Pulpit

Amor e Serviço no Evangelho

Reed Smoot

Conferência Geral de Abril de 1934·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1934-04-06

Ao contemplar a atitude dos Santos dos Últimos Dias, como um corpo de adoradores religiosos, para com seus semelhantes, minha mente é levada a uma séria reflexão sobre a grande missão à qual apresentamos uma reivindicação divinamente autorizada. Apresentamo-nos como mensageiros de vida e salvação sob o Evangelho de Jesus Cristo, a todos com quem entramos em contato.

Ajustamos nosso chamado aos dias atuais, esta Dispensação da Plenitude dos Tempos, conhecida das escrituras. Como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nossa reivindicação é que fomos divinamente comissionados a realizar as ordenanças do Evangelho em nome e pela autoridade de Jesus de Nazaré, o Filho do Deus vivo.

CUMPRIMENTO DAS PROMESSAS DE DEUS

Damos hoje ênfase particular a um aspecto culminante da revelação do Evangelho para a salvação dos vivos e dos mortos, dos filhos de Deus que habitaram a terra em eras passadas. Apontamos que, por meio do canal da revelação divina ao Profeta Joseph Smith, esse aspecto culminante foi o cumprimento da promessa de Deus registrada nas palavras finais do Antigo Testamento, de que enviaria o profeta Elias antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor, para converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais. Como prova da validade de nossa reivindicação, citamos, entre outras coisas:

  1. Que a atual condição perturbada do mundo, mais generalizada do que jamais se conheceu antes, é evidência de que o grande e terrível dia do Senhor está agora sobre nós.

OBRA PELOS MORTOS

  1. Que no início da presente dispensação do Evangelho, agora há cerca de um século, o Profeta Elias de fato veio; e que, depois dessa vinda, os pesquisadores genealógicos cresceram a milhões em número entre os povos civilizados da terra, e buscam registros de seus antepassados até os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó.

  2. Que nos templos dos Santos dos Últimos Dias, e apenas entre esse povo, são realizadas as ordenanças superiores do Evangelho para a salvação dos vivos e dos mortos das eras passadas.

  3. Que, embora essas ordenanças não façam parte da lei estritamente mosaica, são parte necessária da plenitude do Evangelho para esta era e tempo, tanto para os mortos que morreram sem lei quanto para os vivos hoje, resultante da declaração de Jesus de Nazaré: "Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão." (João 5:25.) A razão disso é dada pelo Apóstolo Pedro: "Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito." (1 Pedro 4:6.)

Para mim, esta é uma reivindicação séria, maravilhosa, que carrega, não apenas para a Igreja como um corpo, mas para os membros individuais dela, uma responsabilidade estupenda e pesada que não pode ser levianamente afastada. Nos primeiros dias, há quase trinta e três séculos, aqueles filhos de Israel que haviam saído do Egito, e viajavam no deserto entre aquele lugar e sua terra prometida, falharam em certo grau em cumprir os requisitos da lei do sacerdócio superior, e foram colocados sob a lei menor, conhecida como o convênio mosaico.

SOB O SACERDÓCIO SUPERIOR

Mas este não é o caso dos Santos dos Últimos Dias. Estamos sob o convênio com Cristo, que é o sacerdócio superior, e somos responsáveis por ele em nossa capacidade tanto individual quanto coletiva. A autoridade do Sacerdócio de Melquisedeque nos é conferida. As ordenanças desse sacerdócio superior são nossas. As exigências de suas responsabilidades recaem sobre nós individualmente, e não admitem evasão justificável de nossa parte. Elas se enquadram na declaração explícita do Salvador: "Se me amais, guardai os meus mandamentos." (João 14:15.)

Jesus disse ainda a seus discípulos:

"O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.

"Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.

"Já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.

"Não me escolhestes vós a mim, porém eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; para que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.

"Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros." (João 15:12-17.)

O ARBÍTRIO

Os homens têm seu arbítrio. Sob o pleno e adequado exercício deste, são livres para pensar, livres para agir dentro de restrições razoáveis. Esta liberdade de arbítrio coloca sobre eles a responsabilidade tanto do pensamento quanto da ação, como indivíduos. Sua oportunidade é escolher seguir o bem ou o mal na vida. Aqueles de nós que nos alinhamos sinceramente com a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias fizemos a escolha do bem, e nos tornamos mensageiros da salvação em nós mesmos e para com os outros. Tornamo-nos seguidores de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus. Como tais seguidores, a integridade de palavra e ação deveria ser a pedra angular de nossos esforços.

A NECESSIDADE DO TRABALHO

Para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, precisamos ser trabalhadores em sua grande causa. Está dito em um dos Provérbios: "Viste um homem perito na sua obra? Perante reis será posto." Esta necessidade do trabalho é uma mola mestra naquilo que chamamos de progresso, tanto para os indivíduos quanto para a civilização. Trabalhar, verdadeira e definitivamente trabalhar na causa de Cristo, produz seus efeitos em crescimento e desenvolvimento justos. O Apóstolo Pedro certa vez disse aos crentes de seu tempo: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido." (1 Pedro 2:9.) Um povo "que nada faz" não pode preencher esse chamado. Diligência, integridade, aplicação, autorrespeito, tanto nas coisas espirituais quanto nas materiais da vida, são qualidades essenciais. "Pelos seus frutos os conhecereis."

RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL

Na citação aqui feita do registro do Apóstolo João sobre os ditos de Cristo, dois elementos podem ser destacados para reflexão definida. Um deles é que, por nossa própria vontade, assumimos a responsabilidade de fazer algo nós mesmos, em vez de sempre buscarmos depender inteiramente do conselho e da direção de outros. Este conselho é oportuno em certa medida, mas tem seu limite em muitas vezes sobrecarregar os outros além do necessário. No devido grau, é oportuno, pois está em conformidade com o desígnio da Providência. No entanto, lembremo-nos de que a inspiração do Espírito Santo para procedermos por nossa própria iniciativa individual vale alguma coisa; e agir sob essa inspiração é uma obrigação bem expressa pelo Apóstolo Tiago: "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos." Na medida em que buscamos orientação ou governo excessivos de fontes humanas, desenvolvemos em nós mesmos uma tendência à desamparo. Aquilo que nos é dado por outros é sempre muito menos nosso do que aquilo que adquirimos por nosso próprio esforço diligente e perseverante. Não é a sorte nem o acaso que ajuda um homem no mundo tanto quanto o propósito e a indústria persistente.

Esses aforismos estão entre aqueles que, na medida em que fui capaz de aplicá-los em minha própria vida, têm sido para mim de grande e duradouro valor. Mas, para terem o mais alto valor, devemos lembrar nosso dever e serviço a Deus. Esse é o chamado supremo que os Santos dos Últimos Dias aceitaram e se atribuíram na escolha que fizeram dentro de seu arbítrio. Ao assumirmos assim nossa responsabilidade individual, nosso exemplo não apenas se torna útil aos outros, mas nos remove definitivamente da classificação indicada no veredito: "Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo." (Mateus 7:19-20.) Aqueles Santos dos Últimos Dias que têm o espírito de seu chamado buscam dar bom fruto no Evangelho de Cristo, material e espiritualmente. Nisso manifestam seu amor por seus semelhantes, à medida que o amor de Cristo entra em seu coração.

O próprio Jesus encontrou ocasião de dar ênfase particular à responsabilidade individual pela ação daqueles que professavam seu nome. Assim o fez nestas palavras: "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte. * * * Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mateus 5:14, 16.)

ALGUMAS REALIZAÇÕES

É na história dos Santos dos Últimos Dias que eles fizeram muito em harmonia com esta ordem divina. De maneira espiritual, engajaram-se num extenso serviço missionário para trazer almas ao rebanho de Cristo. No entanto, não se pode dizer que tenham sido ociosos nas coisas materiais úteis. Desde que chegaram a estes vales, há quase oitenta e sete anos, foram colonizadores maravilhosos; sua missão de colonização abriu para uma civilização avançada esta região intermontanhosa, desde seus povoados no Canadá até seus povoados no México, bem como consideravelmente para leste e para oeste. Individual e coletivamente, estabeleceram e mantiveram indústrias domésticas que alcançam cada cidade e vilarejo, trazendo emprego útil e agradável na produção das necessidades e conforto da vida. Por esforço tanto individual quanto cooperativo, desenvolveram projetos de irrigação que auxiliam a "subjugar a terra" nesta região intermontanhosa, até que se tornasse desejável para a habitação do homem. Por esforço semelhante, incentivaram instituições educacionais e um sistema educacional do qual qualquer comunidade pode se orgulhar. Por seu treinamento moral, tanto de jovens quanto de idosos, alcançaram uma reputação de caráter que é uma honra para a comunidade. Como construtores de templos, adotaram diferentes tipos de arquitetura numa classe de edifícios impressionantemente belos, considerados especialmente sagrados. Como uma comunidade de constituidores de lares, trouxeram a lares confortáveis milhares de famílias das nações civilizadas, e moldaram aquele povo de diferentes línguas e nacionalidades num sentimento comunitário uniforme. No entanto, em suas responsabilidades sob a lei superior do Evangelho que receberam, essas realizações não estão terminadas. Estão apenas começando, para continuar até que a Sião de Deus se estabeleça na terra, como o Senhor predisse por meio de seus profetas. Seu trabalho como indivíduos pode ser feito humildemente, mas, em retidão, é duradouro, para a glória do Deus de Israel a quem procuram servir.

Assim como Jesus convidou seus seguidores antigamente ao esforço voluntário e cooperativo por todo o bem, também nesta dispensação ele deu instrução explícita que se aplica a tal ação voluntária de cada membro da Igreja. Em certa ocasião, ele expressou essa lição nestas palavras:

"Pois eis que não é conveniente que em todas as coisas eu mande; pois o que é compelido em todas as coisas é servo indolente e não sábio; portanto, não recebe recompensa.

"Em verdade eu digo: Os homens devem ocupar-se zelosamente numa boa causa e fazer muitas coisas de sua livre e espontânea vontade e realizar muita retidão;

"Pois neles está o poder e nisso são seus próprios árbitros. E se os homens fizerem o bem, de modo algum perderão sua recompensa.

"Mas o que nada faz até que seja mandado e recebe um mandamento com o coração duvidoso e guarda-o com indolência, é condenado." (D. & C. 58:26-29.)

RESULTADOS DA NEGLIGÊNCIA

No entanto, é sábio lembrar que, às vezes, em nossa própria fraqueza humana, tornamo-nos negligentes até mesmo com nossas obrigações supremas. Conforme narrado na história bíblica, o Israel de antigamente fez isso em diversas ocasiões, e por isso recebeu repreensões. Nosso conhecimento de tais casos pode servir-nos de aviso, para evitarmos erros semelhantes, e para mantermos a luz do Evangelho brilhando em nosso coração. O Israel do registro do Livro de Mórmon também teve ocasiões de negligência. O livro de Helamã, no Livro de Mórmon, registra tal evento, no qual as palavras daquele escritor apresentam uma lição oportuna para nós, caso viéssemos a nos tornar negligentes quanto à palavra de Deus. O escritor diz que o povo a quem se refere havia prosperado "no aumento de seus campos, de seus rebanhos e de seus gados, e em ouro e em prata, e em toda espécie de coisas preciosas de todo tipo e arte." Também haviam sido aliviados da antagonismo ativo de seus inimigos, e apresentavam um quadro de "prosperidade extremamente grande." Então se ensoberbeceram no orgulho, e se entregaram à jactância. Quando, em sua situação de conforto, começaram a esquecer-se de Deus, caíram sob aflição decorrente de sua própria negligência da responsabilidade para com a palavra divina. O historiador então prossegue dizendo a respeito deles:

"Eis que não desejam que o Senhor seu Deus, que os criou, os governe e reine sobre eles; apesar de sua grande bondade e misericórdia para com eles, desprezam seus conselhos e não o desejam como guia." (Helamã 12:6.)

LEMBRAI-VOS DO SENHOR

Nestes dias de distorção das palavras claras das escrituras, de ensinamentos ateístas, de propaganda social caótica, e de incerteza econômica geral, pode ser bom para nós, em nossa contemplação particular, darmos ao menos alguma atenção às condições citadas no Livro de Mórmon, e buscarmos, mais fervorosamente do que nunca, lembrar-nos de Deus, para que suas bênçãos e seu cuidado protetor venham a nós ainda mais abundantemente em nosso tempo de necessidade especial, tal como parece estar sobre nós hoje. Embora os esforços dos homens possam ser frustrados, a promessa de Deus não falha, onde ele diz àqueles que dele se aproximam: "E para vós olharei, e vos farei frutificar, e vos multiplicarei, e confirmarei o meu convênio convosco." (Lev. 26:9.) É nossa própria responsabilidade, individual e coletivamente, ganhar assim nosso próprio bem-estar, e o bem-estar de outros, sob nosso chamado divino nesta época.

AMIGOS DE JESUS

Referindo-me novamente à citação já feita do registro do Apóstolo João sobre os ditos de Cristo, um segundo elemento para reflexão definida no presente está nas palavras do Salvador: "Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. * * * Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros." Este mandamento de "amar uns aos outros" não se restringiu às relações familiares ou sociais, nem mesmo à condição de membro da Igreja. Seu alcance era, na verdade, amplo, pois trazia a mensagem do Evangelho a todos os que quisessem atendê-la. O próprio Jesus assim o explica:

"Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.

"Eu vos digo, porém: Amai vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem;

"Para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre os maus e os bons, e a chuva desça sobre os justos e os injustos.

"Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?

"E se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?" (Mateus 5:43-47; 3 Néfi 13:44, 45.)

Nas presentes discussões acaloradas de questões religiosas e sociais especialmente, é bom ter cuidado nas críticas pessoais, para que não sejamos injustos. Pode haver falhas, mas quem está isento delas? Estas podem ser corrigidas sem que nos irritemos ou repreendamos uns aos outros. Quem repreende pode fazer um inimigo, mas nunca um converso. Às vezes encontramos a sugestão de que o próprio Jesus dirigiu uma severa repreensão a certas pessoas. (Mateus 23:15.) Ele fez mais. Denunciou-os. Eles buscavam sua vida, e a vida de seus seguidores. Era guerra aberta. Era um assunto dele, não nosso. Deles eram os pecados mais grosseiros. A nós, ele diz: "Não julgueis."

Como Santos dos Últimos Dias, desejamos ser reconhecidos, e ser de fato amigos de Jesus, guardando seus mandamentos. Essa é a condição que ele prescreveu. Até mesmo nossas pequenas crianças da Escola Dominical são ensinadas a seu mandamento "que vos ameis uns aos outros", e a "frequentemente dizer palavras bondosas umas às outras". Por mim, confio sinceramente que, como Santos dos Últimos Dias, seja qual for nosso grau de condição na Igreja, mas todos sob a lei do evangelho no convênio com Cristo, buscaremos diligente e honestamente falar palavras bondosas uns aos outros e a respeito uns dos outros, para que o amor de Deus, o amor de nossos companheiros membros da Igreja, e o amor de nossos semelhantes cresçam entre nós, para o avanço do reino de Deus e de sua retidão. Não esqueçamos as palavras divinamente dadas que vos citei hoje, e também as outras palavras de nosso Senhor:

"Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

"Este é o primeiro e grande mandamento.

"E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus 22:37-40.)

Que a graça do Pai e seu amor sem limites estejam convosco para sempre, é minha humilde oração em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoReed Smoot, “Amor e Serviço no Evangelho”, Conferência Geral de Abril de 1934, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1934-04-06). Pulpit Vault, 1934-04-smoot-love-and-service. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).