Pulpit

Fé e Serviço

Charles W. Penrose

1921 Conferência Geral de Outubro·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1921-10-06

Não consigo expressar plenamente minha gratidão a Deus e a meus irmãos pela oportunidade que tenho de estar presente nesta grande ocasião.

O Senhor conhece meu coração e conhece meus desejos e intenções, e ele tem me abençoado abundantemente, e reconheço sua mão nesta manhã por minha presença nesta congregação. Durante parte do tempo que decorreu desde nossa Conferência de abril neste edifício, passei por um período de severa aflição corporal, algo a que não estou muito acostumado durante minha vida repleta de acontecimentos, mas sofri muito severamente, e me pareceu que estava me aproximando bastante daqueles portões sobre os quais às vezes cantamos.

O presidente Grant veio ao meu quarto certa manhã e me disse que eu tinha de me levantar daquela cama e ir até a costa passar um mês lá. Bem, quase ri em sua cara diante da ideia, mas ele disse que eu poderia ir e que ele cuidaria do meu transporte, que eu não precisava me preocupar com isso, e, para resumir a história, achei aconselhável seguir o bom conselho. Fiz o esforço e tive êxito. Fiz como ele me pediu e fiquei o tempo que achei que deveria ficar lá, tendo sido encorajado por ele e pelo presidente Ivins a assim fazer, e voltei quando achei que havia chegado o momento apropriado para voltar para casa, e aqui estou nesta manhã, revigorado em espírito bem como em corpo, e cheio de gratidão e ação de graças a Deus e a meus irmãos e irmãs que oraram por mim.

A Fé, o Princípio de Nossa Religião

Sei que tive a fé e as orações de muitos de meus amigos, e agradeço-lhes pelo exercício de sua fé, aquela fé que creio e espero que permaneça sempre, como ouvimos no hino. Esse é o princípio de nossa religião, a fé, a fé real no Deus verdadeiro e vivo. A fé num deus falso não vale muito; ainda assim, é melhor crer em algum tipo de deus ou ser supremo, a quem sentimos dever lealdade, do que não ter fé alguma. Mas a fé verdadeira, a fé viva, que produz obras, no Deus certo, o único Deus vivo e verdadeiro, nosso Pai Eterno, é uma grande coisa, e é o dom de Deus que é dado a todos os seus filhos, em sua própria natureza e ser, como filhos e filhas dele. Esse é o princípio da religião chamada "mormonismo". "Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo." Esse é o primeiro artigo de nossa fé, como expresso pelo profeta Joseph nas razões que deu pela fé dos Santos dos Últimos Dias, e que sustentamos hoje e repetimos em nossas Escolas Dominicais e em muitas de nossas reuniões.

Que coisa abençoada é ter fé real e confiança naquele Ser que é o Autor de nossas vidas, de quem recebemos nossa existência espiritual organizada. Os elementos, como ele nos disse, são eternos. Os elementos de nossos corpos, bem como de nossos espíritos, não têm princípio. Sempre existiram, sempre existirão. É um grande consolo saber esse fato, um fato de que não somos seres de um momento, por assim dizer, mas somos eternos em nossa natureza, que somos de existência eterna, de uma linhagem eterna, e que podemos nos aproximar de nosso Pai, e que nossos espíritos podem alcançá-lo e ter comunhão com ele, que podemos perceber nosso relacionamento com ele, e o dele conosco, e saber que ele se lembra de nós como sua prole. Pois o espírito do homem é a prole de Deus. Foi por meio do exercício da fé em meu favor por meus amigos, e de minha própria fé, que me recuperei de minha doença, e fui muitíssimo beneficiado pelas brisas do oceano na praia perto de Los Angeles. A verdadeira revigoração que veio a mim se deu pela vida espiritual, o espírito que procede de nosso Pai por toda a imensidão do espaço, o qual, como ele nos disse, dá vida a todas as coisas que têm vida, o qual é luz também, bem como vida, o qual é o Espírito de Cristo, no qual somos ensinados que ele está no sol e na lua e nas estrelas e na terra sobre a qual pisamos, e pelo qual Deus nos disse que fez os mundos por meio de e por seu Filho, "e os habitantes destes são filhos e filhas gerados a Deus".

A fé viva que temos naquele Ser é nosso sustentáculo em toda circunstância. Nas horas mais sombrias que passamos em nossas vidas mortais, ou como comunidade, nas tribulações e provações por que a Igreja passou, podíamos nos aproximar dele, o Autor de nosso ser, nosso Pai, e sentir, como Jesus de Nazaré sentiu quando estava na carne, que ele é nosso Pai e que podemos chegar até ele e ele se inclinará para nós. O Senhor diz: "Buscai-me, diz o Senhor, e eu me aproximarei de vós." Essa é uma grande verdade que os Santos dos Últimos Dias, penso eu, entendem bastante bem, ou estão passando a entender. É uma realidade e deve ser impressa em nossa prole, em nossos filhos, em nossos filhinhos.

Mães e pais deveriam ter esse fato impresso neles, que, "embora tenham pais segundo a carne", como diz o apóstolo Paulo, "e lhes tenhamos reverência, quanto mais deveríamos ter reverência por aquele que é o Pai dos espíritos, e viver". Ensinai a vossos filhos fé real num Deus real, uma pessoa, um ser que existe e que compreende todos os nossos sentimentos e emoções, tendo passado pelas experiências pelas quais agora estamos passando, e que é a própria personificação de tudo o que é certo e verdadeiro e bom em todo o universo, tudo o que é puro, tudo o que é esclarecedor, tudo o que é inteligente, tudo o que é compassivo, tudo o que há na vida; e a fé e a verdade estão nele personificadas, e ele é a expressão dessas verdades eternas para nós. Que bênção é hoje termos essa fé, sobre a qual se cantou aqui, e que permanecerá sempre.

Ora, estes três, ensinou Paulo, "a fé, a esperança e a caridade permanecerão". A fé deve permanecer em nossos corações em toda circunstância em que atuemos, individualmente e como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. E é por essa fé que os élderes de que temos ouvido falar saem pelo mundo das missões a proclamar a verdade, a testificar da paternidade de Deus e da irmandade do homem, e a testificar de que nosso Pai falou nestes últimos dias, como falou muitas vezes na Antiguidade, e que ele, que é o Pai de Jesus Cristo e que falou por meio dele no meridiano do tempo, falou a e por meio do profeta Joseph Smith nestes últimos dias, e que seu Filho tem ensinado, por meio desse profeta e de seus sucessores, ao longo do tempo, desde quando o menino Joseph ofereceu aquela gloriosa oração de fé no Bosque. Ele é nosso Pai, e Jesus Cristo é seu porta-voz. Tudo o que tem sido revelado aos filhos dos homens, de tempos em tempos, tem sido feito por meio dessa agência, dessa filiação; a voz de Deus ao profeta Joseph, "Este é meu Filho Amado, ouvi-o", tem sido a política de nosso Pai desde a organização desta Igreja. Foi por meio de seu Filho e por seu Filho que esta terra foi formada. É por meio dele e por ele que todas as revelações que Deus deu à humanidade chegaram à família humana, e ele está hoje à frente desta Igreja, representando o Pai, e ele pode falar pelo Pai, e o Espírito Santo pode falar por ambos, e testificar da verdade nos corações dos filhos dos homens.

A Obra Missionária e os Meios

Um assunto que o presidente Grant tocou nesta manhã é este trabalho de nossos rapazes, e mães e pais, homens mais jovens e homens mais velhos, que saem pelo mundo sem dinheiro e sem preço, no que diz respeito a pagamento, gastando seu próprio dinheiro ou o dinheiro de seus pais, e às vezes, receio, gastando-o de forma um tanto extravagante. Os rapazes que saem para o campo missionário não deveriam sair com a sensação de que têm à sua disposição grandes somas de dinheiro. Não há necessidade disso. É verdade que custa bem mais hoje pagar as despesas de um missionário no exterior do que costumava custar antigamente. Em meus primeiros trabalhos, de fato quase tudo o que fiz em terras estrangeiras como missionário, foi feito sob a antiga lei de nem bolsa nem alforje. Quando saí pela primeira vez, ainda rapaz, não levei comigo nada além das roupas que vestia, exceto um maço de folhetos e um par de calças e uma camisa para usar em batismos. Tinha fé de que poderia trazer pessoas para a Igreja, e queria algo que pudesse vestir para batizá-las. Tive uso para essas coisas, e fiz o trabalho exatamente como disse. Realmente, todo o meu ministério entre os povos do mundo foi literalmente "sem bolsa nem alforje". Ora, não digo que isso deva ser feito agora. Creio que, à medida que as circunstâncias mudam, o Senhor muda seus mandamentos para corresponder a elas. Como Jesus ensinou, muitos de vós que saístes pelo mundo não levastes "nem latão, nem ouro, nem prata em vossas bolsas, nem alforje para a jornada, nem duas capas", "pois o obreiro é digno de seu salário", mas depois ele disse: "Quando vos enviei sem bolsa nem alforje, faltou-vos alguma coisa? E disseram: Não, Senhor", mas agora ele disse: "Aquele que não tem bolsa, que a arranje, e o que não tem espada, que a compre." As circunstâncias haviam mudado, e assim a palavra mudou. Ele não mudou, mas, tendo as circunstâncias mudado, a palavra do Senhor foi diferente. Assim, nestes tempos, as condições mudaram muito em relação àqueles tempos.

Achamos necessário que os rapazes saiam dois a dois. Às vezes um deles é um rapaz comparativamente pobre, não tem dinheiro, ou tem muito pouco, e o outro tem de sobra. É uma condição bastante difícil para o rapaz pobre, mas eles têm de se hospedar juntos e dividir as despesas, e isso deveria ser regulado pela prudência, pela economia, pela sabedoria, e os pais deveriam zelar para que seus filhos não recebam dinheiro demais e que os outros, mais escassamente providos, sejam auxiliados para que não tenham de menos; mas, de modo geral, penso que nossos missionários, nestes últimos dias, são em muitos aspectos favorecidos demais com dinheiro para gastar. Não são enviados com o propósito de se entregarem a ver as atrações do mundo, a ir a cinemas, teatros e outros lugares de diversão, embora ocasionalmente algo desse tipo não faça mal, mas esse não é o objetivo. Para o que são enviados é para levar consigo aquela fé permanente em Deus, e pregá-la ao povo, que ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre, que se pode aproximar dele, que ele tem leis e mandamentos e ordenanças que exige que as pessoas que desejam vir a ele observem da maneira certa, e sob a devida autoridade. Saem para esse propósito, e esse deveria ser seu objetivo, seu principal objetivo. Depois de estarem no campo por um tempo, passa a ser assim, mesmo que não seja assim no princípio: alguns de nossos rapazes, que fizeram coisas erradas, que não se mantiveram tão retos quanto deveriam como prole dos Santos dos Últimos Dias, depois de estarem no campo missionário por um tempo, começam a ter o coração abrandado, e, em humildade e fé em Deus, vão confessar suas transgressões a seus oficiais presidentes. Quando podem ser perdoados, mediante pleno arrependimento e mudança de vida, essa bênção lhes é estendida. Quando ainda estão endurecidos de coração e propensos a fazer o mal, têm de ser mandados para casa, evidentemente.

O Espírito, e Não a Carne, Deve Governar

Ora, eles deveriam ser ensinados, desde a infância, a preservar a pureza de suas vidas e corpos, a agir com pureza de conduta sempre, e especialmente em sua associação com o outro sexo. Isso deveria estar na mente de nossos pais, e eles deveriam incuti-lo na mente de seus filhos e filhas. Deus é um ser de pureza, ele é sagrado e santo, e sagrado e santo seja seu nome, e sagrados e santos deveríamos ser nós, seus servos, em toda a nossa conduta enquanto habitamos a terra na carne, e deveríamos aprender a grande lição de que o espírito governe a carne, em vez de permitir que a carne governe o espírito. Estas são verdades simples que deveriam ser impressas na mente de nossos filhinhos, para que cresçam nesse espírito e nessa fé suprema em Deus, que é o fundamento de nossa religião.

A Fé e a Pureza Devem Ser Ensinadas no Lar

Isso deveria ser ensinado no lar, ou em particular, pelas mães a suas filhas, e pelos pais a seus filhos, e eles deveriam crescer nesse ambiente. Cuidemos disso, meus irmãos e irmãs, para que em nossos lares essa fé prevaleça, a fé em Deus, a fé real e verdadeira, vinda da alma, do coração, em Deus, nosso Pai Eterno, e imprimamos isso em nossos filhos, e eles crescerão no favor do Senhor e estarão prontos a servir em sua grande obra dos últimos dias, e não há obra igual a ela no mundo. O privilégio de um homem que possui o Santo Sacerdócio, de ser élder na Igreja de Cristo, ordenado a pregar o evangelho, a administrar o batismo para a remissão dos pecados, a impor as mãos sobre o crente batizado e dizer "recebe o Espírito Santo", isso é algo maravilhoso, mas é conferido a nossos rapazes missionários, e, se crescerem no temor do Senhor, em plena fé nele, onde quer que vão levarão consigo um poder que outros homens não possuem. Queremos isso em casa, bem aqui onde vivemos. Todo rapaz e toda moça nascidos entre os Santos dos Últimos Dias deveriam crescer nesse espírito de pureza.

Cuidemos, meus irmãos e irmãs, de levar isso a cabo, cada ordenança e cada conselho que vem da boca de Deus para nossa orientação e direção. Isto é o que deveríamos fazer. "O homem", disse Jesus Cristo, "não deve viver só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus." Essa é a lei celestial. Quando fazemos isso, estamos vivendo a lei celestial, e alcançaremos a glória celestial se continuarmos a permanecer nela, pois, ao permanecermos nessas coisas, santificamos nossa natureza, fazemos com que nossos corpos e nossos espíritos sirvam a Deus e se submetam à sua lei, à sua influência e a seu Espírito, que dele procedem, e nossos corpos se tornam tão santificados que se tornam capazes de serem vivificados na ressurreição por uma glória celestial, e, se não vivermos de acordo com tal lei, não poderemos alcançar uma glória celestial. Isso deveria estar em nossas mentes, e deveríamos ensiná-lo a nossos filhos.

NOSSO DEVER DE AMAR A DEUS E SERVI-LO EM NOME DE JESUS CRISTO.

Ora, há uma lei, como nosso presidente nos declarou, de que amemos a Deus com todo o nosso coração, poder, mente e força. Deus disse isso ao povo na Antiguidade. Também está na Doutrina e Convênios. Foi dito aos primeiros colonizadores em Sião: "a terra de Sião", que há de ser consagrada para ser habitada pelos santos, onde o grande templo de Deus será erguido, sobre o qual "a glória de Deus repousará". O Senhor disse ao povo ali, logo no início de seu estabelecimento, para amá-lo "com todo o coração e alma e mente e força"; e disse: "em nome de Jesus Cristo o servirás." Não vos esqueçais disso, meus irmãos. Servimos a Deus em nome de Jesus Cristo. Esse é seu nome completo. É o nome que lhe foi dado desde a Antiguidade. Podeis lê-lo na Pérola de Grande Valor. É o nome dado nos últimos dias. Está em quase toda revelação na Doutrina e Convênios: "Ouvi a voz de Jesus Cristo"; devemos amar a Deus com todo o nosso coração e servi-lo em nome de Jesus Cristo. As ordenanças que realizamos, todas as orações que oferecemos, tudo o que fazemos como servos de Deus nesta Igreja, deveriam ser feitos em nome de Jesus Cristo, pois é a Igreja dele, e ele está de fato à sua frente. Depois nos é dito que deveríamos amar também os nossos próximos, como a nós mesmos. Que coisa boa seria para os Santos dos Últimos Dias se todos cumpríssemos essa lei, não seria?

Circulação Financeira — Paga o que Deves

Nesta manhã, quando o presidente Grant ilustrava tão lindamente a circulação do sangue no corpo do homem, e a circulação nas finanças, que ele também abordou, o pensamento que me veio à mente foi este: sim, se aquele sangue é bom, mas não seria de muito valor se não estivesse circulando. Se permanecesse ali — às vezes um coágulo de sangue chega a uma parte do corpo e traz a morte em vez de vida, porque impede a circulação. Fiquei imaginando se não havia muito dinheiro de propriedade de nosso povo escondido em algum lugar "para um dia de chuva". Sabeis que este é um tempo ameaçador, e estamos muito perplexos, os bancos estão amarrados, por assim dizer — eles têm dinheiro, sem dúvida, trancado em algum lugar, penso eu, mas isso é assunto deles. Se temos, e devemos alguma coisa a alguém, paga o que deves; creio que é uma boa exortação aos Santos dos Últimos Dias hoje, e que todas as pessoas que devem dinheiro a algum de seus irmãos, ou a pessoas que não são seus irmãos, ou a seus irmãos, ainda não pago, tirem esse dinheiro daquela velha meia e daquela caixa trancada num banco, e paguem suas dívidas. Creio que isso faria uma grande mudança financeira entre nosso povo. Há muitas pessoas devendo a seus vizinhos, e não amam seus vizinhos como deveriam amá-los. Tirai esse dinheiro e ponde-o em circulação, e então ele realizará muito do que o presidente Grant referiu naquela pequena história sobre o irmão Farrell. Já o ouvi contá-la antes, e é muito impressionante. É a circulação do sangue que alimenta o corpo. É a circulação do dinheiro que alimenta o corpo das finanças, e não podemos progredir como comunidade, e ser tão grandes, ricos e fortes quanto seríamos se colocássemos em circulação o que temos.

O Sacerdócio Tem Direito à Inspiração

Reunimo-nos aqui, meus irmãos e irmãs, para adorar a Deus, o Deus verdadeiro e vivo, e sinto que ele aceitará nossa oferta. Sinto que ele está aqui pela presença de seu Espírito Santo, que ele está aqui na presença destes bons homens que têm trabalhado nas diversas estacas de Sião e nas alas dos bispados, e nos campos missionários. Em suas pessoas, há o espírito e o poder de Deus e a autoridade no santo sacerdócio para ministrar em nome do Senhor. Que grande corpo influente há aqui hoje nesta congregação! Percebo isso, sinto isso. Creio nisso com todo o meu coração, e sei que este poder que Deus revelou nos últimos dias, e que é enviado do céu sobre a terra para a salvação da humanidade, é uma realidade, e todos nós podemos tê-lo na medida da autoridade a que somos ordenados. Todo homem ordenado a qualquer ofício neste sacerdócio tem direito ao espírito e poder desse ofício, e pode tê-lo se viver de acordo com o que ele ensina, se viver de acordo com a inspiração que ele traz, pois o Espírito de Deus sussurra à alma do homem, e ele pode conhecer a "voz mansa e delicada". Ela não vem sempre em grandes manifestações.

Lembrai o Senhor Tanto na Alegria como na Tristeza

Alegro-me quando as pessoas têm manifestações definidas, por mais materiais que pareçam. Creio que há bastante reflexão sobre essas coisas no mundo, e às vezes na Igreja. A imaginação vai muito longe, às vezes, mas há um vínculo entre todo homem ordenado ao sacerdócio e seu Deus, e esse vínculo não deveria ser rompido, não deveria ser enfraquecido. Deveríamos viver em harmonia, em união, em comunhão, com aquele que é nossa Cabeça viva, e ele não nos abandonará nem em dias de aflição, nem de dor, nem de doença, nem de coisa alguma. A propósito, não deveríamos deixar nossas orações e nossas devoções para o tempo de aflição e de doença e de dificuldade, mas ir ao Senhor quando estivermos felizes, quando nossas almas estiverem cheias de alegria e contentamento, pois ele ama um semblante alegre. Ele não gosta de risadas muito altas e barulhentas — diz que isso é pecado —, mas gosta de ver um "semblante alegre", quando as pessoas vêm adorá-lo na beleza da santidade, com um sorriso no rosto e alegria no coração. Não nos esqueçamos do Senhor quando estivermos alegres, quando estivermos felizes, e vamos a ele, e com todo o coração agradeçamos e louvemos seu santo nome pelas misericórdias de que desfrutamos, pois somos um povo abençoado.

Somos Maravilhosamente Abençoados como Povo

À parte de todas essas bênçãos que dizem respeito aos assuntos do santo sacerdócio e às congregações dos Santos quando se reúnem para participar do sacramento e adorar a Deus, como comunidade, somos maravilhosamente abençoados quando comparamos nossas condições àquela condição que tínhamos nos dias mencionados pelo presidente Grant. Não pude deixar de pensar, nesta manhã, num pequeno acontecimento que ocorreu na ala à qual pertenci certa vez. Não direi onde foi. E aquilo se deu naqueles dias de escassez, quando queríamos ter um baile. Os rapazes costumavam contribuir com algumas velas de sebo para serem colocadas nas paredes da casa da ala para iluminação. Certa noite, algumas das moças tiveram a ideia de que deveriam acompanhar os costumes "de fora", que exigiam pisos encerados. Assim, usaram algumas das velas e "encerraram" o piso com sebo, e podeis imaginar em que condição ficaram algumas das moças quando escorregaram no chão com seus lindos vestidos de festa. Mas isso ilustra o tipo de aperto em que nos víamos naquela época, e aqueles primeiros dias estão bem diante de minha mente, e posso contrastá-los com as condições que nos cercam no presente. Aqui somos abençoados pelo Senhor financeira e temporalmente; temos lares melhores, temos roupas melhores — não digo que sejam melhores do que as de fabricação caseira, notai bem; subscrevo o que o irmão Grant disse sobre a fabricação caseira — e somos abençoados muito abundantemente, e deveríamos estar cheios de gratidão por essas bênçãos, essas coisas boas que temos. Os Santos podem vir até aqui de lugares distantes agora com facilidade e conforto. Nos tempos antigos, quando eu saía de casa para vir até aqui, uma longa distância, vinha de carroça de bois ou às vezes "a pé mesmo", e eu me alegrava quando chegava aqui. Mas hoje nosso povo é abençoado com meios de transporte tão superiores aos antigos modos que deveríamos estar cheios de ação de graças. Louvemos ao Senhor em nossos corações e em nossas obras, pois essa é a maneira de louvá-lo. Nossa fé deveria manifestar-se em nossas obras. O que houver para fazer em nossos campos de trabalho aceitos, em casa ou no exterior, deveria ser feito com toda a nossa mente, poder e força. "O que a tua mão fizer hoje", disse o antigo pregador, "faze-o com todo o teu poder." Sim, ponde a alma em vosso trabalho, seja ele qual for, irmãos e irmãs, membros das sociedades auxiliares bem como membros dos diversos quóruns do santo sacerdócio, e sede dispostos e obedientes, pois é o disposto, bem como o obediente, que há de colher os frutos da terra.

Decidi Servir a Deus e Guardar Seus Mandamentos

Ora, que nós, que estamos aqui reunidos nesta manhã, decidamos, quando voltarmos a nossos campos de trabalho, ou respectivas moradas, sentir que serviremos a nosso Pai, que guardaremos seus mandamentos, que andaremos em seus caminhos, que nos uniremos a nossos irmãos, que perdoaremos as ofensas de nossos amigos, como esperamos ser perdoados das nossas, e que amaremos o Senhor e nos devotaremos com todo o nosso poder, mente e força, e todas as faculdades que temos e os meios que chegam a nossas mãos, à edificação deste reino dos últimos dias. É a maior coisa na terra, irmãos e irmãs. É a coisa mais grandiosa que jamais engalanou este globo, e permanecerá e continuará, e não perecerá nem cairá, nem tampouco será pisada aos pés, nem tampouco será vencida pelo poder do mal. Permanecerá e continuará a crescer e aumentar e espalhar-se, e alguns de nós viverão para vê-la, e se não vivermos na carne, viveremos fora da carne, e saberemos a respeito dela.

Coroados de Glória, Imortalidade e Vidas Eternas

O presidente Grant falou nesta manhã sobre alguns de nossos bons e fiéis irmãos que faleceram. Eles não estão perdidos para esta Igreja. Foram para onde deveriam estar. Trabalharão lá tanto quanto trabalharam aqui, talvez numa capacidade diferente, mas trabalharão por esta mesma grande causa, e todos os bons homens que partem de nós e passam para além do véu estão engajados e organizados, e estão na obra dos últimos dias, e acrescentarão a nossa força, se vivermos de maneira que possam se aproximar de nós, e os anjos de Deus estarão ao nosso redor, e nosso Pai nos ministrará, e o poder de seu Espírito aumentará em nossas almas, se continuarmos a fazer o bem, a trabalhar com toda a nossa mente, para edificar este grande reino na terra. Cristo está e estará à sua frente. Ele será Rei dos reis e Senhor dos senhores, e todo homem que tiver trabalhado com ele e por ele neste santo ministério será coroado de glória e imortalidade e "vidas eternas". Isso significa mais do que vida, mais do que mera existência; significa aumento perpétuo de posteridade, mundos sem fim, e essas bênçãos serão nossas se nos provarmos fiéis àquilo que recebemos do Senhor, e é para isso que estamos na Igreja, cada um de nós; esse é nosso dever, é para isso que estamos na terra: para edificar este reino dos últimos dias, para conduzir os habitantes da terra a Deus, para trazê-los mais perto dele, de modo que sejam obedientes em seus corações e estejam dispostos a obedecer a seus mandamentos e a andar em seus caminhos e a se prepararem para o futuro glorioso que os aguarda.

Bênçãos e Conselhos para as Autoridades que Trabalham

Que Deus vos abençoe, meus irmãos que trabalhais nesta grande causa, presidentes de estaca e conselheiros, bispos e conselheiros, mestres que visitais entre o povo; levai convosco um bom espírito de conforto e paz, e alegria, aos corações dos Santos. Encorajai todas as coisas boas, encorajai todas as pessoas a fazerem o bem. Não sejais severos demais na censura, mas, quando for necessário, que ela venha da fonte apropriada, da autoridade apropriada, e, quando as coisas não estiverem indo bem, ide à autoridade apropriada. Não passeis por cima de vossos bispos, indo direto aos presidentes de estaca com pequenos assuntos que não deveriam chegar à presidência, mas falai com os irmãos onde estiverdes, e dai-lhes a oportunidade de exercer sua sabedoria, seu juízo, seu discernimento e o poder de seu sacerdócio, e trabalhemos juntos em união, concórdia e amor, perdoando uns aos outros nossas faltas, relevando o que pudermos apropriadamente relevar, não sendo severos demais para com os fracos e faltosos, mas agindo de modo que não pratiquemos nem encorajemos o mal, mas agindo de modo a fazer os Santos sentirem que nós mesmos somos devotados ao Senhor, nosso Pai Eterno, como seus filhos e filhas, e que estamos empenhados em seu serviço enquanto vivermos na terra na carne, e depois para sempre e eternamente. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Penrose, “Fé e Serviço”, 1921 Conferência Geral de Outubro, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1921-10-06). Pulpit Vault, 1921-10-03-charles-w-penrose-remarks-7. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).