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As Mudanças Operadas em um Século de Restauração

Anthony W. Ivins

Conferência Geral de Abril de 1930·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1930-04-06

PRESIDENTE ANTHONY W. IVINS

Apesar de meus esforços de autocontrole, tenho-me deixado dominar pela emoção ao contemplar os rostos desta vasta congregação de homens, com poucas mulheres, semelhante à qual, até onde sabemos, nunca antes se viu na história do mundo.

MUDANÇAS OPERADAS NO ÚLTIMO SÉCULO

Olhando para trás, como sem dúvida todos temos feito, contemplando as mudanças que sobrevieram ao mundo desde a organização da Igreja, há cem anos, o pensamento absorvente que me tem ocorrido é o de gratidão pelo fato de ter sido meu destino, convosco, meus irmãos e irmãs, ter sido participante de suas atividades maravilhosas.

Percorri de volta a longa e sinuosa estrada que o povo do mundo tem trilhado desde que temos registro de sua existência,

com seus marcos bem assinalados que nos dizem que, se os seguirmos, eles nos conduzirão de volta à presença de Deus, de onde viemos, mas da qual nos desviamos e nos afastamos, até que a estrada nos trouxe aonde estamos hoje.

a mão orientadora de deus

Em tudo isso, pareço ver a mão da divindade constantemente orientando, e ouço a voz de nosso Pai que está nos céus a chamar-nos de volta ao caminho reto, e, com frequência, sem que eles disso se apercebam, impressionando a mente dos homens, impelindo-os irresistivelmente para diante, rumo à consecução de um propósito divino, a redenção da família humana, para que possam alcançar a vida eterna.

"No princípio, Deus criou os céus e a terra." Do método pelo qual isso se realizou, temos pouco conhecimento; sabemos, porém, que a terra foi criada, porque nos encontramos aqui sobre ela.

E "Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou."

E deu ao homem domínio sobre a terra, e sobre tudo o que nela existe, e ordenou-lhe que a subjugasse e a tornasse frutífera. Deixou claro que isso só poderia ser realizado por esforço, pelo suor do rosto; que, dotado de razão, o homem deveria pensar, esforçar-se e, assim, descobrir a verdade e aplicá-la, a fim de que a terra pudesse ser submetida à sua vontade. Pois a inteligência e a vontade do homem são uma parte da divindade que o Pai concedeu a todos os seus filhos, e que, se devidamente aplicada e desenvolvida, tornará o homem semelhante ao seu Criador.

Do povo antediluviano que ocupou a terra em que habitamos pouco sabemos. Sua história, abrangendo um período de 1.500 anos, é narrada na Bíblia em umas doze páginas.

Da nova raça de homens que descendeu de Noé, nosso antepassado, temos informações mais precisas. É fato, porém, que muita obscuridade e dúvida cercam sua história primitiva.

Foi este último povo que segui com maior interesse, porque é a ele que traçamos mais diretamente nossa ascendência, e foi com ele, por meio de Abraão, nosso pai, que o Senhor firmou um novo convênio, o qual está agora em processo de cumprimento.

Segundo as melhores informações disponíveis, a expansão e o desenvolvimento dos filhos de Noé e de sua posteridade tiveram início ao longo do curso superior dos rios Eufrates e Tigre, estendendo-se dali para o sul, até as planícies de Sinar, na Mesopotâmia.

Diz-se-nos que Cão, filho de Noé, gerou Cuxe, que foi o pai de Ninrode, o fundador da Babilônia, que se tornou a maior cidade de seu tempo, enquanto Assur, filho de Sem, estabeleceu seu povo no Tigre e construiu a cidade de Nínive.

O Egito foi ocupado pelos descendentes de Cão, por meio de Faraó, filho de Egiptus, que era filha de Cão.

A Assíria, o Assur dos hebreus, cuja cidade

principal era Nínive; a Caldeia, cuja capital era a Babilônia; e o Egito, entre as mais antigas nações de que temos registro, estão todos intimamente associados ao povo israelita, cada um deles tendo exercido poderosa influência sobre seu caráter e sua história.

Foi da Caldeia que o Senhor chamou Abraão, e com ele firmou convênio, prometendo-lhe fazer dele um povo, comparativamente tão numeroso quanto as estrelas dos céus, ou os grãos de areia à beira-mar. Abraão era, naquela época, um homem sem filhos, com cem anos de idade.

CONVÊNIO COM ABRAÃO

Para compreender devidamente os acontecimentos do último século, é preciso estar familiarizado com o convênio que o Senhor firmou com Abraão e com a história do povo israelita desde então até o presente. O Senhor declarou que esse convênio seria eterno, perpétuo, o que significa que não terminaria enquanto não se cumprissem as promessas feitas. Em parte, o convênio declarava que, por meio de Abraão e de sua semente, todas as nações da terra seriam abençoadas.

Foi por meio dos descendentes de Abraão que a Santa Bíblia chegou até nós, o livro que mais fez para civilizar e estabilizar o mundo do que todos os demais já publicados. Ela nos deu os fundamentos de nosso sistema de governo e as leis segundo as quais seus assuntos são administrados. Da família de Abraão o Senhor levantou seus profetas antigos e modernos, e, o mais importante de tudo, Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, por meio de quem a redenção da morte e a salvação no reino de nosso Pai se tornam possíveis à humanidade. Que temos nós, de valor indispensável para a humanidade, que não nos tenha vindo por meio da raça israelita?

Nas últimas semanas venho pensando nestas coisas e associando-as à história secular do mundo. Somente por este método consigo chegar a conclusões satisfatórias quanto ao conteúdo e ao significado das escrituras, e meus estudos justificam a declaração que agora faço: em Abraão e em sua semente todas as nações da terra têm sido abençoadas.

Com o nascimento de Jacó, a raça israelita teve seu verdadeiro início. Jacó, que primeiro se chamou Israel; Jacó, que foi pai de doze filhos, e a quem as promessas feitas a seu avô Abraão foram reconfirmadas e grandemente ampliadas. Para que eu seja devidamente compreendido, permiti-me fazer esta breve observação:

A HISTÓRIA DA RAÇA ESCOLHIDA

Tornou-se costume comum associar a palavra Israel apenas ao povo judeu, o que é um grande erro. Embora seja verdade que todo o povo judeu é israelita, é igualmente verdade que há povo israelita que não é judeu.

Judá, ao qual se uniu a tribo de Benjamim, era apenas uma das doze tribos quando dez dessas tribos se revoltaram, no reinado de Roboão, filho de Salomão, e, sob Jeroboão, filho

de Nebate, estabeleceram um reino independente, com sua cidade capital em Samaria, no norte da Palestina.

Acompanhei Jacó e seus filhos ao Egito, estive com eles em sua prosperidade na terra de Gósen, enquanto o Egito estava sob o controle dos hicsos, ou Reis Pastores, seus próprios parentes, e em sua aflição e servidão depois que os príncipes nativos do Egito desceram pelo Nilo, derrotaram e expulsaram os hicsos, e retomaram posse de sua terra natal.

Acompanhei-os em seu êxodo do Egito sob o grande profeta Moisés, e em sua peregrinação de quarenta anos no deserto. Estive com eles na conquista da terra prometida, em sua ascensão final a um grande reino sob Davi, e regozijei-me com eles durante o reinado pacífico do rei Salomão, quando Israel viveu sua era de ouro.

Com tristeza, vi este povo escolhido voltar-se da adoração ao Deus de seus pais para a adoração de ídolos, o que trouxe dissolução e, por fim, subjugação por nações vizinhas. Vi as Dez Tribos serem levadas cativas pelos assírios, enquanto Judá sofria o mesmo destino às mãos dos babilônios, sendo depois dispersa pela Roma pagã aos quatro cantos da terra.

A quem não compreende, pode parecer que a promessa feita pelo Senhor falhou. Israel havia possuído a terra prometida, como ele dissera que possuiria, mas, pela transgressão, perdeu sua herança para outras nações, apesar de o Senhor ter declarado que essa herança seria eterna.

Terá falhado a promessa feita a Abraão? Estarão as Dez Tribos de Israel perdidas para o mundo para sempre? Estará Judá destinado a ser para sempre um errante sem uma pátria que possa chamar sua? Enfaticamente, não.

"Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e anunciai-a nas ilhas de

longe, e dizei: Aquele que espalhou Israel o congregará e o guardará, como o pastor, o seu rebanho.

"[...] Eis que os trarei da terra do norte, e os congregarei das extremidades da terra; entre os quais haverá cegos e aleijados, grávidas e as de parto juntamente; com grande congregação voltarão para aqui.

"Virão com choro, e com súplicas os levarei. [...] Porque sou um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito."

Assim tem falado o Senhor por meio de seus profetas escolhidos, e sua palavra não falhará.

Séculos antes, enquanto o povo israelita ainda possuía a terra prometida, o Senhor, por meio de seus profetas, predissera sua queda, que seria disperso entre todas as nações, mas que, por fim, seria reunido e restaurado à sua herança prometida. O tempo para o cumprimento desta última promessa está próximo.

A Babilônia, na época do cativeiro judaico, foi referida pelo profeta Daniel como tendo domínio sobre toda a terra. Nabucodonosor, seu rei, era chamado Rei dos Reis. Julgava-se o reino tão forte que jamais seria derrubado. O Senhor, porém, havia muito decretado sua queda, e seus profetas haviam declarado

que a Babilônia se tornaria como Sodoma e Gomorra, e que jamais seria reconstruída ou habitada novamente.

A cena de abertura do grande drama que haveria de trazer a redenção da casa de Israel ocorreu quando o exército medo-persa, sob Ciro, efetuou a conquista da Babilônia, durante o reinado de Belsazar, filho de Nabucodonosor, e estabeleceu em seu lugar o poderoso reino medo-persa.

Estive com Alexandre da Macedônia quando ele atravessou o Helesponto, vindo da Grécia, e com seu exército comparativamente pequeno travou as batalhas de Grânico, Isso e Arbela, onde destruiu totalmente o grande exército medo-persa que Dario havia reunido, e se estabeleceu como senhor da Ásia, do Mediterrâneo até a foz do Nilo, um país cinquenta vezes maior em área e população do que o seu próprio.

Estive com as legiões romanas quando varreram a Ásia, destruindo os pequenos reinos que Alexandre havia estabelecido, e em sua campanha no norte da Europa, que as tornou senhoras do mundo então conhecido.

Estive com Marco Antônio e Otávio em Áccio, onde lutaram pelo domínio de Roma, e vi aquele poderoso império desmoronar e cair.

Todos estes têm sido pontos de viragem nos assuntos do mundo, que mudaram inteiramente o que, de outro modo, poderia ter sido sua história. Não foi vontade do Senhor que o domínio despótico se estabelecesse e se mantivesse permanentemente sobre a terra. Isso se provou nos tempos modernos, quando Napoleão encontrou seu Waterloo, e em nossos próprios dias, quando a ambição levou uma cabeça coroada da Europa a buscar o estabelecimento do domínio mundial.

Em tudo isso vi o dedo do Senhor apontando para um tempo em que: o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído, nem entregue a outro povo, mas permanecerá para sempre; quando ele estabelecerá a paz sobre a terra e a boa vontade entre os homens; quando nação não levantará espada contra nação, nem aprenderão mais a guerra.

UMA TERRA ESCOLHIDA

Ó meus amados irmãos e irmãs, suplico-vos que estudeis a palavra do Senhor, tal como está contida nas santas escrituras. Sabereis então que o presente está inextrincavelmente associado ao remoto passado a que me referi, tanto quanto ao futuro que temos diante de nós. Sabereis que vos foi dada uma terra que é escolhida acima de todas as outras. Descobrireis que os antigos profetas viram esta terra da América, e declararam seu destino. Sabereis as condições sob as quais nossa nação há de ser perpetuada, ou, por outro lado, por falta de nossa fé em Deus, tomar seu lugar entre aquelas grandes nações a que me referi, e cair no esquecimento.

Onde muito se dá, muito se exige. Esta é a terra de José, é a terra de Sião, uma terra escolhida acima de todas as outras terras. O Senhor nosso Deus decretou que qualquer nação que a habite

será livre da servidão, livre de todas as outras nações, se tão-somente servir ao Deus da terra, que é Jesus Cristo. Estas não são minhas palavras, mas as palavras do Senhor, nosso Deus. Elas nos obrigam, como obrigaram outras grandes nações que ocuparam o continente americano em tempos passados. Elas implicam mais do que uma profissão tácita ou superficial de fé em Cristo, nosso Senhor. Devemos prestar-lhe serviço.

VERDADEIRO SERVIÇO

Ao ser perguntado o que a palavra serviço implicava, o Redentor respondeu: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não dirás falso testemunho. Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo." Simples exigências que corporificam os fundamentos da vida cristã perfeita.

Se amarmos o Senhor, será um prazer servi-lo. Não poderíamos, se o amássemos, ser culpados de assassinato. O fato de que o assassinato é de ocorrência quase diária é evidência de que este grande mandamento não é devidamente observado. Depois do assassinato, o Senhor declarou que a contaminação das fontes da vida por meio do intercâmbio promíscuo entre os sexos é uma abominação a seus olhos.

PADRÕES DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está irrevogavelmente comprometida com a observância da pureza sexual. Não reconhece nenhum padrão duplo de moralidade. Exige dos seus membros homens o mesmo padrão de virtude que exige das mulheres, e não reconhece nenhuma circunstância ou condição que justifique a relação sexual, exceto no matrimônio virtuoso e legal. Isso a Igreja reconhece não apenas como aprovado pelo Senhor, mas em conformidade direta com seu mandamento.

OBEDECENDO ÀS LEIS DE DEUS E DO PAÍS "Não furtarás."

Qualquer pessoa que, conscientemente, priva outra daquilo que legitimamente lhe pertence, sem dar em troca o valor recebido, é culpada de roubo, seja qual for o processo pelo qual a transação se realiza.

"Não dirás falso testemunho."

A frequência com que este mandamento é desrespeitado por homens e mulheres que comparecem perante nossos tribunais, sob juramento de dizer a verdade, é evidência de que se faz necessária uma reforma.

Se pudéssemos apenas pôr em prática estas simples exigências, e poderíamos fazê-lo se quiséssemos, que lugar glorioso seria este nosso mundo para se viver!

Podereis perguntar -- Por que chamar atenção para estas condições, sem oferecer nenhum remédio para elas? O remédio é simples, e pode ser tornado eficaz.

Parafraseando as palavras de Abraham Lincoln: Que cada membro da Igreja, desde seu presidente, seu sacerdote ou pastor, até o mais humilde membro, e cada cidadão dos Estados Unidos da América, desde o mais alto funcionário eletivo ou nomeado, até o mais humilde cidadão, resolva agora e aqui, com firmeza, que a fé em Deus manifestada por nossos pais, que nos legaram a inestimável herança de liberdade que agora desfrutamos nesta terra escolhida, não perecerá da face da terra, mas perdurará para sempre. Feito isto, estaremos seguros; sem isso, não temos garantia alguma.

Não estou profetizando males para o meu país. Eu o amo. Amo o seu povo, e nele creio. Não creio que ele entregará descuidadamente os princípios de liberdade e justiça, dados por Deus, que lhe foram legados, nas mãos de estranhos que os pisariam aos pés, e fariam retroceder as rodas do progresso humano à idade das trevas, da ignorância e do fanatismo dos quais fomos resgatados pela mão do Deus de nossos pais.

Sei que há aqueles que não concordarão comigo em minhas conclusões. Tampouco creram nas palavras daqueles que ensinaram estas coisas no passado.

AS PALAVRAS DE MORÔNI APLICÁVEIS AGORA

Quando o Senhor ordenou a Morôni que escrevesse as coisas contidas no Livro de Mórmon, que é o registro sagrado do trato do Senhor com o povo nefita, Morôni disse:

"Senhor, os gentios zombarão destas coisas."

A resposta foi:

"Os tolos zombam, mas lamentarão; e não se aproveitarão de vossa debilidade, porque minha graça basta aos mansos."

Não consigo pensar em palavras de conclusão mais apropriadas do que as palavras deste escolhido profeta do Senhor:

"E agora falo a todos os confins da Terra -- se chegar o dia em que o poder e os dons de Deus desaparecerem do meio de vós, será por causa de incredulidade.

"E ai dos filhos dos homens, se for esse o caso. [...] E exorto-vos a que recordeis estas coisas; porque se aproxima rapidamente a hora em que sabereis que não minto, pois ver-me-eis no tribunal de Deus; e o Senhor Deus dir-vos-á: Não vos anunciei minhas palavras, que foram escritas por este homem como alguém que clamasse dentre os mortos, sim, como alguém que falasse do pó? [...]

"E novamente desejo exortar-vos a virdes a Cristo e a vos apegardes a toda boa dádiva; e a não tocardes nem na dádiva má nem no que é impuro."

Estas últimas palavras de Morôni, eu as recomendo à vossa consideração, meus irmãos e irmãs.

BÊNÇÃOS SOBRE TODOS OS QUE BUSCAM A RETIDÃO

Que as bênçãos do Senhor estejam sobre vós. Que sua mão protetora esteja sobre vós, e que a orientação do Espírito Santo vos dirija e permaneça convosco e com todos os que procuram estabelecer a retidão e a justiça sobre a terra; para que o reino de Deus se estabeleça e sua vontade se faça na terra como se faz nos céus. Esta é minha humilde oração, meus irmãos e irmãs, em vosso favor e em favor de todo o mundo. Amém.

Como citar este discursoAnthony W. Ivins, “As Mudanças Operadas em um Século de Restauração”, Conferência Geral de Abril de 1930, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1930-04-06). Pulpit Vault, 1930-04-ivins-changes-wrought-in-a-century-of-the-restoration. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).