Pulpit

Sinto-me feliz nesta manhã por

Anthon H. Lund

Conferência Geral de Abril de 1918·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1918-04-05

Sinto-me feliz nesta manhã por nosso Presidente ter podido falar-nos e dar-nos o tom desta conferência. Ele tem o amor dos Santos, e todos oram para que sua vida seja poupada e para que ele seja fortalecido para superar sua enfermidade. Gostamos de ouvir sua voz, gostamos de estar em sua companhia, e pedimos ao Senhor que poupe sua vida por muitos anos mais, para o bem dos Santos. Tenho ouvido com interesse as observações que ele fez nesta manhã.

A Palavra de Sabedoria

O Presidente Smith aludiu a certas coisas que não devíamos importar, e pensei em ler-vos apenas alguns parágrafos daquela bendita Palavra de Sabedoria que o Senhor deu aos Santos, uma palavra de sabedoria de fato, e muitos dos que não pertencem à nossa religião, mas compreendem o que é prejudicial e o que é bom para o corpo humano, reconhecem que é um conselho salutar para todos. O Senhor diz:

E também bebidas fortes não são para o ventre, mas para lavar vosso corpo.

E também tabaco não é para o corpo nem para o ventre e não é bom para o homem, mas é uma erva para machucaduras e todo gado doente, a qual se deve usar com discernimento e habilidade.

E também bebidas quentes não são para o corpo nem para o ventre.

E também em verdade vos digo: Todas as ervas salutares indicou Deus para a constituição, natureza e uso do homem —

Toda erva em sua estação e toda fruta em sua estação; todas essas para serem usadas com prudência e ação de graças.

Sim, também a carne de animais e a das aves do ar, eu, o Senhor, indiquei para uso do homem, com gratidão; contudo, devem ser usadas moderadamente;

Agrada-me que não sejam usadas a não ser no inverno ou em tempos de frio ou de fome.

Todos os grãos são indicados para uso do homem e dos animais, para ser o esteio da vida, não só para o homem, mas também para os animais do campo e as aves do céu e todos os animais selvagens que correm ou rastejam na terra;

E estes fez Deus para uso do homem apenas em épocas de escassez ou fome excessiva.

Vantagens da Proibição

Creio que seremos ao mesmo tempo mais saudáveis e mais ricos se seguirmos o conselho de não participar das coisas ali proibidas. Alegro-me por nosso Estado ter a lei seca, e espero que venha o tempo em que todos os nossos estados vizinhos façam o mesmo, e aprovem leis contra a fabricação e o uso de bebidas inebriantes. Se aprovarem leis como as que temos aqui em Utah e em Idaho, creio que a profissão dos contrabandistas de bebidas logo chegará ao fim, e espero certamente que sejamos capazes de lidar com essa classe de homens que preferem ganhar a vida vendendo essas coisas destrutivas. Creio que as pessoas que vivem sob leis de proibição poderão poupar mais recursos do que aquelas que vivem onde o bar é licenciado, e com essas economias poderão dar conforto à família, construir lares melhores e ajudar a sustentar nossa Nação em tempo de necessidade. Aconselharia todos os Santos dos Últimos Dias a estudarem as palavras que vos li esta manhã e a obedecê-las. Chamamos isso de Palavra de Sabedoria. E o é, e o Senhor a deu para o nosso bem. Ele não nos priva de prazer ou de deleite ao proibir essas coisas. Aqueles que delas desfrutam o fazem por terem primeiro se habituado ao seu uso. O tabaco não é nutritivo; pelo contrário, opõe-se à boa digestão, e só dá prazer aos que criaram um desejo por ele, e que dificilmente podem passar sem ele, tendo criado um hábito tão forte que, em vez de serem seus senhores, tornam-se seus servos e escravos. Os Santos dos Últimos Dias devem tornar-se livres, livres de hábitos que são nocivos, e devem ter força suficiente para abster-se daquilo que não é bom para o corpo, assim como para abster-se de fazer coisas que são prejudiciais ao espírito.

O Cuidado e a Educação dos Filhos

Gostaria de aludir a outro assunto. O Senhor nos abençoou com filhos, e, para a maioria dos pais, eles são os dons mais preciosos que possuem. Devemos cuidar de nossos filhos, irmãos e irmãs. Ouvimos relatos dos tribunais de menores que nos causam tristeza e pesar, isto é, pesar por aqueles que não vigiaram seus filhos nem cuidaram deles. Filhos criados em lares amorosos não estão tão expostos nem tão propensos a se desviar quanto aqueles que têm lares onde, em vez de amor, há brigas entre pais que formaram hábitos de vício degradante. Pais e mães, cuidai de vossos filhos, vede que sejam devidamente ensinados, vede que não formem hábitos viciosos; e fazei do lar um lugar tão feliz quanto possível para eles, para que o lar seja um lugar atraente. Fazei o que puderdes para que vossos filhos compreendam o que é correto, instilai em seus corações fé em Deus e vede que aprendam qual é a vontade do Senhor para eles aqui na terra. Que grande dever é a educação dos filhos, dever que foi posto sobre os Santos dos Últimos Dias e sobre todos os povos!

Não desejo abalar a confiança dos pais em seus filhos. Sei que Deus nos deu aquele bendito amor por nossos filhos que faz com que

mal consigamos ver falhas neles, mas lembrai-vos de que todos estão sujeitos a ter falhas, e por isso devem ser corretamente educados. Pais, não vos sintais demasiado confiantes de que vossos filhos estão seguros onde quer que vão. Temos tantas atrações à noite; os cinemas são baratos, e nossos jovens gostam de frequentá-los. Não direi que os cinemas são sempre maus. Muitos deles ensinam lições desejáveis, e, quando usados para instruir naquilo que é útil, o cinema pode ser uma força para o bem em uma comunidade; mas onde as películas representam coisas apenas para divertir, e até tentam tornar risíveis coisas que não são puras e boas, então causam grande dano.

Vede que vossos filhos frequentem a Escola Dominical. Que lugar tão abençoado para as crianças irem em uma manhã de domingo! Ali encontramos crianças de todas as idades, desde os pequeninos do jardim de infância até os rapazes e moças e até mesmo casais, agora que também temos classes de pais na Escola Dominical. As crianças gostam de estar ali. Elas se alegram com o cântico. São divididas por classes, de modo que seus professores possam alcançar seus pequenos corações e dar-lhes instrução adequada às suas necessidades. Ficam mais felizes indo à escola do que vagando pelas ruas ou se juntando a meninos e meninas que, como elas, faltam à escola.

Há também as Primárias. Ali nossas boas irmãs os ensinam e se esforçam por voltar seus corações para amar aquilo que é bom. Queremos também que nossas Classes de Religião e Escolas da Igreja sejam sustentadas. Estou satisfeito com o bom trabalho que se realiza nessas instituições, e também com a introdução de nossos seminários. Tendo um seminário próximo à escola secundária, nossos estudantes secundários podem ali frequentar e, além de suas demais matérias, receber lições de teologia e de história bíblica. Esses estudos são para o seu bem, e ajudam a afastar influências que tendem à incredulidade e à perda da fé.

Pais, guardai vossos filhos, e sabei onde estão e o que fazem, guardai-os contra absorver as ideias modernas de crer que o mundo é uma máquina que funciona por si mesma, e que Deus nela não é necessário. Que há um Deus costumava ser considerado uma verdade que não precisava de demonstração. Tão certo disso estava Davi, que escreveu: "O néscio disse no seu coração: Não há Deus." Queremos que nossos filhos sejam educados em uma firme crença em Deus, e em que ele é o autor de seu ser, e é seu Pai. Devemos ensinar-lhes que, sem ele, nem sequer poderiam respirar ou ter vida aqui, pois ele é o Autor da vida.

Instilemos em seus corações reverência e amor por Deus e por nosso Salvador; fazei-os saber o que o Salvador fez por nós, e que não há dúvida alguma em nossos corações a esse respeito, mas que sabemos que é uma verdade. Quando amam seus pais, crerão no que estes lhes ensinam, e não deixeis passar o tempo em que temos sua plena confiança, nem os deixeis crescer na ignorância da piedade, pois então poderemos descobrir que aprenderam outras coisas e chegaram a duvidar até da existência de Deus. Há um grande perigo diante de nossos jovens nas ideias modernas que lhes são ensinadas, e queremos estar vigilantes para que se apeguem à palavra de Deus, à barra de ferro, e a ela se agarrem, pois então estarão seguros em sua peregrinação pela vida

Nossa Atitude Perante a Grande Guerra

Hoje ouvimos falar das coisas horrendas que estão acontecendo na Europa. Estamos ansiosos por saber as notícias de lá. Já se passou um ano desde que entramos na guerra. Muitos pensaram que os Estados Unidos não precisavam entrar nesta guerra, mas nossos legisladores, o Presidente e seu Gabinete, consideraram necessário que os Estados Unidos se unissem àqueles a quem agora estão aliados do outro lado do oceano, para derrubar a ideia de que a força faz o direito, e de que o homem forte pode entrar na casa do mais fraco e destruí-lo a ele e a seus bens. Alguns disseram: "Bem, por que não deixá-los cuidar de seus próprios assuntos, e nós defendemos nossa terra quando aqui houver uma invasão?" Não queremos esperar por isso. Nosso dever não é apenas para conosco mesmos, mas também para com nossos vizinhos.

Quando estávamos aflitos com a guerra de Black Hawk no condado de Sanpete, vós, do povo de Salt Lake, não dissestes: "Que se cuidem por lá." "Não tememos que os índios venham a Salt Lake City"; antes, enviastes uma grande companhia de jovens para tentar manter os índios sob controle, e apreciamos isso. Descobrimos então quanta dificuldade e perda era estar em guerra, e certamente ficamos gratos a nossos irmãos dos condados mais baixos, que nos ajudaram.

Hoje procuramos combater um poder que deseja dominar, que já traçou planos para dividir a Europa e descer pela Ásia até o Golfo Pérsico ou até o Oceano Índico. Se este plano tiver êxito, poderão voltar seu poder para a direita ou para a esquerda, e seria muito difícil conter ou deter qualquer ataque assim feito. Os Estados Unidos entraram nesta guerra com os motivos mais desinteressados. Não conheço nenhuma outra nação que tenha sido tão desinteressada em oferecer seus recursos e até enviar seus jovens para ajudar os que estão em sofrimento e que são atacados sem causa. Que tinha feito a Bélgica para ser invadida e destruída? Que tinha feito a França naquele tempo, e até mesmo a Rússia? A Alemanha, sem dúvida, pensou que, com exércitos tão esplendidamente disciplinados como os que ela, junto com a Áustria, possuía — pois devemos admitir que esses exércitos são bem equipados e disciplinados —, tinha poder suficiente para subjugar tanto a França quanto a Rússia, e então chegaria a vez da Inglaterra. Mas descobriu que, pelo esforço unido dessas nações atacadas, a vitória não se alcançava tão facilmente quanto pensava.

As Ambições da Alemanha

Tomai os Hohenzollern — talvez não devesse mencionar certa família — mas eles afirmam, e se orgulham de dizer, que, desde que obtiveram Brandemburgo por compra e adquiriram a Prússia Oriental, cada governante sucessivo pôde acrescentar algo ao patrimônio que lhe fora deixado; e isto talvez seja verdade, mas de que modo? Como adquiriram essas grandes porções de terra que agora possuem? Atacaram a Áustria sob Maria Teresa e dela tomaram a Silésia; e depois, junto com a Rússia e a Áustria, dividiram a Polônia, e cada uma tomou uma grande fatia dela, não deixando a Polônia senão de nome: tomaram três ducados da Dinamarca em 1864.

A Áustria e a Prússia disputaram sobre quem os teria, o que levou à guerra, e então, sendo a Áustria derrotada, terras adicionais vieram aos Hohenzollern; e depois, tendo Bismarck incitado a França e levado Napoleão III a cair numa armadilha, de modo que este declarou guerra à Alemanha, este país, em pouco tempo, conquistou a França e a fez pagar uma grande indenização, tomando-lhe duas grandes províncias. Desse modo a Alemanha cresceu, e podemos crer que, se saírem vitoriosos, perderão essa cobiça de ganho e esse desejo de ampliar seu reino? Hoje não vemos o Atlântico como uma defesa ou salvaguarda tão grande contra a Europa quanto víamos nos dias da revolução. Naquele tempo tinham de enviar soldados em navios à vela, e levavam muito tempo para atravessar o oceano, mas hoje o Atlântico pode ser cruzado em poucos dias, e ainda não sabemos até que ponto se desenvolverá o transporte aéreo. Esta guerra fez a aviação desenvolver-se até tornar-se um braço importante na guerra, e o mesmo se diga do submarino. Que perigo é este último para a navegação! Não estamos hoje tão seguros da Europa quanto poderíamos pensar, e os homens sábios de nossa Nação decidiram que devemos estar preparados — preparados para enfrentar inimigos não somente do leste, mas até do oeste. Uma nação como a nossa, despreparada, mesmo com nosso grande número de homens, não poderia defender-se de um poder menor com tropas disciplinadas. Assim, em todo caso, estejamos preparados e ajudemos a encorajar nossos rapazes que vão defender a causa que adotamos.

Nosso Dever na Grande Luta

A Nação já despendeu grande quantidade de recursos, e mais recursos ainda serão necessários. Os Santos dos Últimos Dias, a quem agora me dirijo, devem fazer sua parte, e não sentir que podem deixá-la de lado, mas fazer como fizeram no passado, atendendo às exigências que lhes forem feitas. A guerra é coisa cara e horrenda, e creio que, se esta guerra puder ser vencida, a paz será mais permanente e estável. Se não for vencida, não tardará muito para que a questão tenha de ser novamente decidida.

Tolerância para com os Santos Alemães

Desejo dizer algumas palavras sobre nossos Santos alemães. Eles estão em uma posição difícil. É bem provável que seus vizinhos os considerem talvez inimigos estrangeiros, e, em alguns casos, espiões. Ora, desejo dizer que a grande maioria dos alemães que vieram a esta terra e se tornaram cidadãos dos Estados Unidos, creio, são honestos ao terem prestado o juramento de fidelidade, e amam este país. Há, contudo, um grande número de agentes inimigos que fazem muito mal, destruindo, por exemplo, propriedade do governo, fábricas de munições, pontes de ferrovias, e assim por diante, tentando fazer tudo para impedir o êxito dos Estados Unidos na preparação de material para a guerra. Não podemos, portanto, admirar-nos de que tenha surgido um sentimento de amargura contra os alemães. De fato, a espionagem da Alemanha se estende a um alcance maior do que a história jamais conheceu. Em quase todas as terras há espiões ao

soldo do kaiser, e mantêm seu governo informado do que se passa tanto aqui como em outras terras. Mas isto não deve nos tornar intolerantes para com aqueles que aqui vieram e se tornaram bons e honestos cidadãos. Aquela grande e sincera cidadania germano-americana não deve sofrer. Nossos irmãos que se filiaram à Igreja na Alemanha, que ali sentiram o jugo da autocracia e vieram a este país para serem livres para servir a Deus segundo os ditames de sua consciência — tenho certeza de que não são do tipo que sustentaria um país estrangeiro contra o nosso. Creio que são verdadeiros cidadãos americanos. Já tiveram opressão suficiente lá na Alemanha.

Lembro-me de que, na última vez em que visitei Berlim em companhia do Presidente Penrose, nos reunimos durante o dia com os élderes de lá. Haviam sido convocados, e passamos com eles um tempo esplêndido, e, à noite, nosso salão estava repleto de Santos e de seus amigos. Bons testemunhos foram prestados, e todos desfrutaram do espírito da reunião. Depois de encerrada a reunião, o presidente da missão, o Irmão Thomas E. McKay, veio até nós e disse: "Agora posso respirar mais livremente. Todo o dia temi que a polícia viesse prender-vos, irmãos."

Bem, não experimentamos tal tratamento naquela ocasião, mas o Irmão Rudger Clawson, mais tarde, teve de ir a uma prisão de Berlim, por ter sido encontrado em companhia de Santos dos Últimos Dias. Ora, essas pessoas sofreram ali por causa de sua religião, e vieram para cá e desfrutaram de plena liberdade para adorar a Deus segundo sua crença, e não anseiam por voltar a viver sob a autocracia alemã.

Não tomarei mais de vosso tempo. Regozijo-me por estar convosco, e espero que vos lembreis dos conselhos que nos foram dados por nosso Presidente. Sejamos tolerantes para com nossos irmãos e irmãs de origem alemã. Cuidemos de nossos filhos, para que sejam criados de maneira tementes a Deus, e demos-lhes nós mesmos um exemplo digno de ser seguido. Este é o meu conselho; e que Deus nos abençoe a todos, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoAnthon H. Lund, “Sinto-me feliz nesta manhã por”, Conferência Geral de Abril de 1918, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1918-04-05). Pulpit Vault, 1918-04-02-anthon-h-lund-remarks. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).