Por que devemos reunir-nos, tão
Richard R. Lyman
Desejo certamente que, enquanto estiver diante desta grande congregação, as palavras que proferir sejam inspiradas por aquele mesmo excelente ¶
espírito que dirigiu as demais palavras desta conferência. ¶
Parece estranho que nos reunamos com tanta frequência e tenhamos tão tremendo interesse por este único assunto — o evangelho de Jesus Cristo. A razão pela qual não nos cansamos desta repetição é que o evangelho de Jesus Cristo é clássico. Um clássico se torna melhor, mais querido e mais doce com a repetição; "é sempre novo e incapaz de envelhecer." ¶
Ao ver estes presidentes de estaca, seus conselheiros, os bispos de ala e seus conselheiros, os sumos conselheiros e outros homens dirigentes da Igreja sentados aqui dia após dia, ouvindo os ensinamentos dos servos de nosso Pai celestial, e ao perceber que elementos importantes são eles, em termos de negócios e finanças, em suas respectivas comunidades, sinto que eles consideram, como todos nós consideramos, estas reuniões, estas conferências, este nosso culto, de primeiríssima importância. Pelo que estamos lutando? Buscamos alcançar a perfeição. Cantamo-lo ontem naquele glorioso hino: "Assim, rumo à eterna perfeição, os honestos e fiéis hão de caminhar." ¶
Foi sugerido ontem por um orador que talvez nem todos nós estejamos vivendo em estrita conformidade com alguns dos ensinamentos e práticas da Igreja. Disse-se, com pesar, que alguns membros da Igreja talvez não sejam dados à oração. Talvez alguns não orem em secreto, e possa haver alguns que não orem com suas famílias. Por que é necessário que oremos em secreto, e com frequência? Por que é necessário que oremos com nossas famílias? Por que é necessário que nos reunamos tão frequentemente para adorar? A razão é que estamos revestidos de mortalidade. Todos temos tremendas imperfeições. Todos temos falhas e fraquezas a superar. Oramos em secreto, oramos com nossas famílias, vamos a nossos lugares de culto, reunimo-nos como nos reunimos nesta manhã para adorar, a fim de que possamos tornar-nos perfeitos, assim como nosso Pai celestial é perfeito. Quando saírmos deste edifício, esta conferência não terá sido um pleno sucesso se, em resultado dela, dissermos apenas em nosso coração: "Quão bem falaram os irmãos." Devemos sair deste culto com a cabeça inclinada, pensativos. Estas reuniões devem fazer com que todos nós reflitamos e resolvamos, de novo, ser melhores. Esta lição é bela e vigorosamente ensinada pelas seguintes linhas, familiares, porém clássicas, das escrituras: ¶
Dois homens subiram ao templo para orar: um fariseu, e o outro, publicano. ¶
O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. ¶
Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. ¶
O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia em seu peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador. ¶
E o grande Mestre disse: Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado. ¶
Aqui, em humildade, estamos estudando, ensinando, aprendendo, ajudando uns aos outros a sermos perfeitos, de acordo ¶
com os ensinamentos do evangelho de Jesus Cristo. Cremos em ser honestos. Somos honestos? Cremos em ser verdadeiros. Somos verdadeiros? Cremos em ser castos. Somos castos? Cremos em ser benevolentes. Amamos os infelizes, alimentamos os famintos? Vestimos os nus? Visitamos as viúvas e os órfãos? Cremos em fazer o bem a todos os homens. Todos estes ensinamentos são parte do evangelho de Jesus Cristo. Enquanto não formos capazes de amar perfeitamente segundo ele, temos razão para nos reunir, temos razão para orar, temos razão para adorar, temos razão para participar do sacramento. Todas estas coisas buscamos fazer para que, por fim, sejamos perfeitos, assim como nosso Pai celestial é perfeito. ¶
O evangelho de Jesus Cristo — ele inclui tudo o que é bom para o homem, tanto na terra quanto no céu. Toda regra, todo ensinamento, toda filosofia, todo princípio que eleva o homem, que o torna forte, que o torna melhor, que o torna semelhante a Deus — tudo isso pertence ao evangelho de Jesus Cristo. Que possamos viver mais de acordo com ele é o propósito de nossa reunião. Se aqui ou em outro lugar, em qualquer filosofia ou em qualquer ciência, "houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável", seja em nosso próprio país ou em qualquer outro, seja em nossa própria igreja ou em qualquer outra, nós, Santos dos Últimos Dias, buscamos estas coisas. ¶
Em nosso grande governo democrático, o elemento fundamental de sua composição são suas filhas e seus filhos. Nesta nossa Igreja, em nossas próprias famílias, o elemento fundamental são também nossas filhas e nossos filhos. Tornar estes homens e mulheres verdadeiramente bons, verdadeiramente sábios, verdadeiramente semelhantes a Deus, é um dos fins pelos quais lutamos. O espírito do evangelho de Jesus Cristo tende a elevar os homens — a torná-los mais fortes e melhores. Nem se limitam nossos trabalhos às nossas próprias famílias. Fazemos obra missionária com nossos amigos, com nossos colegas e com nossos vizinhos. ¶
Há pouco tempo, passei uma noite sentado com um homem já relativamente idoso. Disse ele que um dos irmãos viajantes da Igreja veio a ele quando era jovem, e disse: "Jamais esquecerei as lições que ele me ensinou." Chegou à minha casa no início da noite, e explicou que partiria às cinco horas da manhã seguinte, mas disse: 'Quero falar contigo. Quero ensinar-te. Quero que conheças o evangelho de Jesus Cristo. Quero que sejas um homem. Quero que sejas limpo. Quero que leias as escrituras, quero que te familiarizes com a vida e os ensinamentos de Jesus de Nazaré.' ¶
"Não apenas me suplicou por uma ou duas horas, mas a noite inteira. Às cinco horas da manhã chegou sua carroça, e ele partiu sem sequer ter tirado o casaco ou os sapatos. Não ficou satisfeito até que eu lhe dissesse que consideraria seriamente o assunto, e que, se, ao investigar, eu encontrasse estas coisas como ele as representava, estaria disposto a deixar de lado meu trabalho e ir para o campo missionário ensinar a outros. Veio a mim com tanta seriedade quando eu era menino, e me fez homem. Ensinou-me a olhar para o sol nascente. Deu-me uma ambição. Ensinou-me a ser limpo. ¶
"Apresentei-te meus filhos e minhas filhas, meus genros e minhas ¶
noras, e viste meus netos. Por eles, pelo exemplo que lhes dei, sou devedor ao homem que trabalhou com tanto empenho, a noite inteira, para persuadir-me a aceitar uma missão. Se algum grau de sucesso está chegando a meus filhos, e podes ver que assim é, sinto-me seguro de que isso se deve, em certo grau, por causa da vida de seu pai, e não apesar dela." Este é um exemplo do intenso espírito missionário — o desejo de fazer o bem aos outros — que enche o coração dos fiéis Santos dos Últimos Dias. ¶
O elemento importante na Igreja, na Nação, na família, como já disse, são nossas filhas e nossos filhos. Queremos que sejam verdadeiros, queremos que sejam bons, queremos que sejam virtuosos. Reunimo-nos aqui, unimos nosso coração, unimos nossa fé em oração a nosso Pai celestial, para que nos dê o poder de criá-los como devem ser criados. Oh, se tivéssemos a fé, oh, se tivéssemos o poder, oh, se tivéssemos vivido a vida que traria tal fé, de modo que pudéssemos saber que os que partiram para o exterior voltariam a nós limpos, nobres, homens de Deus, protegidos por seu Espírito de todo mal! Quem há aqui que sempre orou, quem há aqui que sempre teve a fé, quem há aqui que sempre participa do sacramento dignamente, e que, por isso, tem o direito de esperar tal bênção? Quem há aqui que mereça ter a vida de seu filho preservada pelo poder de Deus? Sendo mortais, todos nós temos razão para bater no peito e exclamar: "Pai, tem misericórdia de mim, pecador." Estamos lutando pelo bem, pela salvação, pela educação, pelo progresso de nossas filhas e de nossos filhos. Nesta grande luta, precisamos da ajuda de nosso Pai celestial. ¶
Tenho em minhas mãos um número recente de The Outlook. Nele há uma carta escrita por um pai a seu filho soldado. Desta carta, talvez alguns de nós possamos aprender como ensinar com mais sucesso nossos próprios filhos. — Cito, com algumas pequenas alterações, as seguintes partes da carta. ¶
"Meu filho, apega-te sempre aos grandes e antigos ideais anglo-saxões da castidade pessoal. Vive de tal modo que, quando voltares, não tenhas de te afastar do beijo de tua mãe ou de tua irmã. ¶
A parte que a religião há de desempenhar em todas estas coisas de que escrevi não a desenvolverei, mas apenas observarei que é preciso toda a ajuda de uma fé sobrenatural, de uma fé em Deus, para manter a maioria de nós, todo o tempo, à altura de nossas possibilidades." ¶
Oramos, jejuamos, participamos do sacramento — vivemos a vida dos Santos dos Últimos Dias para que tenhamos esta fé. ¶
"Escrevi-te uma longa carta; mas, ao ver diante de mim, sobre minha mesa, este retrato de um rapaz fardado, mais alto que seu pai e, graças a Deus, mais bem preparado para a vida e mais apto a comandar homens e a si mesmo, sinto-me movido a continuar, e continuar, até quase o tédio. Deixa-me sussurrar-te um segredo. Embora tenha lisonjeado minha vaidade saber quanto te orgulhas dos pequenos sucessos de teu pai, e embora isso tenha sido para mim um verdadeiro estímulo, sei, contudo, o tempo todo — e tu também deverias saber — que és tu, meu filho, o meu verdadeiro sucesso. Cada linha de teu corpo limpo e forte, cada expressão de tua mente alerta e firme, tem sido para mim uma alegria maior do que qualquer recompensa em dinheiro, distinção ou serviço. Suponho que os filhos jamais possam saber, até que seja tarde demais, o que significam para os pais. Se esta carta já não fosse tão longa, poderia contar-te histórias de homens que conheço pessoalmente e que o mundo inteiro conhece, os quais dariam de bom grado cada dólar que possuem e cada resquício de fama, se seus filhos ¶
fossem apenas homens honrados, úteis e nobres. Envergonho-me ao pensar em quantas vezes me gabei de ti, meu rapaz. Tudo o que jamais sonhei fazer ou ser, sei que tu hás de realizar, se saíres desta guerra com vida. ¶
Quanto a isso, está em tuas mãos e nas de Deus. Lembra-te de que há mil coisas piores do que estar morto. Sei que jamais tomarás uma chance indigna para viver, nem recusarás uma chance nobre para morrer. Qualquer uma das duas seria a mais pungente das tristezas para tua mãe e para mim, que derramamos em tua vida mais do que jamais poderás supor — mais, até, do que nós mesmos possuíamos, ao que parece — de elevado propósito, de expectativa e de patriotismo. Tu és a flor e o fruto de nossa vida; por isso, agradecemos a Deus diariamente por seres um bom soldado do bem-estar do mundo e da bandeira americana." ¶
Temos, n'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nossas Classes de Religião, as Associações Primárias, as Associações de Melhoramentos Mútuos e as Escolas Dominicais, todas dedicadas à formação de nossos rapazes e moças. Nelas lutamos, procuramos, oramos, jejuamos, ensinamos, participamos do sacramento e adoramos, na esperança de que nosso Pai celestial nos abençoe com sabedoria para criar nossas filhas e nossos filhos de tal modo que sejam motivo de honra para nós, para ele, para a Igreja e para o país. ¶
Um solo sacro de tenor: "Ó divino Redentor", foi cantado por G. W. Charlesworth, de Idaho Falls. ¶