Amor, Sacrifício e Serviço
George F. Richards
Tenho grande alegria em poder dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que meus sentimentos estão em perfeito acordo com os de meus irmãos, expressos em suas observações nas sessões da conferência de ontem. Espero ser guiado em minhas palavras pelo Espírito do Senhor, de modo a proferir a palavra do Senhor em verdade, para que encontre pronta resposta nos corações dos Santos dos Últimos Dias, e para que, porventura, sejamos compungidos em nosso coração e resolvamos que, com a ajuda do Senhor, nos aproximaremos mais de fazer Sua vontade no futuro do que fizemos no passado, para nosso próprio bem, felicidade e salvação, e também para a bênção e felicidade de outros e para a glorificação do nome de nosso Senhor. ¶
o propósito de deus na criação ¶
Chamo vossa atenção, meus irmãos e irmãs, para as palavras do Senhor a seu servo Moisés, ditas a ele no monte onde o Senhor falou com ele face a face. O Senhor disse: "Eis que esta é minha obra e minha glória: levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." Este, então, concluo, é o objetivo; todas as demais obras de Deus são apenas um meio para este fim, salvar e exaltar seus filhos consigo em seu reino. Para este propósito a terra foi criada, o plano do evangelho foi instituído, e, como parte desse plano, o Salvador foi escolhido para ser o Redentor do mundo. Lemos isto nas santas escrituras: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Sempre que tenho ocasião de usar esta passagem das escrituras em um discurso, sinto que uma explicação é necessária, ou, pelo menos, é oportuna, pelo fato de que esta escritura é tão largamente usada pelos religiosos do mundo para justificarem-se na crença de que apenas a fé é necessária para a salvação; que nosso Salvador fez tudo, e que tudo o que precisamos fazer é reconhecê-lo a ele e a sua obra, e seremos salvos. Isto é um entendimento equivocado da palavra do Senhor. Uma explicação encontra-se na seguinte escritura: "Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço." Assim, é fazer as obras tais como Cristo fez que há de nos salvar, e não a mera aceitação intelectual ou a mera profissão de fé nele e em seu ministério. ¶
AMOR, SACRIFÍCIO E SERVIÇO ¶
Há outra passagem impressionante das escrituras, também corroborando este fato, que diz: "Ainda que era Filho, todavia aprendeu a obediência pelas coisas que padeceu; e tendo ele sido aperfeiçoado, veio a ser o autor da eterna salvação para todos os que lhe obedecem." Há muitas outras escrituras corroborantes. ¶
Voltando agora àquela expressão de que "Deus amou o mundo ¶
de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Vemos aqui exemplificados três grandes princípios, a saber: amor, sacrifício e serviço. O amor de Deus, nosso Pai, por seus filhos, levou-o a dar seu Filho primogênito em espírito, seu Unigênito na carne, a uma vida de tristeza e a uma morte ignominiosa, para que pudessem ser redimidos e salvos em seu reino, sob condição de obediência às leis e ordenanças do evangelho. Encontramos, então, também o Filho, por causa do amor que sentia por nós, seus irmãos e irmãs, entregando-se voluntariamente. Ele disse: "Dou a minha vida pelas ovelhas. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou," e disse novamente: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos." Aqui encontramos o amor novamente, um exemplo para a família humana. Aqui encontramos novamente o sacrifício, tudo o que se podia fazer, uma disposição de fazer a vontade de seu Pai, custasse o que custasse em tristeza e sofrimento. Aqui encontramos um serviço prestado aos filhos dos homens, necessário para a sua salvação; e a salvação dos homens deveria ser o prêmio, a pérola de grande valor, a ser desejada por eles acima de quaisquer outras bênçãos. ¶
SEJAMOS TANTO OUVINTES COMO PRATICANTES DA PALAVRA ¶
O Presidente Grant nos disse ontem, ao concluir suas observações, que o que ele deseja é que os Santos dos Últimos Dias guardem os mandamentos do Senhor. Pensei, quando ele fez essa observação, em nossas fraquezas como povo. Somos propensos, nesta dispensação, como outros o foram em dispensações anteriores -- como evidenciado pela natureza do conselho e das instruções dadas pelos profetas antigos -- a ouvir a palavra do Senhor e não sermos praticantes dela, ou praticantes dela apenas em parte. Saímos pelo mundo levando a mensagem do evangelho, e dizemos ao povo que não basta dizer: "Senhor, Senhor"; que isso não os salvará no reino dos céus, mas devem fazer a vontade de nosso Pai que está nos céus, e sua vontade foi expressa na vida e nos ensinamentos de nosso Salvador, e dos apóstolos e profetas que vieram antes e que estão registrados aqui na Bíblia Sagrada e no Livro de Mórmon. Dizemos-lhes que um mero assentimento a essas coisas não é tudo o que é necessário. Alguns de nós entramos na Igreja pelo batismo e pela confirmação como membros, e paramos pelo caminho. Muitos de nós interrompemos o progresso; somos apenas ouvintes da palavra do Senhor no que diz respeito a não levantar falso testemunho, à honestidade, aos nossos dízimos, às nossas ofertas, e a muitos outros requisitos que nos são exigidos. O que mais precisamos, parece-me, meus irmãos e irmãs, é sermos impressionados com a necessidade de fazer as coisas que sabemos que devemos fazer. Somos, como povo, suficientemente instruídos. Sabemos o que devemos fazer para obter a salvação; e, porque sabemos essas coisas, se não as fizermos, estaremos sob condenação. ¶
COMO PODEMOS AJUDAR O SENHOR EM SEU PROPÓSITO ¶
Gostaria, se pudesse, de impressionar meus ouvintes nesta ocasião, com a necessidade de auxiliar o Senhor na grande obra que ele empreendeu, de salvar e exaltar as almas dos homens e das mulheres. Ele precisa de nossa ajuda. Ele nos convocou a viver perante o mundo de tal maneira que, vendo nossas boas obras, sejam levados a glorificar nosso Pai Celestial. Essa é uma maneira pela qual podemos auxiliar o Senhor na realização deste propósito específico, sendo-lhe obedientes, fazendo de sua mente e de sua vontade a nossa mente e a nossa vontade, assim como fez Cristo, nosso Salvador, que foi o grande exemplo e protótipo da humanidade, pois ele estabeleceu o exemplo e nos disse para segui-lo. Somos chamados a andar na luz como ele estava na luz, com a promessa de que, se assim fizermos, teremos comunhão uns com os outros nele, e seu sangue nos purificará de todo pecado; mas há outras coisas que somos chamados a fazer. Somos chamados a amar uns aos outros, e a sacrificar-nos e a servir uns aos outros. O Salvador, em certa ocasião, foi questionado por um certo doutor da lei, que pensava enredá-lo em suas palavras: "Mestre, qual é o grande mandamento?" A resposta do Salvador foi: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento; e o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo." Assim como nosso Pai e nosso Salvador amaram os filhos dos homens, somos chamados a amá-los também, assim como amamos a nós mesmos. Não haveria maledicência, não haveria falar mal dos outros, não haveria aproveitamento indevido dos outros, se os amássemos como amamos a nós mesmos. Não haveria nada deixado por fazer que pudéssemos fazer pelo conforto dos outros, se os amássemos como amamos a nós mesmos. Se amássemos o Senhor de todo o coração, dar-lhe-íamos nossas vidas e tudo o que possuímos, se necessário, para auxiliá-lo nesta grande obra. ¶
O QUE CONSTITUI O CAMINHO ESTREITO E APERTADO? ¶
Este evangelho que recebemos é de sacrifício, serviço e abnegação, do princípio ao fim. É isso que constitui o caminho estreito e apertado que leva à vida eterna. Alguns de nós são mais fiéis, outros menos fiéis do que outros em nossos sacrifícios. Meus irmãos e irmãs, virá um tempo de prestação de contas, e seremos julgados e recompensados de acordo com os sacrifícios que fazemos e os serviços que prestamos a Deus e a nossos semelhantes. Permiti-me dizer aqui que, quando nos empenhamos em glorificar nosso Pai Celestial vivendo uma boa vida, ajudamos os outros pelo caminho. A religião, a verdadeira religião do Mestre, é tão diferente da política. Quando aspiramos a um cargo como políticos, e nos tornamos candidatos, nossa única esperança de sucesso está na derrota e na decepção de outra pessoa. Nesta grande obra, se eu, com a ajuda do Senhor, for bem-sucedido em salvar minha própria alma, será por meio de obras de retidão, por meio de um bom exemplo que será útil, e nenhuma pessoa ¶
será privada das bênçãos pelas quais está trabalhando por causa do meu sucesso; pelo contrário, será ajudada pelo caminho. Ora, nesta obra de sacrifício e de serviço, precisamos de encorajamento e de estímulo. ¶
ARRANJA OUTRO ¶
Há um pequeno poema que desejo recitar-vos, pois sinto que terá esse efeito. E permiti-me dizer aqui que creio nos poetas. Creio que há muita inspiração do Senhor fora da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, de várias maneiras, não sendo a menor delas encontrada entre os poetas. Este pequeno poema intitula-se "Arranja Outro." O Senhor está sempre chamando seus servos, para algo mais que devemos fazer. Estamos dispostos, ou estamos demasiadamente absorvidos pelos afazeres da vida? O pequeno poema diz: ¶
O Senhor tinha uma tarefa para mim ¶
Mas eu tinha tanto que fazer; eu disse: "arranja outro, ¶
ou espera até eu terminar." Não sei como o Senhor se saiu; ¶
sem dúvida ele se virou, mas eu me senti meio covarde, ¶
sabia que havia feito mal a Deus. ¶
Um dia eu precisei do Senhor ¶
precisei dele imediatamente, mas ele nunca me respondeu, ¶
e eu podia ouvi-lo dizer, lá no fundo de meu coração acusador: ¶
"Filho, tenho muito que fazer. Arranja outro, ¶
ou espera até eu terminar." ¶
Agora, quando o Senhor tem uma tarefa para mim, ¶
nunca tento fugir dela; largo o que tenho em mãos ¶
e faço a boa obra do Senhor. E meus afazeres que sigam seu curso, ¶
ou esperem até eu terminar. Ninguém mais pode fazer a obra ¶
que Deus determinou para ti. ¶
Sinto que já ocupei todo o tempo que devia, e encerrarei minhas palavras aqui, com meu testemunho a vós, meus irmãos e irmãs, de que sei que este é o evangelho de Jesus Cristo, que nele está o poder de Deus para a felicidade e a salvação, nesta vida e na vida futura; e vos exorto, com toda a sinceridade de minha alma, a viver de acordo com a luz que recebestes no evangelho, e prometo-vos, como recompensa, a vida eterna no reino de nosso Deus. Isso faço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶