Um Fundamento Firme
Charles W. Penrose
"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti, porque confiará em ti." Sim. Se há algum povo no mundo que desfrute de paz mais perfeita do que os Santos dos Últimos Dias, não travei conhecimento com ele, nem pessoalmente nem por investigação. Certamente devemos depositar nossa confiança no Senhor, e creio que o fazemos em grande medida, e nisso encontramos paz. ¶
Se tivemos alguma dúvida a respeito de Deus, de Sua personalidade e de Sua vontade para com Seus filhos, elas se dissiparam quando recebemos o evangelho revelado nos últimos dias por meio do profeta Joseph Smith. Nossos pés foram colocados sobre o fundamento firme. Sabemos que Deus é o Senhor, e estamos plenamente satisfeitos, creio, com a verdade da declaração feita por nosso Presidente nesta manhã, de que o Pai é um personagem, não um mero sopro espiritual imaginário, e que Jesus Cristo de Nazaré, nascido da Virgem Maria, é Seu Filho unigênito na carne, e que fomos feitos à imagem deles, tal como revelado nas escrituras, tanto antigas quanto modernas, e, quando oramos, oramos àquele a quem Jesus Cristo orava, a quem ele ensinou seus discípulos a orar como nosso Pai nos céus, e a quem Adão orava no Jardim do Éden e ensinou seus filhos a orar. Isto é muito claramente mostrado no livro chamado Pérola de Grande Valor, na palavra do Senhor dada a Moisés, e também na palavra do Senhor dada, antes disso, a Enoque. Estas coisas são muito claras e simples para nós pelas revelações dadas nos últimos dias por meio do profeta Joseph Smith; e, embora não adoremos Joseph Smith, adoramos, com ele, o grande Pai Eterno, o grande Eloim, aquele Ser de quem falou o salmista quando disse: "Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses." Paulo se referia a ele quando disse que havia "muitos deuses, e muitos senhores, quer no céu quer na terra, mas para nós há um só Deus, o Pai, e um só Senhor, Jesus Cristo;" e a eles rendemos adoração. Também rendemos homenagem, em grande medida, ou deveríamos fazê-lo, ao homem escolhido por Deus nos últimos dias, quando ainda era apenas um menino, para começar a lançar os fundamentos da obra dos últimos dias, para representar o Senhor na inauguração da "dispensação da plenitude dos tempos." Meu coração se enche por ele quando cantamos "Louvor ao homem que com Jeová se comunicou! Jesus ungiu aquele profeta e vidente; Bendito por abrir a última dispensação, Reis o exaltarão e Nações o reverenciarão." Enquanto o Irmão Tony Lund, nesta manhã, cantava a bela canção composta pelo Presidente John Taylor, que em parte sofreu o martírio com o profeta, "O vidente, o vidente, Joseph o vidente!" cada palavra e cada nota penetraram em meu coração; e há para mim uma peculiaridade nisto: desde a primeiríssima vez que li algo a respeito de Joseph Smith, quando eu ainda era apenas um menino, pareceu partir de mim para ele uma corda vibrante correspondente em minha alma. Quando estive diante do mundo, nas ruas e nos salões do povo, e prestei testemunho de que Joseph Smith era um profeta do Deus vivo, pareceu haver um despertar em toda a minha natureza ao prestar aquele testemunho, uma afinidade entre mim e o profeta que jamais vi com meus olhos naturais. Creio que Joseph Smith foi um dos poderosos de quem lemos nas escrituras antigas e, em alguns lugares, nas modernas. Ele foi um dos poderosos, e foi reservado para vir à terra nos últimos dias, nesta última dispensação, para ser o instrumento nas mãos do Pai e do Filho, para restabelecer a Igreja de Cristo e introduzir no mundo princípios cujo conhecimento se havia perdido por eras, e revelar a palavra do Senhor especialmente para esta geração, a fim de que um povo pudesse ser preparado para o estabelecimento do reino de Deus, o reino de nosso Senhor Jesus Cristo. Creio que ele é um dos grandes e poderosos espíritos que ministraram diante do Senhor. ¶
A história completa de nosso estado pré-existente, de qualquer um de nós, de qualquer pessoa que tenha vivido na carne sobre a terra, não nos foi dada. Não aprouve ao Senhor revelar muito a esse respeito, mas o fato foi tornado tão claro e patente às nossas mentes que nos firmamos na fé de que vivemos antes de vir para cá e que, portanto, viveremos depois de partirmos daqui; que somos filhos e filhas daquele grande e poderoso Ser, que possuía a plenitude da inteligência e era o maior de todas as inteligências que existiam naquele estado. Ele é o Ser a quem adoramos; a ele devemos nossa existência e condição pessoal, organizada e consciente. Ele nos gerou: somos Seus filhos, e, portanto, devemos-lhe plena lealdade. E aprendemos, por meio das revelações de Deus nos últimos dias, particularmente na 76ª seção da Doutrina e Convênios, que os mundos que foram criados têm habitantes, e que estes são "filhos e filhas gerados para Deus." Não importa quem tenham sido seus progenitores imediatos, todos convergem para o grande Pai Eterno, o Pai de Jesus Cristo, o Deus de Jesus Cristo, e nosso Pai e nosso Deus; e, quando oramos, oramos a ele, e a ele devemos plena lealdade, porque ele é nosso Deus, nosso Rei, nosso Criador e nosso Pai. É claro que, quando uso o termo "criador" ou "criação," adoto a interpretação do profeta Joseph Smith, que disse que o termo significava organizador, ou organização, conforme o caso. O termo "criar" havia sido usado para significar algo feito do nada, e o profeta Joseph dissipou essa falácia enquanto habitava conosco na carne. Assim, entendemos que, quando se usa a palavra "criar," significa organizar, reunir átomos existentes, eternamente existentes, para o propósito especial para o qual são organizados. Ora, estas estão entre um grande número de verdades que o Senhor nos revelou por meio do profeta Joseph Smith, e devemos ter isto em mente e lembrá-lo, assim como devemos sempre lembrar Jesus, o Salvador, o Cristo, tal como nos foi ensinado nesta manhã pelo Presidente Lund em suas observações a respeito da forma usada no Sacramento. Devemos sempre lembrá-lo, não que desejemos curvar-nos e adorá-lo, mas devemos honrá-lo em seu lugar, assim como devemos a todos os que forem chamados a ocupar posição semelhante, sucedendo-o no ministério. ¶
Tive o prazer de ouvir o testemunho do Presidente Smith, nesta manhã, a respeito de sua posse das chaves que foram reveladas ao profeta Joseph Smith e que têm sido transmitidas a seus sucessores; e Joseph F. Smith as detém hoje, como o profeta Joseph as detinha, e ele está à nossa frente como Presidente da Igreja, e olhamos para ele como o fim de toda controvérsia. Não deveríamos, na verdade, ter controvérsias em nossa Igreja, porque as revelações de Deus são tão claras e simples para nós, se as lermos com mente compreensiva e desejo de recebê-las tal como são dadas. Não devemos ler para encontrar defeitos ou apontar falhas ou criar contradições aparentes, mas recebê-las em nossas almas, e não apenas "receber," mas "conceber" a palavra da vida, como costumava ensinar o irmão Heber C. Kimball. Alguns de nossos irmãos ficam tão ansiosos por criar contradições aparentes que tomam passagens da escritura antiga e moderna e, quase diria, inventam, e as colocam de tal forma que parecem conflitar entre si, e então querem que o Presidente da Igreja lhes explique o assunto e pesquise nas escrituras para lhes apontar onde podem encontrar apoio para suas noções e ideias. ¶
O Presidente aludiu a algumas destas coisas nesta manhã, e o conselho que nos deu é muito pertinente e muito necessário no momento presente, e, se nossos irmãos, e talvez algumas poucas de nossas irmãs, deixassem esse tipo de sofisma, quando buscarem, quando procurarem, certamente encontrarão. Se estiverem buscando contradições, hão de encontrá-las, mas se estiverem buscando a palavra da vida, hão de encontrá-la, e nela se regozijarão, e tudo ficará claro e simples diante de suas mentes. Nisso me comprazo, e me regozijo no evangelho de Jesus Cristo, tal como nos foi revelado nestes últimos dias, por causa de sua clareza. Sou um com o profeta Néfi neste sentido. Ele disse: "Minha alma se deleita na clareza," e isto tem sido uma alegria para mim desde que ouvi pela primeira vez o evangelho. ¶
Quando aprendi pela primeira vez algo a respeito de uma pessoa como Joseph Smith, li sobre ele num livro escrito por um francês, que estava presente quando Joseph Smith pregou a alguns índios, e ele relatou as circunstâncias, e havia algo naquela narração que me fascinou antes mesmo de eu ouvir o evangelho pregado nos últimos dias; e então, quando o ouvi, aquele mesmo sentimento e espírito entraram em minha alma, e desejei saber mais a respeito deste Joseph Smith. Agradeço a Deus por ter aprendido sobre ele; agradeço a Deus porque, quando ouvi o evangelho pregado, ele encontrou lugar em minha alma, eu estava preparado para ele daquela maneira singular e simples, e, desde então, há algo no próprio nome de Joseph Smith, em sua obra e missão, que me emociona em cada parte do meu ser. Regozijo-me em prestar testemunho, como o tenho feito em muitos países e em muitas ocasiões, de que Joseph Smith foi de fato um profeta do Deus vivo, que viveu como profeta, que morreu — isto é, seu espírito deixou seu corpo — como profeta, que ainda está ministrando nessa capacidade onde foi, numa esfera oculta de nossa vista, assim como nosso estado anterior está oculto de nossa visão. Mas ele vive, e não será mais perturbado pelos tiranos que o perseguiram; não será mais perturbado pelos falsos relatos levantados contra seu caráter; não é mais perturbado pelos conflitos da vida, pois teve de lutar contra a corrente o tempo todo, à medida que se esforçava ano após ano. Mas ele partiu, por um tempo, do olhar do mundo e do nosso olhar, e agora trabalha no mundo por trás do véu, naquela vasta esfera onde há tantos dos filhos de Deus que viveram na carne e partiram antes de nós. Sua obra está ali agora, enquanto nossa obra ainda está aqui, por um tempo, sobre esta terra; e ele nos deixou um legado a respeito daqueles de nossos antepassados que não receberam o evangelho. ¶
Há uma grande e gloriosa obra confiada aos Santos dos Últimos Dias, não apenas a de levar ou enviar o evangelho a todas as nações da terra, a toda nação, tribo, língua e povo, mas também a de labutar pela salvação de seus progenitores falecidos. Que grande obra há de ser feita por eles, e quão pouco sabemos de sua condição real por trás do véu! Sem dúvida, o que foi revelado a respeito do mundo dos espíritos é claro e verdadeiro, até onde vai. É evidente que, quando o espírito do homem, que é a personalidade real, deixa o corpo, esse espírito vai para onde deve ir. Há uma espécie de julgamento preliminar. Diz-se-nos que voltamos para casa, para o Deus que nos deu a vida, assim como lemos nas antigas escrituras: "E o pó voltar à terra, como o era, e o espírito voltar a Deus, que o deu." Não que isso signifique que vamos para o céu, como se ensina no mundo cristão, na sociedade e presença imediata do Pai, mas, diz-se-nos, somos consignados a uma ou outra parte daquele mundo espiritual, ao Paraíso de Deus, onde vão os bons, onde descansam de seus labores, tristezas, trabalhos e aflições, de todos os males que os cercavam na carne. Livres do corpo, são capazes de receber mais luz e inteligência, e de usar a experiência que adquiriram para o benefício uns dos outros, e também, como o Salvador, para o benefício daqueles que vão à outra parte daquele grande mundo dos espíritos, o mundo para onde vão os iníquos e os corruptos. Muitas vezes penso que deve ser um tempo terrível, bem como um lugar terrível, para os corruptos, iníquos e abomináveis que amaram e fizeram a mentira enquanto habitavam na carne, e que cometeram toda sorte de iniquidade e corrupção, quando assim reunidos. Que companhia! Que associações! Que miséria deve haver entre eles! Os bons se reúnem no Paraíso, e os iníquos estão juntos no Hades. ¶
Pois bem, há de fato um grande campo de labor para os filhos de Deus, e talvez as filhas de Deus, depois que deixam o corpo. Continuam à imagem do Pai e do Filho, e têm uma obra a realizar no grande plano de redenção humana; pois há de vir o tempo em que todos os que puderem ser redimidos serão redimidos. Deus é um grande economista. Tudo o que puder ser salvo será salvo, e somente o que não puder ser salvo será perdido. Isto se deve à operação de princípios eternos. Depois de desafiar a verdade e amar mentiras, lutando contra aquilo que uma vez testificaram e sabiam ser verdade, possuídos por malícia e assassinato, a justiça os reclama, e por isso não estão no plano de redenção; não podem receber a glória que há de vir, nem mesmo os corruptos que se arrependem e são levantados para a glória telestial. Nem mesmo essa glória herdarão. Vários de nossos irmãos ficam bastante confusos com o que se diz destes "Filhos da Perdição." Na 76ª Seção da Doutrina e Convênios diz-se-nos que todos os demais, exceto estes filhos da perdição, sairão e serão redimidos. Isto significa que sairão para um dos três graus de glória, o celestial, o terrestre ou o telestial. Têm a ideia de que os filhos da perdição não serão ressuscitados, porque ali se diz que "todos os demais sairão." ¶
Quero ler-vos apenas um versículo da Doutrina e Convênios que espero que ponha fim a esta pequena questão, para que não haja mal-entendido nem disputa a respeito dela. Está na 88ª seção, que é uma revelação gloriosíssima de Deus ao profeta Joseph Smith. São todas boas, são todas gloriosas, mas há algumas que me são ainda mais especiais, e esta é uma delas. Considero a 76ª seção da Doutrina e Convênios a mais gloriosa revelação a respeito da condição futura da humanidade já impressa. Espero que a tenhais lido, todos vós, e que ainda a leiais, e que aqueles que não a estudaram a estudem cuidadosamente. Ora, não lerei toda esta seção que trata da ressurreição. Encontrá-la-eis do vigésimo quinto ao trigésimo primeiro versículo desta 88ª seção, a respeito da glória celestial, da glória terrestre e da glória telestial, assim como também lereis a respeito delas na 76ª seção. Esta é uma revelação posterior. Ora, depois de falar daqueles que sairão e serão vivificados pela glória celestial, e depois daqueles que sairão, vivificados pela glória terrestre, e o restante que receberá a glória telestial, diz no trigésimo segundo versículo: ¶
"E os que restarem também serão vivificados; contudo, regressarão a seu próprio lugar para usufruir aquilo que estiverem dispostos a receber, porque não estavam dispostos a usufruir aquilo que poderiam ter recebido." ¶
Isto mostra que há quatro grupos de seres ressuscitados: os que são vivificados pela glória celestial, porque obedeceram às leis celestiais; os que são vivificados pela glória terrestre, porque não receberam o evangelho na carne, e ainda assim muitos deles eram pessoas honradas — estes serão vivificados pela glória terrestre; e depois o restante que fica, os corruptos, os iníquos e os abomináveis, que, depois de pagarem o último ceitil de suas dívidas de pecado, saem, e também eles serão vivificados e receberão a glória telestial. Mas então, os que restam, quem são eles? São aqueles que não são redimidos para nenhuma dessas glórias. No devido tempo do Senhor, também eles serão vivificados, mas regressarão a seu próprio lugar, e esse "próprio lugar," diz-se-nos, é com o diabo e seus anjos, e a altura, a extensão, a profundidade e o fim de seu castigo nenhum homem sabe, pois o Senhor não o revela, exceto a bem poucos, e então ele fecha a visão, diz ele. Assim, agora, irmãos, se algum de vós se sentiu um pouco confuso com estas passagens de escritura na 76ª seção, deixai isso de lado e tomai o que acabei de ler-vos, e lede-o junto com o outro, e tereis o assunto todo esclarecido. ¶
Nestas coisas claras e simples que recebemos de Deus, do grande Pai Eterno, por revelação por meio de Seus Profetas, e particularmente por meio do grande Profeta dos últimos dias, Joseph Smith, elas certamente deveriam colocar-nos sobre um fundamento firme e dar-nos descanso e paz em nossas almas. Nisto está uma das grandes belezas da Igreja a que pertencemos, as doutrinas que recebemos. Sabemos, estamos convencidos delas, não temos qualquer dúvida a seu respeito, se as recebemos no espírito correto. Elas se estabeleceram em nosso próprio ser, são parte de nós. Vivemos nelas, e elas vivem em nós, como ministros do Senhor, colocando aquilo que o Senhor nos revelou fazer em primeiro lugar em todos os nossos trabalhos e deveres. Agradeço ao Senhor por esse ideal ter sido plantado em minha alma quando recebi o evangelho na minha meninice, que isto era a primeira coisa debaixo do sol, acima do pai ou da mãe ou da esposa ou dos filhos ou das casas ou das terras ou de quaisquer posses terrenas: o reino em primeiro lugar, a verdade triunfante, a verdade acima de todas as coisas, aprendê-la e vivê-la. ¶
Este tem sido meu desejo desde o princípio, e tenho procurado realizá-lo em minha vida, e nisso tenho tido alegria inexprimível e intensa satisfação. A confiança que tenho e tenho sentido a respeito desta obra tem sido uma alegria para mim, de modo que sei que meu Redentor vive, e que ele há de estar sobre a terra nos últimos dias e trazer glória, honra e plena recompensa a todos os que o servem e guardam os mandamentos que ele nos deu, que são os mandamentos do Pai. Sei que estas coisas são verdadeiras, não tenho qualquer dúvida a respeito delas. Nisso, certamente, há paz, algo em que confiar; algo confiável, algo que não precisa de sofisma, questionamento, dúvida ou incerteza, mas convicção, a plena convicção em minha alma da verdade. E tenho sido capaz de levar essa verdade a outros, e essa mesma certeza que soou em minha voz tem levado convicção, graças ao Senhor, a muitos outros em minhas viagens e labores no ministério. E é isto de que todos nós precisamos, meus irmãos: a firme e sólida convicção em nossas próprias almas de que recebemos a verdade, e de que este sacerdócio e autoridade que o Senhor enviou à terra nos últimos dias por meio do profeta Joseph Smith é uma realidade. É aquilo de que o Presidente falou nesta manhã, o sacerdócio segundo a ordem do Filho de Deus, que não tem princípio de dias nem fim de anos, que existiu por eras e eras antes que este mundo e outros de sua espécie viessem a existir. É sem princípio e sem fim. É o poder de Deus. Contém a luz da verdade. Carrega autoridade para administrar em nome do Senhor, e essas ministrações, quando devidamente observadas e administradas, são exatamente como se o Pai, ou o Filho, ou algum outro grande ser as tivesse ministrado pessoalmente. Esta é a beleza desta autoridade que o Senhor nos revelou. Ora, nisso levamos conosco, aonde quer que vamos, o poder de Deus para administrar em Seu nome, e ele é eficaz, e o que fazemos na terra conta para algo no céu; o que selamos na terra é selado no céu; o que desligamos na terra, quando devidamente feito, é desligado no céu; e o que aqui se registra ali se registra, embora a maneira do registro não nos tenha sido revelada. ¶
Há outra coisa relacionada a isto que devemos compreender plenamente em nossas mentes, e é que há de vir o tempo, segundo as revelações de Deus a respeito da ressurreição, em que o julgamento será dado nas mãos dos homens que possuem esse sacerdócio, de modo que o que fizerem no julgamento será como se feito pelo Pai ou pelo Filho. João, o apóstolo, naquela bela revelação colocada por último no Novo Testamento, no vigésimo capítulo, quarto versículo, diz: "E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram decapitados pelo testemunho de Jesus," e assim por diante, "e viveram, e reinaram com Cristo, durante mil anos." Foi-lhes dado o poder de julgar! O que isso significa? Significa exatamente o que Jesus disse aos doze apóstolos quando estava com eles na carne, que aqueles que permanecessem com ele e viajassem com ele na regeneração se assentariam sobre doze tronos e julgariam as doze tribos de Israel; e o que o Senhor disse a Seus doze discípulos neste continente, que também eles receberiam poder e autoridade semelhantes. E os apóstolos antigos, o apóstolo Paulo em particular, escreveram que os santos até mesmo julgariam anjos. Assim, o julgamento há de ser dado nas mãos de homens que receberam este sacerdócio, e que demonstraram diante de Deus e dos anjos sua capacidade e a justiça, a equidade e a retidão de decisão, quando tiveram de sentar-se em julgamento sobre outros. ¶
Jesus, o Cristo, ao proferir aquele belo sermão a que hoje se aludiu, o Sermão da Montanha, no sétimo capítulo de Mateus, que podeis ler, disse à multidão: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido hão de medir a vós." Mas o julgamento, em grande medida, é dado nas mãos de certos quóruns e conselhos nesta Igreja. Um corpo que exerce julgamento é o bispado; o bispado de uma ala é designado e ordenado para ser juiz. Um bispo é um juiz comum em Israel, para sentar-se com seus conselheiros em julgamento sobre transgressores e sobre aqueles cujas dificuldades não podem ser resolvidas pelos mestres que os visitam em seus lares. Esse poder de arbitragem dado aos mestres é algo esplêndido, e deve ser usado quando necessário. Alegrei-me ao ouvir o Presidente Smith dizer nesta manhã que não precisou chamar ninguém para resolver suas dificuldades, ele mesmo as resolveu. Graças ao Senhor, nunca precisei chamar mestres ou um bispado para resolver quaisquer dificuldades que tive. Sinto-me como ele. Preferiria ceder um pouco a querer levar tudo. Preferiria sofrer algo a fazer algo que fosse errado. Mas temos, sim, dificuldades na Igreja, e os Santos devem estar dispostos a submetê-las a bons homens que vão a seus lares para ensiná-los. Gostaria que sempre ensinassem quando vão aos lares dos membros, mas deixemos isso de lado. Devem chamar estes bons homens se tiverem alguma dificuldade que não possam resolver com seus vizinhos, ou com membros de suas próprias famílias, submetendo-a ao julgamento destes homens bons e sábios, e fazendo o que eles disserem ser a coisa certa, ainda que tenham de, como diríeis, sacrificar algo. Mas, quando isto não puder ser feito satisfatoriamente, o bispo e seus conselheiros podem sentar-se como juízes comuns em Israel, e determinar os direitos das partes em conflito, bem como os deveres dos homens ou mulheres acusados de transgressão. ¶
Ora, irmãos e irmãs, o que o Salvador quis dizer foi que vós e eu, em nossa capacidade de indivíduos, como membros, fora de qualquer dever oficial que nos seja imposto, não devemos julgar uns aos outros. E, no entanto, o fazemos, e por vezes dizemos coisas uns dos outros que não estamos justificados em dizer. Alguns de nosso povo chegam a julgar até mesmo o Presidente da Igreja, e a encontrar defeitos nele. É claro que são apenas poucos, comparativamente, mas é enfadonho ouvir alguém falar como algumas pessoas falam a respeito dele, e a respeito do presidente da estaca, ou do bispo da ala onde moram. Não é de nossa alçada, como membros da Igreja, julgar uns aos outros e usar epítetos maldosos ao refletirmos sobre os atos das pessoas. Não temos direito, ainda que estejamos em capacidade oficial, de formar um julgamento unilateral. Há dois lados em toda questão desse tipo, senão mais, sempre; e devemos ouvir ambos: "ouve a defesa antes de decidir, e um raio de luz pode brilhar, mostrando-te que imundície se esconde debaixo do riacho raso." Ouvi o outro lado antes de começardes a encontrar defeitos e proferir julgamento. Não julguemos nossos semelhantes, nossos irmãos e irmãs, nem sequer as pessoas do mundo. Olhemos para nossas próprias almas e descubramos nossos próprios defeitos; havemos de encontrá-los ali, se os procurarmos. Quem busca, encontra, mas depende do que se está buscando. Podeis sempre encontrar aquilo que buscais. Se buscardes o bem, o encontrareis; se buscardes o mal, certamente o encontrareis, se persistirdes; mas não nos ponhamos a julgar uns aos outros. Perdoai uns aos outros todas as vossas faltas, como o Senhor nos ordenou, em vossos corações, não apenas com os lábios, mas no coração, e, se não nos perdoarmos uns aos outros no coração, o Senhor diz que cometemos o maior pecado. Assim, quando formos chamados a sentar-nos em julgamento, seja num tribunal de bispo, seja num sumo conselho (ao qual podem ser apeladas as decisões do tribunal de bispo), se formos membros do sumo conselho, lembremo-nos apenas do que o Senhor disse a respeito de tal quórum ou conselho. Toda decisão destes quóruns organizados deve ser dada em justiça, em retidão, em equidade, no temor do Senhor, e com o desejo de fazer o que é certo, não por sentimento pessoal. Os sentimentos pessoais devem ser banidos de nossas almas quando nos sentamos em julgamento, tendo o direito de sentar-nos em julgamento. Os tribunais de bispo e os sumos conselhos têm o direito de sentar-se em julgamento, mas isso deve ser alcançado por meio de testemunho, não por quaisquer sentimentos ou pensamentos que possamos ter a respeito da iniquidade de algum indivíduo. Sentai-vos em julgamento com retidão, segundo a evidência! ¶
Se nos puséssemos a julgar todos os boatos que chegam até nós no gabinete da Presidência, teríamos uma opinião muito pobre a respeito de muitos homens e mulheres em Israel; mas temos de ouvir os dois lados, e, mesmo assim, não pretendemos ocupar o lugar do tribunal de bispo ou do sumo conselho. Quero dizer isto em benefício de meus irmãos e irmãs que parecem pensar que o Presidente da Igreja deveria decidir todas estas pequenas questões de dificuldade que surgem, como em matérias de doutrina, e que é sua função sentar-se em julgamento sobre tais assuntos, dar-lhes uma decisão e depois respaldá-la com a Escritura. O Presidente desta Igreja não precisa respaldar o que diz com a Escritura antiga. Ele tem a palavra do Senhor para nós nesta dispensação, assim como os profetas antigos a tinham para o povo entre o qual viviam. Ora, irmãos e irmãs, se tendes algo contra vosso vizinho, ou vosso vizinho tem algo contra vós, procurai resolvê-lo pacificamente, se puderdes, mas, se não puderdes, não o enviai à Primeira Presidência. Ide ao bispo de vossa ala e fazei com que o assunto seja resolvido pelo bispo. Mas, se sois tão teimosos, obstinados e tão apegados à vossa própria opinião que pensais que o bispo não sabe tanto quanto vós, então apelai ao sumo conselho, e, se houver alguma injustiça na decisão de vosso sumo conselho, isso pode ser revisto e examinado pela Presidência da Igreja, e eles podem decidir o que há de ser feito no assunto, quanto a um novo julgamento ou o que for o caso; isso lhes pertence, mas não antes disso. Não fiqueis escrevendo à Primeira Presidência a respeito de vossas pequenas dificuldades e provações que podem ser resolvidas mesmo em vossa própria localidade, mas recorrei às autoridades competentes, as autoridades locais, para que cuidem delas e nos poupem muitos aborrecimentos. ¶
Ora, irmãos, homens de Deus que possuem o santo sacerdócio e têm o direito de sentar-se em julgamento, hão de fazê-lo da maneira que o Senhor designou. Não deveis usar epítetos, nem falar mal de vossos vizinhos. É justo dar-lhes a oportunidade de falar em sua própria defesa antes de formardes uma decisão em vossa mente, isso antes de qualquer outra coisa, e então fazer sempre o que o espírito do Senhor, o juízo que recebeis e o testemunho apresentado vos deixarem claro que deveis fazer, e fazê-lo sem temor, com honra e verdade, e o Senhor estará convosco, e o resultado será bom, e então, quando chegar o tempo em que o julgamento há de ser dado aos homens de Deus no mundo vindouro, ora, serão homens da espécie em que o julgamento pode ser devidamente confiado. Representarão o Pai e o Filho como o fazem aqui na terra. O grande julgamento que há de vir não será realizado inteiramente por um único indivíduo sentado sobre um grande trono branco, proferindo julgamento sobre os milhões e milhões de habitantes da terra. A casa de Deus é uma casa de ordem, e o Senhor terá agentes designados, tanto por trás do véu como agora, quanto na carne, e, quando chegar o grande julgamento, todos serão julgados segundo suas obras, e os livros serão abertos, e o Livro da Vida será examinado, e os atos dos homens e das mulheres sobre a terra serão revelados, e todos confessaremos em nossas almas que o julgamento é justo e reto, porque será proferido e emitido por alguém que possui autoridade, e o selo de Deus estará sobre ele. ¶
Ora, enquanto habitamos na terra na carne, tomemos o bom conselho que recebemos de nossos irmãos, e particularmente o que tivemos nesta manhã de nosso Presidente. Apreciei suas observações ao povo. Presto testemunho de que eram verdadeiras, e, se vivermos segundo essas palavras de Deus que nos foram dadas nesta manhã, nosso caminho será, comparativamente, um caminho de paz; o sol do Senhor brilhará sobre nossas almas; teremos alegria, satisfação, contentamento e plena confiança, e não seremos abalados. Permaneceremos firmes sobre a rocha da revelação, e Deus guiará nossos passos no caminho da vida, e, pouco a pouco, aprenderemos as coisas que esquecemos quando viemos à terra na carne, e reteremos toda a luz, a verdade e a experiência adquiridas na mortalidade, e, se formos fiéis até o fim, resplandeceremos na presença do Pai como as estrelas dos céus, e como o sol, para todo o sempre. E do aumento de nossa glória, de nossa felicidade, de nossa paz, de nossos domínios e de nossa posteridade não haverá fim. Que Deus nos ajude a alcançar essa grande salvação, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶