Pulpit

Nossa Religião, uma Realidade Terrível e a Coisa Mais Importante para Nós Neste Mundo

Joseph F. Smith

Conferência Geral de Outubro de 1916·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1916-10-06

É com o coração agradecido que vos saúdo, meus irmãos e irmãs, na sessão de abertura desta conferência, a octogésima sétima conferência geral semestral d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. É digno de nota que este edifício esteja tão bem preenchido por nosso povo nesta manhã. Para mim é um bom presságio, e sinto-me deveras grato por encontrar-vos aqui, por ver-vos, por olhar em vossos rostos e sentir isso. Estou na presença de uma vasta assembleia de homens e mulheres que vieram aqui hoje por causa de sua fé no evangelho de Jesus Cristo, e por causa de seu amor, devoção e integridade para com a obra do Senhor. Sinto-me grato por vossa presença e pela influência para o bem que se fará sentir, não somente hoje, mas doravante, por causa da presença de tantos membros da Igreja nesta manhã. Sinto-me grato por me ser permitido estar convosco, e por o Senhor ter preservado minha vida e me haver concedido a boa medida de vigor, saúde e força que possuo. Acima de tudo, agradeço a Deus por ainda estar na fé do evangelho de Jesus Cristo, por ainda amar a obra do Senhor, por nela crer com toda a minha alma.

Meu único pesar é não ser capaz de fazer mais por seu avanço, por seu desenvolvimento e pelo aumento da fé e devoção de seus membros em todo o mundo. Lamento não ter maior poder para labutar pela

difusão da luz, da sabedoria e da inteligência que hão de ser obtidas por todos os que receberem o evangelho. É sempre uma alegria para mim ter o privilégio de encontrar-me com homens e mulheres que abraçaram a verdade e lhe são fiéis em sua vida diária, pois, afinal, estabelecemos o padrão de nossa integridade e de nossa fidelidade à verdade por nossas obras diárias. A árvore é conhecida por seus frutos, e não colhemos uvas de espinheiros nem figos de abrolhos. Quando vedes vários indivíduos, uma comunidade, ou um povo inteiro que abraçaram o evangelho de Jesus Cristo, condizentes com o que professam, fiéis aos seus convênios, fiéis em todos os aspectos à sua fé, vereis homens e mulheres que dão bom fruto e são dignos em todos os aspectos. A religião que abraçamos não é uma religião de domingo; não é uma mera profissão; é a mais — eu ia dizer — a mais terrível realidade — e creio que estaria justificado em usar essa expressão, porque tem o sabor de vida para vida ou de morte para morte. Se assim é — e perdoai-me por usar essa expressão — se é o que professamos que seja, aquilo por que a abraçamos, aquilo que cremos que seja como membros d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é a coisa mais importante do mundo para nós, e os resultados para nós, neste mundo e no mundo vindouro, dependerão de nossa integridade à verdade e de nossa constância em observar seus preceitos, em obedecer a seus princípios e às suas exigências. Cremos na divindade da missão de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, o único filho unigênito de Deus, que possuía em si mesmo o poder da vida, o poder sobre a morte, e que, no entanto, cedeu esse poder para tornar-se sacrifício por uma lei quebrantada e para a redenção dos filhos dos homens da morte temporal. Assim como isso lhes sobreveio sem qualquer ato seu, assim também são livrados de seus resultados e consequências pela retidão do Filho de Deus e pelo poder que lhe foi dado. Sustento, pois, que não há povo que professe crer na missão divina de Jesus Cristo que seja mais devota, sincera e constantemente crente em Cristo do que os Santos dos Últimos Dias, e que não há povo em todo o mundo mais digno do nome de "cristãos" do que os Santos dos Últimos Dias. Nossa fé nele está no fundamento de nossa religião, no fundamento de nossa esperança de remissão dos pecados e de exaltação após a morte, e de ressurreição da morte para a vida eterna. Nossa fé nas doutrinas que foram restauradas por intermédio do Profeta Joseph Smith confirma-nos e fortalece-nos, e estabelece, além de toda dúvida ou questão, nossa fé e nossa crença na missão divina do Filho de Deus. Joseph Smith foi o instrumento escolhido por Deus e dotado de Sua autoridade para restaurar o santo sacerdócio, o poder de Deus para ligar na terra e no céu, para desligar na terra e no céu — o poder do sacerdócio pelo qual os homens podem realizar as ordenanças do evangelho de Jesus Cristo para a salvação da humanidade. Por meio de Joseph Smith foram restaurados o evangelho do arrependimento, o batismo na água para a remissão dos pecados, o batismo do Espírito Santo e por fogo, e o conhecimento de que Jesus é o Cristo, o Filho unigênito de Deus, é manifestado pelo espírito da verdade. Nós

somos devedores a este humilde servo, a quem o Senhor escolheu para lançar o fundamento desta obra, para as ordenanças do evangelho do Filho de Deus, então e ainda hoje desconhecidas do mundo, pelas quais podemos ser unidos como famílias, como parentelas, sob os laços do novo e eterno convênio, pelo tempo e por toda a eternidade. Somos devedores ao Profeta Joseph Smith, como instrumento na mão do Senhor, pelo conhecimento que possuímos da obra que é necessário realizar na casa de Deus, para a salvação dos vivos e a redenção dos mortos, e para a união eterna das almas que se unem nesta vida pelo poder de Deus sob o laço do convênio eterno. Somos devedores, ou ao menos obrigados, ao Profeta Joseph Smith, como instrumento nas mãos de Deus, pelo conhecimento que agora possuímos de que o homem não pode ser exaltado à presença de Deus e ao pleno desfrute de sua glória sozinho. Não foi projetado que o homem estivesse sozinho, pois o homem não existe sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor.

Poderia dedicar meu tempo nesta manhã a falar-vos das condições, tal como as entendo, da Igreja em todo o mundo. Sinto, porém, que dificilmente será necessário dedicar muito tempo a esse assunto. A maioria de vós está bem familiarizada com as condições da obra do Senhor em que estamos empenhados em todo o mundo. Creio que a causa de Sião é sagrada aos olhos do Senhor, que Seu olhar está sobre Seu povo e que Seu poder está operando no meio dele e no meio da terra para a realização de Seu propósito, pois seja sabido, ou deixai-

-me dizê-lo, embora já se saiba, que não é a obra do homem, mas a obra de Deus, e é Ele que a está fazendo, não o homem. Damos ao Senhor o crédito nesta manhã pela presença desta vasta multidão de homens que detêm o sacerdócio segundo a ordem do Filho de Deus. Somos gratos pelo instrumento que o Senhor escolheu para fazer cumprir estes resultados, para ajudar, ao menos, a realizá-los, mas somos mais gratos ao próprio Senhor pelo poder que Ele exerce e pela obra que Ele está realizando por meio de Seu Espírito, derramando luz e verdade nos corações de Seu povo e pairando sobre os corações e mentes do povo do mundo, aguardando para entrar quando estiverem prontos para receber a verdade e dar ouvidos à Sua palavra. Regozijo-me nestas coisas. Tenho a satisfação de dizer que temos confiança, diria confiança ilimitada, em nossos cooperadores na causa de Sião. Olho para nossos rapazes que presidem as várias missões em várias partes do mundo, e, até onde sabemos, e temos boas razões para conhecê-los bem, são jovens segundo o próprio coração de Deus, fiéis como aço, puros como anjos em sua vida, íntegros, virtuosos, firmes na verdade e à altura de suas tarefas com a ajuda do Senhor, desejando apenas cumprir os deveres que lhes são impostos nos campos de labor a que foram designados, e onde estão dedicando suas energias e seu conhecimento.

Refletimos sobre aqueles que foram chamados a presidir as várias estacas de Sião, e posso dizer o mesmo deles, com pouquíssima exceção — dificilmente estaria justificado talvez em dizer que houvesse alguma exceção, mas

não há a mesma perfeição no conhecimento do dever e na execução desse dever, no desempenho do trabalho exigido de suas mãos, em alguns dos presidentes das estacas de Sião, que encontramos em outros. Em outras palavras, temos alguns homens jovens e inexperientes empenhados nesse trabalho. Eles ainda têm muito a aprender para se tornarem iguais, em todos os aspectos, àqueles que têm anos de experiência no desempenho dos mesmos deveres. Mas temos confiança neles; cremos que hão de melhorar onde for necessário melhorar; cremos que hão de aprender seus deveres onde não os compreenderem como deveriam, e eles têm nossa confiança, nosso apoio e nossas orações para que tenham êxito e não fracassem.

Temos grande respeito por nossos bispos, os bispos das alas da Igreja, hoje muito numerosos, mas temos um motivo de pesar com relação à disposição que vemos, com demasiada frequência, manifestada entre os bispados. É um dito comum que quem é bispo uma vez, é bispo para sempre. Quando um homem é ordenado bispo e separado para o cargo de bispo, como presidente de uma ala, confiam-se-lhe deveres de grande responsabilidade; ele se torna um pai para o povo, é seu guardião, seu vigia sobre a torre. É seu dever conhecer cada membro da Igreja em sua ala. É seu dever ministrar a cada membro e a cada unidade dos membros de sua ala, não somente aos chefes de família, mas também a cada uma das crianças das famílias que habitam em sua ala. É seu dever cuidar dos pobres, dos necessitados, dos enfermos e dos aflitos — não que se espere que ele mesmo faça tudo o que há de ser feito em sua ala, de modo algum; mas, por meio das agências que possa convocar em seu auxílio para desempenhar os deveres que se façam necessários na ala, ele está, ou deveria estar, plenamente provido de meios para visitar cada família e conhecer a situação e a condição de cada membro de sua ala; para saber se seu povo está vivendo sua religião ou não; se estão cumprindo seu dever; se estão sujeitos a desviar-se de seu dever ou de sua fidelidade à Igreja. Em demasiadas ocasiões, verificamos que nossos bispos não estão prontos, a tempo e fora de tempo, no desempenho de seus deveres a esse respeito. Convocamos élderes a irem ao estrangeiro pregar o evangelho. Enviamos instruções aos bispos, informando-lhes o caráter dos homens que exigimos para o serviço missionário — homens sóbrios, inteligentes, sadios e vigorosos, não enfermos, não incapacitados, que tenham fé no coração e amor à verdade na alma, e que guardem a Palavra de Sabedoria, cumpram seus deveres do Sabá bem como todos os demais deveres pertencentes à condição de membro da Igreja. E, no entanto, com demasiada frequência, recebemos relatórios de nossos bispos informando-nos que tal ou qual jovem ou homem havia sido escolhido para uma missão e que, até onde sabem, ele está em boas condições; e quando investigamos mais a fundo, descobrimos que ele não guarda a Palavra de Sabedoria; descobrimos que ele não tem condições financeiras de cumprir uma missão, ou que não tem condições físicas de ir. Descobrimos, por vezes, que um jovem é o chefe de sua família — em outras palavras, seu pai está morto, sua mãe é viúva, e são necessárias todas as suas energias para sustentar sua mãe e os filhos mais novos — e, no entanto, ele é recomendado pelo bispo para ir em missão, sem

que se investigasse o assunto. É por isso que digo que temos alguns motivos de pesar com relação à fidelidade, competência e diligência de alguns de nossos bispos ao averiguar os assuntos do povo de suas alas. Outro motivo de pesar é que temos bispos demais que desejam deixar o bispado. Querem renunciar, entregar o dever do bispado a outra pessoa. Cansam-se dele. É claro que é um trabalho, é uma grande responsabilidade, e quando um homem se torna incapaz de desempenhar os deveres de bispo, e o presidente da estaca está atento a seu dever, ele o consultará e recomendará que seja honrosamente desobrigado. Que seja honrosamente desobrigado, sem necessidade de renunciar; e assim os presidentes de estaca devem cumprir seu dever em suas estacas, tanto quanto os bispos devem cumprir seu dever em suas alas. É um dito comum, e talvez vulgar, que o Senhor odeia quem desiste, e devo dizer-vos que não me parece correto que um homem deixe de cumprir seu dever enquanto for capaz e se espera que o faça. Ele deve cumpri-lo até ser desqualificado por enfermidade, idade ou outra incapacidade, e então os oficiais presidentes da estaca devem conhecer sua condição e devem recomendar sua desobrigação honrosa e a nomeação de alguém capaz para sucedê-lo.

Ora, eu não tencionava entrar nesse assunto. Pensei, ao vir aqui esta manhã, que se pudesse levantar-me aqui e dar meu testemunho da verdade do evangelho de Jesus Cristo, e exprimir minha gratidão pelo amor de Deus sobre todo o Seu povo, isso me seria suficiente, e deixaria que os homens mais jovens, tal como o Irmão

Penrose, assumissem o grosso do ensino, da pregação, da exortação, da correção e da admoestação aos Santos e aos oficiais da Igreja.

Espero que o Senhor me dê força suficiente, mental e física, e influência suficiente de Seu Santo Espírito, para que eu seja capaz, ao menos, de dar o exemplo de retidão e justiça diante de meus associados na vida, e assim, pelo exemplo, pregar a verdade enquanto eu tiver fôlego. Não quero deixar o serviço de Deus, nem o serviço de Seu povo, nem quero deixar de observar as ordenanças e preceitos do evangelho de Jesus Cristo, nem quero tornar-me indiferente, ou descuidado e negligente com relação a estes deveres sagrados e aos princípios do evangelho.

A obra por nossos mortos, que o Profeta Joseph nos impôs com mais do que ordinária determinação, instruindo-nos a cuidar dos nossos parentes e antepassados que morreram sem o conhecimento do evangelho, não deve ser negligenciada. Devemos valer-nos daquelas sagradas e poderosas ordenanças do evangelho que foram reveladas como essenciais à felicidade, salvação e redenção daqueles que viveram neste mundo quando não puderam conhecer o evangelho e morreram sem o conhecimento dele, e que agora aguardam por nós, seus filhos, que vivemos numa época em que estas ordenanças podem ser realizadas, para que façamos a obra necessária à sua libertação da prisão. Por meio de nossos esforços em seu favor, cairão deles as cadeias do cativeiro, e a escuridão que os cerca se dissipará, para que a luz brilhe sobre eles, e eles ouvirão, no mundo espiritual, falar da obra que

foi feita por eles por seus filhos aqui, e se regozijarão convosco por vosso desempenho destes deveres.

Novamente, e sem desejo de multiplicar palavras, dou-vos meu testemunho, meus irmãos e irmãs, de que Deus vive, de que Seu Filho vive, e digo-vos, em ligação com este pensamento e este testemunho, que aceito sem reservas, sem qualquer hesitação ou dúvida em minha mente, a declaração feita pelo Profeta Joseph Smith com referência a Deus e a Seu Filho Unigênito, de que "o Pai tem um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem; o Filho também; mas o Espírito Santo não tem um corpo de carne e ossos, mas é um personagem de Espírito," e o homem é feito à sua imagem. Também aceitamos sem qualquer questionamento as doutrinas que nos foram ensinadas pelo Profeta Joseph Smith e pelo próprio Filho de Deus, de que oramos a Deus, o Pai Eterno, em nome de Seu Filho Unigênito, a quem também nosso pai Adão e sua posteridade oraram desde o princípio. Se os Santos dos Últimos Dias tomarem estas simples declarações de fato, dadas a nós na doutrina de Cristo e restauradas e renovadas a nós no testemunho do Profeta Joseph Smith, isso resolveria muitas questões que hoje são tolamente formuladas. Há muitas coisas ainda a serem reveladas. Há coisas a serem reveladas que Deus fará conhecidas a Seu próprio e devido tempo, que não compreendemos agora. Quanto a mim, já há tanto revelado quanto me parece possível compreender. Se eu pudesse apenas apreender tudo o que Deus revelou, e compreendê-lo como devo, e aplicá-lo com retidão em minha vida, creio que então estaria preparado para algo mais, se ainda fosse digno disso. Ora, bendigo vossas almas, há pessoas entre nós que se preocupam e se afligem com coisas que jamais foram reveladas aos filhos dos homens, e estas mesmas pessoas nem sequer guardam a Palavra de Sabedoria, nem sequer pagam seu dízimo, e, via de regra, o homem que não paga seu dízimo e que não guarda a Palavra de Sabedoria é o homem que está eternamente questionando e fazendo perguntas sobre coisas que não compreende. Se os homens pagassem seu dízimo, se guardassem a Palavra de Sabedoria, se fizessem suas orações, se dedicassem suas vidas a obras de retidão na terra e estudassem o evangelho por si mesmos e o obedecessem, teriam menos necessidade de fazer perguntas, e não se esqueçam de que assim conheceriam as coisas melhor do que agora.

O Senhor vos abençoe. Do mais profundo de minha alma, eu vos abençoo; possuo o direito, as chaves e a autoridade do Sacerdócio Patriarcal na Igreja. Tenho o direito de proferir bênçãos patriarcais, porque possuo as chaves e a autoridade para fazê-lo. Foi-me dado, a mim e a meus associados, ordenar patriarcas e separá-los para dar bênçãos ao povo, a fim de confortá-los por meio de promessas feitas com sabedoria e pela inspiração do Espírito de Deus, do favor e das misericórdias do Senhor, para que sejam mais fortes em boas obras, para que suas esperanças se realizem e sua fé aumente. E eu vos abençoo, meus irmãos e irmãs na causa de Sião, com toda a minha alma e pela autoridade do sacerdócio que possuo. Possuo o sacerdócio do apostolado, possuo o alto sacerdócio que é segundo a ordem do Filho de Deus,

que está no fundamento de todo sacerdócio e é o maior de todos os sacerdócios, porque o apóstolo, o sumo sacerdote e o Setenta derivam sua autoridade e seus privilégios do sacerdócio que é segundo a ordem do Filho de Deus. Toda autoridade procede desse alto sacerdócio. Profetizo que a bênção do Senhor há de estar sobre Seu povo por toda a extensão de nossa gloriosa terra, e sobre o povo desta nação, se fizerem o que é certo. As bênçãos do Senhor serão derramadas mais particularmente sobre os Santos dos Últimos Dias, se estes viverem sua religião como devem. A ideia de um Santo dos Últimos Dias contender com seu vizinho, arrastando-o perante seu bispo para julgamento — ora, bendigo vossas almas, de que adianta isso? Nunca precisei fazer nada semelhante. Creio ter sofrido algumas coisas que poderiam ter-me justificado a queixar-me a meu bispo e pedir-lhe que visse se conseguia fazer meu vizinho cumprir seu dever, mas nunca tive ocasião suficiente para fazê-lo, e jamais o fiz. Nunca tive necessidade de comparecer perante o sumo conselho com minhas dificuldades. Minha religião me ensina um caminho melhor do que esse. Preferiria ceder à injustiça a tentar exigir cada grama de carne, por assim dizer. E não creio que seja necessário que os Santos dos Últimos Dias se distanciem tanto em seu juízo, em seus gostos e desgostos, em seu desejo de reivindicar algo que julgam ser seu, a ponto de recorrer à lei para que o tribunal os ponha em ordem. Dar e receber. Reconciliai-vos uns com os outros. Não recorrais aos tribunais da Igreja nem aos tribunais da terra para litígios. Resolvei vossas próprias dificuldades e disputas; e, como o Bispo Hunter costumava dizer — o que é um axioma que não se pode contestar — só há uma maneira pela qual uma dificuldade existente entre um homem e outro pode ser verdadeiramente resolvida, e é quando eles se reúnem e a resolvem entre si. Os tribunais não podem resolver as dificuldades entre mim e meu irmão. Se decidirem contra ele e a meu favor, é claro que recebo isso com alegria e louvo o juiz por ter-me favorecido, mas meu irmão rejeita a decisão, e, embora eu sinta que está resolvida, meu irmão não fica de modo algum satisfeito, condena a decisão e se enche de amargura contra mim. Assim, a única maneira de resolver uma dificuldade entre irmãos é que se reúnam e a resolvam entre si mesmos, e que fique resolvida plena e definitivamente. Se tivermos o espírito do evangelho em nossos corações, se tivermos o amor à verdade permanecendo em nossas almas, e se amarmos nosso próximo ainda que seja pela metade como amamos a nós mesmos — e especialmente se amarmos a Deus de todo o coração, mente e força —, poderemos facilmente dar e receber até resolvermos as dificuldades existentes entre vizinhos e irmãos, sem que ninguém mais precise vir nos ajudar a fazê-lo. Muitas vezes fui chamado a ajudar outros a resolver suas dificuldades, mas nunca precisei pedir a ninguém mais que viesse ajudar-me a resolver as minhas. Penso que devemos viver nossa religião. Devemos guardar os mandamentos de Deus.

Devemos possuir e desfrutar o espírito do evangelho em nossos corações e dar os frutos do espírito em nossa vida: fé, esperança e caridade, amor, humildade e perdão em nossas almas, uns para com os outros, e evitar, tanto quanto possível, o espírito de acusação, de contenda, que conduz à discórdia, à confusão e à divisão entre os homens, e o espírito de ódio. Ó, bani o ódio de vós. O ódio guardado em nossos corações, ou a inveja, ou o ciúme, ferirão mil vezes mais àqueles que os permitem habitar em suas almas e nutrem rancor em seus pensamentos do que ferirão aos outros. Assim, banamos estas coisas de nossos corações e de nossos pensamentos. Vivamos vidas retas; que o marido ame sua esposa e lhe seja fiel e bondoso, e que a esposa seja fiel e bondosa para com seu marido, e que sejam fiéis, amorosos e solícitos pelo bem-estar de seus filhos; que estejam unidos como uma unidade familiar na Igreja, e, à medida que essa condição se estenda até os confins de Sião, teremos entre nós o reinado milenar, e haverá paz na terra e boa vontade para com os homens em toda parte.

O Senhor vos abençoe, e espero que me perdoeis por ter ocupado tanto de vosso tempo.

Tenho alguns pequenos itens que anotei e que me darei ao trabalho de ler, para informação da conferência:

Na Missão Britânica, o Élder Hyrum M. Smith foi honrosamente desobrigado e é sucedido pelo Élder George F. Richards. Seu filho, George F., Jr., também o acompanha em sua missão à Grã-Bretanha.

Na Missão da Holanda, o Élder LeGrande Richards também foi honrosamente desobrigado e sucedido pelo Élder John A. Butterworth, que já servia como missionário na missão quando o Irmão Richards foi desobrigado.

Na Missão da Nova Zelândia, o Élder William Gardner foi honrosamente desobrigado e é sucedido pelo Élder James N. Lambert, um jovem nascido e criado em nossa cidade aqui.

Na Missão Samoana, o Élder John A. Nelson, Jr., foi honrosamente desobrigado e é sucedido pelo Élder Ernest Wright.

Na Missão Sueca, o Élder Theodore Tobiason foi honrosamente desobrigado e é sucedido pelo Élder Andrew P. Anderson.

Na Missão Suíço-Alemã, estamos nos esforçando para desobrigar o Élder Hyrum W. Valentine, e já enviamos o Irmão Angus J. Cannon, filho do Presidente George Q. Cannon, para sucedê-lo. Ele encontrou um obstáculo em seu caminho à Suíça, e, por isso, a desobrigação do Irmão Valentine está atrasada, mas esperamos que o Irmão Cannon consiga passar em breve, e que o Irmão Valentine e sua esposa estejam a caminho de casa em segurança.

A Missão de Tonga foi organizada, tendo o Élder Willard L. Smith como presidente. Esta missão esteve associada à Missão Samoana desde o início, mas fica tão distante da sede da Missão Samoana que concluímos ser melhor torná-la uma missão separada.

As presidências das seguintes estacas foram reorganizadas: Estaca Beaver, Estaca Bannock, Estaca Big Horn, Estaca Panguitch e Estaca Parowan. Quarenta e seis bispos e sessenta e oito escrivães de ala foram nomeados desde a última conferência de abril. Esta é uma das coisas que eu tinha em mente: são mudanças demais, se pudéssemos evitá-las. Poderia sugerir, quanto a este pensamento, que, se os presidentes de estaca fossem um pouco mais cautelosos e dessem um pouco mais de atenção à adequação do homem escolhido para atuar como bispo, às suas qualificações em todos os sentidos, e especialmente à sua condição de residente na ala, para que não se veja na necessidade de mudar-se, após alguns meses como bispo, e ir embora para outro lugar, exigindo uma mudança no bispado, penso que talvez pudéssemos evitar algumas destas numerosas mudanças nos bispados de nossas alas.

Vinte novas alas foram organizadas desde a conferência de abril passado, e todas estas novas alas necessitam de casas de culto, e, é claro, a primeira coisa em que pensam é construir uma capela, e recorrem ao Fiduciário para que os ajude substancialmente na construção delas. Assim, temos pedidos vindos de todos os lados, não somente das estacas e alas já bem estabelecidas que têm tido capelas no passado, mas também destas novas estacas; e não poucas de nossas alas mais antigas e bem estabelecidas, que têm capelas há muitos anos, chegaram à conclusão de que as casas antigas já não são suficientemente boas e precisam de novas, e assim somos chamados a contribuir para elas, bem como para o desenvolvimento das novas alas.

Há agora setenta e duas estacas de Sião organizadas, com oitocentas e dezesseis alas e ramos independentes, e há vinte e duas missões na Igreja.

Que o Senhor vos abençoe é minha oração, e humildemente a peço em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “Nossa Religião, uma Realidade Terrível e a Coisa Mais Importante para Nós Neste Mundo”, Conferência Geral de Outubro de 1916, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1916-10-06). Pulpit Vault, 1916-10-01-joseph-f-smith-remarks-1. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).