Pulpit

A Ressurreição e a Missão de Cristo

B. H. Roberts

Conferência Geral de Abril de 1921·Sessão da Tarde do Segundo Dia·1921-04-04

O élder Orson F. Whitney, no curso de seus comoventes comentários de ontem à tarde, declarou muito solenemente, referindo-se à nossa fé, à nossa Igreja e a tudo o que cremos e tudo o que estamos fazendo -- "Esta é a obra do Senhor." Ora, será mesmo? Pergunto-me, às vezes, quando

dizemos essas coisas, e quando as ouvimos, se realmente absorvemos em nossa consciência tudo o que isso significa; ou se, em muitos casos pelo menos, isso assume a natureza de uma mera forma de expressão, e deixamos de perceber tudo o que está envolvido numa declaração desse tipo. Talvez eu nunca tenha me levantado diante de uma congregação sentindo-me menos disposto a empreender a tarefa de falar ao povo do que aqui e agora, nesta tarde. Depois que o irmão Young, do Primeiro Conselho, foi chamado a se dirigir a vós, e diante da possibilidade de o presidente Grant continuar a chamar os membros do Primeiro Conselho dos Setenta para se dirigirem a vós na ordem de sua posição, o que tornava provável que eu fosse o próximo a ser chamado, não pude pensar em outra coisa senão exatamente nessa declaração feita pelo élder Whitney, e que, sob uma forma ou outra, penso que foi expressa por todos os oradores desta conferência; e, sendo essa a única ideia presente em minha mente neste momento, proponho-me a desenvolvê-la nos poucos minutos em que vos falarei.

Ora, a pergunta: é esta obra em que estamos empenhados a obra do Senhor? E, se o é, então o que exatamente está envolvido nessa afirmação? Pois bem, eis o que está envolvido nela, para percorrer o terreno muito rapidamente, tocando apenas nos pontos altos com relação às coisas. Se esta afirmação de nossos irmãos, feita sob várias formas, é verdadeira, então Deus, o Pai Eterno, o Criador dos céus e da terra, dos mundos e dos sistemas de mundos, por meio de Jesus Cristo, seu Filho -- juntamente com seu Filho Jesus Cristo -- apareceu a um homem mortal, a um jovem, Joseph Smith, e o Pai lhe apresentou Jesus, o Cristo, aquele que foi tomado por mãos cruéis e crucificado, como dizem as escrituras, pelos pecados do mundo; e como ele mesmo declarou aqui neste continente americano, de sua própria boca, que era o Redentor, e que fora morto pelos pecados do mundo. Essas duas personagens celestiais apareceram a esse jovem e proclamaram o que somente eles eram capazes de proclamar: que todas as religiões do mundo eram falsas, que os homens ensinavam como doutrinas os mandamentos de homens, que tinham forma de piedade, mas negavam o seu poder, e que ele não seguisse nenhuma delas, mas dando-lhe a promessa de que, se ele fosse fiel, seria escolhido como instrumento nas mãos de Deus para restabelecer o Evangelho de Jesus Cristo e restaurar novamente a Igreja de Cristo na terra. Ora, se esta obra a que estais e estou ligado é, de fato, a verdade, então essa esplêndida mas assombrosa visão e anúncio é uma realidade.

Em seguida, declara-se, como verdade, que um novo volume de escritura foi revelado -- um livro que dá a conhecer a história de nações que floresceram em eras passadas nos continentes americanos, cujas ruínas de civilização conhecemos mais ou menos por meio de seus monumentos remanescentes em várias partes da América. Ele se apresenta como um registro dos tratos de Deus com milhões de pessoas que viveram e morreram nestes continentes ocidentais, entre os quais Deus levantou homens ins-

pirados para ensiná-los e instruí-los em retidão; para lhes falar também do plano de vida e salvação concebido desde antes da fundação do mundo. Esses profetas detinham autoridade divina para ensinar o plano de vida e salvação. Também no Livro de Mórmon há o relato da mais esplêndida visão de que se tem registro, sobre o aparecimento do Cristo ressuscitado ao homem. Ele apareceu aos sobreviventes dos terríveis cataclismos, terremotos, tempestades e tormentas destrutivas que se abateram sobre estas terras da América durante a crucificação e o sepultamento do Cristo, e proclamou-se a vida e a luz do mundo e o salvador dos homens. Se o que dizemos em nosso testemunho geral é verdade, então este volume de escritura, que contém o testemunho de Deus dado por nações adormecidas, é uma verdade.

Em conexão com o Profeta Joseph Smith, três outros homens receberam testemunho divino da veracidade dessa obra; pois três homens, a saber, Oliver Cowdery, David Whitmer e Martin Harris, testificaram que um anjo do céu desceu à sua presença e lhes mostrou as placas originais das quais o Livro de Mórmon foi traduzido. Em sua presença, ele virou as folhas desse registro antigo, e eles observaram com curiosidade a gravura e viram que era de fino acabamento. Esse anjo declarou-lhes que o livro havia sido traduzido pelo dom e poder de Deus e que era verdadeiro; enquanto a própria voz de Deus, Criador dos céus e da terra, o poder sustentador de todos os mundos, que os mantém em exato equilíbrio, e tem o universo sob o controle de sua vontade todo-poderosa -- ele ordenou-lhes que testificassem da veracidade desse registro. Se o nosso testemunho de que a obra em que estamos empenhados é a obra de Deus é verdadeiro, então o Livro de Mórmon é verdadeiro, e tudo o que nele está contido é verdadeiro.

Quando os jovens Joseph Smith e Oliver Cowdery estavam empenhados na obra de traduzir o Livro de Mórmon, surgiu-lhes em mente a questão do batismo, seu propósito, sua forma, o que se realizava por meio dele. Essa questão foi levada, mediante oração, ao Senhor. Então João Batista, aquele que, acima de todos os outros, saberia tudo a respeito do batismo, e que seria o instrutor perfeito dessa ordenança e doutrina, aquele cujas mãos sustiveram o corpo do Cristo, o Filho de Deus, quando o sepultou nas águas do batismo -- ele veio e deu instruções sobre esse importante assunto, e dirigiu esses homens a se batizarem um ao outro; e conferiu-lhes a autoridade para pregar o arrependimento e batizar outros. Novamente, se o nosso testemunho a respeito desta obra é verdadeiro, então Pedro, Tiago e João, que parecem ter constituído um círculo interno dentro do colégio dos Apóstolos nos dias do Cristo, que estiveram com o Cristo em várias ocasiões especiais e que pareciam receber dele atenção e privilégios especiais -- esses três homens, a um dos quais o Cristo disse: "eu te darei as chaves do reino dos céus" -- esses três apóstolos vieram e conferiram o Sacerdócio segundo a ordem do Filho de Deus a Joseph Smith e Oliver Cowdery.

Isso é uma verdade se o nosso testemunho é verdadeiro; e, sendo verdadeiro, que coisa importante isso é! Inspirados e instruídos pelos mandamentos de Deus, esses homens, agora detentores do santo apostolado, procederam a organizar mais uma vez a própria Igreja de Jesus Cristo sobre a terra, por nomeação divina e sob autoridade divina.

Subsequentemente, quando chegou a plenitude dos tempos para tais coisas, Moisés, Elias e Elias, o profeta, apareceram no Templo de Kirtland e conferiram a esses homens as chaves de autoridade e poder que detiveram enquanto estavam na terra. Moisés restaurou as chaves para o ajuntamento dos filhos de Israel; Elias, talvez a ordem patriarcal, juntamente com as chaves ou autoridade que desvendou o conhecimento que haveria de unir as famílias dos homens em todas as nações, e que o Senhor há de, por fim, unir numa só família todos os filhos dos homens. Elias, o profeta, restaurou aquelas chaves de autoridade que hão de voltar o coração dos filhos para os pais, e, sem dúvida, o coração dos pais para os filhos. Todas essas coisas, e cada uma delas, são verdadeiras, se o nosso testemunho geral é verdadeiro. A renovação das promessas, das esperanças e das garantias da ressurreição dos mortos, incluída na obra a que chamamos a obra de Deus, também é verdadeira. Nossas esperanças em Cristo Jesus, nosso Senhor, não se limitam às nossas esperanças e visões das coisas nesta nossa vida mortal. Temos âncoras de esperança dentro do véu que se sustentam. O véu se rasga à nossa vista, e vemos uma raça redimida e ressuscitada dos mortos, pois, assim como em Adão todos morreram, assim também em e por meio do Cristo todos serão vivificados. E a raça será unida -- ligada pelas correntes de ouro do amor de Deus e do amor humano. A mesma unidade que abunda e prevalece no governo do universo há de prevalecer também quanto à raça dos homens. Uma unidade semelhante àquela que une em um só a Santíssima Trindade -- o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ora, quando dizemos que este Evangelho, esta Igreja e este sacerdócio nossos são a obra do Senhor, que isto é a verdade, é isto que queremos dizer: todas essas coisas que enumerei, individual e coletivamente, são verdadeiras. Sendo verdadeiras, quão esplêndido, quão glorioso é tudo isso! Que força; que poder; que fé; que esperança; que unidade; que benevolência; que amor devem, hão de e realmente abundam num povo cuja fé se funda nessas grandes verdades que estão envolvidas em nossa fé e em nossa Igreja! O mundo está começando a notar o efeito de um povo que possui uma fé como esta, à medida que ela começa a se manifestar na vida dos Santos dos Últimos Dias; e o mundo há de notar cada vez mais isso à medida que os anos passarem. Os pequenos "vivas" agora dados ao sistema bem-sucedido da religião que é fomentado e promovido pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são insignificantes em comparação com aquele "viva" maior que ainda há de vir para a obra de Deus da qual testificamos.

Por um momento, permiti-me chamar vossa atenção para como esta obra tem sido edificada por meio de testemunhas de Deus. Quando o Senhor houvesse de iniciar esta grande dispensação da plenitude dos tempos, dispensação

na qual todas as demais dispensações anteriores hão de confluir, como os riachos que encontram seu caminho para o oceano -- quando ele houvesse de iniciar esta grande obra de estabelecer a fé no mundo, começou por criar para si uma testemunha, alguém que pudesse testificar que tinha visto, que tinha ouvido, que tinha recebido instruções dos próprios lábios do Filho de Deus ressuscitado, e isso na presença do Pai -- Deus levantou alguém que pudesse ir entre os homens e testificar que tinha visto e ouvido e sido instruído pelo Deus de todo o universo. Deus levantou para si essa testemunha, e, embora ele fosse jovem e inexperiente, e embora fosse perseguido por causa de seu testemunho, injuriado e escarnecido, os homens não puderam desviar essa testemunha de Deus, nem um fio de cabelo sequer, das verdades que proclamara. Por mais desagradável que fosse ter de dizer aos habitantes da terra que estavam todos errados, ele o fez, ainda que isso pusesse à prova a sua própria força. Ele foi uma testemunha boa e verdadeira.

Depois, quando o Livro de Mórmon foi trazido à luz, o Senhor encontrou e preparou com conhecimento os três homens a quem faria testificar da veracidade do livro; e essas testemunhas testificaram e foram fiéis aos seus testemunhos. Não importa o que mais lhes aconteceu, quão insensatos possam ter sido, ou quão obstinados foram quanto a outros assuntos, permaneceram fiéis àquilo de que Deus os havia chamado a ser testemunhas. Foram boas testemunhas, e não sei se algo de força não foi acrescentado ao peso de seu testemunho por causa das experiências pelas quais passaram, pois, em bom nome e em mau nome, dentro da Igreja e fora dela, permaneceram fiéis e firmes a esse testemunho, o qual, pela sua própria natureza, não concebo como seria possível a homens ousarem afastar-se dele, e eles não se afastaram. Pois bem, essas três testemunhas foram incumbidas de ir encontrar outras doze testemunhas, testemunhas especiais dessas grandes verdades que Deus está desvendando nesta dispensação da plenitude dos tempos; e encontraram as doze testemunhas que se tornaram os doze apóstolos da Igreja, testemunhas especiais do nome de Cristo em todo o mundo, detentoras das chaves do ministério da Igreja nas nações estrangeiras -- em todo o mundo; de modo que, quando a porta do Evangelho há de ser aberta a qualquer nação, um ou mais desses homens, detentores dessas chaves de autoridade e poder, vão a essas nações e abrem formalmente a porta do Evangelho, para a proclamação da verdade. Há uma longa lista de tais aberturas de portas do Evangelho a várias nações, e em cada caso isso foi feito por um desses homens detentores dessa incumbência e autoridade divina. Mas começais a ver como esta obra é edificada por meio de testemunhas. Facilmente se verá que doze homens não são suficientes para a tarefa de fazer a proclamação do Evangelho em todo o mundo; e assim, providenciam-se auxiliares. Os homens são reunidos em quóruns de setenta, e cada quórum é presidido por um conselho de sete homens, uma presidência diferente da de qualquer outro quórum da Igreja, e sem dúvida pela razão de que esses quóruns precisam ser quase indestrutíveis à

cabeça, de modo que vários de seus membros possam ser chamados para longe, e partir em missões por algum período de tempo, sem contudo desfazer a organização. Pois bem, esses homens são chamados para serem testemunhas especiais do Senhor Jesus Cristo em todo o mundo, para testificarem de Cristo tanto quanto os doze testemunhas especiais, ou apóstolos. Devem testificar de sua divindade, de que ele é, de fato, o próprio Filho de Deus, escolhido como o Redentor do mundo, em cujo nome somente os filhos dos homens podem esperar a salvação; devem também testificar da ressurreição e da vida eterna do homem por meio de Jesus Cristo -- aquela vida eterna que, nos é dito, Deus, que não pode mentir, prometeu antes que o mundo começasse. Pois bem, esses homens, os doze e os setenta, são escolhidos para serem testemunhas dessas coisas que Deus está desvendando no mundo. Assim, na verdade, somos todos testemunhas -- todos têm o direito de ter o testemunho do Espírito de Deus às suas próprias almas de que toda essa massa e volume de verdade é verdadeira, é a palavra de Deus; de modo que, de certa maneira, todos os Santos podem receber o testemunho dessas coisas, e levantar-se uns diante dos outros e diante do mundo e dizer, como disseram aqui o élder Whitney e os demais, que esta obra é a obra de Deus.

Ora, aconteço eu mesmo ser um dos Setenta, escolhido para ser oficialmente uma testemunha do Senhor Jesus Cristo; e, tendo revisto todos esses acontecimentos da obra do Senhor, envolvendo, como envolve, esta bendita coisa que é ter os nossos pecados perdoados -- e, oh, quanto isso significa! Tem sido o meu destino, para o bem ou para o mal, entrar em contato com homens a quem vi labutar sob uma verdadeira agonia de angústia mental e espiritual por causa de seus pecados. Vi-os desmoronar e clamar em sua agonia que estariam dispostos a dar um braço direito, se apenas tais e tais coisas que tinham feito pudessem ser desfeitas. Dariam de bom grado a própria vida se suas mãos pudessem ser lavadas da mancha carmesim de vida humana. Vi homens sob a tensão da agonia até que fui, em parte pelo menos, levado a apreciar quão bendita é a bênção de podermos ter o perdão dos pecados. Outro dos grandes dons, e uma das maiores misericórdias de Deus, é receber, sob a autoridade divina aqui estabelecida pelas revelações de Deus e existente no sacerdócio, o direito de ser batizado do Espírito, de modo que um batismo eleva uma pobre vida humana à união com a vida espiritual de Deus. Quem seria capaz de dizer quão grande é essa bênção, a de que a força de Deus se torne disponível para o homem como força; a sua sabedoria, para orientação, se torne a sabedoria do homem; a força de Deus para resistir ao mal, o seu poder para perseverar no bem, é dado ao homem. Que bênção é ter o próprio espírito unido ao Espírito de Deus, pelo qual nos tornamos espiritualmente vivos, e restaurados àquele bendito estado que os homens desfrutavam antes de acontecer aquilo a que chamamos a "queda". Ora, diante de tudo isto, exerço o ofício do meu chamado como uma das testemunhas do Senhor Jesus Cristo a respeito destas coisas. Sem argumento, sem debate, sem sequer uma exposição elaborada das coisas que são verdadeiras, apenas tendo trazido à vossa vista quão grande é dizer que esta é a obra do Senhor, e dependendo

agora do espírito que está dentro de vós, e pelo qual vós também conheceis a verdade, sem nada entre nós, ficando mais que coração a coração, espírito tocando espírito, vosso espírito ao encontro do meu, nossos espíritos afins à verdade e de tal natureza que, quando ouvimos a verdade, conhecemos a verdade; agora, nesta atitude, eu vos declaro solenemente que estas coisas que compõem a nossa história, e que compõem o desenvolvimento da Igreja e do reino de Deus, tal como o conhecemos, digo-vos que cada uma dessas grandes coisas, e, acima disso, todas elas juntas, são verdadeiras. E digo-o consciente de que falo onde Deus ouve e toma conhecimento das coisas que se dizem, e há de responsabilizar os homens pelo que dizem. Digo-vos, na verdade, e de consciência limpa, e com a consciência de que isso é aprovado por Deus -- digo-vos, estas coisas são verdadeiras; e, sendo verdadeiras, quão forte, nobre, corajoso e generoso deve ser um povo, os Santos dos Últimos Dias!

Ó Deus, Pai Eterno, em nome de teu Filho Jesus, o Cristo, nosso Redentor, com todo o meu coração e alma te agradeço pelo conhecimento destas grandes verdades. Sela-as em nossos corações. Ajuda-nos, ó Senhor, a reunir em nossas almas a força e o poder que vêm de ti; e teu é o poder e a glória para todo o sempre, mundos sem fim. Amém.

Como citar este discursoB. H. Roberts, “A Ressurreição e a Missão de Cristo”, Conferência Geral de Abril de 1921, Sessão da Tarde do Segundo Dia (1921-04-04). Pulpit Vault, 1921-04-b-h-roberts-the-resurrection-and-the-mission-of-christ. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).