É sempre um
Heber J. Grant
É sempre e constantemente um grande prazer para mim reunir-me com os Santos dos Últimos Dias em qualquer uma de suas assembleias, e sinto especial satisfação em estar presente em nossas conferências gerais. Era meu costume, quando criança, comparecer regularmente a nossas conferências gerais, e, há trinta e seis anos, antes que este mês termine, tenho tido o privilégio de comparecer a estas conferências como uma das autoridades gerais da Igreja, e nunca compareci a uma conferência neste edifício sem que fosse alimentado com o pão da vida por aqueles que se dirigiram ao povo. Regozijo-me convosco na reunião tão esplêndida que tivemos aqui esta manhã, na inspiração que veio a cada um e a todos os membros da presidência da Igreja ao dirigirem-se a nós. Desejo repetir os sentimentos de gratidão e ação de graças expressos a nosso Pai celestial por nosso amado Presidente ter podido estar conosco em nossa sessão desta manhã; e espero e oro para que o esforço necessário de sua parte para comparecer não tenha sido tão grande que ele não possa estar novamente conosco antes que nossa conferência se encerre. ¶
A Respeito de Falso Ensino
Desejo, em nome do conselho que tenho a honra de presidir, dizer que apoiamos as referências que foram feitas aqui esta manhã pelo Presidente Penrose, e tão vigorosamente reafirmadas pelo Presidente da Igreja, a respeito desta questão do casamento plural e do fato de que alguns homens hoje o ensinam em segredo, fingindo que são casados ou que estão entrando naquilo que chamam de casamento plural. Tais homens são de fato rebeldes e traidores da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, porque a marcam, aos olhos daqueles que não são dos nossos, como uma organização desonesta. Pessoalmente, e também falo em nome de cada membro do conselho dos Doze Apóstolos, porque conheço seus sentimentos e sei que estão ao meu lado, apoio com todo o meu coração estas observações. Quero dizer aos Santos dos Últimos Dias que, em minha opinião, quando qualquer rebelde ou traidor da obra de Deus entra em seus lares e lhes conta algo falso sobre a Igreja, há falta de patriotismo da parte de todos esses indivíduos por não denunciarem o traidor. Gostaria que gravásseis isto em vossas mentes. Essas pessoas andam por aí mentindo, para dizê-lo em bom e claro português, e dizem às pessoas: "Não digam nada, não contem quem lhes disse que aquilo era certo." ¶
Não precisais guardar segredo por aqueles que são desonestos, não precisais guardar a confiança de alguém que vos diz o que é falso, e tais pessoas deveriam ser expostas, expostas sobre os telhados; andam por aí posando como superiores a pessoas honestas, retas e íntegras, marcando a Igreja e os líderes da Igreja com infâmia, fingindo que pregamos uma coisa em público e fazemos outra em particular. Não me importo de dizer mais nada sobre este assunto. Raramente, se é que alguma vez, falo sobre ele sem que se desperte quase toda partícula de ira em minha natureza. Alguns deles dizem que o Senhor os orientou a tomar mais esposas. Bem, penso que ele os orientou tal como orientou o crioulo (não que eu diga isto para depreciar os crioulos), mas havia um crioulo que orou: "Ó Sinhô, ó Sinhô, ó Sinhô; mandai um peru pra esse crioulo aqui." Ele orou assim durante uma semana inteira, e não recebeu peru nenhum, e ao fim da semana disse: "Esse crioulo aqui não sabe rezar," então, naquela noite, o crioulo orou: "Ó Sinhô, ó Sinhô, ó Sinhô, levai esse crioulo aqui até um peru," e ele disse: "Esse crioulo aqui teve jantar de peru na noite seguinte." ¶
Uma Manifestação Notável
Apoio as observações feitas pelo Presidente Penrose a respeito da paz, da alegria e da felicidade que entram no coração humano ao testificar do evangelho do Senhor Jesus Cristo, que foi novamente revelado à terra. De outubro, quando fui chamado para ser um dos membros do conselho dos Doze, até fevereiro seguinte, tive pouca alegria e felicidade em meus trabalhos. Havia um espírito que me perseguia, dizendo-me que me faltava experiência, que me faltava inspiração, que me faltava o testemunho para ser digno da posição de apóstolo do Senhor Jesus Cristo. Minha querida mãe havia me inspirado com tal amor pelo evangelho e com tal reverência e admiração pelos homens que estavam à cabeça desta Igreja, que, quando fui chamado para ser um deles, senti-me subjugado; senti minha indignidade, e o adversário tirava proveito desse sentimento em meu coração, dia e noite; o espírito me perseguia, sugerindo que eu renunciasse, e quando eu testificava da divindade da obra em que estamos empenhados, as palavras voltavam: "Tu não viste o Salvador; não tens o direito de dar tal testemunho," e eu me sentia muito infeliz. ¶
Mas em fevereiro de 1883, enquanto cavalgava pela Reserva Indígena Navajo com o Élder Brigham Young Jr. e mais quinze ou vinte irmãos, incluindo o falecido presidente Lot Smith, de uma das estacas do Arizona, a caminho de visitar os navajos e os moquis — enquanto viajávamos naquele dia, atravessando parte da Reserva Navajo para chegar à Reserva Moqui — enquanto seguíamos rumo ao sudeste, de repente a estrada virou e desviou-se quase para o nordeste, mas havia uma vereda, uma trilha, que seguia na direção em que estávamos viajando. Éramos talvez oito ou dez a cavalo, e o restante em carroças. O Irmão Smith e eu estávamos na retaguarda de nossa comitiva. Quando chegamos à trilha, eu disse: "Espera um momento, Lot; para onde leva esta trilha?" ¶
Ele disse: "Ah, ela volta a encontrar a estrada três ou quatro milhas adiante, mas temos de fazer um desvio de oito ou nove milhas para evitar um grande barranco que nenhuma carroça consegue atravessar." ¶
Perguntei: "Um cavaleiro consegue atravessar esse barranco?" Ele respondeu: "Sim." ¶
Eu disse: "Há algum perigo de índios, por estar sozinho lá fora?" Ele respondeu: "Não." ¶
Eu disse: "Quero ficar sozinho, então segue com a comitiva, e eu vos encontrarei lá adiante, onde a trilha se junta à estrada." ¶
Uma das razões pelas quais perguntei se havia algum perigo foi que, poucos dias antes, nossa comitiva havia visitado o local onde George A. Smith Jr. fora morto pelos índios navajos, e eu tinha esse acontecimento em mente no momento em que falava. Eu tinha percorrido talvez uma milha quando, pela bondosa providência do Senhor, foi-me manifestado de modo perfeito, tanto quanto meu entendimento alcança — não vi o céu, não vi nenhum conselho ali reunido, mas, como Leí de antigamente, pareceu-me ver, e todo o meu ser ficou de tal modo impregnado da informação que recebi, ao deter meu animal e ali sentar-me e comungar com o céu, que estou tão absolutamente convencido da informação que me veio naquela ocasião como se a voz de Deus me tivesse falado essas palavras. ¶
Foi-me manifestado ali e naquele momento, enquanto eu ali estava sentado e chorava de alegria, que não fora por causa de qualquer inteligência particular que eu possuísse, que não fora por causa de qualquer conhecimento que eu possuísse além de um testemunho do evangelho, que não fora por causa de minha sabedoria, que eu havia sido chamado para ser um dos apóstolos do Senhor Jesus Cristo nesta última dispensação, mas foi porque o profeta de Deus, o homem que foi o instrumento escolhido nas mãos do Deus vivo para restabelecer sobre a terra o plano de vida e salvação, Joseph Smith, desejou que eu fosse chamado, e porque meu pai, Jedediah M. Grant, que deu sua vida pelo evangelho enquanto era um dos membros da presidência da Igreja, conselheiro do Presidente Brigham Young, e que estava morto havia quase vinte e seis anos, desejou que seu filho fosse membro do Conselho dos Doze. Foi-me manifestado que o profeta e meu pai puderam conferir-me o apostolado por causa de sua fidelidade, na medida em que eu havia vivido uma vida limpa, e que agora cabia a mim fazer daquele chamado um sucesso ou um fracasso. ¶
Grande Alegria no Testemunho Obtido
Posso testemunhar-vos aqui hoje que não creio que nenhum homem na terra, desde aquele dia, fevereiro de 1883, até agora, há trinta e cinco anos, tenha tido alegria mais doce, felicidade mais perfeita e requintada do que eu tive ao levantar minha voz e testificar do evangelho, em casa e no exterior, em toda terra e em todo clima aonde me coube ir. E fui ao Japão, estive nas Ilhas Havaianas, estive do Canadá ao México, estive em quase todos os estados da União dos Estados Unidos; estive na Inglaterra, na Irlanda, na Escócia, no País de Gales, na Alemanha, na Holanda, na Bélgica, na França, na Suíça, na Itália, na Noruega, na Suécia e na Dinamarca, e tive uma alegria além de minha capacidade de expressar, ao levantar minha voz, ao testemunhar àqueles com quem tive contato que sei que Deus vive, que sei que Jesus é o Cristo, o Salvador do mundo, o Redentor da humanidade; que sei que Joseph Smith foi e é um profeta do Deus verdadeiro e vivo, que tenho ¶
o testemunho permanente em meu coração de que Brigham Young foi um instrumento escolhido do Deus vivo, que assim o foram John Taylor, Wilford Woodruff e Lorenzo Snow, e que hoje Joseph F. Smith é o representante do Deus vivo, e a boca de Deus aqui na terra. ¶
Não disponho de linguagem para expressar a gratidão a Deus por este conhecimento que possuo; e repetidas vezes meu coração se derreteu, meus olhos derramaram lágrimas de gratidão pelo conhecimento de que ele vive e de que este evangelho chamado "mormonismo" é, de fato, o plano de vida e salvação, que é o único evangelho verdadeiro sobre a face da terra, que é, de fato, o evangelho do Senhor Jesus Cristo. Que Deus vos ajude, e a mim, e a todos, a vivê-lo, é minha oração constante e sincera. ¶
Como o Poder do Sacerdócio Tem Sido Mantido pelas Autoridades da Igreja
Vou ler da Seção 121 da Doutrina e Convênios: ¶
Aprendemos, por tristes experiências, que é a natureza e índole de quase todos os homens, tão logo suponham ter adquirido um pouco de autoridade, começar a exercer imediatamente domínio injusto. ¶
Portanto, muitos são chamados, mas poucos são escolhidos. ¶
Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; ¶
Com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo — ¶
Repreendendo prontamente com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando então um amor maior por aquele que repreendeste, para que ele não te julgue seu inimigo; ¶
Para que ele saiba que tua fidelidade é mais forte que os laços da morte. ¶
Que tuas entranhas também sejam cheias de caridade para com todos os homens e para com a família da fé; e que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; e a doutrina do sacerdócio destilar-se-á sobre tua alma como o orvalho do céu. ¶
O Espírito Santo será teu companheiro constante, e teu cetro, um cetro imutável de retidão e verdade; e teu domínio será um domínio eterno e, sem medidas coercivas, fluirá para ti eternamente. ¶
Quero testemunhar-vos aqui hoje que, durante os trinta e seis anos, completados este mês, em que tenho sido membro do Conselho dos Doze, nenhum poder ou influência jamais foi exercido pelo profeta de Deus que presidiu esta Igreja durante este tempo senão exatamente como ensinado na Doutrina e Convênios; e que nenhum dos homens com quem estive associado como presidentes da Igreja teve mais caridade, mais amor, e exerceu o sacerdócio pelo poder do Deus vivo com mais mansidão, misericórdia e bondade, do que o homem que está à cabeça da Igreja hoje, Joseph F. Smith. ¶
Que Deus preserve sua vida por muitos, muitos anos ainda por vir é a sincera oração de meu coração, e a de todo Santo dos Últimos Dias em toda a terra. Que Deus nos guie continuamente e para sempre para seu louvor é minha oração, e assim o peço em nome de Jesus. Amém. ¶