Obediência e Perdão
James E. Talmage
Sou muito grato por constatar que estou em harmonia com o que foi dito nesta conferência nos discursos dos irmãos, desde o do presidente da Igreja e profeta do Senhor na sessão de abertura, até o último Amém do orador que acabou de encerrar. Uma variedade de tópicos foi abordada, e senti pesar, de certa forma, por as limitações de tempo não terem permitido a vários dos oradores prosseguir, como pude perceber pela tendência de suas observações que teriam feito, se tivessem tido tempo -- a uma elucidação mais completa dos esplêndidos princípios que apresentaram. ¶
Observando as Coisas de Ângulos Diferentes
Pudemos observar as coisas de ângulos diferentes ao acompanhar as observações dos vários irmãos, e todas se harmonizam. Creio que as observações são particularmente oportunas. Não que eu sinta que haja algum grande perigo de os Santos dos Últimos Dias se desviarem como corpo -- pois tenho fé neles, e sei que são o povo do Senhor -- mas porque há neste momento condições diante do povo sobre as quais se sustentam pontos de vista divergentes; e, consequentemente, nem todos veem as coisas do mesmo ângulo, e, portanto, não têm precisamente a mesma imagem formada na retina de seus olhos espirituais e físicos. ¶
Muito depende, sabeis, de nosso ponto de vista. Há homens que não reconheceriam uma fotografia de sua própria casa se fosse tirada por trás, pois têm o hábito de olhá-la apenas de frente; e um tal homem provavelmente diria: "Esta não é a minha; não é assim que eu construiria uma casa; está tudo errado." ¶
O Senhor Não Pode Ver o Pecado com Tolerância
Fiquei impressionado com a breve e passageira observação feita pelo Irmão Ivins, esta manhã, na qual ele incorporou um dos mais profundos epigramas das escrituras, no qual o Senhor repetiu palavras que já havia dado antes pela boca de seu antigo profeta Alma. Elas aparecem no capítulo 45, versículo 16, como palavras de Alma proferidas sob inspiração. Na primeira seção de Doutrina e Convênios, 31º parágrafo, elas aparecem como as palavras diretas do Senhor: ¶
"Pois eu, o Senhor, não posso encarar o pecado com o mínimo grau de tolerância." ¶
Continuo a leitura: ¶
"Entretanto, aquele que se arrepender e cumprir os mandamentos do Senhor será perdoado; ¶
"E aquele que não se arrepender, dele será tirada até a luz que recebeu, pois o meu Espírito não contenderá para sempre com o homem, diz o Senhor dos Exércitos. ¶
"E também em verdade vos digo, ó habitantes da Terra: Eu, o Senhor, estou disposto a tornar conhecidas estas coisas a toda carne; ¶
"Porque não faço acepção de pessoas e desejo que todos os homens saibam que o dia rapidamente se aproxima; ainda não é chegada a hora, mas está perto, em que a paz será tirada da Terra e o diabo terá poder sobre seu próprio domínio; ¶
"E também o Senhor terá poder sobre seus santos e reinará em seu meio e descerá para julgar Idumeia, ou seja, o mundo. ¶
"Examinai estes mandamentos, porque são verdadeiros e fiéis; e as profecias e as promessas neles contidas serão todas cumpridas. ¶
"O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo; ¶
"Pois eis que o Senhor é Deus e o Espírito testifica; e o testemunho é verdadeiro e a verdade permanece para todo o sempre. Amém." ¶
Isso não é escritura apenas antiga. Os princípios envolvidos foram proclamados desde o início da história da raça humana; e foram-vos dados novamente, a mim pessoalmente, ao povo que vive nesta dispensação, neste ano do Senhor. ¶
"Eu, o Senhor, não posso encarar o pecado com o mínimo grau de tolerância." Digo que esse epigrama é surpreendente. Ele tem atraído a atenção dos teólogos; tem levado à profunda reflexão; tem esclarecido suas mentes. Na escritura que vos li, o Senhor traça uma distinção muito clara entre o pecado e o pecador. A distinção é real e vital. Alguns talvez digam: Pode haver pecado sem pecador? Pode haver furto sem ladrão? Pode haver falsidade sem falsário? Pode haver assassinato sem assassino? Tomo a liberdade de ler-vos algumas linhas de minha própria autoria, com escritura incorporada, como já publicadas: ¶
Reconhecidamente, pecados podem ser planejados mas não executados, pensados, embora não levados à extensão da comissão real, como é conotado pelas palavras do Senhor a respeito do adultério: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu vos digo, porém, que qualquer que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela." (Mateus 5:27-28.) ¶
Homens podem ser mentirosos, ladrões ou assassinos em potencial, mas, faltando-lhes a oportunidade de se tornarem criminosos de fato, ou refreando seus impulsos malignos por considerações de política ou vantagem pessoal, podem manter sinais externos de probidade. O uso de um velo de ovelha por um lobo devorador não é uma camuflagem moderna. ¶
Mas em todas essas dissimulações, o fato do propósito iníquo existe; e o propósito, pensamento ou desejo maligno é, em si mesmo, essencialmente pecado; e tal caso, portanto, não apresenta fenômeno de culpa abstrata, mas ofensa real e individual; pois aquele que pensa o mal é um pecador. ¶
Quem de nós pode encarar a tuberculose, a varíola, ou a insidiosa e mortal influenza que assolou a terra, com outros sentimentos que não sejam repugnância e temor? No entanto, tratamos a pessoa aflita com o esforço de trazer sua recuperação; e se a amávamos enquanto sã, não a odiamos por ter adoecido; mas, ao contrário, tornamo-nos mais solícitos em seu favor. Os funcionários de saúde e a classe médica não olham para a doença com transigência, tolerância ou permissividade. São os agressores organizados contra a moléstia física, qualquer que seja seu disfarce; e seu melhor meio de travar guerra contra a doença é ministrar a cada aflito, ao mesmo tempo tomando todas as medidas possíveis para proteger os sadios contra o contágio. ¶
Os germes da doença existem, encontrem ou não alojamento em corpos humanos; e, por analogia, podemos dizer que o espírito de, ou o incentivo ao, furto, adultério ou assassinato está vivo, como o contágio definido do mal, ainda que os homens possam ou não ser realmente vencidos por ele. Ora, no caso da aflição física, invoca-se tratamento definido; e o cumprimento das condições prescritas é imposto na medida em que o paciente se submeta. ¶
Com fina e proposital ironia, o Médico Divino respondeu à casuística de certos escribas e fariseus hipócritas com a declaração: "Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento." (Marcos 2:17.) ¶
O Senhor, Contudo, É Misericordioso para com o Pecador
Mas, como as escrituras abundantemente afirmam, e como a experiência demonstra, nenhum de nós está inteiramente livre de pecado; pelo contrário, todos precisam dos ministérios curadores do Grande Médico. "O pecado é a transgressão da lei" (1 João 3:4); além disso: "Não há justo, nem sequer um" (Romanos 3:10); e ainda: "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós." (1 João 1:8.) ¶
Aprendo das escrituras que o Senhor odeia o pecado em cada uma de suas múltiplas manifestações, mas é bondoso, misericordioso e longânimo para com o pecador. É verdade que a doença pode vir sobre nós por nossa própria negligência, ou por nossa própria comissão real de atos flagrantes. Pode vir sobre nós mesmo contra o melhor que possamos fazer. As doenças que mencionei, a maioria delas, e a difteria, e outras, são classificadas pelos médicos como doenças da imundície, porque os germes que as produzem se reproduzem na sujeira; mas mesmo o mais limpo dos homens, mesmo o homem que viveu segundo as leis da saúde, pode sucumbir a uma dessas terríveis moléstias; e, embora eu odeie a difteria, posso amar, com um anseio que me leva ao jejum e à oração, aquele que é acometido. Separemos as ideias tal como o Senhor o fez. ¶
Um Meio de Tratamento para os Que Pecam
Ora, o Senhor providenciou um meio de tratamento para aqueles que estão espiritualmente aflitos, assim como se providenciam meios para os que estão fisicamente doentes, e, cumprindo suas leis de saúde espiritual, podemos, talvez, ser curados, por mais doentes que possamos ter ficado. Mas não devemos perder de vista o fato de que o Senhor não tem transigência com o pecado. Ele determinou que, se algum homem nesta Igreja ofender, deverá ser tratado como se trataria um homem acometido de varíola, com a esperança de salvá-lo. O propósito da Igreja é curar, não espalhar a doença; edificar, não destruir; salvar, não aniquilar, mas isso não significa que devamos olhar para o pecado em nosso meio de forma indulgente e branda, e deixá-lo passar. ¶
O Senhor declarou que não deve haver iniquidade em sua Igreja, e ele providenciou oficiais cujo dever específico e determinado é caçar a iniquidade, persegui-la, de modo que cada caso possa ser tratado, e os aflitos, talvez, sejam salvos. Ele não nos disse para encobrir o pecado na Igreja. Essa não é a vontade, nem o propósito, nem o plano do Senhor. Disse-nos que devemos evitar a fofoca, a calúnia e todo tipo de deturpação, e falar mal de nossos irmãos, quer os consideremos em sua capacidade oficial como oficiais da Igreja, gerais ou locais, quer não. Não tenho direito de falar em condenação de meu irmão, a menos que o faça em capacidade oficial, no exercício da autoridade do Santo Sacerdócio, e então devo fazê-lo com amor e com anseio por ele. ¶
O Pecado Deve Ser Exposto
Levantastes vossas mãos neste grande edifício muitas vezes, apoiando-me na posição para a qual fui chamado. Faço de mim mesmo o objeto da ilustração. Talvez tenhais oportunidade de fazê-lo novamente, ou de votar contra mim. Mas isso significa que, porque votais e me apoiais em minha posição, estou isento de julgamento se agir mal? De modo algum. Mas há uma maneira pela qual vossas queixas, se de alguma forma tiverdes justificativa para fazê-las, podem ser levadas em consideração. Se algum de vós sentir que não pode apoiar-me em minha posição, por causa de algo que saiba a meu respeito como sendo errado, rogo-vos, vinde a mim, vinde a mim. Dar-vos-ei audiência; ouvir-vos-ei pacientemente, e se apontardes algum erro em minha vida, algo em que eu tenha feito o que não deveria fazer, sendo o Senhor meu ajudador, agradecer-vos-ei e vos abençoarei por isso, e abençoarei aquele que vos inspirou a vir. Ou, ide àqueles que presidem sobre vós e sobre mim, e deixai que julguem entre nós. Mas não andeis por aí falando mal de mim, e tentando minar minha influência, que desejo, diante do Senhor, que seja para o bem. Não me condeneis sem me ouvir. Não peguei um rumor do ar e o considereis até que se torne um fato estabelecido em vossa mente perturbada. Mas, por outro lado, se sou culpado de pecado que me torna indigno de fazer parte da boa companhia à qual fui chamado, isso deve ser sabido; deve ser apontado, da maneira apropriada e com o espírito apropriado. ¶
Disciplina Exigida na Igreja
Ora, o Senhor determinou que aqueles em sua Igreja vivam segundo a lei, e ele faz uma distinção entre a lei referente à Igreja e o que chamamos de lei secular, ou lei da terra, mas exige obediência a ambas. Meu amor por meu irmão nesta Igreja não significa que devo protegê-lo quando ele tiver violado a lei da terra, nem que devo interpor-me entre ele e o julgamento justo. Esta Igreja não é organização alguma como as combinações secretas de outrora, que o Senhor disse odiar, cujos membros estavam empenhados e vinculados por juramento e convênio a apoiar-se mutuamente, quer estivessem certos, quer errados, a encobrir os crimes uns dos outros, a justificar-se mutuamente em furto e assassinato e em todas as coisas impuras. Não é organização alguma desse tipo. Não seria de Deus se o fosse. ¶
O Cristo ressuscitado, depois de sua ascensão, ao dar a revelação por meio de João, instruindo o revelador a enviar mensagens às diferentes igrejas, incluiu na mensagem à igreja de Éfeso a palavra de que tinha, sim, algo bom a dizer-lhes, porque, como leio: "Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio." (Apocalipse 1:6.) Ele não disse que odiava os membros daquele bando ímpio, mas odiava suas doutrinas e práticas, que eram as doutrinas de uma combinação secreta, cujos membros estavam empenhados a apoiar-se mutuamente, não importando o que qualquer um deles fizesse. Que o Senhor exige disciplina em sua Igreja fica claro na palavra revelada, como podeis ler na 42ª seção de Doutrina e Convênios: ¶
"E agora, eis que falo à igreja. Não matarás; e o que matar não terá perdão neste mundo nem no mundo vindouro. E outra vez, digo: Não matarás; mas o que matar morrerá. ¶
"Não furtarás; o que furtar e não se arrepender será expulso. ¶
"Não mentirás; o que mentir e não se arrepender será expulso. ¶
"Amarás tua esposa de todo o teu coração e a ela te apegarás e a nenhuma outra; ¶
"E aquele que olhar uma mulher para a cobiçar negará a fé e não terá o Espírito; e se não se arrepender, será expulso. ¶
"Não cometerás adultério; e o que cometer adultério e não se arrepender será expulso." ¶
E então, para resumir o assunto, ele diz: ¶
"Conheces as minhas leis a respeito dessas coisas, dadas em minhas escrituras; aquele que pecar e não se arrepender será expulso." ¶
Na parte final da mesma revelação, encontramos estas instruções: ¶
"E se um homem ou uma mulher roubar, será entregue à lei do país. ¶
"E se ele ou ela furtar, será entregue à lei do país. ¶
"E se ele ou ela mentir, será entregue à lei do país. ¶
"E se ele ou ela cometer qualquer iniquidade, será entregue à lei, sim, à lei de Deus. ¶
"E se teu irmão ou tua irmã te ofender, aparta-te com ele ou ela a sós; e se ele ou ela confessar, reconciliar-vos-eis." ¶
Tal é a lei para a Igreja, e a respeito da lei da terra, o Senhor deixou perfeitamente claro que lhe estamos subordinados e somos exigidos a sustentá-la. Embora tenhamos nossos tribunais na Igreja, estabelecidos segundo a ordem do Senhor, não há conflito entre sua administração e a dos tribunais da terra. ¶
Tratamento Terno para os Espiritualmente Enfermos
"Que ninguém quebre as leis do país," diz o Senhor na 58ª seção de Doutrina e Convênios, "porque o que guarda as leis de Deus não tem necessidade de quebrar as leis do país: Portanto, sujeitai-vos aos poderes existentes até que reine aquele cujo direito é reinar; e subjugue todos os inimigos sob seus pés." E então, referindo-se às leis dadas anteriormente, ele disse: "Eis que as leis que recebestes de minha mão são as leis da igreja e, como tal, considerá-las-eis. Eis que aqui há sabedoria." ¶
Lembro-vos da rigidez com que o Senhor considera seu povo. Ele providenciou tratamento terno para os que estão espiritualmente enfermos, e é nosso dever ajudar aqueles assim acometidos. Se vou ao meu irmão com espírito de bondade, e esse espírito deve estar comigo se eu for a ele no poder de meu ofício e chamado, dando-lhe palavras de conselho, e ele não as recebe no espírito com que vou, ele se torna um ofensor diante do Senhor. Se procedo assim quando meu irmão vem a mim, torno-me um ofensor. Mas sabeis que há alguns entre nós e em outros lugares -- o mundo está cheio deles -- que não querem ser criticados, exceto no sentido amplo do termo, e então a crítica deve ser favorável. Querem ser elogiados; querem que se lhes diga que tudo o que disseram e fizeram está certo; e se apontardes, talvez, que devem estar em guarda contra isto ou aquilo, ou devem corrigir este ou aquele erro, com demasiada frequência ficam ofendidos com aquele que veio a eles, tal como um médico viria a alguém acometido de doença. ¶
Guardai os Mandamentos do Senhor
Ao povo digo, guardai os mandamentos do Senhor conforme fostes admoestados repetidas vezes. Não mintais, não furteis, não vos aproveiteis de vosso próximo, não tenhais pensamentos lascivos, não façais nada que seja impuro. Guardai estes mandamentos do Senhor. Bispos, presidentes de estaca, guardai vós os mandamentos do Senhor. Quando tiverdes sob vossos cuidados aqueles que estão ofendendo, deveis tratá-los conforme o Senhor providenciou, com toda a bondade e com o desejo de salvá-los; mas, apesar disso, não deveis encobrir a iniquidade na Igreja. O espírito com que essa jurisdição deve ser exercida está exposto pelo Senhor com clareza, como vos leio da 121ª seção de Doutrina e Convênios: ¶
"Eis que muitos são chamados, mas poucos são escolhidos. E por que não são escolhidos? ¶
"Porque seu coração está tão fixo nas coisas deste mundo e aspiram tanto às honras dos homens, que eles não aprendem esta lição: ¶
"Que os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão. ¶
"Que eles nos podem ser conferidos, é verdade; mas quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho, nossa vã ambição ou exercer controle ou domínio ou coação sobre a alma dos filhos dos homens, em qualquer grau de iniquidade, eis que os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa e, quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade desse homem." ¶
Tolerância Recomendada
Vedes as salvaguardas que o Senhor estabeleceu. Ora, o Senhor nos determinou o amor por nossos semelhantes, tal amor que nos levará a fazer até mesmo coisas desagradáveis para o bem-estar deles, a fazer o que não gostamos de fazer, a dizer uma palavra de cautela quando, talvez, preferíssemos não fazê-lo, para não sermos mal interpretados; mas o Senhor o exige de nós; e ele nos determinou tolerância uns para com os outros. Há alguns que nunca refletiram cuidadosamente sobre a possibilidade de dois homens, por exemplo, verem as coisas de pontos de vista diferentes, e vendo imagens diferentes, e, ainda assim, ambos verem a verdade. "Como é possível," perguntam alguns, "que dois caminhos divergentes possam estar certos?" Ora, eles podem virar-se, e podem vir a estar certos, afinal. Não posso crer que dois homens, ambos desejando o mesmo objetivo final, e este bom, e ambos trabalhando para esse fim com plenos e sinceros propósitos de coração, não possam estar ambos certos, embora pareçam, por um tempo, estar seguindo caminhos diferentes. ¶
Permiti-me ser específico. Quereis dizer-me que todo o bem está em um ou outro dos grandes partidos políticos? Ora, se for assim, se for certo ser Democrata, então é errado ser Republicano. Não, meus amigos. Pode ser perfeitamente certo que sejais Democrata, e igualmente certo que eu seja Republicano, ou vice-versa. Temos nossas diferentes maneiras de ver as coisas, mas, se creio que os princípios do Partido Democrata estão certos, não estou justificado em condenar meu irmão que crê que os princípios do Partido Republicano estão certos. Creio que ambos esses grandes partidos, isto é, todos os seus membros honestos, têm no coração o bem do país, o bem-estar da nação. Divergem quanto aos melhores meios de alcançá-lo; e, para nosso grande pesar, arrastaram para o campo do partidarismo questões que jamais deveriam ter sido ali introduzidas, porque, fundamentalmente, não são partidárias de forma alguma. ¶
A Igreja em Todos os Assuntos da Vida
Outro dia me foi perguntado, no curso de uma conversa com um cavalheiro inteligente, não membro de nossa Igreja: "A Igreja 'mórmon' está na política?" ¶
Respondi-lhe: "Certamente que sim, e também nos negócios, na administração pública, em todos os assuntos da vida, ensinando o povo a fazer o que é certo, tanto quanto possível." ¶
"Bem, a Igreja tem candidatos na eleição pendente?" ¶
"Sim, de fato," disse eu, "a Igreja tem uma chapa completa, e está aconselhando seus membros exatamente sobre como votar." ¶
Ora, deixai-me dizer-vos exatamente como deveis votar, assim como lhe disse. A Igreja diz a seus membros que considerem o direito ao voto como um dom sagrado, que o exerçam segundo seu melhor juízo diante do Senhor, e a chapa da Igreja é a chapa dos melhores homens, segundo o melhor juízo do povo, a qualquer partido que pertençam. Votai na chapa do partido se honestamente sentirdes que isso é o melhor, ou votai nos homens que julgardes que melhor atenderão às necessidades do país, do estado e do povo. ¶
Nossa Religião Promove a Honestidade e a Tolerância
Tendes vosso arbítrio e sabeis que sois livres; portanto, não ofendais o Senhor, agindo contrariamente ao que credes, honesta e após reflexão e oração, ser certo. Mas, acima de tudo, não digais que, porque vosso irmão não vê as coisas exatamente como as vedes no campo político, ele necessariamente está errado. Fiquei muito tocado pelas palavras do presidente -- de que ele se sentiu pesaroso com a evidência que veio à tona, de que alguns irmãos condenam seus semelhantes porque estes não veem as coisas como os da primeira classe as veem em matéria política. Nossa religião deveria purificar nossa política, e tornar-nos honestos, tolerantes e corajosos, para fazer o que é exigido dos cidadãos, e exercer nossos ¶
direitos nas urnas. Nossa religião deveria tornar-nos honestos nos negócios, verdadeiros em todos os nossos atos. Ser assim é estar em harmonia com o guardar dos mandamentos do Senhor. Rogo para que isso continue a ser uma característica dos Santos dos Últimos Dias, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶