Pulpit

Paciência, Fé e a Constituição

Stephen L Richards

Conferência Geral de Outubro de 1934·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1934-10-05

Há um ano, ao ocupar esta posição, defendi a paciência — a tolerância em não chegar a conclusões apressadas e mal ponderadas a respeito da eficácia dos novos planos que haviam sido postos em prática para aliviar nossas aflições, e um cumprimento paciente de suas exigências. Eu acreditava então, como acredito agora, que a maneira mais rápida e mais segura de determinar o real valor de qualquer política recém-instituída é dar-lhe uma oportunidade justa. Continuo acreditando que a paciência é necessária na avaliação das forças que foram postas em ação para a libertação do país. Contudo, estou igualmente convencido de que algumas coisas além da paciência são necessárias, se quisermos dar alguma contribuição real ao fim último que todos desejamos.

ASPECTOS DO PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA CAUSAM PREOCUPAÇÃO

Tive a oportunidade limitada de observar bem de perto algumas das operações do grande programa de assistência que nosso governo está buscando realizar. Há aspectos dele que dão motivo para muita preocupação. Alguns desses pontos não seriam apropriados para discussão aqui, mas há um ou dois que sinto que posso mencionar com propriedade, e espero que com proveito. Os gastos com assistência, tanto diretos quanto indiretos, são enormes, e o número de beneficiários quase ultrapassa o crível. Em nosso próprio estado, segundo os últimos números disponíveis, 21,99% de toda a população do estado está inscrita nos registros de assistência, e em alguns condados a proporção da população que recebe assistência chega a 46%. Onde esses números prevalecem, isso significa que quase metade de todas as pessoas demonstrou, a contento dos responsáveis, que são casos legítimos de assistência e estão de fato recebendo os benefícios concedidos. Não incluí, nessas afirmações, o vasto número de pessoas que se beneficiaram de certas medidas emergenciais governamentais destinadas a preservar, aos proprietários, seus lares e propriedades, por meio da extensão de facilidades extraordinárias de crédito; estou limitando o número apenas àqueles que estão nos registros de assistência dos condados e municípios. Ao mencionar as porcentagens de nosso próprio estado, desejo que se saiba que nossos números são apenas representativos dos de outros estados da União.

INDICAÇÃO DE SOFRIMENTO E AFLIÇÃO

Não vejo como qualquer pessoa reflexiva possa contemplar essa situação sem grave preocupação. Sinto essa preocupação muito profundamente, porque essa informação surpreendente indica uma medida tão grande de necessidade, fracasso, sofrimento e aflição entre o povo. Ninguém

pode pensar nisso sem se sentir tocado. Meu primeiro desejo seria, é claro, que a causa dessas condições angustiantes pudesse ser removida, que tivéssemos imediatamente uma recuperação industrial capaz de dar a todos a oportunidade de trabalho e um bom sustento. Esse é o desejo de todos, mas como trazer tal recuperação é assunto de alguns dos debates e contendas mais acalorados que testemunhamos neste país por muitos anos.

Não entrarei nisso. Basta dizer que as condições estão aqui. Quanto tempo elas durarão, ninguém sabe. Esperamos que não seja por muito tempo. Enquanto durarem, são a preocupação imediata e premente de todo cidadão do país. Nenhum homem ou mulher consciencioso pode ignorá-las, pois mesmo de um ponto de vista egoísta, elas o afetam.

Presumo, portanto, que todos gostariam de fazer algo para ajudar. Vou tomar a liberdade de fazer algumas sugestões que creio que podem ser adotadas por quase todos que realmente desejam ajudar. Não vou falar agora sobre a concessão de auxílio financeiro. Espero mencionar isso mais tarde.

MANTER O AUTORRESPEITO

Minha primeira sugestão é que todo homem, mulher e criança afetados adversamente por esta "depressão" sejam encorajados a manter o autorrespeito. Espero sinceramente que, no que estou prestes a dizer, eu não cause ofensa alguma. Asseguro-lhes que nenhuma é pretendida. Desejo apenas ser bondoso, mas sei que às vezes é necessário ser franco e aparentemente cruel para ser, de fato, bondoso. Sei que houve muitas centenas de pessoas autossuficientes, dignas de autorrespeito, orgulhosas, que foram humilhadas até o pó pelas duras circunstâncias que lhes foram impostas. Meu coração se compadece delas. Tenho pena da humilhação que sofreram, mas, por mais estranho que possa parecer, para o bem delas mesmas, quero que continuem a sentir-se humilhadas, em seus próprios sentimentos, enquanto continuarem a receber a assistência caritativa. Repito, notem bem, em seus próprios sentimentos. Não quero que se lhes imponha nenhum constrangimento indevido, mas quero que sejam tão homens e tão mulheres, em tudo o que esses termos implicam, a ponto de sentirem-se aflitos no espírito quando não puderem ser autossuficientes e razoavelmente independentes.

FATORES NO BEM-ESTAR ECONÔMICO E ESPIRITUAL

Há um orgulho na vaidade "que precede a queda", mas aquele orgulho no homem que o faz preservar seu bom nome, e lhe dá a coragem de trabalhar para sustentá-lo, aquele orgulho que o faz evitar a servidão de obrigações que não pode cumprir, aquele orgulho que mantém sua cabeça erguida mesmo na pobreza, consciente de que sempre foi honrado e deu o melhor que havia em si, esse orgulho eu admiro. Creio também que ele é essencial para a preservação de algumas das melhores coisas dentro de nossa civilização. O autorrespeito, a autossuficiência e o orgulho da realização considero fatores de grande destaque em nosso bem-estar econômico, e também no espiritual.

BUSCADORES DE CARIDADE

Infelizmente, houve outra classe entre nossos cidadãos que não tiveram tanto orgulho e autorrespeito, e que não se sentiram muito humilhados, talvez nem sequer humilhados, ao receber esses benefícios que lhes foram concedidos. Eles têm estado ansiosos para receber. Suponho que sempre haverá alguns dessa classe entre nós. Também sinto pena deles, porque lhes falta um elemento de caráter essencial para o sucesso e para a felicidade duradoura.

"PARASITANDO" O GOVERNO

Ora, sem em nada diminuir nossa simpatia por aqueles infelizes que realmente estão em necessidade, o observador não pode deixar de notar que há uma tendência crescente e profundamente lamentável de "parasitar" o governo e tomar toda gratificação possível de obter, e isso, às vezes, mediante representações e conluios que não resistem à luz da verdade. É verdade também que essa disposição de "parasitar" o governo não se limita apenas àqueles que estão nos registros de assistência.

Na obtenção de empréstimos de benefício, alocações de safra e outras concessões tão generosamente concedidas, isso tem se manifestado em tal grau, e em tais pessoas, a ponto de causar grande espanto àqueles que têm informações internas. Não raro se ouve, em pseudojustificativa dessas ações lamentáveis, expressões como estas — "Bem, todo mundo está recebendo, também vou pegar minha parte" — ou "O governo causou essas condições, ele que nos tire delas." Fui informado de homens que solicitaram empréstimos habitacionais sob alegações de necessidade, cuja renda regular de um só mês seria considerada, por muitas famílias, sustento suficiente para um ano inteiro.

DESPREZO PELOS IMPOSTORES

Não estou apontando essas coisas em crítica à administração dos planos de recuperação do governo, embora suponha que seja possível detectar erros. Faço concessões pelas falhas e abusos que quase necessariamente se infiltram na operação de esquemas tão extensos, montados e operados tão rapidamente. Tampouco critico particularmente os próprios planos, não porque não veja neles deficiências, mas porque acho muito difícil descobrir, em meu próprio raciocínio ou nas sugestões de outros, qualquer medida substitutiva satisfatória para ocupar seu lugar. É aqui que sinto que devo exercer paciência, mas não sou paciente com os impostores que abusam da generosidade do governo. Digo-lhes que esses buscadores profissionais de caridade, esses "parasitas" da beneficência pública, são uma ameaça ao moral de nosso país. Perderam o autorrespeito, perderam sua honra, e sua influência é perniciosa. Qualquer funcionário público ou administrador que conluia com eles ou tolere suas práticas é ainda mais merecedor de nosso desprezo.

RESULTADOS DE LONGO ALCANCE

Não estou disposto a admitir que esses abusos sejam inevitáveis. São sérios demais, e seus resultados de alcance longo demais, para ficarem sem contestação. Temo-os, não apenas porque são custosos para o tesouro público, cuja drenagem é motivo de profunda preocupação para todo americano, mas pela razão mais importante que já indiquei anteriormente: a de que a prática de "parasitar" o governo está pervertendo as mais nobres virtudes da cidadania americana — o autorrespeito, a autossuficiência e a integridade. Além disso, não posso deixar de concluir que essa distorção do moral de nosso povo torna o terreno fértil para as sementes da deslealdade e da anarquia que aqueles hostis à nossa forma de governo estão sempre buscando semear.

A ATITUDE DO SANTO DOS ÚLTIMOS DIAS

Eu disse que todos poderiam ajudar. Creio que todos podem. Creio que nossa Igreja pode ajudar, assim como qualquer outra boa agência. É por isso, meus irmãos e irmãs, que trago este assunto à sua atenção hoje. Nenhum Santo dos Últimos Dias pode tolerar, por um só momento, qualquer imputação contra sua honra e integridade. Nenhum Santo dos Últimos Dias pode dar-se ao luxo de ser outra coisa que não autorrespeitoso, e tão autossuficiente e independente quanto as circunstâncias possivelmente permitirem. Fomos ensinados, ao longo de toda a nossa história, o evangelho do trabalho, da autossuficiência e da liberdade em relação às dívidas. Dói-me tanto ver um homem perder o orgulho do autorrespeito e da autossuficiência que eu desejaria que fosse viável tomar um comprovante de obrigação para cada gratificação concedida, para que os beneficiários pudessem dizer que tinham tomado o dinheiro emprestado e o pagariam de volta, e assim não fossem humilhados pelo recebimento de esmolas.

PARA RESTAURAR NOSSO MORAL

O moral é feito pela opinião pública, e a opinião pública é o conjunto das opiniões individuais. Podemos manter nosso moral, e, se o perdemos em alguma medida, podemos restaurá-lo, assim como o país em geral, se cada um e todos resolverem firme e definitivamente: primeiro, que em nenhuma circunstância será, ele mesmo, culpado, em nenhum grau, dos abusos que mencionei, e segundo, que, na plena medida de sua capacidade, cuidará para que tais abusos não sejam tolerados nos outros. O custo da administração do programa de assistência já é tão enorme (parece-nos excessivo, a nós que administramos a assistência sem custo) que não se deve acrescentar a esse custo nenhum fundo adicional para mais supervisão; assim, é indispensável para o sucesso do programa que cada um assuma sua responsabilidade. Ao fazê-lo, todos podem ajudar. Não sei quanto tempo manteremos nossos métodos atuais. Se deveriam ser mudados é assunto que dificilmente cabe discutir aqui, mas sei que, enquanto os tivermos, temos o dever de tirar deles o melhor que se pode obter. Isso só é possível mediante plena cooperação.

Espero sinceramente que meu apelo aqui hoje não seja mal interpretado. Pode soar duro e insensível, mas sei que, em meu próprio coração, não estou sem caridade e simpatia, e sei que meu povo é generoso e bondoso. Quando penso no que damos para a caridade e para o apoio de causas nobres e desinteressadas, sinto-me grato e animado.

A LIBERALIDADE DO SANTO DOS ÚLTIMOS DIAS

Notei outro dia, em informações divulgadas pelo Departamento Federal da Receita Interna, que as contribuições caritativas dedutíveis dos homens ricos da América, conforme mostravam suas declarações de imposto de renda, não ultrapassavam 2% de sua renda líquida. Nós, que pagamos nosso dízimo, damos 10%, e a isso acrescentamos muitos outros itens, de modo que, quando fazemos nossas declarações de renda ao governo, se tivermos a sorte de ter renda suficientemente grande para declarar, não é raro o caso de que os 15% da renda líquida dedutíveis para fins fiscais não sejam suficientes para cobrir todas as nossas contribuições, e às vezes pagamos imposto sobre nossos donativos. Alegro-me com isso, porque indica nossa generosidade e nosso desejo verdadeiramente cristão de ajudar nosso semelhante. Sinto esse desejo. Quero continuar a dar, não apenas por causa da necessidade contínua, mas porque dar é o melhor remédio do mundo para o endurecimento do coração. Recomendo-o a todos os que sofrem desse mal.

PERSPECTIVA PARA O INVERNO QUE VEM

Há pouca esperança de que o inverno que vem não apresente demandas ainda maiores a nossa simpatia e a nossos recursos. Indicou-se, de Washington, que os estados e as comunidades locais talvez tenham de arcar com uma parcela maior do fardo. Espero que façamos o máximo possível, e rogo para que nenhuma pessoa digna, honesta e merecedora seja permitida sofrer. Rogo com igual fervor para que nenhuma pessoa se torne tão desonesta e desleal a ponto de ser um impostor que abusa da generosidade de nosso grande e misericordioso governo, que tão diligentemente busca aliviar nossas aflições.

A BASE DA CONFIANÇA MÚTUA

A honestidade comum é a base da confiança mútua. Se perdermos a confiança uns nos outros, estaremos perdidos. Não podemos confiar naqueles que enganam o governo. É tão desonesto quanto enganar a Igreja ou uns aos outros. Ninguém pode enganar e trapacear e ser cristão. Pode ser chamado de cristão, mas não o é. A falsa representação, a hipocrisia e o engano são tão repugnantes ao evangelho quanto o erro é à verdade, pois o evangelho é a verdade.

GRATO PELA IGREJA

Agradeço a Deus pelo evangelho de Jesus Cristo. Nele encontro a verdadeira filosofia de vida, com todas as virtudes, os estímulos, as

restrições, as esperanças e as satisfações que minha alma pode desejar. Agradeço a Deus pela Igreja de Cristo, com todas as suas agências, recursos e poderes para tornar o evangelho eficaz na vida dos homens e das mulheres. Aguardo com confiança o cumprimento das promessas do Senhor. Diante de muitos problemas, não me desanimo — a verdade prevalecerá. Devemos ser pacientes em todas as coisas, mas também devemos ser vigilantes. A paciência, a vigilância e a integridade nos conduzirão além. Rogo pelas bênçãos de Deus sobre a Igreja, sobre o governo e sobre todos os homens, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoStephen L Richards, “Paciência, Fé e a Constituição”, Conferência Geral de Outubro de 1934, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1934-10-05). Pulpit Vault, 1934-10-richards-stephen-l-patience-and-faith. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).