O Crescimento da Igreja
Rudger Clawson
Estou olhando para os rostos de uma multidão de pessoas. Este grande tabernáculo está lotado ao máximo, todos os assentos estão ocupados e muitos estão de pé. Tenho simpatia por aqueles que estão de pé. Está reunido aqui um corpo representativo dos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias — pessoas vindas de 114 estacas de Sião, e entre eles, presidências de estacas, sumos conselheiros, bispados de alas, presidências de quóruns do sacerdócio e de organizações auxiliares. ¶
Quando entrei para o Conselho dos Doze, há trinta e seis anos, havia menos de cinquenta estacas de Sião. Hoje há 114 estacas. Verdadeiramente, Sião está crescendo. ¶
A MÚSICA APRECIADA ¶
Irmãos e irmãs, tenho me emocionado com o espírito desta conferência, com o excelente canto que temos ouvido durante todo o evento, e agora, hoje, com o canto do grande Coro do Tabernáculo. Para mim, é maravilhoso e inspirador. ¶
Perdoem-me se me desvio por um momento para dizer uma palavra de louvor pelo excelente trabalho realizado pelo Coro do Tabernáculo, sob a direção do professor Albert J. Southwick, na Feira de San Diego. Não tive a boa sorte de estar lá, mas li a respeito nos jornais e ouvi diversas pessoas comentarem, e sei que realizaram uma grande e boa obra. ¶
A OPERAÇÃO DAS LEIS É INESCAPÁVEL ¶
Fiquei emocionado com o testemunho e a exortação do Presidente Heber J. Grant no discurso de abertura desta conferência, e com o que foi dito em todos os discursos proferidos até agora. Tivemos uma boa variedade de instruções, mas todas foram apropriadas e se encaixaram muito bem. O Presidente Clark enfatizou, com bastante ênfase, o poder e a influência da lei, dizendo que vivemos sob um reinado de lei. Como isso é verdadeiro! Onde quer que vamos, ou para qualquer lado que nos voltemos, deparamo-nos com o glorioso princípio da lei. Em toda a Igreja, em todas as estacas e alas de Sião, vós a encontrareis. Como cidadãos de nossa grande república americana, de Utah, de Salt Lake City e de todas as demais cidades desta terra, sereis confrontados pela operação da lei. Não podemos escapar dela. Desde o momento em que nascemos até que morremos, estaremos sob a influência da lei. ¶
A LEI DAS FINANÇAS ¶
Permiti-me lembrar-vos, irmãos e irmãs, que os Santos dos Últimos Dias são um povo prático. Se se diz que eles se ocupam de coisas espirituais, pode-se dizer com igual verdade que também se ocupam de coisas temporais. A linha que divide o temporal do espiritual — se é que tal linha existe — jamais foi descoberta. E, no que diz respeito ao temporal, no início desta obra o Senhor previu, com clara visão, que sua Igreja não poderia ser restaurada sobre a terra nem edificada sobre esta terra, senão por meio do princípio da lei; pois, de fato, ele deu à Igreja duas leis grandes e importantes — a lei das Finanças e a lei da Saúde. Por mais grande e importante que seja a lei das finanças, ou o dízimo, como a chamamos, ela foi dada com brevidade e expressa em termos tão simples que até uma criança poderia compreendê-la. A linguagem da lei é, em parte, a seguinte: ¶
E eles [referindo-se aos Santos dos Últimos Dias] pagarão a décima parte de toda a sua renda anual; e isto será uma lei permanente para eles, para meu santo sacerdócio, diz o Senhor. ¶
Muito simples, muito direta, muito objetiva. A observância desta lei das finanças tem, em muitas ocasiões, trazido a salvação temporal à Igreja. Em tempos de prosperidade? Sim. Em tempos de pânico e depressão? Sim. Ela está em constante operação sob todas as condições. Nunca cessa, porque há de ser uma lei permanente para a Igreja para sempre, e há também algo de espiritualidade nesse pensamento. Todo membro da Igreja que tenha uma renda e se recuse a pagar o seu dízimo não é leal à causa. O Senhor também diz claramente, em relação a esta importante lei, que é por meio dela que a terra de Sião há de ser santificada. E, se o povo dos Santos dos Últimos Dias deixar de observá-la, ela não será, para eles, uma terra de Sião. ¶
Ora, esta lei, quando investigada, tem despertado a admiração de muitas igrejas cristãs, e alguns pastores desejaram introduzi-la em suas comunidades, mas, por alguma razão, não conseguem; parecem não ser capazes de fazê-lo, talvez pela falta de união e coesão. Irmãos e irmãs, devemos considerá-la um privilégio, além de um dever, observar este santo mandamento. O melhor momento para pagar o dízimo é quando a renda chega às nossas mãos, seja semanal, mensal ou sazonalmente. Assim, ficaremos muito felizes ao final do ano ao constatar que nosso dízimo está pago e que nosso crédito com o Senhor não está comprometido. ¶
ALÍVIO DA ESCRAVIDÃO DA DÍVIDA ¶
Permiti-me suplicar-vos, irmãos e irmãs desta grande congregação e da Igreja, não vos esqueçais do Senhor, e o Senhor não se esquecerá de vós. Suponho que há, talvez, muitos nesta congregação, e muitos em toda a Igreja, que gostariam de ser livres da escravidão da dívida, pois ela exerce uma pressão terrível sobre muitas pessoas. Tudo o que temos a dizer a esse respeito é: pagai um dízimo honesto ao Senhor, pontual e regularmente, e ele vos abençoará e vos ajudará a sair da dívida, e, se isso ocorrer, irmãos e irmãs, permiti-me dizer, nas palavras do falecido Presidente Joseph F. Smith: "Mantende-vos fora da dívida." ¶
Eu mesmo já estive endividado, e agora estou livre da dívida, graças ao Senhor, e desejo assegurar-vos que isso traz uma sensação muito confortável e é uma condição feliz de se estar. ¶
A LEI DA SAÚDE ¶
Agora, quanto à Lei da Saúde. Não é maravilhoso que o Senhor tenha sido tão atencioso, desde o princípio, a ponto de considerar a importância da saúde de seu povo? Parece que ele olhou adiante e, com seu olho profético, viu que havia perigo, e, consequentemente, em sua grande misericórdia, deu-nos a lei da saúde. Já ouvimos, durante esta conferência, algumas coisas a respeito desta lei, mas muitos de vós não estavam presentes. Repetirei agora um parágrafo de uma revelação sobre a Palavra de Sabedoria, mencionada pelo Presidente Grant em seu discurso, que é o seguinte: ¶
Eis que, em verdade, assim vos diz o Senhor: Devido a maldades e desígnios que existem e virão a existir no coração de homens conspiradores nos últimos dias, eu vos adverti e previno-vos, dando-vos esta palavra de sabedoria por revelação — ¶
Foi então que o Senhor declarou a natureza desta lei e as exigências que ela impõe, e disse que as bebidas fortes não são para o uso do homem, mas para lavar o corpo; e que as bebidas quentes — referindo-se ao chá e ao café — não são para o corpo nem para o estômago. Além disso, que o tabaco não é bom para o homem, nem para o corpo, nem para o estômago. O Senhor também aponta as coisas que são boas para o homem, mas não todas elas. E, quanto a estas coisas que são declaradas más, ele não nos diz, na revelação, por que há mal nelas, mas o tempo determinou essa questão. Homens da ciência nos disseram que no tabaco há um veneno mortal, e no chá há um veneno chamado tanino, e no café um veneno chamado cafeína. E sabemos que assim deve ser, porque essas coisas proibidas são, na verdade e substancialmente, narcóticos, e um narcótico é algo que cria hábito. As coisas que são boas para nós não criam hábito. Podemos tomá-las ou deixá-las, mas esses maus hábitos, com muita frequência, e na maioria dos casos, se tornam senhores dos homens; o hábito parece ser maior e mais forte do que o indivíduo. ¶
MULHERES FUMAM PUBLICAMENTE ¶
Uma fase muito séria desta questão, relacionada ao uso do tabaco, é o fato de que mulheres e moças jovens estão adotando esse hábito em toda a nação, e ouso dizer, no mundo inteiro; é surpreendente com que rapidez essa prática se espalhou, e é algo muito sério para os Santos dos Últimos Dias considerarem. Sempre que sairdes pelo mundo afora, nos hotéis, nos restaurantes, nos teatros e nos saguões de salões de baile, encontrareis mulheres juntando-se aos homens no fumo do tabaco. E permiti-me, se me for perdoado, tomar apenas um momento para chamar vossa atenção aos efeitos maléficos do tabaco, pois, entre esses venenos que mencionei, o veneno do tabaco é o mais perigoso. Chama-se nicotina e é um veneno mortal. ¶
A INFLUÊNCIA DE UMA MISSIONÁRIA ¶
Poderia aqui observar que um dos presidentes de missão relatou, em nossa reunião com os presidentes de missão na quarta-feira, que, em uma das cidades de sua missão, uma missionária conduzia uma classe da AMM com uma matrícula de cerca de oito rapazes que não eram membros da Igreja, e eles pareciam estar muito entusiasmados com o estudo. Apreciavam muito a oportunidade e achavam maravilhoso o que aquela jovem de Sião estava fazendo. Um deles lhe disse: ¶
"Entendemos que sua Igreja aconselha seus membros contra o uso do tabaco. Isso é verdade?" ¶
Ela respondeu: "Sim, isso é verdade." ¶
Eles então disseram: "Todos nós usamos tabaco, mas gostaríamos que a senhorita nos ajudasse a vencer o hábito." ¶
E ela os ajudou, remetendo-os à lei da saúde, ou Palavra de Sabedoria de nossa Igreja, e foi relatado que estão conseguindo, em seu esforço, vencer o hábito. Permiti-me chamar novamente vossa atenção para o fato de que esses jovens não eram mórmons. Pensai nisso, refleti sobre isso. ¶
OPINIÕES DE PESSOAS DE FORA SOBRE O FUMO ¶
Em Nova York, certo magistrado disse enfaticamente: "Noventa e nove entre cada cem meninos, entre 10 e 17 anos, que compareceram perante mim acusados de crime, tinham os dedos desfigurados por manchas amarelas de cigarro." ¶
Eis o que diz o famoso Dr. Jordan: "O menino que começa a fumar cigarros nunca entra de fato na vida do mundo. Quando os outros meninos estão assumindo o trabalho do mundo, ele já está às voltas com o coveiro e o agente funerário." ¶
Um menino de treze anos, que parecia ter uns nove, foi levado a um hospital para tratamento. Estava atrofiado física, mental e moralmente, e a enfermeira, com pena, perguntou: "Quem te ensinou a fumar?" ¶
"Meu irmão." ¶
"Ele deveria estar na cadeia." ¶
"Está," respondeu o menino. ¶
Elbert Hubbard afundou no mar, a bordo do grande navio Lusitania. Ele disse: "Nunca aumenteis o salário de um fumante de cigarros; nunca o promovais; nunca dependais dele; nunca mais ele será tão homem quanto é agora. O futuro dele está atrás dele." ¶
Thomas A. Edison: "Nenhum homem ou menino que fuma cigarros pode trabalhar em meu laboratório. Já há degenerados suficientes no mundo, sem que se fabriquem mais por meio de cigarros." ¶
Dr. Mayo: "Eu não fumo, não aprovo o fumo; os cirurgiões mais capazes, os homens no topo, não fumam." ¶
O Dr. Kellogg foi consultado por um homem que sofria de um grave caso de coração de fumante. Ele disse: "Irmão, o senhor precisa me ajudar, acabei de abrir um negócio, tenho milhares de dólares de meus amigos investidos, e preciso ter sucesso." O médico o informou que já era tarde demais. Em desespero frenético, o homem gritou: "Por que eu não soube disso antes? Por que ninguém me disse o que o tabaco faz a um homem?" ¶
Estamos dizendo às nossas congregações, e a todo o nosso povo, exatamente o que o tabaco faz a um homem. ¶
O TABACO AFETA A MENTE ¶
O superintendente de um de nossos grandes hospícios afirma que plenos cinquenta por cento dos pacientes ali internados perderam o intelecto por causa do uso do tabaco. ¶
O Dr. Poulson conta esta história: "Uma mulherzinha entrou em meu consultório, seguida por dois homens fortes, que seguravam um jovem insano de dezessete anos, de olhar alucinado. A mãe pediu-me que investigasse e visse se havia alguma esperança para o rapaz. Eu lhe disse que não havia. Ela desmoronou e soluçou como se seu coração fosse partir-se. Perguntei-lhe o que havia trazido seu filho àquela condição. Cigarros — ele fumava cada vez mais, até chegar a cinquenta cigarros por dia; então sua mente cedeu." ¶
Submeto a vós, irmãos e irmãs, que estas duas grandes leis, a lei das Finanças e a lei da Saúde, são essenciais ao bem-estar, à prosperidade e ao êxito deste grande povo, os Santos dos Últimos Dias. ¶
Que Deus vos abençoe e nos abençoe em nossos esforços para reprimir estas coisas más e sustentar as coisas boas da vida, é minha oração, e o peço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶