriedades no valor de milhões de dólares? É isso o que está sendo feito quando bebemos bebidas alcoólicas e quando nossos jovens aprendem a fumar cigarros. Que cada um de nós, pais e mães, dê o exemplo de guardar a Palavra de Sabedoria; então não haverá reflexo negativo sobre nós se nossos filhos não seguirem nosso exemplo. Mudemos, como povo, a lei neste país, e não deixemos que um bando de vendedores de uísque nos dirija. Tenhamos, ao menos, a lei seca em Utah.

Pensem nos milhões de dólares gastos aqui só em Utah com o consumo de bebidas alcoólicas. Não se consumia nem a décima parte da quantidade de bebida que se consome hoje quando tínhamos a Lei Seca. Milhões de dólares

foram gastos para trazer de volta a bebida alcoólica. Todos os Estados Unidos se renderam às mentiras que foram contadas, de que havia mais embriaguez e mais crime quando tínhamos a Lei Seca. Nunca foram publicadas mentiras maiores.

A PALAVRA DE SABEDORIA

A Palavra de Sabedoria é o que o Senhor tem a dizer, não o que o homem tem a dizer, e, embora seja um assunto antigo, proponho-me a ler a Palavra de Sabedoria. Isto é o que o Senhor diz, e não o que Heber J. Grant diz — não se esqueçam disso. Que cada um de nós procure melhorar sua própria vida e inspirar outros a melhorar a deles. Nenhum homem ou mulher que guarda a Palavra de Sabedoria encontra defeito nela. Por quê? Porque conhecem a saúde de que desfrutam, conhecem a paz, a alegria, o conforto, a satisfação que vêm ao seu coração quando fazem o que o Senhor deseja que façam.

Revelação dada por intermédio do Profeta Joseph Smith, em Kirtland, Ohio, a 27 de fevereiro de 1833 —

— (há mais de cem anos) —

— conhecida como a Palavra de Sabedoria. — Recomendada a abstinência de vinho e bebidas fortes — Moderação no consumo de carne — Alimentos saudáveis — Promessas àqueles que vivem de acordo com estes preceitos.

Uma Palavra de Sabedoria, para o benefício do conselho de sumos sacerdotes, reunido em Kirtland, e da igreja e também dos santos de Sião — Para ser enviada como saudação; não como mandamento ou coerção —

Alguns dizem: "Ah, é assim que me livro disso. Não é dado por mandamento ou coerção." O que é, então? Vou lhes dizer o que é —

mas por revelação e palavra de sabedoria, manifestando a ordem e a vontade de Deus —

Quando o Senhor manifesta sua ordem e sua vontade, não tentem cantar canções de ninar para sua consciência, nenhum de vocês que estiver violando a Palavra de Sabedoria.

— quanto à salvação física de todos os santos nos últimos dias.

Seria a salvação física do povo de todo o vasto mundo se vivessem a Palavra de Sabedoria.

Dada como princípio com promessa, adaptada à capacidade dos fracos e do mais fraco de todos os santos, que são ou podem ser chamados santos.

Eis que, em verdade, assim vos diz o Senhor: Devido a maldades e desígnios que existem e virão a existir no coração de homens conspiradores nos últimos dias, eu vos adverti e previno-vos, dando-vos esta palavra de sabedoria por revelação —

E pode haver desígnio mais condenável do que anúncios mostrando a imagem de uma bela mulher e, ao lado dela, um anel de fumaça de tabaco, supostamente uma aliança de casamento? Uma imagem de uma bela mulher aprendendo a fumar.

Eis que não é bom nem aceitável aos olhos de vosso Pai que alguém entre vós tome vinho ou bebida forte, exceto quando vos reunis para oferecer vossos sacramentos perante ele.

E eis que deve ser vinho, sim, vinho puro de uva da videira, de vossa própria fabricação.

E também bebidas fortes não são para o ventre, mas para lavar vosso corpo.

E também tabaco não é para o corpo nem para o ventre e não é bom para o homem, mas é uma erva para machucaduras e todo gado doente, a qual se deve usar com discernimento e habilidade.

E também bebidas quentes não são para o corpo nem para o ventre.

E também em verdade vos digo: Todas as ervas salutares indicou Deus para a constituição, natureza e uso do homem —

Toda erva em sua estação e toda fruta em sua estação; todas essas para serem usadas com prudência e ação de graças.

Sim, também a carne de animais e a das aves do ar, eu, o Senhor, indiquei para uso do homem, com gratidão; contudo, devem ser usadas moderadamente;

Agrada-me que não sejam usadas a não ser no inverno ou em tempos de frio ou de fome.

Todos os grãos são indicados para uso do homem e dos animais, para ser o esteio da vida, não só para o homem, mas também para os animais do campo e as aves do céu e todos os animais selvagens que correm ou rastejam na terra;

E estes fez Deus para uso do homem apenas em épocas de escassez ou fome excessiva.

Todos os grãos são bons para alimento do homem, como também o fruto da videira; aquilo que produz fruto, seja na terra ou acima da terra —

Contudo, o trigo para o homem e o milho para o boi e a aveia para o cavalo e o centeio para as aves e os porcos e para todos os animais do campo; e a cevada para todos os animais úteis e para bebidas suaves, como também outros grãos.

E todos os santos que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas, obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos;

Que promessa maravilhosa de Deus!

E encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos;

E correrão e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão. E eu, o Senhor, faço-lhes uma promessa de que o anjo destruidor passará por eles, como os filhos de Israel, e não os matará.

Creio tão firmemente quanto creio que estou aqui em pé diante de vocês hoje que, em três ocasiões distintas e separadas em minha vida, eu teria perdido minha vida se não tivesse sido um observador da Palavra de Sabedoria, mas, por causa do sangue puro que eu tinha em minhas veias, e da promessa de Deus, e do cumprimento dos mandamentos de Deus, minha vida foi poupada.

Não é nenhum sacrifício para mim comer carne com moderação. Vivi durante vários anos, no período de inverno, no Utah Hotel, e tenho certeza de que não pedi carne mais do que dez ou doze vezes, e, mesmo assim, eram apenas algumas pequenas costeletas de cordeiro; não comi carne de porco, peru, frango nem vitela de espécie alguma durante aquele tempo na cafeteria.

ALEGRIA EM PRESTAR TESTEMUNHO

Regozijo-me com a notável saúde de que desfruto. Tem sido a alegria de minha vida testificar das coisas boas que vêm a todo homem e a toda mulher que vive de acordo com os mandamentos do Senhor. Agradeço ao Senhor, além de todo o poder que Ele me concedeu para expressar meus pensamentos, por esta Palavra de Sabedoria, a salvação física deste povo, se apenas a guardarmos.

Tive alegria em meus trabalhos nas Ilhas Britânicas e no continente. Foi um verdadeiro prazer para mim prestar meu testemunho, em toda humildade, de que sei que Deus vive; que sei que Ele ouve e responde às nossas orações; que sei que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo, o Redentor da humanidade. Sei, sem sombra de dúvida, que Joseph Smith foi um Profeta do Deus verdadeiro e vivo, e que foi inspirado e dirigido por nosso Pai Celestial, e que recebeu revelações de Deus e de Jesus Cristo. Foi minha alegria prestar esse testemunho em todas essas terras às quais me referi. Não apenas tenho tido a alegria de fazer isso, mas agradeço ao Senhor por, durante mais de cinquenta longos anos, ter sido capaz de prestar esse testemunho, e que, dia após dia e ano após ano, têm-me chegado constantemente evidências, na medida da inteligência com que Deus me dotou, para confirmar meu conhecimento da verdade deste evangelho de Jesus Cristo que nos foi dado.

Com todo o meu coração e alma, oro a Deus para que os ajude a vocês, e me ajude a mim, e ajude a cada um dos Santos dos Últimos Dias, a viver de tal maneira que nossa vida proclame o evangelho; que nossa vida seja a influência que causará uma boa impressão. Muitos rapazes pensam que, se são "bons camaradas"; que, se o homem que os emprega fuma e eles fumam também, ele pensará melhor deles. Digo-lhes que já chegou o dia em que muitos homens não empregarão um rapaz mórmon que não vive de acordo com os ensinamentos de seus pais e não observa a Palavra de Sabedoria.

O ÊXITO ACOMPANHA O CUMPRIMENTO DOS MANDAMENTOS

O cumprimento dos mandamentos do Senhor nos dá êxito na batalha da vida. O dinheiro gasto com bebida alcoólica e tabaco é a diferença entre um jovem alcançar o êxito na vida ou o fracasso.

Estive de pé junto aos túmulos de dois amigos de minha infância que viveram o suficiente para se casarem e terem filhos. A bebida alcoólica dominou-os, e, enquanto eu estava junto a seus túmulos — um deles tendo sido desligado da Igreja por ter perdido sua virtude sob a influência da bebida —, prometi ao Senhor, com todo o meu empenho, ao olhar para o céu, trabalhar com todo o poder que Deus me deu para combater o uísque e o tabaco, e cumpri esse compromisso.

Espero que todo Santo dos Últimos Dias que ouve hoje minha voz possa fazer um compromisso com Deus de que não será ocioso; de que guardará os mandamentos de Deus; de que trará outros ao conhecimento da verdade, e esta é minha humilde oração, que faço em humildade e em nome de nosso Salvador, Jesus Cristo. Amém.

"Um Anjo do Alto" foi cantado pelas Mães Cantoras. Solistas: Virginia Freeze Barker, soprano; Annette Dinwoodey, contralto.

Como citar este discursoHeber J. Grant, “Relatório da Viagem Europeia”, Conferência Geral de Outubro de 1937, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1937-10-01). Pulpit Vault, 1937-10-heber-j-grant-report-of-european-tour. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).