Pulpit

Oração e Obediência

George F. Richards

Conferência Geral de Outubro de 1934·Sessão da Tarde do Segundo Dia·1934-10-06

Cantamos esta tarde aquele belo hino "Prayer is the Soul's Sincere Desire" ("A Oração é o Sincero Desejo da Alma"). Para os Santos dos Últimos Dias, a oração é uma sagrada forma de adoração. A todos nós se ensina a observar as orações — orações em secreto, orações em família, orações em nossa adoração pública. A oração de um homem honesto e fiel muito vale perante o Senhor. As orações de muitos homens e mulheres fiéis, centradas no mesmo objeto e propósito, hão de valer muito mais ainda perante o Senhor.

NOMEAÇÕES INSPIRADAS

Orei fervorosamente para que o Presidente da Igreja fosse inspirado pelo Senhor na escolha dos homens para preencher as vagas nos conselhos das Autoridades Gerais. Sem dúvida, vós, meus irmãos e irmãs, orastes com igual fervor. Nossas orações foram atendidas, e nossas almas se regozijam com as escolhas que foram feitas. Com todo o meu coração, sustento cada um desses irmãos, e agradeço ao Senhor por eles, assim como sustento e agradeço ao Senhor por aqueles que já eram membros desses conselhos, todos os quais sei serem homens de Deus, devotados à obra do Senhor, e dispostos a fazer tudo o que lhes for pedido, reconhecendo sempre aqueles em autoridade que fazem essas nomeações de tempos em tempos como sendo representantes do Senhor, tendo eles autoridade para falar e agir por ele.

Ao responder a tais chamados para o ministério, atendemos ao chamado do Senhor para nos engajarmos em sua obra, e, quando assim engajados, estamos prestando o maior serviço que é possível a uma pessoa dar a Deus e a seus semelhantes.

GRATO PELA SAÚDE RESTAURADA

Regozijo-me por estar aqui hoje. Há seis meses, sofri de uma enfermidade, uma doença, que me impediu de comparecer à Conferência Geral. As orações dos Santos foram oferecidas em meu favor; as bênçãos do Senhor vieram a mim e efetuaram minha recuperação, de modo que agora posso prosseguir com meu trabalho. Louvo e agradeço ao Senhor, e agradeço aos Santos por sua fé e orações em meu favor.

Crendo que tenho vossa confiança, vosso amor e vossa fé, desejo dizer algo relativo a este evangelho que recebemos, que vale mais do que qualquer coisa, ou todas as coisas, com que temos de lidar.

O QUE É O EVANGELHO

Lemos nas escrituras uma definição do evangelho dada pelo apóstolo Paulo aos romanos, na qual ele diz: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação." Para ampliar um pouco essa definição, poderíamos dizer que o evangelho é o plano dos Deuses nos conselhos do céu, antes de o mundo existir, para a existência desta terra em que vivemos e do homem sobre a terra, para a queda do homem, para a redenção do homem, e sua exaltação por meio do sangue expiatório de Jesus Cristo e da obediência às leis e ordenanças do evangelho, e para a glorificação da terra. Esse plano também envolve a aceitação de certos princípios, o recebimento de certas ordenanças, a guarda dos mandamentos do Senhor, a obediência às suas leis, a prestação de serviço à Igreja, serviço ao Senhor, serviço aos semelhantes, serviço público e serviço privado, auxílio financeiro e bênção espiritual, e tudo o mais que se possa fazer para a bênção da humanidade.

É PRECISO ENSINAR A LEI

O evangelho exige que nos mantenhamos livres e sem mácula dos pecados do mundo, e que vivamos uma vida semelhante à de Deus e à de Cristo. É a lei pela qual toda a humanidade há de ser julgada, e pela qual será condenada ou justificada, segundo o mérito. As escrituras nos dizem que, até a lei, o pecado estava no mundo, mas o pecado não é imputado onde não há lei.

Lemos também no Livro de Mórmon que, onde não é dada lei, não há condenação. Portanto, em justiça, a lei do evangelho deve ser ensinada a todos os homens. Nenhum homem pode ser julgado por essa lei até que ela lhe seja ensinada, e chegue ao seu entendimento.

Há relativamente poucas pessoas a quem o evangelho, em sua plenitude e simplicidade, foi ensinado de modo que pudessem recebê-lo conscientemente — muito poucas, dentre os inúmeros milhões de filhos de nosso Pai que viveram sobre esta terra até o presente.

É PRECISO NASCER DE NOVO

O que será feito daqueles que não se sujeitaram a

essas condições? O Salvador disse a Nicodemos, um dirigente dos judeus: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus." Também disse: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus." A expressão "nascer de novo", Nicodemos não conseguia compreender. Há hoje muitas pessoas que não compreendem esse "nascimento", mas temos uma explicação na visão de Moisés, contida na Pérola de Grande Valor, que esclarece o significado dessa escritura. Para o benefício daqueles que não a compreenderam, permiti-me ler alguns parágrafos:

Portanto, dou-vos um mandamento para que ensineis livremente estas coisas a vossos filhos, dizendo:

Por causa da transgressão vem a queda, queda essa que traz a morte; e sendo que haveis nascido no mundo pela água e sangue e espírito que eu fiz e assim vos haveis transformado de pó em alma vivente, do mesmo modo tereis de nascer de novo no reino do céu, da água e do Espírito, sendo limpos por sangue, sim, o sangue de meu Unigênito; para que sejais santificados de todo pecado e desfruteis as palavras da vida eterna neste mundo e a vida eterna no mundo vindouro, sim, glória imortal;

Pois pela água guardais o mandamento, pelo Espírito sois justificados e pelo sangue sois santificados.

O ÚNICO MODO VERDADEIRO DE BATISMO

Significa "nascer de novo" um aspergimento de água? Dificilmente. Permiti-me ler mais do Livro de Moisés:

E aconteceu, quando o Senhor falou com Adão, nosso pai, que Adão clamou ao Senhor e foi arrebatado pelo Espírito do Senhor e foi levado para a água e foi mergulhado na água e foi tirado da água.

E assim ele foi batizado e o Espírito de Deus desceu sobre ele; e assim ele nasceu do Espírito e foi vivificado no homem interior.

E ele ouviu uma voz do céu, dizendo: Foste batizado com fogo e com o Espírito Santo. Este é o testemunho do Pai e do Filho, de agora em diante e para sempre.

Aqui está descrito o modo de batismo originado com Adão, o primeiro homem. Deus jamais autorizou qualquer outro tipo de batismo por água. E o batismo por água não é completo até que o indivíduo tenha sido batizado pelo fogo, ou pelo Espírito Santo, ou, em outras palavras, tenha tido as mãos impostas sobre sua cabeça para confirmação como membro da Igreja de Cristo, e o dom do Espírito Santo, como era a ordem das coisas na Igreja Primitiva.

POR ALGUÉM QUE TEM AUTORIDADE

Vou ler da seção 20 de Doutrina e Convênios, versículos 73-74:

A pessoa que foi chamada por Deus e tem autoridade de Jesus Cristo para batizar descerá à água com aquele que se apresentou para o batismo e dirá, chamando-o pelo nome: Tendo sido comissionado por Jesus Cristo, eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Então imergirá a pessoa na água e depois sairão da água.

Irmãos e irmãs, observai que a pessoa que batiza deve ser "chamada por Deus" e ter "autoridade de Jesus Cristo" para realizar esta sagrada ordenança; pois nenhuma outra autorização é aceita por Deus. Observai também que o oficiante e o candidato ao batismo devem "descer à água", o que, evidentemente, não contempla nem justifica batizar numa banheira, com o batizador ficando do lado de fora dela.

Não há justificativa em nenhuma das escrituras, antigas ou modernas, para qualquer outro modo de batismo; e a ordenança deve ser administrada por alguém que tenha autoridade.

CONDIÇÕES PRESCRITAS

Na seção 20 de Doutrina e Convênios, temos a palavra direta do Senhor a respeito deste princípio do batismo, versículo 71:

Ninguém pode ser recebido na igreja de Cristo a não ser que tenha alcançado a idade da responsabilidade perante Deus e seja capaz de arrepender-se.

Isso significa que o batismo não é necessário para as crianças pequenas que não são capazes de se arrepender. O Senhor nos informou, por revelação, que a criança normal, com oito anos de idade, deve ser considerada responsável e, portanto, deve ser batizada.

O Senhor disse, a respeito das qualificações necessárias para receber esta ordenança, em Doutrina e Convênios, seção 20, versículo 37:

Todos aqueles que se humilharem perante Deus e desejarem ser batizados e se apresentarem com o coração quebrantado e o espírito contrito; e testificarem à igreja que verdadeiramente se arrependeram de todos os seus pecados e estão dispostos a tomar sobre si o nome de Jesus Cristo, tendo o firme propósito de servi-lo até o fim; e realmente manifestarem por suas obras que receberam o Espírito de Cristo para a remissão de seus pecados, serão recebidos pelo batismo na sua igreja.

A humanidade inteira, em toda parte, deve sujeitar-se a essas condições. Não há outras condições prescritas pelo Senhor pelas quais possamos obter entrada em seu reino e obter a salvação. Esses requisitos são muito claros, simples e fáceis de entender.

O que podemos ler na Pérola de Grande Valor, e em todas as demais obras-padrão da Igreja, a respeito desses princípios e ordenanças, é uma confirmação e um esclarecimento das declarações estabelecidas na tradução King James da Bíblia — o Antigo e o Novo Testamento.

"JULGADOS SEGUNDO OS HOMENS NA CARNE"

Ora, o que faremos com esses inúmeros milhões que não entraram na Igreja e no Reino de Deus ao receber esta sagrada ordenança e outras ordenanças sagradas, tão necessárias para a exaltação do homem quanto o são o batismo e a confirmação, e que homens e mulheres devem receber? Aqueles que não tiveram o

privilégio de ouvir o evangelho nesta vida terão o privilégio de ouvi-lo no porvir. De outra forma, não poderiam ser julgados pela lei do evangelho. Por isso lemos nas escrituras:

Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito.

Pedro diz:

Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado na verdade, na carne, porém vivificado pelo Espírito: no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão.

UMA OBRA VICÁRIA

De modo que a pregação do evangelho aos espíritos no mundo espiritual não é uma nova doutrina; é uma doutrina bíblica. Mas o que farão eles, quando lhes for pregado o evangelho e se converterem, se o batismo for necessário e não tiverem sido batizados? O Senhor fez essa provisão, de que uma obra vicária pode ser realizada por eles; e ele colocou a responsabilidade diretamente sobre os membros desta Igreja, que receberam essas sagradas ordenanças, de oficiar em favor de seus parentes falecidos.

Não temos o direito de entrar nas linhagens de outras pessoas para fazer obra do templo sem sua permissão. Podemos receber ou dar assistência na obra do templo, seja um serviço gratuito ou pago. O Presidente Wilford Woodruff recebeu assistência gratuita de vários dos Santos ao realizar sua obra do templo no Templo de St. George. O Presidente Heber J. Grant tem dado à Igreja um exemplo maravilhoso a esse respeito, tanto por ir ele mesmo ao templo e levar sua família consigo para realizar a obra das ordenanças, como também por empregar auxílio adicional a fim de cumprir o sagrado dever que sobre ele recai em relação a seus parentes.

SALVANDO NOSSOS MORTOS

O Senhor disse, por meio do Profeta Joseph Smith, que nenhuma responsabilidade maior ele colocou sobre nós do que a de cuidarmos de nossos parentes falecidos.

Há muitos Santos fiéis que estão desempregados. Por que não gastar parte de nossos recursos pagando-lhes para nos auxiliarem em nossa obra do templo, e, ao fazê-lo, sermos uma bênção tanto para os vivos como para os mortos?

Desejo, aqui, fazer um apelo aos Santos dos Últimos Dias para que não negligenciem essa responsabilidade. Devemos despertar, avançar, e cumprir nosso dever. Deus o espera de nós. Salvar os mortos é tão importante quanto pregar o evangelho no exterior e trazer os vivos para o rebanho.

No templo, estamos preparados para atender os Santos, que podem vir a quase qualquer hora do dia — desde bem cedo pela manhã até tarde da noite — conforme tenham algumas horas livres, e certamente seu trabalho fora do templo não deveria tomar todo o seu tempo.

Vinde ao templo; redimi vossos mortos; e sede abençoados. Que Deus nos ajude, a mim e a vós, para este fim, é o que oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

A pedido do Presidente Grant, a congregação se levantou e cantou o hino "O say, what is truth?" ("Ó, dizei, o que é a verdade?").

Como citar este discursoGeorge F. Richards, “Oração e Obediência”, Conferência Geral de Outubro de 1934, Sessão da Tarde do Segundo Dia (1934-10-06). Pulpit Vault, 1934-10-richards-george-f-prayer-and-obedience. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).