Nossa Maior Obrigação
David O. McKay
Meus irmãos e irmãs, tenho apreciado grandemente cada sessão desta conferência. Os discursos inspiradores que foram proferidos nos têm animado e nos ajudarão a determinar linhas definidas de ação para os próximos seis meses, nas quais a Igreja poderá ser mais beneficiada por um esforço unido. Para um desses campos de atividade necessária, desejo dirigir vossa atenção por alguns minutos. ¶
Nossa Maior Obrigação
Um eminente estadista dos Estados Unidos escreveu certa vez: ¶
"Se trabalharmos sobre o mármore, ele perecerá; se sobre o bronze, o tempo o apagará. Se erguermos templos, eles se desfarão em pó. Mas se trabalharmos sobre mentes imortais, incutindo nelas princípios, com o justo temor de Deus e o amor ao próximo, gravaremos sobre essas tábuas aquilo que o tempo não pode apagar e que perdurará por toda a eternidade." ¶
Esse pensamento, expresso de maneira impressionante, dá uma ideia do tema que gostaria de destacar nesta tarde. Estamos profundamente perturbados, nestes dias, com grandes questões sociais. As melhores mentes da nação estão agora lutando com problemas associados a uma das maiores crises financeiras que já assolaram esta nação e o mundo. Por mais importante que isso seja, e outras questões sociais e políticas também, creio que o problema mais profundo que este país enfrenta, na verdade a maior obrigação que hoje recai sobre o governo, nacional, estadual e local, é determinar como melhor guiar, proteger e educar devidamente a infância e a juventude. Isso pode parecer trivial para muitos de vós, tão trivial que vos perguntareis por que ocupo o tempo de uma assembleia tão importante para falar disso. ¶
Atitude do Presidente da Nação
Seja como for, creio que todas as agências interessadas no bem-estar da criança poderiam cooperar nesta grande obra, para o grande bem de nosso estado e de nossa nação. Há fases deste problema que afetam a felicidade e a paz de espírito de todo pai e toda mãe nesta terra. A questão da saúde e da orientação infantil vai à própria raiz de nossa vida nacional. Nada menos que uma autoridade como o Presidente dos Estados Unidos disse, com propriedade: ¶
"Estas questões constituem um problema complicado, que requer muito conhecimento e muita ação, e precisamos ter grande preocupação com este assunto. Que ninguém acredite que estas são questões que não devam comover uma nação, que estejam abaixo da dignidade dos estadistas ou dos governos. Se pudéssemos ter apenas uma geração de crianças devidamente geradas, formadas, educadas e saudáveis, mil outros problemas de governo desapareceriam. Asseguraríamos para nós mesmos mentes mais sadias em corpos mais vigorosos, para dirigir as energias de nossa nação a alturas ainda maiores de realização." ¶
No Âmbito da Delinquência
Ao chamar vossa atenção para este importante problema, não tenho em mente especialmente as dezenas de milhares de rapazes ativos nos quóruns, nem os cem mil meninos e meninas matriculados na Primária da Igreja, nem os outros cem mil jovens engajados no trabalho da Associação de Melhoramentos Mútuos, ou os duzentos e sessenta mil matriculados na Escola Dominical. Antes, tenho em mente as dezenas de milhares que não estão matriculados nesses quóruns e associações, e também os meninos e meninas que sequer são filiados à condição de membro de uma igreja. Eliminarei muitos desses, e vos peço que considereis esta tarde apenas aquele grupo que atravessou a linha divisória e entrou no âmbito da delinquência — não direi criminalidade. ¶
Tampouco tenho em mente apenas a igreja como agência para guiar essas crianças e jovens, mas todas as agências do estado que se ocupam, direta ou indiretamente, em reconquistar esse grupo de meninos e meninas que nos causam grande preocupação. No âmbito da indiferença e da delinquência estão as causas dos corações partidos das mães, do desgosto, da humilhação e da tristeza dos pais. Comparativamente falando, não são muitos os que se encontram nesse âmbito, mas pergunto-me se todas as agências estão cooperando suficientemente para reduzir ao mínimo o número de rapazes que atravessaram a linha divisória. ¶
Houve 5.705 casos de delinquência perante o Tribunal de Menores durante o ano de 1929-1930, e cerca de tantos casos de dependência e negligência. Para o ano com início em 1º de julho de 1931 e término em 30 de junho de 1932, chegaram perante esse tribunal, no Terceiro Distrito Judicial, um total de 843 casos — 627 meninos, 216 meninas, entre dez e dezoito anos de idade. ¶
É Necessário um Esforço Cooperativo
O Conselho de Utah para a Saúde e Proteção Infantil está, no momento, levando adiante um plano para estabelecer uma organização em cada condado deste estado, com a finalidade de auxiliar a infância e a juventude. Quase metade dos condados já possui essa organização. Esses funcionários de condado podem ter acesso aos relatórios da Conferência da Casa Branca de Utah, que tratam da relação entre as igrejas, os Escoteiros, os clubes Quatro H, e outras agências preocupadas com o bem-estar da infância e da juventude. ¶
Espero que todos os homens e mulheres associados a esses grupos se unam a nós neste apelo por um esforço mais cooperativo em favor de lidar com o problema da juventude. No relatório a que me referi, encontro o seguinte: ¶
"Para cada caso de delinquência há, em algum lugar, um fator que contribui para tal delinquência. Os atos delinquentes não passam de sintomas superficiais de tensões e dificuldades mais profundas, que se estendem amplamente pela vida social da comunidade, e retrocedem à vida anterior da criança no lar e na escola. A comunidade deve às crianças uma dívida de proteção que não deve aos adultos. Os responsáveis pela criança têm o dever de dar exemplos de honestidade, sinceridade e coragem que desafiem a criança a emulá-los, e nesses padrões de caráter e boa cidadania está a cura da delinquência juvenil, e não nos poderes do tribunal." ¶
Calcula-se que cerca de um doze avos do tempo de uma criança é passado na escola, aproximadamente um terço, ou quatro doze avos, passado dormindo. Quantidades variáveis, além desses quatro doze avos, são passadas diariamente no lar. Digamos, aproximadamente, que cerca de sessenta por cento do tempo da criança, durante os dezoito anos que agora consideramos, é passado no lar, dormindo e na escola. Isso deixa quarenta por cento da vida de uma criança para ser passada fora dessas influências. Pergunto a vós, guardiões do lar, o que estais fazendo para dirigir os esforços da infância durante esses quarenta por cento de sua vida, em que ela fica sozinha, sendo verdadeiramente ela mesma. ¶
A Responsabilidade dos Pais
As agências que afetam a criança, vós bem as conheceis. Primeiro vem o lar. Sobre os pais e as mães, o Senhor colocou uma das maiores responsabilidades que podem recair sobre seres humanos. Ouvi novamente o que ele diz: ¶
"E também, se em Sião ou em qualquer de suas estacas organizadas houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado." ¶
Creio que os pais, de modo geral, estão fazendo isso, mas estou convencido de que ainda há muita oportunidade de melhoria nesse sentido. Não estou pensando nas horas determinadas em que vos sentais para ensinar essas doutrinas a vossos filhos, mas no exemplo que pais e mães dão a seus filhos no que diz respeito à fé que é cara a vossos corações. Vosso exemplo ensinará esses princípios de modo mais eficaz do que aquilo que dizeis. De nossos lares saem os futuros líderes do governo. Se nossos lares fossem tudo o que deveriam ser, a nação estaria segura. ¶
Mas há lares desfeitos demais. As estatísticas nos dizem que "o assim chamado lar desfeito aparece em cerca de um terço de todos os casos de delinquência que chegam perante os tribunais de menores em todo o país." Contudo, neste estado (Utah), dos 5.705 casos de delinquência perante os tribunais de menores, 4.043 crianças residiam com ambos os pais em seus próprios lares. Tal relatório deveria desafiar o que temos de melhor em nosso pensamento. ¶
Se, neste estado, a maioria dos delinquentes provém de lares que não estão desfeitos, apelo aos pais que pensem mais seriamente na revelação encontrada na sexagésima oitava seção de Doutrina e Convênios, parte da qual acabo de ler-vos. ¶
A Escola, um Fator Responsável
Depois do lar, a escola é o fator responsável pela formação da criança. Temos, no estado, quarenta distritos escolares, com uma população escolar de aproximadamente 150.000. Em 1929, quatorze distritos tinham pessoas especialmente designadas para lidar com problemas de frequência e coordenação escolar. Desses quatorze, apenas sete distritos contavam com os serviços de uma ou mais pessoas em tempo integral, atendendo a cerca de sessenta e cinco por cento das crianças em idade escolar do estado. Trinta e cinco por cento, em números redondos, estão sem esse serviço. ¶
A Influência da Igreja
Em seguida, em importância — em alguns aspectos, eu a colocaria em primeiro lugar — está a influência da igreja. De quatro mil rapazes com menos de vinte e um anos que compareceram perante o Juiz Lewis L. Faucett, da Suprema Corte Estadual de Nova York, apenas três haviam pertencido a uma Escola Dominical. Vi na imprensa desta cidade, dias atrás, a notícia de que, dos 6.642 casos julgados direta ou indiretamente ao longo de vários anos pelo Juiz Nielsen, do Tribunal de Menores, apenas dois por cento, ou seja, 133, haviam frequentado a Escola Dominical. ¶
Poderíamos apresentar longamente provas abundantes de que a instrução religiosa é uma salvaguarda na comunidade e um preventivo contra a delinquência. ¶
Há três passos fundamentais a serem dados se quisermos reconquistar esses meninos e meninas. O primeiro é travar conhecimento com eles, conhecê-los. Fiquei encantado, ontem, com os relatórios apresentados perante a conferência do Sacerdócio Aarônico, que informaram o número de rapazes que foram trazidos à atividade e que, dois anos atrás, eram inativos. ¶
Todos vós sabeis que, em 1931, a Igreja empreendeu um esforço, sob os auspícios da Escola Dominical, para dar conta de cada menino e menina que devesse estar matriculado. Em um ano de esforço, 18.000 que anteriormente não estavam matriculados foram trazidos para o rebanho. ¶
Alcançando os Desgarrados
Hoje ouvi o relato de um homem interessado nos clubes 4-H, segundo o qual, em um condado, em dois distritos, toda menina entre doze e vinte anos está matriculada em uma ou mais organizações interessadas no bem-estar das meninas. Cito esses exemplos apenas para mostrar que os meninos e meninas que ultrapassam a linha divisória podem ser alcançados com êxito. Nem todos são meninos e meninas maus. São jovens que erram e que precisam de nossa ajuda. ¶
Isso me leva ao segundo passo, o poder da personalidade. Não trareis de volta a juventude que erra a menos que primeiro a façais saber que estais interessados nela. Deixai que sintam o toque de vosso coração. Somente um coração caloroso pode acender calor em outro. Meninos e meninas desgarrados às vezes desconfiam das pessoas ao seu redor. Outros têm a ideia de que não são desejados. A mão bondosa ou o braço amoroso removem a desconfiança e despertam a confiança. Vossa própria experiência traz ampla prova do valor da companhia pessoal. ¶
O terceiro elemento essencial é a atividade. Jamais realizaremos o grande objetivo que temos diante de nós, em relação à infância, até percebermos que todo menino e toda menina precisa ter algo a fazer. De modo geral, toda criança deveria estar ocupada dormindo, comendo, trabalhando, estudando ou brincando. O lazer supervisionado, durante os quarenta por cento de sua vida ativa fora do lar e da escola, é um fator muito importante. ¶
É Necessária Cooperação
Agora, permiti-me dizer apenas mais uma palavra sobre os vários grupos interessados nesta obra. Cito novamente o relatório da Conferência da Casa Branca de Utah: ¶
"O trabalho tanto dos Escoteiros quanto das Escoteiras é bem conhecido. O programa é definido, construtivo e muito valioso. Recomenda-se uma cooperação mais estreita entre os Escoteiros e as escolas. ¶
"Os clubes de serviço têm feito e estão fazendo algum trabalho voltado para o aprimoramento de meninos e meninas, mas não na quantidade e na qualidade que poderiam ser feitas. ¶
"O serviço florestal está pronto para fazer sua parte no movimento em consideração. Ele proporcionou centros de recreação nas montanhas e está ansioso por cooperar com as escolas no ensino de meninos e meninas sobre como usar as áreas florestais em maior grau. ¶
"Uma atitude esplêndida é manifestada pelos jornais do estado. Eles estão prontos e ansiosos por cooperar com as escolas e qualquer outra agência na promoção do bem-estar de nossas crianças. Eles têm feito muito a esse respeito, fomentando atividades saudáveis, fornecendo material de leitura adequado e incentivando, por meio de publicações, o trabalho louvável de outros. ¶
"Evidentemente, a necessidade mais premente que se manifestou ao vosso subcomitê tem a ver com o estabelecimento de uma melhor cooperação entre as escolas públicas e particulares do estado e as várias organizações mencionadas." ¶
A necessidade de coordenar essas e outras agências em seus esforços para melhorar a condição da infância é evidente para toda pessoa que pensa. A situação exige um Departamento Estadual de Bem-Estar Social, cujo dever especial será empregar os métodos mais modernos para lidar com os problemas da formação da juventude e, particularmente, concentrar atenção na prevenção da delinquência e de outros males sociais. ¶
Como resumo da mensagem que tenho procurado transmitir-vos, cito os seguintes versos: ¶
"Ele estava parado, sozinho, na encruzilhada, o nascer do sol em seu rosto; não tinha pensamento algum para o mundo desconhecido, estava pronto para uma corrida varonil. Mas a estrada se estendia para leste e a estrada se estendia para oeste, e o rapaz não sabia qual estrada era a melhor. Assim, ele seguiu pela estrada que o levou para baixo, e perdeu a corrida e a coroa do vencedor, foi finalmente apanhado numa armadilha cruel, porque ninguém estava parado ali na encruzilhada para lhe mostrar a estrada melhor. ¶
"Em outro dia, no mesmo lugar exato, um rapaz de grandes esperanças estava parado; ele também estava pronto para uma corrida varonil, ele também buscava as coisas que eram boas. Mas havia ali alguém que conhecia as estradas, e esse alguém lhe mostrou qual caminho seguir; assim, ele se afastou da estrada que o levaria para baixo, e venceu a corrida e a coroa do vencedor, hoje ele caminha pela bela estrada, porque alguém esteve parado ali na encruzilhada, para lhe mostrar a estrada melhor." ¶
Que Deus inspire a todos nós a tornar a Igreja de Deus eficaz em salvar a juventude desta terra, incutindo em seus corações fé em Deus, em seu Filho e na restauração do Evangelho, é o que peço, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶