Pulpit

Tenho a alegria, meus irmãos e minhas irmãs, de

Andrew Jenson

Conferência Geral de Outubro de 1919·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1919-10-03

Tenho a alegria, meus irmãos e minhas irmãs, de estar convosco, nesta ocasião, e de ter a oportunidade de me dirigir, por alguns minutos, a esta reunião de transbordamento; e, sendo chamado a ser o primeiro orador, considerarei um privilégio escolher meu assunto. Embora eu só possa alcançar os ouvidos de poucos dentre a grande multidão que comparece a esta conferência, talvez haja oportunidade de alcançar muitos mais por meio daquilo que possa ser publicado.

Tenho em mente referir-me muito brevemente ao trabalho que está sendo feito no Departamento do Historiador, particularmente a história da Igreja pertinente ao século XIX. O presente, confio, será bem cuidado, e espero que, daqui em diante, seja feito um trabalho histórico melhor do que jamais foi feito antes. Esta Igreja, tendo crescido desde a época de sua primeira organização com seis membros até agora contar com pelo menos meio milhão, tornou-se um fator dos mais importantes nos assuntos do mundo. No princípio, quando havia apenas alguns membros e apenas alguns ramos da Igreja, os Santos dos Últimos Dias eram quase desconhecidos, mas, à medida que a obra se espalhou por quase todas as partes dos Estados Unidos e, mais tarde, para o Canadá, a Grã-Bretanha e muitos outros países, a maior parte do mundo civilizado tomou conhecimento, em maior ou menor grau, da afirmação feita pelos élderes missionários da Igreja de que o Senhor abrira novamente os céus e restaurara à terra o evangelho de Jesus Cristo. À medida que a Igreja crescia, muitos acontecimentos que pareciam pequenos e insignificantes no princípio começaram a se elevar como algo de grande importância, devido aos grandes resultados que se seguiram a começos aparentemente pequenos e humildes. Este fato tem levado os historiadores da Igreja, no momento presente, a voltar sua atenção aos dias mais antigos, e a percorrer novamente o terreno antigo, coberto apenas em parte pelos primeiros historiadores, e a reconstruir e acrescentar novos itens à história da Igreja, sem, contudo, alterar o que já fora escrito anteriormente, apenas acrescentando, ampliando e fornecendo detalhes que haviam sido negligenciados na época em que a Igreja era pequena. Com esse objetivo em mente, temos estado muito ocupados no Departamento do Historiador, durante os últimos trinta e dois anos, escrevendo uma história detalhada da Igreja desde o princípio, em forma de diário, começando em 6 de abril de 1830, e continuando até o presente. Em nosso extenso trabalho, temos contribuído para esta história da Igreja com dados de muitas fontes que não foram tocadas pelos primeiros historiadores, que se contentavam em compor sua história principalmente a partir de relatos correntes e dos dados enviados à sede da Igreja pelos povoados e ramos vizinhos, dos quais então havia apenas poucos, se comparados com os dias atuais.

Mas, muitos anos atrás, nossa atenção foi chamada para o fato de que grande parte da história da Igreja, no Departamento do Historiador, era fragmentária — que o fio histórico não estava completo, mas, em muitos casos, desconexo e insatisfatório. Isso era especialmente o caso quando examinávamos a história de qualquer estaca, missão, ramo ou povoado particular dos Santos, pois descobríamos que, em muitos casos, não havia elos de ligação entre os acontecimentos ocorridos nessas diferentes localidades. A fim de completar o relato, de modo a fazer uma história consecutiva, achamos necessário ir a campo nós mesmos; isto é, visitar as diferentes estacas e missões com o propósito de obter informações adicionais que nos permitissem produzir histórias ininterruptas ou contínuas das várias organizações da Igreja. Assim, há cerca de trinta e dois anos, começamos extensas viagens em que visitamos todas as estacas de Sião nesta grande região entre montanhas, no interesse da história da Igreja. Nossas viagens se estenderam de nossos povoados no Canadá, ao norte, até aqueles no México, ao sul, incluindo, é claro, tudo dentro dos limites dos Estados Unidos. Nessas excursões históricas, geralmente convocávamos reuniões especiais nos diferentes povoados dos Santos, nas quais frequentemente proferíamos palestras sobre a história da Igreja e chamávamos a atenção para a importância de manter registros. Não apenas encorajávamos os escrivães de estaca e de ala e os secretários dos quóruns e das organizações auxiliares a manter registros, mas também aconselhávamos a manutenção de registros familiares e pessoais pelos membros individuais da Igreja. Após uma

reunião geral, geralmente realizada à noite, à qual o público era convidado, marcávamos, para o dia seguinte, encontros com todos os escrivães de registros na ala, e com o maior número possível de antigos colonizadores, sempre pedindo que todos trouxessem à reunião os registros que possuíssem. Então nos dividíamos em grupos, orientando os diferentes secretários a extrair de seus registros os itens de que pudéssemos necessitar para a história. Assim obtínhamos não apenas uma história geral da ala, mas uma história dos quóruns do Sacerdócio, da Sociedade de Socorro, da Escola Dominical, das Associações de Melhoramentos Mútuos, das Associações Primárias, das Classes de Religião, etc. Também fazíamos os antigos colonizadores nos relatarem suas experiências nos estados do Missouri, Ohio, Illinois e outros lugares, e depois lhes pedíamos que nos contassem os incidentes que lhes ocorreram ao atravessar o oceano em navios à vela, e nas planícies com juntas de bois e carrinhos de mão, terminando com o que haviam vivido depois de sua chegada a Utah, ou depois de se tornarem colonizadores em alguma das cidades do oeste fundadas pelos Santos dos Últimos Dias. As anotações feitas nessas reuniões eram levadas ao Departamento do Historiador e ali depositadas cuidadosamente em caixas, encomendadas para esse propósito, aguardando a transcrição e a edição para a história da Igreja. Continuamos essas visitas por pelo menos cinco ou seis anos nas diferentes estacas de Sião, até que todos os povoados dos Santos no grande oeste tivessem sido visitados, alguns deles várias vezes.

Depois disso, fomos enviados ao exterior, a todos os campos missionários dos Santos dos Últimos Dias em todo o mundo, e, nas viagens em terras estrangeiras assim planejadas e realizadas, visitamos quase todas as conferências e ramos da Igreja no mundo inteiro, e fizemos, em certa medida, o mesmo tipo de trabalho que havíamos realizado nas várias estacas de Sião, com a exceção de que, nos campos missionários, consultávamos membros antigos da Igreja em vez de antigos colonizadores. Ao chegarmos à Grã-Bretanha, descobrimos que muitos dos antigos registros originalmente mantidos nas várias conferências e ramos da Igreja haviam se perdido, mas os que puderam ser encontrados foram reunidos por nós com grande cuidado e enviados de volta ao Departamento do Historiador, onde centenas desses registros (muitos deles de grande valor) estão agora guardados em segurança. Na Escandinávia, encontramos quase todos os antigos registros preservados, e foram reunidos e enviados para a sede da Igreja, da mesma forma que os registros da Grã-Bretanha. Os registros da missão suíça e alemã, e das missões nas ilhas do mar, também foram reunidos e enviados para casa.

Tendo isso sido realizado, em seguida iniciamos um trabalho dos mais extensos no Departamento do Historiador, compilando a história da Igreja a partir dos registros reunidos, e das extensas anotações que havíamos feito em nossas viagens. Conseguimos os serviços de datilógrafos peritos, que conseguiam escrever em suas máquinas quase tão rápido quanto conseguíamos formular sentenças em nossa mente para ditado, e assim ditávamos, a partir das anotações coletadas, as histórias das diferentes estacas de Sião, com todas as suas alas e povoados, e também histórias das várias missões no exterior, com suas conferências e ramos. Este trabalho prosseguiu, como uma questão paralela, por vários anos, sendo a história geral, ou de diário, da Igreja mantida ao mesmo tempo. Continuamos este trabalho de ditado até uma data recente, ou até que quase todas as anotações reunidas em nossas viagens tivessem sido convertidas em material legível, e então percebemos que, para sermos absolutamente exatos e corretos em nossas afirmações, seria necessário fazer uma visita final a todas as alas e povoados dos Santos, com o propósito de ler aos antigos colonizadores e a outros as histórias que havíamos preparado. Gostaria que todos os Santos compreendessem que este trabalho é de considerável magnitude. Representa, até onde sei, um trabalho histórico de uma natureza que jamais foi tentado antes ao se escrever a história de qualquer comunidade, neste ou em qualquer outro país. Não acredito que jamais tenha sido feito, em lugar algum, esforço melhor para obter uma história precisa e verdadeira. Em algumas de minhas viagens, examinei cuidadosamente as histórias de outros estados e países, e especialmente em duas de minhas viagens aos estados, examinei muitas histórias de condados em Ohio, Missouri, Illinois, Iowa e Nebraska, com o propósito de aprender como tais histórias eram geralmente preparadas. Logo descobri que a maioria dos historiadores que haviam preparado e escrito tais histórias, em maior ou menor grau, haviam sido servos de indivíduos que os pagavam por seu trabalho, e assim se viam sob a necessidade ou obrigação de colorir fatos e acontecimentos em favor de seus patronos, e pessoas que porventura fossem pobres, mas que talvez tivessem feito muito mais do que outras, eram deixadas de fora da consideração e não recebiam crédito algum, porque não podiam pagar. O que atraiu minha atenção especial foram alguns dos relatos em que os Santos dos Últimos Dias estavam historicamente envolvidos. Em quase todos os casos, descobri que os Santos dos Últimos Dias haviam sido maliciosa e injustamente representados de forma errada, e que, em muitos casos, motins e atos de turbas eram atenuados, tolerados e interpretados como justificáveis nos casos em que os Santos dos Últimos Dias foram vítimas de terríveis ultrajes. Estou certo de que a história que nós, como historiadores da Igreja, estamos preparando, de um ponto de vista verdadeiro, entrará em conflito, em muitíssimos casos, com aquilo que foi escrito por nossos inimigos.

Ao preparar e escrever a história, vossos historiadores, respaldados como têm sido pela Igreja, não têm tido nenhuma obrigação particular para com ninguém quanto ao que deveríamos escrever e a quem deveríamos dar crédito. Temos estado em posição de fazer justiça a todos, aos ricos e aos pobres, e aos vivos e aos mortos igualmente, esforçando-nos por dizer a verdade em todos os casos.

Tenho grande prazer, nesta ocasião, em informar aos Santos dos Últimos Dias que um trabalho como aquele a que aludi foi realizado, e dou como minha opinião que não está distante o tempo em que as realizações dos Santos dos Últimos Dias como pregadores do cristianismo prático e como fundadores de verdadeiros povoados cristãos nos Estados Unidos serão apreciadas e reconhecidas pela humanidade em geral. Não apenas figuramos com destaque como pioneiros em Utah, mas nosso povo também foi o primeiro colonizador anglo-saxão no que são hoje os

Estados de Nebraska, Colorado, Wyoming, Idaho, Nevada e Arizona. Os "mórmons" também transformaram o pequeno povoado espanhol de Yerba Buena, na Califórnia, na atual São Francisco, e fundaram outros povoados de importância na costa do Pacífico, ou perto dela, incluindo a famosa cidade de San Bernardino e um povoado pioneiro no Vale de San Joaquin. Também se poderiam contar coisas muito bonitas a respeito do Batalhão Mórmon e dos pioneiros "mórmons" em geral, que se tornaram fundadores de impérios no oeste americano. Vossos historiadores têm procurado, na medida de suas capacidades, chegar aos fatos em todos os casos e registrar os acontecimentos com tanta veracidade que nossos filhos saberão o que foi feito por seus pais e mães, que foram pioneiros em Utah e nos outros estados que foram mencionados. Mais cedo ou mais tarde, o povo dos Estados Unidos e o mundo inteiro saberão que os Santos dos Últimos Dias, perseguidos e mal representados como foram, foram os pioneiros da verdadeira civilização cristã nas várias localidades desta região ocidental onde se estabeleceram, e que eles, como um povo temente a Deus, transformaram o deserto e as terras áridas em campos frutíferos.

No momento presente, estamos empenhados em fazer uma excursão final às setenta e nove estacas de Sião existentes, e continuaremos este trabalho até termos feito uma visita final a todas as estacas e alas, e cidades e vilas, onde residem Santos dos Últimos Dias. Compreendemos que este trabalho não pode ser adiado, pois os primeiros colonizadores estão rapidamente falecendo, e se a história, tal como a preparamos, não for lida agora, seria inútil tentar lê-la para correção mais tarde, pois talvez não restasse nenhum dos antigos pioneiros para ouvi-la, ou para nos ajudar a fazer correções. Cerca de metade das estacas já foi visitada, e não ficaremos satisfeitos até que todas tenham sido igualmente visitadas, e as histórias preparadas das diferentes estacas e alas tenham sido apresentadas ao povo e por ele aceitas. Nesta, nossa visita final, no interesse da história da Igreja do século XIX, estamos também reunindo material novo, embora nosso principal objetivo, no presente, seja completar a história da Igreja e de suas várias unidades, desde o princípio até o fim do século passado.

Desejamos fazer um apelo final e sincero a todas as partes interessadas nesta história da Igreja para que nos prestem auxílio na conclusão de nosso trabalho. Desejamos tomar emprestado dos antigos pioneiros ou de seus filhos quaisquer registros particulares que possam ter sido mantidos por eles, e apelamos à geração presente para que mantenha registros e os preserve, pois virá o tempo em que os feitos de nossos próprios dias serão tão importantes e interessantes para os que viverem depois de nós quanto as experiências e narrativas dos primeiros pioneiros de Utah são hoje para nós.

Foi-nos confiado o evangelho do Senhor Jesus Cristo, e foi-nos confiado também o privilégio de pregar esse evangelho a toda nação, tribo, língua e povo. É o verdadeiro e original evangelho de Jesus Cristo, e temos o direito de transmitir às futuras gerações uma história verdadeira de como essa mensagem do evangelho foi confiada aos Santos dos Últimos Dias e de como cumprimos nossa missão. Desejamos que nossos filhos e os filhos de nossos filhos saibam o que significa para eles serem descendentes dos pioneiros tementes a Deus de Utah e do grande oeste. Sinto-me certo de que virá o tempo, se é que já não chegou, em que os filhos dos Santos dos Últimos Dias terão tanto orgulho de traçar sua origem até os pioneiros "mórmons" como membros primitivos da Igreja, quanto muitos têm hoje ao traçar sua descendência dos Pais Peregrinos ou dos primeiros colonizadores da Virgínia no início do século XVII. Os Santos dos Últimos Dias construíram uma história que, na maioria de seus detalhes, será inteiramente diferente das histórias feitas por qualquer outro povo que se estabeleceu nesta terra ocidental. Sempre foram um povo temente a Deus, e um povo que teme a Deus e guarda seus mandamentos, e conforma seus hábitos diários ao evangelho de Jesus Cristo, em todos os casos, produzirá uma história diferente daquela dos que, por descuido ou maldade, desobedecem aos mandamentos do céu durante sua peregrinação nesta esfera terrena.

Que nós, como filhos dos primeiros Santos dos Últimos Dias e dos pioneiros de Utah e do grande oeste, sejamos dignos descendentes de nossos nobres predecessores; que continuemos a obra que eles tão fielmente começaram e nos esforcemos, por nossos atos, por produzir uma história tão louvável quanto a deles. Que nós, como representantes da verdadeira Igreja de Jesus Cristo, sejamos o meio de levar o conhecimento desse evangelho a todos os povos, para o benefício tanto de nossa própria geração quanto das futuras, e que, finalmente, juntamente com nossos antepassados e nossos descendentes, sejamos salvos no reino celestial de nosso Deus, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoAndrew Jenson, “Tenho a alegria, meus irmãos e minhas irmãs, de”, Conferência Geral de Outubro de 1919, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1919-10-03). Pulpit Vault, 1919-10-35-andrew-jenson-remarks-35. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).