Uma súplica para que os Santos compareçam ao Sacramento
Anthon H. Lund
Espero que, enquanto estiver diante de vós e vos dirigir a palavra por um breve tempo, eu não desvie vossas mentes das excelentes coisas que nos foram ditas nesta manhã por nosso Presidente. As observações foram oportunas, e todos sentimos que devemos segui-las. Se o fizermos, sei que serão uma bênção e um benefício. ¶
Outro dia, perguntei a um conselheiro de bispo a respeito de sua ala, e quis saber em que os membros da ala mais precisavam de incentivo. Ele respondeu que na frequência às reuniões sacramentais; acrescentando que, embora tivessem grandes reuniões, a porcentagem ainda era baixa. Também tem sido o relato de muitos lugares que a porcentagem de frequência às reuniões sacramentais é baixa. Gostaria de suplicar aos Santos que dessem mais atenção a este assunto e procurassem elevar a porcentagem de sua frequência; com isto quero dizer que cumpram seu dever de comparecer às suas reuniões. Se não estivermos presentes em nossas reuniões quando tivermos a oportunidade, privamo-nos de grandes bênçãos; de fato, ficaremos famintos espiritualmente. Em nossas reuniões recebemos instrução, encorajamento para fazer o que é certo, e desfrutamos ¶
a influência do Espírito de Deus que ali está presente, e decidimos que viveremos vidas melhores. Se não formos às reuniões, perdemos estas coisas; e, como nossas mentes são ativas, tendem a ocupar-se com outros assuntos e pensamentos, em vez daqueles que deveriam ocupar um domingo. ¶
Gostaria de ler o que o Senhor diz a este respeito. Encontrareis isso na página 224 da Doutrina e Convênios. O Senhor diz: ¶
"E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado; porque em verdade esse é um dia designado para descansares de teus labores e prestares tua devoção ao Altíssimo; contudo, teus votos serão oferecidos em retidão todos os dias e em todos os momentos; lembra-te, porém, de que no dia do Senhor oferecerás tuas oblações e teus sacramentos ao Altíssimo, confessando teus pecados a teus irmãos e perante o Senhor. E nesse dia não farás qualquer outra coisa; seja teu alimento preparado com singeleza de coração para que teu jejum seja perfeito, ou, em outras palavras, para que tua alegria seja completa." ¶
Este é o mandamento do Senhor para nós, de que no dia de sábado descansaremos de todos os outros labores e iremos à casa de Deus. Seu propósito ao querer que descansemos um dia em sete é para nosso benefício, pois foi comprovado fisiologicamente que os homens que trabalham seis dias na semana e descansam no sétimo conseguem fazer mais do que aqueles que trabalham constantemente. O Senhor também quis que tivéssemos nossas mentes voltadas para coisas de maior valor para nós do que simplesmente aquilo que podemos produzir pelo trabalho de nossas mãos. Ele nos ordena que vamos à casa de oração. Por quê? Para que nos conservemos mais plenamente limpos das manchas do mundo. Ao comparecermos às nossas reuniões e ouvirmos o que nos é dito, ao participarmos do sacramento e renovarmos nossos convênios, obtemos mais força para nos conservarmos limpos das manchas do mundo. Este é o grande propósito de comparecer às reuniões, e, como o Senhor o ordenou, obedeçamos ao Seu mandamento. ¶
Não consideremos o mandamento de guardar o dia de sábado como algo tão pequeno que não importe muito se o violarmos. Se lermos as escrituras, aprenderemos como era considerado importante observar o sábado nos tempos do Antigo Testamento. Há um exemplo de um homem punido com a morte por transgredir este mandamento, e o antigo Israel era muito cuidadoso na observância do dia de sábado. Lemos na história como Jerusalém foi tomada por seus inimigos simplesmente porque o povo considerava pecado lutar no dia de sábado. O rei egípcio Ptolomeu Sóter tomou Jerusalém desta maneira. Antíoco enviou um de seus generais a Jerusalém com o propósito de sitiá-la. Quando chegou o sábado, ele sabia que os judeus, por causa de seus escrúpulos religiosos, não lutariam, de modo que ele e seus soldados entraram na cidade e, sem temer resistência, mataram cruelmente homens, mulheres e crianças. Consideramos isto antes uma interpretação demasiado estrita da lei, mas tal santidade envolvia o sábado na mente dos judeus que não estavam dispostos sequer a defender-se quando julgavam que isso seria quebrantar o sábado. ¶
Não é assim, porém, hoje, no mundo cristão, pois vemos que algumas das maiores batalhas são travadas no domingo, ou dia do Senhor. Trago isto à baila, irmãos e irmãs, para vos mostrar quão importante ¶
este mandamento era considerado no antigo Israel. Temo que o sábado não seja tido como suficientemente sagrado entre nós como povo, que deveríamos, de fato, dar atenção a este dia e fazer dele um dia de descanso e adoração. ¶
Como podemos tornar nossas reuniões atraentes? Ora, comparecendo a elas e enchendo a capela. Que não haja bancos vazios, pois são muito desanimadores para quem discursa. Sintamos que cada um de nós deve a seus companheiros de adoração ir à casa de oração e ocupar seu assento ali, ajudando assim a fazer uma grande reunião e, com isso, dando mais apoio a quem nos dirigir a palavra. Ademais, abrimos nossas reuniões com cânticos, e cantar é edificante e enobrecedor, incentiva-nos à fidelidade, especialmente quando a música é acompanhada de palavras de piedade, tais como as que contêm nossos hinos. Queremos incentivar o bom canto em nossas reuniões. Temos muitos e excelentes coros por toda Sião, e desejo dizer aos bispos: incentivai bons coros; tende homens que possam dirigi-los, e reuni alguns de vossos bons cantores no coro, dando assim alegria aos Santos e, ao mesmo tempo, tornando as reuniões mais atraentes. Nos povoados maiores não é tão difícil ter um coro, mas nos povoados menores talvez não seja tão fácil reunir irmãos e irmãs que saibam cantar, ou conseguir um regente competente; ainda assim, os bispos devem fazer o que puderem nesse sentido. Se não tiverdes um regente, procurai induzir alguém assim a mudar-se para vossa ala, ainda que tenhais de lhe dar algumas vantagens. Pode ser que tenhais um professor de escola que saiba ensinar música e assim vos ajude a formar um coro; mas, ¶
de qualquer maneira, procurai ter bom canto em vossas reuniões. ¶
Quando recebestes o evangelho no exterior, como amáveis comparecer às vossas reuniões! Tenho visto Santos, velhos e jovens, caminhar muitas milhas para comparecer a reuniões com irmãos e irmãs que igualmente moravam a grande distância do local da reunião, e todos se regozijavam no privilégio de se reunirem para desfrutar do espírito do evangelho e ouvir os ensinamentos dos servos do Senhor. De um modo geral, cada um trazia um hinário, para poder participar do canto, um costume muito comum nas missões; mas aqui, em casa, muito poucos levam hinários às reuniões, e alguns nem sequer possuem um hinário. Ora, isto não deveria ser assim. Levai vossos hinários às reuniões, e, quando ouvirdes o coro cantar, sereis muito mais edificados ao acompanhar as palavras no livro, e vossos corações se elevarão, não apenas pela melodia, mas também pelas boas palavras que estão sendo cantadas. Pediria aos Santos que dessem um pouco mais de atenção a isto e levassem seus hinários às reuniões. ¶
As reuniões se abrem com uma invocação. Todos devem unir-se em oração fervorosa com o élder chamado a ser voz. Por vezes, quando há enfermos na ala, estes podem ser lembrados na oração, e a congregação se une em pedir ao Senhor por sua recuperação. Há muito poder no exercício unido da fé e da oração. ¶
Geralmente, após a abertura da reunião, administra-se o sacramento da ceia do Senhor. É um dos atos mais sagrados que podemos realizar. Quando os emblemas — o pão e a água — são distribuídos ¶
não os tomemos de modo irrefletido, mas voltemos nossa mente para o significado do sacramento, e retornemos ao Calvário, e, com corações agradecidos, lembremos o que nosso Mestre e Salvador sofreu e fez por nós, tal como aludiu nosso Presidente, como o Salvador voluntariamente deu Sua vida por Seus irmãos. Devemos estar imbuídos desse pensamento ao participarmos do pão e igualmente ao bebermos do cálice, e sermos gratos ao Senhor por termos o privilégio de adorá-lo e de participar destas coisas sagradas. Devemos pesar cada palavra nas orações de consagração destes emblemas. As orações são breves, mas muito abrangentes. ¶
Na bênção do pão fazemos três convênios: convencionamos com o Senhor que tomaremos sobre nós o nome de Seu Filho. Percebeis quanto está contido neste convênio? Tomar sobre nós o nome de Cristo não significa apenas que seremos chamados cristãos, mas significa que seremos dignos de tomar sobre nós esse nome, que nossas obras e palavras estarão todas em harmonia com aquele cujo nome tomamos sobre nós. Pensai nisto, e, quando disserdes "Amém" a essa oração, percebei que prometestes que andareis nas pegadas daquele que sofreu por nós, que mostrareis ao mundo que portais Seu nome com justiça, para que os homens não vos apontem o dedo e digam que vos chamais seguidores de Cristo, mas agis contrariamente à Sua vida e ao Seu exemplo. Também fazeis convênio de que vos lembrareis dele. Este era realmente o propósito de instituir o sacramento. Recordai as condições existentes quando Jesus veio à terra. Até então, os sacrifícios prescritos eram feitos pelos sacerdotes no templo, e todos esses sacrifícios apontavam para o grande sacrifício que ele haveria de fazer. Com efeito, a eficácia desses sacrifícios, para obter o perdão dos pecados daqueles em cujo favor eram oferecidos, dependia do grande sacrifício que Jesus viria a fazer; e, por isso, durante aquelas eras que precederam Sua vinda à terra, os sacrifícios e a adoração nos templos apontavam todos para Seu grande sacrifício. Na noite de quinta-feira, a noite anterior à Sua crucificação, quando se fez o sacrifício plenamente expiatório, ele instituiu, em vez de uma ordenança que olhasse para o futuro, uma que fizesse os homens olharem para trás, para o grande sacrifício consumado. Para mim, a instituição da ceia do Senhor é forte evidência da divindade e da presciência do Salvador, e o que poderia ser mais impressionante e poderoso para trazer à memória o sublime sacrifício que ele fez do que participar do pão partido para lembrar Seu corpo; e beber do cálice para lembrar Seu sangue derramado por todos, para a remissão dos pecados? Jesus sabia que o ensino abstrato poderia facilmente ser esquecido, que os homens se lembrariam melhor do concreto, e por isso muitas de Suas excelentes lições foram dadas em parábolas, e, para que este, o maior dos acontecimentos, pudesse ser vividamente gravado em todos, ele deu esta gloriosa ordenança em forma tangível, para ser vista e da qual se participar. ¶
Tem havido considerável diferença de opinião quanto ao sentido da frase "Isto é o meu corpo," quando ele disse a seus discípulos: "Tomai, comei, isto é o meu corpo," e também quando lhes deu o cálice e disse: "Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados." Um grande número de seitas e denominações cristãs afirma que isso não significava que o pão e o vinho eram emblemas, mas que participamos realmente de Sua carne e de Seu sangue na administração do sacramento. Transubstanciação significa que o pão se transforma, pela bênção, em Sua carne, e o vinho em Seu sangue. Esta não é a nossa opinião. Cremos que o pão e o vinho são simplesmente emblemas de Seu corpo e de Seu sangue. Se pudéssemos imaginar-nos naquele aposento sagrado onde ele e seus discípulos passavam a última noite juntos, onde participaram da refeição pascal, e onde ele instituiu esta santa ordenança, o veríamos então de pé diante dos discípulos, dizendo-lhes a respeito do pão: "Isto é o meu corpo," e a respeito do conteúdo do cálice: "Isto é o meu sangue," e, no entanto, o veríamos de pé em pleno vigor de saúde, com o sangue circulando em suas veias. Não era Seu sangue no cálice, pois ele o chama, ao mesmo tempo, de "este fruto da vide." Era vinho o que lhes deu, mas representava Seu sangue, que havia de ser derramado para a remissão dos pecados. ¶
Quando a Reforma ocorreu na Alemanha e nos estados vizinhos, Lutero manteve a antiga doutrina de que "Isto é o meu corpo" significava que o pão se transformava em carne. Quando se encontrou com Zwínglio, que iniciou a religião Reformada, os amigos de ambos quiseram reuni-los para reconciliá-los neste importante ponto. Mas Lutero simplesmente escreveu com giz sobre uma toalha de altar: "Isto é o meu corpo. Não posso mudar de opinião quanto a este ponto." Zwínglio sustentava que Jesus quis dizer apenas que o pão significava o corpo de Cristo. ¶
Lutero disse que não devemos alterar nem dar outro sentido às palavras de Jesus, que devem ser entendidas tal como foram ditas. Zwínglio perguntou-lhe então: "Isto se estende também às Suas últimas palavras na cruz, quando disse a seu amado apóstolo João: 'Eis aí tua mãe,' apontando para sua amada mãe Maria, e quando disse à Sua mãe: 'Eis aí o teu filho,' apontando para João?" Zwínglio disse que Jesus certamente quis dizer que João deveria ser como um filho para a mãe de Jesus, e assim, quando Jesus disse a respeito do pão: "Isto é o meu corpo," quis dizer que o pão significava que Seu corpo seria pendurado na cruz, e quando disse a respeito do vinho: "Isto é o meu sangue," significava Seu sangue que seria derramado por nós. Para nós, isto é claro. ¶
Fui educado numa escola luterana, e lembro-me de que nosso mestre, certa vez, ao explicar-nos a diferença entre os ensinamentos de Lutero e de Zwínglio, os alunos lhe disseram: "Mestre, parece-nos que Zwínglio estava certo." Ele os olhou com desagrado e disse que, quando suas mentes se ampliassem, entenderiam mais sobre isso. Não creio que o entendimento viesse quanto a este ponto — a não ser quando os homens se forçam a crer nisso. Lutero se apegou a essa doutrina tão firmemente que disse: "Prefiro beber sangue com o Papa a beber vinho com Zwínglio!" ¶
Ora, irmãos e irmãs, participamos do sacramento para lembrar o sacrifício de nosso Salvador e para lembrá-lo a ele. É isto que ele nos pede que façamos. Sempre que estendermos as mãos para tomar o pão, que o acompanhe o pensamento: "Seu corpo sofreu na cruz por nós;" e, quando bebermos do cálice, que ¶
nosso pensamento seja igualmente do sangue dele, derramado por nós, para a remissão dos pecados. ¶
Não participamos do sacramento para a remissão dos pecados, como se faz em muitas das diferentes igrejas. Cremos que o batismo foi instituído para a remissão dos pecados, e que, tendo recebido o Espírito de Deus, se humildemente nos arrependermos das faltas que cometemos e buscarmos com sinceridade o perdão do Senhor, esse perdão poderá vir a nós. ¶
Ao falar dos diferentes convênios que fazemos no sacramento, há também um grande convênio pelo qual prometemos que guardaremos os mandamentos que Jesus nos deu. Todos cremos em guardar os dez mandamentos, ou ao menos deveríamos fazê-lo, mas será que Jesus nos deu algum outro? Lede o Sermão da Montanha, um dos melhores sermões já proferidos, repleto de boa instrução para Seus discípulos e para o mundo inteiro, e podeis resumir tudo o que ele ensinou nas palavras: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento; e o teu próximo como a ti mesmo." Ele fez essa generalização, uma das maiores já feitas; todos os mandamentos podem enquadrar-se nela, e ele enfatizou isto uma vez ao Profeta Joseph, dizendo que "salvo se vos amardes uns aos outros, não sois meus." Ora, prometemos guardar Seus mandamentos, e isso inclui este grande mandamento, por vezes bastante difícil de guardar, mas fazemos o convênio, ao participarmos do sacramento, de que guardaremos Seus mandamentos. Devemos estudar todos os outros mandamentos que são dados, e estar prontos para prestar-lhes obediência. ¶
Vejo que o tempo se esgotou. Sinto-me feliz por estar presente. Sinto-me feliz por ser membro da Igreja de Cristo. Agradeço ao Senhor porque a luz do evangelho brilhou em meu coração e porque aprendi alguns dos princípios relativos à salvação eterna; e creio que todos vós sentis o mesmo. Que o Senhor vos abençoe, e nos ajude juntos a servi-lo e a cumprir nossa missão sobre a terra para Sua honra, peço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶