A Igreja como uma Organização Divina
David O. McKay
ÉLDER DAVID O. McKAY ¶
"Então Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles lhe disseram: Rabi, (que, traduzido, quer dizer mestre) onde moras? Ele lhes disse: Vinde, e vede." ¶
"Que buscais?" "Mestre, onde moras?" "Vinde, e vede." ¶
Essas três expressões significativas foram provavelmente proferidas imediatamente após o retorno do Salvador do Monte da Tentação. "Que buscais?" é a primeira declaração registrada do Salvador dos homens ao iniciar seu ministério público. A pergunta "Mestre, onde moras?" foi feita por dois discípulos de João Batista, sem dúvida, André e João. ¶
Nessa segunda pergunta, leio um significado como este: "Rabi, onde podemos encontrar o Messias? Onde podemos obter libertação da opressão de Roma, ou, possivelmente, libertação dos males de nossa época?" A resposta do Salvador é das mais significativas e importantes. Se me permitem colocá-la em minhas próprias palavras, leio naquele "Vinde, e vede" um fato como este: se me seguirdes, vós mesmos podereis descobrir o caminho. ¶
"QUE BUSCAIS?" ¶
Meu propósito, ao chamar sua atenção para este texto nesta tarde, é aplicar essas perguntas ao mundo de hoje. Suponhamos que o Filho do Homem dissesse à humanidade na presente era: "Que buscais?" — qual seria a resposta? Muitos diriam: buscamos prazer; alguns, riqueza; outros, fama e poder; mas os mais reflexivos responderiam: buscamos a luz das eras, como a humanidade sempre buscou. Buscamos uma utopia social. Queremos uma sociedade na qual possamos ser aliviados de alguns dos males da humanidade, livres dos problemas e das labutas da vida. ¶
EXPERIMENTOS MAL-SUCEDIDOS ¶
Em cada época progressista do mundo, líderes intelectuais e de nobre espírito buscaram um modo de vida melhor do que o corrente. A vida boa, uma utopia social, tem sido a busca das eras. Perceber a necessidade de reforma tem sido fácil; alcançá-la tem sido difícil e, muitas vezes, quase impossível. Ideias e sugestões propostas pelos mais sábios dos homens raramente foram práticas, muitas vezes fantasiosas; contudo, na maioria dos casos, o mundo em geral foi aprimorado pela disseminação de novas ideias, mesmo quando os experimentos se mostraram fracassados na época. Nesse aspecto, o século que acaba de passar não foi exceção. ¶
A primeira metade do século XIX foi marcada por um sentimento geral de inquietação social. Pessoas observadoras ficaram insatisfeitas com as condições sociais e econômicas, e homens pensadores buscaram mudanças corretivas. Na França, no início do século, as teorias fantasiosas de Charles Fourier foram divulgadas. Ele tentou delinear a história futura de nosso globo e da raça humana por oitenta mil anos. Hoje, seus livros nem sequer são lidos. Robert Owen fundou uma sociedade comercial em New Harmony, Indiana. Embora sustentado por uma fortuna que amealhara com esforços inteligentes e frugais, e embora fosse encorajado pelo Duque de Kent, que se tornou seu patrono, seu plano para a melhoria da humanidade veio a nada em 1827. Ele retornou à Inglaterra, onde tentou vários experimentos semelhantes, com o mesmo resultado. ¶
George Ripley, um ministro unitarista, concebeu um plano de "vida simples e alto pensamento". Teve como associados homens tão competentes como Nathaniel Hawthorne, Charles A. Dana, que mais tarde foi Secretário Assistente da Guerra dos Estados Unidos, e John S. Dwight. O impulso de Ripley era, na verdade, religioso mais do que econômico, e "devia-se a uma espécie de desejo monástico de retirada de um mundo sórdido, mais do que a um desejo de uma nova sociedade". Ele e seus associados tornaram-se os fundadores do que ficou conhecido como Brook Farm, um "Grande Experimento", como era chamado, para tornar o mundo um lugar agradável para se viver. Chegou ao fim em 1846. ¶
"Algumas dessas colônias", escreve Phillip Russell, "eram religiosas em seu propósito, outras educacionais, e outras ainda econômicas; mas todas, incluindo a Brook Farm, eram sintomas sociais — erupções e crescimentos que indicavam uma América doente e tensa." ¶
A IGREJA COMO UMA ORGANIZAÇÃO SOCIAL ¶
Foi alegado por um escritor cínico que a Igreja Mórmon foi apenas mais uma excrescência do corpo político fermentante dessa reação religioso-social. ¶
É verdade que a "agitação religiosa" levou Joseph Smith a buscar a igreja certa, o modo apropriado de adoração, o caminho certo para viver. Um desejo de saber isso impeliu o jovem a buscar o Senhor por sabedoria na primavera de 1820, sendo o maior resultado da resposta à sua oração a organização da Igreja, na casa de Peter Whitmer, pai, na terça-feira, 6 de abril de 1830. ¶
Ao considerar a Igreja puramente como uma organização social, tendo como um de seus objetivos, pelo menos, o mesmo que outras organizações dignas tinham em vista — a saber, a melhoria dos males sociais e o avanço da humanidade —, é bom ter em mente, desde o início, os fatos: ¶
Primeiro: que Joseph Smith não tinha instrução e era "desconhecedor dos homens e das coisas". Sem dúvida, ele nunca sequer ouvira falar das falanges de Fourier, do experimento de Owen, nem de qualquer outro plano, religioso ou econômico, para a melhoria das condições sociais; ¶
Segundo: que os seis membros originais eram praticamente desconhecidos, eram pobres financeiramente e não tinham posição política ou social; e ¶
Terceiro: que Joseph Smith não organizou a Igreja pela sabedoria do homem, mas por direção divina, "de acordo com a ordem da Igreja tal como registrada no Novo Testamento". ¶
Por cem anos, esta organização sobreviveu a pânicos financeiros, convulsões sociais e turbulência religiosa, e hoje se conforma aos melhores conceitos dos sociólogos como um meio de suprir as mais altas necessidades da humanidade. ¶
O GOVERNO DA IGREJA EM GERAL ¶
"O governo representa a autoridade do grupo, geralmente exercida de forma externa e coercitiva, para impor a vontade do grupo a seus membros individuais." Aquele governo é o melhor que tem como objetivo a administração da justiça, o bem-estar social e a promoção da prosperidade entre seus membros. ¶
Considerado politicamente, o mundo está, no momento presente, agitado em sua opinião quanto à melhor forma de governo. Estamos apenas testemunhando a queda das monarquias. Erguendo-se dessas ruínas monárquicas surgiram a democracia, exemplificada principalmente na Grã-Bretanha, em seus domínios e nos Estados Unidos; a ditadura do proletariado, como na Rússia Soviética; e o regime fascista na Itália, com Mussolini como o principal ditador. É evidente que os homens estão buscando uma forma melhor de governo do que a maioria das nações tem hoje. Encontrarão isso no governo por um ditador, ou no governo pelo povo, ou em uma combinação de ambos? ¶
Um escritor lúcido, o Sr. Kirkpatrick, diz que "a eficiência e o progresso são favorecidos quando o governo é tal que a comunidade local tem grande parte da responsabilidade sobre seus próprios assuntos, e o governo central tem autoridade final para introduzir as instituições e as regras de procedimento que se mostraram permanentemente úteis." ¶
Ora, meus companheiros de trabalho, e homens honestos e pensadores do mundo, tomem essa definição fundamental de verdadeiro governo e vejam como admiravelmente a Igreja de Jesus Cristo se conforma a ela. Uma análise cuidadosa da organização da Igreja revela o fato de que ela incorpora toda a força de um governo central forte e todas as virtudes e as salvaguardas necessárias de uma democracia. ¶
Primeiro, ela tem a autoridade do sacerdócio sem o vício da artimanha sacerdotal, tendo todo homem digno o direito a um lugar e a uma voz nos quóruns governantes. ¶
Segundo, oferece um sistema de educação, universal e gratuito em sua aplicação — a válvula de segurança, o próprio coração e a força de uma verdadeira democracia. ¶
Terceiro, oferece um sistema judicial que estende justiça e privilégios iguais a todos, aplicável tanto ao pobre quanto ao milionário. ¶
Quarto, em seus agrupamentos eclesiásticos de estacas, alas, ramos e distritos, a eficiência e o progresso são realçados, na medida em que cada grupo local cuida de seus próprios assuntos, e ainda assim cada um está tão intimamente unido ao governo central que qualquer modo de procedimento que se comprove útil e benéfico ao povo pode ser adotado sem demora, para o bem de todo o grupo. ¶
Verdadeiramente, do ponto de vista de realçar a eficiência e o progresso, a Igreja de Cristo tem a forma de governo que as nações hoje estão buscando. ¶
UM RETORNO AOS ENSINAMENTOS DE CRISTO ¶
Isso ocorre porque ela é padronizada segundo aquela ordem que o próprio Cristo estabeleceu. Chamo sua atenção novamente para o fato de que o Profeta Joseph declarou, no dia 6 de abril de 1830, que a Igreja foi organizada segundo aquela ordem dada no Novo Testamento. Li recentemente, em um livro publicado no ano passado por Charles A. Ellwood, Ph. D., L. L. D., autor de "The Social Destiny of Man" [O Destino Social do Homem], que "a religião do futuro não pode se basear no cristianismo histórico, mas deve, para evitar mal-entendidos, voltar aos ensinamentos de Cristo, tal como registrados nos Evangelhos". Não é significativo que um jovem, com menos de vinte e cinco anos, desconhecedor dos sistemas sociais de sua época, ou de qualquer época, tenha percebido e declarado, há cem anos, exatamente o que esse pensador percebe hoje? ¶
Diz o sociólogo de 1930: "A religião do futuro deve voltar aos ensinamentos de Cristo, tal como registrados nos Evangelhos." ¶
Disse Joseph Smith, há cem anos: "A Igreja de Jesus Cristo foi organizada de acordo com a ordem da Igreja tal como registrada no Novo Testamento. E o funcionamento prático e benéfico da organização prova sua autenticidade divina." ¶
ELEMENTOS FUNDAMENTAIS ¶
O Sr. A. Euston Haydon, autor de "The Quest of the Ages" [A Busca das Eras], nomeia quatro elementos fundamentais como um ideal para a vida satisfatória: ¶
Primeiro: o homem deve sentir uma sensação de segurança em relação às necessidades básicas da vida. Ele deve ter alimento, abrigo, relacionamentos familiares apropriados e proteção, e um lugar reconhecido dentro do grupo. ¶
Segundo: a religião deve contribuir para a alegria da personalidade, permitindo que os indivíduos compartilhem das realizações raciais e culturais. Isso exige uma disciplina educacional para o equilíbrio e o autocontrole, a capacidade de pensar, a fim de viver de modo mais abundante e livre, e alcançar bondade e simpatia tolerante por todos os povos, por meio da compreensão. ¶
Terceiro: a alegria da camaradagem humana. Nenhuma outra comunidade ou organização no mundo oferece camaradagem mais doce e mais sadia do que a Igreja de Jesus Cristo. O amor entre marido e mulher é um vínculo eterno, não selado levianamente em frivolidade ou paixão, mas iniciado com premeditação, cuidadosa observação, associação sagrada e oração. O riso das crianças pequenas é música no lar bem ordenado, e os prazeres e as associações juvenis no lar, na sociedade da ala e nas organizações auxiliares, no serviço de quórum e na mútua colaboração desde a infância até a velhice, oferecem uma oportunidade de camaradagem que enche a alma de uma alegria desconhecida dos sórdidos e dos autoindulgentes. ¶
Quarto: a alegria de contribuir com algo de valor para a vida comum. ¶
Outro escritor, examinando com clareza as necessidades sociais do mundo hoje, declara que "uma igreja que entusiasmará os homens não apenas pela redenção dos indivíduos, mas pela redenção das comunidades e da humanidade, talvez nunca chegue a existir. Mas, se não chegar, a causa de Cristo perecerá da face da terra. ¶
"Vejo a igreja como um barco salva-vidas lançado para salvar um mundo naufragado, perecendo em meio à prosperidade material, às realizações científicas mal dirigidas e à decadência moral." ¶
O autor citado declara ainda: "Estamos testemunhando ou o desmoronamento da civilização sob o peso de seu mecanismo material, ou o nascimento de uma nova organização mundial com um ideal espiritual." ¶
Meu testemunho é que estamos testemunhando o nascimento, ou melhor, a continuação de um grande iluminismo espiritual. ¶
O QUE HÁ DO FUTURO? ¶
O que há do futuro? "Vinde, e vede." "Vida abundante, formosa, risonha vida", mais fraternidade, paz mais segura, melhores relações sociais são alguns dos frutos do mormonismo, vistos pelo olho da fé. ¶
"A perspectiva crescente cansa nossos olhos errantes. Colinas espreitam sobre colinas, e Alpes sobre Alpes se erguem." ¶
Não podeis ver muitas nações ainda por ouvir a verdade — tanto judeus como gentios? Índia e China, ambas despertando; a Rússia ainda nas dores do nascimento de uma nova nação, uma nova liberdade religiosa que há de ser. Deus há de conduzi-la, pois aquele povo deve ouvir a verdade, e a verdade em simplicidade. Verdadeiramente há muito para a Igreja fazer no século que se aproxima! ¶
A SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS SOCIAIS ¶
Irmãos, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem em si tudo o que o mundo requereria. Não estou associando o governo político ao nosso governo religioso; estou apenas apontando aquele sistema de organização estabelecido pelas revelações de Deus ao homem. ¶
Permitam-me concluir: a Igreja, estabelecida pela inspiração divina a um jovem sem instrução, oferece ao mundo a solução para todos os seus problemas sociais. Ela resistiu à prova do primeiro século com sucesso. Em meio aos conceitos brilhantes dos homens deste século vinte, que buscam conscienciosamente reformas sociais e que perscrutam cegamente o futuro para ler o destino do homem, a Igreja resplandece como o sol nos céus, ao redor do qual outros luminares giram como satélites de menor importância. Verdadeiramente, ela é a criadora e a preservadora dos mais altos valores do homem. Sua verdadeira tarefa é a redenção de nosso mundo humano. "É a luz da verdade irradiando por toda parte no mundo, e essa luz não pode deixar de revelar ao homem, mais cedo ou mais tarde, os ideais divinos pelos quais o homem deve viver." ¶
Deus nos ajude e nos qualifique para a missão de levar ao mundo esta luz. Que possamos trabalhar ainda mais zelosamente do que outrora pelo estabelecimento de uma ordem social na qual a vontade de Deus seja feita na terra assim como no céu — um reino de Deus que fomente a fraternidade do homem e reconheça a paternidade de Deus. Que vivamos de tal modo que os homens, vendo nossas boas obras, sejam levados a glorificar a nosso Pai celestial, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶