A Fé como o Fundamento da Igreja
Richard R. Lyman
ÉLDER RICHARD R. LYMAN ¶
O RESULTADO DO APELO DE UM RAPAZ ¶
Quem pode imaginar acontecimento mais romântico do que um rapaz de pouco mais de catorze anos ajoelhar-se e apelar com êxito ao Criador do universo para que lhe desse luz e orientação? Por estranho que possa parecer a muitos, foi essa, não obstante, a experiência vivida por Joseph Smith, o fundador da Igreja Mórmon. ¶
Dessa experiência ele fez um registro escrito — que lhe foi revelado, aos catorze anos, que Deus tinha uma grande obra para ele realizar; que seu nome "seria considerado bom e mau entre todas as nações, tribos e línguas." (Pérola de Grande Valor, p. 51, versículo 33.) Como, pergunto eu, sem algum tipo de auxílio, poderia um rapaz de catorze anos ter tal experiência, com resultados tão maravilhosos? ¶
Comparai aquele rapaz solitário, há cem anos, com as multidões aqui reunidas, seus corações repletos de ação de graças e gratidão, celebrando o centésimo aniversário da organização da Igreja. Um rapaz então apelando; centenas de milhares agora escutando. ¶
"Eis que, diz o Senhor, prosseguirei em fazer uma obra maravilhosa entre este povo, sim, uma obra maravilhosa e um assombro." (Isaías 29:14.) ¶
Onde se pode encontrar, ou já houve alguma vez, obra mais maravilhosa, mais admirável? ¶
AS OPINIÕES DE UM ECONOMISTA ¶
Meu propósito é chamar vossa atenção para as palavras e opiniões do Dr. Thomas Nixon Carver, de Harvard, uma das maiores autoridades em economia. Em um artigo para "The Westerner" (abril de 1930), ele expressou suas opiniões a respeito da obra e das realizações da Igreja, cuja história começou com a oração de um rapaz. Insisto para que se coloquem exemplares desse artigo nas mãos de nossos alunos de seminário e de nossos missionários. A procura por ele tem sido tal que "The Westerner" providenciou um farto suprimento de reimpressões. ¶
Aqueles que têm dificuldade em ver as coisas com os olhos da fé terão, creio eu, sua fé estimulada e apoiada pela apresentação científica e lógica que o Dr. Carver oferece: ¶
FATORES NA ARTE DE GOVERNAR. "A arte de governar", diz o Dr. Carver, "é a arte de edificar nações. Pode-se ¶
estudá-la em miniatura nas primeiras colônias da costa atlântica, e nas colônias mórmons de Utah." ¶
Imaginai um rapaz de catorze anos dando início a uma instituição que atrai a atenção de um dos maiores economistas políticos do mundo, o qual diz ainda: ¶
"Há muito tenho me interessado pela organização política mórmon. Ela lança bastante luz sobre a arte de edificar nações." ¶
Será isso obra de um rapaz — edificar nações? ¶
"Ela fornece um laboratório para o estudo da ciência da arte de governar. É um dos experimentos mais interessantes e instrutivos do mundo." ¶
Será isso obra de um rapaz? Os resultados são tais que, como diz o Dr. Carver, "é um dos experimentos mais interessantes e instrutivos na arte de governar em todo o mundo." O que, senão o poder de Deus, poderia tornar possível tal realização? ¶
Prosseguindo, diz o economista: ¶
"Temístocles, provocado por não saber tocar um instrumento musical, respondeu que, embora não soubesse tocar violino, sabia transformar uma pequena cidade em uma grande e gloriosa cidade. Os líderes mórmons fizeram ainda melhor do que isso. Nem sequer tinham uma pequena cidade para começar. Começaram do nada e construíram uma grande e gloriosa comunidade." ¶
Não é isto maravilhoso? — até mesmo "uma obra maravilhosa e um assombro." (Isaías 29:14.) ¶
O MODO DA REALIZAÇÃO ¶
"Tais coisas", continua o Dr. Carver, "só podem ser realizadas de uma única maneira." É isso que digo — de uma única maneira — e essa maneira é com ajuda, orientação e inspiração divinas. ¶
"Essa maneira", diz o Dr. Carver, "é a economia da força de trabalho humana, pois a economia da força de trabalho humana é a chave para toda a ciência da arte de governar, e para toda a arte de edificar nações." ¶
O que poderia ser mais maravilhoso, o que mais admirável, do que um rapaz sem instrução, um rapaz com pouca oportunidade de frequentar a escola, cuja juventude se passou na pobreza, dar início a uma instituição que, do ponto de vista da "ciência da arte de governar" e da "arte de edificar nações", atrai a atenção, o respeito, a admiração da erudição do mundo? ¶
"Só economizando a força de trabalho humana é que se podem mover grandes massas de material, represar rios, cavar valas e irrigar a terra. Só economizando a força de trabalho humana é que se podem construir cidades, alimentar populações e poupar energia para as artes e as graças da vida." ¶
"Os mórmons nem sequer começaram com uma massa de mão de obra altamente educada ou qualificada." ¶
TANTO POBRES QUANTO SEM INSTRUÇÃO ¶
Agradeço ao professor por essas boas palavras — que os mórmons não começaram com um povo altamente educado. Vós vos lembrais de que, quando João Batista enviou mensageiros a Jesus, perguntando: "És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?", Jesus respondeu, voltai a João e dizei-lhe: "o evangelho é anunciado aos pobres." (São Mateus 11:3, 5.) Ouvi o que diz o professor: ¶
"Os mórmons... começaram, via de regra, com pessoas comuns. Essas pessoas vinham dos ermos, das pradarias e das montanhas. Do além-mar, vinham de fazendas camponesas, de minas de carvão e de oficinas. Embora fossem gente robusta e trabalhadora, não eram notoriamente dotadas ou instruídas." ¶
"És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?", perguntaram os mensageiros de João a Jesus. Sua resposta foi: "Dizei a João que o evangelho é anunciado aos pobres." ¶
"Foi necessário à Igreja Mórmon", continua o Dr. Carver, "instruir seu próprio povo. Não apenas começaram com terra desértica e tiveram de pôr tudo nela, até mesmo água; também tiveram de começar com um povo relativamente sem instrução. Essa dupla tarefa de desenvolver tanto a terra quanto o povo jamais poderia ter sido realizada, exceto economizando a força de trabalho humana disponível e utilizando-a ao máximo grau." ¶
Se eu dissesse quais são os resultados, isso talvez não fosse muito notável. Se outros membros da Igreja o dissessem, talvez não fosse notável; mas que um grande economista, que não é membro da Igreja, diga isto, indica-me que aqui está a Igreja e Reino de Deus. ¶
As palavras contundentes do Dr. Carver são: "Os resultados foram uma maravilha na arte de governar." ¶
UMA PISTA PARA SEU ÊXITO ¶
"A força de trabalho humana", diz ele, "pode ser economizada de três maneiras", e ele analisa a Igreja Mórmon sob essas três maneiras: ¶
"Primeiro, a força de trabalho humana pode ser economizada cultivando, entre o povo, hábitos pessoais sadios. Os que desperdiçam seus bens em vida devassa", diz o professor, "estão desperdiçando mais do que riqueza. Estão desperdiçando sua própria energia vital, sua própria força de trabalho humana." ¶
Se eu pudesse vê-lo, tomaria o professor pela mão e lhe agradeceria calorosamente pelas palavras inspiradoras que se seguem: ¶
"Nunca encontrei hábitos pessoais mais sadios e saudáveis do que entre os mórmons. Nunca convivi com um povo que mostrasse menos sinais de dissipação. Nunca estudei grupos de pessoas que parecessem mais bem nutridos e mais saudáveis. Nunca conheci um povo que se esforçasse mais para educar seus filhos. Esses traços são uma pista para o êxito dos mórmons como colonizadores e edificadores de nações. ¶
"A força de trabalho humana também é economizada descobrindo-se o talento oculto e dando-lhe ¶
oportunidade de se manifestar. O mundo está sempre em necessidade desesperada de talento ¶
incomum. Qualquer sistema de supervisão ou de ensino capaz de descobrir o gênio latente e torná-lo ativo é um fator na edificação de nações. Descobrir um gênio oculto é melhor do que descobrir uma mina de ouro oculta. ¶
O PODER POR TRÁS DE TUDO ISSO ¶
"Por alguma razão ou outra", diz ele — vós sabeis a razão, e eu também — "os líderes do mormonismo tinham um poder quase misterioso" — (essa é uma palavra tão forte quanto qualquer homem de ciência poderia usar por 'inspiração') — "os líderes do mormonismo tinham um poder quase misterioso de descobrir o talento oculto... O poder de ¶
preservar da perda a habilidade, o talento e o gênio é o que mais se aproxima da sabedoria divina, dentre tudo o que provavelmente conheceremos neste mundo." ¶
Com o vocabulário ao qual a ciência está limitada, como poderia o Dr. Carver marcar de modo mais certo a Igreja com o selo da divindade? ¶
"A força de trabalho humana", diz ele, "também é economizada pela cooperação, ou seja, por trabalharem ¶
juntos em harmonia. Pode ter sido a pura necessidade da situação que obrigou os primeiros mórmons a cooperar ¶
ou passar fome. Pode ter sido o vínculo de uma religião comum, pode ter sido superior inteligência e discernimento. Qualquer que tenha sido a origem, o resultado foi bom." ¶
Um homem de ciência não pode usar a palavra "inspiração", nem dizer que as pessoas são guiadas pela Divina Providência. Ele só pode usar termos que se refiram a forças humanas ou a forças da natureza. ¶
Mas devemos reconhecer que há algo que chamamos de fé, que penetra nos corações humanos. É algo como a eletricidade, difícil de definir, mas, como a eletricidade, tremendamente poderoso. É a fé do povo da Igreja na mensagem entregue pelo Profeta que dá a esta instituição sua vitalidade ativa, emocionante, maravilhosa. ¶
Solo sacro por Catherine Steed, "O Deus poderoso falou." ¶