Precautionary Measures Suggested
J. Reuben Clark Jr.
Meus irmãos e minhas irmãs, sinto-me de fato honrado por estar convosco novamente e por participar do espírito desta conferência. ¶
Gostaria, novamente, de prestar minha homenagem, pois sinto que a merecem amplamente, a esta grande missão do Coro do Tabernáculo. A influência que irradiam para o bem, e o preconceito que estão superando, não podem ser medidos. Sou grato pelo serviço dedicado de cada membro do coro, pelo serviço dedicado do Irmão Cornwall, seu líder, do Irmão Asper, o organista, e do Irmão Evans, que faz os anúncios. Cada um está fazendo um trabalho esplêndido. ¶
No decorrer da conferência, creio que ouviremos novamente as Mães Cantoras, sob a direção da Irmã Lottie Sackett. Gostaria de prestar-lhes meu respeito e minha certeza de apreço pelo grande trabalho que estão realizando. Elas estão, de fato, tornando-se uma das grandes instituições musicais desta Igreja. Que o Senhor continue suas bênçãos sobre elas. ¶
O SALVADOR TEVE DUAS GRANDES MISSÕES NA TERRA ¶
Quando o Salvador veio à terra, ele tinha duas grandes missões: uma era realizar o Messianato, a expiação pela queda, e o cumprimento da lei; a outra era a obra que fez entre seus irmãos e irmãs na carne, no sentido de aliviar seus sofrimentos, e também ensinando-lhes os grandes fatos espirituais dos quais, pela observância, pode advir a vida eterna. Deixou, como herança àqueles que viriam depois dele em sua Igreja, a continuação dessas duas grandes coisas — o trabalho para o alívio dos males e sofrimentos da humanidade, e o ensino das verdades espirituais que devem nos trazer de volta à presença de nosso Pai Celestial. ¶
Esta tarde, desejo falar um pouco sobre assuntos diretamente relacionados, talvez, ao trabalho de aliviar nossos sofrimentos e nossos males humanos, e deixarei principalmente a outros a instrução a respeito daquelas grandes verdades espirituais que hão de nos trazer de volta à presença de Deus. ¶
RESPONSABILIDADE DAS AUTORIDADES ¶
Quero ler-vos os últimos versículos do primeiro capítulo de Jacó, no Livro de Mórmon, e o segundo versículo do segundo capítulo, como indicativo da responsabilidade sob a qual considero estarem as Autoridades desta Igreja, tanto entre si e vós quanto entre todos nós e nosso Deus. ¶
Porque eu, Jacó, e meu irmão José havíamos sido consagrados sacerdotes e mestres deste povo pela mão de Néfi. ¶
E nós magnificamos o nosso ofício para o Senhor, tomando sobre nós a responsabilidade de responder pelos pecados do povo se ¶
não lhes ensinássemos com diligência a palavra de Deus; assim, trabalhando com toda a nossa força, seu sangue não mancharia nossas vestimentas; caso contrário, o seu sangue cairia sobre nossas vestimentas e não seríamos declarados sem mancha no último dia. ¶
Agora, meus amados irmãos, eu, Jacó, de acordo com a responsabilidade que tenho para com Deus de magnificar meu ofício com sobriedade e para livrar minhas vestimentas de vossos pecados, venho hoje ao templo para declarar-vos a palavra de Deus. ¶
Não pretendo falar ao povo a respeito de seus pecados, mas espero dizer-vos, a título de advertência e admoestação, algumas das coisas que chegaram ao meu conhecimento e que sinto o dever solene de vos contar. ¶
Recentemente tive oportunidade de discutir as condições mundiais com homens de ambos os lados do Atlântico que são líderes na indústria e nas finanças. ¶
A TÍTULO DE ADVERTÊNCIA E ADMOESTAÇÃO ¶
Em conformidade com a responsabilidade de que Jacó falou, considero meu dever dizer aos membros da Igreja, a título de advertência e admoestação, o que o futuro próximo pode trazer, na medida em que esses homens podem prever. Espero devotamente que estejam enganados em seu julgamento; temo que falem próximo demais da verdade. Mas, seja qual for a eventualidade que venha a ocorrer, estou agora dando a mais sólida previsão humana que conheço. ¶
MILHÕES GASTOS EM MATERIAIS DE GUERRA ¶
Industriais europeus fazem estas afirmações: que os países europeus estão agora gastando onze bilhões de dólares por ano em armamento militar; que a Grã-Bretanha, sozinha, está gastando dois bilhões de dólares; que as nações europeias estão acumulando quantidades enormes de matérias-primas usadas em guerra, particularmente os metais; que uma nação fez um pedido de toda a produção mundial de certo metal com um ano e meio de antecedência; que os estoques de matérias-primas de todo tipo bélico, agora se acumulando, são muitas vezes maiores do que os reunidos ao final da Guerra Mundial. Por essa afirmação, é evidente que esses materiais reunidos não se destinam agora a qualquer propósito útil; que não são para o serviço, mas para a destruição do homem; que, se forem usados em guerra, serão apenas essa quantidade de trabalho humano queimado sem retorno benéfico para o homem — tal como se tanto dinheiro fosse queimado numa fornalha. Será um desperdício trágico e ímpio. ¶
AS COMPRAS REPERCUTEM NOS PREÇOS DAS MERCADORIAS ¶
Estes homens também afirmam que essas tremendas compras de estoques de guerra elevaram os preços dos materiais em questão; que essas elevações de preços repercutiram sobre outras mercadorias manufaturadas, cujos preços também subiram; que essas elevações resultaram em elevações dos custos da mão de obra; e que, por causa de todas essas elevações, haverá, num futuro imediato, um período de prosperidade ou de inflação, seja qual for o nome que se queira dar, no qual o custo de vida subirá, e pagaremos ¶
mais por alimentação, vestuário, combustível e moradia. Financistas americanos dizem que isso significa que o valor do dólar cairá — isto é, que um dólar comprará cada vez menos das necessidades da vida. ¶
GUERRA DE EXTERMÍNIO E/OU DEPRESSÃO CAÓTICA ¶
Estes experientes financistas e industriais dizem ainda que este período de prosperidade terminará — alguns dizem que em dois anos, alguns dizem que em dez —, que, se sobrevier a guerra, o período durará até o fim da guerra; mas que, se a guerra não sobrevier, então este período de prosperidade terminará assim que as nações sentirem segurança razoável num período de paz. ¶
Estas mesmas autoridades declaram que, se sobrevier a guerra, seu fim deixará o mundo num estado de exaustão até então desconhecido nos tempos modernos; que a depressão da qual agora estamos emergindo será apenas como uma sombra dos verdadeiros tempos difíceis que então virão. Afirmam que, se a guerra não sobrevier, mas sim este sentimento de segurança temporária, então as nações se desfarão de seus materiais de guerra excedentes, o que fechará grandes indústrias e trará ociosidade; que a perda resultante de mercados e comércio trará ruína às indústrias, e que a depressão e a paralisia industrial que se seguirão serão plenamente iguais às que se seguiriam a outra Guerra Mundial. Sentem que esta próxima depressão mundial será próxima, senão exatamente, um caos que, no estado de espírito atual dos povos do mundo, ameaçará a própria existência do governo, da propriedade, dos direitos humanos, da liberdade, até mesmo da própria família. ¶
Todos os que leem os jornais sabem que os líderes navais e militares de todas as nações creem que a próxima guerra visará o extermínio de nações, não a destruição de exércitos; que não somente os soldados aptos serão ceifados, mas que bebês inocentes, suas mães, os idosos, os decrépitos e os enfermos hão de ser massacrados. A Grã-Bretanha está fornecendo uma máscara de gás para cada homem, mulher, criança e bebê no Reino Unido, e o povo está sendo treinado para usá-las como proteção contra o gás venenoso que se espera que seus inimigos utilizem. A próxima guerra não será uma série de batalhas, mas de carnificinas. ¶
EUROPEUS PLANEJAM FAZER OS EUA PAGAREM PELA GUERRA ¶
Não obstante o fato de que nossos antigos aliados na Guerra Mundial nos devem o dinheiro que lhes emprestamos, no montante de mais de dez bilhões de dólares, e também nos devem a maior parte dos juros que nós, o povo dos Estados Unidos, temos pago sobre esse empréstimo, e não obstante tenham tomado um saque descomunal da Alemanha ao final da Guerra, do qual não recebemos, orgulho-me de dizer, um único centavo — saque de guerra que, contando as posses coloniais alemãs, é muitas, muitas vezes maior do que o dinheiro que nos devem —, ainda assim, há razão de sobra para crer que alguns dos mais hábeis, astutos e perspicazes diplomatas, políticos e estadistas de toda a Europa estão agora planejando fazer com que o povo dos Estados Unidos financie a próxima guerra europeia, seja antes de a guerra começar, seja durante seu andamento. ¶
Além disso, certos desses mesmos diplomatas, políticos e esta- ¶
distas estão planejando atrair os Estados Unidos para uma aliança militar ofensiva e defensiva, a fim de que participemos daquela próxima guerra mundial, enviando nossos jovens aos campos de batalha da Europa. O argumento que agora planejam usar para conseguir isso é que somente desse modo pode ser preservada a paz do mundo. Embora se trate de uma falácia profundíssima, encontrará, infelizmente, ouvidos simpáticos entre muitas pessoas deste país que não compreendem plenamente as relações internacionais. Será necessária a mais sábia arte de estadista de nossa parte para impedir que os Estados Unidos se tornem, novamente, vítimas de uma catástrofe militar mundial. ¶
TERRÍVEL DEPRESSÃO INDICADA POR SINAIS ¶
Esperamos e oramos para que esses homens, que preveem um futuro tão funesto, estejam enganados. Mas, quer estejam vendo visões falsas, quer estejam vislumbrando com precisão o futuro, não conheço nenhuma autoridade responsável que conteste a previsão de que, dentro dos próximos anos, sofreremos, no curso normal, uma depressão muito mais grave, afetando intimamente um número muito maior de pessoas, do que a que estamos agora terminando. ¶
Esta perspectiva dá um novo significado ao Plano de Segurança da Igreja e dá a evidência final, embora desnecessária, da inspiração que levou o Presidente Grant a inaugurar aquele grande e abrangente movimento. Se sobrevier o caos que estes homens temem, então sobreviverão somente aqueles que estenderem, uns aos outros, uma ajuda mútua, fraternal, amorosa e desinteressada. Sob esta perspectiva, não devemos crer que estamos no fim do Plano de Segurança; estamos apenas no começo. ¶
Estes homens a quem me referi lamentam a uma só voz esta grande tragédia mundial que sentem prever claramente, mas que afirmam não ter poder para evitar. De fato, sente-se, mais do que se vê, que nenhum poder humano pode enfrentar e afastar este cataclismo ameaçador. ¶
Lendo juntamente as Escrituras e os sinais dos tempos, e lembrando que a medida do tempo para Deus não é a medida do tempo para o homem, não se pode deixar de considerar se não estamos agora nos próprios tempos preditos pelo Salvador em seu grande discurso no Monte das Oliveiras, e preditos pelos profetas desde os tempos mais antigos. Não estarão os anticristos agora andando pela terra? ¶
FORÇA NECESSÁRIA PARA ENFRENTAR A EMERGÊNCIA ¶
Quando vemos o quão além do alcance da mente e da mão humanas o mundo de hoje já foi, quando ponderamos e refletimos calmamente sobre o esfacelamento dos ideais e instituições humanas, por mais sagrados que tenham sido tidos até agora, e quando olhamos para o abismo insondável no qual o homem parece prestes a mergulhar, a menos que, pela misericórdia de Deus, seja retirado de volta, vislumbramos apenas de forma obscura e em traços mais gerais o funcionamento daquelas grandes forças infinitas do certo e do errado, que tiveram seu início, até onde sabemos, quando Satanás e suas hostes foram lançados ¶
do céu, e a verdade e a mentira iniciaram seus milênios de conflito pelo domínio. Que o Senhor nos dê força para enfrentar este teste, caso venha a ocorrer. ¶
MEDIDAS PRECAUTÓRIAS SUGERIDAS ¶
Que podemos nós, como povo e como indivíduos, fazer por nós mesmos para nos prepararmos para enfrentar este desastre iminente, que Deus, em sua sabedoria, talvez não afaste de nós? ¶
Primeiro, e acima e além de tudo o mais, vivamos retamente, temendo a Deus e guardando seus mandamentos, para que possamos, em parte, reivindicar sua bênção por direito, e não apenas por misericórdia. Somente por este caminho estão a felicidade e a salvação. Pois o Senhor disse: ¶
Portanto, não temais nem mesmo a morte; porque neste mundo vossa alegria não é completa. * * * * ¶
Portanto, não vos preocupeis com o corpo nem com a vida do corpo; mas preocupai-vos com a alma e com a vida da alma. ¶
E buscai sempre a face do Senhor, para que, em paciência, possuais vossa alma; e tereis vida eterna. (Doutrina e Convênios 101:36-38.) ¶
Evitemos a dívida como evitaríamos uma peste; onde já estivermos endividados, saiamos da dívida; se não hoje, então amanhã. ¶
Vivamos estrita e rigorosamente dentro de nossos rendimentos, e poupemos um pouco. ¶
Que cada chefe de cada lar zele por ter à mão alimento e vestuário suficientes, e, quando possível, também combustível, para pelo menos um ano à frente. Vós, de posses modestas, ponde vosso dinheiro em mantimentos e roupas, não em ações e títulos; vós, de posses grandes, pensareis saber como cuidar de vós mesmos, mas ouso sugerir que não especuleis. Que cada chefe de cada lar aspire a ser dono de sua própria casa, livre de hipoteca. Todo homem que tiver um terreno para horta, que faça sua horta; todo homem que possuir uma fazenda, que a cultive. ¶
Revistamo-nos novamente destas virtudes comprovadas e genuínas — honestidade, veracidade, castidade, sobriedade, temperança, laboriosidade e economia; descartemos toda cobiça e ganância. ¶
O HOMEM DEVE TRABALHAR ¶
Devemos purgar nossos corações do amor à comodidade; devemos expulsar de nossa vida a maldição da ociosidade. Deus declarou que o homem mortal deveria ganhar o pão com o suor do seu rosto. Essa é a lei deste mundo. No passado, isso onerou nossa força e nosso sistema econômico, para sustentar os relativamente poucos ricos ociosos. Essa experiência nos mostra que nenhum grande grupo pode ser mantido na ociosidade. Certamente não é natural crer que possa. As pessoas têm sido insuficientemente alimentadas e vestidas, mesmo com todos trabalhando, os que eram capazes de trabalhar. Por que nos iludirmos pensando que um terço de nós pode viver na ociosidade e todos nós estarmos melhor? Se um terço pode ficar ocioso, e todos estarem melhor do que agora, então por que não a metade ociosa, aumentando a prosperidade; e se a metade, por que não dois terços, e se dois terços, então todos nós ociosos e cada homem milionário, e ninguém trabalhando. ¶
Além disso, determinar por lei que um terço viva às custas dos dois ¶
terços é instituir uma escravidão legal dos dois terços que trabalham. Como alguém dentro da idade da classe ociosa proposta, protesto com todo o espírito e a força que possuo contra a imposição sobre mim de tal maldição. Que o Senhor não permita que isso venha a suceder. ¶
Pelos decrépitos e enfermos, por qualquer causa, tenho, todos nós temos, a mais profunda simpatia, assim como por aqueles em aflição por causas além de seu controle. A todos estes devemos o dever sagrado de ajudar. A lei de Deus sempre foi "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." Isto devemos fazer. Mas, lado a lado com esta lei, está aquela outra lei, declarada desde o princípio, de que, enquanto o homem puder trabalhar, deve trabalhar. Estas são as duas grandes leis, os dois princípios fundamentais por trás do Plano de Segurança da Igreja. O objetivo daquele plano é incorporar estas duas grandes verdades à vida de todos nós. ¶
Que Deus nos conceda o poder de ver sempre a verdade. Que ele aumente nossa fé dia a dia. Que ele nos capacite, de hora em hora, a viver mais próximos dele, a guardar seus mandamentos, a seguir as diretrizes que ele traçou para nós. Que ele nos dê sabedoria para prever e vislumbrar o futuro. Que ele nos dê a força e o poder do Espírito para nos prepararmos para esse futuro, seja ele qual for. Que estas bênçãos venham a nós, peço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶