Pulpit

Três Males Existentes no Mundo

Rudger Clawson

Conferência Geral de Outubro de 1920·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1920-10-08

Meus irmãos e irmãs, perdoai-me se olhar sempre em frente e não me voltar nem para a direita nem para a esquerda; é o único modo.

Fiquei profundamente impressionado com a comovente exortação e testemunho do Presidente Grant nesta manhã, fortemente enfatizados e reforçados pelas observações dos irmãos que o seguiram. Certamente foi um discurso de abertura marcante. Recebemos a palavra e faríamos bem em atendê-la.

A Natureza do Perdão

O perdão é um dos princípios mais atraentes e belos do evangelho de Cristo. Sabeis que Moisés disse: "O Senhor é misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em benevolência." Ele é um Deus de misericórdia e de perdão, e é longânimo. Devemos ser como ele. Sabeis que aquilo que algumas pessoas chamam de perdão nem sempre é perdão? "Sim," diz alguém que foi ofendido, "eu perdoo, mas não esqueço." Isso me faz lembrar a história dos dois negros, Rastus e Sambo. Esses dois eram inimigos a vida toda. Havia uma grande rixa entre eles, até que Sambo chegou ao leito de morte, e um amigo lhe disse: "Sambo, neste momento solene, certamente perdoarás Rastus." Sambo disse: "Sim," e, voltando-se para Rastus, comentou: "Rastus, se eu morrer, estás perdoado, mas se eu viver, cuidado comigo." Outra ilustração. Um amigo disse a outro: "Amas teus inimigos?" Ele respondeu: "Não, senhor, mas tenho pena deles." "Bem, eu não sabia que precisavam de pena." "Não precisam," disse ele, "mas vão precisar quando eu terminar com eles." Lembrai-vos: a admoestação é que busquemos diligentemente a fé, a esperança e a caridade, mas a maior destas é a caridade.

Três Males Existentes no Mundo

Gostaria de falar por alguns instantes hoje sobre três males que existem no mundo em geral e que também se infiltraram em nossa comunidade, em alguns lugares em maior grau, em outros em menor grau; mas estão aqui, apesar de tudo, e, oh, que triunvirato de males! Refiro-me à profanação, ao mal do tabaco e à escravidão da dívida.

A Santidade do Nome de Deus

Recordai-vos de que o Senhor falou a Moisés em certa ocasião e lhe disse que estava prestes a descer e manifestar-se ao seu povo. Moisés foi instruído a santificar o povo, para que pudesse encontrar-se com o Senhor, a levar dois dias para esse importante dever, e ao terceiro dia o Senhor desceria. Eis o que o registro diz dessa manifestação de majestade e poder:

E aconteceu ao terceiro dia, ao amanhecer, que houve trovões e relâmpagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina muito forte, de maneira que estremeceu todo o povo que estava no acampamento.

E Moisés levou o povo para fora do acampamento ao encontro de Deus; e puseram-se ao pé do monte.

E o monte Sinai todo fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; e a sua fumaça subiu como fumaça de um forno, e todo o monte tremia grandemente.

E o sonido da buzina ia aumentando cada vez mais; Moisés falava, e Deus lhe respondia em voz alta.

E assim o Senhor desceu sobre o monte Sinai e revelou-se em poder aos filhos de Israel e falou-lhes, mas gostaria de vos dizer que essa grande demonstração do poder de Deus, por certo extremamente impressionante, não foi nada, a meu ver, comparada com as palavras que o Senhor falou naquela ocasião. Lembrai-vos: os trovões passaram, os relâmpagos deixaram de fulgurar, a terra não mais tremeu, mas as palavras então ditas ecoaram através dos séculos até nós e são conhecidas como o Decálogo, e estas palavras, notai bem, obrigam hoje os filhos de Israel, e o mundo inteiro.

Ora, o primeiro destes mandamentos foi extremamente impressionante. O Senhor disse: "Não terás outros deuses diante de mim.

"Não te encurvarás a elas nem as servirás, porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso."

Nos mandamentos que se seguiram, o Senhor fez referência à santidade do dia de Sábado. Falou a respeito da atitude dos pais para com os filhos, que os filhos devem honrar seus pais. Falou contra o mal de matar, de furtar, do adultério e de levantar falso testemunho. Também disse:

Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

Lembro-vos, irmãos e irmãs, que há dois grandes Sacerdócios na Igreja de Cristo. Um é o Sacerdócio Aarônico, o outro é o Santo Sacerdócio segundo a ordem do Filho de Deus, mas, por respeito e reverência ao nome do Ser Supremo, para evitar a repetição demasiado frequente de seu nome, a Igreja, nos dias antigos, chamou este Sacerdócio de Melquisedeque. Melquisedeque foi um grande sumo sacerdote. Fala-se dele como tendo sido o rei de Salém e o príncipe da paz. Deve ter sido um homem grande e bom, e por certo foi altamente honrado por ter o Sacerdócio nomeado em sua homenagem. Mas isso se deu principalmente, notai bem, com o propósito de evitar o uso demasiado frequente do nome da Divindade. Jesus, durante seu ministério, enfatizou este assunto da profanação. Prendeu-lhe a atenção, ele notou isso, e assim falou a seus discípulos e a seu povo:

Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor;

mas eu vos digo, porém, que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Mas seja o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disso é de procedência maligna.

Ora, irmãos e irmãs, aprendemos, com estas escrituras, que o nome de Deus é muito sagrado, e que não deveria ser usado levianamente. Já nos foi dito, muitas vezes, que mesmo em nossos sermões ele não deveria ser pronunciado com frequência, nem deveria ser usado em demasia em nossas orações. Se assim é, que diremos do homem, e particularmente se ele detiver o Sacerdócio, se toma o nome do Senhor em vão? O Senhor disse que ele não será considerado inocente, terá de responder por isso. Não se ouve profanação em toda parte, não se ouve em todos os lugares, mas, de vez em quando, em várias partes da Igreja, ouvireis o nome do Senhor sendo profanado. É um grande pecado. É um mal sério, e o homem (e poderia dizer também a mulher) culpado dessa falta tem necessidade de arrependimento.

O Tabaco Não É Bom para o Homem

Gostaria de dizer uma ou duas palavras a respeito do mal do tabaco. Este assunto está diante de nós. Sabeis que o lema da organização dos Rapazes, aliás, de todas as organizações auxiliares da Igreja, é que defendemos o não uso do tabaco, porque o consideramos prejudicial à saúde e ao bem-estar do povo de Deus, e também do povo do mundo, se o reconhecessem. É um mal onde quer que se encontre. Especialmente entre os Santos dos Últimos Dias, porque temos a palavra do Senhor sobre o assunto.

Quão bondoso e misericordioso é o Senhor por, quase no início da Igreja, ter-nos dado a conhecer, como povo, o que é bom para nós e bom para nosso corpo, bom para comer e bom para beber. Ele menciona vários itens. Estais familiarizados com eles. Sabemos verdadeiramente que as coisas que o Senhor disse que são boas para nós são boas. Provamo-lo no passado. Todo homem o sabe, toda mulher o sabe, e as crianças hão de sabê-lo à medida que adquirem conhecimento. O pão é o sustento da vida. A água é uma bebida pura vinda do céu, poder-se-ia dizer. Vem da terra, mas poderia igualmente vir do céu. É tão inofensiva e tão boa para o organismo humano. Devemos comer, com moderação, as coisas boas para nós, especialmente com parcimônia no uso da carne. Não devemos exceder-nos no uso desse alimento, e, se o comermos em maior quantidade, que seja nos tempos de frio. Ora, o Senhor declarou em linguagem positiva que ninguém precisa errar, ninguém precisa desviar-se neste assunto. Disse-o com clareza e simplicidade. Não disse que o pão e a água não são bons para o corpo, mas disse que o tabaco não é bom para o corpo. Nem sequer é bom para o gado doente, exceto para uso externo em contusões e coisas semelhantes, e tenho a certeza de que, se

o tabaco, ou o sumo do tabaco, fosse administrado regularmente a um animal, digamos, uma vaca ou um cavalo, se tivesse sido saudável antes, ficaria terrivelmente doente depois. Somos admoestados a abster-nos do uso deste artigo e de outras coisas prejudiciais ao corpo. Devemos afastá-las e deixá-las de lado. A esse respeito, seria bom lembrar que uma grande e gloriosa bênção acompanha a observância da Palavra de Sabedoria. O Senhor nos disse, com clareza e firmeza, o que se seguiria. "E todos os santos," diz ele, "que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas, obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos; e encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos. E correrão e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão." Sim, o Senhor faz a promessa de que os anjos destruidores passarão por eles, como os filhos de Israel, e não os matarão.

Mas, além dessa promessa, deveria ser do agrado dos Santos dos Últimos Dias honrar este mandamento, porque provém do Senhor. Ele falou, e devemos escutar e atender à sua palavra. O tabaco é particularmente prejudicial aos jovens, aos rapazes, muitos dos quais caem no hábito de fumar cigarros. Não sabem o que estão fazendo. Isso pode resultar em dano irreparável para eles por toda a vida. Ouvi o que diz Thomas A. Edison, o grande inventor, a respeito deste assunto. Ele diz: "O agente prejudicial nos cigarros provém principalmente do papel de embrulho em combustão. A substância assim formada é chamada 'Acrobina'. Ela tem uma ação violenta sobre os centros nervosos, produzindo degeneração das células cerebrais, que é bastante rápida entre os rapazes. Ao contrário da maioria dos narcóticos, essa degeneração é permanente e incontrolável. Não emprego ninguém que fume cigarros."

Se algum de vossos filhos estiver fumando cigarros, deveis dar-vos conta disso imediatamente, e exercer todo poder e toda influência ao vosso alcance para levá-los a vencer esse hábito.

Mais uma palavra sobre o assunto. Na Unpopular Review, de janeiro de 1914, Henry W. Farnham, Professor de Economia na Universidade de Yale, publicou um artigo intensamente esclarecedor sobre nossa despesa nacional com o tabaco, e que fomos gentilmente autorizados a citar. Diz o Professor Farnham:

A importância do tabaco em nosso orçamento nacional é demonstrada pelo mais recente censo, segundo o qual ele ocupa o décimo primeiro lugar entre as indústrias do país quanto ao valor do produto. Nosso tabaco manufaturado valia, na fábrica, em 1909, quatrocentos e sessenta milhões, seiscentos e noventa e cinco mil dólares. Superava, assim, o pão e outros produtos de padaria, as roupas femininas, o cobre, as bebidas maltadas, os automóveis, o petróleo e as bebidas destiladas. Era apenas cerca de um terço menos importante do que as manufaturas de algodão. Um cuidadoso estatístico, o Professor William B. Bailey, de Yale, publicou há quase dois anos alguns números mostrando que o povo dos Estados Unidos gastava, naquela época, num único ano, cerca de um bilhão e cem milhões de dólares em tabaco. Como as receitas do Imposto Interno sobre o tabaco aumentaram cerca de quatorze por cento nos últimos dois anos, parece justo supor que o consumo geral tenha aumentado nessa mesma proporção. Parece, portanto, conservador afirmar que, no momento presente, o povo está gastando pelo menos um bilhão e duzentos milhões de dólares pelo prazer de fumar e mascar. O significado destes números pode ser mais bem apreciado se os compararmos com outras rubricas de nosso orçamento nacional. Para expor a questão de forma concreta, os "consumidores de tabaco" gastam, num único ano, o dobro do valor que todo o país gasta em viagens ferroviárias, e cerca de três vezes o valor gasto em seu sistema de escolas públicas. Pagam anualmente cerca de três vezes o custo total do Canal do Panamá; destroem diretamente cerca de três vezes mais propriedade do que foi destruído no terremoto de São Francisco. Seus fumos e mascadas custam-lhes praticamente o dobro do que custa manter o governo dos Estados Unidos, incluindo os juros da dívida pública. Nossos fumantes poderiam, em um ano e meio, quitar toda a dívida garantida de nossos estados, cidades e condados, tal como era em 1902, e, em mais nove meses, toda a dívida com juros dos Estados Unidos, se estivessem dispostos a exercer a abnegação exercida, poucos anos atrás, pelo povo persa.

Estes números são impressionantes. Creio poder afirmar com segurança que somas vastas são gastas em nosso próprio estado, todos os anos, em tabaco, e que milhares e dezenas de milhares de cigarros são fumados pelos jovens no Estado de Utah. Isso não deveria ser assim. Precisamos unir-nos, precisamos estar absolutamente unidos, precisamos endurecer o rosto como pederneira contra este mal, porque ele está minando a saúde e enfraquecendo a constituição de nossos jovens. Isso não pode continuar.

A Escravidão da Dívida

Apenas uma palavra final sobre o assunto do endividamento. Qualquer homem que já esteve endividado, qualquer homem ou mulher que esteja endividado agora, certamente conhece o mal do endividamento. É uma escravidão. É pior do que a prisão. É tempo de nosso povo, ao menos, dar consideração a este importante assunto. Não sabemos o que está por vir. Podem vir tempos difíceis, não sabemos. O dinheiro parece ser abundante neste momento. Como vem, e de onde vem, não sei, mas vejo boa parte dele empregado nos milhares e dezenas de milhares de automóveis que circulam por todo o país, em cada cidade e em cada lugar do interior. Certamente, está tudo certo que um homem tenha um automóvel para uso próprio e de sua família, e especialmente para levar sua família a passear ocasionalmente, particularmente se sua família vive numa fazenda. Considero uma ideia magnífica que um agricultor possa levar sua esposa, tão trabalhadora, e sua família, para tomar um pouco de ar fresco, e passear com eles pelo campo, nos lugares rurais, e também na cidade. Está tudo certo, se ele pode arcar com isso. Se tem o dinheiro para investir nesse luxo, está tudo certo. Mas não me pareceria certo pôr uma grande soma de dinheiro num automóvel, se não a tiver, e se for necessário hipotecar o automóvel, ou possivelmente hipotecar sua própria casa, para consegui-lo. Isso me parece um grande mal, mas

o pensamento que tenho em mente é que devemos economizar em nossos gastos. Posso afirmar com segurança que esta é uma época extravagante em que vivemos, e que muito dinheiro é gasto de forma imprudente e desenfreada.

Guardai isto em vossa mente. Combatamos estes três males gigantescos.

Que o Senhor vos abençoe, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoRudger Clawson, “Três Males Existentes no Mundo”, Conferência Geral de Outubro de 1920, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1920-10-08). Pulpit Vault, 1920-10-rudger-clawson-three-evils-extant-in-the-world. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).