A Igreja nos Estados do Leste
James H. Moyle
ÉLDER JAMES H. MOYLE ¶
Presidente da Missão dos Estados do Leste ¶
Tendo em vista a necessidade de brevidade, confio que o Presidente Grant, se necessário, me ajudará a manter-me dentro do tempo que me foi designado. ¶
Tenho o prazer de informar que a Missão dos Estados do Leste está em condição saudável e crescente. Os missionários gozam de boa saúde, com raras exceções, e estão realizando um trabalho esplêndido. Embora haja poucos batismos, sei que muitas amizades estão sendo feitas e há conversos que não estão sendo batizados. Homens inteligentes e influentes têm me confessado abertamente que se converteram e creem em tudo o que ensinamos, mas que não podiam partir o coração de suas esposas nem constranger socialmente seus parentes, e não podiam, no momento, fazer o sacrifício de romper com associações de toda uma vida. Mas são verdadeiros amigos. Uma coisa é certa: nossos jovens missionários, embora não batizem muitos, adquirem um desenvolvimento pessoal inestimável, uma realização que os acompanhará e influenciará para o bem por toda a vida, e que terá para eles tanta importância quanto se tivessem passado o mesmo tempo em uma grande universidade. ¶
Interessei-me muito pelo relato do Presidente Roberts sobre a profecia de Joseph Smith de que seria organizada na cidade de Nova York uma estaca de Sião. Há um ano, deste púlpito, declarei que ficara muito impressionado com o fato de que precisávamos de tal organização na Grande Nova York e seus arredores. Quando entrei na missão em janeiro, há um ano, a presidência do ramo disse que havia trezentos membros matriculados somente no ramo de Nova York. Isso não inclui o ramo do Brooklyn nem alguns pequenos ramos adjacentes. Temos nos esforçado de verdade para encontrar os nomes e as residências dos membros da Igreja, especialmente aqueles que vieram destes vales para o leste, e que vivem naquele grande e populoso centro. Agora a presidência do ramo acredita que há mil e quinhentos, quando registrávamos apenas trezentos. Em nossa conferência realizada em Nova York em fevereiro de há um ano, tivemos cerca de duzentas e cinquenta pessoas presentes, o que foi considerado uma grande audiência. Na conferência realizada há um mês, amanhã, na qual estiveram presentes o Presidente Grant e o Apóstolo Ballard, havia setecentas e cinquenta pessoas presentes, e o salão, alugado especialmente para a ocasião, não conseguiu acomodar todos os que compareceram. Ficaram de pé, e os corredores ficaram lotados. Situação semelhante ocorreu em Washington, onde tivemos cerca de quatrocentas pessoas presentes, e onde não havia ramo organizado da Igreja antes da grande guerra. No dia 9 de março, não só realizamos uma reunião em nossa capela no Brooklyn, às dez horas da manhã, na qual se apinharam mais de trezentas pessoas, mas também, às duas horas, em Newark, Nova Jersey, foi realizada outra reunião com mais de duzentas pessoas presentes. Aquele ramo fora organizado havia apenas poucos anos. Depois, à noite, em Nova York, tivemos a grande reunião já mencionada, que foi, de longe, a maior assembleia de santos já realizada na cidade de Nova York. ¶
Uma das razões materiais que contribuíram para o crescente interesse pela Igreja ali foi a presença, um mês ou dois antes, dos Presidentes Ivins e Nibley, que passaram uma semana ou dez dias estudando as necessidades de nossos membros em Washington e em Nova York. Eles ficaram impressionados com a necessidade de um local mais apropriado e permanente para as reuniões. Esse fato, e o interesse manifestado pelo Presidente Grant e seus conselheiros, juntamente com a presença do Apóstolo Ballard, despertaram um interesse real em nossa conferência, que estou certo será proveitoso. ¶
Fiquei muito surpreso, e profundamente impressionado, com o fato de que o sentimento no leste em relação ao nosso povo mudou grandemente. Isso é verdade especialmente entre os líderes financeiros, industriais e comerciais do país, que evidentemente se familiarizaram com o nosso povo e suas realizações, e com o caráter e os méritos de nossos jovens, pois têm escolhido um número surpreendente deles, considerando o pequeno número de nosso povo, para cargos executivos nessas instituições. E por que estariam eles procurando o tipo de jovens que produzimos nestas montanhas? Porque foram treinados e criados nos lares dos Santos dos Últimos Dias, onde a Palavra de Sabedoria tem sido observada. Eles procuram homens sóbrios, temperantes, trabalhadores, tementes a Deus, e não há lugar no mundo onde possam ser encontrados mais do que aqui. Já passou o tempo, em minha opinião, em que nossos rapazes mórmons deveriam sentir-se discriminados pelos homens que estão à frente dessas grandes instituições. Estou certo de que isso é verdade. Homens e mulheres formados aqui, sob as condições mencionadas, são também médicos bem-sucedidos e atuantes, com esplêndida clínica; advogados, ocupando cargos nos principais escritórios de advocacia de Nova York; professores e mestres nas grandes universidades de lá, vários da Universidade Brigham Young, outros de nossa universidade estadual. Em nada nossos rapazes das montanhas se destacam mais ali do que em seu sucesso e proeminência como engenheiros, especialmente engenheiros eletricistas. Tenho o prazer de dizer que se pode encontrar nossos rapazes e moças confortável e favoravelmente estabelecidos em praticamente todas as grandes instituições comerciais, tais como bancos, comércio, imóveis e outras atividades louváveis; são contadores, artistas, atores, cantores e professores de música. ¶
Há uma grande mudança de sentimento ocorrendo pelo mundo, e, embora não batizemos muitos, estamos fazendo amigos e despertando interesse por nosso povo e pelo Evangelho de Jesus Cristo. No domingo passado foi lido, sem dúvida, na igreja unitarista de Reading, Pensilvânia, por um de nossos humildes élderes, o discurso que o Presidente Grant leu aqui. É a segunda ou terceira oportunidade que tivemos em cidades importantes da missão, em igrejas unitaristas, que são especialmente amplas e liberais. Temos um pregador em Long Island, que tem tido uma congregação ali por anos, que prega todo sábado o Evangelho como o entendemos, e seu povo, em geral, não o sabe; mas ele sabe, e crê, e diz que vai se batizar. ¶
Mais uma vez exorto os pais, as mães e os bispos por toda a Igreja quanto à importância de nos enviarem os nomes de nosso povo que deixou os ramos organizados da Igreja no oeste, a fim de que possamos interessá-los na obra. Cremos que há centenas deles sendo perdidos por falta de contato com a Igreja. Estamos constantemente encontrando alguns que parecem ter sido praticamente perdidos e esquecidos, afastando-se da Igreja simplesmente por falta de contato com ela. Eles deveriam tornar-se formalmente membros dos ramos da Igreja ali, exatamente como quando se mudam de uma ala para outra aqui em casa; assim poderíamos encontrá-los e cuidar deles. ¶
Um caso notável. Tive de ir recentemente à Flórida para encontrar um jovem. Encontrei-me com seus pais ali. Deram-me o endereço dele e expressaram o temor de que ele estivesse se afastando da Igreja. Quando voltei, convidei-o para nossa casa, e, para meu espanto, ele disse que estava naquela cidade havia mais de um ano e não sabia onde ficava nosso local de culto, nem nossa sede, nem que houvesse tal coisa ali. Antes de partir, prometeu que escreveria à mãe dizendo que passaria a frequentar a igreja. Quando lhe chamei a atenção para o que dissera ao se despedir, ele respondeu: "Não só vou escrever isso a ela, como vou ser um frequentador assíduo da igreja." Não tínhamos nenhum meio de alcançar aquele jovem antes de conhecer sua mãe. Os dirigentes da Igreja, por mais diligentes que sejam, nada sabiam dele. Temos muitos casos assim. ¶
Há outra coisa que me impressionou profundamente. Nunca antes houve tanto interesse pelo Livro de Mórmon como há agora. Pensai no que o Presidente Pond diz estar acontecendo em sua missão. Embora ele esteja liderando a venda e distribuição de exemplares do Livro de Mórmon, a mesma condição existe, mais ou menos, em todas as missões. O Presidente Bennion diz que estão enviando anualmente, pela gráfica de Sião, e efetivamente vendendo, algo como cinquenta mil exemplares do Livro de Mórmon somente nestes Estados Unidos. Cinquenta mil vendidos só por essa agência, e, além dos assim vendidos, há muitos outros exemplares emprestados e colocados nas mãos de leitores. ¶
O Livro de Mórmon tem sido, desde a minha juventude, um assunto de profundo interesse para mim. Interessei-me intensamente pelas realidades de anjos aparecendo a homens na terra, e pelas coisas maravilhosas reveladas a Joseph Smith em conexão com a introdução do Livro de Mórmon ao mundo. Jamais esquecerei minha experiência no início de julho de 1885, quando retornava para casa vindo da Universidade de Michigan, onde me formei naquele ano. Fui diretamente a Richmond, Missouri, com o único propósito de conhecer aquela que era então a última testemunha viva da divindade do Livro de Mórmon, David Whitmer. Perguntei ao motorista do ônibus, ao recepcionista do hotel e a outros, tanto quanto possível, a respeito do caráter e da reputação de David Whitmer. Todos disseram que ele era um bom ancião, um excelente cidadão, e era muito respeitado na comunidade. Apresentei-me oferecendo-lhe um livro que pensei que lhe agradaria, e disse-lhe que acabara de me formar na faculdade. Ele estava então na casa dos oitenta anos, com os cabelos e a barba brancos, mas em boa saúde. Faltavam cerca de três anos para sua morte. ¶
Disse-lhe: "Nasci e fui criado na Igreja, e imploro-lhe que me diga se há alguma possibilidade de o senhor ter sido enganado. Estou apenas começando a vida, assim como o senhor se prepara para deixá-la, e peço-lhe que me diga se há algo relacionado ao testemunho que o senhor deu ao mundo que possa ter sido enganoso ou mal compreendido." Acrescentei ainda, em um apelo sincero e juvenil, que eu não queria passar a vida crendo em uma falsidade, e que estava em suas mãos tornar-me a verdade conhecida. Ele me descreveu os detalhes da ocasião, do anjo apresentando as placas das quais o Livro de Mórmon foi traduzido. A cena se passou no bosque, sem nada entre o anjo e ele, exceto um tronco caído que estava entre eles. Ele declarou que viu o anjo, que tinha consigo as placas das quais o Livro de Mórmon foi traduzido, e que, na presença do anjo, ouviu-o declarar que haviam sido traduzidas corretamente. Embora eu esteja falando de memória, os fatos essenciais acima, que foram o único objetivo de minha visita, ficaram tão indelevelmente gravados em minha mente que são perfeitamente claros e inequívocos. Fiz-lhe muitas perguntas a respeito de suas experiências com a origem do Livro de Mórmon, e por que deixara a Igreja, às quais ele procurou responder com franqueza. Conversamos por bastante tempo. Sua mente parecia lúcida, e sua mentalidade estava acima, e não abaixo, da média. Disse que jamais deixara a Igreja, que haviam mantido um ramo da Igreja em Richmond, e que ele sempre fora atuante nele; que Joseph Smith era profeta de Deus, e que as revelações que este recebera até o ano de 1835 eram de Deus, mas que não aceitava nenhuma delas posterior a essa data. Parecia ter-se amargurado especialmente contra Sidney Rigdon, e tive a impressão de que se voltara contra o Profeta por este ter colocado Rigdon à frente daqueles que haviam permanecido ao lado do Profeta em seu trabalho inicial. ¶
Disse, com aparente orgulho e muito interesse, que possuía em sua humilde casa a primeira cópia do manuscrito a partir do qual o Livro de Mórmon foi impresso. E era, de fato, uma casa humilde. Contou que, quando o grande ciclone atingiu o Missouri, e as casas foram arrancadas e destruídas, todos os cômodos de sua casa foram destruídos, exceto aquele em que o manuscrito estava guardado. Parecia sentir que fora protegido divinamente. O Presidente Joseph F. Smith me informou que aquela cópia do manuscrito não era o original, mas um dos três originais. Sua sinceridade ficou claramente demonstrada quando lhe perguntei se venderia o manuscrito e lhe atribuiria um preço. Ele respondeu que não o faria. ¶
Muito mais se poderia dizer sobre o tema do Livro de Mórmon. Até mesmo o Coronel Lindbergh está despertando interesse pelo assunto, talvez mais do que qualquer outra pessoa hoje, por meio das fotografias que conseguiu tirar do ar ao sobrevoar a América Central, o México e a parte sudoeste dos Estados Unidos. As primeiras páginas dos principais jornais do leste estão publicando essas fotografias, com artigos interessantes e instrutivos escritos por arqueólogos. Eles estão tentando desvendar a história daquelas cidades perdidas. Mas devo encerrar. ¶
A história do Livro de Mórmon, que nossos missionários levam ao povo do mundo e da qual testificam quanto à sua divindade, vem acompanhada daquele guia claro e infalível, semelhante ao que o Salvador apresentou, quando disse: "Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." Em conexão com isso, nossa mensagem, como missionários, ao mundo, é que leiam e sigam o conselho encontrado no último capítulo do Livro de Mórmon, no qual o Profeta Morôni, referindo-se ao conteúdo do livro, dá o teste seguro e inequívoco, semelhante ao que o Salvador deu, quando disse: ¶
"E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo. ¶
"E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas." ¶
Esse é o teste que estamos apresentando ao mundo, e esse fermento está afetando o mundo; está influenciando o mundo. Que teste maior e mais seguro poderia haver? ¶
Que o Senhor nos ajude a apreciar as bênçãos que desfrutamos no Evangelho de nosso Redentor é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶