Discurso da Conferência
David A. Smith
Estou feliz, meus irmãos e irmãs, por estar presente nesta conferência e por ser membro d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que é a Igreja de Deus. ¶
Pouco depois de anunciado o programa de segurança social, apareceram no escritório do Bispado Presidente algumas pessoas que solicitavam ingressar na Igreja. As perguntas que lhes foram feitas trouxeram à tona a declaração de que gostavam do programa e queriam pertencer a uma igreja que cuidasse de seus pobres. Nada mais parecia importar; o principal objetivo era ser alimentado e cuidado. Isso não tem sido incomum durante os últimos seis meses. É uma ocorrência quase diária no Escritório do Bispado Presidente. As pessoas em geral, ao que parece, têm muito pouca noção do que significa pertencer a esta Igreja. Geralmente, dizem: "Que diferença faz a que igreja você pertence, todas levam ao mesmo fim." ¶
Não me surpreendo com isso vindo daqueles que não são membros e que não estão familiarizados com as obrigações impostas aos membros, mas fico chocado ao encontrar tantos que afirmam ser membros e que aparentemente têm ideias semelhantes. Esquecemo-nos, às vezes, de que a Igreja de nosso Senhor está fundada sobre princípios com uma promessa, e que, para obter exaltação em seu reino, devemos ser obedientes em todas as coisas. O Senhor nos deixou claro que é responsabilidade daqueles que têm em abundância cuidar dos que estão em necessidade, mas ele modifica isso na medida em que apenas os que forem dignos podem ter direito a receber da Igreja. Verificamos, ao examinar nossos registros, que uma grande parte dos que estão em necessidade não são dignos no que diz respeito à obediência ao plano do evangelho, pois não são obedientes, nem têm respeito pelas leis de Deus. Até que ponto deve chegar nossa responsabilidade para com aqueles que se encontram nessa condição é uma questão que deve ser respondida por meio do espírito de amor e comunhão fraternal. ¶
Primeiro, é nossa responsabilidade, se tiverem sido batizados e aceitos na Igreja, labutar diligentemente com eles no espírito de amor; ensinar-lhes os princípios do evangelho, tomá-los pela mão, por assim dizer (pois muitos deles são como cegos), e conduzi-los à verdade e à luz, onde possam obter uma compreensão da Igreja, de seus princípios, e de seu dever em relação a esses princípios. Embora a Igreja seja responsável por seus pobres, está claramente estabelecido que é dever dos ricos dar de seus bens para o sustento dos pobres. O Senhor disse: "Digo-vos: Sede um; e se não sois um, não sois meus." ¶
Devemos ter em mente o pensamento de que os que são pobres não têm direito à ajuda, a menos que a mereçam. "A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma alcança, mas a alma dos diligentes prospera." E, novamente: "O preguiçoso não lavrará por causa do inverno, pelo que mendigará na ceifa." (Prov. 20:4). ¶
"Não tenhais receio de praticar o bem, meus filhos, pois o que semeardes, isso colhereis; portanto, se semeardes o bem, colhereis o bem como vossa recompensa." (D. e C. 6:33). ¶
Na história inicial da Igreja, foi impresso nos líderes da Igreja que instassem o povo a ser unido, a ter todas as coisas em comum, de modo que não houvesse pobres nem ricos. À medida que se mudavam de um lugar para outro, recebiam lotes de terra, chamados sua herança, e, quando chegaram aos vales das montanhas, novamente foram dados lotes aos membros da Igreja como sua herança. Os homens não brigavam pela escolha dos lugares; recebiam aquilo que lhes fosse designado. Eram chamados para colonizar os vales das montanhas e estabelecer lares. Poderiam ter tomado, em alguns lugares, vales inteiros, mas seu chamado era uma missão, e a terra era assegurada para eles e para aqueles que os seguissem. Isso tem sido um princípio do evangelho, um dos princípios sobre os quais a Igreja foi estabelecida, um princípio que nos obriga nestes dias, o que significa que não somos apenas requeridos a nos familiarizar com os princípios do evangelho, mas somos requeridos a aplicar esses princípios em nossa caminhada diária de vida; a andar retamente diante do Senhor, a deixar de lado o egoísmo e aquelas coisas que entram na vida dos homens e os tornam egoístas e carentes de consideração uns para com os outros, sem desejo de serem úteis uns aos outros. ¶
Nestes dias, o mundo está perturbado porque muitos não aprenderam a conhecer esse princípio, ou não têm respeito por ele, e por isso buscam tomar à força aquilo que legitimamente pertence a outra pessoa. O mundo parece estar cheio de conflito e tumulto por causa do egoísmo, da falta de consideração uns para com os outros. ¶
O plano do evangelho, tal como nos foi revelado nestes dias, permite-nos, por meio de nossos próprios esforços, de nossa própria fé, de nossa própria obediência, tornarmo-nos iguais, iguais em todas as coisas. Quantos receberão essa bênção? Quantos serão dignos de permanecer nesse grupo, não podemos dizer. ¶
Na septuagésima sexta seção de Doutrina e Convênios, o profeta nos conta de sua visão, na qual viu o Pai e o Filho; viu a glória do reino celestial e aqueles que podem obtê-lo; a glória do reino terrestrial, e a glória do reino telestial, e aqueles que os habitarão, mostrando que, mesmo no tempo vindouro, haverá uma divisão de igualdade. Essa condição só se dará por causa da falha dos filhos de Deus em serem obedientes às suas leis, que ele estabeleceu para que seus propósitos se cumprissem e seus filhos recebessem exaltação, na qual está o livre-arbítrio do homem, o que os torna iguais em todas as coisas — ao menos a oportunidade de serem iguais está incorporada no plano de salvação do Senhor. ¶
Parece-me que devemos ter isso em mente quando falamos de caridade, de auxílio, do sacerdócio e da Igreja, pois é cada membro individual que compõe a Igreja, e, onde um é negligenciado, onde um é deixado a se debater sozinho sem orientação, alguém é responsável, e alguém será chamado a prestar contas. Portanto, parece-me que a maneira de trazer essa condição não é inteiramente por meio de uma ¶
divisão de bens para tornar os homens iguais, mas sim por meio de viver em harmonia com o evangelho, ensinando o evangelho de maneira tão enérgica que nos leve aos lares dos desgarrados, daqueles que têm fome e sede de justiça. Muitos deles talvez não conheçam a causa de sua fome, por não terem conhecido, ou, por desobediência, terem perdido o gosto pelo alimento espiritual; talvez não descubram a causa de seu mal a menos que alguém que compreenda e aprecie essa bênção lhes leve esse alimento espiritual, os alimente e os ajude a compreender. ¶
Assim, digo, meus irmãos e irmãs, que é preciso mais do que alimento para nos preparar para sermos iguais; é preciso mais do que princípios do evangelho para desenvolver a Igreja. Requer o esforço incansável daqueles que receberam o sacerdócio, e que, assim, tomaram sobre si obrigações que exigem que sirvamos fielmente a nosso Pai na grande obra que nos foi confiada, obrigação essa que nos veio por meio da aceitação do santo sacerdócio. ¶
Que sejamos dignos da ajuda do Senhor, que nos tornemos mais unidos. Com o tumulto ao nosso redor, é imperativo que nos aproximemos uns dos outros nos assuntos espirituais e temporais, que nos tornemos mais obedientes aos mandamentos de Deus. Que nos lembremos de pagar nossos dízimos e ofertas, e de nos reunirmos com frequência, para que possamos participar de seu Espírito e sermos edificados, fortalecidos e tornados iguais aos seus olhos. Que ele nos abençoe para esse fim, oro em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶