Bem-Estar e Serviço na Igreja
Sylvester Q. Cannon
Sou grato, meus irmãos e irmãs, por ter o privilégio de partilhar convosco o espírito desta sessão, e das sessões anteriores desta conferência. Estou feliz com a escolha dos esplêndidos homens que foram chamados para estas posições na Igreja. Eu os apoio com todo o meu coração, assim como apoio todas as Autoridades Gerais da Igreja. Da mesma forma, sustento e tenho fé e confiança nas autoridades de estaca e de ala, nos oficiais de missão e em todos os membros da Igreja. Regozijo-me no espírito de fé que se evidenciou nas sessões da conferência. Fui grandemente edificado, fortalecido e encorajado. Regozijo-me com o progresso que a Igreja está fazendo em todas as direções. ¶
AUMENTO DO RESPEITO PELA IGREJA ¶
Recentemente tive ocasião de visitar o Leste, e também o Oeste; e por onde quer que fui, constatei que a Igreja está crescendo em respeito e reconhecimento entre as pessoas que não são de nossa fé. Há muitas coisas que estão ajudando a promover esta condição. Tenho certeza de que temos nesta Igreja um poder que mal apreciamos. É o poder da retidão, da confiabilidade, da integridade. Por meio da coordenação, cooperação e esforço unido dos Santos dos Últimos Dias, um progresso ainda maior e maior reconhecimento podem ser alcançados, não apenas nesta nação, mas em todas as nações do mundo. À medida que os povos do mundo passam a compreender nossos verdadeiros motivos e esforços, eles necessariamente darão maior consideração à nossa mensagem. Pois o verdadeiro propósito desta obra é promover o bem-estar da humanidade aqui e no porvir — trazê-los à verdade e ao caminho da vida eterna. ¶
UM ORÇAMENTO EQUILIBRADO ¶
A Igreja está progredindo tanto financeira quanto espiritualmente. Posso dizer-vos que a Igreja tem um orçamento equilibrado. A Primeira Presidência, e os que estão associados a ela, fizeram estimativas de receita e despesas para a Igreja como um todo para o ano. Nos primeiros seis meses deste ano, as despesas foram inferiores à metade do orçamento estabelecido. A receita da Igreja aumentou este ano, os dízimos, assim como o número de dizimistas, mostrando um aumento considerável, e isto apesar de termos enfrentado seca e outras condições desfavoráveis. Se isso é ou não uma evidência de melhoria nas condições financeiras, não sei dizer. Mas sou grato porque os Santos dos Últimos Dias estão apreciando em maior medida a divindade deste princípio, assim como de outros princípios do Evangelho, e estão se esforçando para viver de acordo com eles. Permitam-me dizer-vos que os dízimos estão sendo gastos inteiramente de acordo com as revelações do Senhor, contidas na 119ª Seção de Doutrina e Convênios, e com a política geral da Igreja. Estão sendo desembolsados com economia e com cuidado, para aqueles propósitos que são de grande importância, não apenas para os Santos dos Últimos Dias, mas para os povos do mundo, por quem tanto se faz por causa da responsabilidade que temos de pregar o Evangelho e promover esta mensagem que nos foi confiada. ¶
MELHORIAS NOS EDIFÍCIOS ¶
Entre outras coisas, a Igreja está fazendo mais este ano em termos de melhorias de edifícios nas várias alas e em várias missões. Creio que edifícios mais espaçosos e mais convenientes estão sendo construídos a um custo menor do que quase sempre foi o caso. Espero ver o dia chegar, na medida em que as condições permitirem, em que cada ala em toda a Igreja, e cada ramo nas várias missões que assim o justificar, tenha as conveniências de uma casa de reuniões adequada, que proverá as instalações necessárias para realizar as várias atividades da Igreja, bem como as condições apropriadas para a adoração divina. ¶
CESSAR A CRÍTICA ¶
Fiquei impressionado quando o Presidente Grant leu certas partes de uma seção de Doutrina e Convênios ao referir-se ao Presidente Ivins e a suas notáveis características e hábitos. Ele referiu-se a uma declaração feita naquela revelação, no sentido de que deveríamos cessar de encontrar defeitos uns nos outros. Isso me lembrou de um axioma a respeito da crítica infundada: "Nada é mais fácil do que criticar; nenhum talento, nenhuma abnegação, nenhum caráter, nenhuma inteligência são necessários para se estabelecer no negócio de resmungar." É verdade que todos temos fraquezas, nenhum de nós alcançou a perfeição, todos estamos sujeitos a críticas, e todos somos capazes de melhorar. Se as pessoas são justas, se são honestas, e se têm críticas a fazer, farão-nas àqueles de quem se queixam. Dirão a eles, pessoalmente ou por escrito, com seus nomes assinados naquilo que escrevem. Se tiverem a coragem e a honestidade de fazer isso, então aquele que é criticado tem a oportunidade de admitir que as críticas estão corretas e beneficiar-se disso; ou de provar-lhes que suas críticas estão erradas, caso em que cabe ao crítico pedir desculpas. Esta é, penso eu, a única forma justa de criticar. Mas ir por aí criticando e minando o caráter ou a influência daqueles que estão engajados em atividades construtivas é um método muito injusto e covarde. ¶
EXEMPLOS DE HONESTIDADE ¶
Referindo-me às homenagens prestadas aos grandes homens que recentemente faleceram na Igreja, fico impressionado com o fato de que, proeminente entre todas as qualidades que possuíam, estava sua honestidade e integridade inquestionáveis. Creio que foi Pope quem disse: "Um homem honesto é a mais nobre obra de Deus." O Presidente Anthony W. Ivins e os Élderes Charles H. Hart e Franklin S. Richards eram homens de estrita honestidade. A declaração feita pelo presidente daquela grande companhia de seguros de vida ao Presidente Grant, quando ele foi escolhido membro do Conselho dos Doze, de que, por reconhecê-lo como fundamentalmente honesto, mudou sua opinião a respeito das outras Autoridades Gerais da Igreja, foi impressionante. Não conheço nenhum homem que seja mais fundamentalmente honesto, cuja honestidade seja menos questionada, do que a do Presidente Heber J. Grant. Isso tem sido verdade a respeito de todos os líderes desta Igreja desde o início. Eles estabeleceram exemplos notáveis de confiabilidade. ¶
A IMPORTÂNCIA DA HONESTIDADE ¶
Já se fez referência ao último Artigo de nossa Fé, que se refere em grande parte às virtudes cardeais, que são tão parte do Evangelho e de nossas vidas quanto qualquer outro princípio. "Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos e em fazer o bem a todos os homens", e assim por diante. Este preceito expressa a importância de praticar essas virtudes fundamentais. A honestidade está no próprio alicerce de nossa vida individual e comunitária, de nossa civilização, de nossas organizações de governo e da condição de membro da Igreja. Se vivemos o Evangelho, não podemos deixar de ser honestos; se somos bons cidadãos desta nação, não podemos legitimamente deixar de ser honestos. Se a honestidade falta no governo, este gradualmente se desintegrará. Se a corrupção, se a extorsão, se outras práticas desonestas prevalecerem, então inevitavelmente haverá falta de confiança, e se desenvolverá uma crescente atitude de desrespeito pela lei e por aqueles chamados a administrá-la. ¶
HONESTIDADE NO GOVERNO ¶
Temos o direito de esperar de todo funcionário do governo que seja honesto em seus tratos; e que, quando tiver a direção de empregados do governo, exija deles honestidade e serviço honesto; e que, no manejo de fundos, haja estrita honestidade, e grande cuidado e precisão sejam mantidos. Honestidade é uma disposição de conformar-se com a justiça e o trato honrado, especialmente no que diz respeito aos direitos de propriedade. Da mesma forma, envolve uma determinação de conformar-se com a justiça e o trato justo em todas as nossas relações uns com os outros. Podemos aplicar a honestidade tanto às nossas ações quanto às nossas palavras. Isso é, obviamente, veracidade e franqueza. ¶
HONESTIDADE E VERACIDADE NA POLÍTICA ¶
Estamos agora engajados numa campanha para fins políticos. É importante que todo aquele que dela participe tenha o cuidado de ser honesto e verídico nas declarações que fizer, para que não nos deixemos levar por discussões acrimoniosas e desenvolvamos antagonismo e má vontade, o que é contrário aos princípios adequados da atividade política e do governo. Nossas declarações devem ser de fatos e não de suposições. Nossos pontos de vista políticos devem ser construtivos e não destrutivos. Qualquer candidato que faça promessas irrealistas ou defenda planos especiosos, impraticáveis de cumprir, ou que não tenha comprovado anteriormente ser digno de confiança, deve ser rejeitado. Cidadãos honestos, confiáveis e capazes devem ser buscados para cargos no governo. É nosso dever como eleitores analisar cuidadosamente o caráter dos candidatos e seus pontos de vista sobre as questões públicas. ¶
HONESTIDADE EM NOSSAS VIDAS ¶
Espera-se de cada um de nós que estamos engajados no trabalho da Igreja, seja como membros ou como oficiais da Igreja, que exemplifiquemos em nossas vidas o princípio da honestidade, assim como fazemos com toda outra virtude cardeal, e com todo outro princípio do Evangelho. Assim a Igreja crescerá, e assim a fé e a confiança do povo aumentarão. Tenho o prazer de dizer que, até onde alcança minha experiência, quase sem exceção, os oficiais da Igreja são absolutamente francos e honestos em seus tratos. Embora seja verdade que, em grande medida, penso que em maior medida do que em qualquer outra organização religiosa, os homens são chamados a administrar fundos de confiança nesta Igreja, eles são, de modo geral, muito cuidadosos e rigorosos. Penso que é de grande importância estimularmos, em medida ainda maior, esta condição entre os membros mais jovens da Igreja que estão crescendo, para que também desenvolvam esse espírito de honestidade, trato justo e justiça em suas vidas. ¶
DESGASTE DA HONESTIDADE E DO TRATO JUSTO ¶
Há uma tendência no mundo, e em grande medida em toda esta nação, por causa das condições adversas que se desenvolveram nos últimos anos, de solapar o espírito de honestidade, imparcialidade, justiça e veracidade. Há uma tendência a repudiar dívidas, sejam internacionais ou locais. Há, por vezes, uma tendência a incorrer em falência evitável, seja em caráter municipal ou privado. É importante que nós, como pais, em nossos lares, e como oficiais da Igreja, cumpramos a responsabilidade de ensinar e inspirar nos jovens da Igreja uma apreciação do valor da honestidade; e de incutir na vida de todos os que lidam com fundos e de todos os que lidam com seus semelhantes, uma apreciação do espírito de honestidade, trato justo e justiça. ¶
Fiquei estupefato ao ouvir relatos vindos de homens de negócios sobre má conduta por parte de jovens e possivelmente também de homens mais velhos. Há, infelizmente, muitos casos na vida empresarial de jovens, supostamente de bom caráter e confiáveis, que desviaram fundos de seus empregadores. Em vários desses casos, os empregadores cobriram as perdas e protegeram seus empregados de processo. Mas, é claro, tendo sido considerados indignos de confiança, eles e suas famílias sofrem com a perda de emprego e a perda de confiança. A honestidade não é apenas a melhor política, é a única política capaz de trazer paz e satisfação a todo indivíduo. Ocultar más ações pode ser possível por algum tempo, ao menos, mas, cedo ou tarde, quem deixar de praticar essas virtudes de confiabilidade e trato justo perderá a confiança de seus semelhantes e falhará naquelas qualidades que estão no próprio fundamento do caráter e do progresso. Os homens podem conseguir, por meios tortuosos, tomar propriedade que não lhes pertence, mas tais práticas destruirão a fibra moral de seu ser. O direito de propriedade nos é garantido pela constituição. É verdade que estamos sujeitos ao governo e a seus regulamentos; e é verdade também que devemos cooperar em sustentar o governo, mas ao mesmo tempo os direitos de propriedade não podem ser tornados nulos e sem efeito sem destruir o espírito e a apreciação da equidade entre a humanidade. ¶
PRECEITOS DIVINOS ¶
Do Monte Sinai, muitos séculos atrás, vieram os preceitos que são tão vinculantes para nosso bem-estar no presente quanto o eram naquela época: "Não furtarás", "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" e "Não cobiçarás". O profeta Miqueias, num período posterior, fez a declaração: ¶
Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus? ¶
Sobre cada um de nós recai a obrigação de nos esforçar por sermos justos, corretos, honestos, francos e respeitosos dos direitos mútuos em nossa associação com nossos semelhantes. Se tirarmos vantagem de outros por fraude, somos tão culpados quanto aquele que furta. Se somos empregados, cabe a nós prestar serviço pleno e verdadeiro pela compensação que recebemos; se somos empregadores, tratar nossos empregados com justiça e equidade; se temos o manejo de fundos de confiança ou fundos pertencentes a outros, geri-los com estrito rigor e cuidado, com pleno senso de nossas responsabilidades, e não tocar, por um só instante, um único centavo para nossos próprios fins. ¶
AS NECESSIDADES NÃO JUSTIFICAM A DESONESTIDADE ¶
É verdade que em alguns casos as pessoas estão em grande necessidade. Às vezes há sofrimento real. Mas há maneiras e meios pelos quais o alívio necessário pode ser obtido, sem tomar aquilo que não lhes pertence. A Igreja está fazendo, e fará, o que for necessário para o bem-estar de seus membros que estejam em necessidade. Além disso, o governo e as demais agências que lidam com fundos de assistência estão preparados para fazer o que é correto, apropriado e justo, de acordo com as necessidades reais. ¶
A HONESTIDADE DO INDIVÍDUO NO CORAÇÃO ¶
A menos que esteja arraigada no coração do indivíduo uma verdadeira determinação de ser honesto e franco, as provações e tentações que ele ou ela encontrará na vida serão tais que quase, se não totalmente, sobrepujarão seus melhores impulsos. Por isso, a importância de uma sólida formação no lar pelos pais, por meio do exemplo em cada um de seus atos e pelo ensino sábio e frequente de seus filhos. Em certa idade da infância, o desejo de possuir aquilo que se vê é grande, e o senso de propriedade ou posse é ainda insuficiente. Assim, a educação cuidadosa dada pelos pais, especialmente durante esse período da vida, é particularmente vital. Como Shakespeare tão apropriadamente faz uma de suas personagens, Polônio, dizer a seu filho Laertes: "Acima de tudo, sê fiel a ti mesmo, e há de seguir-se, como a noite ao dia, que não poderás então ser falso a homem algum." De maneira semelhante, os oficiais da Igreja podem ser muito úteis ao estimular constantemente uma apreciação da necessidade de estrita honestidade em todos os assuntos referentes à condição de membro e à atividade na Igreja, bem como aos negócios da vida. ¶
HONESTIDADE COM O SENHOR ¶
Assim como devemos empenhar-nos em ser fiéis a nós mesmos e em nossas relações com nossos semelhantes, também devemos determinar ser honestos com o Senhor. Se temos fé nele e na divindade desta obra, esforçar-nos-emos por ser fiéis a todo princípio e buscaremos praticar toda virtude que nos ajude a melhorar em retidão de vida. Se reconhecemos nossa mordomia aqui na Terra, esforçar-nos-emos por ser honestos em nossas doações para o avanço dos propósitos de Deus. Creio que qualquer homem ou mulher que seja um dizimista fiel, que viva de acordo com o espírito daquele princípio, será honesto em seus tratos com seu semelhante. Sei que já foi dito por um banqueiro aqui — que não é membro de nossa Igreja — que ele estava disposto a confiar num dizimista fiel. Tenho certeza de que esse ponto de vista está correto. Raramente, se é que alguma vez, encontrareis alguém que seja fiel no espírito e na prática desse princípio e que agisse com desonestidade ou injustiça, até onde chega o seu entendimento, em relação a outras coisas. ¶
O Apóstolo Paulo diz: ¶
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. ¶
Que o Senhor nos ajude a este respeito, e em todos os demais esforços para servi-lo, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶