Pulpit

O mormonismo, o evangelho de Jesus

George Albert Smith

Conferência Geral de Outubro de 1916·Sessão da Tarde do Segundo Dia·1916-10-07

Se eu não soubesse que o Senhor é capaz e está disposto a inspirar os homens a ensinar a verdade, quando são chamados para a obra, mesmo quando eles próprios estão receosos, posso assegurar-vos que eu não estaria aqui hoje à tarde.

Tenho experimentado grande alegria no testemunho e na instrução de meus irmãos, e sou grato por me ser permitido estar aqui nesta conferência, para regozijar-me convosco. Sei que estamos identificados com a Igreja que nosso Pai Celestial restaurou nestes dias, e que, se fizermos nossa parte, alcançaremos a exaltação em seu reino celestial. Observando a vida de meus irmãos e irmãs por toda a Igreja, vejo evidência da divindade desta obra em sua conduta, e isso me dá esperança de que o fermento do evangelho fermentará toda a massa da humanidade. Já se fez referência ao fato de que este mundo está em tumulto, e de que aquelas nações que estão em guerra estão entre as chamadas nações cristãs. Compreendemos que sua condição lastimável não se deve ao cristianismo, mas ao fato de o povo ter-se afastado dos ensinamentos de Jesus Cristo. Nosso Pai Celestial sabia o que estava para vir quando, nestes últimos dias, restaurou o evangelho em sua pureza. Ele conhecia a apostasia no mundo entre seus filhos, e que estes se haviam afastado da verdade simples, e, em sua grande misericórdia, revelou esta obra dos últimos dias. Daquele país, escolheu um menino dentre o povo, e o inspirou a iniciar a obra que estava destinada a revolucionar o mundo religioso. Ele sabia que o mundo tateava nas trevas, e, em misericórdia, restaurou a luz. Não há outro meio pelo qual os filhos dos homens possam desfrutar a felicidade, senão por vidas de retidão, e as pessoas não podem viver vidas retas e estar em desarmonia com a verdade. Havia muita verdade no mundo, mas estava tão misturada com o erro que o próprio Senhor disse ao Profeta Joseph Smith que os homens que eram mestres e instrutores nas igrejas ensinavam como doutrina os mandamentos dos homens, e advertiu o menino de que não deveria identificar-se com eles. Ele então restaurou o evangelho, o poder de Deus para a salvação, a todos os que nele crerem e o obedecerem. O fato de nossos irmãos e irmãs de outras igrejas crerem em muito daquilo que cremos é para mim motivo de satisfação, e percebo que as várias denominações estão gradualmente absorvendo a verdade que foi revelada em nossos dias, e que elas haviam esquecido. Estão começando a ver a necessidade de reforma nas organizações religiosas. As Regras de Fé da Igreja de Jesus Cristo são as mesmas promulgadas quando a Igreja foi organizada; os mesmos princípios estão em vigor hoje. Não houve mudança neles, mas muitas das grandes igrejas do mundo mudaram seu credo para se conformar a

as exigências dos membros dessas igrejas, e, por vezes, mudaram seu credo repetidamente, à medida que nova luz lhes chegava. Perceberam as trevas em que estavam, e têm buscado algo mais importante do que aquilo que já possuíam, e, dessa maneira, estão gradualmente absorvendo as doutrinas do "mormonismo." É uma grande pretensão a que fazemos, e a fazemos sem receio de contradição, porque é a verdade, de que este é o evangelho de Jesus Cristo. Podemos ser poucos em número, comparados com as multidões da terra, mas temos a verdade e a autoridade do santo sacerdócio, e esta obra se espalhará até que se cumpram os decretos de nosso Pai.

Sinto hoje que devemos ser muito gratos por nossa sorte ter sido lançada em circunstâncias tão favoráveis. Quando olhamos ao redor e vemos as condições de nossos parentes em muitas terras, quando vemos nossos irmãos e irmãs em várias partes da terra sem a verdade, devemos, de fato, sentir que estamos dispostos a dedicar nossas vidas ao serviço do Senhor, em retribuição pelas bênçãos que desfrutamos. Quando compreendemos que, de seis membros em 1830, esta Igreja cresceu até contar centenas de milhares, vejo a mão de nosso Pai a agir com seus filhos. O crescimento desta Igreja não veio porque ela fosse popular. Deu-se apesar da oposição dos sábios do mundo; deu-se apesar da oposição dos mestres religiosos, e tem continuado a reunir aqui e ali espíritos escolhidos que viveram de tal maneira que puderam compreender a verdade. A falta de fé

no mundo hoje seria assustadora, não fosse o fato de que o Senhor estendeu sua mão para redimir Israel. A condição da humanidade hoje, sua falta de conhecimento de que Deus vive, não é inteiramente resultado de seu desejo de fazer o mal, mas é resultado de terem feito o mal, da desobediência aos mandamentos de Deus. Por toda a terra, os que não têm fé em Deus não cumpriram seus ensinamentos, não escutaram os sussurros da voz mansa e suave, não fizeram o melhor que podiam, do contrário o Senhor não os teria abandonado. O Espírito de Deus continua a lutar com os homens em toda parte, enquanto estes se esforçarem por guardar seus mandamentos. Quando os homens abandonam a verdade, recusam-se a fazer o que é certo, o Senhor, por necessidade, retira seu Espírito, e os homens ficam entregues aos ataques do adversário.

Hoje, este corpo de povo, este pequeno punhado de filhos de Deus, tem a responsabilidade de proclamar a verdade aos milhões que estão nas trevas. Essa é uma grande obra. No momento, estamos excluídos de muitas das nações da terra, mas nosso Pai Celestial, em sua sabedoria, colocou-nos numa grande nação livre, amante da liberdade, onde temos o privilégio de proclamar a verdade e ensinar seu evangelho. Ele tem conduzido pessoas de todas as partes da terra, uma aqui, outra ali; foram tocadas em seus corações, investigaram e receberam a verdade, e sua ansiedade tem sido por aqueles de quem descendem, o povo de sua própria raça. Missionários têm viajado por toda a terra em consequência disso, e as verdades do evangelho de nosso Senhor têm sido proclamadas de maneira convincente a muitas centenas de milhares dos filhos de nosso Pai. Quando falo do campo missionário, percebo a grande obra que há de ser realizada. Estou impressionado, meus irmãos e irmãs, com a importância de preparar-se para a obra. Não basta que um jovem manifeste seu desejo, por causa de sua confiança em seus pais, de fazer o que eles querem que faça, ir ao mundo e pregar o evangelho; não basta que atenda ao chamado que nosso Pai Celestial faz, de tempos em tempos, por meio de seus servos, para o serviço missionário; mas é também necessário que se qualifique para a obra, pesquise as escrituras e aprenda o que o Senhor deseja que ele saiba. É importante que nossos filhos e filhas se firmem em sua fé e saibam, como sabem seus pais, que esta é a obra de nosso Pai.

Se eu, como pai em Israel, deixar de imprimir em meus filhos a importância desta obra, e mais tarde eles forem chamados a ir ao mundo para ensinar, parece-me que eu me arrependeria de não ter feito minha parte plena, se tivesse negligenciado instruí-los devidamente. Uma dúzia de homens qualificados para a obra vale mais no campo missionário do que uma centena que ignoram a verdade e que eles próprios precisam ser ensinados antes de serem capazes de explicá-la a outros. A oportunidade de ensinar o evangelho aumentará depois da guerra, e pregadores do verdadeiro evangelho estarão em demanda. Não conheço melhor campo para nos qualificarmos do que aqui mesmo, em nosso lar.

Percebeis, irmãos e irmãs, que nesta cidade, sede da Igreja, há aproximadamente cinquenta mil pessoas que pouco sabem do evangelho de Jesus Cristo? São nossos vizinhos, são filhos de nosso Pai, identificam-se com outras igrejas, ou então não pertencem a igreja alguma, mas creio poder afirmar com segurança que noventa por cento delas não têm a menor ideia do que realmente é o evangelho de Jesus Cristo. Creio que o maior campo missionário de todo o mundo está nos vales destas grandes montanhas. Se nós, como membros da Igreja, estivéssemos guardando os mandamentos de Deus, se déssemos à verdade o valor que devemos, se nossas vidas se conformassem às belezas de seus ensinamentos, de modo que nossos vizinhos, observando nossa conduta, se sentissem constrangidos a buscar a verdade, estaríamos fazendo uma esplêndida obra missionária. No último ano, tive o privilégio de encontrar e conversar sobre o evangelho com alguns homens que vivem nesta comunidade, e que não são membros de nossa Igreja. Um deles residia aqui havia vinte anos, um homem de vida acima de qualquer reprovação, bom cidadão, esplêndido homem de negócios, e que nutre sentimentos amistosos por nosso povo. Disse-me que morava aqui havia vinte anos, e que havia chegado à conclusão de que éramos tão bons quanto nossos vizinhos que são membros de outras igrejas; não conseguia ver diferença alguma em nós. Quero dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que isso não é elogio algum para mim. Se o evangelho de Jesus Cristo não me torna melhor homem, então não me desenvolvi como deveria, e se nossos vizinhos que não pertencem a esta Igreja podem viver entre nós, ano após ano, e não ver evidência alguma dos benefícios que provêm de guardar os mandamentos de Deus em nossas vidas, então há necessidade de reforma em Israel. O que digo de Salt Lake City é verdade também de nossas outras cidades. Homens e mulheres dão por certo que sabem o que cremos.

Muitos deles chegaram entre nós já preconceituosos, e, por alguma razão, não parecemos dar valor suficiente às suas almas para nos desviarmos de nosso caminho e planejarmos um pouco para entrar em seus lares, remover esse preconceito e ensinar-lhes a verdade simples.

Posso dizer, com referência àquele homem, que, depois de conversar com ele por cerca de duas horas no trem, "Ora," disse-me ele, "Senhor Smith, isso é belo para mim. Creio que deveríeis enviar vossos missionários a homens como eu, aqui mesmo em Salt Lake City. Há centenas de homens aqui que gostariam de ouvir o que me destes a conhecer esta noite, e seríamos homens melhores por essa instrução." Contou-me que empregava membros de nossa Igreja, alguns ex-missionários, e que nenhum deles jamais lhe havia falado do evangelho. Eu disse: "Não esperaríeis que um homem vos pedisse tempo em vosso escritório para vos ensinar o 'mormonismo'. Se o convidásseis a entrar, ele teria prazer em explicar suas opiniões." Então ele disse: "Vossos missionários que estão no mundo vão apenas aos lares aonde são convidados?" Isso despertou um pensamento em minha mente: estais cumprindo vosso dever? estamos realizando a obra que o Senhor confiou aos nossos cuidados? percebemos a responsabilidade que recai sobre nós? ou estamos deixando-nos levar ociosamente pela correnteza, seguindo a maré, dando por certo que, no último dia, seremos redimidos?

É minha firme convicção, meus irmãos e irmãs, de que, a menos que nos movamos mais do que estamos fazendo, quando formos para o outro lado do véu, encontraremos ali homens e mulheres que foram nossos vizinhos e companheiros, e que viveram entre nós, e que nos condenarão por termos sido tão desconsiderados para com eles, ao não lhes falarmos da verdade do evangelho de nosso Senhor. Quando um homem está doente, se ele é nosso vizinho, ministramos-lhe com alegria; se há uma morte em sua família, procuramos confortá-lo. Mas, ano após ano, permitimos que ele caminhe por sendas que destruirão sua oportunidade de vida eterna; passamos por ele como se fosse coisa de nenhum valor. Isto é, alguns de nós assim procedem. Reconheço que há entre nós muitos homens e mulheres excelentes, cujos corações ardem de desejo de fazer o bem no mundo. Creio que o campo missionário aqui mesmo em casa, aqui mesmo entre os Santos dos Últimos Dias, é o melhor que podemos encontrar em qualquer lugar. Muitas pessoas aqui, se formos até elas e lhes ensinarmos a verdade, verão as belezas do evangelho, porque veem alguns dos frutos do "mormonismo" na vida de seus membros, e sinto que devemos perceber a importância desta obra. Passamos a maior parte de nosso tempo, muitos de nós, buscando as coisas desta vida que seremos obrigados a deixar quando partirmos daqui, e, no entanto, há almas imortais ao nosso redor, as quais, se quiséssemos, poderíamos ensinar e inspirar a investigar a verdade, e implantar em seus corações o conhecimento de que Deus vive. Que tesouro em todo o mundo poderia ser tão precioso para nós, pois teríamos sua gratidão aqui e sua eterna e perpétua estima no mundo por vir? É uma missão da maior importância. O Senhor tem prosperado os Santos dos Últimos Dias. Somos abundantemente abençoados, e, agora que fomos colocados numa posição além da necessidade, é nosso dever cessar de lutar pelas coisas que perecem nesta vida, o tempo todo ou mesmo a maior parte do tempo, e pensar em

os filhos de nosso Pai Celestial que necessitam de nosso ministério e que são nossos vizinhos.

Uma das primeiríssimas revelações dadas por nosso Pai Celestial, contida em Doutrina e Convênios, diz o seguinte:

"Agora eis que uma obra maravilhosa está para iniciar-se entre os filhos dos homens;

"Portanto, ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que vos apresenteis sem culpa perante Deus no último dia."

Ora, não entendo que estejamos servindo a Deus com todo o nosso poder se abandonarmos seus filhos, ou se gastarmos tanto de nosso tempo edificando-nos egoisticamente a nós mesmos, acumulando as coisas desta vida, e deixarmos seus filhos nas trevas, quando poderíamos trazê-los à luz. Meu entendimento é que a mais importante missão que tenho nesta vida é: primeiro, guardar os mandamentos de Deus, tal como me foram ensinados; e, em seguida, ensiná-los aos filhos de meu Pai que não os compreendem. Pouco importa, quando eu for para o outro lado, se fui um homem rico neste mundo ou não, a menos que tenha usado essa riqueza para abençoar meus semelhantes. Ainda que eu seja um errante neste mundo, e sofra pelas necessidades da vida, se, em razão do conhecimento que meu Pai me deu, eu me dedicar à instrução de seus filhos, a plantar fé em seus corações, a dissipar os erros que lhes chegaram por tradição, creio que, quando for para o outro lado, encontrarei ali uma conta bancária incomparável com o que eu teria, se tivesse vivido somente para as coisas desta terra. Li uma parte da seção 4, e quero ler novamente aquele último versículo:

"Portanto, ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que vos apresenteis sem culpa perante Deus no último dia;

"Portanto, se tendes desejo de servir a Deus, sois chamados ao trabalho."

Não é necessário que sejais chamados para ir ao campo missionário, a fim de proclamar a verdade. Começai pelo homem que mora na casa ao lado, inspirando confiança nele, inspirando nele amor por vós, por causa de vossa retidão, e vossa obra missionária já terá começado,

"Porque eis que o campo já está branco para a ceifa; e eis que aquele que lança a sua foice com vigor faz reserva, de modo que não perece, mas traz salvação a sua alma;

"E fé, esperança, caridade e amor, com os olhos fitos na glória de Deus, qualificam-no para o trabalho.

"Lembrai-vos da fé, da virtude, do conhecimento, da temperança, da paciência, da bondade fraternal, da piedade, da caridade, da humildade, da diligência.

"Pedi e recebereis; batei e ser-vos-á aberto."

Irmãos e irmãs, façamos a obra missionária que está à nossa porta, preparando nossos filhos e filhas para a obra missionária que será deles quando esta terrível guerra terminar. Não tardará muito até que haja demanda por homens e mulheres capazes, nesta Igreja, para ensinar a verdade em partes da terra de onde, até agora, temos sido excluídos; e, se quisermos ter alegria eterna no reino de nosso Pai, com aqueles com quem ele nos abençoou aqui, sejamos desprendidos em nossas vidas; preparemo-nos para a obra, e saiamos ao mundo para proclamar a verdade, quando

vier a oportunidade, e sejamos o instrumento nas mãos de nosso Pai para trazer de volta a ele seus filhos, ensinando-lhes as belezas de seu evangelho.

Oro para que seu Espírito esteja por todo o Israel, para que o amor pelos filhos de nosso Pai esteja em nossos corações, para que percebamos a importância de nossa missão no mundo, enquanto nos apegamos às coisas que não são nossas, que apenas nos são emprestadas como mordomos, para que não esqueçamos o dom inestimável, o privilégio inestimável, ao nosso alcance, de ensinar o evangelho e salvar as almas dos filhos dos homens. Oro para que essa bênção seja nossa, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoGeorge Albert Smith, “O mormonismo, o evangelho de Jesus”, Conferência Geral de Outubro de 1916, Sessão da Tarde do Segundo Dia (1916-10-07). Pulpit Vault, 1916-10-12-george-albert-smith-remarks-12. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).