Pulpit

É com grande alegria e

Charles W. Penrose

Conferência Geral de Abril de 1918·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1918-04-05

É com grande alegria e gratidão que posso reunir-me, nesta tarde, com esta congregação dos Santos dos Últimos Dias em conferência geral. Vós que estais sentados no corpo da audiência não podeis contemplar esta vasta congregação como nós, que estamos na tribuna. Temos diante de nós uma vista magnífica. A beleza da congregação é, a meu ver, realçada pela ausência de tantos chapéus enfeitados como costumávamos ter em nossas congregações muitos anos atrás. Não somente contemplamos os semblantes de nossos irmãos, até mesmo as cabeças calvas, mas também podemos ver os rostos de nossas irmãs, não desfigurados por babados, enfeites, flores artificiais ou qualquer outro estorvo, e a vista é muito bela. Regozijo-me nisso. Se fosse apenas para contemplar esta congregação nesta tarde que tive o privilégio de estar aqui, sentir-me-ia já muito grato, mas, tendo a oportunidade de dizer algumas palavras, dando meu testemunho da verdade da grande obra em que todos estamos empenhados, sinto-me duplamente grato; grato também pela medida de saúde e força que tenho, pois, durante este inverno que está quase terminando, espero, tenho sido um tanto afetado pela gripe. Ou eu tive a gripe, ou a gripe me teve a mim; talvez ambas as coisas. Mas posso estar aqui

hoje e regozijar-me nas boas coisas que nos foram dadas, nas palavras proferidas por nosso Presidente esta manhã, e pelo Presidente Lund, e pelo Irmão Callis, que deu um poderoso testemunho ao final das reuniões. Apreciei tudo muitíssimo, e regozijo-me no Espírito que está presente nesta tarde, e espero que, com sua ajuda, eu possa dizer algo digno de vossa atenção e lembrança.

Não preparei discurso algum para esta conferência; não tenho esse hábito. Ainda assim, tenho ideias que me passam pela mente, mas geralmente descubro, ao chegar à conferência, que as coisas em que pensei não são as que me vêm à memória, de modo que tenho de confiar na inspiração do momento, o que faço agora, desejando em minha alma poder dizer o que é correto e que possa ser entendido por aqueles que ouvem, e que será de proveito para alguns, se não para todos os presentes.

Produção Doméstica e Economia Doméstica

Esta manhã, quando o Presidente falava a respeito da conservação de nossos alimentos e da produção das coisas de que necessitamos para o consumo doméstico, e da sabedoria de exportar tanto ou mais, se possível, do que aquilo que importamos, recordei-me das antigas instruções dadas, há muitos e muitos anos, nesta casa, e às vezes antes mesmo de esta casa ser erguida, pelo Presidente Brigham Young e seus então imediatos associados. Esse era um de seus temas habituais — a produção doméstica e a economia doméstica. Falamos hoje bastante sobre a conservação de nossos produtos. Pois bem, tínhamos o hábito, ou o tínhamos há alguns anos, de praticar isso. Era um dos textos pregados e uma das políticas que nos eram exigidas, e, em grande medida, cumprida tanto quanto podíamos, dadas as condições em que nos encontrávamos. Mas, ultimamente, tem havido, sem dúvida, muita extravagância. O que quero dizer com isso não é obter um número de coisas que não podíamos obter, mas deixar que nossos desejos, nossas vontades, ultrapassem nossas necessidades, entregando-nos a luxos, alguns dos quais não são benéficos, mas, ao contrário, prejudiciais ao corpo humano. Essas coisas nos foram apontadas com muita clareza esta manhã, e espero que aquelas observações causem impressão nos Santos dos Últimos Dias.

É uma política muito pobre para um povo como o nosso exportar pouco ou nada e importar muitíssimo, importando com muita frequência coisas que poderíamos produzir nós mesmos em casa, se fôssemos prudentes, sábios, industriosos e cuidadosos. Notei particularmente o desperdício de frutas, alqueires e alqueires apodrecendo no chão, e depois mandarmos buscar frutas em conserva na Califórnia. Não há lugar onde possamos obter pêssegos melhores do que os que podemos cultivar bem aqui em Utah. Para mim, têm um sabor especialmente bom. Quando estive fora daqui e pude conseguir um pêssego cultivado em Utah, aquilo era, de fato, um pêssego para mim. Falo disto apenas como amostra de outras coisas que fazemos: desperdiçamos o que produzimos em casa, e depois mandamos comprá-lo de fora. É uma política muito pobre, e repito a observação de que é, de fato, uma vergonha e um desdouro para alguns de nós. Sei que há desculpas para isso, e talvez algumas razões, mas penso que a

insinuação que nos foi feita pelo Presidente esta manhã deveria bastar a todos nós para fazermos o que pudermos para poupar aquilo que produzimos e dar-lhe bom uso, e não "espalhar nossos caminhos a estranhos", nem espalhar nossas frutas pelo chão para que não sirvam a ninguém. Penso que, se gravarmos essa ideia em nossa mente, ela bastará em relação a muitas coisas que já produzimos, e talvez nos estimule a produzir coisas que ainda não trazemos, nem da terra nem por nossa indústria e habilidade.

Salvadores no Monte Sião

Tenho pensado, durante esta conferência, muitas vezes em um texto que usamos com bastante liberdade no mundo, não particularmente em relação a este assunto, mas que, penso, se aplica a ele tanto quanto a outras coisas: que nos últimos dias "levantar-se-ão salvadores no monte Sião, para julgarem a montanha de Esaú; e o reino será do Senhor." Se minha memória não me falha, é o último versículo do livro de Obadias, nas escrituras do Antigo Testamento. Temos usado bastante esse texto em relação à salvação dos mortos. Vi recentemente um periódico em que se afirma que a única maneira pela qual podemos tornar-nos salvadores no monte Sião é sermos batizados por nossos mortos. Sem desejar dizer uma só palavra contra isso, gostaria apenas de riscar a palavra "única". Penso que há muitas maneiras pelas quais os Santos dos Últimos Dias podem tornar-se "salvadores no monte Sião". A obra que estamos fazendo pelos mortos, realizando por aqueles que partiram ordenanças que eles próprios não podem cumprir, mas que podemos fazer por eles por procuração, é uma obra grandiosa e gloriosa, e alegra-me saber que ela está sendo realizada em grande escala. Em todos os templos construídos, os quatro templos que atualmente temos em uso, milhares e milhares de batismos pelos mortos são realizados de mês a mês, e recebemos os relatórios no Escritório do Presidente, de modo que podemos ver o que está sendo feito nesse sentido, e a obra é verdadeiramente maravilhosa. É claro que, quando consideramos as multidões de falecidos que estão no mundo espiritual e que jamais tiveram a oportunidade de receber essas ordenanças de salvação, o número pode parecer bastante pequeno por comparação, mas a obra prosseguirá, não apenas na condição em que nos encontramos, mas, quando o glorioso dia milenar for plenamente inaugurado, templos serão construídos em vários pontos desta grande terra de Sião, que se estende do norte ao sul deste continente, e a obra pelos mortos continuará, e os salvadores no monte Sião se multiplicarão em nossa posteridade, se acontecer de já termos partido daqui naquele tempo, e ela prosseguirá até que a obra seja plenamente consumada, e tudo o que for necessário seja feito para a redenção daqueles que faleceram sem terem tido oportunidade de ouvir o evangelho e de obedecer aos mandamentos do Senhor a esse respeito.

É uma obra grandiosa e gloriosa, e desejo gravar na mente de meus irmãos e irmãs reunidos nesta grande audiência hoje que sobre eles recai o dever de continuar esta obra, e de fazer tudo o que puderem para que seja devidamente realizada, segundo a mente, a vontade e o mandamento do Senhor, pois o mandamento recai sobre nós, e

é necessário para nossa perfeição, bem como para a perfeição de nossos antepassados, que essas ordenanças sejam realizadas, e nenhuma parte de nossa obra será desperdiçada. Virá o tempo em que aqueles que a princípio não aceitarem o evangelho, mesmo no mundo espiritual, estarão dispostos, por meio das experiências que terão de sofrer, a dobrar o joelho perante o Rei Emanuel e a reconhecê-lo como Senhor, para a glória de Deus, o Pai, e toda ordenança realizada por eles permanecerá em seu lugar e produzirá seu efeito em algum momento ou outro.

Muitas Maneiras de Sermos Salvadores

Mas há muitas outras coisas nas quais podemos ser salvadores. Podemos ser salvadores se cumprirmos as instruções que nos foram dadas esta manhã, isto é, cuidando daquilo que produzimos e dando-lhe o devido uso, empregando-o de preferência a mandar buscar em outros lugares artigos que talvez sejam de qualidade inferior; mas, de qualquer modo, devemos usar aquilo com que o Senhor nos abençoou nesta terra que nos deu, nestes vales montanhosos, e que pode ser feita produzir quase tudo o que é absolutamente necessário para nosso conforto e conveniência, como povo e como indivíduos. Se levarmos conosco desta conferência o desejo e a determinação, em nossos corações, de cumprir esta instrução em seu espírito e significado, isso significará muito para a salvação, tanto espiritual quanto temporal, do povo, e todo aquele que ajudar nesta gloriosa obra será um salvador no monte Sião.

Devemos também ser salvadores dos homens, enviando ou levando o evangelho a toda nação, parentela, língua e povo. Isso nos é imposto; isso nos é exigido. Estamos aqui na terra com uma missão a cumprir. Todo Santo dos Últimos Dias, todo homem, mulher, menino e menina nascido no convênio, ou que o tenha recebido, está sob a obrigação de fazer tudo o que for possível para a difusão da palavra do Senhor a todas as nações da terra. Muitos de meus irmãos aqui na tribuna e ao redor já saíram pelo mundo, e temos feito nossa parte, tanto quanto pudemos, para soar um aviso às nações da terra. Temos viajado extensamente entre as nações que hoje estão em guerra. Temos pregado e levantado nossa voz, e as temos advertido de tribulações e julgamentos vindouros, e agora essas coisas caem sobre elas. Vemos o cumprimento das palavras do Senhor; e, embora não nos regozijemos no sofrimento humano, não podemos deixar de nos regozijar no fato de que o Senhor nos deu a conhecer, há muitos e muitos anos, que essas coisas viriam, e nos mostrou como poderíamos escapar delas e ajudar outros a escapar delas também. Lembro-me das palavras do profeta Isaías, que temos citado muitas vezes, onde ele diz a Sião:

Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te por um só momento, até que passe a ira.

"Porque eis que o Senhor sairá do seu lugar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniquidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos à espada" (Isaías 26:20,21),

Essas coisas se cumpriram literalmente em nosso tempo e em nossa experiência; e quão gratos devemos estar por estarmos aqui nestas câmaras das montanhas, por Sião, trazendo boas novas, ter subido ao alto monte como Isaías predisse, por estarmos aqui habitando em lugares tranquilos e moradas pacíficas, exatamente como Isaías viu que estaríamos nos últimos dias (cap. 32), e por que, em meio às tribulações e perigos que grassam pelo mundo, temos a consolação de termos cumprido nosso dever e advertido os habitantes da terra dos julgamentos vindouros. E o Senhor disse que, após o nosso testemunho, viria o testemunho de terremotos e das ondas do mar erguendo-se além de seus limites, de inundações, de fogo e chamas, de espada, de guerras e rumores de guerras, e terremotos em diversos lugares, e estes são apenas "o princípio das dores" para os últimos dias. Ora, temos feito muito para advertir os habitantes da terra a esse respeito, e aqueles que às vezes saíram chorando voltaram trazendo sementes preciosas, e as plantaram bem aqui nas câmaras destas montanhas, e estamos rodeados de paz, boa vontade e bondade de coração entre as fileiras dos Santos dos Últimos Dias.

Às vezes há uma pequena agitação aqui e ali, uma pequena contenda, uma pequena disputa, uma pequena rixa, mas, na maior parte, "a paz de Deus, que excede todo o entendimento" repousa nos corações e nos lares dos Santos dos Últimos Dias. Podemos inclinar-nos perante o Senhor de manhã e à noite, e pedir suas bênçãos sobre nós quando partilhamos do alimento, no espírito de paz, bondade, caridade e amor por todos, e desejamos em nossa alma o bem-estar e a salvação da humanidade, e, seja o que for que haja para fazer nesse sentido, sentimos que queremos fazê-lo. Como povo, temos feito algo para ajudar a trazer o reinado da verdade e da liberdade, e o estabelecimento de bom governo e retidão na terra, mas o fim ainda não chegou, e a obra ainda está por fazer, e há mais para fazermos, para que possamos ser, de fato, cooperadores na salvação da humanidade nestes tempos turbulentos que têm vindo sobre o mundo. Nossos rapazes que partem para a frente, representando-nos, saem nesse espírito, como salvadores que vieram do monte Sião, levando consigo o espírito de Sião, dando bom exemplo a seus companheiros, seguindo um rumo que mostrará que somos um povo que observa as leis da saúde, da força e do vigor da masculinidade, vivendo vidas puras, dando bom exemplo ao mundo, e são objeto da admiração de outros que não praticam coisas tão boas.

Salvação Nacional e Internacional

Ora, "o fim ainda não chegou", como já disse. Mais homens terão de partir, mais recursos terão de ser levantados para levar avante esta boa obra, e não a fazemos no espírito de conquista, nem por mero desejo de vitória sobre nossos semelhantes, exceto para estabelecer retidão, verdade e paz na terra. Os grandiosos e gloriosos princípios a que nosso Presidente se referiu esta manhã, consagrados na Constituição de nosso país, têm de ser proclamados, e, se só por meio da guerra puderem ser proclamados,

então a guerra terá de vir, e teremos de nos empenhar nesta boa obra a qualquer custo e a qualquer sacrifício. Nisto, nossa causa é a salvação. Queremos salvar as nações do cativeiro, da tirania, da opressão, das garras da avareza e da ambição. Como aludiu o Presidente Lund, há um poder na Europa que busca espalhar-se pelo mundo e trazer toda a terra sob cativeiro. Mas os princípios consagrados na Constituição de nosso país são contrários a isso, e é parte de nossa missão, como filhos do Senhor, como salvadores no monte Sião, levar o espírito do bom governo, estabelecer a paz sobre princípios retos, estender a liberdade a toda a humanidade, liberdade em toda a extensão dos direitos humanos, que preserve também os direitos dos demais. Esse é o gênio de nosso governo, e isto tem de ser levado ao exterior, e tivemos de entrar na luta, "de bom ou de mau grado". Estamos com nosso país neste conflito. Sejamos razoáveis. Sejamos também generosos em nossos sentimentos, não estreitos de alma, mas sintamos que estamos empenhados em uma grande e gloriosa obra pela salvação da humanidade da opressão, da tirania e da autocracia. Isso é parte de nosso dever, parte de nossa obra como salvadores.

Os élderes se lembrarão de que, anos atrás, costumávamos repetir que fora predito pelo Profeta Joseph Smith que viria o tempo em que a própria Constituição de nosso país estaria em perigo, e os élderes desta Igreja se levantariam no poder e na força do santo sacerdócio, e ergueriam bem alto o estandarte da liberdade, e salvariam, ou ajudariam a salvar, este país dos males da opressão, da tirania e do derramamento de sangue. Lembremo-nos dessas coisas e, enquanto realizamos a obra de salvação pelos mortos, continuemos na obra de salvação pelos vivos. Produzamos aquilo de que necessitamos para nosso próprio sustento e conforto, e o que assim economizarmos poderemos usar em benefício do povo lá fora, e podemos plantar nos corações de nossos filhos o desejo de fazer o que é correto, de guardar os mandamentos de Deus, e educá-los nas fileiras de seu reino, pois "o reino é do Senhor". É verdade que nós, Santos dos Últimos Dias, aqui nestas montanhas em Utah, fazemos parte do grande governo dos Estados Unidos. Isso está certo; graças a Deus por isso, por termos influência nesta Nação, e por essa influência estar crescendo, e por sermos cada vez melhor compreendidos, e o caminho estar se abrindo para o cumprimento de tudo o que foi dito a respeito de Sião e de seu poder na terra; e usemos esse poder com sabedoria e retidão, com discrição e juízo, e não enlouqueçamos por coisa alguma.

Educando Nossos Filhos na Retidão

Ora, quanto a nossos filhos. O Irmão Lund falou consideravelmente sobre este assunto esta manhã. Está certo. Eduquemos nossos filhos em todas as coisas mencionadas em nossas Escolas Dominicais, em nossas Classes de Religião, em nossos departamentos das Primárias, e naqueles para os membros mais velhos da juventude de Sião, as Associações de Melhoramentos Mútuos, sustentando ao mesmo tempo aquela grande e gloriosa instituição, a Sociedade de Socorro. Todas essas organizações auxiliares são necessárias na Igreja; e as Escolas Dominicais, é claro, formam uma parte muito grande. O Irmão Lund falou sobre elas esta manhã, e estou acrescentando algumas palavras ao que ele disse, que desejo

enfatizar. Precisamos instruir nossos filhos, em casa e na Escola Dominical e nessas classes, em moralidade, em honestidade, em veracidade e em integridade.

Um bom número de nossos filhos, parece-me, não tem gravada em sua mente, plenamente, a necessidade de dizer a verdade e de evitar mentiras e falsidades. Nem todos compreendem a retidão e os benefícios de usar apenas aquilo que lhes pertence. Não quero particularizar demais, mas tenho conhecido crianças que, tendo acabado de sair da Escola Dominical, invadiam pomares e roubavam frutas, sem pensar que estavam causando muito mal, talvez encorajadas pela noção de que muita fruta se perdia no chão.

Assim, vejo a necessidade de ensinar a nossos filhos não somente a Palavra de Sabedoria, a abster-se de certas coisas — não direi uma só palavra contra isso, de modo algum, antes o enfatizaria, eduquemos nossos filhos a passar sem essas coisas que são prejudiciais ao corpo humano —, mas também de instilar neles, particularmente no lar, veracidade, honestidade, integridade, respeito pelos direitos alheios. Não deixeis que as crianças pequenas peguem brinquedos que pertencem a seus irmãos e irmãs sem a permissão daqueles a quem pertencem. É essa a ideia. É apenas um pequeno detalhe, mas o grande princípio é educar nossos meninos e meninas para que sejam honestos e digam a verdade, para que não mintam, para que não tomem coisas que não lhes pertencem, para que respeitem os direitos alheios. Esse é um dos princípios fundamentais de nossa fé. Queremos o privilégio de adorar a Deus segundo os ditames de nossa própria consciência, sem sermos incomodados, e queremos conceder esse privilégio a toda a humanidade. Isso é parte de nossa religião. Portanto, lembremo-nos disto, e, na educação de nossos filhos, não nos esqueçamos de ensinar-lhes esses princípios fundamentais de retidão e verdade, pois neles estará a força de nosso povo. A retidão exalta uma nação.

A Paz Não Virá sem Retidão

Precisamos ter governo reto, bom governo, ou a paz não perdurará, mas haverá guerra, tribulação, contenda, derramamento de sangue e todos os males que têm afligido a humanidade por muitos anos passados. Mas o momento de virada está próximo, o tempo de paz há de vir, e o Príncipe da Paz, Jesus Cristo nosso Redentor, há de vir e ser Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Creio nisto de todo o coração. Creio em Jesus Cristo como indivíduo, não meramente como ideia, não meramente como luz, não meramente como influência, mas creio em Jesus como filho de Maria e Filho de Deus, que ele foi o unigênito do Pai na carne, e que viveu e deu um exemplo esplêndido, não cometendo pecado, não fazendo mal algum, obedecendo a todo mandamento do Pai, e, sendo assim um ser sem pecado, pôde oferecer-se voluntariamente em sacrifício pelos pecadores, e morreu, "o justo pelos injustos", como diz Pedro, "para levar-nos a Deus". Creio nele, e que ele será nosso Rei, mas, antes que venha reinar na terra, haverá de haver grande preparação, e levará algum tempo até que isso se realize. É claro que compreendemos que certas coisas preditas pelo Profeta Joseph Smith hão de acontecer antes que esta geração passe, e o Senhor cuidará para que a geração em que essas coisas foram preditas não passe inteiramente até que tudo se cumpra; mas não há período fixo para uma geração, nenhum tempo determinado nas revelações de Deus, nenhum ano ou data dados para quando essas coisas hão de acontecer, e é loucura que alguém lhes fixe uma data. Deixai isso nas mãos do Senhor, e ele cuidará para que sua palavra se cumpra; "nem um jota nem um só til se omitirá", como Jesus declarou, "sem que tudo seja cumprido".

Reverência pelo Deus Verdadeiro e Vivo

Ao educarmos nossos filhos, devemos também plantar em sua mente a crença e a reverência por um Deus vivo e verdadeiro, o Pai de seus espíritos, para que aprendam a lição que Paulo ensinou, que "tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigir, e os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?" A crença em um Ser, um Deus pessoal, é o próprio fundamento e princípio de nossa fé. "Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo", e cremos neles como seres individuais que estão à frente, que formam o quórum presidente como uma trindade em unidade, estando o poder neles e procedendo deles, e "por meio deles e por eles os mundos foram criados, e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus". E, ao mandar buscar fora do Estado livros de instrução para nossos filhos, sejamos cuidadosos para não trazer demasiado do disparate incorporado em alguns dos livros didáticos de hoje, as ideias e noções dos homens, as teorias, inferências e raciocínios dos homens, e não fatos reais, sólidos e substanciais, ou a verdade propriamente dita. Deus é o Autor de todas as coisas no universo que foram organizadas para o progresso, para a salvação e para a bênção. Ele está à frente desta Igreja.

As Revelações do Profeta São a Palavra de Deus

As revelações que temos não são meramente palavras proferidas pelo Profeta Joseph ou por outros a quem foram dadas. São a palavra do Senhor. Não nos esqueçamos disso. Quando falamos de Joseph Smith como cientista, tudo bem, quando é para mostrar que coisas a ele reveladas como verdades foram desde então recebidas e compreendidas pelos eruditos de nossa época, e chegaram a eles sem saberem que ele as havia predito; mas foi ele o autor delas? Não o colocamos em oposição a eles, mas tomamos a palavra do Senhor, e não nos esqueçamos de que é a palavra do Senhor que nos foi dada, e esta Igreja está fundada sobre ela. Cristo orou ao Pai a respeito de seus discípulos: "Pai, santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade." A palavra do Senhor, meus irmãos e irmãs, é verdade e pode ser confiada, e podemos apoiar-nos nela e trazer tudo a ela, e essa deve ser, para nós, a norma. Não queremos impedir que os homens pensem.

Tenho ouvido alguns de meus irmãos dizerem: "Bem, quereis impedir que os homens pensem?" De modo algum. Liberdade para pensar, e liberdade para agir conforme o pensamento, desde que não se infrinjam os direitos alheios. Liberdade para pensar, liberdade para ler, liberdade para ter teorias, noções e ideias; mas, meus irmãos, não é da minha alçada, nem da vossa, introduzir na Igreja teorias que não estejam de acordo com as revelações que foram dadas. Não vos esqueçais disso. E, se alguma mudança de política houver de ser introduzida, ela há de vir pelo canal apropriado. O Senhor disse que somente seu servo Joseph deveria fazer isso enquanto vivesse, e que, depois de sua morte, outros seriam chamados para ocupar o lugar, e a chave está nas mãos do homem que está à frente, se alguma mudança houver de ser introduzida em nossa Igreja. Não fixemos demasiado nossa mente nas ideias e noções chamadas ciência. Se é realmente ciência o que produzem, algo demonstrado, algo comprovadamente verdadeiro, tudo bem, e não há doutrina alguma de nossa Igreja que eu possa encontrar que entre em conflito direto ou contradição com as ciências de nossa época, se de fato são ciências; mas muito do que se chama ciência é apenas filosofia, e grande parte dela é filosofia especulativa, e essas ideias mudam com as épocas, como podemos observar ao lembrarmos do que já se chamou ciência em tempos passados.

O Que Devemos Fazer como Salvadores dos Homens

Ora, irmãos, o que busco é isto: nós, Santos dos Últimos Dias, chamados a ser salvadores dos homens, chamados a ser salvadores deste mundo, chamados a ser salvadores que introduzem aquilo que salvará a humanidade e a elevará de seu estado mais baixo a uma condição em que seja apta a conviver com a Divindade, tenhamos o cuidado de plantar na mente de nossos filhos a verdade, e nada além da verdade, tanto quanto a possamos compreender, e, quanto às opiniões e noções dos homens, avaliemo-las pelo que valem, se tiverem algum valor, e algumas não têm nenhum, mas muitas têm. Não queremos tolher a mente dos homens, não queremos desencorajá-los de investigar e de estender-se ao campo do pensamento. O universo sem limites está diante de todos nós, para aprendermos, para vivermos, e para alcançarmos o padrão ocupado por nosso Pai Eterno, e para nos tornarmos aptos à sua companhia. Que nossa mente se amplie, que nosso entendimento aumente, e que tudo o que se prove verdadeiro, estabelecido e demonstrado passe a fazer parte de nossa crença; mas as teorias e noções dos homens que contradizem as revelações do Deus Todo-Poderoso não devem ser consideradas sob a luz em que algumas pessoas as veem. Sejamos muito cuidadosos quanto a essas coisas.

Ora, queremos ensinar essas coisas a nossos filhos, educá-los a crer no Deus vivo e verdadeiro, o Autor de nosso ser, nosso Pai celestial, e em Jesus Cristo, seu Filho, que morreu por nós, e sem cuja redenção, como lemos no Livro de Mórmon, nossos espíritos teriam sido banidos para sempre da presença divina, e nossos corpos teriam apodrecido no pó para sempre. Mas, por meio daquela expiação realizada por Jesus Cristo, e por nossa obediência a seus mandamentos, sairemos do pó e nos poremos de pé, e teremos todas

as coisas para as quais nos tornamos aptos por nossos próprios atos. O perdão dos pecados, a redenção do pecado pessoal, é uma doutrina de Cristo a ser obtida da maneira que ele designou. Ele morreu para que pudéssemos viver, e assim expiou o pecado de Adão. Ele morreu para que pudéssemos viver e alcançar a glória, se nos arrependermos e obedecermos a seus mandamentos e recebermos as bênçãos da maneira que ele designou; e nossa missão aqui no mundo, o que viemos à terra para fazer, é viver esse evangelho e levá-lo aos confins da terra, e enviá-lo a todos os povos, para que todas as nações possam ouvir o glorioso som das boas novas de salvação para a raça humana. E, quando tivermos concluído nossa obra terrena e entrado no mundo espiritual, que ali nos seja permitido levá-lo a qualquer parte das esferas espirituais, até mesmo ao inferno mais profundo, se necessário, na grande obra de salvadores dos filhos dos homens, para que as leis de Deus possam ser proclamadas, para que as verdades de Deus possam ser dadas a conhecer, para que seja dada oportunidade a toda a raça de Adão, no corpo ou fora dele, de receber a verdade e caminhar em sua luz, e chegar o mais perto possível, considerando suas condições, ações e feitos, o mais perto possível da luz, da glória e da presença do Pai. Estes são temas muito simples, muito claros, muito evidentes a todos nós.

Unidade entre os Líderes da Igreja

Ora, vivamos de acordo com os ensinamentos que nos foram dados esta manhã, andemos nos caminhos do Senhor, ensinemo-los a nossos filhos, demos bom exemplo a todo o mundo, afastemos de nós tudo o que é contrário à mente e à vontade do Senhor, e tornemo-nos santificados perante ele, um povo santo e poderoso, salvadores no monte Sião, e nosso reino, ou o reino em que estamos, é de fato do Senhor, e seremos seu povo. Que sua paz permaneça convosco, que as bênçãos e o poder de Deus repousem sobre o Presidente Smith e o curem plenamente, e sobre todos os nossos irmãos que trabalham com ele. Quero dizer que estamos unidos. Não há discórdia, não há contenda, não há disputa entre os líderes da Igreja. Estamos unidos em espírito. Bendizemos e louvamos o Senhor por sua bondade para conosco. Desfrutamos da presença, da companhia e do convívio uns dos outros. Somos uma banda de irmãos. Estamos entrelaçados e unidos. Somos um perante o Senhor, tanto quanto seres humanos, com as falhas e fraquezas da mortalidade, o podem ser; e amamos os filhos dos homens, e queremos ver a salvação vir a todos os povos que a queiram receber. Queremos ver a salvação vir a esta nação; queremos que os princípios do governo dos Estados Unidos sejam exaltados aqui e, por fim, por todo o mundo, como preparação para a vinda daquele a quem pertence o direito de reinar, Jesus, o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Que a paz e as bênçãos de Deus permaneçam com todos vós, por meio de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Penrose, “É com grande alegria e”, Conferência Geral de Abril de 1918, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1918-04-05). Pulpit Vault, 1918-04-04-charles-w-penrose-remarks. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).